sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mais logo, lá estaremos!

Lançamento do livro de poesia
de Torquato da Luz
“Por Amor e Outros Poemas”

Apresentação por Inês Ramos
Leitura de poemas por João Severino

28 de Fevereiro de 2009, pelas 17h30
Na Livraria Barata (Av. de Roma, 11 A – Lisboa)

Conto convosco!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os dias do Amor em Faro


Apresentação da antologia "Os dias do Amor" no passado dia 14 de Fevereiro, na Livraria Pátio de Letras, em Faro.
Vídeo de Adão Contreiras.

Para Além do Coração...

Quando o Amor funde as almas num olhar
que é pranto, em seu mistério —, o que se sente!
Treme o Universo em nós, divinamente!
— Numa lágrima cabe o seu luar!

Não tem fundo o abismo desse mar,
e não há céu mais alto e amanhecente!
O Passado e o Futuro —, eis o Presente
de que é feito esse instante singular!

Quem já amou com esse olhar profundo,
cujo fulgor transcende a Vida e o Mundo,
(sarça-ardente e divino amanhecer!);

— Quem já assim amou, esse, em verdade,
viveu Deus, o Infinito, a Eternidade,
— tudo o que foi, e é, e há-de ser!

Bernardo de Passos
(1876-1930)




após que a morte os separe

se aquela ferida não lhe ardesse
no sal do tempo ao descoberto
essa obstinação quase vegetal de flor
se aberta não fosse viva
rubra e quente a ferida
astro tangendo o perpétuo
o agora seria uma infecção
de corpos decaídos
pus coalhos e puas de ossos
e lagos tépidos lamacentos

toca-lhe o reflexo com um pano
afaga a película do que resiste
abraça a ausência que ela lhe oferece
e a frescura que se intromete
no quarto muito claro que povoa
é salgada
um mar inquieto
de muitas canções vagas
que afinal sempre esteve ali

aquilo ali dura
como dura a pedra

Pedro Afonso
(1979)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Poe e Criatividade Gótica

Em comemoração do Bicentenário de Edgar Allan Poe, a Linha de Acção de Estudos Americanos do CEAUL promove o Colóquio “Poe e Criatividade Gótica” que será coordenado por João de Almeida Flor e subsidiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Este colóquio inaugura o projecto “Criatividade Gótica”, desenvolvido pela Linha de Acção de Estudos Americanos coordenada por Teresa F. A. Alves.

Direcção do Colóquio: Teresa F. A. Alves e Teresa Cid
Comissão Organizadora: Maria Antónia Lima e Margarida Vale de Gato
Comissão Executiva: Ana Cristina Franco, Anabela Duarte, Cecília Martins, Diana Almeida, Edgardo Medeiros da Silva, Filipa Palma Reis, José Duarte e Rute Beirante

Oradores convidados: António de Macedo, Darryl Jones, David Soares, Fred Botting, Fernando Guerreiro, Fernando Pinto do Amaral, Fernando Ribeiro (a confirmar), Filipe Abranches, Filipe Melo, George Monteiro, Gonçalo M. Tavares (a confirmar), Helena Barbas, Hélia Correia, Henri Justin, José Bragança de Miranda, José Luís Peixoto (a confirmar), José Manuel Lopes, Luís Filipe Silva, Maria Leonor Machado de Sousa (a confirmar), Maria Irene Ramalho (a confirmar), Mário Avelar, Mário Jorge Torres, Paula Ribeiro, Pedro Mexia e Rui Lage.

Em paralelo, decorrerão diversos eventos culturais na cidade de Lisboa, tais como uma exposição na Biblioteca Nacional e o lançamento de um volume com a poesia completa de Edgar Allan Poe. O Colóquio terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 18 e 20 de Março de 2009.

Mais informações, aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um Pouco de Morte


Poesia
António Quadros Ferro
Fevereiro de 2009
Edição de autor







Exercício

Deixa
lentamente
que a tarde finde
verás depois ou entretanto
depende
que o que deixas acabar
não é mais do que a parte que a ti
te pertence.

Ali,
onde tu vês o que não existe
saberás, se te perderes um pouco,
que esse céu que o teu olhar
tantas vezes fingiu
fingiu uma vida inteira.

Depois, quando regressares,
e não souberes quem és,
isto é, quando te perderes de vez,
e tiveres aprendido por duas vezes
tudo o que há para aprender nesta vida
é possível que eu queira, se é que isto existe,
morrer contigo, morrer melhor.

Mas como te percebo,
eu próprio nunca abri os olhos
nunca me perdi antes
nunca me achei em nenhum céu.
Nunca, sequer, me levei de uma cor à outra.
A noite escura nunca me levou ao lugar que eu queria.

Morri apenas.
Demorei uma vida a morrer.
Como desejei.
Aos poucos,
ou de uma vez só,
como a tristeza quis.

António Quadros Ferro

Templo de Luxor

Sei agora que o gato tem espírito,
um dom poético, uma expressão
reveladora, perante o fogo
é um brilho, sobre a água
uma forma de ser que subtilmente
usa os sentidos alerta para falar
o idioma principal, esse mistério
de prevalecer na crença
da invocação egípcia, uma presença
divina entre o silêncio, a vertigem
e a intensidade que emerge do espaço
e avassala as colunas, a impressiva
modulação dos arcos, os blocos
inclinados para dentro
para que a rapidez inclua nos testículos
uma parte devoradora e outra felina,
uma parte excessiva e outra ágil
nas sete mortes
que antecedem o admirável suicídio.

Amadeu Baptista

Na voz de Luís Gaspar:

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009



Esperamos ansiosos

Está para breve a saída do livro de Rui Almeida, pela editora Livrododia, com o título "Lábio Cortado", vencedor do I Prémio Manuel Alegre da Câmara Municipal de Águeda.
Este será o primeiro livro deste poeta nascido em Lisboa em 1972.
Eis porque, por este livro, esperamos ansiosos:


Talvez da poesia possas receber alguma coisa;
Nem sempre o que sabemos nos encontra
E o mal de estar vivo é a incompreensão do mundo.

Porém, deixa-te estar aí, sentado, sem nada fazer –
É melhor do que arriscar, mais simples, desculpa-te
Com a angústia e com a decadência. Da poesia

Alimenta-te cautelosamente, não deixes que
Preencha qualquer dos vazios secretos do teu corpo.
Talvez as palavras sejam apenas justificações para

O instinto, para a necessidade de supressão da
Dor e do esquecimento que incomodam. Nunca
Seremos mais do que apenas carne e sangue

Enquanto o medo for a cor da pele do rosto.
Talvez o tacto seja uma alternativa ao texto;
Ou a sublimação exaustiva do desejo. Talvez

A memória seja apenas uma parte da ficção,
Um desconsolo feito alternativa aos dias,
Ao sonho e às responsabilidades. Dormir

Fecunda os processos de reunir palavras,
Simplifica as manobras do estilo e segura
A vontade da redundância. Tudo se perde

Na ânsia de testemunhar cada sensação.
E as mentiras com que nos justificamos
São o gesto arbitrário da melancolia quando

Nada mais nos pode impedir de recolher
Ao limite mais recôndito da esperança.
Deixa-te estar quieto, nada esperes que

Te impeça a inocência e a ignorância,
Pois as palavras nunca serão mais do que
Meras reminiscências, vagas, do que sentes.

Rui Almeida

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• andreia que tomava cafe no ccb em lisboa
• toalhetes para mesa 45*30 publicidade
• o numero de livros escritos por madonna na biblioteca municipal de alpiarça
• jogos de cojinha
• hematoma salmoura
• gaijas nuas vale de cambra
• andrea y helder se amam
• aus rainer e celula tronco
• apanhar conquilhas
• jorge de sena bate bate levemente
• pneumonia porosa
• letra abraça me jose alberto reis

(Tal e qual como estavam escritas)

Sugestão da Andante para esta semana


Sonho de uma terça feira gorda


Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros, e negras eram as nossas máscaras.
Íamos, por entre a turba, com solenidade,
Bem conscientes do nosso ar lúgubre
Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
Que nos penetrava... Que nos penetrava como uma espada de fogo...
Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas!
E a impressão em meu sonho era que se estávamos
Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
Dentro de nós, ao contrário, era tudo claro e luminoso!

