segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sugestão da Andante para esta semana

Poética Pícara

A poesia é um gozo
....um uso sabido
.... do uso errado

A poesia é um gozo
.... e se o não é
.... a culpa é do vizinho do lado

A poesia é um gozo
.... de palavras paralelas
.... daquelas
.... que não há

A poesia é um gozo
.... como um osso
.... encravado

A poesia é um gozo
.... o leitor
.... deve sentir-se gozado

Ernesto de Melo e Castro


Interpretado pela Andante:


Voz: Cristina Paiva; Música: Dj shadow; Sonoplastia: Fernando Ladeira


Próximos espectáculos da Andante:

03 Julho de 2008
A ver o mar
Biblioteca Municipal de Mortágua, às 21.30h

04 Julho de 2008
A ver o mar
Biblioteca Municipal de Póvoa de Varzim, às 21.30h

domingo, 29 de junho de 2008

Outras sugestões para os próximos dias


2 de Julho (quarta-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Por ocasião do 120º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa (13 de Junho), tem tido lugar na Casa Fernando Pessoa um ciclo de conferências, sempre às quartas-feiras, pelas 18h30, seguidas de debate, que se estendeu até Julho. Este ciclo de conferências intitula-se: Fernando Pessoa, O Guardador de Papéis e a organização é de Jerónimo Pizarro.
Hoje, 2 de Julho, última sessão:
Edição (Moderador: Jerónimo Pizarro)
Ana Freitas
Pessoa, escritor de policiais
José Barreto
Pessoa e Fátima. A prosa política e religiosa.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha n.º 16, em Lisboa.

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3 de Julho (quinta-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
A Casa Fernando Pessoa e as Edições Sempre-em-Pé realizam no dia 3 de Julho, pelas 18h30, uma sessão em que serão apresentadas as duas séries de poesia actualmente publicadas pela editora: a série DiVersos - Poesia e Tradução, que se publica desde 1996, e a colecção de poesia UniVersos, iniciada em 2005. Serão lidos poemas por alguns poetas (Cristino Cortes, João Miguel Henriques, J. T. Parreira e Ruy Ventura) e tradutores (Ana Maria Carvalho, José Lima e Manuel Resende) que já colaboraram com a DiVersos. A sessão será moderada por José Carlos Costa Marques, um dos coordenadores de DiVersos e editor de ambas as séries. A entrada é livre.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha n.º 16, em Lisboa.

LISBOA – Fábrica Braço de Prata
Dia 3 de Julho, vai ter lugar na Fábrica Braço de Prata, pela meia-noite e meia:
Recital de Poesia Satírica por Sara Carinhas, poemas de Ana Hatherly, José Sesinando,
Gertrude Stein, acompanhada ao piano por Nicholas McNai.
A Fábrica Braço de Prata fica na Rua da Fábrica do Material de Guerrra, nº1, em Lisboa (em frente aos Correios do Poço do Bispo).

LISBOA – Café Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2008
Todas as quintas, das 16h às 18h
Informações Úteis: 213 973 717
No Café Martinho da Arcada (Pç. do Comércio, 3).

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4 de Julho (sexta-feira):

ALHOS VEDROS – Biblioteca Municipal
Nova Águia - Revista de Cultura para o Século XXI
Nº 1 – 1º Semestre 2008
Direcção: Paulo Borges, Celeste Natário e Renato Epifânio
A IDEIA DE PÁTRIA, Sua Actualidade
Ensaio, poesia e outros temas
Incluindo inédito de Agustina Bessa-Luís
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A Nova Águia pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu "espírito", adaptado aos nossos tempos, ao século XXI.
A Revista resulta de uma parceria entre a Editora Zéfiro, a Associação Marânus/Teixeira de Pascoaes e a Associação Agostinho da Silva.
Próximo lançamento: 4 de Julho - 21h30: Biblioteca Municipal de Alhos Vedros

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5 de Julho (sábado):

MAIA – Feira do Livro
No dia 5 de Julho às 21.00h, na Feira do Livro da Maia (Praça Dr. José Vieira de Carvalho), vai ter lugar o espectáculo “Poesia no Teatro e na Música”, uma produção “Amante das Leituras”.
O evento "Poesia no Teatro e na Música" é o retrato de composições entre duas artes: a poesia dramatizada e a poesia na música e canto.

LISBOA – Fábrica Braço de Prata
Dia 5 de Julho, vai ter lugar na Fábrica Braço de Prata, entre as 22:30h e as 23:30h:
"Monólogos fantásticos"
Ela uma vez, por Cláudia Andrade, sobre textos de sete poetisas lusófonas (Adélia Prado, Adília Lopes, Ana Haterly, Ana Luísa Amaral, Elisa Lucinda, Marina Colasanti e Natália Correia).
A Fábrica Braço de Prata fica na Rua da Fábrica do Material de Guerrra, nº1, em Lisboa (em frente aos Correios do Poço do Bispo).

sábado, 28 de junho de 2008

Novidades Livrododia

Mapa
Autor: manuel a.domingos
Livrododia Editores

"Desde os cafés da Guarda, nos anos adolescentes, onde tudo era ainda possível, até a um certo desencanto com o mundo, manuel a. domingos constrói uma poética feita de pequenos detalhes comuns à vida e à poesia, tentando descobrir modos de acreditar em mapas que nos soam tão estrangeiros."


Soneto

tens o vício
de não fumar
não andas envolta
num poético

halo de fumo
não deixas
marcas de bâton
nas beatas

dos cinzeiros
lá de casa
esse teu hábito

anda a custar-
me alguns
versos

manuel a. domingos


sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ainda vale a pena ver (alguma) TV

Pedro Tamen e João Barrento no Programa "Câmara Clara" da RTP2 - 16 de Março de 2008.

Pedro Tamen (poeta e tradutor) e João Barrento (ensaísta e tradutor) falaram de poesia e de obscuridade: daqueles que, na sombra, alimentam o brilho e a glória dos autores.


Livros (de poesia e outros) presentes neste programa:

De
João Barrento:
A Escala do Meu Mundo, Assírio & Alvim
A Espiral Vertiginosa – ensaios sobre a cultura contemporânea, Livros Cotovia
A Palavra Transversal – literatura e ideias no século XX, Livros Cotovia
A Poesia do Expressionismo Alemão, Editorial Presença
O Espinho de Sócrates – Expressionismo e Modernismo, Editorial Presença
Ler O Que Não Foi Escrito – Conversa Inacabada entre Walter Benjamin e Paul Celan, Livros Cotovia
Uma Seta no Coração do Dia – Crónicas, Livros Cotovia
Umbrais – o pequeno livro dos prefácios, Livros Cotovia

De
Pedro Tamen:
Analogia e Dedos, Oceanos
Caracóis, Quetzal Editores
Escrita Redita – Poemas ditos por Luís Lucas, Editorial Presença (livro + CD)
Guião de Caronte, Quetzal Editores
Memória Indescritível, Gótica
Tábua das Matérias – poesias 1956-1991, Gótica

