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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Seamus Heaney (1939-2013)

O poeta irlandês Seamus Heaney morreu hoje, em Dublin.
Heaney tinha 74 anos e era considerado por muitos o maior poeta irlandês desde W. B. Yeats, com uma vastíssima obra poética e crítica da qual apenas uma pequena parcela chegou ao público português.
Foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1995.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Václav Havel (1936-2011)





Morreu hoje Václav Havel.
Dissidente do regime comunista, Havel foi o último Presidente da Checoslováquia e, após a cisão, o primeiro chefe de estado da República Checa. A par da actividade política, destacou-se como escritor, sobretudo enquanto dramaturgo, área em que alcançou grande projecção mundial. No entanto, já nos anos 60 dos séc. XX a sua participação no vasto movimento internacional da Poesia Concreta lhe havia dado reconhecimento enquanto poeta.



Mais poemas visuais de Václav Havel aqui, aqui e aqui (com tradução para português de Eva Batlisckova).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ildásio Tavares (1940-2010)


Morreu ontem, vítima de AVC, o Poeta Ildásio Tavares.
Pertencente à geração da Revista da Bahia, Ildásio publicou o seu primeiro livro, Somente um canto, em 1968. Dominando vários estilos poéticos, tinha uma particular fascinação pelo soneto, de que publicou uma selecção em Portugal (As Flores do Caos, Labirinto, 2008). A sua obra estende-se ainda ao ensaio, à ficção e ao teatro.
Foi também jornalista e académico de reconhecido mérito, tendo leccionado Literatura Portuguesa durante mais de 25 anos.


A minha amada não tem coração -
     ela tem um disquete no lugar
     que a faz nada sentir, tudo pensar,
     mobilizando tanto sua razão
que neutraliza a força da paixão.
     Ela está sempre pronta a deletar
     meu coração que vive a lhe acessar
     e jamais quer salvar a sensação.
Sem ter memória com que me resguarde
     (ela só pensa em formatar a fonte
     e minha fonte é o coração que me arde),
limitei numa tela meu horizonte
     e tudo sinto, sem fazer alarde,
     sem um programa em que meu sol desponte.

(in O prisma das muitas cores - Poesia de Amor Portuguesa e Brasileira, Organização de Victor Oliveira Mateus; Prefácio de António Carlos Cortez, Labirinto, 2010)

domingo, 5 de setembro de 2010

Madalena Férin (1929-2010)


Morreu, anteontem, em Lisboa, a Poetisa Madalena Férin.
Nascida em Vila Franca do Campo (Ilha de São Miguel), a sua obra, segundo Maria Estela Guedes, «está toda ela vinculada aos Açores, à geografia vulcânica, ao mar, à neblina, às ilhas».
O seu primeiro livro, Poemas, data de 1957, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Antero de Quental, que voltaria a receber com O Anjo Fálico, em 1990. Além destes, participou (em 2000, com os poetas Teresa Zilhão, Manuela Nogueira e José Núncio) no livro colectivo Quarteto a Solo e publicou os seguintes livros de poesia: Meia Noite no Mar (1959 - reeditado em 1984); A Cidade Vegetal e outros poemas (1987); Prelúdio para o dia perfeito (1999) e Um Escorpião Coroado de Açucenas (2003). Da sua bibliografia constam ainda dois romances, alguns contos (designadamente para crianças) e ensaios dispersos por várias publicações.
O Presidente da Região Autónoma dos Açores, Carlos César, realçou ontem que Madalena Férin foi «uma lutadora pelos ideais que o 25 de Abril tornou realidade, granjeando, por isso, a admiração de quantos tiveram o privilégio de a conhecer».


Mar de oeste

Eis que do seu dorso despontaram garras!
No vértice onde se embalavam peixes
nasceram asas,
num anseio de pombas
mortas implumes...

Eis que o líquido e o denso se casaram
formando um monstro: rochedo e cavalo,
serpente e águia,
grilheta e asa!
E num barco de papel navego eu!