Era terça feira gorda. A multidão inumerável
Burburinhava. Entre clangores de fanfarra
Passavam préstitos apoteóticos.
Eram alegorias ingénuas, ao gosto popular, em cores cruas.

Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida,
De peitos enormes – Vénus para caixeiros.
Figuravam deusas – deusa disto, deusa daquilo, já tontas e seminuas.

A turba, ávida de promiscuidade,
Acotovelava-se com algazarra,
Aclamava-as com alarido.
E, aqui e ali, virgens atiravam-lhes flores.

Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade.
O ar lúgubre, negros, negros...
Mas dentro em nós era tudo claro e luminoso!
Nem a alegria estava ali, fora de nós.
A alegria estava em nós.
Era dentro de nós que estava a alegria,
A profunda, a silenciosa alegria...

Manuel Bandeira


Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: Armandinho; Sonoplastia: Fernando Ladeira

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Novidades D. Quixote


Poesia Reunida
de Maria Teresa Horta

Páginas: 856
Colecção: Poesia Dom Quixote
Ano de Edição: 2009




Sinopse
Com uma obra dispersa, e com muitos livros de poesia esgotados, pela sua importância e singularidade, impunha-se reunir a Obra Poética de Maria Teresa Horta num único volume. Neste livro de 850 páginas se colige toda a poesia publicada de Maria Teresa Horta, de 1960 até à actualidade, incluindo também obras inéditas, como o livro Feiticeiras, nunca antes editado em Portugal. Trata-se de uma cantata, musicada pelo compositor António Chagas Rosa, que ganhou a Victoire de la Musique, em França, em 2007. Em Poesia Reunida são abordados temas como o erotismo e a intervenção social, sempre presentes na obra de Teresa Horta. Trata-se, como defende a própria, de um testemunho da vida da autora para os outros. Este livro é prefaciado por Maria João Reynaud.

Coisas giras encontradas na Livraria do Changuito

A Livraria Poesia Incompleta é lugar obrigatório de visita, quanto mais não seja para encontrarmos coisas (neste caso, livros) que sabemos não encontrar em mais lado nenhum.
Um exemplo é a colecção da Eloisa Cartonera.


Eloísa Cartonera é um projecto artístico argentino sem fins lucrativos, onde “cartoneiros” cruzam ideias com artistas e escritores. Com uma estética inovadora, ali foi criada uma editora especial: editam-se livros com capas de cartão compradas a miúdos “cartoneiros” na via pública, que são encadernados e pintados à mão pelos mesmos jovens que deixam de ser “cartoneiros” quando entram neste projecto.
Esta original editora publica material inédito e de vanguarda, de vários países da América Latina como Argentina, Chile, México, Costa Rica, Uruguai, Brasil e Perú, pois tem como objectivo principal divulgar autores latino-americanos.
Comprando o cartão ao quilo (pagando 5 vezes mais do que outros clientes) e pagando à hora aos miúdos que o trabalham, o projecto pretende gerar mão-de-obra genuína, sustentada pela venda dos livros, ajudando estes miúdos da rua. Já realizaram até exposições.
Colaboram neste projecto Javier Barilaro, Fernanda Lagun, Clara Domini, Alberto Franco e Victoria Ojeda (artistas plásticos), Wáshington Cucurto (poeta e editor), Pablo Martín (que trata da divulgação na internet), Tomás Colombo (que regista o trabalho em vídeos) e Christopher Pimiento Zúñiga.
Os autores disponibilizam gratuitamente os seus textos para que sejam publicados na Eloisa Cartoneira que funciona na Rua Brandsen 647, em La Boca (Buenos Aires). Aqui se fazem os livros e exposições das obras.


Eis um exemplo, o livro “Traveseando” de Ricardo Zelarayán, editado em 2005.
Primeira edição da Colecção Nueva Narrativa y Poesía Sudaca Border.






Cuando llueve

(...)
Cuando llueve, es la fiesta de los sapos. No
hay mal que por bien no venga.
Cuando llueve, fracasa la casa que no
podemos terminar, como el fuego al aire
libre que no podemos encender.
Pero... cuando llueve, las gotas se dan al fin
un baño de tierra.
Cuando llueve, tu pelo se moja mucho y tus
ojos nada... porque están bajo techo.
Cuando llueve, no hay canto de pájaros.
Cantemos nosotros al ritmo del aguacero.
Cuando llueve, es mejor que sea verano que
invierno, es cierto.
Pero... nunca se sabrá si se moja más el que
corre o el que camina despacio.

Ricardo Zelarayán


Esta colecção já editou livros-cartonados de autores como César Aira, Alan Pauls, Mario Bellatin, Oswaldo Reynoso, Gabriela Bejerman, Wáshington Cucurto, Haroldo de Campos, Fabián Casas, Arturo Carrera, Néstor Perlongher, Ricardo Zelarayán, Gonzalo Millán, Glauco Mattoso, Enrique Lihn, Dalia Rosetti, Leónidas Lamborghini, Martín Adán, Jorge Mautner, Alejandro López, Silvio Mattoni, Francisco Garamona, Timo Berger, Marcelo Cohen, Manuel Alemián, Cristian De Nápoli e Ricardo Piglia, entre outros.

A Poesia Incompleta (ou Livraria do Changuito, como queiram), fica na Rua Cecílio de Sousa, 11, em Lisboa.

Foi há... 22 anos



As águas das fontes calaram-se e as ribeiras choraram no dia 23 de Fevereiro de 1987, dia em que o Zeca deixou de cantar. Faz hoje 22 anos que morreu o poeta cantor.
Aqui fica a "Balada do Outono" no seu último espectáculo ao vivo (no Coliseu de Lisboa, em 1983), para que o Zeca não seja esquecido.

Balada do Outono
(poema de José Afonso)

Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar


BALADA DO OUTONO
Mais propriamente Balada do rio. Dominada ainda pelo velho espírito coimbrão, é o produto de um estado perpétuo de enamoramento ou como tal vivido, uma espécie de revivescência tardia da juventude. O trovador julga-se imprescindível, como um protagonista que a si próprio se interpela para convocar a presença das águas dos ribeiros e dos rios, testemunhas vivas do seu solitário cantar. A imagem do "Basófias" (nome por que é conhecido o Mondego na gíria coimbrã), que incha e desincha quando lhe apetece, deve ter influído na gestação da "partitura". Uma certa disposição fisiológica propensa à melancolia explica o começo das dores sem falar na albumina anunciadora de futuras e promissoras "partenogéneses".
José Afonso