Outros livros:
à sombra – desenhos sobre papel, Lourdes Castro, Assírio & Alvim
sombras à volta de um centro – desenhos sobre papel, Lourdes Castro, Assírio & Alvim
As Sombras. À Ventura. Jesus e Pã, Teixeira de Pascoaes, Assírio & Alvim
Elogio da Sombra, Junichiro Tanizaki, Relógio d'Água
Les Ombres errantes, Pascal Quignard, Grasset
Na Sombra de Pascoaes, Maria José Teixeira de Vasconcelos, Vega
O Vinho e as Rosas – antologia de poemas sobre a embriaguez, org. Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim
Olímpio, Diatribe
Poesia de 26 Séculos – de Arquíloco a Nietzsche, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Edições Asa
Poesia do Século XX – de Thomas Hardy a C.V. Cattaneo, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Editorial Inova
Rosa do Mundo – 2001 Poemas Para o Futuro, Assírio & Alvim
Tanto Fogo e Tanto Frio – O Último Sonho de Olímpio, poema de Alberto Pimenta com uma introdução de Vitor Silva Tavares, & etc
Traduções:
A História Fabulosa de Peter Schlemihl, Adelbert von Chamisso, tradução e ensaio de João Barrento, Assírio & Alvim
As perturbações do pupilo Törless (obras I / VIII), Robert Musil, tradução e introdução à edição de João Barrento, Publicações Dom Quixote
Fausto, Johann W. Goethe, tradução, introdução e glossário de João Barrento, imagens de Ilda David', Relógio d'Água
O Cardo e a Rosa – Poesia do Barroco Alemão, selecção, tradução e prefácio de João Barrento, Assírio & Alvim
O Homem Sem Qualidades, Robert Musil, Publicações Dom Quixote
Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust, tradução de Pedro Tamen, Relógio d'Água
Gilgamesh, versão de Pedro Tamen do texto inglês de N.K. Sandars, Vega
Pierrette seguido de O Padre de Tours, Honoré de Balzac, tradução de Pedro Tamen, Relógio d'Água

"Câmara Clara", apresentado por Paula Moura Pinheiro, passa na RTP2 aos domingos, às 22:30h.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:
- fernando pessoa faz 100 anos
- poemas portuques de autor que nasceu em portugal
- secção infantil da adidas
- susana werner nua
- "sou alegre sou triste sou boa "
- livro de francês de graça
- poemas de consolas para uma donzela
- alvaro ramos dobrada a moda do porto

(Tal e qual como estavam escritas. Algumas dão que pensar, não?...)

Margaret Atwood galardoada com o Prémio Príncipe das Astúrias

A escritora canadiana Margaret Atwood foi galardoada com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras 2008 pela sua "esplêndida obra literária", que explora diferentes géneros "com intensidade e ironia", sem esquecer a denúncia das injustiças sociais.
A romancista, poeta e ensaísta nasceu em Ottawa em 1939, e é a primeira mulher agraciada pelos Prémios Príncipe das Astúrias, no valor de 50 mil euros.
Intimista, irónica, defensora dos direitos humanos e da mulher, Atwood colabora com a Amnistia Internacional, com quem defende os direitos territoriais dos índios mohawks, e o seu nome já foi citado para o Prémio Nobel da Literatura.
Aos 19 anos, a autora começou a escrever os seus primeiros poemas, já impregnados de citações mitológicas, e que depois se deslocariam para o interesse pelo mistério, as referências culturais, literárias e pictóricas.
Margaret Atwood costuma dizer que quando escreve um romance "é como se construísse uma casa" e quando faz poesia se sente "como um pássaro que canta". "A poesia é escrita com a mão esquerda e corresponde a uma região do cérebro que é responsável pela música e pelas áreas mais criativas", acrescenta.
Atwood escreve em inglês e francês, e alguns dos seus romances foram adaptados para cinema e teatro, como "A mulher comestível", "O conto da aia", "Vulgo, Grace" e "O assassino cego".
Traduzida para mais de 30 idiomas, Atwood publicou o seu último livro de poesia, "The door", em 2007.
O Prémio Príncipe das Astúrias das Letras já foi concedido a autores como Nélida Piñon, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela, Carlos Fuentes, Günter Grass, Augusto Monterroso, Doris Lessing, Arthur Miller, Paul Auster e Amos Oz.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Poema em voz alta

Ode ao vinho

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste num copo,
num canto, num homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tú, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.
Vinho.

Pablo Neruda

Na voz de Luís Gaspar:

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Os vossos poemas

O último desafio que vos lancei foi para que me enviassem os vossos poemas satíricos.
Conforme prometido, aqui estão todos os que me chegaram até hoje e, no final, o poema que foi escolhido para ser gravado em áudio pelo locutor Luís Gaspar.
Obrigada pela empenhada e divertida participação e... até ao próximo “espaço aberto”!


Antes chapa que motor

Trocou o carro amassado
comprou outro mais vistoso
para parecer director
um tipo de papo inchado

Mas não era um deputado
era apenas vendedor
de latas, cremes, papéis
e de almas ao diabo

Ele quer é ser senhor
que se lixe a fome em casa
que pr’a lhe polir a imagem
Antes chapa que motor

no carro velho é doutor
pois com cromados a brilhar,
passou a ser respeitado,
antes chapa que motor

E as dívidas ao leasing
do BM apetrechado
de FM ao volante
e um fio prateado?

Para ganhar pão e amor
e a imagem do poder
basta-lhe chapa brilhante
e que se lixe o motor

António Ferra


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O Call Center da minha prima

Prima, a tecla um
para assuntos comerciais de pouca monta,
prima, a tecla dois,
para saber das facturas que lhe debitam desencantos,
prima, a tecla três,
mas, prima, devagar, depois
de medir o que pergunta,
se quer saber se a vida é pr’a pagar
ao fim de cada mês,
na miséria que se junta,

prima, a tecla quatro
em desespero, porque não se sabe
com quem fala,
quem está do outro lado além da voz,
escondida numa sala,

prima, o cansaço pousado
numa mesa de cozinha
sobre copo de tinto a meio,
prima, a tecla cinco, que é minha,
onde vem as instruções
para horas de paleio

e para outros assuntos,
daqueles que causam dor,
prima, a tecla seis,
mas com cuidado
para não ser atendido
por qualquer operador

e veja com quem se mete
o náufrago sem jangada,
que neste mundo anónimo
onde «daqui fala fulana»
prima, a tecla sete
numa cabala montada


António Ferra


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Manual da Boa-Conduta

Neste sobe e desce da vida,
Na luta pela escalada social,
Há quem escorregue,
Há quem não sobreviva,
Há quem ao cair,
Fica nas bocas do mundo,
Vira esqueleto roído,
De forma sempre original.

Pode virar palhaço de circo,
Pode até ser fenomenal,
Provocar o riso às crianças,
Não parece assim tão mal.
O maior entrave estará,
Quando alguém se torna objecto,
Da perfídia de um adulto,
Ficará por certo moribundo,
A ela não escapará.

Mas no fundo da gaveta,
Da tua consciência,
Por certo encontrarás,
Um antídoto,
Um anti-corpo,
Que poderás usar,
Somente se fores um ser de privilégio,
Utiliza-o à vontade,
Não tem prazo de validade,
Encontrarás no Manual da Boa-Conduta,
A verdadeira fórmula,
O repelente para a Ignomínia,
Para o Escárnio.

Usa sem medo,
Está no Último Capítulo,
Chamado - Vida,
- Chama-se Indiferença.
Acredita é muito mais corrosivo,
Muito mais diabólico.
Tem como apanágio,
Aniquilar por completo a fera inimiga,
A mais valia?
Acredita,
Destrói e não nos vitima!