(in Poemas, 1957)


Eu sou a que vim
através do nevoeiro sem couraça
com veneno nos gestos
indefesos
e com guizos de lata

Eu sou a que trouxe
explodido e retenso um mar de lava
maré-viva de fogo
nos meus dias
sem degelas de prata

Transporto nos meus coldres
toda a fúria
de me rasgar nas espadas afiadas
e uma rosa ardendo
na brancura
de se afogar em nada

(in A cidade Vegetal e outros poemas, 1987)


Circe apaga o meu nome
e o desejo do nome
ser flor ou animal
aroma ou afluente
regressar ou ficar
entre a noite e a morte
a substância de ser ou não
presente

Circe apaga o desejo
de sermos verticais
ela fecha a janela
que dá para o outro lado
transmuda o corpo aberto
em lama que rasteja
em pêlos eriçados
o vestido de bronze

quando as naus regressarem
já não somos humanos

(in Um Escorpião Coroado de Açucenas, 2003)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Edwin Morgan (1920 - 2010)


Morreu, no passado dia 19, aos 90 anos de idade, o Poeta Edwin Morgan, considerado uma das mais importantes vozes da literatura escocesa contemporânea.
Nascido em Glasgow, ensinou Inglês, durante mais de 30 anos, na sua cidade natal, onde se havia formado.
Autor de uma variada obra poética, que vai das formas clássicas, como o soneto, até à poesia visual, Morgan tinha por influências principais, autores como Maiakóvski, William Blake, Eugenio Montale ou Allen Ginsberg. Foi também ensaísta e dramaturgo, além de tradutor profícuo, tendo vertido para inglês textos russos, húngaros, franceses, alemães, italianos, latinos, espanhóis e portugueses.
De entre as numerosas homenagens que recebeu ao longo dos anos, destacam-se a ordem do Império Britânico, em 1982, a medalha dourada da poesia, em 2000 e a nomeação, em 2004, para primeiro poeta nacional, ou Scots Makar.


Chaffinch Map of Scotland [Mapa da Escócia do Tentilhão] , 1965

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

António Pocinho (1958-2010)

Morreu, na passada quarta-feira, o Poeta António Pocinho. Nascido em 1958, era antropólogo de formação e a sua obra, toda publicada pela Fenda, desde 1981, inclui também dramaturgia e narrativa.
[foto: Miguel Madeira / Público]

cartas

As cartas não viajam à velocidade da luz, nem lá perto, nem mesmo as cartas de condução. Só os bilhetes-postais viajam a uma velocidade superior à da luz, com as suas palavras acabadas de se pôr sobre uma paisagem ou um momento, com esses recados de nós, mansos viajantes siderais, mesmo quando vamos só até Cacilhas.

(in Os pés frios dentro da cabeça, Fenda, 1999)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)












LUCIDEZ DESNECESSÁRIA


Diante das estrelas
E do Sol
Sabendo a morte
E a vida aranha
Disconforme
E concordante
Pronta a parar na teia
Envelheci
Mas posso olhar ainda
Ainda
Cravos de sangue e rosas da estrada
Como se eterna fosse
Mas tão tarde.

(foto daqui, a acompanhar resumo biográfico)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Ano da Morte de José Saramago

Uma notícia triste: morreu hoje, 18 de Junho de 2010, pelas 12H30, o escritor e poeta José Saramago, na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade.