José Afonso: De Coimbra até ao Sul
A voz que guardo dentro de mim não está gravada em nenhum disco: anda a cantar «contos velhinhos de amor, numa noite branca e fria», algures, em Coimbra.
(...)
Eu já andava na militância política, o Zeca era, havia de ser sempre, um libertário em estado quase puro. Ainda se debatia a questão da arte e do empenhamento social e político do artista.
Teoricamente o Zeca era contra, mas as coisas foram mudando e quase sem darmos por isso todos nos fomos comprometendo cada vez mais. Foi primeiro o Decreto 40 900, contra a autonomia das associações e a resposta estudantil, com uma grande manifestação em Coimbra. E depois 1958, o general Delgado e aquele vendaval que varreu o País de lés a lés. Então o Zeca quis pegar em armas. Mas como?
Tivemos que recorrer às que tínhamos à mão: a poesia, a guitarra, o canto. A guitarra do António Portugal tornou-se de repente mais nervosa, experimentando novos ritmos e dissonâncias, e o Zeca aparece a trautear melodias estranhas. Até que saiu a «Balada do Outono». Foi uma iluminação. Assim como alguns poemas aparecem feitos, também aquela balada dava a impressão de ter estado sempre ali e de ter sido colhida no ar num dos momentos de distracção concentrada do Zeca. A canção de Coimbra não voltaria a ser a mesma, a música ligeira portuguesa também não. Aquela balada era nova e ao mesmo tempo muito antiga. Tudo estava nela: a tradição trovadoresca, os cantares de amigo, os romances populares. E também o espírito de um tempo de mudança.
(...)
Trazíamos a «Trova do Vento Que Passa». Cantou-a primeiro o Adriano, a seguir o Zeca, depois ambos. E acabámos em coro, na rua. Era assim, naquele tempo. As trovas e baladas tinham o ritmo da nossa inquietação, de uma luta, da nossa vida. E vieram o «Menino do Bairro Negro», «Os Vampiros», «O Coro dos Caídos». O Sul entraria na música do Zeca com o seu «Pastor de Bensafrim», o seu «Sol de Verão», Catarina, o Alentejo, a cigarra, o silêncio, o grande espaço, a sombra de uma azinheira e o calor da fraternidade. E depois a África, seus ritmos e seus tambores, na fase da maturidade. Vieram os exílios, as longas separações, as pequenas e grandes batalhas, o 25 de Abril, encontros, desencontros, reencontros. E a voz do Zeca sempre, a avisar e animar a malta.
Como os provençais da época de oiro, cuja lição Ezra Pound tão bem captou, José Afonso foi um grande trovador moderno, ligando de novo a poesia e a música. Desse modo renovou uma e outra e contribuiu para mudar a própria vida, como queria Rimbaud.
Foi um homem fraterno, despojado, por vezes até ao exagero. Mas era assim: um revolucionário franciscano, como lhe chamei, irritado por vezes com o seu desprendimento de tudo e de si mesmo. Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento. Por isso o Zeca foi tantas vezes censurado. Por isso continua simultaneamente a encantar e a incomodar. Eu sei que gostariam de transformá-lo em álibi ou torná-lo inofensivo depois de morto. Mas não é possível. A sua voz está tão cheia de ternura que será irremediavelmente subversiva.
Como disse António Portugal: «Um homem cuja voz foi a nossa voz durante muitos anos e que ajudou a tomar possível o nosso encontro colectivo com uma identidade perdida e com um destino que hoje orgulhosamente assumimos.»
Talvez seja isso o que uns tantos não conseguem perdoar-lhe. Mas é com certeza por isso que ele continua a ser a nossa voz.
Manuel Alegre

Era um homem de coragem. Mas também terno, frágil, de uma infinita tristeza. Falava da esperança, lutava pela liberdade e cantava tudo isto, falando em lealdade, em amizade e em amor.
Sempre.
Acreditava na solidariedade, no sonho e na poesia, como armas de paz. Porque Zeca Afonso era sobretudo isso: um homem de paz, que se insurgia contra a violência, contra a prepotência, contra as desigualdades e as hipocrisias, através daquilo que compunha, que criava.
Encarou o fascismo com uma firmeza e uma rebeldia muito própria, muito pessoal: com aquele seu olhar distraído e espantado de criança; com aquela sua tranquilidade silenciosa, com aquela sua timidez bonita, que todos testemunhámos.
Zeca Afonso deixou atrás de si uma obra importante na música portuguesa, mas para mim ele foi, sobretudo, um amigo especial, diferente, que recordo com saudade.
Um homem de palavra e das palavras livres.
Maria Teresa Horta

(Textos do site da Associação José Afonso)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

“Por Amor e Outros Poemas”


Lançamento do livro de poesia de Torquato da Luz
“Por Amor e Outros Poemas”

Apresentação por Inês Ramos

28 de Fevereiro de 2009, pelas 17h30
Na Livraria Barata (Av. de Roma, 11 A – Lisboa)

Conto convosco!

Outras sugestões para os próximos dias


25 de Fevereiro (quarta-feira):

PORTO – Clube Literário do Porto
A próxima sessão das Quartas Mal Ditas, organizadas por Anthero Monteiro no Clube Literário do Porto, com as participações habituais de António Pinheiro, Diana Devezas, Isabel Marcolino, Joana Padrão, Luís Carvalho, Mário Vale Lima, Marta Tormenta e Rafael Tormenta, será no dia 25 de Fevereiro, pelas 22h00 e terá como tema: "Gatos, Gatos, Gatos"
No Piano-bar do Clube Literário do Porto.
Convidada: Rosa Brandão

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26 de Fevereiro (quinta-feira):

LISBOA – Bar Salto Alto
A editora TEA FOR ONE vai realizar no dia 26 de Fevereiro, pelas 19.30h, no Bar Salto Alto (Rua da Rosa, 157 - Bairro Alto - Lisboa), o lançamento do livro de poemas "the travels/ viagens", do poeta Sul-Africano John Mateer, terceiro volume da colecção "matéria mínima".
A apresentação estará a cargo da poeta angolana Ana Paula Tavares e a sessão contará, também, com tangos interpretados pelo guitarrista argentino Ramón Maschio.
A ocasião servirá, igualmente, para "relançar", os anteriores volumes da colecção: "conta-gotas", de Filipe Homem Fonseca, e "penúltimos cartuchos", de Miguel Martins.

PORTO – Books & Living do Shopping Cidade do Porto
No dia 26 Fevereiro, pelas 18h30, vai ter lugar na Livraria Leitura Books & Living do Shopping Cidade do Porto a apresentação do livro “Matéria Poética - Ensaios de Literatura Portuguesa” de Maria João Reynaud (Campo das Letras).
Apresentação por Paulo Tunhas (Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).


OEIRAS - Livraria-Galeria Municipal Verney
Dia 26 de Fevereiro, pelas 16:00 horas, na Livraria-Galeria Municipal Verney, em Oeiras (Rua Cândido dos Reis, 90/90A) terá lugar mais uma sessão do Ciclo de Quintas-Feiras Culturais, organizado pela Associação Portuguesa de Poetas, este mês homenageando Carmo Vasconcelos.
Serão intervenientes Maria Ivone Vairinho, Joaquim Evónio e Assírio Bacelar.
Haverá leitura de poemas da autora e ainda um momento musical com Manuel Antunes.


ALMADA - Forum Municipal
Dia 26 de Fevereiro, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Municipal (Praça da Liberdade, em Almada), pelas 21 horas, vai ter lugar o lançamento do livro de poesia A Importância da Luz, de Isidoro Augusto.
A apresentação do autor será feita por Armando Correia (Director da Biblioteca Municipal Romeu Correia) e a da obra por Ermelinda Toscano (Poetas ALmadenses).
A seguir haverá leitura de poemas por Alexandre Castanheira e Helena Peixinho.

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27 de Fevereiro (sexta-feira):

PAMPILHOSA DA SERRA – Auditório Municipal
No dia 27 de Fevereiro, a Associação Artística Andante vai estar no Auditório Municipal de Pampilhosa da Serra para apresentar o espectáculo de poesia "Às Escuras, o Amor", pelas 21h30m.
"Às Escuras, o Amor", que é também o título de um poema de David Mourão-Ferreira, é um espectáculo com poemas de amor, maioritariamente de autores portugueses.

