segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Rua industrial, de dia

Só paredes. Sem verde nem vidraça,
a rua estende a cintura malhada
das fachadas. Os carris sem zoada.
Brilha o asfalto molhado da praça.

Roça por ti alguém, um frio olhar
penetra-te a medula; passos duros
fazem saltar faíscas de altos muros
e fica a nuvem de um breve respirar.

Não há cela que aperte o pensamento
em gelo como este caminhar
entre muros, que só muros podem olhar.

Vistas tu penitência ou sacro paramento –:
Esmaga-te sempre o pesado sudário
do anátema divino: turno sem horário.

Paul Zech
(1911)
(tradução de João Barrento)

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