terça-feira, 8 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)

Faleceu hoje, 8 de Junho, o poeta António Manuel Couto Viana, aos 87 anos.
António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. Foi poeta, contista, ensaísta, tradutor, actor, dramaturgo, encenador e figurinista. Fez os seus estudos em Viana do Castelo, Braga e Lisboa.
Em 1948 estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961).
Fez parte da direcção do Teatro de Ensaio do Teatro Monumental (1952), foi director do Teatro do Gerifalto (1956-1960) e director da Companhia Nacional de Teatro (1961-1965). Além da poesia e do teatro, dedicou-se também à literatura infantil.
Está representado em várias antologias de poesia e a sua obra está traduzida em francês, inglês, castelhano, chinês, alemão e russo.
Foi distinguido com vários prémios (Prémio Antero de Quental em 1949 e 1959, Prémio Nacional de Poesia em 1965, Prémio Camilo Pessanha em 1993) e foi condecorado com a Banda da Cruz de Mérito, Grão Cruz da Falange Galega, o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

(4.2.2005)

4 comentários:

Anónimo disse...

Uma grande perda para a Poesia e Cultura portuguesas
RIP

pierre sauvage

maria manuel disse...

não conhecia, há tantos autores que não conheço. obrigada por nos ir dando a conhecer tantos autores (mesmo quando, infelizmente, não são boas as notícias), este é um blog que me enriquece imenso.

Anónimo disse...

Por que razão não editou o meu comentário ? Se não acreditou em mim por que razão não se informou?
Não publicar é um acto de censura ... Verei até que ponto lhe fica bem .
atenciosamente
Nuno

Inês Ramos disse...

Caro anónimo (que agora se identifica como "Nuno"):
1º: Não publiquei o seu anterior comentário, porque não! Este é o meu blogue pessoal, não é uma instituição pública, portanto, tenho o direito de publicar os comentários que eu bem entender.
Publico agora este seu comentário, exactamente para lhe poder responder, e porque insiste no assunto.
2º: Não é uma questão de acreditar em si ou não. Não são para aqui chamadas as tendências políticas dos poetas. Aqui entra poesia e mais nada. Para além disso, já chamei várias vezes a atenção aos visitantes deste blogue que NÃO publico comentários ofensivos dirigidos a poetas ou editores aqui mencionados. E o seu comentário sobre o poeta Couto Viana era ofensivo.
3º: Não publicar comentários do teor do seu não é censura. Censura é o caro anónimo "Nuno" não querer que se faça referência a um poeta, só porque ele é de direita ou de esquerda.
4º: Não estou preocupada com o que me fica bem. Este blogue tem como objectivo divulgar a poesia e os poetas e nesse campo, faço o que posso.
5º: Aviso-o já que não vou responder a mais nenhum comentário seu sobre este assunto e que continuarei a rejeitar comentários que não se coadunem com o objectivo deste blogue.
Os meus cumprimentos,
Inês Ramos