quinta-feira, 19 de junho de 2008

Novidades Quasi

Obras Completas de António Botto
Colecção Amor e Ódio: uma colecção da Quasi que terá as obras completas de António Botto, divididas em 8 livros, com direcção de Eduardo Pitta: Canções e Outros Poemas; Fátima; Cartas Que Me Foram Devolvidas; O Livro das Crianças; Contos; Cantares; Teatro e Ele Que Diga Se Eu Minto.

Canções e Outros Poemas
Edição, cronologia e introdução de Eduardo Pitta
Poesia

A primeira recolha integral da poesia de António Botto, cujas Canções - aqui incluídas mais de duas dezenas de edições.
A presente edição segue a que foi impressa em Abril de 1941 nas oficinas Bertrand. A chamada edição canónica, por ter ficado a salvo dos cortes e acrescentos arbitrários de outras que se seguiram. Entre edições acompanhadas pelo poeta, antes e depois da partida para o Brasil em 1947, e edições pirata, em Portugal e no Brasil, antes e depois da sua morte em 1959, é praticamente impossível seguir o rasto da obra, em particular o das Canções, conjunto de livros cuja fixação encontra melhor forma na sua 6.ª edição, precisamente a de Abril de 1941, aqui retomada na parte que respeita (e só a essa) aos poemas das Canções. Fica para outro volume a sequência de Cartas Que Me Foram Devolvidas, constante da referida edição. Em seu lugar, surge O Livro do Povo e uma secção de dispersos, alguns extraídos de Ainda não se escreveu, colectânea muito irregular que teve publicação póstuma. Essa a razão do título ora adoptado: Canções e Outros Poemas.

Fátima
Edição e cronologia de Eduardo Pitta
Poesia

Um Poema escrito em plena crise religiosa, celebrando a Virgem com versos de um pudor extremamente lírico.
Em 1955, António Botto publicou Fátima. Poema do Mundo. Fê-lo no Brasil, no âmbito do XXXVI Congresso Eucarístico, o que dá a medida da profunda crise de religiosidade que o acompanhou nos últimos anos de vida. Se nos lembrarmos que a reunião dos seus contos para a infância, em 1942, assumira o beneplácito explícito da hierarquia da Igreja — «Aprovados em Portugal por Sua Eminência o Cardeal Patriarca», lê-se no frontispício do volume —, FátimaPequenas Esculturas (1925) dá lugar ao crente face à expiação, alguém que, vamos supor, tendo lido Heidegger, sabe que o homem «não está apenas carregado de erros, está em falta». Também do ponto de vista formal a mudança foi nítida, uma vez que Fátima surge como corolário dessa revisão de vida e obra. Com efeito, neste poema, o esteta sensualista de cede às exigências da métrica tradicional. Refira-se, a título de curiosidade, que o autor assinou a obra como António Boto, com supressão do duplo t, como optara por fazer desde que em 1947 se expatriou no Brasil.

2 comentários:

Manuel Anastácio disse...

Fiquei na dúvida: é mesmo "arrasando a virgem" que pretendias dizer?

Inês Ramos disse...

Manuel, era gralha. Já emendei. Obrigada.