Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de setembro de 2010

Madalena Férin (1929-2010)


Morreu, anteontem, em Lisboa, a Poetisa Madalena Férin.
Nascida em Vila Franca do Campo (Ilha de São Miguel), a sua obra, segundo Maria Estela Guedes, «está toda ela vinculada aos Açores, à geografia vulcânica, ao mar, à neblina, às ilhas».
O seu primeiro livro, Poemas, data de 1957, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Antero de Quental, que voltaria a receber com O Anjo Fálico, em 1990. Além destes, participou (em 2000, com os poetas Teresa Zilhão, Manuela Nogueira e José Núncio) no livro colectivo Quarteto a Solo e publicou os seguintes livros de poesia: Meia Noite no Mar (1959 - reeditado em 1984); A Cidade Vegetal e outros poemas (1987); Prelúdio para o dia perfeito (1999) e Um Escorpião Coroado de Açucenas (2003). Da sua bibliografia constam ainda dois romances, alguns contos (designadamente para crianças) e ensaios dispersos por várias publicações.
O Presidente da Região Autónoma dos Açores, Carlos César, realçou ontem que Madalena Férin foi «uma lutadora pelos ideais que o 25 de Abril tornou realidade, granjeando, por isso, a admiração de quantos tiveram o privilégio de a conhecer».


Mar de oeste

Eis que do seu dorso despontaram garras!
No vértice onde se embalavam peixes
nasceram asas,
num anseio de pombas
mortas implumes...

Eis que o líquido e o denso se casaram
formando um monstro: rochedo e cavalo,
serpente e águia,
grilheta e asa!
E num barco de papel navego eu!

(in Poemas, 1957)


Eu sou a que vim
através do nevoeiro sem couraça
com veneno nos gestos
indefesos
e com guizos de lata

Eu sou a que trouxe
explodido e retenso um mar de lava
maré-viva de fogo
nos meus dias
sem degelas de prata

Transporto nos meus coldres
toda a fúria
de me rasgar nas espadas afiadas
e uma rosa ardendo
na brancura
de se afogar em nada

(in A cidade Vegetal e outros poemas, 1987)


Circe apaga o meu nome
e o desejo do nome
ser flor ou animal
aroma ou afluente
regressar ou ficar
entre a noite e a morte
a substância de ser ou não
presente

Circe apaga o desejo
de sermos verticais
ela fecha a janela
que dá para o outro lado
transmuda o corpo aberto
em lama que rasteja
em pêlos eriçados
o vestido de bronze

quando as naus regressarem
já não somos humanos

(in Um Escorpião Coroado de Açucenas, 2003)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Ano da Morte de José Saramago

Uma notícia triste: morreu hoje, 18 de Junho de 2010, pelas 12H30, o escritor e poeta José Saramago, na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade.

José Saramago nasceu na Azinhaga, concelho da Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. Trabalhou como jornalista em vários jornais, entre eles o Diário de Lisboa, de que foi director, tendo também colaborado como crítico literário na Revista "Seara Nova". Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Desde 1976 que vivia exclusivamente do seu trabalho literário.
É um dos escritores portugueses mais lidos e traduzidos em todo o mundo.
Em 1991 ganhou o Grande Prémio APE, com o romance "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1985 foi condecorado como Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada, em Portugal, em 1991 foi condecorado como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas, em França, e em 1996 foi-lhe atribuído o Prémio Camões por toda a sua obra.
Em 1998 ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema em 2008, dirigido por Fernando Meirelles.
Escolheu o exílio na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias, em 1993, depois de ter sido impedido pelo Governo português, em 1991, de concorrer a um prémio literário europeu com o livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
José Saramago foi um escritor de dimensão universal, um cidadão empenhado, um lutador. Deixa uma obra extensa: "Terra do Pecado" (romance, 1947; 2ª ed. 1997), "Os Poemas Possíveis" (poesia, 1966), "Provavelmente Alegria" (poesia, 1970), "Deste Mundo e do Outro" (crónicas, 1971), "A Bagagem do Viajante" (crónicas, 1973), "As Opiniões que o DL teve" (crónicas, 1974), "O Ano de 1993" (1975), "Os Apontamentos" (crónicas, 1976), "Manual de Pintura e Caligrafia" (romance, 1977), "Objecto Quase" (conto, 1978), "Poética dos Cinco Sentidos" (ensaio, 1979), "A Noite" (teatro, 1979), "Levantado do Chão" (romance, 1980); "Que Farei com Este Livro?" (teatro, 1980), "Viagem a Portugal" (viagens, 1980), "Memorial do Convento" (romance, 1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (romance, 1984), "A Jangada de Pedra" (romance, 1986), "A Segunda Vida de Francisco de Assis" (teatro, 1987), "História do Cerco de Lisboa" (romance, 1989), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (romance, 1991), "In Nomine Dei" (teatro, 1993), "Cadernos de Lanzarote" (1994, diário I), "Cadernos de Lanzarote" (1995, diário II), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995), "Cadernos de Lanzarote" (1996, diário III), "Cadernos de Lanzarote" (1997, diário IV), "Todos os Nomes" (romance, 1997), "Cadernos de Lanzarote" (1998, diário V), "O Conto da Ilha Desconhecida" (1998), "Discursos de Estocolmo" (1999), "Folhas Políticas (1976-1998)" (1999), "A Caverna" (romance, 2000), "A Maior Flor do Mundo" (conto, 2001), "O Homem Duplicado" (romance, 200), "Ensaio Sobre a Lucidez" (romance, 2004), "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" (teatro, 2005), "Poesia Completa" (poesia, 2005), "As Intermitências da Morte", (romance, 2005), "As Pequenas Memórias" (2006), "A Viagem do Elefante" (romance, 2008), "Caim" (romance, 2009).


Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: Eleni Karaindrou; Sonoplastia: Fernando Ladeira

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Prémio Cidade de Ourense para José Luiz Tavares

O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares é o vencedor da XVI edição do Prémio de Poesia Cidade de Ourense, pela sua obra As Irrevogáveis Trevas de Baldick Lizandro.
Destinada a originais em galego e português, a distinção hoje anunciada tem o valor de 6 mil euros e garante a publicação do livro pela editora Espiral Maior.
A obra premiada foi escolhida de entre os 40 originais recebidos e é descrita pelo júri como «um discurso bem construído em poemas longos com uma linguagem cuidada, onde se combina o classicismo com imagens inovadoras cheias de riscos eficazmente resolvidos».
Sob a presidência de Isabel Pérez, responsável pela cultura da alcaiadaría de Ourense, do júri fizeram
também parte o poeta português António Manuel Pires Cabral, em representação do Grémio Literário Vilarealense, Teresa Devesa, professora de Língua e Literatura Portuguesa, Román Rana, vencedor da anterior edição do Prémio e Miguelanxo Fernán Vello, editor da Espiral Maior.

José Luiz Tavares nasceu na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Estudou Literatura e Filosofia. Estreou-se em 2004 com Paraíso Apagado por um Trovão e o seu mais recente livro, editado
já este ano, é Cidade do Mais Antigo Nome, em parceria com o fotógrafo Duarte Belo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)

Faleceu hoje, 8 de Junho, o poeta António Manuel Couto Viana, aos 87 anos.
António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. Foi poeta, contista, ensaísta, tradutor, actor, dramaturgo, encenador e figurinista. Fez os seus estudos em Viana do Castelo, Braga e Lisboa.
Em 1948 estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961).
Fez parte da direcção do Teatro de Ensaio do Teatro Monumental (1952), foi director do Teatro do Gerifalto (1956-1960) e director da Companhia Nacional de Teatro (1961-1965). Além da poesia e do teatro, dedicou-se também à literatura infantil.
Está representado em várias antologias de poesia e a sua obra está traduzida em francês, inglês, castelhano, chinês, alemão e russo.
Foi distinguido com vários prémios (Prémio Antero de Quental em 1949 e 1959, Prémio Nacional de Poesia em 1965, Prémio Camilo Pessanha em 1993) e foi condecorado com a Banda da Cruz de Mérito, Grão Cruz da Falange Galega, o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

(4.2.2005)

terça-feira, 9 de março de 2010

Alda Espírito Santo (1926-2010)

A poetisa são-tomense, Alda Espírito Santo, faleceu hoje, 9 de Março, em Luanda, aos 83 anos.
Uma das mais conceituadas poetisas africanas de língua portuguesa, Alda Espírito Santo foi Ministra da Educação e Cultura, Presidente da Assembleia Popular da República e Secretária Geral da UNEAS.
Autora do hino nacional de São Tomé e Príncipe, Alda Espírito Santo criou a primeira geração de jornalistas do seu país e a União de Escritores e Artistas são-tomenses.
Os seus poemas estão representados nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.
É autora de “O Jogral das Ilhas" (1976) e “É nosso o solo sagrado da terra” (1978).
Nascida em Abril de 1926, em São Tomé e Príncipe, Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, foi educada em Portugal e é uma figura emblemática da luta pela independência de São Tomé e Príncipe.