SETÚBAL – C. M. Setúbal
Lançamento do livro de poesia de Joaquina Soares “Corpo de Palavras” (Edição CEB), no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, dia 27 de Fevereiro de 2009, pelas 21h30.
Apresentação por João Reis Ribeiro, com poesia dita por Graziela Dias e Eduardo Dias (Teatro Estúdio Fontenova) e acompanhamento musical do maestro Rui Serôdio e de Bruno Moraes

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28 de Fevereiro (sábado):

PORTO – Fundação Eugénio de Andrade
A Poesia Pernambucana recente na Fundação Eugénio de Andrade
O poeta e crítico brasileiro Marcos de Morais estará no próximo dia 28, pelas 18h30, na Fundação Eugénio de Andrade para falar das tendências da poesia pernambucana recente.
A entrada é livre.
A Fundação Eugénio de Andrade fica na Rua do Passeio Alegre, 584, Porto.

LISBOA – Palácio Galveias
Dia 28 de Fevereiro, pelas 19h00, no Palácio Galveias, Lisboa (Campo Pequeno) vai ter lugar mais um Encontro Poético da Associação Portuguesa de Poetas, desta vez dedicado a Sophia de Mello Breyner Andersen.
Palestra a cargo de Susete Viegas.
Poemas de Sophia, ou a ela dedicados, serão ditos por Associados da APP.


PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 28 de Fevereiro, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 18h00: apresentação do livro de poesia «A porta verde do sétimo andar», Editora Colectivo de Galiza.
Servando Barreiro, músico cantor de Galiza acompanhará musicalmente os poemas do livro e interpretará algumas das suas canções.

Novidades Assírio & Alvim

POEMAS
Autor: Herman Melville
Tradução do Inglês: Mário Avelar
Colecção: Documenta Poetica
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
N.º de páginas: 112

Apresentação:
«A selecção de poemas de Herman Melville foi elaborada a partir de três livros seus: Battle-Pieces and Aspects of the War, de 1866, John Marr and Other Sailors, de 1888, e Timoleon, Etc., de 1891. Excluí desta selecção Clarel — A Poem and a Pilgrimage in the Holy Land, de 1876, devido à extensão dos poemas que compõem as diferentes secções. Idêntica opção foi seguida relativamente à escolha dos poemas dos livros aqui antologiados, cuja extensão, em particular a dos monólogos dramáticos, tornaria inviável uma perspectiva prismática da sua poesia. A opção pelos poemas mais curtos é, aliás, corroborada pelos estudiosos de Melville que neles reconhecem os instantes mais relevantes da sua obra. Entre estes poemas tentei seleccionar aqueles que melhor transmitem a sua sensibilidade estética e as suas recorrências tópicas. A edição escolhida em língua inglesa foi The Poems of Herman Melville (The Kent State University Press, 2000), organizada por Douglas Robillard.»
Mário Avelar

Herman Melville nasce a 1 de Agosto de 1819, em Nova Iorque. Após o colapso do negócio de importação da família, em 1830, e a morte do seu pai, passados dois anos, Melville interrompe os estudos. Em 1837, quando se torna professor de instrução primária perto de Pittsfield, Massachusetts, já havia trabalhado num banco, na quinta de um tio e no negócio do irmão. Embarcará, dois anos mais tarde, como marinheiro na Marinha Mercante, numa viagem que o levará até Liverpool. Em 1840, regressado aos EUA, vagabundeia por vários empregos, para embarcar, no ano seguinte, no baleeiro Acushnet, numa viagem que durará quatro anos. Em Outubro de 1844 desembarca em Boston, após múltiplas peripécias no mar e em terras distantes. Junta-se à família, começando a escrever as suas «aventuras». Os seus dois primeiros livros, Typee (1846) e Omoo (1847) transformam-no num autor célebre e, apesar de Mardi (1849) ser um insucesso, é bem sucedido com Redburn, publicado no mesmo ano. A White-Jacket (1850) sucede-se Moby Dick (1851) e Pierre; or the Ambiguities (1852), novos fracassos editoriais. Em 1866, com Battle-Pieces and Aspects of the War, Melville inicia uma longa série de poesia, abandonando virtualmente a prosa. Nesse mesmo ano, consegue trabalho na alfândega de Nova Iorque. Nos anos seguintes escreve Clarel: A Poem and Pilgrimage in the Holy Land (1876), John Marr and Other Sailors (1888) e Timolean and Other Poems (1891). Nos finais de Setembro de 1891, morre, esquecido, em Nova Iorque.



RUBA-‘IYAT
Autor: Umar-i Khayya-m
Tradução do Persa: Halima Naimova
Introdução: Maria Aliete Galhoz
Colecção: Documenta Poetica
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
N.º de páginas: 80

Apresentação:
«Pela primeira vez se apresenta em Portugal uma antologia de «ruba’i»s (quartetos) do poeta astrónomo e matemático persa Umar-i Khayyām (1048-1132, d.C.) traduzidos a partir do texto original impresso Ruba’yati Umari Kayyam, edições Adib [Tājikistān], 2000. A antologia é bilingue, contémos textos em persa e a respectiva tradução em português. Trata-se de uma selecção de 51 quartetos da responsabilidade total de Halima Naimova, além da escolha dos quartetos (de uma colecção), é sua a tradução em português — que domina com «sedimentos» de lógica formal linguística de raiz não românica—, e, sobretudo, é também seu o belo desenho caligráfico da cópia em persa. Igualmente se lhe deve o material para reprodução iconográfica. […] É consensual que o “corpus” de “ruba’is” de Umar-iKhayyām, fixado o seu título no plural colectivo “Rubā‘iyat” (“Quadras”), pertence ao património cultural da humanidade. A sua fortuna editorial é imensa e “quasi” universal pelas inúmeras línguas em que está traduzido, havendo, até, uma colectânea de tradução na língua artificial esperanto.»


À beira-rio, junto da criatura bela como a lua, rosa e o vinho,
Deliciar-me-ei enquanto estiver vivo.

Bebia vinho, bebo-o e beberei,

Até ao último minuto do meu destino.



O AMOR CHEGOU COM AS CHUVAS
Autor: Mirabai
Apresentação e Versões: Jorge Sousa Braga
Colecção: Documenta Poetica
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
N.º de páginas: 64

Apresentação:
«Padavali significa uma série de padas. Pada na sua forma madura é uma canção espiritual breve, rimada e composta em ritmos simples, de forma a poder ser cantada, segundo determinada melodia (raga). O nome do autor é incorporado na última linha, como uma espécie de assinatura. Os pada de Mirabai são uma criação puramente oral e espontânea. Como não tinha discípulos para recolhê-los, os seus pada sobreviveram na boca dos cantores itinerantes que os aprenderam, cantaram e eventualmente alteraram.
A edição mais conhecida dos pada de Mirabai (a edição de Acharia Chaturvedi) contém 202 canções e foi submetida a incorporações e rejeições ao longo do tempo, à luz de novas descobertas. Nas versões aqui apresentadas foram usadas as traduções para inglês de A. J. Alston (The devotional poems of Mirabai). De forma a não inundar o texto de referências, apresenta-se em anexo apenas aquelas mais importantes.»
Jorge Sousa Braga


O amor tingiu a minha pele
da cor daquele que
levanta montanhas Mesmo

disfarçada reconheceu-me
Ao contemplar a sua beleza

entreguei-me Amigas

deixem aquelas cujo amor

está ausente escrever

cartas Mira entregou-se ao
seu Amado Dia e noite

é só por Ele que espera

Novidades Quasi

Poemas, Sonetos e Baladas
Vinicius de Moraes
Biblioteca: Obras Escolhidas de Vinicius de Moraes
Edição: Fevereiro 2009
Páginas: 104

Poemas, sonetos e baladas, publicado originalmente em 1946, é, decerto, o mais importante e mais belo livro de Vinicius de Moraes. Daquela edição foram tirados apenas 372 exemplares, numerados e assinados pelo autor. Seis décadas depois, muitos dos seus poemas se tornariam célebres, como “Sonetos de fidelidade”, “Soneto do maior amor”, “Baladas do Mangue”, “Balada das meninas de bicicleta”, “Poema de Natal”, “O dia da criação” e “Soneto de separação”, e alguns dos seus versos passaram a fazer parte da memória popular, como aqueles que definem o amor:
Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure”.