Beatriz Barroso


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Zombaria, é meu nome

De onde venho?
Das bocas do Mundo,
Do Inferno das emoções,
Da Alma de um energúmeno,
Que jamais de mim se apartou.
Como me chamo?
Eu sou a Zombaria,
Não durmo nem à noite,
Nem de dia,
Sou criatura demoníaca,
Alimento-me da desgraça,
A perfídia é minha sina.
Adoro fazer chalaça,
Brincar com as consciências,
Fingir-me doce criatura,
Mas mordê-las com minha ira.
Deste motejo,
Eu me alimento.
A meu irmão gémeo,
- O Sarcasmo,
Eu tenho que dar sustento.
Somos dois num corpo só,
Por isso muito valemos,
Ai, daquele desgraçado,
Que cair no nosso alvo,
Eu dou asas à minha veia,
Meu irmão, a sua maligna língua,
Agarramo-lo pelos braços,
Damos-lhe uma trincadela,
E o desgraçado quase morre,
De vergonha e de desonra.
Mas adoramos nossa vítima,
Gostamos de a ver de si perdida,
Mas temos um pacto com a Vida,
Quanto mais vivo e feliz o humano nos parecer,
Mais será um ser apetecível.
Que bom será com ele conviver,
Estar sempre em boa companhia,
Será sempre o nosso lema!

Beatriz Barroso


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Maledicência

Um sorriso escarlate,
Um gesto irónico,
Um segredo falante,
Não comedido,
Um olhar esquivo,
Fingindo-se amigo,
Fala no feminino,
Carrega consigo,
A maledicência,
No semblante.
De forma altiva.
Segura de seu juízo,
Faz de seu quotidiano,
Acto sagrado,
Neste Carnaval da vida,
Há muito festejado.
Cumpre-se o rito.
Mas a mim que importa,
Se tem aplauso?
Se sou poeta,
Sou imune de alma,
Na arte de enganar,
De fingir,
De seduzir,
De criticar,
Basta querer,
Sou melhor que os Sofistas,
Sou eu o mestre!

Beatriz Barroso


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Meritocracia e má língua

Ah, a excelência,
Onde está ela?
O belo,
O verdadeiro,
O genuíno,
Fugiram?
Estamos todos convertidos,
À fé, não do Cristianismo,
Apenas ao culto do Comparativismo.
Na dialéctica desta vida,
Sai agora vencedor,
O melhor mentiroso,
O melhor arrivista,
O melhor aleivoso,
Até já o falso artista,
Esse mesmo,
Faz furor!
Sabem que mais?
Continuamos a ser humanos,
Mas não gostamos do Ser em nós.
Porque nos comportamos todos,
Como meros cavalos de competição?
Já lá vai o mérito do berço,
Da posição social,
Da riqueza familiar,
Dos valores verdadeiros, senhores,
Onde é que eles já vão!
O que conta agora,
É a ideologia do sucesso.
Sermos todos Doutores,
Mesmo que falsos.
Que importa ser apenas
Feliz do coração?

Beatriz Barroso


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Eles

Soam cornetas, clarins!
Tambores rufam, tresloucados,
E ufanos, emplumados,
Eis os doutores que se agitam.

Vozes gritam, retumbantes,
Discursando, sapientes,
Sábios doutores, reis das gentes,
Que o saber ao mundo ditam.

Mil glórias, vaidosos, contam,
De rastos, modestos, coram.
Desencantam, de improviso,
Discursos que o povo encantam,
E à socapa decoram.

Sabem rir quando é preciso
E chorar na ocasião.
Suaves, doces, emotivos,
Brandos, persuasivos,
Negam ao povo o seu pão.

Ilona Bastos
1982

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Marino & Jesus

Pensava em morrer
Maldizendo a vida
Negócio fácil para deixar
Meu mal-amanhado

Loucura mesmo
É garantir o lugar
Antes de morrer,
Não?

Já até adiantei-me
Sobre o preço da cova
Fui até a ACESF
Negociar a tumba

Pra morrer por aqui
Barato não é...
Quanto será que é?
Deus-me-livre!

Penso em viver
Morrer em Londrina
É saco de mal cheiro
Não é verdade,
Marino & Jesus?

William da Cruz

Nota do autor:
Moro em Londrina (Brasil). Marino e Jesus eram os mediadores para a venda de túmulos antes da morte, o que é terminantemente proibido.


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Comícios

Na voz arrebatada de quem discursa
Nos gestos exaltados de quem representa
Saltam mil mensagens de promessa radiosas
Espreitam mil esgares de ilusões fantasiosas.
E a multidão grita frenética mil palavras
E os da frente ou os que se querem mostrar à frente
Entoam canções que fazem adormecer sorrindo
As que embalam para votar dormindo.

Todo o país se transforma e cresce tem de crescer
São as promessas enormes
De enormes autoestradas e aeroportos
De enormes metrópoles de compras sem limites
De enormes espaços verdes e de lazer
O país definitivamente tem de crescer!

E os gestos continuam e o olhar brilha com intensidade
O Sol esse clarão imenso é ofertado de bandeja
Os que estão em bicos de pés
Já o sentem
Já o disputam entre si
E entoam cada vez mais sonoros os hinos
Que deslizam nos ecrãs gigantes.

E sai a procissão até ao altar de todos os divórcios.

J. Caldas

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STF e Células Tronco

O Menezes, que é Dereito,
moço munto do escorreito,
vai botá orde na casa.

Já ligô pro Vaticano
- que que ocêis está pensano? -
pra sabê como se embasa.

"Teje carmo, num te avexe,
que comigo ninguém mexe
esse tema não me escapa."

Foi o que dixe o pontife
nesse momento difice:
"Eu ainda sô o Papa.

Quem mexê com embrião
não irá pro céu mais não,
vade retro satanais."

Só pra enquadrá o Ayres Brito
arterô, gesto isquisito,
sete pecados mortais.

Adauto Suannes

Nota do autor: A nossa Corte Suprema - Supremo Tribunal Federal (Brasil) julgou a questão da pesquisa com embriões, tema que alvoroçou muita gente por aqui. Comentei, à maneira dos cantadores do nordeste, o fato com estes versos.


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Maternidades Encerradas
(inspirado num cartoon de Luis Afonso)

Tantas maternidades encerradas!!!
Nem deve este Governo ter pensado
Que agora nos IPs e Auto-estradas
Nascem bébés em série... Complicado!

Qualificar "chauffeur" e ajudante
E pô-los de parteiros com afinco,
Exige uma mudança importante
Que não é para todos! Não, não brinco!

Quanto à identidade, no Bilhete,
Vejam o que a medida também fez:
"Menino natural do IP 7"
"Menina de IC 1, ou da A-3..."

Joaquim Sustelo

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Na Cauda do Cometa

Vamos suspensos na cauda do cometa
Numa longa viagem
Em que o destino não promete;

É precário o equilíbrio onde a muleta
Evita a estatelagem...
Colados ao pelotão. São vinte e sete.

Necessitamos forças. Mais e mais.
E os braços estão dormentes;
Aqueça-nos a chama que inda existe!
Fecharam hospitais
Proibido ficar doentes!
Sejamos alegres e fortes,
(só assim se resiste!)

Envelhecidos, pouca gente nasce...
Faltam as condições,
(os jovens não são tontos...)
O caminho faz-se
Aos trambolhões;
Já não chegam os descontos...

E saem normas
Que atrasam as reformas.

Não chegam os descontos? É Mentira!
Então e o Mira?
E os outros "miras" todos
Com desafogos, com tudo o que é bom
Aos montes e a rodos?

Uma engenharia financeira
Em bancarrota
Que faz que sobrem
Cinco mil milhões prá Ota
não sei de que maneira!
Uma Ota onde os otários
Não se apercebem de interesses
Que são vários...

Era uma vez
Uma maternidade fechada
E o menino foi nascer no IP3
- não venceu a distância...
(Aliás passou a ser em abundância
O acto de nascer em plena estrada.)

Olha, aquele concelho
Tem mais rotundas do que o nosso...
Ah, não! Não posso!
Vou já ultrapassá-lo,
Não me intimido!
Sei que me endivido...
- Deixá-lo!