José Saramago nasceu na Azinhaga, concelho da Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. Trabalhou como jornalista em vários jornais, entre eles o Diário de Lisboa, de que foi director, tendo também colaborado como crítico literário na Revista "Seara Nova". Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Desde 1976 que vivia exclusivamente do seu trabalho literário.
É um dos escritores portugueses mais lidos e traduzidos em todo o mundo.
Em 1991 ganhou o Grande Prémio APE, com o romance "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1985 foi condecorado como Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada, em Portugal, em 1991 foi condecorado como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas, em França, e em 1996 foi-lhe atribuído o Prémio Camões por toda a sua obra.
Em 1998 ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema em 2008, dirigido por Fernando Meirelles.
Escolheu o exílio na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias, em 1993, depois de ter sido impedido pelo Governo português, em 1991, de concorrer a um prémio literário europeu com o livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
José Saramago foi um escritor de dimensão universal, um cidadão empenhado, um lutador. Deixa uma obra extensa: "Terra do Pecado" (romance, 1947; 2ª ed. 1997), "Os Poemas Possíveis" (poesia, 1966), "Provavelmente Alegria" (poesia, 1970), "Deste Mundo e do Outro" (crónicas, 1971), "A Bagagem do Viajante" (crónicas, 1973), "As Opiniões que o DL teve" (crónicas, 1974), "O Ano de 1993" (1975), "Os Apontamentos" (crónicas, 1976), "Manual de Pintura e Caligrafia" (romance, 1977), "Objecto Quase" (conto, 1978), "Poética dos Cinco Sentidos" (ensaio, 1979), "A Noite" (teatro, 1979), "Levantado do Chão" (romance, 1980); "Que Farei com Este Livro?" (teatro, 1980), "Viagem a Portugal" (viagens, 1980), "Memorial do Convento" (romance, 1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (romance, 1984), "A Jangada de Pedra" (romance, 1986), "A Segunda Vida de Francisco de Assis" (teatro, 1987), "História do Cerco de Lisboa" (romance, 1989), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (romance, 1991), "In Nomine Dei" (teatro, 1993), "Cadernos de Lanzarote" (1994, diário I), "Cadernos de Lanzarote" (1995, diário II), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995), "Cadernos de Lanzarote" (1996, diário III), "Cadernos de Lanzarote" (1997, diário IV), "Todos os Nomes" (romance, 1997), "Cadernos de Lanzarote" (1998, diário V), "O Conto da Ilha Desconhecida" (1998), "Discursos de Estocolmo" (1999), "Folhas Políticas (1976-1998)" (1999), "A Caverna" (romance, 2000), "A Maior Flor do Mundo" (conto, 2001), "O Homem Duplicado" (romance, 200), "Ensaio Sobre a Lucidez" (romance, 2004), "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" (teatro, 2005), "Poesia Completa" (poesia, 2005), "As Intermitências da Morte", (romance, 2005), "As Pequenas Memórias" (2006), "A Viagem do Elefante" (romance, 2008), "Caim" (romance, 2009).


Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: Eleni Karaindrou; Sonoplastia: Fernando Ladeira

terça-feira, 8 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)

Faleceu hoje, 8 de Junho, o poeta António Manuel Couto Viana, aos 87 anos.
António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. Foi poeta, contista, ensaísta, tradutor, actor, dramaturgo, encenador e figurinista. Fez os seus estudos em Viana do Castelo, Braga e Lisboa.
Em 1948 estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961).
Fez parte da direcção do Teatro de Ensaio do Teatro Monumental (1952), foi director do Teatro do Gerifalto (1956-1960) e director da Companhia Nacional de Teatro (1961-1965). Além da poesia e do teatro, dedicou-se também à literatura infantil.
Está representado em várias antologias de poesia e a sua obra está traduzida em francês, inglês, castelhano, chinês, alemão e russo.
Foi distinguido com vários prémios (Prémio Antero de Quental em 1949 e 1959, Prémio Nacional de Poesia em 1965, Prémio Camilo Pessanha em 1993) e foi condecorado com a Banda da Cruz de Mérito, Grão Cruz da Falange Galega, o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

(4.2.2005)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Damário DaCruz (1953-2010)

O poeta e jornalista Damário DaCruz faleceu, na madrugada da passada sexta-feira 21 de Maio, com 56 anos.
Damário, que foi também líder estudantil e sindicalista, criou em 2001, em Cachoeira, o espaço Pouso da Palavra, um café literário com galeria, ateliê de criação e um local chamado Quintal de Sócrates, onde aconteciam recitais, tertúlias e encontros com escritores.
O poema da imagem acima, Gran Finale, foi o último que escreveu.

terça-feira, 9 de março de 2010

Alda Espírito Santo (1926-2010)