Para lá da praia

Baía morena da nossa terra
vem beijar os pesinhos agrestes
das nossas praias sedentas,
e canta, baía minha
os ventres inchados
da minha infância,
sonhos meus, ardentes
da minha gente pequena
lançada na areia
da praia morena
gemendo na areia
da Praia Gamboa.

Canta, criança minha
teu sonho gritante
na areia distante
da praia morena.

Teu tecto de andala
à berma da praia
teu ninho deserto
em dias de feira,
mamã tua, menino
na luta da vida.

Gamã pixi à cabeça
na faina do dia
maninho pequeno, no dorso ambulante
e tu, sonho meu, na areia morena
camisa rasgada,
no lote da vida,
na longa espera, duma perna inchada

Mamã caminhando p'ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas
- Ai peixe à tardinha
na minha baía
mamã minha serena
na venda do peixe
pela luta da fome
da gente pequena.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Prémio de Poesia Manuel Alegre para Daniel Gonçalves

O poeta Daniel Gonçalves venceu o prémio de Poesia Manuel Alegre (atribuído pelo IPL), no valor de 7.500 euros, com a obra “Um coração simples”.
Daniel Gonçalves nasceu na Suíça e reside em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria (Açores). É licenciado em Ensino de Português pela Universidade do Minho. Participou nas revistas literárias “Neo” e “Saudade” e editou já várias antologias de poesia como “A respiração dos gestos” Difel (2000), “Um lugar onde supor o silêncio” Labirinto (2004), "Afecto das palavras" Labirinto (2004) e "Dez anos de solidão" Labirinto (2007).
Participou ainda nas antologias, “Isto é Poesia” (Labirinto, 2004), “afectos 1” (Labirinto 2006) e "Os Dias do Amor" (Ministério dos Livros, 2009). Como coordenador reuniu em três volumes uma recolha do património literário de Santa Maria, Açores, intitulado “A memória é uma pedra que arde por dentro”.
Foi galardoado com vários prémios, como o Primeiro Prémio de Poesia do Concurso Internacional de Poesia do Centro Internazionale Amici Scuola (CIAS), promovido pela UNESCO, Itália, em 1993; o Prémio de Revelação de Poesia em 1997, promovido pela Associação Portuguesa de Escritores/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e o Prémio Cesário Verde em 2003.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

António Salvado

António Salvado nasceu em Castelo Branco no dia 20 de Fevereiro de 1936.
Poeta, ensaísta, crítico, antologiador, tradutor, director de publicações, tem colaboração poética em antologias, revistas e suplementos literários.
Obteve várias distinções de que se destaca a comenda da Ordem de Santiago da Espada atribuída em 2010 pelo conjunto da sua obra poética.
Está traduzido em castelhano, francês, italiano, inglês e japonês. Verteu para português, entre outros, os poetas Cláudio Rodriguez, Ricardo Paseyro, Alfredo Perez Alencart e António Colinas.
Os seus textos em prosa têm sido reunidos sob o título Leituras, com seis volumes editados. Licenciado em Letras tem dividido a sua vida profissional pelo ensino e pela museologia.

Poesia:
A Flor e a Noite, 1955; Recôndito, 1959; Na Margem das Horas, 1960; Narciso, 1961; Difícil Passagem, 1962; Equador Sul, 1963; Anunciação, 1964; Cicatriz, 1965; Jardim do Paço, 1967, Tropos, 1969; Estranha Condição, 1977; Interior à Luz, 1982; Face Atlântica, 1986; Amada vida, 1987; Des Codificações, 1987, Matéria de Inquietação, 1988; Soneto em Lembrança de João Roiz de Castelo Branco, 1989; Utere Felix, 1990; Nausicaa, 1991; O Prodígio, 1992; Dis versos, 1993; O Corpo do Coração, 1994, Estórias na Arte, 1995; Certificado de Presença, 1996, Castalia, 1996; O Gosto de Escrever, 1997; O Extenso Continente, 1998; Rosas de Pesto, 1998; A Plana Luz do Dia, 1998; Os Dias, 2000; Largas Vias, 2000; Quadras (in)populares e Sábios epigramas, 2001; Flor álea, 2001; A dor, 2002; Águas do Sono, 2003; Pausas do Aedo, 2003; A Quinta Raça, 2003; Rochas, 2003; Coisas Marinhas e Terrenas, 2003; Entre Pedras o Verde, 2004; Palavras Perdudas seguidas de oito encómios, 2004; Se na Alma Houver, 2004; Ravinas, 2004; Malva, 2004; Quase Pautas, 2005; Recapitulação, 2005; Modulações, 2005; Os Distantes Acenos, 2006, Afloramentos, 2007; No Fundo da Página, 2008, Essa História, 2008, Odes, 2009, Outono, 2009.