E aquele menino?
Tem a tantos quilómetros o ensino!
Fecharam as escolas
Ao pé da sua casa;
Lá vai com pressa
Pra ver se não se atrasa!

E o cometa segue...

- Na frente os batalhões
Com rápido andamento;

- A cauda aos trambolhões
Aguenta como pode...
Sem euros, sem tostões
Para manter a armada;
Coçando no bigode
Já a pensar que cai...

Decerto ainda vai
Pela água que mete,
Cair dos "vinte e sete"
E optar pela jangada.

Joaquim Sustelo

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(N)o Meu País

O meu País pode estar
Prestes a fechar... E a reabrir.

Já com tantas maternidades encerradas
Assiste-se hoje em dia a esta façanha:
Em muitos casos vai-se nascer a Espanha
(se se conseguir
lá chegar...),
Se não, é nos IP's, ou nas auto-estradas.

No meu país ao sul com um lugar ao sol
Que acolhe sem taxar tanto magano,
Dizem que um médico espanhol
De oftalmologia,
Fez tantas operações num dia
Como um colega seu (daqui)
Faz... Em todo um ano!

- Eu li!

E sempre que a lista de espera
Ou o preço pedido suba,
O paciente português já assevera
Que vai tratar do caso a Espanha
Ou vai a Cuba!

O meu País está em primeiro na UE
Em desigualdades económicas, sociais...
E já se vê
Um quinto em gente pobre!
Enquanto uns poucos, sem nada que lhes sobre,
Ganham de mais.

O meu País, além destes desníveis
Em que campeia,
Tem outros... E já se faz cara feia
(com bom motivo)
Ao preço proibitivo
Dos combustíveis.

Por perto da fronteira
Vendê-los, nem se pensa!
Não há maneira...
A diferença de preço ela é tamanha
Que até de Faro já compensa
Ir atestar depósitos a Espanha!

Bem, no meu País,
Ele é tanta coisa junta,
Que, infeliz,
até a minha mente já pergunta:

- Se, quanto ao futebol, se vai lá fora
Buscar bons jogadores
E até dá resultado,
Porque não solucionam sem demora
(sim, quanto antes...)
E não vão também lá fora, ao mercado,
Sem olhar a cores,
Buscar também... bons governantes?

Gente com experiência
Que mexa e que remexa...
...a ver se o País fecha
Reabrindo depois,
já com nova Gerência!

Joaquim Sustelo

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Processo Penal

O novo Código de Processo Penal
Tem um abcesso
Ou estará por eles possesso.
E ao nascer assim tão torto,
Que mau foi não ter sido um nado-morto!

De letra cega e tão crua,
Já pôs na rua
Seres horrorosos,
Violadores, assassinos,
Reles criminosos
Que mudam o bom curso dos destinos.

A insegurança
Silente avança,
Sem que tenha havido
A voz discordante de qualquer Partido...
Nem um só ai, nem um só gemido!
Nem um "tuge" nem um "muge!"
- Quais lambe-cus
Consentidores
De tão sabidos legisladores.

Apenas algumas vozes
(Menos do que as nozes),
Dizem discordar
E que talvez já vá ser revisto;

E o povo, à rasca,
Come e engasga
- Já viram isto?

Novo Processo Penal...
E fica quem o fez tão orgulhoso!
Código
Ou Pródigo?
- Que se gasta afinal
Pensando no Penal
Mas criando um que é Penoso.

Ele é bem o espelho
Deste país que temos...
Um legislar sobre o joelho
De forma inexplicável;
E onde alguém
Com responsabilidade
Num Ministério, dito da Equidade,
Diz do alto do seu virtuosismo
Intocável,
Que "na sociedade
é Que se está a criar
Um alarmismo irresponsável."

Joaquim Sustelo

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Volta, Zé Maria...
Estás perdoado!


Podes voltar, Zé Maria
estás perdoado!
Este Portugal
continua igual!

Em campanhas alegres
os Abranhos e os Salcedes
continuam a bengalar-nos
como num sacrifício dos Maias

O povo corre p'rò "americano"
mas se não faltam as pernas
saem-nos as greves ao caminho
na cidade e nas serras

Pode voltar, Zé Maria
estás perdoado!
Este Portugal
continua igual!

E se voltares, Zé Maria
aceita um bom conselho:
limpa o teu monóculo com desvelo
e afia bem o teu aparo

Se te puserem um écran à frente
seja PC ou MacIntosh
não te assustes
é mesmo assim

Carrega no botão, apaga tudo
compra uma resma de "Navigator"
e põe-te a navegar com tua pena
na "Net" das nossas misérias

Luís Graça

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E finalmente, o poema vencedor deste passatempo, gravado em áudio pelo locutor Luís Gaspar:


Jean Metzinger: na pista de ciclismo

estavam os apóstolos na paragem do 90
no rossio e jesus apareceu-lhes.
acima das cabeças elevou-se, sobre cada um,
uma língua de fogo, como que a mostrar-lhes
o caminho para o martinho da arcada,
onde estava combinada uma última ceia.
pedro ia em silêncio, a fumar um puro montecristo
nº. 3, enquanto que tomé pedia ao mestre
para ver as marcas do infortúnio
e tocar, ainda que ao de leve, as cicatrizes.
mateus levantou os olhos um momento
do financial times e ponderou
ser aquele um bom local
para abrir uma loja de câmbio.
joão persignou-se e olhou para maria
madalena, também presente,
carregada de sacos da fnac e do corte inglês,
tendo entrevisto, atrás de uma coluna,
o gang de pessoa, que de súbito fugiu,
por estar em menor número.
tiago, o maior, foi comprar
um braçado de rosas, que entregou
a maria, que, muito consternada,
pediu encarecidamente que a levassem
ao pavilhão chinês, no príncipe real,
para tomar um chá de folhas de jasmim.
felipe meditava, tirando apontamentos
sobre os efeitos nefastos de outra guerra
entre judeus e árabes. tadeu
mascava chiclets, para enganar
o martírio da ressaca, implorando a simão
cinquenta euros para dois gramas de pó,
pelo que foi admoestado com maus modos
por zebeu, que estava a seu lado,
a observar uma negra lindíssima que passava
com as calças muito justas, bordadas
a amarelo com ramagens e pássaros
e uma blusa transparente, toda aberta,
que lhe deixava visíveis, quase completamente,
os seios. andré seguia atrás, vociferando
contra o custo de vida e lembrando-se
do tempo em que era pescador e a abundância
de sardinha era tão grande
que nem sequer tinha cotação no mercado.
bartolomeu vinha no meio, a rogar pragas
pelo trânsito da cidade e a poluição,
e a pensar que, nas próximas eleições,
iria apresentar candidatura ao município
como independente, nas listas do partido.
a dada altura, notaram que judas
não estava no grupo e foram procurá-lo
à praça da figueira, onde andava às moedas,
a guardar carros. então, um transeunte,
reconhecendo o mestre, aproximou-se e disse
que só mesmo por milagre o poderia
encontrar ali e em almada vê-lo a abraçar
lisboa. ao que o mestre retorquiu, ó príncipe,
meu príncipe, não me tentes de novo.
eu faço corpo com a evanescência,
mas não há maior prodígio que escapar ileso
ao trânsito infernal da 24 de julho.
e, isto dito, partiu, de bicicleta.

