segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Na estante de culto




João Lúcio
Poesias Completas

Edição organizada e prefaciada por António Cândido Franco
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002
Biblioteca de Autores Portugueses


João Lúcio (1880-1918) publicou em vida três livros de poesia “Descendo” (1901), “O Meu Algarve” (1905) e “Na Asa do Sonho” (1913), livros estes que nunca foram reeditados.
Colaborou na segunda série da revista “A Águia” (1913) onde germinou a poesia saudosista entre 1912 e 1915. A poesia de João Lúcio tornou-se também, a par da de Pascoaes, um expoente da poesia saudosista.
Nesta edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, é reunida toda a poesia de João Lúcio, o que constitui uma excelente oportunidade para descobrirmos a sua obra quase desconhecida.
João Lúcio foi o poeta que Teixeira de Pascoaes, no fim da vida, escolheu como o seu único contemporâneo. E neste livro reproduz-se uma conferência de Pascoaes sobre João Lúcio publicada integralmente pela primeira vez na revista “Brotéria” em Dezembro de 1973 (já antes tinha sido publicado um excerto na revista “Vértice” em 1953). O texto foi depois publicado na íntegra nas Obras de Teixeira de Pascoaes - vol. 7 A Saudade e o Saudosismo pela Assírio & Alvim.
Esta edição contém os poemas dos livros “Descendo” (1901), “O Meu Algarve” (1905), “Na Asa do Sonho” (1913), “Espalhando Fantasmas” (1921) (póstumo) e ainda poemas inéditos, cartas e artigos publicados na imprensa. No final, uma marginália crítica com textos de autores portugueses sobre este poeta algarvio.


Tarde de leite e rosas, ouvindo a floresta

Tarde de leite e rosas. Cada aresta,
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.

Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que, as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.

Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou...
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
A floresta, cantou.

Em cada ramo, um violino havia:
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
Par'cendo que escondia uma harmonia,
Nas sombras das ramagens, a Aurora.

Como a floresta, meu amor, eu tento,
Atirar o meu canto pra a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura.

João Lúcio


"E eis o verdadeiro Algarve! O Algarve, depois da Escola de Sagres, é o poema de João Lúcio."
Teixeira de Pascoaes

Província onde nasci, amada do luar
E o sol ruidoso, ardente, imorredoiro…
Lírio fresco e azul deitado à beira-mar,
Com o cálix gentil a orvalhar-se em oiro…

Nesse canto imortal de todo o Universo,
De florestas, de sóis, mares e cordilheiras,
Tu és, unicamente, um perfumado verso,
Feito em luar dormente, azul e laranjeiras.

Lindo verso, porém, dessa lira suprema,
Com hinos triunfais, auroreais, fecundos,
Que abrange a Vida toda e faz o seu poema,
Rimando montes, céus, oceanos e mundos.

Tens o rir jovial e a bonomia calma,
O dulcíssimo aspecto ingénuo das crianças;
O sol doira-te o corpo; a fantasia a alma;
Fala-te o céu de amor; fala-te o mar d'esp'ranças.

Que este livro te diga, oh terra aventureira,
Como o meu coração a voz te sabe ouvir:
Ele é singelamente uma canção ligeira,
Que tu lhe tens cantado e tenta repetir.

Quando os astros de noite, errantes e dispersos,
Vierem mergulhar nas águas do teu mar,
Vai ler-lhes mansamente estes humildes versos
Pra que digam a Deus como te sei amar.

João Lúcio
O Meu Algarve (1905)

Morreu o poeta Alberto de Lacerda

Alberto de Lacerda, um dos fundadores da revista Távola Redonda, com David Mourão Ferreira, morreu ontem em Londres.
Nascido em Moçambique, Alberto de Lacerda viveu em Portugal durante poucos anos. Em 1951 fixou-se em Londres trabalhando como locutor da BBC. Nos anos seguintes viajou pela Europa e esteve no Brasil em 1959 e 1960. Viveu nos Estados Unidos entre 1967 e 1969, onde deu aulas.
Alberto de Lacerda é autor de uma vasta obra (parte desta ainda inédita) e está traduzido em várias línguas.
Colaboração sua, de poesia e prosa, encontra-se dispersa em Unicórnio, Tetracórnio, Botteghe Oscure, The Times Literary Supplement, Encounter, The Listener, Cahiers des Saisons, Diário de Notícias, Diário Popular, Diário de Lisboa, A Voz de Moçambique, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, O Estado de S. Paulo, Colóquio-Letras, Colóquio-Artes, etc.
Obra editada (Poesia):
1955 - 77 Poemas
1961 - Palácio
1963 - Exílio
1969 - Selected Poems
1981 - Tauromaquia
1984 - Oferenda I
1987 - Elogio de Londres
1988 - Meio-dia (Prémio Pen Club)
1991 - Sonetos
1994 - Oferendas II



Tese e antítese

Nunca mais
E arrasto comigo pelo braço da esperança
As horas marejadas as pedras do desgosto
A fome de amor
A cavernosa rouca diamantina
Fome de amor

Nunca mais e sobre os altos silêncios
No tumulto insensato
À beira do abismo
Ressuscito
Os rostos bem amados
Traiçoeiros
Dou-lhes andas
Dou-lhes palhaços
A infância que não tive
E que perdi
A paz que não é minha

Nunca mais

Agora só há abismos não há rostos

Passem duendes príncipes Antinos
Mas de largo

Alberto de Lacerda

domingo, 26 de agosto de 2007

Curso de Poesia



Na agenda dos próximos Cursos de Âmbito Cultural do El Corte Inglés de Lisboa, vai ter lugar um Curso de Poesia com a orientação de José Fanha.
O curso decorrerá entre 21 de Setembro e 7 de Dezembro, às sextas-feiras, das 19 às 21 horas.
A frequência do curso é gratuita e requer inscrição prévia (as vagas são limitadas).
As aulas decorrem na Sala de Âmbito Cultural, no Piso 7 do El Corte Inglés (Av. António Augusto de Aguiar, 31).
As inscrições podem ser feitas até 11 de Setembro.
Telefone: 213 711 700
Internet: www.elcorteingles.pt
E-Mail: servico_clientes@elcorteingles.pt

sábado, 25 de agosto de 2007

O grupo de expressão artística Margem d'Arte celebrará o seu primeiro aniversário no próximo dia 31 de Agosto com um espectáculo de poesia marginal que se realizará pelas 01:00H da madrugada no "Manel Bar", em Santa Cruz, Torres Vedras.
Marcações, dúvidas e afins:
margemdarte@hotmail.com
916269885
www.margemdarte.blogspot.com

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Novidades Caminho



"Tu Escolhes"

de Teresa Guedes

Há dias em que não te apetece ler.
Há dias em que te apetece ler Poesia. Outros, só Prosa.
Mas será que é fácil distingui-las... só pelo seu aspecto formal?
Ou às vezes, as duas disfarçam-se de textos poéticos...?
De qualquer forma, este livro poderá ser um casaco de duas faces: conforme o teu estado de espírito, «veste-o» (ou seja, lê-o) do lado que te apetecer.

Tu escolhes!

Género: Infantil-Juvenil/Poesia
1.ª edição: Setembro 2007

Maria Teresa Fernandes Costa Guedes nasceu em 1957 no Porto, onde concluiu a sua licenciatura em Filologia Germânica.
É professora e dinamiza Clubes de Poesia e de Escrita Criativa para alunos.
Orienta acções de formação para professores.

Os Dias da Criação






Dias 22 e 23 de Setembro de 2007, na Casa da Eira Longa, em Vilar, Boticas (Trás-os-Montes).