Poesia reunida e reeditada em:
Pequena Antologia, 1986; ANTOlogia, 1985; AntoLOGIA II, 1993; ANtoloGIa II, 1993; Obra I (1955-1975), 1997; Obra II (1975-1995), 1997; Obra III (1995-1999), 1999; Sinais de Deus na minha poesia, 2005; Na Eira da Beira, 2005

Principais antologias organizadas:
Antologia das Mulheres-Poetas Portuguesas, 1961; Anunciação e Natal na Poesia Portuguesa, 1968; A Paixão de Cristo na Poesia Portuguesa, 1969; A Virgem Maria na Poesia Portuguesa, 1970; Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, 1972; Orações dos primeiros cristãos, 1972; Oração e Poesia de Natal, 1985; Escritores Nascidos no Distrito de Castelo Branco, 2001.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire 2009

Foi entregue, no passado dia 11 de Dezembro, ao poeta António Cabrita, no Cineteatro de Benavente, o Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire 2009 pelo original “Bar La Fontaine”, um dos 147 originais concorrentes ao prémio instituído pela Biblioteca Municipal de Benavente, no valor de 5 mil euros.
António Cabrita nasceu em 1959. É crítico de cinema e crítico literário, editor das Edições Íman, director da revista Construções Portuárias e autor de vários contos e argumentos para cinema.
Parte considerável da sua obra poética está reunida em Arte Negra, Fenda (2000).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Prémio Cervantes para José Emilio Pacheco

O poeta, tradutor e ensaísta mexicano José Emilio Pacheco foi galardoado com o Prémio Cervantes 2009, o mais importante prémio das línguas hispânicas, no valor de 125 mil euros.
José Emilio Pacheco nasceu na Cidade do México em 1939.
Foi professor universitário nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
Ao longo da sua carreira já recebeu vários prémios literários. No ano passado obteve o Prémio Rainha Sofia de Poesia ibero-americana.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Prémio Goncourt de Poesia para Abdellatif Laâbi

O Prémio Goncourt de Poesia foi atribuído ao escritor e poeta marroquino Abdellatif Laâbi pelo conjunto da sua obra.
Abdellatif Laâbi escreve em língua francesa e é autor de numerosos livros de poesia, romances e peças de teatro. Traduziu obras de vários poetas árabes.
Nasceu em 1942, em Fez (Marrocos). Em 1966 fundou a revista literária e artística Souffles (proibida em 1972), que ajudou a desencadear um renascimento literário e artístico em todo o Norte de África.
Foi preso, torturado e condenado a dez anos de prisão por "crimes de opinião" (pelas suas crenças políticas e pelo teor dos seus textos).
Forçado ao exílio, em França, desde 1985, é membro da Academia Mallarmé desde 1988.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Os Acasos Persistentes
Cláudio Neves
7 Letras, 2009


Cláudio Neves é um dos promissores nomes da poesia que hoje se faz no Brasil. Acerca deste autor e da sua obra já se pronunciaram importantes poetas e ensaístas como: Antonio Carlos Secchin, Marco Lucchesi e André Seffrin. "Os Acasos Persistentes" é o seu mais recente livro, prefaciado pelo poeta português Victor Oliveira Mateus com o texto: "Efemeridade e Permanência na poesia de Cláudio Neves".

Cláudio Neves nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. Mora em Fortaleza desde 1990. É bacharel em Comunicação Social e licenciado em Língua Portuguesa. Trabalhou em agências de propaganda na década de 90. Desde 2000, é professor de português. Publicou poemas em jornais, antologias e revistas, como na "Poesia Sempre", da Fundação Biblioteca Nacional. Estreou em livro com "De Sombras e Vilas" (7Letras, 2008). É também ficcionista, ensaísta e crítico literário. (...)
(da badana do livro)

O cão que juntos vimos numa esquina.
O peixe que agonizava à nossa frente.
A onda na direção de nossas filhas,
a quem pedimos não quebrasse sobre elas.

O cacto que te comprei na feira
e que te faz sorrir
quando o entrego
ainda hoje nos meus pensamentos.