Amadeu Baptista





Mais uma vez, obrigada a todos pela participação e obrigada ao Luís Gaspar pela gravação do poema.

domingo, 22 de junho de 2008

Outras sugestões para os próximos dias


23 de Junho (segunda-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Lançamento do novo livro de poesia de Nuno Júdice “A Matéria do Poema” (editado pelas Publicações D. Quixote).
Dia 23 de Junho, na Casa Fernando Pessoa, pelas 21H30.
A obra será apresentada por Maria João Seixas.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, nº 16, em Lisboa.


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25 de Junho (quarta-feira):

PORTO – Fundação José Rodrigues
Lançamento do livro “Treze Poetas Eslovenos - (Antologia inacabada)”.
Organizada por Casimiro de Brito e Mateja Rozman.
Roma Editora.
Uma antologia com obras de 13 poetas eslovenos, traduzidas para português, publicada em Portugal pela editora Roma com o apoio do Ministério da Cultura da Eslovénia e pelo Pen Club da Eslovénia.
O lançamento e a promoção da antologia serão organizados pela Embaixada da Eslovénia, pelo Pen Club Português e pelo leitorado da Língua e Cultura Eslovena na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
O objectivo deste projecto é o aprofundamento do diálogo entre poetas portugueses e eslovenos. Por outro lado, será lançada brevemente na Eslovénia a antologia "Treze Poetas Portugueses".
Dia 25 de Junho, lançamento no Porto (Fundação José Rodrigues), às 21:30H, estarão presentes quatro poetas eslovenos (Boris A. Novak, Milan Jesih, Barbara Korun e Maja Vidmar) e vários poetas portugueses, que lerão algumas traduções para português.
A sessão será orientada por Casimiro de Brito e Mateja Rozman e terá também a colaboração de Maria João Reynaud.
Haverá um cocktail.

LISBOA – Pólo Tecnológico de Telheiras
Terá lugar no dia 25 de Junho, no Pólo Tecnológico de Telheiras (Rua 1, Lote 25 – Telheiras), pelas 18H30, a apresentação do livro de prosa poética “Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva” de Eduardo White (editado pela Campo das Letras).
Apresentação da obra pelo poeta moçambicano Luís Carlos Patraquim e, ainda, um momento de "dizer" pelo autor e pela declamadora Elsa Noronha.
Numa preocupação com as origens, Eduardo White reflecte na sua poesia a sua história e reflecte sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e de erotismo.

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Por ocasião do 120.º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa (13 de Junho), terá lugar na Casa Fernando Pessoa um ciclo de conferências, sempre às quartas-feiras, pelas 18h30, seguidas de debate, que se estenderá até à primeira semana do mês seguinte. Este ciclo de conferências intitula-se: Fernando Pessoa, O Guardador de Papéis e a organização é de Jerónimo Pizarro.
Hoje, 25 de Junho:
Biblioteca (Moderador: António Cardiello)
Carla Gago
De Nietzsche...
Patricio Ferrari
...a Pessoa
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha n.º 16, em Lisboa.

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26 de Junho (quinta-feira):

LISBOA – Instituto Camões
Lançamento do livro “Treze Poetas Eslovenos - (Antologia inacabada)”.
Organizada por Casimiro de Brito e Mateja Rozman.
Roma Editora.
Uma antologia com obras de 13 poetas eslovenos, traduzidas para português, publicada em Portugal pela editora Roma com o apoio do Ministério da Cultura da Eslovénia e pelo Pen Club da Eslovénia.
O lançamento e a promoção da antologia serão organizados pela Embaixada da Eslovénia, pelo Pen Club Português e pelo leitorado da Língua e Cultura Eslovena na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
O objectivo deste projecto é o aprofundamento do diálogo entre poetas portugueses e eslovenos. Por outro lado, será lançada brevemente na Eslovénia a antologia "Treze Poetas Portugueses".
Dia 26 de Junho, lançamento em Lisboa (Instituto Camões, ao Marquês de Pombal), às 18:30H, estarão presentes quatro poetas eslovenos (Boris A. Novak, Milan Jesih, Barbara Korun e Maja Vidmar) e vários poetas portugueses, que lerão algumas traduções para português.
A sessão será orientada por Casimiro de Brito e Mateja Rozman.
Haverá um cocktail.

OEIRAS - Livraria-Galeria Municipal Verney
No dia 26 de Junho, entre as 16h00 e as 18h00, terá lugar na Livraria-Galeria Municipal Verney (Rua Cândido dos Reis, 90/90A, em Oeiras) uma “Quinta-Feira Cultural” organizada pela Associação Portuguesa de Poetas.
Trata-se de uma sessão livre e informal de encerramento das actividades da APP até Outubro.
Os poetas poderão dizer os seus poemas ou de outros poetas.

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Na próxima edição dos “Livros em Desassossego”, irá debater-se como valorizar (ainda mais) a marca Pessoa, agora que se anuncia o leilão de parte do espólio em poder da família do poeta. Na mesa, para o debate, vão estar o Ministro José António Pinto Ribeiro, a sobrinha do poeta, Manuela Nogueira, o professor universitário António M. Feijó, o investigador Jerónimo Pizarro e o editor Manuel Rosa, que escolherá três livros publicados recentemente que gostaria de ter no catálogo da Assírio & Alvim. A edição de Junho dos “Livros em Desassossego” realiza-se dia 26, a partir das 21.30, na Casa Fernando Pessoa.
Carlos Vaz Marques modera a sessão. A entrada é livre.

LISBOA – Café Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2008
Todas as quintas, das 16h às 18h
Informações Úteis: 213 973 717
No Café Martinho da Arcada (Pç. do Comércio, 3)

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27 de Junho (sexta-feira):

ODIVELAS – Centro de Exposições
Vai realizar-se no dia 27 de Junho, mais uma tertúlia "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.
Esta sessão será dedicada às quadras populares.

LISBOA – Museu da Cidade
No dia 27 de Junho vai ter lugar no Museu da Cidade pelas 16H30 o lançamento do primeiro livro de poesia de Vanessa Nunes "As 13 chagas do desejo".
A jovem poetisa terá a "apadrinhá-la" o Grupo de Jograis "U...Tópico" que dirão alguns poemas deste seu livro de estreia.

PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 27 de Junho, no Auditório do Clube Literário do Porto, vai ter lugar pelas 21h30 a sessão de apresentação do livro «Da Destruição do Poema» de Marcos D'Morais.
A apresentação ficará ao cargo da poetisa Eduarda Chiote.
Depois de, aos 17 anos, Marcos D'Morais ter publicado no Recife o livro de poemas Expoente (1984), dedicou-se à música, fundando um grupo com título homónimo. Regressou à poesia, com Recife Porto (2004), e, em 2007, Da Destruição do Poema.
Paralelamente às actividades estéticas, licenciou-se em Letras, pela FESV (1989), e em Direito, pela Universidade Católica de Pernambuco (1998), seguindo-se um mestrado em Teoria da Literatura, pela Universidade Federal de Pernambuco, com a dissertação A Poesia dos Acordes (2002).
Já em Portugal, pós-graduou-se em Direito Penal, pela Universidade de Coimbra com a monografia Do Não Lugar: A Pós-Modernidade e a Globalização Na Criminalidade Organizada (2006). Na Universidade do Porto, escreveu a tese de doutoramento, em Literatura, sobre a poesia da Geração 65.

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28 de Junho (sábado):

PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 28 de Junho, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 21h30:
“Universos Paralelos”
Poemas Escolhidos por António Domingos.