Eucanaã Ferraz

Vinicius de Moraes, (1913‐1980)
Quem não ouviu falar do artista que ao lado de Tom Jobim e João Gilberto criou a bossa nova, consagrada como um marco da música popular do século XX? Quem nunca ouviu “Garota de Ipanema”? Porém, antes de se projectar como letrista, Vinicius gozava o prestígio de ser um dos mais importantes poetas brasileiros. O encaminhamento para a canção no final dos anos 50, foi tão imprevisível quanto polémico, porquanto desmontava hierarquias socioculturais e fundia diferentes estratos da cultura. O alcance da bossa nova e seus desdobramentos não tardariam, no entanto, a ratificar o alcance das escolhas do poeta, que levou para a música popular uma inteligência sofisticada, em diálogo com experiências estéticas antes restritas à literatura. Eucanaã Ferraz



Cinemateca
Eucanaã Ferraz
Biblioteca: Arranjos para Assobio
Edição: Fevereiro 2009
Páginas: 100

“A força da gravidade dos poemas de Cinemateca puxa o leitor para as acções materiais e sugestivas de uma costureira, de um pintor, de um mágico; para a água forte do jogo amoroso; para o abate de um boi; para uma brincadeira na piscina da infância. A diversidade da matéria poética parte de um mundo habitado e reconstruído pelo poeta – razão para aplaudir o seu livro."
Alcides Villaça
in Folha de S. Paulo


Eucanaã Ferraz, Rio de Janeiro, 1961
Publicou, entre outros livros de poemas, Desassombro (Quasi, 2001, prefácio de Gastão Cruz), que ganharia, aquando da sua posterior edição brasileira (7 Letras, 2002), o Prémio Alphonsus de Guimaraens, da Biblioteca Nacional, como melhor livro de poesia de 2002. O seu quarto livro de poemas é Rua do Mundo (Companhia das Letras, 2004). Também é ensaísta e professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo organizado, entre outros livros, Letra Só, com letras de Caetano Veloso, editado em Portugal (Quasi, 2002) e no Brasil (Companhia das Letras, 2003); Poesia completa e prosa de Vinicius de Moraes (Nova Aguilar, 2004), a antologia Veneno antimonotonia – os melhores poemas e canções contra o tédio (Objetiva, 2005) e O mundo não é chato, reunião dos textos em prosa de Caetano Veloso (Companhia das Letras, 2005). No campo da crítica literária, publicou Folha Explica Vinicius de Moraes (Publifolha, 2006). Edita, com André Vallias, a revista on line Errática, voltada para a arte e literatura.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fernando Pinto Ribeiro (1928-2009)

O dia começou triste. Faleceu o poeta Fernando Pinto Ribeiro.
Natural da Guarda, Fernando Pinto Ribeiro nasceu em 1928 e escreveu aos catorze anos o seu primeiro soneto a que deu o título “Soneto dos 15 Anos”.
Colaborou nas revistas Flama, Panorama, Páginas Literárias, e em jornais como o Diário de Notícias, o Diário Ilustrado e em vários jornais regionais, tendo também sido publicados no Brasil alguns poemas seus.
Dirigiu, com Eduíno de Jesus e J. M. Pereira Miguel, a Revista de Letras e Artes “Contravento” (1968) com concepção gráfica de Artur Bual, da qual só se editaram quatro números, devido à censura.
Organizou com Alba de Castro, entre 1967 e 1983, as Pastinhas de Poesia, publicadas anualmente na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra. Participou em múltiplas colectâneas e organizou algumas, como as da Tertúlia Rio de Prata.
Pertenceu aos corpos sociais da Sociedade da Língua Portuguesa, foi sócio da Associação Portuguesa de Escritores, cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores e sócio da Colectividade Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes”.
Fascinado pelas noites de fado lisboeta começou a escrever alguns fados que desde logo fizeram sucesso (inicialmente, com o pesudónimo Sérgio Valentino). Escreveu letras para: Ada de Castro, Alexandra Cruz, Anita Guerreiro, António Mourão, António Laborinho António Passão, António Severino, Arlindo de Carvalho, Artur Garcia, Beatriz da Conceição, Branco de Oliveira, Carlota Fortes, Chico Pessoa, Estela Alves, Fernando Forte, Francisco Martinho, Humberto de Castro, Julieta Reis, Sara Reis, Lenita Gentil, Lídia Ribeiro, Maria Jô-Jô, Pedro Lisboa, Lurdes Andrade, Natércia Maria, Pedro Moutinho, Salete Tavares, Simone de Oliveira, Toni de Almeida, Tonicha, Tristão da Silva, Xico Madureira, entre muitos outros.
Fernando Pinto Ribeiro era um homem de profundo saber, de grande afectividade e que prezava muito a amizade.
Procurava encontrar a perfeição, tentando que cada poema tivesse uma quadratura musicável, com rima e métrica. Foi assim que os seus poemas passaram a ser musicados e cantados.
«A poesia é para mim um acto natural, pelo que sou imediatamente compensado pelo simples acto de escrever poemas e de os rever continuamente. Vejo aliás na revisão permanente dos meus poemas uma espécie de volúpia, uma busca incessante pela perfeição, mas ciente de que nunca a atingirei».
Hoje despedimo-nos de um poeta a quem não foi feita justiça. Um poeta que, pela sua humildade, nunca procurou a ribalta e por isso não lhe chegou a ser reconhecido o seu grande valor. Um poeta perfeccionista que fazia poesia com amor.
O corpo do poeta irá hoje para a Basílica da Estrela e o funeral realizar-se-á amanhã pelas 14 horas.
Até sempre, Fernando!


cilício

a Inês Ramos

amar
sem loucura nem pecado.
beijar com as asas
soerguidas
num voo orientado
através de trincheiras sucessivas.
não mais ficar parado
na curva do prazer
(hão-de explodir um dia em vão as feridas
do laço em que te abraço a Lúcifer).
tenha o desejo fugido à nostalgia
da amarra no cais ultrapassado
e viva nas marés do dia-a-dia
rendido
à viril filosofia
da onda que vai vem contra o rochedo.
guardar
a seiva do segredo
e o pólen da pele
nos lábios túmidos
hoje e sempre
fiel
ao beijo heróico
mortal e permanente
em que te aguardo
em que me encontre
frontal
total
e eternamente.

Fernando Pinto Ribeiro

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Campo das Letras: o fim?

A Campo das Letras deverá fechar as portas no final deste mês. "Provavelmente vamos ter que renunciar", afirmou Joaquim Jorge Araújo, líder da editora, ao Negócios.
Ler notícia completa, aqui.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Poemas em voz alta


Poema de Beatriz Barroso incluído na antologia de poesia "Os dias do Amor" dito por Ana de Sousa.

Invento-me...

Invento-me neste desejo de te abraçar...

Invento-me hera, planta trepadeira,
agarro minhas gavinhas,
minhas expansões, com força,
em tuas estacas, para me poder à terra fixar...

Invento-me abelha, insecto,
Apenas para invadir a tua flor,
Que nasceu de meu desejo,
Para em teu mel, esse néctar,
a minha sede eu poder saciar....

Invento-me leoa perdida de seu cio,
À procura de um trilho, um sinal, rasto teu,
Para que na floresta da vida,
Eu te possa encontrar...

Invento-me vento, nortada, brisa, aragem,
Para de forma empolgada,
Agitar teu rio, ondular teu mar...

Invento-me, nestas todas metamorfoses
de ser eu própria, que trago silenciadas no meu espírito,
E ensaio-me assim, neste ser,
Nestas mil formas adoptadas,
Só porque te encontro ao inventar-me,
Mas porque te invento somente a ti!