Tudo isso farei eterno,
se me confias teu corpo sem ruído,
se sufocas teu grito para que não nos ouçam
as crianças no quarto contíguo,
para que não descubra o tempo
o cão, a onda, o cacto,
o teu corpo jugulado e inconsentido.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Prémio PEN Clube de Poesia para Manuel Gusmão

A Terceira Mão, de Manuel Gusmão (Caminho) ganhou o Prémio P.E.N. Clube de Poesia 2008.
O júri foi constituído por João David Pinto Correia, Fernando Pinto do Amaral e João Barrento. O prémio, no valor de 5.000 euros, foi atribuído por unanimidade.

Manuel Gusmão nasceu em Évora em 1945. É poeta, tradutor e ensaísta. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo-se doutorado com a tese sobre a Poética de Francis Ponge (1987).
É professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desenvolvendo trabalho nas áreas da Literatura Portuguesa, Literatura Francesa e Teoria da Literatura. É membro da Associação Internacional de Literatura Comparada e fundador da Associação Portuguesa de Literatura Comparada.
Pertenceu às redacções das revistas O Tempo e o Modo e Letras e Artes e foi colaborador permanente do jornal Crítica, entre 1961 e 1971. Foi fundador das revistas Ariane (revue d’études littéraires françaises), que se publica desde 1982, e Dedalus, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, desde 1991). É coordenador editorial da revista Vértice desde 1988.
É tradutor português de poemas de Francis Ponge.
Venceu, em 2004, o Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus e o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora (2005).

Livros editados:
A Poesia de Carlos de Oliveira (1981)
A Poesia de Alberto Caeiro (1986)
Dois Sois, A Rosa - A Arquitectura do Mundo (1990/2001)
Mapas: o Assombro e a Sombra (1996)
Teatros do Tempo (1994-2000) (2001)
Os Dias Levantados (2002) (libreto para ópera de António Pinho Vargas
Migrações do Fogo (2004)
Mapas o Assombro a Sombra (2005)
A Terceira Mão (2008)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novidades 4Águas

Santiago Aguaded Landero
Sortilégio de Silêncio
Tradução de Liliana Filipe Pereira


Santiago Aguaded Landero nasceu em Lepe (Huelva) em 1962. É formado e Doutor em Biologia pela Universidade Politécnica de Madrid. Actualmente é professor na Universidade de Huelva, dando aulas na formação de professores. A sua relação com o mundo académico é contraditória e ambígua.
Publicou uma dúzia de livros de poesia entre os quais se destacam “O livro dos mendigos” (Baile del sol, 2007), “O livro dos perfumes” (Islavaria Editorial, 2008), “Agência do Medo” (Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica, 2009) e “Salário” (Prémio Granada, 2009). Além disso ganhou o III Prémio de Poesia Cidade de Lepe e foi finalista do Primeiro Prémio Artífice de Loja (Granada, 2000) com a obra “Coral Preto”, publicada na obra colectiva “Proemio Um”. Também foi antologiado em numerosas publicações com destaque para “Vozes do extremo” (Moguer); “Carne Picada”, Antologia da Poesia Onubense; “Poesia viva de Andaluzia” (Universidade de Guadalajara, México) e “Vida de Cachorros” (Editorial Buscarini, 2007). Este livro “Sortilégio de Silêncio” é a sua segunda tradução no espaço literário português.


O PERFUME DE LILITH

......................................A Guadalupe,Teresa e Louise,
......................................triângulo poético impossível.

OUTRAS depois de ti suportaram a amorosa hostilidade do homem. Mas tu escapaste-te antes de se consumarem triângulos impossíveis e agora reinas como Semíramis ou Salomé num mundo sem homens nem filhos. Mas fugir é regressar ao naufrágio eterno. A noite ascende no jardim de Adónis quando vejo a estrela profanada da tua púbis. Respiro o vermelho dos teus seios e “la belle dame sans mercy”, prisioneira de um conveniente pudor, sela os meus lábios num verdadeiro enigma.

(O bosque das certezas ardeu ininterruptamente por sete noites...)

