quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi para Ana Luísa Amaral



O Prémio Giuseppe Acerbi, instituído pelo município de Castel Goffredo, Mãntua, para "dar a conhecer e aproximar os povos", este ano dedicado à literatura portuguesa, atribuiu à poetisa Ana Luísa Amaral o Prémio de Poesia, permitindo, assim, a tradução de parte da sua obra para italiano.
Ana Luísa Amaral, 51 anos, natural de Lisboa e docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é autora de oito livros de poesia, entre eles "A génese do Amor".

Desagravo a Vallejo, de juiz a injusto réu


Inaugurou hoje, 14 de Novembro, no Peru, uma exposição que pretende homenagear o poeta peruano César Vallejo, como forma de desagravo pela prisão injusta de que o poeta foi vítima entre 1920 e 1921.
César Vallejo (1892-1938), autor de obras fundamentais da poesia em língua espanhola, como "Poemas Humanos", foi acusado de um crime que não cometeu e permaneceu 112 dias na prisão. Esta experiência teve uma profunda influência na sua vida e na sua obra, reflectindo-se directamente em vários poemas do livro "Trilce" (1922).
Quase 90 anos depois, o poder judicial peruano apresenta deste modo o seu pedido de desculpa com a exposição "Desagravo a Vallejo, de juiz a injusto réu".

Obra poética de Vallejo:
"Los Heraldos Negros" (1918), "Trilce" (1922), "Nómina de huesos" (1936), "Sermón de la barbarie" (1939), "España, aparte de mí este cálize" (1939), "Poemas Humanos" (1939) edição póstuma.


Um homem passa com um pão ao ombro...

Um homem passa com um pão ao ombro
- Vou escrever, depois, sobre o meu duplo?

Outro senta-se, coça-se, tira um piolho do sovaco, mata-o
- Com que desplante falar da psicanálise?

Outro entrou em meu peito com um pau na mão
- Falar, em seguida, de Sócrates ao médico?

Um coxo passa dando o braço a um menino
- Vou, depois, ler André Breton?

Outro treme de frio, tosse, cospe sangue
- Convirá não aludir jamais ao Eu profundo?

Outro busca no lodo ossos e cascas
- Como escrever, depois, sobre o infinito?

Um pereiro cai de um telhado, morre, já não almoça
- Inovar, em seguida, a metáfora, o tropo?

Um comerciante rouba um grama no peso a um freguês
- Falar, depois, da quarta dimensão?

Um banqueiro falsifica o seu balanço
- Com que cara chorar no teatro?

Um pária dorme com um pé às costas
- Falar, depois, a ninguém de Picasso?

Alguém vai num enterro a soluçar
- Como em seguida ingressar na Academia?

Alguém limpa uma espingarda na cozinha
- Com que desplante falar do mais além?

Alguém passa a contar pelos dedos
- Como falar do não eu sem dar um grito?

César Vallejo
(tradução de José Bento)



Os Arautos Negros

Erguem-se visagens fúnebres do lábio
como batráquios terríveis na atmosfera.
Pelo Saara azul da Substância
caminha um verso cinza, um dromedário

Fosforesce um esgar de pesadelos cruéis.
E o cego que morreu repleto de vozes
de neve. Madrugar o poeta, o nómada,
é um dia áspero para ser homem.

As Horas seguem febris e abortam
nos ângulos rubros séculos de ventura.
Quem corta o fio, quem desfaz
impiedosamente os nervos,
cordéis já gastos, na tumba?

Amor! E tu também. Pedras gastas
se delineiam na tua máscara que se rasga
Contudo, a tumba é
um sexo de mulher que conquista o homem!

César Vallejo
(tradução de Jorge Henrique Bastos)

sábado, 10 de novembro de 2007

Sugestões para os próximos dias


11 de Novembro (domingo):


LISBOA – Poesia na Fábrica Braço de Prata
1h – Sala Nietzsche: André Gomes lê Pablo Neruda.
Entrada livre
A Fábrica Braço de Prata fica junto ao Poço do Bispo e o site, aqui.



13 de Novembro (terça-feira):


PORTO – Apresentação de Livro de Poesia
Pelas 22 horas, no Clube Literário do Porto, apresentação do livro de Poesia "Meu Coração" de Carla Martins.
A apresentação será feita por Maria Helena Padrão.
O Clube Literário do Porto fica na Rua Nova da Alfândega, 22 (Porto).



14 de Novembro (quarta-feira):


LISBOA – Volte-Face
Nova performance Volte-Face, no encerramento do Festival Número-Projecta’07, pelas 21:15h, no Cinema Quarteto (Sala2).
Um espectáculo com declamação de poesia, música, vídeo, multimédia e dança contemporânea.




LISBOA – Festival de Literatura Irlandesa
O Festival da Literatura Irlandesa é um caloroso tributo a poetas, romancistas e dramaturgos da Irlanda, mas pretende dar também testemunho do contínuo fascínio que a cultura irlandesa tem exercido sobre criadores portugueses em âmbitos tão diversos quanto a literatura, o teatro, o cinema ou a música, construindo-se assim, pelas artes, laços de união, sólidos e duradouros, entre as nossas duas culturas. Ao longo de três dias - 14, 15 e 16 de Novembro -, será acolhida a Irlanda contemporânea através da leitura (e tradução) de poemas, de debates e encontros com escritores, encenadores e críticos, da música de tradição popular, de espectáculos teatrais e de visionamentos de filmes.
Hoje, 14 de Novembro, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa:
Encontro com o poeta Derek Mahon. Leitura de seis poemas de Derek Mahon, traduzidos por Rui Carvalho Homem, por Pedro Mexia. Traduzir poesia: conferência por Hélia Correia. Às 20h30, serão de música irlandesa por Teresa O'Donnell e David Creevy (entrada gratuita).
Programação completa, marcação de entrevistas e informações gerais: Silvia Grasberger (silvia.grasberger@dfa.ir); 21.3929447 / 91.4779106