A poetisa são-tomense, Alda Espírito Santo, faleceu hoje, 9 de Março, em Luanda, aos 83 anos.
Uma das mais conceituadas poetisas africanas de língua portuguesa, Alda Espírito Santo foi Ministra da Educação e Cultura, Presidente da Assembleia Popular da República e Secretária Geral da UNEAS.
Autora do hino nacional de São Tomé e Príncipe, Alda Espírito Santo criou a primeira geração de jornalistas do seu país e a União de Escritores e Artistas são-tomenses.
Os seus poemas estão representados nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.
É autora de “O Jogral das Ilhas" (1976) e “É nosso o solo sagrado da terra” (1978).
Nascida em Abril de 1926, em São Tomé e Príncipe, Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, foi educada em Portugal e é uma figura emblemática da luta pela independência de São Tomé e Príncipe.

Para lá da praia

Baía morena da nossa terra
vem beijar os pesinhos agrestes
das nossas praias sedentas,
e canta, baía minha
os ventres inchados
da minha infância,
sonhos meus, ardentes
da minha gente pequena
lançada na areia
da praia morena
gemendo na areia
da Praia Gamboa.

Canta, criança minha
teu sonho gritante
na areia distante
da praia morena.

Teu tecto de andala
à berma da praia
teu ninho deserto
em dias de feira,
mamã tua, menino
na luta da vida.

Gamã pixi à cabeça
na faina do dia
maninho pequeno, no dorso ambulante
e tu, sonho meu, na areia morena
camisa rasgada,
no lote da vida,
na longa espera, duma perna inchada

Mamã caminhando p'ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas
- Ai peixe à tardinha
na minha baía
mamã minha serena
na venda do peixe
pela luta da fome
da gente pequena.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Alda Merini (1931-2009)

Faleceu ontem, 1 de Novembro, a poetisa italiana Alda Merini, com 78 anos.
Alda Merini, que viveu os últimos anos de vida em extrema pobreza, chegou a ser considerada a maior poeta italiana viva. Merini começou a escrever poesia com apenas 16 anos. O seu primeiro livro de poesia, "La presenza di Orfeo", foi publicado em 1953 pela editora Schwarz, tendo sido muito bem recebido pela crítica, tornando-a uma “menina maravilha”.
A partir daí, a sua vida passou a estar sempre na fronteira entre o reconhecimento da sua excepcional capacidade poética e a dificuldade devido às perturbações mentais e à constante alternância entre estados de lucidez e loucura, o que a obrigou a estar internada em várias instituições psiquiátricas.
Alda Merini fez amizade com Oreste Macri, David Maria Turoldo, Salvatore Quasimodo, Pier Paolo Pasolini, Carlo Batocchi, Maria Corti e John Raboni, entre outros.
Depois do primeiro livro seguiram-se “Paura di Dio” (1955), “Nozze romane” (1955), “Tu sei Pietro” (1962). Estes quatro volumes de poemas foram reunidos sob o título “A presença de Orfeu” pela editora Secheiwiller, em 1993.
Após duas décadas de silêncio, devido à doença, publicou: “La Terra Santa” (1984), “Testamento” (1988), “Vuoto d’amore” (1991), “Ballate non pagate” (1995), “Fiore di poesia 1951-1997” (1998), “Superba è la notte” (2000), “Più bella della poesia è stata la mia vita” (2003), “Clinica dell'abbandono” (2004), “L’anima innamorata” (2000), “Corpo d’amore, Un incontro con Gesù” (2001), “Magnificat. Un incontro con Maria” (2002) e “La carne degli Angeli” (2003).
Em 1993 recebeu o Premio Librex-Guggenheim “Eugenio Montale" para poesia, em 1996 o Premio Viareggio, em 1997 o Premio Procida-Elsa Morante, e em 1999 o Premio della Presidenza del Consiglio dei Ministri-Settore Poesia.
Site oficial: http://www.aldamerini.com

domingo, 2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (1936-2009)