Nesta iniciativa estarão presentes criadores leoneses e transmontanos da áreas do Audiovisual, da Escrita, da Performance, da Música, da Poesia, da Fotografia, do Pensamento, da Gravura, do Teatro, dos Grafismos, do Artesanato, da Escultura, dos Contacontos...

Para mais informações:
http://canisdei.blogspot.com
960238922 (Eira Longa)
965817337 (Incomunidade)
diasdacriacao@gmail.com

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Au bord du jardin,

Qu'est-ce qui se tient tout au bord du jardin,
Mais aussi au centre de mon jardin?

Peut-être le travail minutieux de l'abeille noire,
Celui de la terre et celui des outils,

Peut-être
Celui plus ordonné encore des petites fourmis
Et des touffes d'herbe?

Peut-être y aurait-il là aussi un poème,

Un poème fatigué d'attendre dehors sous la pluie
Et qui minutieusement effacerait les bords
Et le centre du jardin?

Yves Namur

(um presente de aniversário enviado pelo Michel, autor do blogue Novos Tropismos)

domingo, 12 de agosto de 2007

Faz hoje 100 anos que nasceu...




12 de Agosto de 1907

Miguel Torga

Poeta português



Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Negrura ; Adeus ; Bucólica ; Livro de Horas ; Prece

Prece

Senhor, deito-me na cama
Coberto de sofrimento;
E a todo o comprimento
Sou sete palmos de lama:
Sete palmos de excremento
Da terra-mãe que me chama
Senhor, ergo-me do fim
Desta minha condição:
Onde era sim, digo não,
Onde era não, digo sim;
Mas não calo a voz do chão
Que grita dentro de mim.
Senhor, acaba comigo
Antes do dia marcado;
Um golpe bem acertado,
O tiro dum inimigo...
Qualquer pretexto tirado
Dos sarcasmos que te digo.

Miguel Torga
Vila Nova, 11 de Dezembro de 1934


Na voz de Luís Gaspar:

Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais,
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem
De ser um anjo caído
Do tal céu que Deus governa.
De ser um monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!

Miguel Torga


Na voz de Luís Gaspar:

Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937


Na voz de Luís Gaspar:

Adeus

É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer a humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade Consumada,
Um poema de líquido pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.

Miguel Torga


Na voz de Luís Gaspar:

Negrura

Neste dia sem luz que me anoitece,
Que me sepulta inteiro,
Até de mim a minha dor se esquece
Para que eu seja um morto verdadeiro.

Chove tristeza fria no telhado
Do castelo do sonho; nua, nua
A calçada que subo, já cansado
De tanto andar perdido nesta rua.

Duma olaia caiu, morta, amarela,
Qualquer coisa que foi princípio e fim;
E bem olhada, bem pensada, é ela
Aquela folha que lutou por mim...

Sozinho e morto ouço cantar alguém,
Mas é longe de mais a melodia...
E o ouvido que vai nunca mais vem
Trazer-me a luz que falta no meu dia.

Miguel Torga


Na voz de Luís Gaspar:
Miguel Torga nasceu no dia 12 de Agosto de 1907 em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa Trás os Montes, aldeia onde cresceu e que o havia de marcar para toda a vida. De nome Adolfo Correia da Rocha, adoptou o pseudónimo de Miguel Torga (torga é o nome dado à urze campestre que sobrevive nas fragas das montanhas, com raízes muito duras infiltradas por entre as rochas). Depois de uma breve estadia no Porto, frequentou apenas por um ano o seminário em Lamego. Em 1920 partiu para o Brasil, onde foi recebido na fazenda de um tio. Regressou depois a Portugal acompanhado do tio, que se prontificou a custear-lhe os estudos em Coimbra. Em apenas três anos fez o curso do liceu, matriculando-se a seguir na Faculdade de Medicina, onde terminou o curso em 1933. Exerceu a profissão na terra natal, passou por Miranda do Corvo, mas foi em Coimbra que alguns anos mais tarde acabou por se fixar.
"Atordoado na meninice e escravizado na adolescência, só agora podia renascer ao pé de cada rebento, correr a par de cada ribeiro, voar ao lado de cada ave", pouco sociável, mitigou a solidão rodeando-se de livros. Foi logo após ter entrado para a universidade que deu início à sua obra literária, com os livros "Ansiedade" e "Rampa". Só em 1936 passou a usar o pseudónimo que o havia de imortalizar.
Desde a década de trinta até 1944 escreveu uma obra vasta e marcante em poesia, prosa e teatro. Não oferecia livros a ninguém, não dava autógrafos ou dedicatórias, para que o leitor fosse livre ao julgar o texto. Foi várias vezes candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Ganhou vários prémios entre eles o Grande Prémio Internacional de Poesia e em 1985 o Prémio Camões. Com ideias que se demarcavam do salazarismo, foi preso e pensou em sair do país, mas não o fez por se sentir preso à pátria e a Trás-os-Montes, longe do qual seria um "cadáver a respirar". A sua poesia reflecte as apreensões, esperanças e angústias do seu tempo. Nos volumes do seu Diário, em prosa e em verso, encontramos crítica social, apontamentos de paisagem, esboço de contos, apreciações culturais e também magníficos textos da mais alta poesia. Toda a sua obra, embora multifacetada, é a expressão de um indivíduo vibrante e enternecido pelas criaturas, tremendamente ligado à sua terra natal. Faleceu em 1995. Em 1996 foi fundado o Círculo Cultural Miguel Torga.

Obra:
Poesia: "Ansiedade" (1928), "Rampa" (1930), "Tributo" (1931), "Abismo" (1932), "O outro Livro de Job" (1936), "Lamentação" (1943), "Libertação" (1944), "Odes" (1946), "Nihil Sibi" (1948), "Cântico do Homem" (1950), "Alguns Poemas Ibéricos" (1952), "Penas do Purgatório" (1954), "Orfeu Rebelde" (1958), "Câmara Ardente" (1962), "Poemas Ibéricos" (1965).
Ficção: "Pão Ázimo" (1931), "A Terceira Voz" (1934), "A Criação do Mundo" (5 volumes, 1937 1938 1939 1974 1981), "Bichos" (contos, 1940), "Contos da Montanha" (1941), "Rua" (1942), "O Senhor Ventura" (1943), "Novos Contos da Montanha" (1944), "Vindima" (romance, 1945), "Pedras Lavradas" (contos, 1951), "Traço de União" (1955), "Fogo Preso" (1976).
Teatro: "Terra Firme, Mar" (1941), "O Paraíso" (1949), "Sinfonia" (poema dramático)(1947).
Literatura autobiográfica: "Diário" (16 volumes, 1941 1993), "Portugal" (1950).

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Novidades Intensidez


O último livro da editora Intensidez "Tengo Algo de Arbol" ou "Tenho Qualquer Coisa de Árvore" (edição castelhano/português, de Agosto) será apresentado este mês em Salamanca e depois em Setembro, em Portugal (Vilar, Boticas - Dias da Criação).
Trata-se de uma obra muito representativa da contemporaneidade poética de natureza hispânica na actualidade, sendo os autores leoneses reunidos:

Antonio Gamoneda
Aldo Z. Sanz
Eloisa Otero
Gaspar Moisés Gómez
Ildefonso Rodríguez
Jorge Pascual
José Luis Puerto
Juan Carlos Mestre
Miguel Suárez
Rubén Mielgo
Silvia Zayas
Tomás Sanchez Santiago
Victor M. Díez

A edição é bilingue, para aproximação entre as línguas lusa, castelhana e as diversas culturas a estas afectas, um princípio inerente ao Projecto Intensidez.

Mais informações sobre este e outros projectos da Intensidez, aqui.