O medo é a minha bússola. Conspiras com a dermoestética para incrustar esquírolas de plástico no meu coração de homem. Primeiro morrem os loucos da ternura; seguem-se-lhes os operários da beleza, e do que foi uma perfeita aliança nada mais resta do que o azougue de um espelho. Rainha das mulheres, filhas de Lilith: que sobra dos dias que fogem? Quando a espada oxida e os inimigos crescem? Eu vi a beleza de uma mulher consumir-se em chamas e nos sulcos do seu rosto nunca germinou a semente da dúvida.

domingo, 20 de setembro de 2009

Novidades Colibri

Electri-cidade
Vítor Oliveira Jorge
Edições Colibri, 2009
Colecção: Tribuna Livre - Poesia e Prosa
266 páginas


Sinopse:
O conjunto de textos que compõem este livro foi redigido na cidade do Porto entre Março de 2008 e Fevereiro de 2009, e as primeiras versões dos mesmos estão insertas no blogue do autor http://trans-ferir.blogspot.com A fotografia da capa, obtida em Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa, é de Leonor Sousa Pereira. Optou-se na ordenação dos poemas (que todos o são, mesmo que se apresentem graficamente sem divisão em versos) pela ordem alfabética dos títulos. A obra, na sua diversidade interna, é unitária, e dá continuidade ao livro Casa das Máquinas, Porto, Papiro Editora, 2008, concebido e organizado nos mesmos moldes deste.

Vítor Oliveira Jorge nasceu em Lisboa em Janeiro de 1948.
Formou-se em História na Faculdade de Letras daquela cidade em 1972.
Desde Setembro de 1974 é docente da Faculdade de Letras do Porto, onde se doutorou em 1982.
Poeta, arquéologo, ensaísta, dirigente associativo, tem tido uma actividade diversificada.


Ler

No meio do verão, ler.
Sobre o sofá fresco do verão, ler.
Com borboletas atravessando as paredes da casa,
Com o verão de beira a beira.

Ler. Estender o corpo, os crisântemos
E as margaridas da imaginação,
Percorrer o soalho dos teus passos
Dirigindo-se de um verão futuro a um verão passado.

Estender a pele. Deixar subir os poros
Entre os pólens das horas, suspensas acima do telhado,
Lá em cima.
Esticar os músculos até aos horizontes do verão,
Acender as lâmpadas do leite fresco.
Fresco e sadio, leite sobre leite.

Espreguiçar a lactose do verão,
Ouvindo ao longe as abelhas a fabricar o mel,

E as avós a fazerem as compotas na cozinha,
Sem jamais virem interromper o livro,
Sem discernirem o presente nos seus óculos redondos,
Inócuas e bondosas como globos.

Atravessar o verão como uma nave,
Uma nave leitora, nua como nuvens brancas e sedosas,
E ouvindo os sons dos anjos cantores
Nas catedrais ao longe, suficientemente longe
Para não interromperem o que se passa,
Este transbordar de papoilas, este esvoaçar de linhas.

E os perfumes do cabelo. Ler no couro cabeludo,
Ler na cintura, nas espáduas, atravessando paredes,
No meio da frescura, erguer os bolbos da mais perfeita
Juventude, alegria.

Ouvindo ao longe as baterias, os risos dos jovens
Indo para a praia.
São os condimentos das compotas, dizem
As avós.
Temos de ir buscar os peixes pelas guelras
Podem estragar-se sobre o molhe.

Sim, mas deixa-os luzir enquanto possível.
Longe. Pedem as margaridas.
E os iogurtes brilhando sobre as mesas,
As gelatinas da leitura tremendo ao de leve
Quando passos do passado vêm atravessar o soalho
Invisíveis, caminhando ainda com areia e peúgas.

É belo, dizem as jarras, podermos assim
Atravessar as paredes, as janelas, as cortinas,
E aparecermos do outro lado de nós mesmas
Impecáveis, limpas, lácteas como o corpo
Da leitura.

Ler. Dobrar as duas pernas sobre o sexo.
E ficar, ficar, ficar, docemente ficar.

Temos de ir buscar os molhos de ramos amarelos
Antes que sequem.

Eis os teus pés. A tua cabeça. Os teus cabelos.
A tua leitura, a possiblidade do verão
Passar sobre as espáduas e continuar num regato
Verde na sua alegria de atravessar a casa

E poder continuar por qualquer lado
E poder ser uma serpente viva, interminável,
Descrevendo as eternas curvas e contra-curvas da leitura.

É belo, dizem os boiões para as avós.
É belo estar na cozinha, dizem os tachos de cobre a brilhar.