LISBOA – Palácio Galveias
No dia 28 de Junho, terá lugar pelas 19h00 mais um Encontro Poético no Palácio Galveias (Campo Pequeno – Lisboa) organizado pela Associação Portuguesa de Poetas.
Serão divulgados os nomes dos vencedores dos Jogos Florais da APP sobre quadras dedicadas aos Santos Populares e será feita a leitura de todas as quadras premiadas

ALMADA – Café Le Bistro
Os Poetas Almadenses realizam no dia 28 de Junho mais uma Sessão Mensal de Poesia Vadia, a partir das 17:30 horas, no "Le Bistro Café": Rua Dr. Julião de Campos, n.º 1, em Almada.

sábado, 21 de junho de 2008

Novidades Assírio & Alvim


Correspondências
Vieira da Silva por Mário Cesariny, com reproduções de obras e cartas de Mário Cesariny, Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes

O presente volume vem dar conta da amizade que uniu Mário Cesariny e o casal Arpad Szenes – Vieira da Silva. Por meio de fotografias, obra pictórica e correspondência trocada entre os três artistas, é testemunhado o grande afecto e admiração que trocaram. O casal e a sua produção artística estão fortemente presentes na obra de Cesariny: este pintou-os, estudou-os, escreveu-lhes poemas e até uma obra: Vieira da Silva – Arpad Szenes ou o Castelo Surrealista.
Correspondências assume-se como precioso testemunho desta amizade, mas também documento de estudo desta parte mais íntima da obra dos três artistas.


Filho Pródigo
José Agostinho Baptista








Mensagem


Levo-te pela mão, meu filho triste,
e assim havemos de abrir um sulco perfeito,

no coração desta terra.
No teu coração,

há uma ferida sem fim,

eu sei,
e sei que encontrarás nos desertos do mundo,

nas cidades do mundo,

os sinais da tua mágoa.

Agora, onde estou, é sempre tarde.

Vejo-te a entrar na grande noite dos teus mares,

e acendo,

com a minha saudade,
uma luz intensa sobre os recifes.

Não penses que neste alto alpendre não velo o

teu sono,
enquanto espero por ti.

Apresentações em Leiria


Amanhã, 22 de Junho, vai ter lugar no Salão Paroquial da Barreira (Leiria), pelas 16 horas, a apresentação de dois livros de poesia de Zaida Paiva Nunes “Talvez” e “Suave Trilogia” (28.º e 29.º volumes da colecção "25 Poemas" da editora Folheto Edições & Design).
A apresentação será da responsabilidade de Maria Luísa Soares Duarte.
Dirigido pelo Maestro Jorge Narciso, o Grupo Coral Adesba Chorus fará uma curta actuação.

ainda aqui este lugar

Acaba de sair o primeiro livro de poesia de Pedro Afonso, editada pela recente editora 4águas.
ainda aqui este lugar, é uma arquitectura das sensações.
A casa – labirinto emocional; o jardim – espaço afectivo onde a natureza constrói o próprio ser que o descreve (pensa), e o muro que tudo rodeia sem limitar constituem o cenário humano desta poesia, onde cada poema desenha uma nova estrutura ao edifício mental que significa toda a obra.

nesta morada deserto
um vento que se deteve
um encolher da terra
em sua pressa contida
no que há de líquido possível
sobe num curto escorrer de alívio
o rápido brilho secreto
de uma evaporação absoluta
aqui
resta a sombra
das coisas em queda


Pedro Afonso nasceu em Faro,em 1979.
É um dos membros fundadores do Sulscrito, Círculo Literário do Algarve e faz parte da direcção editorial da revista de literatura Sulscrito.
É autor do blog “a pedra”.
Publicações:
- Representado na Antologia de Novos Poetas Algarvios – Do Solo ao Sul, Faro, Dezembro de 2005, ARCA.
- Representado e traduzido para castelhano na Antologia de Poesia Portuguesa Actual – Poema Poema, Revista de Poesia Aullido nº 15, Punta Úmbria, Huelva 2006.
- Representado na Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Editora Exodus, Fevereiro de 2008.
- Publicou poesia em algumas revistas de Portugal, Espanha e México.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ainda vale a pena ver (alguma) TV

Alberto Pimenta e Vítor Silva Tavares no Programa "Câmara Clara" da RTP2 - 20 de Janeiro de 2008.

Luiz Pacheco - o escritor, o editor, o provocador, o último dos grandes insurrectos - tinha morrido há poucos dias.
Alguns criadores recusam aparecer nos media, outros aceitam dar entrevistas mas fazem obras que, sabem, jamais agradarão a uma maioria. O poeta Alberto Pimenta e o editor Vítor Silva Tavares foram ao programa explicar o que é escolher caminhos paralelos aos da maioria das outras pessoas.
Num encontro intenso, o poeta Alberto Pimenta e o editor Vítor Silva Tavares, amigos de Luiz Pacheco e amadores da sua obra, desmontaram os mitos e equívocos em torno da expressão "criadores à margem".
Uma emissão com um final inusitado… à Luiz Pacheco:



Livros (de poesia e outros) presentes neste programa:

De Alberto Pimenta:
Discurso sobre o filho-de-deus, ao qual se segue o Discurso sobre o filho-da-puta, Editorial Teorema
A magia que tira os pecados do mundo, Livros Cotovia
Ainda há muito para fazer, & etc
Deusas ex-machina, Editorial Teorema
Grande colecção de inverno 2001-2002, & etc
Imitação de Ovídio, & etc
Indulgência plenária, & etc
Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta, & etc
O silêncio dos poetas, Livros Cotovia
Ode pós-Moderna, & etc
Planta rubra, & etc
Read & Mad, & etc
A repetição do caos, & etc
Tijoleira, & etc

De Luiz Pacheco:
Carta a Gonelha, Contraponto
Cartas ao Léu, Quasi Edições
Comunidade, Contraponto
Crítica de Circunstância, Ulisseia
Diário Remendado 1971-1975, Publicações Dom Quixote
Exercícios de Estilo, Editorial Estampa
O Cachecol do Artista, Contraponto
O Libertino Passeia por Braga a Idolátrica o Seu Esplendor, Colibri
Os doutores, a salvação e o menino Jesus, Oficina do Livro
Pacheco versus Cesariny, Editorial Estampa
Raio de Luar, Oficina do Livro
Uma Admirável Droga, Quarteto Editora

Outros livros:
Cent Onze Notes pour la Nouvelle Justine, Marquis de Sade, collection "Le Terrain Vague"
Iluminações – Uma Cerveja no Inferno, Jean-Arthur Rimbaud, Assírio & Alvim
O Crocodilo Que Voa – entrevistas a Luiz Pacheco (no prelo), org. e introd. de João Pedro George, Tinta da China Edições
Un Sieur Rimbaud se disant négociant, Alain Borer, Philippe Soupault, Arthur Aeschbacher, Lachenal & Ritter
O Enterro do Conde de Orgaz, Pablo Picasso, & etc
O Homem-Jasmin, Unica Zürn, & etc
O Mito Trágico do Angelus de Millet, Salvador Dali, & etc
O Parasita ou o papa jantares, Luciano, & etc
Poemas da Prisão e do Exílio, Nâzim Hikmet, & etc

"Câmara Clara", apresentado por
Paula Moura Pinheiro, passa na RTP2 aos domingos, às 22:30h.
O homem de cinquenta anos

Do berço ao esquife
distam cinquenta anos,
depois começa a morte.
Tornamo-nos imbecis, embrutecemos,
tornamo-nos labregos, desleixamo-nos
e os cabelos vão para o diabo.
Também os dentes damos por perdidos
e em vez de, em deleite,
apertarmos uma moça contra o peito,
lemos um livro de Goethe.

Mas uma vez mais, antes do fim,
quero ter uma dessas pequenas
de olhos claros e caracóis encrespados,
tomá-la nas minhas mãos,
beijar-lhe boca, seios e face,
despir-lhe saia e calcinhas.
E depois, em nome de Deus,
a morte pode levar-me. Ámen.