Morreu o poeta cabo-verdiano João Manuel Varela



O poeta e escritor cabo-verdiano João Manuel Varela faleceu ontem na Cidade do Mindelo (Ilha de S. Vicente), aos 70 anos.
Natural de S. Vicente, João Varela licenciou-se em Medicina pelas universidades de Coimbra e Lisboa, tendo-se doutorado pela Universidade de Antuérpia, onde desenvolveu as suas investigações no domínio da neuropatologia e neurobiologia.
Além de médico e cientista, João Varela era poeta, contista, romancista e ensaísta. U
sava como pseudónimos João Vário e Timóteo Tio Tiofe (poesia) e G. T. Didial (ficção e ensaios).
A sua obra, sobretudo a poética, é uma das mais complexas e ricas de Cabo Verde. Varela publicou em 1975 aquele que é considerado um dos marcos da poesia cabo-verdiana pós-Claridade: “O primeiro livro de Notcha”, tendo-se seguido, em 2001, “O segundo livro de Notcha”.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Cesariny lido por Cesariny














A Assírio & Alvim vai lançar esta semana um colectânea de poemas de Cesariny lidos pelo próprio poeta numa gravação feita em sua casa poucos meses antes de morrer.
São 34 poemas gravados em três domingos de Maio e Junho de 2006, e foi o próprio Cesariny que os escolheu de três livros seus: «Cidade Queimada», «Pena Capital» e «Manual de Prestidigitação».
Este CD (com livro) será apresentado na próxima quinta-feira à noite no LUX Frágil por José Manuel dos Santos, juntamente com um livro/entrevista que será publicado com o DVD do filme «Autografia», realizado por Miguel Gonçalves Mendes, que também estará presente.
«Autografia/Verso de Autografia» com fotografias de Susana Paiva e trabalho gráfico de Paulo Reis, inclui o melhor das entrevistas feitas a Cesariny durante as mais de vinte horas de rodagem de «Autografia», um documentário sobre a sua vida e obra que contém apenas duas horas do material filmado por Miguel Gonçalves Mendes.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

XXXI Feira do Livro da Cidade de Faro





A 31ª Feira do Livro de Faro, que abriu as portas no passado dia 27 de Julho e estará aberta até 12 de Agosto, é um dos mais antigos e importantes certames do género em todo o Algarve.
A Feira está no Jardim Manuel Bívar com um elevado número de obras com preços de desconto e funciona diariamente entre as 19h00 e as 24h00.
Destaque para 3 eventos de Poesia:
Dia 04 de Agosto – Sábado, pelas 21:30h:
Manuel Cardoso – “Poemas da Minha Vida”
Local: Pavilhão da Biblioteca Municipal
Dia 10 de Agosto – Sexta-Feira, pelas 21:30h:
Telmoro – Poesia Andaluza – Leitura de Poemas em Castelhano
Local: Pavilhão da Biblioteca Municipal
Dia 11 de Agosto – Sábado, pelas 21:30h:
Maria Margarida Rodrigues – Poetas do Sul – Leitura de Poemas de Autores Algarvios
Local: Pavilhão da Biblioteca Municipal

Tertúlia de bloggers lisboetas




O primeiro encontro experimental da Tertúlia Lisboa de Blogues relizou-se no passado dia 07/07/07 e por isso ficou definido pelo organizador (Geraldes Lino) que esta tertúlia se realizaria aos dias 7 de cada mês.
Assim, o próximo encontro da Tertúlia Lisboa de Blogues vai realizar-se já esta terça-feira, 7 de Agosto, coincidindo com a Tertúlia de Banda Desenhada (que se realiza às primeiras terças-feiras de cada mês), também organizada por Geraldes Lino.
Este interessante encontro coincidente que vai juntar no mesmo espaço "tertulianos bloguísticos" e "tertulianos amantes de Banda Desenhada" vai acontecer ao jantar, no restaurante "A Gina" do Parque Mayer, em Lisboa, a partir das 20 horas. O que promete, para além dos habituais desenhos rabiscados nas toalhas de papel e dos fanzines de BD que o Lino distribui, a descoberta de um tema novo para os senhores "blogueiros" escreverem no dia seguinte nos seus blogues. Esta gente da BD tem muito para contar, não só para desenhar. Além do mais, é ali que se encontram mensalmente os "mestres" ainda vivos da BD e ilustração portuguesa. Esta terça-feira será homenageado postumamente o ilustrador e autor de Banda Desenhada Méco (lembram-se da revista infantil O Papagaio?), com a presença do seu filho, o "mestre" Zé Manel (lembram-se das aventuras de Robert, Nicole e Patapouf nos livros de Francês?) e do professor Vítor da Silva, designer e autor de bandas desenhadas, contemporâneo de Méco nas colaborações em BD para O Papagaio.

Os interessados poderão confirmar a presença através de comentário a este "post".
Mais informações sobre estas duas tertúlias, no blogue de Geraldes Lino, aqui.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Novidades Campo das Letras








Ardem as Trevas
e Outros Lugares

de Helena Carvalhão Buescu




Talvez tenha sido esse o dia (foi seguramente)
em que falaste de asas,

como se a noite as fizesse crescer

por delas falarmos:

e houvesse, ao nosso lado,

o intermitente rufar das suas penas.


E esse o dia em que,

de noite,

seguraste o dorso dos anjos, sobressaltados,

e do que fora descanso

nasceu, portanto, sabermos do sobressalto deles,

quando o voo rasante das aves

deixou no horizonte

a linha dura que é a de

para ela olharmos, contra o sol:

nele se destacou, a negro,

a cor branca da lua.


Helena Carvalhão Buescu é professora na Faculdade de Letras de Lisboa, onde trabalha nas áreas de Literatura Comparada e Literatura Portuguesa. As suas áreas de interesse abrangem sobretudo os séculos XIX e XX e ainda a problemática teórica da literatura. Colabora regularmente com Universidades estrangeiras (Europa, Estados Unidos, Brasil), onde tem sido professora ou investigadora.
É membro da Academia Europaea.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Prémio DST, este ano para Poesia

Já abriram as inscrições para a 13ª edição do Grande Prémio de Literatura DST - Domingos Silva Teixeira.
O prémio, no valor de 15 mil euros, tem por objectivo distinguir uma obra em português, cujo autor seja nascido ou residente em território nacional.
A edição de 2007 distinguirá um livro de poesia que tenha sido publicado em primeira edição no biénio anterior.
A atribuição deste prémio é rotativa, distinguindo alternadamente um livro de poesia num ano e, no seguinte, um livro de prosa.
Os concorrentes ao Grande Prémio de Literatura DST devem enviar a concurso quatro exemplares para o endereço da empresa, Rua de Pitancinhos, Ap. 208, Palmeira 4711-911 Braga, até 04 de Outubro.
Os resultados das candidaturas serão conhecidos a 1 de Dezembro.

sábado, 28 de julho de 2007

Na estante de culto






A Leve Têmpora do Vento
Carlos de Oliveira
Antologia Poética
Selecção e nota de João Pedro Mésseder
Edições Quasi, 2001






Só, em meu quarto, escrevo à luz do olvido;
deixai que escreva pela noite dentro:
sou um pouco de dia anoitecido
mas sou convosco a treva florescendo.

Por abismos de mitos e descrenças
venho de longe, nem eu sei de aonde:
sou a alegria humana que se esconde
num bicho de fábulas e crenças.

Deixai que conte pela noite fora
como a vigília é longa e desumana:
doira-me os versos já a luz da aurora,
terra da nova pátria que nos chama.

Nunca o fogo dos fáscios nos cegou
e esta própria tristeza não é minha:
fi-la das lágrimas que Portugal chorou
para fazer maior a luz que se avizinha.