Pois que brilhem o mais longamente possível
Que havemos antes de acabar o verão de ir caminhando
Para buscar algo ao alpendre, levando o livro

Para a frente; e arpoar a leitura pelas guelras,
Trazer a sua frescura para as as superfícies de mármore,
O corpo lácteo para a cozinha,

Para o brilho dos boiões, o sabor das avós,
As sombras e os brilhos dos magníficos
Iogurtes.

domingo, 2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (1936-2009)

Faleceu ontem, 1 de Agosto, M. S. Lourenço.
Manuel António dos Santos Lourenço, conhecido literariamente por M. S. Lourenço, Manuel Lourenço ou Arquiduque Alexis-Christian Von Rätselhaft und Gribskov nasceu em Sintra em 1936. Filósofo, tradutor, escritor e poeta, foi professor da Faculdade de Letras de Lisboa e leitor em Oxford e ensinou ainda em Universidades de Santa Bárbara, Indiana e Insbruck.
Era pai da bailarina Catarina Lourenço e do ensaísta Frederico Lourenço.
Foi galardoado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e Cruz de Honra de I Classe da República da Áustria. Em 1992 obteve o Prémio D. Dinis com o livro de crónicas Degraus do Parnaso.
Obra poética: “O desequilibrista” (1960), “Arte combinatória” (1971), “Wytham Abbey” (1974), “Pássaro paradípsico” com ilustrações originais de Mário Cesaryni (1979) e “Nada Brahma” (1991).
Deixou, no prelo, a obra “O caminho dos Pizões”, a editar ainda este ano pela Assírio & Alvim.
Publicou ainda vários estudos e ensaios de natureza filosófica. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia e Director da revista de filosofia Disputatio.
Traduziu filósofos como Wittgenstein, Godel e Guitton e colaborou com órgãos de imprensa como a revista Colóquio-Letras e o jornal O Independente.

Ler um poema de M. S. Lourenço aqui.

terça-feira, 28 de julho de 2009

XVII Prémio de Poesia Espiral Maior para Rosa Alice Branco

Rosa Alice Branco venceu, por unanimidade, o XVII Prémio de Poesia Espiral Maior, com a obra "O Gado do Senhor".
A este prémio, no valor de 15 mil euros, apoiado pelo Âmbito Cultural do El Corte Inglés, concorreram 198 obras, de Portugal, Galiza, Angola e Brasil.
Do júri fizeram parte os poetas Xosé Maria Alvarez Cáccamo, Xavier Rodriguez Baixeras e Miguel Anxo Fernan Vello.

Rosa Alice Branco nasceu em Aveiro em 1950.
É doutorada em Filosofia Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa, com uma tese subordinada ao tema A Relação Causal na Percepção.
Tem um mestrado em Filosofia do Conhecimento, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde defendeu uma tese sobre a Psicologia da Percepção em Berkeley, subordinada ao título O Desenvolvimento da Filosofia do Sugerir - A percepção no quadro de uma teoria interpretativa.
É licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Fez ainda um Curso Profissional de Farmácia, pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.
A sua obra está traduzida e publicada em vários idiomas, como alemão, árabe, castelhano, francês e inglês. Estreou-se em 1982 com o livro A Mulher Amada, ao qual se seguiu, em 1988, Animais da Terra. É autora de vários ensaios e está também incluída em várias antologias.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Novo livro de Luís Brito Pedroso


Princesas Dianas & Anti-Heróis

Autor: Luís Pedroso
Edição de autor
(na capa, uma ilustração de Luís Louro)






Imaginámos santos, infantes e condestáveis
Capitães de Maio e de Abril
Meninos da lágrima e virgens de gesso
Ditadores de botas e pastorinhos de arremesso
Rainhas santas e ínclitas gerações
E o que temos são grades de mini e travessas de caracóis

Desejámos um país que não se resumisse
a travessias diárias do oceano
Bolas de berlim e guarda-sóis
Relíquias do Rio Jordão ou alegria de garrafão
e o urbanista apenas a distribuir centros comerciais
Portanto desejámos talvez demais

Recortámos o horizonte de um país de poetas
Rainhas depois de mortas e grutas para o Camões
Saudosismos de grandeza e hinos contra
os britões, sonhando com saldos e promoções
A invenção de fátimas, fados e futebóis
E temos o subsídio para uma alcatifa de girassóis
O corvo vai debicando os miolos de São Vicente,
aspirando a migrações
Crocitando os segredos da carbonária,
o corvo é o anti-herói,
farto de medalhinhas e superstições

E de vez em quando desaparecia pólvora dos armazéns
Querias um amor imune ao logro, à missão animal do isco
A perfuração dos anzóis
Mas a verdade é que vives num maravilhoso reino
de Princesas Dianas e anti-heróis
e o que me vale é que elas gostam de ir com eles para a cama
Princesas Dianas e anti-heróis


