segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sugestões para os próximos dias

Exposições

Lisboa:

• Exposição “D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666)”
Conheceu o cárcere e o naufrágio, missões diplomáticas, a amizade de Quevedo e de Castelo Melhor, a Academia dos Generosos, exílios, tranquilidade campesina – vida aventurosa que Camilo viu marcada pelo talento e pela desgraça ao reeditar a Carta de Guia de Casados em 1873. Este juízo, fruto de rara intuição histórica, guarda actualidade, não obstante o trabalho recuperador de Prestage (1914) e outras contribuições posteriores.
De cultura vasta e profunda, servida pelo bilinguismo, deixou produção vultosa de que ele mesmo ensaiou classificação nas Obras Morales – trabalho, aliás, de importância psicológica e sobre o valor e o sentido da existência. Poesia de metro variado e de variado assunto, inclusivamente de teorização.
Da prosa, também rica e vasta, podem lembrar-se o Hospital das Letras nos Apólogos Dialogais, de que sobressai o crítico; as cinco Epanáforas de Vária História Portuguesa, em que se impõe o historiógrafo; ou a Carta de Guia de Casados, a ver com outros textos do tempo…; e o teatro, a epistolografia – um dos nervos literários do Seiscentismo – e ainda obras menores – menores pela extensão que não pela qualidade – publicações póstumas, obras perdidas, a crítica de atribuição, os pseudónimos…: eis quanto se pretende aflorar nesta breve evocação.
Na Biblioteca Nacional (Campo Grande, 83 - Lisboa).
De 9 de Dezembro de 2008 a 7 de Fevereiro 2009, na Sala de Referência.
Entrada livre.

• António Alçada Baptista (1927-2008) • Dinis Machado (1930-2008)
ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA nasceu na Covilhã a 29 de Janeiro de 1927, vindo a licenciar-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, transitando do exercício da advocacia, entre 1950 e 1957, para a vida das letras. Ligando-se aos sectores católicos progressistas que assumiram posições liberais na transição do salazarismo para o marcelismo, foi, sob edição da Moraes Editora por si dirigida, co-fundador da revista O Tempo e o Modo, cuja direcção assegurou entre 1963 e 1969.
Numa escrita fortemente cronística, a linearidade expressiva surge nos primeiros livros, a que o próprio autor chamou «ensaios», de reflexão em torno das suas experiências pessoais sublimadas em máximas como o atesta o ciclo de Peregrinação Interior (1971-1982). O primeiro romance, Os Nós e os Laços (1985), alcançou um êxito significativo traduzido por sucessivas reedições, a que se seguiu a novela Catarina ou o Sabor da Maçã (1988), para de novo viajar na crónica e nas memórias.
DINIS MACHADO nasceu em Lisboa, a 21 de Março de 1930, interrompendo os estudos na Escola Comercial para se dedicar ao jornalismo, sobretudo no meio desportivo, mas também no cinematográfico. Surgiu na literatura de ficção através do género policial, que publicou sob pseudónimo de Dennis McShade com três títulos em 1968, antes do sucesso que surpreendeu o país, ou seja, seu único romance, O Que Diz Molero, com cinco edições no mesmo ano (1977) e posterior adaptação teatral.
Nos livros seguintes, regressou à crónica jornalística.
Biblioteca Nacional (Campo Grande, 83 - Lisboa).
De 19 de Dezembro de 2008 a 3 de Janeiro de 2009 , na Sala de Referência.
Entrada livre.