Carlos de Oliveira nasceu no Brasil em 1921, filho de pais portugueses, e faleceu em Lisboa em 1981. Poeta e romancista, além de cronista, crítico e tradutor, despertou para a escrita no seio da geração dos neo-realistas, em Coimbra. Publicou, em prosa, Casa na Duna, Alcateia, Pequenos Burgueses, Uma Abelha na Chuva e Finisterra: paisagem e povoamento. Em poesia, escreveu Turismo (1942), Cantata (1960) e Pastoral (1977), entre outros.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Hoje nasceu...





26 de Julho de 1875

Antonio Machado

Poeta espanhol




Artigos relacionados:

Poemas: Chamou meu coração, um claro dia...
Chamou meu coração, um claro dia,
com um perfume de jasmim, o vento.

– Em troca deste aroma,
todo o aroma de tuas rosas quero.

– Não tenho rosas, flores
em meu jardim não há: todas morreram.

– Levarei o soluçar das fontes,
as folhas pálidas, as pétalas já secas.

Fugiu o vento... Meu coração sangrava...
Alma, que é feito do teu jardim deserto?

Antonio Machado
(tradução de José Bento)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Poesia & Músicas do Mundo
Na Biblioteca Municipal de Ílhavo, no próximo dia 23 de Julho, pelas 21h30.
Org.: Rota da Poesia – Associação Cultural
Apoio: Câmara Municipal de Ílhavo
Terá lugar no próximo dia 21 de Julho pelas 15.30 horas, na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, em Viseu, a apresentação do novo livro de Porfírio Al Brandão "Infracarnália" editado pela Palimage Editores.
A obra será apresentada por Martim de Gouveia e Sousa (poeta, ensaísta e crítico literário).
Haverá, no final, leitura de poesia pelo grupo de poetas “Sarau dos Danados”.
A Biblioteca D. Miguel da Silva situa-se próxima da Loja do Cidadão, em Viseu.

Porfírio Al Brandão é o pseudónimo literário de Evaristo Almeida Martins, nascido em França a em 1979, tendo crescido e sido educado em Fráguas, freguesia do Concelho de Vila Nova de Paiva. Depois de “Ancoradouro” este é o seu segundo livro de poesia.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Vítor Silva Tavares & etc



"Resistência é a palavra"
A & etc está quase a fazer 35 anos.
Vítor Silva Tavares faz hoje 70 anos.
Para quem não leu a entrevista a Vítor Silva Tavares da editora & etc publicada ontem no jornal PÚBLICO, feita pela jornalista Alexandra Lucas Coelho, pode lê-la aqui, em versão integral.

Poesia em Coimbra














“Caminhos do Sonho”
é o tema da última "Terça-Feira de Minerva" antes de férias, hoje, 17 de Julho, pelas 21h30, na Livraria Minerva (Rua de Macau 52, Bairro Norton de Matos, em Coimbra).
Com organização do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e da Livraria Minerva, a sessão será dividida em duas partes:
Na primeira parte poetas das Edições MinervaCoimbra, e outros, lerão poesia de sua autoria cujo tema é o Sonho.
Na segunda parte haverá leitura de poemas pelo grupo de teatro Thíasos, com colaboração de José Ribeiro Ferreira, homenageando especialmente dois autores: Antero de Quental e Cecília Meireles.
A entrada é livre, e todos os que tenham poemas dedicados ao Sonho e que não excedam uma página A4 podem participar nesta sessão lendo os seus poemas.

As Terças-Feiras de Minerva regressam a 18 de Setembro.

Neruda: Poesia e Teatro




Está a decorrer na Casa da América Latina, até ao final do mês de Julho, uma exposição documental sobre a vida e obra do poeta chileno Pablo Neruda, numa colaboração com a Companhia de Teatro de Almada, em que se incluem documentos alusivos à produção de O Carteiro de Neruda, de Antonio Skarmeta, que a Companhia estreou em 1997 e que ainda mantém em digressão.
A Casa da América Latina fica na Av. 24 de Julho, 118-B, em Lisboa.

segunda-feira, 16 de julho de 2007









Na próxima sexta-feira 20 de Julho, na Fábrica Braço de Prata (Livrarias Ler Devagar/Eterno Retorno), pelas 22 horas, na Sala Nietzsche, terá lugar uma sessão de apresentação do livro de Poesia "Órbitas Primitivas" de Paulo Renato Cardoso (Quasi, 2007).
A Fábrica Braço de Prata fica entre Santa Apolónia e o Parque das Nações.
Mais informações, aqui: http://www.bracodeprata.org

domingo, 15 de julho de 2007

Na estante de culto









Degredo no Sul

Antologia de poemas
de Al Berto

Selecção e prefácio
de Paulo Barriga
Assírio & Alvim, 2007
Documenta poética /116


Este novo título nasce de uma parceria entre a Assírio & Alvim, a Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, da Associação Longitude Zero e do Centro Cultural Emmerico Nunes. Trata-se de uma antologia que reúne 48 textos literários de Al Berto intitulada "Degredo no Sul". Uma colecção dos "poemas alentejanos" do autor de "O Medo", por ocasião dos dez anos da sua morte. A selecção dos textos e o prefácio esteve a cargo do escritor e jornalista Paulo Barriga.
Al Berto passou grande parte da sua vida no Alentejo e sobre ele escreveu (nomeadamente sobre Sines, Vila Nova de Milfontes e São Torpes).
Destaque para Mar-de-Leva, um conjunto de sete textos dedicados a Sines, nos quais Al Berto revela o «gosto a salmoura e destruição que lhe ficou na boca com o progresso das máquinas do complexo industrial que um dia chegaram para talhar a cidade».
Meditação em São Torpes
(1979), Tentativas de Um Regresso à Terra (1980), O Último Habitante (1983), confissões e trajectos à volta da Quinta de Santa Catarina e textos dispersos sobre Milfontes e a rua do Forte, onde viveu Al Berto em Sines, são outros dos poemas do livro.
Da prosa, destaque para Degredo no Sul, o texto que dá nome ao livro e que Al Berto dedicou ao poeta de Beja Al-Mu'tamid.

Este livro de evocação de Al Berto foi lançado ontem, 14 de Julho, na casa do Alentejo (em Lisboa), e veio “fresquinho” para a Estante de Culto deste blogue.

sábado, 14 de julho de 2007

Fernando Echevarría vence Prémio Sophia de Mello Breyner

O poeta Fernando Echevarría venceu, com «Obra Inacabada», a edição de 2007 do Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen.
Este prémio bienal, instituído em 2005 pela Câmara Municipal de S. João da Madeira em colaboração com a Associação Portuguesa de Escritores (APE), tem por objectivo galardoar uma obra que reúna a totalidade dos livros de poesia de autor português.
Na primeira edição foi distinguida a antologia «O Poeta na Rua», de António Ramos Rosa.
Publicada pelas Edições Afrontamento, «Obra Inacabada» reúne a produção poética de Fernando Echevarría nos últimos 50 anos.
Filho de pai português e mãe espanhola, Fernando Echevarría nasceu em Cabezón de la Sal (Santander, Espanha) em 1929 e veio para Portugal aos dois anos para, mais tarde, voltar a Espanha a fim de estudar Filosofia e Teologia.
Regressou a Portugal em 1953, tendo entretanto vivido exilado em Paris e Argel.
O poeta foi recentemente condecorado pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Homenagem

Praia da Batata, Lagos, 20 horas, quinta-feira, 12 de Julho. Tinha acabado de fazer alguns cortes superficiais e vários hematomas na coxa esquerda, depois de atravessar uma pequena gruta e saltar de metro e meio para cima de um rochedo cheio de limos.
Não me senti o homem mais infeliz do mundo. Senti-me apenas estúpido, consciente da pequena gravidade dos cortes. Era apenas um incómodo. Estava um final de tarde maravilhoso e preparava-me para ler PÚBLICO, JOGO, BOLA e RECORD num ambiente de paz e silêncio.