Beatriz Barroso

(vídeo "pescado" aqui)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Concurso de Textos de Amor 2009



Estão ainda abertas as inscrições para o Concurso Nacional de Textos de Amor 2009 promovido pelo Museu Nacional da Imprensa.

Pretende-se que cada concorrente redija uma mensagem de amor criativa, com aproximadamente 25 linhas, em prosa ou poesia.

Este concurso tem como objectivos:
. Valorizar a escrita de textos de carácter amoroso;
. Reforçar as potencialidades criativas;
. Activar as capacidades de expressão escrita;
. Promover a divulgação de textos inéditos de índole romântica.
Podem concorrer crianças, jovens e adultos, residentes em qualquer parte do país.
Duração: 14 a 21 de Fevereiro de 2009.
As mensagens concorrentes devem ser redigidas num impresso próprio, disponível nas instalações do Museu Nacional da Imprensa (E.N. 108, nº 206 / 4300-316 Porto ) e no sítio oficial (www.museudaimprensa.pt);
Cada participante poderá concorrer com um ou mais textos, desde que o faça em impressos separados;
Só serão admitidas a concurso as mensagens cujo impresso esteja devidamente preenchido (nome, data de nascimento, morada e telefone do autor) e datado;
Qualquer participante pode concorrer com pseudónimo, desde que envie, em correio separado, a identificação exigida. O respectivo envelope será aberto durante a reunião do júri, após a atribuição dos prémios.
Critérios de valorização:
1. Criatividade;
2. Espírito de síntese;
3. Correcção linguística.
As mensagens que obtiverem melhor classificação serão divulgadas, a par dos respectivos autores, através da Internet, num espaço próprio criado para o efeito no sítio oficial e através da imprensa;
Os trabalhos premiados poderão ser publicados pelo Museu Nacional da Imprensa em edição sem fins lucrativos, não cabendo aos autores qualquer reclamação de direitos;
Caso sejam editados com fins lucrativos, a repartição de direitos será feita em partes iguais, entre o(s) autor(es) e o Museu Nacional da Imprensa.
Os prémios serão constituídos por uma viagem para duas pessoas e livros e/ou CD-Roms.
Mais informações:
Tel. 22 530 49 66
Fax 22 530 10 71
E-mail mni@museudaimprensa.pt
Sítio oficial: www.museudaimprensa.pt

Também é possível participar online aqui:
http://www.imultimedia.pt/museuvirtpress/port/frame7.html

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Clube de Leitura em voz alta em Alcochete

A Associação Artística Andante, em parceria com a Biblioteca Municipal de Alcochete, está a realizar um Clube de Leitura em Voz Alta que tem como objectivo promover junto dos adolescentes, o prazer da leitura partilhada e também o desenvolvimento de algumas técnicas de corpo e voz que ajudem a pôr em prática esta actividade.
Este Clube tem a duração de 3 meses, de Janeiro a Março, e tem como objectivo uma apresentação pública no dia 21 de Março de 2009, Dia Mundial da Poesia, na Biblioteca Municipal de Alcochete.
A orientação é da actriz Cristina Paiva e tem como destinatários alunos do ensino secundário.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vítor Oliveira Jorge ganha Concurso de Textos de Amor 2008

Vítor Oliveira Jorge foi o vencedor do VIII Concurso de Textos de Amor, com o poema “Margem”, de entre os mais de 300 textos concorrentes a esta edição do concurso que o Museu Nacional da Imprensa promove desde 2001, com o intuito de estimular a escrita lírica portuguesa.
O segundo lugar foi para Paulo Lima Santos, com o poema “Espaços em Branco”, e o terceiro, em ex-aequo, para Filipa Susana Martins Ribeiro e Marcos G. C. Pinho da Cruz, respectivamente com "Secreto Apêndice de Recordar a Alma" e “Roma”.
O júri, constituído por Pires Laranjeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Manuel António Pina, escritor e jornalista, e Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional da Imprensa, decidiu ainda atribuir seis Menções Honrosas aos textos: “Deixa-me falar-te de amor” de Ana Rita Rocha, “Amor em Caixa de Sapatos” de Maria Paula Carvalheiro, “14 de Fevereiro” de Mário Rui Simões Rocha, “Ritual” de Paulo Lima Santos, “Algures entre 15 de Setembro de1996 e 25 de Outubro de 2007” de Rita Peixoto Lopes de Figueiredo e “Amor sem Carregamentos Obrigatórios” de Tiago Joel Moreira de Almeida.
Segundo o júri, esta 8ª edição do concurso ficou marcada por uma qualidade geral superior às anteriores.
Entretanto ainda está a decorrer, até 21 de Fevereiro, a IX edição do Concurso de Textos de Amor, cujos prémios continuam a ser viagens, livros e/ou CD-Roms.


MARGEM

Dantes, quando pousavas
Em qualquer beira, como pássaro
Magnífico;

E o teu corpo, os seus poros,
Atraíam as ondas,
Os uivos litorais dos bandos;

Dantes, quando era possível
Cantar uma ária inteira
Caminhando sempre na mesma praia
Sem vir ninguém,

A não ser o inverno, as suas
Grandes ondas gordas, azuis, paradas;

E as rochas em que te sentavas
Em risco de rasgar a pele nas asperezas,
Eram também azuis;

E o teu olhar puxava a camisola para baixo,
Como se fingisses proteger-te da nudez
Perante um eu, um mim, que de facto
Acalentavas já dentro de ti.

Dantes, quando eu olhava os teus pés
Como um sinal da fragilidade em que assentava
Toda a tua arquitectura,

E te dizia: é bom que eu os veja já com saudade,
Para não ser mais tarde surpreendido;

E mais tarde apenas me repetir
Quando te vir de novo pousar sobre a falésia
Como um pássaro, para me visitares

E, tal como hoje, não me dizeres nada:

Porque, contra tudo o que seria de esperar
Me possuis, e a tua presença bate aqui —

Como uma maresia distante, como uma praia
À noite, para um cego que não sabe
O que vai acontecer,

Mas no entanto caminha
Na aspereza das rochas,

Fascinado pelo iodo, pelo ruído
De um outro mundo
Que vem dar a este limite:

O tacto, as nádegas sobre a rocha.
Esse conhecimento.

Vítor Oliveira Jorge

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• que noite serena que noite de luar que lindo barquinha vailaNDO NO MAR - QUAL A MUSICA
• poesias de amor para mandar para gmail
• ode a boca
• poesias mal traduzidas no portugues de Pablo Neruda
• perguntas de um operário que lê obra
• curso de literatura de graça
• nasceu um nene guerreiro poesia
• garotas nuas de cosmorama
• poemas de rir a chorar
• poesia visual+eugenio melo e castro
• youtube meninas da ferreira de castro
• nasce o nene de eduardo gueddes

(Tal e qual como estavam escritas)

Apresentações de "Os dias do Amor" em Faro e Évora


Faro (Livraria Pátio de Letras), 14 de Fevereiro, à tarde

Dos autores antologiados, estiveram presentes nesta sessão: E. M. de Melo e Castro, Fernando Cabrita (que apresentou o livro), Gabriela Rocha Martins, Pedro Afonso, Rui Almeida e Tiago Nené.
Leram poemas da antologia: Álvaro Faria, Luís Vicente, Vítor Correia e Tiago Bensetil.


Évora (Bibliocafé Intensidez), 14 de Fevereiro, à noite

Dos autores antologiados, estiveram presentes nesta sessão: Ana de Sousa, E. M. de Melo e Castro (que apresentou o livro), José Miguel de Olivera e Rui Almeida.
Leram poemas da antologia: Álvaro Faria, Margarida Morgado e Tiago Bensetil.

Obrigada aos autores, diseurs e público presente que encheu casa em ambas as sessões.


Obrigada ao Rui Almeida, pelas fotos.


Obrigada também às anfitriãs Liliana Palhinha (Livraria Pátio de Letras) e Ana de Sousa (Bibliocafé Intensidez).