• "Ruedo Ibérico, Um Desafio Intelectual"
De 6 de Novembro de 2008 a 22 de Janeiro de 2009, no Instituto Cervantes de Lisboa (Rua de Santa Marta, 43 F).
A exposição percorre a história de Ruedo Ibérico, editorial fundada em Paris em 1961 por espanhóis exilados, à margem de partidos políticos através da correspondência administrativa e pessoal do editor. Integra painéis informativos, documentos, livros e outras publicações, bem como a obra de alguns dos artistas comprometidos com o projecto como Saura, Tàpies, Millares, Ortega e Seoane.
Para além da história, do ensaio político ou das memórias, o programa editorial de Ruedo Ibérico prestou grande atenção à literatura e à arte de intervenção. O seu catálogo compreende obras poéticas de Gabriel Celaya, Blas de Otero, Salvador Espriu, Ángel González, assim como romanceiros anónimos, além de antologias em homenagem a Antonio Machado ou a Cuba e, também, de carácter erótico. Entre os seus textos, enocontram-se versos dos poetas consagrados com os de jovens brilhantes. Na prosa, Ruedo Ibérico deu a conhecer ensaios literários de Goytisolo e novelas de López Salinas ou Rincón.
Ruedo Ibérico também não descartou a caricatura política como elemento gráfico corrosivo. A esta linha correspondem os livros amargos e jocosos de Bartoli e Vázquez de Sola. Arte e literatura avançaram, pois, mão na mão com a oposição académica e política.
Ruedo Ibérico é uma editora fundada em França para ser uma ferramenta política e para lutar intelectualmente contra o regime franquista, mediante a introdução em Espanha de uma informação rigorosa que pusesse em evidência os subterfúgios e as manipulações do mesmo regime, ao mesmo tempo que permitia recuperar a memória histórica. A sua orientação, tal como tinham antes tentado as revistas Las Españas no México ou Ibérica em Nova Iorque, não foi partidarista. Assim o indica a distinta sensibilidade política dos cinco fundadores que assinaram a acta constitutiva das Éditions Ruedo Ibérico em Setembro de 1961 em Paris: Nicolás Sánchez-Albornoz era activista de esquerda, Ramón Viladás estava vinculado ao nacionalismo catalão, Vicente Girbau militava na Agrupación Socialista Universitaria (ASU), Elena Romo era comunista e José Martínez Guerricabeitia provinha do anarquismo.

• "Aromas de Urze e de Lama" - Exposição
Até Janeiro de 2009.
Exposição de desenhos de Ruth Rosengarten, inspirados nos poemas de Pedro Homem de Mello e na viagem antropológica de João de Pina Cabral, acompanhada pelo filme “Regresso à Terra” (1992) de Catarina Alves Costa.
No Museu Nacional de Etnologia (Av. Ilha da Madeira, Lisboa).

• Literatura portuguesa do mundo
Weltliteratur
Na Fundação Calouste Gulbenkian, Galeria de Exposições Temporárias.
"Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!".
A literatura da geração de Fernando Pessoa. A literatura também se expõe, como uma pintura ou uma escultura? Exposição patente ao público de 1 de Outubro a 4 de Janeiro 2009.
A expressão de Goëthe, associada ao verso de Cesário Verde, para mostrar a literatura portuguesa do Mundo. Textos literários, documentos e obras de arte que mostram a literatura e os autores da geração de Fernando Pessoa.
A exposição será acompanhada por um programa paralelo de conferências com especialistas nacionais de reconhecido prestígio e um convidado estrangeiro.


Loulé:

“Pessoa Intemporal”
Exposição da Vida e Obra de Fernando Pessoa.
Na Galeria de Arte Convento Espírito Santo - Loulé
Organização: Município de Loulé
Até 27 de Dezembro, das 09h00 às 17h30 - Sábado das 10h00 às 15h00






Loures:

• "Cruzeiro Seixas - Obra Plástica"
Exposição patente ao público de 5 de Dezembro a 9 de Abril, na Galeria Municipal Vieira da Silva, em Loures.
Esta mostra é uma parceria entre a Câmara Municipal de Loures e a Fundação Cupertino de Miranda a quem Cruzeiro Seixas doou parte significativa do seu espólio.
Cruzeiro Seixas é um poeta, pintor e ilustrador português que nasceu na Amadora em 1920. Nome maior do movimento surrealista nacional, participou no Grupo Surrealista de Lisboa que realizou a I Exposição dos Surrealistas em Junho/Julho de 1949. Nos anos 50 esteve vários anos em Angola onde organizou o Museu de Arte de Luanda. Expõe individualmente desde 1953.
Horário: Terça-feira a sexta-feira das 10 às 12 horas e das 14 às 18 horas; Sábados e domingos das 14 às 19 horas. Encerra às segundas-feiras e feriados.