Coloquei o meu saco Adidas com perto de 25 anos (oferecido pelo meu amigo Kiko, após umas férias em Espanha) em local visível (não fosse um amigo do alheio gostar de relíquias) e fui para a água. A água em Lagos é muito fria, mas neste caso era óptimo. O frio seria o cicatrizante perfeito para ajudar a estancar o sangue, que não corria abundante, mas escorria de mansinho, insinuante. O sal e o iodo são também óptimos para situações destas. E o meu
escasso sangue não ia contaminar as águas, pois ninguém se encontrava por perto numa área de 50 metros. Nem chamar tubarões.

Fiquei por ali 15 minutos, de costas para a água, sempre com o meu saco à vista, a 60 metros, com as mãos por cima da testa, a fazer de pala, dado o contra-luz.

Saí da água, avaliei o grau de cicatrização dos cinco ou seis arranhões, espantei-me com a velocidade com que os hematomas se atenuaram (as nódoas negras tinham desaparecido a 80%, apesar do ligeiro inchaço) e fui para cima do pontão, ler os jornais, em cima da toalha.

Ponho o chapéu, ajusto os óculos escuros, procuro a melhor posição perante o sol e agarro no JOGO. Sinto-me invadir por aquela sensação de agarrar num jornal em que me sinto em casa, apesar de já não colaborar com a publicação. Mas é lá que tenho muitos amigos, como em tantos outros jornais.

Começo sempre pela última página. Primeiro quero ler as modalidades. E foi aí que sofri o corte mais profundo da tarde:

FALECEU VASCO HENRIQUES

Faleceu ontem (quarta-feira, 11), numa unidade hospitalar do Porto, o jornalista Vasco Henriques. Tinha 45 anos, pouco menos de metade deles passados na Redacção de O JOGO, até a doença prolongada o ter afastado do trabalho e da nossa companhia diária. Deixa esposa, filha e uma imensidão de amigos fiéis que a profissão lhe permitiu coleccionar, de uma forma muito própria e sempre prolífica. Só hoje (quinta-feira, 12) serão feitos os preparativos para o funeral, pelo que ainda não nos é possível dar essa informação. O JOGO apresenta à família sentidas condolências.


Fiquei a olhar para aquilo e duas lágrimas escorreram-me dos olhos. Por uma pessoa que nunca tinha visto pessoalmente, mas com quem falara muitas vezes ao telefone, por causa de serviços enviados de Lisboa para a Redacção do Porto. Claro que a urgência dos fechos nos obrigava a diálogos breves, na maior parte do tempo. Mas houve ocasiões em que estreitámos laços através de uma troca de pequenos pormenores pessoais. O Vasco era uma voz amiga que eu não ouvia há anos.

Telefonei ao Barbedo Magalhães (editor de Modalidades de O JOGO) e perguntei-lhe se a família não gostaria de ver publicado um poema meu em homenagem ao Vasco. O Barbedo disse que sim. Telefonei à Inês e perguntei-lhe se podia, uma vez mais, abusar da generosidade dela, pois não conheço espaço mais digno para homenagear os que partem do que este blogue dedicado à poesia. E as lágrimas estão já a escorrer-me outra vez pelos olhos.

Meia-hora depois de ter lido a notícia fúnebre tinha escrito este poema. Saí da praia decidido a beber duas ou três Guiness à memória do Vasco, pois Guiness era a cerveja favorita de outro querido amigo que desapareceu, o Fernando Alves Serra, da primeira Comunidade de Leitores da Culturgest.

Acabei a pagar o jantar a dois músicos de jazz franceses que tocavam Django em dueto de violas na principal rua de Lagos. E a morte do Vasco ficou mais suave.
O poema, com um grande abraço à família e a todos os camaradas de O JOGO é este:


UM GOLPE NA ALMA

Sabes, Vasco, nunca te vi o rosto
só te ouvi a voz
nesse Porto-Lisboa telefónico qu'era nosso

Sabes, Vasco, estou a sangrar
fiz mesmo agora um corte numa perna
e estou a mentir-te, Vasco

Fiz dois cortes, um na perna
nos rochedos
da Praia da Batata, em Lagos

E outro, muito mais profundo
na alma, que o sal e o iodo
não podem cicatrizar

Sabes, Vasco, eu não te conheci
mas ouvir a tua voz
não será conhecer-te um bocadinho?

Estou de férias, Vasco
com gritos de gaivotas
que não me deixam dormir

É tão injusto sentir-me assim
com raiva das gaivotas
quando tu nunca mais as ouvirás

Quando desceres à terra, Vasco
e nem sei se o teu corpo
viajará pelo fogo até onde não sei

Leva um pouco deste sol algarvio
desta brisa e destas lágrimas sinceras
de um homem que nem sequer te conheceu

Luís Graça, 12/7/2007, 20h29m

PS: À noite, no meu quarto de hotel, peguei finalmente nos jornais. Eram quase três da madrugada. Comecei a folhear o Record. E a página 39 era totalmente dedicada ao Professor Fernando Ferreira, fundador do jornal.
Morreu o Professor Fernando Ferreira.
"É" — disse-me ele; "destes já não se fabricam" — respondeu o Professor a Rui Cartaxana, quando o ex-director do Record lhe disse que o achava em perfeira forma física, já nos seus oitenta e picos.
Fernando Ferreira nasceu a 21/8/1918 e faleceu a 10/7/2007.

Do professor Fernando Ferreira conhecia a voz, conheci o olhar, conheci as fotos do atleta esbelto, conheci a voz e o carácter romântico e "duro de roer", no bom sentido. E estreitámos laços em meados dos anos 80, nos debates de um ciclo de cinema que decorreu no S. Luiz, denominado "Cinema e Desporto".

Pois é. Estamos de férias. Vamos à praia, lemos o JOGO e morre um camarada. Jantamos com dois músicos de jazz, adocicamos a alma, chegamos ao hotel, comemos qualquer coisa, vimos para a varanda ouvir as gaivotas (impossível não as ouvir), sentir a brisa. Deitamo-nos na cama do quarto do hotel, ganhamos coragem para folhear os jornais e sabemos da partida de um amigo.

À família e amigos do professor, os meus sentidos pêsames. Hoje à noite, não sei se vou com familiares ver "As obras completas de Shakespeare em 97 minutos". Se me apanharem a rir, Fernando e Vasco, não fiquem zangados. Estou só a tentar resistir até saber da próxima morte de um amigo.

Já não tenho forças para ficar escondido num cantinho a chorar-vos. Cada morte é como um estágio para um próximo desaparecimento. E preciso destes intervalos para ganhar balanço.

Agora parei de chorar.

Luís Graça

Site dedicado a David Mourão-Ferreira em Itália




Depois das actividades de homenagem a David Mourão-Ferreira, no passado mês de Maio, intituladas “A Nostalgia dos Movimentos Puros” (no ano em que se celebram os 80 anos sobre o nascimento do poeta), o Centro Studi Lusofoni da Universidade de Bari divulga agora a obra literária de David Mourão-Ferreira, bem como as actividades desenvolvidas no âmbito da Lusitanística, naquela cidade, através de um novo site, aqui.

O Centro Studi Lusofoni - Cátedra David Mourão-Ferreira apresenta este meio informático de divulgação da obra literária do poeta, ensaísta e tradutor, patrono da Cátedra da Universidade de Bari, evidenciando a ligação do autor a Itália, difundindo as traduções inter-semióticas da obra davidiana, no cinema, na música e nas artes plásticas.