Sugestões para os próximos dias


16 e 17 de Fevereiro (segunda e terça-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Transatlântica, realização da Casa Fernando Pessoa em conjunto com a jornalista e guionista Beth Ritto, irá revelar talentos e promover a troca de informações entre artistas, escritores, produtores, artistas plásticos, cineastas, designers, editores, jornalistas, gente que vive, cria e transforma a realidade através da cultura e suas várias interpretações. Transatlântica será uma mostra itinerante sobre o que acontece de melhor e mais criativo na produção cultural do Brasil e Portugal.
16 de Fevereiro 18h30: Apresentação dos livros “O Mundo desde o Fim” de Antonio Cicero e “Cinemateca” de Eucanaã Ferraz, ambos Quasi Edições. Debate com os dois autores brasileiros e a directora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, o poeta Gastão Cruz, e o editor das Quasi, Jorge Reis-Sá.
17 de Fevereiro 21h00: Debate moderado por Inês Pedrosa com a presença de três novos autores brasileiros editados pela Caminho (Grupo LeYa) – Amilcar Bettega, Daniel Galera e João Paulo Cuenca – e ainda José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares e Ondjaki.

LISBOA – Livraria Círculo das Letras
17 de Fevereiro, 18.30h:
Ciclo de poesia do Neo-Realismo
Com Fernanda Lapa
poesia de CARLOS DE OLIVEIRA
Na Livraria Círculo das Letras (Rua Augusto Gil, 15 B, Lisboa)



LISBOA – Livraria Bulhosa de Entrecampos
Dia 17, terça-feira, 18.30h:
Palavras na Bulhosa….
Poemas em língua portuguesa
De África a Timor, do Brasil a Portugal: a escolha de Sophia de Mello Breyner Andresen

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18 de Fevereiro (quarta-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Na fotobiografia de Fernando Pessoa agora lançada pela Temas e Debates, Richard Zenith sustenta que a obra literária do poeta modernista é indissociável da sua vida. Será realmente assim? O certo é que este livro, ao longo das suas 200 páginas, vai entrelaçando factos da vida com ideias sobre a obra. Isto é verdade tanto para a resumida mas abrangente biografia escrita por Zenith como para o rico conjunto de imagens compilado por Joaquim Vieira, que teve o cuidado de as reproduzir – sempre que possível – a partir das fontes originais. O resultado é sem dúvida estimulante, ainda que a tese de que Pessoa e a sua escrita são indestrinçáveis continue a ser discutível. O último capítulo, «O Poeta Que Ainda Vive», traça a história post-mortem da canonização de Pessoa, e o livro também oferece uma cronologia e uma notável genealogia.
Apresentação marcada para 18 de Fevereiro às 18h30, na Casa Fernando Pessoa.

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19 de Fevereiro (quinta-feira):

CASCAIS – Biblioteca Municipal
A próxima sessão das Noites Com Poemas terá lugar no próximo dia 19 de Fevereiro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.
Como convidado, o escultor Francisco Simões, autor das estátuas que povoam o Parque dos Poetas, em Oeiras.




PINHAL NOVO – Bar O Sol mói o Pai
63ª Sessão de Poesias&Alegorias, no dia 19 de Fevereiro, quinta-feira.
Esta sessão conta com a performance "Festival Internacional de Teimosos"
Uma filosofia pré-desfilosofada. Toda a gente pode teimar, e cada um teima como quiser.
Mais informações em: http://osolmoiopai.blogspot.com/
O Bar O Sol mói o Pai fica no Pinhal Novo, na Rua D. Afonso Henriques, nº 9
Tel. 21 236 13 73

ÉVORA – Bibliocafé Intensidez
19 de Fevereiro, pelas 21h30:
Fora da Estante: tertúlia literária à volta d'Os Poemas da nossa vida"
Nesta sessão, reúnem-se os poetas e os poemas... amigos da palavra, para amena conversa, leituras, a discussão dos tempos... Margarida Morgado, Teresa Cuco, Alberto Augusto Miranda, entre outras vozes.
O Bibliocafé Intensidez fica na Rua Escrivão da Câmara, 10-10A, em Évora.

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20 de Fevereiro (sexta-feira):

ALMADA – Fnac Almada Forum
Apresentação do livro “Apoplexia da Ideia”, de Maria Quintans:
Dia 20 de Fevereiro, pelas 21.30 horas.
Sessão de autógrafos e apresentação do livro Apoplexia da Ideia, obra de poesia/prosa poética de Maria Quintans, ilustrada por João Concha e prefaciada pelo escritor e jornalista Fernando Dacosta (Edição Papiro Editora).
A sessão conta com a presença da autora e do ilustrador.
Na Fnac do Forum Almada.

ODIVELAS – Casa do Largo
Vai realizar-se no dia 20 de Fevereiro mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.
Neste dia, o Palavreando fará uma edição especial de homenagem a Zeca Afonso.

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21 de Fevereiro (sábado):


ÉVORA – Bibliocafé Intensidez
21 de Fevereiro, pelas 22h00:
Lançamento do livro "do Amor e da Espada", de Teresa Cuco.
Estarão presentes:
Alberto Augusto Miranda, que apresentará o livro.
Margarida Morgado, Eduardo Raposo, Tolentino Cabo, Davide Santos e Ana de Sousa que dirão poemas.
Haverá ainda um momento musical com João Cágado e Manuel Dias.


LISBOA – Livraria Barata Av. Roma
Apresentação do livro “Apoplexia da Ideia”, de Maria Quintans:
Dia 21 de Fevereiro, pelas 19 horas.
Sessão de autógrafos e apresentação do livro Apoplexia da Ideia, obra de poesia/prosa poética de Maria Quintans, ilustrada por João Concha e prefaciada pelo escritor e jornalista Fernando Dacosta (Edição Papiro Editora).
A sessão conta com a presença da autora e do ilustrador.
A apresentação estará a cargo do cineasta Lauro António.
Na Livraria Barata da Av. de Roma.

Novidades Assírio & Alvim

FOREVER SOMEONE ELSE
Autor: Fernando Pessoa
Selecção e Tradução para Inglês: Richard Zenith
Colecção: Documenta Poetica
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia, Literatura em Inglês
Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada
N.º de páginas: 288

Uma antologia exemplar e representativa da obra de Fernando Pessoa, traduzida para inglês.
Texto da contracapa:

To travel! To change countries!
To be forever someone else,

With a soul that has no roots,

Living only off what it sees!

It was onlymany years after his death that Portugal’s Fernando Pessoa (1888-1935) came to be recognized as one of Europe’s greatest modern poets and prose writers. Born in Lisbon, he spent nine years of his childhood in South Africa and then returned to his native city, where he lived an outwardly quiet andmodest life. But his inward, creative life was volcanic, giving rise to a vast and largely fragmentary output that includes poetry, fiction, dramatic works, writings on sociology, economics and religion, political commentary, astrological charts and esoteric speculations. His most stunning prose work is The Book of Disquiet, a semifictional diary published for the first time in 1982. Although Pessoa published a number of his finest poems—such as “The Tobacco Shop,” “Autopsychography” and “Portuguese Sea”—in magazines and in a book titledMessage (1934), many others came to light posthumously, as family members and researchers sifted through the poet’s generous legacy to the world: a trunk containing thousands of unpublished manuscripts. Forever Someone Else offers an ample selection of the poetry written by Pessoa under his own name and in the names of the personas he called “heteronyms”: Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos. Unusual not only for writing under different names but also for adopting dissimilar points of view and radically diverse literary styles, Fernando Pessoa, of all poets fromall ages, was like no one else. Richard Zenith, born inWashingtonDC, is a longtime resident of Lisbon, where he works as a writer, translator and researcher. He is responsible formany editions of Fernando Pessoa’s works in Portugal, including the Livro doDesassossego (Assírio&Alvim, 1998; 7th ed. 2007). His translations of Pessoa’s poetry and prose have won prizes in the United States and Great Britain.