Luís Pedroso nasceu em Lisboa em 1977. É arquitecto desde 2002.
Publicou:
Poema Seis (Dezembro 2005)
O Meu Nome e a Noite (Fevereiro 2007)
Sobregelofino (Julho 2008)
Participou nas antologias:
Os Dias do Amor (2009)
Aurora de Poetas
(2009)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rodrigo Souza Leão (1965-2009)

Morreu ontem, 2 de Julho, o poeta brasileiro Rodrigo de Souza Leão. Poeta, jornalista e músico, Rodrigo de Souza Leão nasceu no Rio de Janeiro, em 1965. Publicou dez e-books de poesia, entre eles Impressões Sob Pressão Alta, 25 Tábuas, No Litoral do Tempo e Síndrome, todos pela Virtual Books. Tem poemas publicados nas revistas Coyote, Oroboro, Poesia Sempre, El Pez Náufrago (Mexico), Et Cetera, O Correio das Artes, Babel e fez parte da I Mostra de Poesia Carioca. Participou, como músico, do CD Melopéia, de Glauco Mattoso. Participou da antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil, organizada por Claudio Daniel e Frederico Barbosa (editora Landy, 2002). Tem resenhas e reportagens publicadas em O Globo e Rascunho (Paraná).
Criou o site Caos (www.geocities.com/seumario) e escrevia o e-zine Balacobaco, com entrevistas com mais de 150 poetas e escritores. Foi co-editor do site Zunái, Revista de Poesia e Debates (www.revistazunai.com.br/). Foi premiado no Concurso de Contos José Cândido de Carvalho 2002. Tem trabalhos publicados no blog http://lowcura.blogspot.com e dois livros em papel: "Há Flores na Pele" (Ed. Trema, 2001) e Branco & outros poemas (Col.pesa-nervos).
Foi repórter e editor do programa Informe Imobiliário, TV Corcovado Rio, canal 9.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Prémio Camões para Arménio Vieira

O júri do Prémio Camões atribuiu o galardão deste ano ao poeta cabo-verdiano Arménio Vieira.
Arménio Vieira nasceu na cidade da Praia, Cabo Verde, em 1941. Como poeta e ficcionista, tem colaboração dispersa em várias publicações (Mákua, Alerta, Cabo Verde, Imbondeiro, Vértice, Ariope, Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos e Sopinha de Alfabeto, entre outras) e está incluído em diversas colectâneas. Foi também redactor no jornal Voz di Povo. A primeira edição do seu livro Poemas é de 1981.
Arménio Vieira é o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, que distingue todos os anos escritores de língua portuguesa.
Obra de Arménio Vieira:
1981 - Poemas - África Editora - Colecção Cântico Geral. - Lisboa.
1990 - O Eleito do Sol - Edição Sonacor EP - Grafedito - Praia.
1998 - Poemas (reedição) - Ilhéu Editora - Mindelo.
1999 - No Inferno - Centro Cultural Português - Praia e Mindelo.
2006 - MITOgrafias - Ilhéu Editora - Mindelo.

Pode ler-se alguns poemas de Arménio Vieira aqui.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Glória de Sant’Anna (1925-2009)

Morreu hoje a poeta Glória de Sant’Anna, uma das vozes mais geralmente reverenciadas no panorama literário de Moçambique.
Nasceu em Lisboa em 1925 e foi viver para Moçambique entre 1951 e 1975. No regresso a Portugal radicou-se em Ovar.
Obra publicada: “Distância”, 1951; “Música Ausente”, 1954; “Livro de Água”, 1961 (Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa); “Poemas do Tempo Agreste”, 1964; “Um Denso Azul Silêncio”, 1965; “Desde que o Mundo e 32 poemas de Intervalo”, 1972; “...Do Tempo Inútil” (crónicas), 1975; “Amaranto” (1984) com 4 livros inéditos: “A Escuna Angra” (1966-68), “Cancioneiro Incompleto” (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); “Gritoacanto” (1970-74 e “Cantares de Interpretação” (1968-73); “Não Eram Aves Marinhas” (1988), “Zum-Zum” (1996), “Solamplo” (2000), “O pelicano velho” (2003) e “Ao Ritmo da Memória” (2003).
Glória de Sant'Anna tem ainda trabalho disperso por revistas e jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (L. M.) Diário de Moçambique (Beira) Noticias (L.M.), Tribuna (L.M.), Sul (Brasil) e Caliban (L.M.).

A essência das coisas é senti-las
tão densas e tão claras,
que não possam conter-se por completo
nas palavras.

A essência das coisas é nutri-las
tão de alegria e mágoa,
que o silêncio se ajuste à sua forma
sem mais nada.

Glória de Sant’Anna