Este site permitirá ainda expor igualmente outros aspectos da Lusitanística tais como a Revista On-line Quaderni davidiani dirigida por Joana Varela e Fernanda Toriello e a apresentação das culturas de todos os países lusófonos.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Um olhar sobre Fernando Pessoa








A Associação de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa vai expôr na Casa Fernando Pessoa uma série de trabalhos inspirados em Fernando Pessoa. Uma variedade de perspectivas que acentuam facetas particulares do poeta, da sua vida, de trechos de obras suas, caracterizadas através da ilustração, da banda-desenhada e do cartoon.
A exposição estará patente de 13 de Julho a 20 de Setembro no espaço-galeria do terceiro andar da Casa Fernando Pessoa.
Entrada livre.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Novidades Cotovia





Ensaios sobre Píndaro

Org: Frederico Lourenço

Textos de: Maria de Fátima Sousa e Silva , Maria do Céu Fialho, Sofia Frade, Maria Mafalda Viana, Carlos A. Martins de Jesus, Carlos Morais, António de Castro Caeiro, José Pedro Serra, Ana Lúcia Curado, Luísa de Nazaré Ferreira, Maria Fernanda Brasete, José Ribeiro Ferreira, Frederico Lourenço , Pedro Braga Falcão, Martinho Soares, Marta Várzeas, Delfim F. Leão.

Píndaro foi o maior poeta lírico da Grécia antiga, admirado e imitado de Horácio a Hölderlin. Neste livro inovador, dezassete helenistas portugueses debruçam-se sobre os poemas mais representativos do genial compositor lírico, de modo a tornar acessível ao público em geral o ideário estético e o universo conceptual de um dos mais arrojados e originais poetas de todos os tempos.





Degredo no Sul

Antologia de poemas de Al Berto
por Paulo Barriga
Assírio & Alvim

A Longitude Zero – Associação é parceira da Assírio & Alvim, do Diário do Alentejo e do Centro Cultural Emmerico Nunes, em Sines, na edição de uma antologia de poemas de Al Berto intitulada "Degredo no Sul". Trata-se de uma colecção dos "poemas alentejanos" do autor de "O Medo", por ocasião dos dez anos da sua morte, que será lançada no próximo dia 14 de Julho, pelas 16H00, na casa do Alentejo, em Lisboa.
Na ocasião serão ditos em voz alta poemas de Al Berto, pelo poeta e declamador Henrique Matos e será feita a apresentação da obra pelo antologiador, Paulo Barriga, pelo editor, Manuel Rosa, e pelo director do Diário do Alentejo, Francisco do Ó Pacheco.
Mais informações sobre Al Berto e a sua obra aqui, contactos para esclarecimentos ou entrevistas aqui.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Novidades Quasi






"Carreira do Fruto"

Poesia
Juan Carlos Reche
tradução de Pedro Santa Maria de Abreu

"Carreira do Fruto" é um conjunto de 30 poemas (como os anos que o autor tinha aquando da sua conclusão) que propõem uma saída do beco da pós-modernidade através de uma poesia profunda e de cuidada linguagem mas que nunca esquece o equilíbrio do verdadeiro poema.
Uma carreira rumo a uma ilha (anunciada no início do livro) e que não é outra que a da percepção da realidade no seu estado puro, sem egos mas com todos os atractivos oferecidos por essa mesma realidade.
Uma ilha finalmente atingida no último poema do livro.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Novidades Caminho


"101 Poetas. Iniciação à poesia em língua portuguesa"

Organização de Inês Pupo
Género: Infantil-Juvenil/ Poesia
Editorial Caminho, Junho 2007

"Qualquer leitor poderá por si só encontrar aqui os poetas que se tornarão seus companheiros para o resto da vida. Leituras feitas na sala de aula, sob orientação do professor, e em parceria com colegas da mesma idade, hão-de proporcionar experiências inesquecíveis e de efeito decisivo no amor pela língua e pela literatura."
Ana Maria Magalhães



"Auto-Retrato"
João Melo
Editorial Caminho, Junho 2007
Género: Poesia
Colecção: «Outras Margens», n.º 65


Auto-Retrato

I
Todos os materiais servem ao poeta:
o som de um tambor,
a angústia de uma mulher nua,
a lembrança de uma utopia.

A vida deposita, diariamente,
no altar profano da poesia,
a sua dádiva generosa:
estrelas e detritos.

E tudo a poesia sacrifica.

II
Para amar um poema,
é preciso ter coração e
sangue nas veias.

E que o poema seja uma carícia
ou um soco na boca do estômago.





"Deserto Pintado"
Isabel Cristina Pires
Editorial Caminho, Junho 2007
Género: Poesia
Colecção: «O Campo da Palavra», n.º 154



Rochas

O líquido anil evola-se do chão.
Há nele coisas que se cruzam.
Dança sufocada, convergência.
Turbilhão.
Jogo
da terra que respira. Aguda
morte, agudo fim.



"Dois Corpos Tombando na Água"
Alice Vieira
Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho 2007
Editorial Caminho, Maio 2007
Género: Poesia
Colecção: «O Campo da Palavra», n.º 156


entrego-te as palavras
que entre meus dedos construí
para alimentar de ti os recantos da casa
invadindo o coração da noite

entrego-te as palavras com a redonda luz
das maçãs sobre a mesa e o rumor da água
rasgando o caminho da paixão
em horas que já não conseguimos sem ajuda recordar
mas que habitam a mais frágil memória de nós próprios

palavras jorrando dos meus olhos
invadindo-te o sono e tropeçando
nas esquinas das frases que decoro
ao longo dos veios da tua pele

sábado, 7 de julho de 2007

Tertúlia Lisboeta de Blogues

Geraldes Lino, especialista em Banda Desenhada, autor dos blogues "Divulgando Banda Desenhada" e "Fanzines de Banda Desenhada" e Fundador e organizador da Tertúlia de Banda Desenhada de Lisboa que comemorou no passado dia 5 de Junho o seu 22º aniversário, inicia hoje 07/07/07 uma nova tertúlia, desta vez formada por gente activa da blogosfera, os chamados bloguistas (ou "bloggers").
E visto que estamos em Lisboa e a ideia é aqui que nasce, Geraldes Lino deu-lhe o título de Tertúlia Lisboa de Blogues.

Mais informações sobre esta tertúlia, aqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Na estante de culto







Luís Graça, como já aqui tinha anunciado, editou no mês passado três livros (em edição de autor).
Um deles é este "15 Desatinónimos para Fernando Pessoa", um livro de contos inspirados em Fernando Pessoa.

Convido-vos a uma leitura com diversão, de contos escritos com paixão. A paixão que Luís Graça nutre por Fernando Pessoa aliada ao seu já tão reconhecido sentido de humor.
Em vez de um Pessoa cinzento, a que muitos sempre nos quiseram habituar, Luís Graça apresenta-nos assim um Pessoa divertido, sarcástico, um Pessoa que se passeia pelo mundo de hoje, em fantasma, nos seus heterónimos "desatinados" que assim fizeram nascer o título "15 desatinónimos de Fernando Pessoa".
Abram as vossas mentes para ler estes 15 contos. Se os lerem de mente aberta verão que são uma delícia. E que se irão divertir pelas viagens do "Nandinho". Uma lufada de ar fresco e de cor neste mundo tão cinzento que é o nosso.
O livro pode ser adquirido à cobrança, enviando um e-mail para o autor (lg.vongrazen@gmail.com).