Faleceu ontem, 1 de Agosto, M. S. Lourenço.
Manuel António dos Santos Lourenço, conhecido literariamente por M. S. Lourenço, Manuel Lourenço ou Arquiduque Alexis-Christian Von Rätselhaft und Gribskov nasceu em Sintra em 1936. Filósofo, tradutor, escritor e poeta, foi professor da Faculdade de Letras de Lisboa e leitor em Oxford e ensinou ainda em Universidades de Santa Bárbara, Indiana e Insbruck.
Era pai da bailarina Catarina Lourenço e do ensaísta Frederico Lourenço.
Foi galardoado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e Cruz de Honra de I Classe da República da Áustria. Em 1992 obteve o Prémio D. Dinis com o livro de crónicas Degraus do Parnaso.
Obra poética: “O desequilibrista” (1960), “Arte combinatória” (1971), “Wytham Abbey” (1974), “Pássaro paradípsico” com ilustrações originais de Mário Cesaryni (1979) e “Nada Brahma” (1991).
Deixou, no prelo, a obra “O caminho dos Pizões”, a editar ainda este ano pela Assírio & Alvim.
Publicou ainda vários estudos e ensaios de natureza filosófica. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia e Director da revista de filosofia Disputatio.
Traduziu filósofos como Wittgenstein, Godel e Guitton e colaborou com órgãos de imprensa como a revista Colóquio-Letras e o jornal O Independente.

Ler um poema de M. S. Lourenço aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rodrigo Souza Leão (1965-2009)

Morreu ontem, 2 de Julho, o poeta brasileiro Rodrigo de Souza Leão. Poeta, jornalista e músico, Rodrigo de Souza Leão nasceu no Rio de Janeiro, em 1965. Publicou dez e-books de poesia, entre eles Impressões Sob Pressão Alta, 25 Tábuas, No Litoral do Tempo e Síndrome, todos pela Virtual Books. Tem poemas publicados nas revistas Coyote, Oroboro, Poesia Sempre, El Pez Náufrago (Mexico), Et Cetera, O Correio das Artes, Babel e fez parte da I Mostra de Poesia Carioca. Participou, como músico, do CD Melopéia, de Glauco Mattoso. Participou da antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil, organizada por Claudio Daniel e Frederico Barbosa (editora Landy, 2002). Tem resenhas e reportagens publicadas em O Globo e Rascunho (Paraná).
Criou o site Caos (www.geocities.com/seumario) e escrevia o e-zine Balacobaco, com entrevistas com mais de 150 poetas e escritores. Foi co-editor do site Zunái, Revista de Poesia e Debates (www.revistazunai.com.br/). Foi premiado no Concurso de Contos José Cândido de Carvalho 2002. Tem trabalhos publicados no blog http://lowcura.blogspot.com e dois livros em papel: "Há Flores na Pele" (Ed. Trema, 2001) e Branco & outros poemas (Col.pesa-nervos).
Foi repórter e editor do programa Informe Imobiliário, TV Corcovado Rio, canal 9.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Glória de Sant’Anna (1925-2009)

Morreu hoje a poeta Glória de Sant’Anna, uma das vozes mais geralmente reverenciadas no panorama literário de Moçambique.
Nasceu em Lisboa em 1925 e foi viver para Moçambique entre 1951 e 1975. No regresso a Portugal radicou-se em Ovar.
Obra publicada: “Distância”, 1951; “Música Ausente”, 1954; “Livro de Água”, 1961 (Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa); “Poemas do Tempo Agreste”, 1964; “Um Denso Azul Silêncio”, 1965; “Desde que o Mundo e 32 poemas de Intervalo”, 1972; “...Do Tempo Inútil” (crónicas), 1975; “Amaranto” (1984) com 4 livros inéditos: “A Escuna Angra” (1966-68), “Cancioneiro Incompleto” (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); “Gritoacanto” (1970-74 e “Cantares de Interpretação” (1968-73); “Não Eram Aves Marinhas” (1988), “Zum-Zum” (1996), “Solamplo” (2000), “O pelicano velho” (2003) e “Ao Ritmo da Memória” (2003).
Glória de Sant'Anna tem ainda trabalho disperso por revistas e jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (L. M.) Diário de Moçambique (Beira) Noticias (L.M.), Tribuna (L.M.), Sul (Brasil) e Caliban (L.M.).