Montijo:

• Exposição Miguel “Torga: o escritor do simples”

Exposição amplamente ilustrada, de teor cronológico, que dá a conhecer o trajecto delineado pela vida e pela obra de Miguel Torga, revelando-se, deste modo, a extensão e a coerência do percurso de um dos maiores escritores de língua portuguesa do século XX.
Livros, painéis e fotografias do poeta Miguel Torga podem ser apreciados, gratuitamente, até 31 de Dezembro, no seguinte horário:
Terça a sexta-feira: 10h00-12h30 e 14h30-18h00
Sábado: 15h00-18h00
Encerra ao Domingo e à Segunda-feira
No edifício do antigo Bingo, na frente ribeirinha.


Póvoa do Varzim:

• Exposição "Da Escrita à Figura – desenhos da colecção da Fundação de Serralves"
Os trabalhos reunidos nesta exposição exemplificam diversas atitudes singulares em relação ao desenho por parte de artistas que o utilizam, seja como um suporte de provocação de códigos de comunicação visual como a escrita ou a representação matemática, seja num exercício diarístico e intimista de problematização do retrato e da representação da figura.
Num primeiro núcleo, trabalhos de Mirta Dermisache, Ana Hatherly, Jorge Pinheiro e António Sena. Os trabalhos de Hatherly e de Dermisache são exemplares de uma relação entre escrita e imagem que, desde inícios do séc. XX, tem redefinido a condição da obra de arte ao longo do século XX, das experiências dos primeiros modernismos até à emergência da poesia visual e da arte conceptual. A letra, a palavra, a frase e o texto tornaram-se suportes da obra de arte, frequentemente espacializadas para além do objecto ou do quadro. Hatherly e Dermisache utilizam a escrita, liberta dos seus significados linguísticos, como suporte de construção da imagem.
Jorge Pinheiro edita na década de 70 o álbum “Quinze ensaios sobre um tema ou Pitágoras jogando xadrez com Marcel Duchamp” (1970-74). Cada um destes “quinze ensaios” é resultante de uma diferente progressão numérica, que se estrutura através de conjuntos de pontos, linhas e curvas que se manifestam como códigos visuais construídos a partir de um conjunto de regras bem definidas. O título do álbum associa Pitágoras a Duchamp, numa conjugação irónica de referências entre um dos nomes fundamentais da história da reflexão matemática e um dos nomes fundamentais da arte do século XX, inventor do “ready made”, igualmente reconhecido pela sua prática do xadrez, jogo que, como é sabido, engendra a possibilidade de um conjunto infinito de jogadas a partir de um conjunto de regras finito.
Na obra de António Sena, o desenho é revisitado a partir da inscrição, rasura, composição, evidência e ocultação de uma complexa cartografia de marcas, sinais, escritas e representações. A obra de Sena introduz referências onde a representação de signos identificáveis origina uma objectividade surpreendente num processo de apropriação de registos do quotidiano. Numa série de trabalhos de finais da década de 70, o artista apresenta gráficos de barras cujas coordenadas e abcissas resultam em ritmos de alturas e densidades variadas, estatísticas abstractas sem referentes, cuja mensurabilidade se regista através de números, linhas, notas dispersas, rasuras e grafias para além de qualquer legibilidade.
Num outro núcleo da exposição encontramos desenhos da autoria de Sigmar Polke. São trabalhos de natureza quase diarística, registos de ideias e de projectos marcados frequentemente pelo humor e pela irisão. Os desenhos de Polke, provenientes dos seus cadernos de notas de finais da década de 60, constituem anotações de projectos que nessa altura o artista concretizaria nas suas pinturas ou esculturas subversivas e irreverentes, como acontece no caso do projecto da sua famosa “Casa de Batatas”, aqui apresentado.
Esta exposição fica patente até ao dia 10 de Janeiro.
Na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, na Póvoa de Varzim.


Vouzela:

• Exposição Comemorativa do Livro
Até 23 de Dezembro.
Na Biblioteca Municipal de Vouzela.
Organização: C.M. Vouzela
Exposição que tem os livros como protagonistas. Especial destaque para as crianças e os seus gostos e uma motivação suplementar para os hábitos de leitura




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Nota: os Museus encontram-se encerrados nos dias 25 de Dezembro e 1 de Janeiro

1 comentário:

A. disse...

Inês,
Excelentes sugestões.:)
Bom Natal na companhia dos que mais amas.
Beijinhos