Excerto do conto "Explicações de Inglês":

"Eduardinho chegou à Brasileira mesmo em cima da hora.
Fernando António já se encontrava sentado à mesa, com um bagaço à sua frente. O petiz estava algo intimidado, mas por fim lá se aproximou do poeta, que tinha um ar estranho.
— Deves ser o Eduardinho, que vem para a explicação de inglês.
Eduardinho disse que sim com a cabeça. Fernando António indicou-lhe a cadeira do lado.
— Senta-te aí, petiz. Já tomaste o pequeno-almoço?
Eduardinho esclareceu que tinha tomado um sumo de laranja.
— Um sumo de laranja não é nada. Um petiz como tu precisa de alguma coisa substancial, para aguentar um dia inteiro de provações. Ó Lopes, são mais dois bagaços!
O Lopes trouxe mais dois bagaços e colocou-os à frente de Fernando António. O poeta empurrou um para Eduardinho. Dois ou três pingos de bagaço escorreram pelas bordas do cálice e ficaram a evaporar-se em cima da mesa.
— Ó petiz, isto não custa nada. Olha para mim !
E pronto. Não custou mesmo nada. Fernando António atirou um bagaço, de penalty, como é de bom tom, pelas goelas abaixo.
— Viste? Isto não custa nada. É sempre a aviar. Beber bagaço é dar de comer a um milhão de portugueses.
Eduardinho olhou para Fernando António e percebeu que a vida não continuava se não bebesse o bagaço. Experiência inédita. Mas se o cálice parecia estar cheio de água, não podia ser assim muito difícil. Atirou a cabecita para trás e lá desapareceu o primeiro bagaço da sua vida.
Um violento ataque de tosse tomou imediatamente conta do corpo franzino de Eduardinho. Algumas senhoras finas invectivaram o poeta.
— Parece impossível. A dar bagaço à criança... o senhor é um irresponsável...
— Ó minha senhora, circunde-se de rosas. Beba, ame, cale-se. O mais é nada...
Eduardinho começou a recuperar o fôlego. Sem saber como nem porquê, um sorriso aflorou-lhe os lábios. O poeta aparou o sorriso do petiz com elegância e devolveu-lhe a graça com um sorriso ainda mais aberto.
— Bagaço, Eduardinho. O bagaço é que nos salva! Há por aí outra pinga boa, mas o bagacinho é que faz andar o mundo. Estás a perceber?

As senhoras finas levantaram-se da mesa do lado e desceram em direcção ao Rossio. Não se podia estar ao lado do poeta, cada vez mais bêbado, cada dia mais insuportável, com as suas manias e maluquices.
— Queres comer alguma coisa, ó miúdo ? Come chocolates, pequeno, come chocolates. Olha, pede uma tablette pequenina e molha a pontinha no bagaço. Ah! pois é, já não temos bagaço. Ó Lopes, faça-me um favor. São mais dois bagaços e um chocolate fininho para o miúdo... mas olhe, daqueles que caibam no cálice...
O Lopes trouxe mais dois bagaços e um chocolate fininho, com papel às risquinhas, que Eduardinho tomou a seu cargo com prontidão.
— Ó sôr Fernando, o miúdo aguenta-se no balanço com os bagaços? Se calhar era melhor travar um bocadinho...
— Ó Lopes, não me diga que está como as lambisgóias do chazinho e scones... este miúdo tem pinta de ser de boa cepa... não é, Eduardinho? Olha, petiz, mergulha a pontinha do chocolate e trinca... isso mesmo... estás a ver como é? Vou só beber mais um bagacinho e já começamos a explicação...
Pelas 11 horas da manhã, Fernando António Nogueira Pessoa, bagaceiramente atestado, iniciou a primeira explicação de inglês da vida de Eduardinho, que já tinha a boca doce do chocolate e o coração quente do bagaço. De modo que via o poeta a dobrar e ouvia a sua voz como se vinda do Além.
— Isto é fácil. O inglês é uma língua muito bonita. Vais ver que gostas. Eu não tive dificuldade nenhuma. Olha, vê lá se consegues perceber a minha letra e tenta ler o que está aí escrito.
— Verbo tóbé.
— Quase. Verbo to be. To be, was, been. Vamos começar pelo presente. I am, you are, he, she, it is; we are, you are, they are. Diz lá o que pensas disto.
— Os verbos ingleses têm muito ar.
— Por acaso é verdade. Nunca tinha pensado nisso. Sabes, o verbo to be é ser ou estar. É o primeiro verbo que se dá quando se quer começar a aprender inglês. Repete comigo! I am, you are, he, she, it is… ó Lopes, são mais dois… ai não queres? é só mais um afinal, obrigado... we are, you are, they are, como está o senhor? É o sr. Verde, também é poeta e anda por aqui pelo Chiado.
Por volta das 12 horas e 30 minutos, o poeta achou que Eduardinho podia fazer uma pausa no inglês. Estava na hora de almoçar.
(...)"

quinta-feira, 5 de julho de 2007




É já amanhã, 6 de Julho, a sessão de apresentação de «Máquina Royal - diário (2003-2004)» da autoria de Pompeu Miguel Martins (Editora Labirinto), pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa.
A apresentação da obra será efectuada pelo escritor e ensaísta Carlos Vaz e por Catarina Nunes.
No final, será servido um Porto de Honra.

As 7 Maravilhas da Escrita

A Roma Editora convida todos os interessados a tornarem-se co-autores de um dos 7 livros da Colecção "As 7 Maravilhas da Escrita," a começar em 2007 com:
a) poesia ou texto poético; b); conto; c) história infantil.
Texto inédito, máximo de duas pág. A4, corpo 12, espaço 1½ , margens 2 cm (a enviar de preferência em suporte informático ou e-mail).
Os autores dos textos seleccionados por um Júri presidido pelo Director da Roma Editora, poderão ver os seus textos publicados num dos livros e receberão ainda um exemplar (grátis). Cada pedido permitirá concorrer apenas a um dos géneros com um trabalho. Os direitos de autor (1€ por livro vendido) reverterão a favor de uma instituição de solidariedade social, a designar.
Msis informações e cupão de inscrição, no site da Roma Editora.

Novidades Quasi





"Diálogo de Vultos"
é o mais recente trabalho literário de Fernando Ribeiro editado nas Quasi Edições. A apresentação oficial do livro será feita por Bárbara Guimarães.
As apresentações terão lugar em 4 FNACs: Chiado, Algarve, St.ª Catarina e Coimbra, respectivamente nos dias 13, 15, 20 e 21 de Julho.


FERNANDO RIBEIRO é vocalista, letrista e alma da banda heavy-metal Moonspell tendo publicado dois livros de poesia: Como escavar um abismo (Círculo de Abuso) em 2001, reeditado pelas Quasi, e As Feridas Essenciais em 2004 (Quasi). Contribui irregularmente com artigos e contos para as várias publicações, escreveu as introduções para Os Melhores contos de Lovecraft (ed. Saída de Emergência) publicados este ano e traduziu para Português a biografia ficcionada em BD (Lovecraft) - Vitamina BD edições. Encontra-se de momento a produzir o primeiro DVD de Moonspell e a ultimar o oitavo disco da banda. Acaba de lançar um novo livro de poesia com o título Diálogo de Vultos e trabalha no seu primeiro romance O Bairro das Pessoas.

"Os Meus Livros" de Julho





A Revista “Os Meus Livros” é a única revista portuguesa dedicada ao mundo dos livros. Em cada edição, entre outros temas, a revista antecipa os títulos que vão ser lançados no mercado, os principais eventos em agenda para o mês, assim como analisa o conteúdo dos principais livros que estão no top de vendas. A revista faz a análise crítica dos principais livros que estão à venda nas livrarias, ajudando o leitor a decidir que livro comprar ao mesmo tempo que abre também um espaço à entrevista, conversando com notáveis escritores e editores, nacionais e estrangeiros.