A essência das coisas é senti-las
tão densas e tão claras,
que não possam conter-se por completo
nas palavras.

A essência das coisas é nutri-las
tão de alegria e mágoa,
que o silêncio se ajuste à sua forma
sem mais nada.

Glória de Sant’Anna

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mario Benedetti (1920-2009)

Morreu ontem, domingo, o escritor e poeta uruguaio Mario Benedetti, em Montevideu, aos 88 anos.
Mario Benedetti, nascido em Paso de los Toros em 1920, era poeta, escritor e ensaísta.
Integrante da Geração de 45, à qual perteceram também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros, Benedetti era um dos mitos da literatura hispano-americana do século XX e talvez a consciência poética de todo um continente.
Viveu a adolescência na Argentina e regressou ao Uruguai depois da Segunda Guerra Mundial.
Estudou no Colégio Alemão de Montevideu, tendo depois exercido várias profissões, até se tornar conhecido como jornalista.
Em 1949 publicou "Esta mañana", o seu primeiro livro de contos, e um ano mais tarde, os poemas de "Sólo mientras tanto". Em 1953 editou o seu primeiro romance, "Quien de nosotros...".
Em 1973 abandonou o país por razões políticas, dando início a um longo período de exílio na Argentina, Peru, Cuba e Espanha, até ao seu regresso ao Uruguai com a restauração da democracia no país, em 1985.
Autor de uma vasta obra literária (mais de 80 livros), que inclui praticamente todos os géneros, desde letras de canções, poesia, ensaio, teatro e romance, como “Primavera rota con una esquina rota”, que recebeu o Prémio “Chama de Ouro” da Amnistia Internacional, em 1987.
Recebeu ainda os prémios Ibero-americano José Martí (2001) e Internacional Menéndez Pelayo (2005).
Poemas seus foram cantados por Joan Manuel Serrat, Daniel Viglietti, Pedro Guerra, Rosa León, Juan Diego e Nacha Guevara, entre outros.
Títulos como a primeira obra do autor, "La víspera indeleble", os "Poemas de la oficina", "Rincón de Haikus", os grandiosos três "Inventarios" ou as "Canciones del que no canta" foram incluídos no ano passado com seu último poemário, "Testigo de uno mismo".
O seu romance, "La tregua" teve mais de 140 edições em 20 idiomas desde que foi publicado, em 1960.
Benedetti recebeu também a Ordem Francisco Miranda,entregue pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, na Universidade da República do Uruguai, aclamado pelas centenas de estudantes que reconheceram no poeta um ícone nacional.

Corazón Coraza

Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza

porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro

porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.


Coração couraça

Porque te tenho e não
porque te penso
porque a noite está de olhos abertos
porque a noite passa e digo amor
porque vieste recolher a tua imagem
e és melhor que todas as tuas imagens
porque és linda dos pés à alma
porque és boa da alma a mim
porque te escondes doce no orgulho
pequena e doce
coração couraça

porque és minha
porque não és minha
porque te olho e morro
e mais que morro
se não te olho amor
se não te olho

porque tu existes sempre em qualquer parte
mas existes melhor onde te amo
porque a tua boca é sangue
e tens frio
tenho que te amar amor
tenho que te amar
ainda que esta ferida doa como duas
ainda que te procure e não te encontre
e ainda que
a noite passe e eu não tenha
e não.

Mario Benedetti
(tradução de António Costa Santos)

domingo, 26 de abril de 2009

Tomás Jorge (1928-2009)

Morreu ontem, sábado, o poeta angolano Tomás Jorge, um autor muito importante na construção da identidade da literatura angolana.

