
Um cofre climatizado guarda uma das principais raridades do acervo da Biblioteca Pública de Arquivo de Ponta Delgada, nos Açores: um dos seis exemplares da primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572.
Pela sua raridade e valor histórico, a obra maior de Luís Vaz de Camões, que narra os feitos dos descobrimentos portugueses, está cercada de cuidados e não teve qualquer pedido de consulta durante 2006; tem sido apenas solicitada por investigadores e estudiosos, a maioria dos quais professores universitários.
Apesar da fragilidade, o livro, de 18 centímetros de altura, editado em Lisboa, está em bom estado de conservação, e pode ser consultado pelo público, apenas com certas regras a cumprir.
A primeira edição de "Os Lusíadas" faz parte dos cerca de 18 mil títulos da biblioteca pessoal de José do Canto, que engloba livros do século XV ao XIX , adquiridos em Maio 1942 pela instituição.
A colecção particular do bibliófilo contém quase todas as primeiras edições de autores portugueses contemporâneos, como Alexandre Herculano, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, e alguns estrangeiros como Darwin e Dumas (pai e filho), num total de cerca de 110 edições portuguesas publicadas entre 1572 e 1892. A colecção inclui ainda cerca de 105 edições estrangeiras, traduzidas em húngaro, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, russo e japonês.
Para facilitar o acesso das obras mais consultadas e de maior valor histórico, a Biblioteca está a proceder à digitalização dos seus títulos, um serviço que deverá ser disponibilizado parcialmente durante este ano.
Além da colecção privada de José do Canto, a Biblioteca Pública de Arquivo de Ponta Delgada conta com o acervo de nomes como Ernesto do Canto, Marquês Jácome Correia, Teófilo Braga, Natália Correia, Mota Amaral, entre outros.

1 comentário:
Inês, Alma Minha Gentil...
O teu blogue está a tornar-se numa raridade.
Raridade de informação, de saber e de ternura.
É tão bom ler-te...
Luís Pinto
Enviar um comentário