Este mês de Julho, na Revista “Os Meus Livros”, destaque para uma entrevista com Annie Proulx, autora de dezenas de contos e de quatro romances, que aqui fala sobre o seu trabalho e sobre os livros que podemos ver publicados em português, e, uma outra entrevista, com Pedro Bandeira Freire, escritor, poeta, argumentista e autor de programas de televisão e rádio (foi também um dos primeiros programadores de cinema em Portugal e proprietário dos cinemas Quarteto — que comprou nos anos 70, transformando-os em salas de cinema alternativas, que passavam os filmes portugueses), que aqui fala do seu mais recente livro editado pela Guerra & Paz “Entrefitas e Entretelas”, um livro recheado de histórias, boémia e paixões, que não esconde a nostalgia.
Também em destaque, nesta edição, um Especial Livros de Viagens: os destinos, os autores e os seus sonhos, organizados de A a Z.
E, ainda...
- Os TOPS de vendas de livros (Portugal e estrangeiro)
- Espaços Loja 107: A livraria mais famosa das Caldas da Rainha
- Sites e blogues sobre livros na internet.
- Agenda cultural de Julho sobre: feiras, programas, debates, colóquios...
- Uma selecção atenta e criteriosa do mais interessante que vai sendo colocado à venda nas livrarias.
- Livros de Bolso
- Edições dos CTT
- Mercado Livros de Memórias
- Novidades em Livros de Culinária
- Novidades em Livros de poesia: Os novos livros de Alice Vieira, João Melo e Fernando Tordo.
- Uma crónica sobre Boris Vian
- Rui Vieira, um jovem romancista, com duas obras publicadas e uma delas premiada.
- Pré-publicação “Não Sou o Único”, a biografia de Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés.
- Conversa com Pedro Lains
- Análise e classificação de alguns dos títulos mais importantes lançados nos últimos tempos.
- Obras portuguesas recentemente editadas.
- Secção infantil, com escolha adequada para diversas idades.
- Passatempo “Deste gostei!”, jovens leitores que escrevem sobre um livro de que gostaram.
- Os títulos que as editoras vão lançar em Julho.
- Crónica Ruben Obadia

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Novidades Pena Perfeita






O Anjo e a Sombra

Teixeira de Pascoaes e a Filosofia Portuguesa
Autor: Pedro Martins
Género: Filosofia

Sinopse:
"Neste seu primeiro livro, Pedro Martins tomou como ponto de partida a filosofia portuguesa, tal como Álvaro Ribeiro a definiu e caracterizou, para lhe vincular a obra heterodoxa de Teixeira de Pascoaes, a partir de dois dos seus cumes poéticos: a magistral Elegia do Amor, de 1906, e o monumental Regresso ao Paraíso, de 1912, que o vate de Gatão considerou ser o seu livro definitivo. Concebendo a Saudade, na esteira de Álvaro Ribeiro, como uma alegoria da tradição, o autor identifica no Regresso ao Paraíso uma representação alegórica do advento da Idade do Espírito Santo, numa leitura em que igualmente faz notar, no pensamento de Teixeira de Pascoaes, a forte influência do zoroastrismo persa, da Cabala judaica e da gnose cristã de Dante e dos fiéis-do-Amor. "







Arte Régia
Autor: Eunice Ribeiro
Género: Estudos Literários

Sinopse:
"Ambíguo, redundante, excessivo, teatral – sem todavia se ter mostrado modernisticamente experimental ou vanguardisticamente iconoclasta –, Régio adoptou um modelo particularíssimo de exibição que passava por uma consciência poética e estética de extraordinária abrangência, uma consciência pancrónica e sincrética, assimiladora de tempos, géneros e estilos artísticos. Derivará daí, certamente, uma fundamental resistência à catalogação que explica a equívoca mitologia crítica entretanto gerada em seu torno: clássico, romântico, barroco, modernista, expressionista... José Régio sofreu duplamente, em termos literários e hermenêuticos, os efeitos de uma identidade artística estilhaçada. Na verdade, sofreu-os multiplicadamente, se acrescentarmos aos do escritor, os seus mencionados exercícios plásticos, vertente medular da escrita regiana que se tem encarado com alguma inocência e desatenção."






Será lançado na Casa dos Poetas de Celanova, já no próximo dia 6 de Julho, pelas 20 horas, o último livro do pintor/poeta Baldo Ramos, “O Ourego e o Compás”, numa sessão que contará com a presença de Manuel Vilanova, Antonio Pinheiro e Antonio Mourinho.
A obra foi editada pela Fundação Curros Enríquez, que se estreia assim na edição, e que pretende, até ao fim deste ano, editar também um guia literário dos autores de Celanova.
Depois da sessão de apresentação, terá lugar um concerto com Olga Andrés.
A Fundação Curros Enríquez tem por objectivo promover e difundir a vida e obra do poeta Curro Enríquez e de outros poetas relacionados com Celanova – Ourense (na Galiza).

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Livrarias de culto




As livrarias Ler Devagar e Eterno Retorno, antigamente instaladas no Bairro Alto, em Lisboa, inauguraram uma nova livraria comum, na antiga fábrica de Braço de Prata, entre Santa Apolónia e o Parque das Nações.
O novo espaço, situado num edifício já parcialmente recuperado, com mais de 600 metros quadrados de área coberta, tem a funcionar, por enquanto, três salas de livraria, cinco espaços de galeria, um bar/concerto e um cine-teatro.
Existe ainda uma esplanada ao ar livre, um jardim de Inverno, postos de acesso à Internet, uma loja de roupa em segunda-mão e vários espaços para o lançamento de livros, conferências, debates e reuniões, equipados com meios audiovisuais.
Numa segunda fase, com inauguração prevista para o início de Outubro, serão ainda instalados uma nova galeria, uma loja de música e cinema, uma livraria infantil, uma sala de jogos (com bilhar, ténis de mesa e torneios de xadrez) uma esplanada coberta e um “drive-in” com cinema ao ar livre.
O novo projecto conjunto da Eterno Retorno e da Ler Devagar assume a forma de uma associação cultural. Para a inauguração das novas instalações, foi retomada a tradição das Festas de São Boaventura, que criaram quando partilhavam uma rua no Bairro Alto. As Festas decorrem até ao final de Julho, às quintas, sextas-feiras e sábados, a partir das 20h00. Do programa das festas, fazem parte um arraial de santos populares na esplanada ao ar livre, concertos de jazz, cinema em sessões contínuas, teatro e performances e cinco exposições individuais, além de livros a preços reduzidos.
Durante as festas, a Eterno Retorno e a Ler Devagar pretendem apresentar o seu plano de actividades para o próximo Outono/Inverno.
Visitem o site, aqui.

Fernando Pessoa, Poeta Inglês




Encontro com Luísa Freire, Richard Zenith e Teresa Rita Lopes.
12 de Julho, às 19h, na Casa Fernando Pessoa.
Serve de pretexto a edição de mais um volume da Obra Essencial de Fernando Pessoa (Assírio & Alvim), este dedicado à Poesia Inglesa.
Os poemas serão lidos por Amanda Booth e por João Grosso.
Entrada livre.

domingo, 1 de julho de 2007

Cabo Verde na Casa Fernando Pessoa






4 de Julho (quarta-feira)
18h30: Lançamento do CD de poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, com a apresentação de Afonso Dias.
21h30: Cabo Verde na voz de todos os poetas. Poetas lêem autores de Cabo Verde: Francisco José Viegas, Dora Ribeiro, Luís Carlos Patraquim, José Luís Peixoto, José Luís Tavares, José Hopfer Almada e Alexandre Cunha.
Música de Cabo Verde ao vivo. Pontche de honra.
Emissão de rádio em simultâneo (Portugal-Cabo Verde) a partir da Casa Fernando Pessoa para assinalar o dia 5 de Julho, Dia da Independência de Cabo Verde.
Entrada livre.