Hermann Hesse

Na voz de Luís Gaspar:

Sessão de Poesia em Braga

A Livraria Centésima Página comemora hoje, 20 de Junho, o 120.º Aniversário de Fernando Pessoa, com uma Sessão de Poesia que terá lugar pelas 18.00 horas, com selecção e leitura por Nuno Meireles.
A sessão terá leitura de poemas, cartas e contos de Fernando Pessoa e ainda dos seus heterónimos Álvaro de Campos e Alberto Caeiro.
Nuno Meireles é licenciado em teatro pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto e lecciona Jogo e Expressão Dramática na Escola Superior Artística do Porto e Expressão Dramática e Movimento no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho.

A Livraria 100ª Página fica na Casa Rolão, Av. Central, 118/120, em Braga.

Obra de Fernando Aguiar em Praga

Fernando Aguiar participa na primeira Trienal Internacional de Arte Contemporânea, na National Gallery, em Praga, na República Checa, que vai estar patente até 14 de Setembro.
No dia 2 de Junho, durante a inauguração oficial, realizaram-se 3 performances, uma das quais a de Fernando Aguiar, numa exposição antológica do trabalho do autor, com instalação, videopoemas, videoperformances, pinturas e poemas conceptuais.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Novidades do Brasil

O livro "Quaradouro" do poeta brasileiro Iacyr Anderson Freitas está na lista dos treze livros de poesia brasileira mais votados do “Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira” 2008.
O “Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira” foi criado pela Portugal Telecom Brasil em 2003 para prestigiar e divulgar a produção literária brasileira, tendo-se tornado em poucos anos um dos mais prestigiados do Brasil.
Em 2007, conservando a sua estrutura básica, o Prémio estendeu-se a todos os livros escritos em língua portuguesa editados no Brasil, garantindo maior intercâmbio literário entre os países lusófonos.

“Quaradouro” (editado pela Nankin Editorial/Funalfa Edições) é o segundo volume da colecção que reúne a obra poética de Iacyr Anderson Freitas em 3 volumes (o primeiro intitula-se “A soleira e o século” e o terceiro volume “Primeiras Letras”). Aqui estão agrupados, em edição revista, quatro títulos fundamentais à compreensão da sua trajetória lírica, todos publicados no decorrer da primeira metade dos anos 90: Sísifo no espelho, Primeiro livro de chuvas, Messe e Lázaro.
Iacyr Anderson Freitas, mestre em Teoria da Literatura, nasceu em Minas Gerais em 1963. Estreou-se em 1982 e já publicou quinze livros de poesia, e outros tantos de ensaio e ficção, tendo recebido vários prémios no Brasil (e fora dele).
A sua obra está traduzida em diversas línguas, tendo já alcançado notável divulgação em países como Colômbia, Espanha, Malta, Argentina, Estados Unidos, França, Chile, Itália e Portugal.
Em Portugal foi editado pela Editora Ardósia.

Pessoalmente


Curta metragem da autoria de Riba de Castro (escritor e cineasta brasileiro radicado em Espanha). 2006
Fernando Pessoa, ao pé da janela, escreve como serão os seus dias depois da sua morte.

Gramática Histórica de Liberto Cruz

E. M. de Melo e Castro apresentará na Casa Fernando Pessoa, hoje, 19 de Junho pelas 18h30, Gramática Histórica (Roma Editora), de Liberto Cruz em reedição (revista, corrigida e actualizada).
Em Gramática Histórica, Liberto Cruz aprofunda a poesia experimental, pela escolha irónica de termos de fonética, com alusões indirectas e implícitas à vida de Portugal nos anos 60 e 70.
Diz deste livro João Fernandes, director do museu de Serralves, que «Não é uma gramática no sentido exacto do termo. É mais um inteligente - porque acutilante num tempo em que a repressão e a censura reinavam - jogo de palavras fonético, morfológico, sintáctico e semântico. Que dá gosto jogar, também nos dias de hoje, quer pelo seu fino recorte irónico, quer pelo seu lado intemporal.»

A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, nº 16, em Lisboa.

Novidades Quasi

Obras Completas de António Botto
Colecção Amor e Ódio: uma colecção da Quasi que terá as obras completas de António Botto, divididas em 8 livros, com direcção de Eduardo Pitta: Canções e Outros Poemas; Fátima; Cartas Que Me Foram Devolvidas; O Livro das Crianças; Contos; Cantares; Teatro e Ele Que Diga Se Eu Minto.

Canções e Outros Poemas
Edição, cronologia e introdução de Eduardo Pitta
Poesia

A primeira recolha integral da poesia de António Botto, cujas Canções - aqui incluídas mais de duas dezenas de edições.
A presente edição segue a que foi impressa em Abril de 1941 nas oficinas Bertrand. A chamada edição canónica, por ter ficado a salvo dos cortes e acrescentos arbitrários de outras que se seguiram. Entre edições acompanhadas pelo poeta, antes e depois da partida para o Brasil em 1947, e edições pirata, em Portugal e no Brasil, antes e depois da sua morte em 1959, é praticamente impossível seguir o rasto da obra, em particular o das Canções, conjunto de livros cuja fixação encontra melhor forma na sua 6.ª edição, precisamente a de Abril de 1941, aqui retomada na parte que respeita (e só a essa) aos poemas das Canções. Fica para outro volume a sequência de Cartas Que Me Foram Devolvidas, constante da referida edição. Em seu lugar, surge O Livro do Povo e uma secção de dispersos, alguns extraídos de Ainda não se escreveu, colectânea muito irregular que teve publicação póstuma. Essa a razão do título ora adoptado: Canções e Outros Poemas.

Fátima
Edição e cronologia de Eduardo Pitta
Poesia

Um Poema escrito em plena crise religiosa, celebrando a Virgem com versos de um pudor extremamente lírico.
Em 1955, António Botto publicou Fátima. Poema do Mundo. Fê-lo no Brasil, no âmbito do XXXVI Congresso Eucarístico, o que dá a medida da profunda crise de religiosidade que o acompanhou nos últimos anos de vida. Se nos lembrarmos que a reunião dos seus contos para a infância, em 1942, assumira o beneplácito explícito da hierarquia da Igreja — «Aprovados em Portugal por Sua Eminência o Cardeal Patriarca», lê-se no frontispício do volume —, FátimaPequenas Esculturas (1925) dá lugar ao crente face à expiação, alguém que, vamos supor, tendo lido Heidegger, sabe que o homem «não está apenas carregado de erros, está em falta». Também do ponto de vista formal a mudança foi nítida, uma vez que Fátima surge como corolário dessa revisão de vida e obra. Com efeito, neste poema, o esteta sensualista de cede às exigências da métrica tradicional. Refira-se, a título de curiosidade, que o autor assinou a obra como António Boto, com supressão do duplo t, como optara por fazer desde que em 1947 se expatriou no Brasil.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Treze Poetas Eslovenos


Treze Poetas Eslovenos
(Antologia inacabada)
Organizada por Casimiro de Brito e Mateja Rozman
Roma Editora

Uma antologia com obras de 13 poetas eslovenos, traduzidas para português, publicada em Portugal pela editora Roma com o apoio do Ministério da Cultura da Eslovénia e pelo Pen Club da Eslovénia.
O lançamento e a promoção da antologia serão organizados pela Embaixada da Eslovénia, pelo Pen Club Português e pelo leitorado da Língua e Cultura Eslovena na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
O objectivo deste projecto é o aprofundamento do diálogo entre poetas portugueses e eslovenos. Por outro lado, será lançada brevemente na Eslovénia a antologia "Treze Poetas Portugueses".
No lançamento da antologia "Treze Poetas Eslovenos", previsto para o próximo dia 25 de Junho no Porto (Fundação José Rodrigues), às 21:30H e no dia 26 em Lisboa (Instituto Camões, ao Marquês de Pombal), às 18:30H, estarão presentes quatro poetas eslovenos (Boris A. Novak, Milan Jesih, Barbara Korun e Maja Vidmar) e vários poetas portugueses (uns no Porto, outros em Lisboa), que lerão algumas traduções para português.
Estarão igualmente expostos trabalhos do artista Paulo Gaspar Ferreira, autor das capas da colecção “Sopro”, em que esta obra se insere.
Ambas as sessões serão orientadas por Casimiro de Brito e Mateja Rozman e a sessão do Porto terá também a colaboração de Maria João Reynaud.
Haverá um cocktail.