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ANOS 70 - Poemas Dispersos; 2.ª edição
Autor: Alexandre O’Neill
Edição: Maria Antónia Oliveira e Fernando Cabral Martins
Prefácio: Vítor Silva Tavares
Desenhos: Luis Manuel Gaspar
Colecção: Obras de Alexandre O’Neill
Ano de edição: 2005 / 2.ª Edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
Formato e acabamento: 16 x 24 cm, edição brochada
N.º de páginas: 144

«Os textos de Alexandre O’Neill que compõem este volume nunca foram por ele incluídos em livros seus. À excepção de dois, recuperados de uma antologia, e de três encontrados no espólio, o autor publicou-os em jornais e revistas durante a década de 70. O conjunto aqui editado resultou da pesquisa feita no âmbito da biografia do poeta (Maria Antónia Oliveira, Alexandre O’Neill, Uma Biografia Literária, Dom Quixote). Pôde constatar-se que, embora o poeta viesse publicando regularmente desde os finais da década anterior, os anos 70 eram aqueles em que a sua produção se tornava mais assídua, e em que mais textos haveriam de ficar confinados às páginas dos periódicos. […] Reúnem-se também poemas escritos para os jornais Diário de Lisboa e A Luta, e para as revistas Flama e Ele. Foram encontrados no espólio do poeta os poemas "Magritte" e "Azul Ar", bem como os poemas sem título designados por Fragmentos, inéditos. Acrescentam-se ainda dois poemas datados de 1972 que E.M. de Melo e Castro e José-Alberto Marques incluíram na Antologia da Poesia Concreta em Portugal (Lisboa, Assírio & Alvim, 1973). Emanexo, publicam-se dois textos compoemas, e uma versão emprosa da primeira parte de Rã & Descobridor.» (Na introdução a este livro)

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O MEDO - 4.ª edição
Autor: Al Berto
Colecção: Obras de Al Berto
Ano de edição: 1997 / 4.ª Edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
Formato e acabamento: 16 x 24 cm, edição encadernada
N.º de páginas: 704

A 4.ª edição que agora se apresenta preserva as características notáveis da edição anterior (revisão profunda, aparato crítico e capa com fotografia de Paulo Nozolino) saindo agora com uma magnífica encadernação.

regressa do túmulo dos mares do sul
enterra os dedos na penumbra que separa o dia
da noite das cidades recorda o restolhar das serpentes
a seiva lívida do loureiro estremecendo ao sentir
o rosto da criança que foste contra o tronco
na tua memória já não existem paisagens de ossos
nem pássaros nem punhais de luz dentro da insónia
a criança que em ti morreu crescendo
usou sapatos com atacadores e gravata
pela primeira vez foi ao cinema sozinha
com o olhar turvo de melancolia anda por aí
à procura de quem a queira

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Correntes d'Escritas 2009

O 10.º Correntes d’Escritas vai decorrer entre os dias 11 e 14 de Fevereiro de 2009 na Póvoa de Varzim, onde estarão presentes 120 escritores de expressão ibérica.
Para além dos prémios literários em jogo, no Correntes haverá, como habitualmente, lançamentos de livros, sessões de poesia, mesas redondas, visitas dos escritores às escolas, exposições, exibições de filmes, e, sobretudo, uma grande confraternização entre escritores de Portugal, Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, México, Moçambique, Peru, S. Tomé e Príncipe e Uruguai.
Pode acompanhar-se o dia-a-dia do Correntes no Blogtailors ou no blogue da LER.
Para já, a notícia fresquinha é a do vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa 2009: Gastão de Cruz, com a obra "A Moeda do Tempo", editado pela Assírio & Alvim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Amor esgotado e reeditado


A antologia de poesia "Os dias do Amor" esgotou nos armazéns da distribuidora, há alguns dias, encontrando-se já em segunda edição.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Amor em Faro, Amor em Évora...











As próximas sessões de apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vão ter lugar já no próximo sábado:

Faro: Livraria Pátio de Letras (Rua Dr. Cândido Guerreiro, 26-30), 14 de Fevereiro, 17h00m
Apresentação por: Fernando Cabrita
Leitura de poemas por: Álvaro Faria, Luís Vicente, Vítor Correia e Tiago Bensetil

Évora: Bibliocafé Intensidez (Rua Escrivão da Câmara, 10-10A), 14 de Fevereiro, 21h30m
Apresentação por: E. M. de Melo e Castro
Leitura de poemas por Álvaro Faria, Margarida Morgado e Tiago Bensetil

Conto convosco!

Venham daí esses haiku!

Caros etéreos,
desta vez, o desafio que vos faço é para que me enviem os vossos
haiku!
O prazo para o envio termina a 15 de Março e deverão fazê-lo através do e-mail: porosidade.eterea@gmail.com
Serão todos publicados aqui no porosidade etérea no dia 25 de Março.


Este passatempo é patrocinado pela Cosmorama Edições, que oferece 9 livros aos primeiros 9 participantes que enviarem os seus trabalhos. São eles:
"Para que ninguém sobreviva ao perdão" de Pedro Gil-Pedro (2008),
"Marcas de urze" de Catarina Costa (2008),
"De haver relento" de Andreia C. Faria (2008),
"O percurso da Luz" de Carlos Alberto Braga (2006) (2 exemplares),
"A Vocação dos Homens Silenciosos" de Sandra Costa (2006) (2 exemplares),
"Assim na Terra" de José Rui Teixeira (2005)
e "Iniciação ao Remorso" de Jorge Melícias (2005)
que serão entregues por esta ordem.
Os participantes de fora de Portugal pagarão os portes de envio.

Algumas notas sobre o haiku:
O haiku deriva de uma forma poética muito em voga no Japão entre os séculos IX e XII designada por tanka que na sua forma original tinha 5 versos, de 5 e 7 sílabas, e tratavam temas religiosos ou ligados à corte.
A partir do século XV os tanka deram origem a uma outra forma, de longos poemas (renga) de temática clássica: a primeira estrofe (a mais importante, que servia de mote, denominada hokku), de 3 versos (com 5, 7 e 5 sílabas), era sugerida por um poeta, e as restantes iam surgindo e associando-se uma após outra, numa espécie de resposta, por outros poetas.
No século XVI apareceria ainda o haikai-renga, de temática humorística.
Um pouco depois, a estrofe inicial de 3 versos do renga acabou por se tornar uma forma independente de poesia.
Mas só no século XIX o mestre Masaoka Shiki lhe atribuiu o nome de haiku, pela junção das palavras haikai e hokku.
Actualmente, o haiku é uma forma poética que, na sua forma mais comum, tem três versos curtos (sem rima) com um total de 17 sílabas (5 no primeiro verso, 7 no segundo verso e 5 no último verso).
Quanto ao conteúdo, expressava (tradicionalmente) uma percepção da natureza ou uma referência a uma estação do ano.
Hoje, o haiku assumiu já uma temática livre, abordando temas como o amor, o erotismo ou outro qualquer tema.
É uma forma de poesia breve (ou minimalista), depurada, simples e fluente, que capta o instantâneo.

Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.

Bashô
1644-1694
Japão

O mundo não posso mudar —
deixa-me sacudir a areia
das tuas sandálias

Casimiro de Brito
1938
Portugal


na palma da mão
o peso de uma laranja —
nasce a madrugada

Leonilda Cavaco Alfarrobinha
1943
Portugal



Inspirem-se e enviem-me os vossos haiku, que, como já sabem, deverão ter três versos curtos (sem rima) com um total de 17 sílabas (5 no primeiro verso, 7 no segundo verso e 5 no último verso). À semelhança de passatempos anteriores, o locutor Luís Gaspar gravará em audio alguns deles, que escolherei de entre os participantes.