(à esquerda, foto de Tomás Jorge Vieira da Cruz, tirada em Lisboa, no passado mês de Março de 2009, do blogue Soantes)

"Tomás Jorge (Tomás Jorge Vieira da Cruz. Luanda, 26.5.1928). Mestiço. Filho do poeta Tomaz Vieira da Cruz. 7.º ano dos liceus em Luanda. Preparador farmacêutico dos Laboratórios de Indústria Farmacêutica dos Serviços de Saúde de Angola, aposentado, desde 1971. Vive agora em Lisboa. Colaboração em Mensagem (Luanda), Cultura (II), A Província de Angola, ABC, Comércio, Jornal de Angola, Revista de Angola, Diário de Luanda, Itinerário, e outros. Figura em: Poetas angolanos, Lisboa, 1959; Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar, II, Porto, 1964; Angola, Poesia 71 - Cancioneiro angolano, Benguela, 1971.

Publicou: Areal, Sá da Bandeira, 1961. Tem para publicação: Relâmpagos de silêncio; Canto do menino; Civilização poluída; Talamungongo."

A biografia acima (de 1976), enviada pelo poeta Rui Almeida, consta no livro No Reino de Caliban II, org. de Manuel Ferreira, 3ª edição: Plátano Editora, 1997.
Segundo a Lusa, em 1995 publicou uma antologia da sua obra completa, "Talamungongo - 50 Anos de Poesia".


ADOLESCENTES

Não podes negar que bebeste leite
Da teta negra da mamã Ama

Tu mesmo o dizes
Teus lábios vermelhos
Como o sangue puro da mamã Ama
São quentes com palavras brandas

São a saudade da mamã Ama
Das brincadeiras antigas
Gajajeira e quintal de ripado
Sol nas casas de barro vermelho
Nós dois unidos em luta
Disputando o colo da mamã Ama

Nossas cabecinhas batendo
Nas tetas grandes da mamã Ama

Ela foi envelhecendo
Seus cabelos viraram brancura
Nós fomos crescendo

Do teu peito nasceram fontes de vida
Teus lábios ficaram mais cálidos
Minha menina branca por nebulosidade
Meu amor sem pecado

Meu peito também cresceu
Meu coração também cresceu
Amar-te?

Nego-me!
Agora seria desgostar a nossa mamã Ama
Seria fazê-la chorar lá no céu
Meu amor é pecado
Eu não sei a quem amo

A mamã Ama recomendou cuidado
Disse-nos que éramos irmãos

Minha branca de uma avó negra
Negra Isabel que faleceu desgostosa
Pela filha que não casou
Branca de um pai que se negou

Para mim
És aquela sempre menina bantu
— Minha irmã da infância
De olhos verdes de ternura
Boiando candidamente
Num corpo de nebulosidade nórdica

És a saudade da mamã Ama
Num corpo que faz lembrar
Um jardim de rosas brancas
Com toda a pureza de expressão bantu
Da nossa mamã Ama.

1951

(in Areal, Poemas, Colecção Imbondeiro, 1961)

terça-feira, 17 de março de 2009

Blanca Varela (1926-2009)

A poetisa peruana Blanca Varela faleceu na passada quinta-feira, aos 82 anos, deixando uma obra poética reconhecida internacionalmente e que lhe valeu galardões tão importantes como o o Prémio Octavio Paz de Poesia e Ensaio em 2001, o Prémio Internacional de Poesia Cidade de Granada Federico García Lorca em 2006 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana em 2007.
Blanca Varela, nascida em 1926 e definida como «uma grande figura da poesia peruana», considerava que a sua obra não seria a mesma se não tivesse a ajuda do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz, que conheceu em Paris.
Iniciou-se na poesia na Universidade de San Marcos (Lima), onde ingressou em 1943 para estudar Letras e Educação, tendo-se mudado alguns anos mais tarde para Paris onde conheceu Sartre, Simone de Beauvoir, Michaux e Giacometti, e manteve também contactos com o círculo de intelectuais latino-americanos e espanhóis radicados em França.
Viveu também em Florença e em Washington.
Em 1959 publicou o seu primeiro livro, "Este puerto existe", em 1963 "Luz de día", em 1971 "Valses y otras confesiones" e em 1978 um dos títulos mais representativos da sua obra, "Canto villano".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fernando Pinto Ribeiro (1928-2009)