Menina Marota

Menina Marota, um pseudónimo muito conhecido na blogosfera, desde 2004, editou recentemente o seu primeiro livro, a convite da Editora Papiro.
A capa e as ilustrações do livro são da autoria de Carla Cristiana de Carvalho.
Este livro (com 83 poemas e 14 textos) é composto por duas partes: a primeira, essencialmente poesia, roçando o erotismo e a sensualidade, a segunda, um reencontro consigo própria através das suas memórias.
A apresentação do livro teve lugar no passado dia 15 de Junho na Fnac do GaiaShopping.

Acervo de Alberto de Lacerda na Fundação Mário Soares


Vai ter lugar no próximo dia 19 de Junho a assinatura do Protocolo em que Luís Amorim de Sousa fará depósito na Fundação Mário Soares do acervo documental e artístico do
Poeta Alberto de Lacerda.
O evento decorrerá pelas 18.00 horas no Auditório da Fundação (Rua de São Bento, 160 - Lisboa).

Ver notícia publicada anteriormente neste blogue aqui.

A poesia na pintura de Twombly

A Tate Modern apresenta a partir do próximo dia 19 de Junho uma grande exposição de obras de Cy Twombly, um dos mais respeitados pintores americanos e, sobretudo, uma figura entre a geração de artistas que inclui Jasper Johns, Robert Rauschenberg e Andy Warhol.
Twombly, mestre da pintura abstracta, usa um estilo caracterizado por rabiscos e manchas de tinta, inspirados na poesia, na mitologia e na literatura clássica. A pintura de Twombly fala da poesia de Rainer Maria Rilke e Mallarmé. Mas também de De Sade e Alain Robbe-Grillet. As palavras estão muito presentes na pintura de Twombly, com nomes e exortações, excertos de poemas, números, diagramas...
Esta exposição será uma retrospectiva do seu trabalho, a partir da década de 1950 até agora, e reúne esculturas, pinturas e desenhos do autor que este ano completa 80 anos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

I Prémio Literário Manuel Alegre

Estão ainda abertas as candidaturas ao Prémio Literário Manuel Alegre instituído pela Câmara Municipal de Águeda, que visa homenagear o escritor e poeta aguedense Manuel Alegre.
O prémio é de âmbito nacional, tem periodicidade bienal e visa, ainda, “o desenvolvimento do gosto pela leitura, a promoção da escrita e o aparecimento de novos autores”.
O concurso destina-se a quem não tenha ainda nenhum livro publicado e só serão admitidos trabalhos de Poesia, em Língua Portuguesa, que deverão ser apresentados até 30 de Junho.
A cerimónia de entrega de prémios (5.000 euros para o vencedor) terá lugar em Setembro.
Mais informações ou consulta do Regulamento, aqui.

X Concurso Literário “Manuel Maria Barbosa du Bocage”

A Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA) tem abertas as candidaturas para o X Concurso Literário “Manuel Maria Barbosa du Bocage”- Concurso de Poesia e Ensaio.
Este concurso destina-se a promover a criatividade no campo da poesia e do ensaio, de incentivar o aparecimento de novos valores e de divulgar a obra de Bocage, nascido em Setúbal e homenageando os 243 anos do seu nascimento.
Os prémios serão atribuídos nas modalidades de Poesia, Ensaio e Revelação. A modalidade de Poesia contempla qualquer versão inédita, de tema livre e poderão concorrer todos os autores de Língua Portuguesa.
Os trabalhos deverão ser enviados até ao dia 10 de Julho de 2008.
Os trabalhos vencedores em cada uma das modalidades serão publicados em livro pela LASA e a cada autor dos trabalhos premiados serão atribuídos cinquenta exemplares da edição promovida pela LASA e um prémio monetário (Poesia e Ensaio será de 1.500 euros).
Mais informações e consulta do Regulamento, aqui.

Mostra de livros de Fernando Pessoa na UFP

Decorre até ao dia 23 de Junho, no átrio da sede UFP (Universidade Fernando Pessoa), uma mostra de livros de Fernando Pessoa e sobre Fernando Pessoa, no âmbito da comemoração dos 120 anos do nascimento do poeta.
Praça 9 de Abril, 349 - Porto.

Novo site da Casa Fernando Pessoa

Foi inaugurado no passado dia 13 de Junho o novo site da CFP. Algumas páginas não têm ainda os conteúdos em definitivo, mas o site já pode e deve ser visitado aqui.

Eduardo Pitta no Festival de Poesia de Medelin

Entre 5 e 12 de Julho próximo, decorrerá na Colômbia o XVIII Festival Internacional de Poesía de Medellín, uma organização da Revista Prometeo, que contará com a participação de 75 poetas de 75 países, como Gerhard Falkner (Alemanha), Benjamín Chávez (Bolívia), Jaime Quezada (Chile), Marcos Ana (Espanha), Marjorie Evasco (Filipinas), Bernard Noël (França), Bassem Al Meraiby (Iraque), Jared Angira (Quénia), Obi Nwakanma (Nigéria), Eduardo Pitta (Portugal), Mahbobah Ebrahimi (Afeganistão), Chiranan Pritpeecha (Tailândia) e Nguyen Bao Chan (Vietname), entre outros.
Mais informações, e listagem completa dos poetas participantes, aqui.

"Café entre Torgas" no Youtube

A iniciativa «Café entre Torgas», promovida em Miranda do Corvo em Abril de 2007 e que lembrou histórias do médico, escritor e poeta pelo testemunho de amigos próximos, está agora disponível no Youtube, em 21 vídeos.
O Auditório da Câmara Municipal de Miranda do Corvo recebeu um naipe de personalidades que tiveram o privilégio de conviver com Miguel Torga: Álvaro Perdigão, Aníbal Duarte de Almeida, António Campos, João Fernandes, Paulino Mota Tavares e Valentim Marques que narraram, a convite dos alunos do 4.º ano da Licenciatura em Ciências da Informação do ISMT (Instituto Superior Miguel Torga), episódios marcantes do contacto que mantiveram com o escritor.
A jornada encerrou com a actuação da Associação Cultural de Música e Teatro à Parte, interpretando trechos da ópera "Bichus".
Esta iniciativa, apoiada pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo, inseriu-se nas comemorações dos 70 anos do ISMT, integrando-se também nas festividades alusivas ao centenário do nascimento de Miguel Torga.

Eis o 16.º vídeo "Café entre Torgas", com uma intervenção de António Campos:

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Chuva nos Espelhos


Crítica de Luís Serrano sobre o último livro de Maria Azenha "A Chuva nos Espelhos" (com prefácio de Henrique Dória), editado pela Alma Azul, no jornal O Primeiro de Janeiro.