O dia começou triste. Faleceu o poeta Fernando Pinto Ribeiro.
Natural da Guarda, Fernando Pinto Ribeiro nasceu em 1928 e escreveu aos catorze anos o seu primeiro soneto a que deu o título “Soneto dos 15 Anos”.
Colaborou nas revistas Flama, Panorama, Páginas Literárias, e em jornais como o Diário de Notícias, o Diário Ilustrado e em vários jornais regionais, tendo também sido publicados no Brasil alguns poemas seus.
Dirigiu, com Eduíno de Jesus e J. M. Pereira Miguel, a Revista de Letras e Artes “Contravento” (1968) com concepção gráfica de Artur Bual, da qual só se editaram quatro números, devido à censura.
Organizou com Alba de Castro, entre 1967 e 1983, as Pastinhas de Poesia, publicadas anualmente na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra. Participou em múltiplas colectâneas e organizou algumas, como as da Tertúlia Rio de Prata.
Pertenceu aos corpos sociais da Sociedade da Língua Portuguesa, foi sócio da Associação Portuguesa de Escritores, cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores e sócio da Colectividade Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes”.
Fascinado pelas noites de fado lisboeta começou a escrever alguns fados que desde logo fizeram sucesso (inicialmente, com o pesudónimo Sérgio Valentino). Escreveu letras para: Ada de Castro, Alexandra Cruz, Anita Guerreiro, António Mourão, António Laborinho António Passão, António Severino, Arlindo de Carvalho, Artur Garcia, Beatriz da Conceição, Branco de Oliveira, Carlota Fortes, Chico Pessoa, Estela Alves, Fernando Forte, Francisco Martinho, Humberto de Castro, Julieta Reis, Sara Reis, Lenita Gentil, Lídia Ribeiro, Maria Jô-Jô, Pedro Lisboa, Lurdes Andrade, Natércia Maria, Pedro Moutinho, Salete Tavares, Simone de Oliveira, Toni de Almeida, Tonicha, Tristão da Silva, Xico Madureira, entre muitos outros.
Fernando Pinto Ribeiro era um homem de profundo saber, de grande afectividade e que prezava muito a amizade.
Procurava encontrar a perfeição, tentando que cada poema tivesse uma quadratura musicável, com rima e métrica. Foi assim que os seus poemas passaram a ser musicados e cantados.
«A poesia é para mim um acto natural, pelo que sou imediatamente compensado pelo simples acto de escrever poemas e de os rever continuamente. Vejo aliás na revisão permanente dos meus poemas uma espécie de volúpia, uma busca incessante pela perfeição, mas ciente de que nunca a atingirei».
Hoje despedimo-nos de um poeta a quem não foi feita justiça. Um poeta que, pela sua humildade, nunca procurou a ribalta e por isso não lhe chegou a ser reconhecido o seu grande valor. Um poeta perfeccionista que fazia poesia com amor.
O corpo do poeta irá hoje para a Basílica da Estrela e o funeral realizar-se-á amanhã pelas 14 horas.
Até sempre, Fernando!


cilício

a Inês Ramos

amar
sem loucura nem pecado.
beijar com as asas
soerguidas
num voo orientado
através de trincheiras sucessivas.
não mais ficar parado
na curva do prazer
(hão-de explodir um dia em vão as feridas
do laço em que te abraço a Lúcifer).
tenha o desejo fugido à nostalgia
da amarra no cais ultrapassado
e viva nas marés do dia-a-dia
rendido
à viril filosofia
da onda que vai vem contra o rochedo.
guardar
a seiva do segredo
e o pólen da pele
nos lábios túmidos
hoje e sempre
fiel
ao beijo heróico
mortal e permanente
em que te aguardo
em que me encontre
frontal
total
e eternamente.

Fernando Pinto Ribeiro