15 de Novembro (quinta-feira):


LISBOA – Stand-up de poesia erótica e satírica
“De boas erecções está o Inferno cheio, stand-up show com Dick Hard”
Dick Hard volta à carga num palco com nome mais do que honroso: Bocage.
Em Novembro, o Teatro Bocage (www.TeatroBocage.com), na bem lisboeta zona da Graça, perto do miradouro da Senhora do Monte, leva para cima do palco um verdadeiro diabo.
Dispam-se de preconceitos e vão até ao Teatro Bocage nas noites de quinta-feira, em Novembro (dias 15, 22 e 29).
Reservas de bilhetes para o endereço electrónico mail@TeatroBocage.com; ou para os telefones 21 478 81 20 ou 91 760 30 39.
O Teatro Bocage situa-se na Rua Manuel Soares Guedes, 13 A.



LISBOA - Apresentação de Livro de Poesia

Hoje, 15 de Novembro, na Casa Fernando Pessoa, terá lugar pelas 19 horas a apresentação do livro "dovoar" de Vasco Pontes (Pé de Página Editores). A apresentação contará com a participação de Glória de Sousa e Licínia Quitério.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16, em Campo de Ourique.




LISBOA – Convívio Poético no Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2007
Quintas, 16h-18h
Informações Úteis: 213 973 717
O Café Martinho da Arcada fica na Pç. do Comércio, 3
Telefone: 21 887 92 59/21 886 62 13; Fax: 21 886 77 57


16 de Novembro (sexta-feira):


PORTO - Apresentação de livro de Poesia

Hoje, 16 de Novembro, terá lugar, pelas 21h30, na Livraria Index, a apresentação do livro de poesia "E como ficou chato ser moderno" (Livrododia Editores) de Luís Filipe Cristóvão, com a presença do autor.
Luís Filipe Cristóvão nasceu a 24 de Fevereiro de 1979 em Torres Vedras.
É pós-graduado em Teoria da Literatura, pela Universidade de Lisboa e frequentou a especialização em Edição de Livros na Universidade Católica de Lisboa.
Profissionalmente, é gestor editorial e livreiro.
É autor dos livros Registo de Nascimento (2005) e Pequeña Antología para el Cuerpo (Espanha, 2007).
O blogue do autor pode ser visitado aqui.
A Livraria Index situa-se na Rua D.Manuel II, 320 (junto ao Jardim do Palácio de Cristal), no Porto.



ALCOCHETE - Espectáculo de Poesia "A Ver o Mar"


Hoje, 16 Novembro (Dia Nacional do Mar), a Andante apresenta o espectáculo "A Ver o Mar", um espectáculo de poesia sobre o Mar, pelas 21h30, no Fórum Cultural de Alcochete.
A entrada é livre e a lotação limitada a 60 lugares. É necessário reservar lugar através do telefone 21 234 96 40.
O site da Andante fica aqui.


17 Novembro (sábado):


CALDAS DA RAINHA - Espectáculo de Teatro sobre Poesia "À volta da língua"


Hoje, 17 de Novembro, a Andante apresenta o espectáculo "À volta da língua", na Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha, pelas 16 horas, integrado no programa de itinerâncias da DGLB.
Trata-se de um espectáculo de teatro sobre a poesia portuguesa, a partir de textos exclusivamente de autores de língua portuguesa, dando uma leitura diferente a esses textos. Mostrando-os na sua forma, no seu conteúdo, na sua sonoridade. Evidenciando a língua portuguesa como língua viva: como os autores contemporâneos foram buscar as suas referências formais e de conteúdo a autores mais antigos e como partindo dessas referências a língua se desenvolveu e continua em transformação. Tentando mostrar como a reinvenção da língua é um acontecimento quotidiano, não só em Portugal, mas também em outros países onde se fala o português.
O site da Andante fica aqui.


PORTO - Apresentação de Livro de Poesia


Terá lugar, no Auditório do Clube Literário do Porto, hoje 17 de Novembro, pelas 21h30, a apresentação do livro «A luz das pequenas coisas» do poeta Hugo Santos.
A apresentação será feita por Jorge Lino.
Hugo Santos é poeta, contista, romancista e professor. Recebeu, entre outros, o Prémio de Poesia Mário Viegas, o Prémio Miguel Torga (romance), o Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca e o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama.
Depois da apresentação, haverá uma tertúlia poética.
O Clube Literário do Porto fica na Rua Nova da Alfândega, 22 (Porto).

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Os vossos poemas



Como prometido, aqui estão os vossos poemas sobre o Mar.
Desta vez há uma novidade: a título excepcional, em vez de um, foram gravados dois poemas em áudio pelo locutor Luís Gaspar.
Isto porque o poema escolhido é da poetisa Ana Luísa Amaral, que gentilmente participou neste desafio, e achei que deveria ser contemplado mais um outro poema, de um poeta amador.
Para vosso (e meu) deleite, e com o meu profundo apreço pela vossa empenhada participação — este foi o desafio mais participado até agora — eis os vossos poemas com cheiro a maresia:


Amordilhas

Não deites ao mar armadilhas,
nem o queiras amordaçar.
Já lá vai o tempo das marés
e do vaivém das ondas,
ambas fíeis ao exílio das vozes
presas em búzios brancos.

E se hoje navegas pelas dunas
é porque a desfortuna
nos trouxe de mares distintos,
e de horizontes peculiares.
Só o meu orgulho — onde poisa a pátria —
navega serenamente,
e muito exactamente
a um metro sessenta e sete do nível do mar.

Sempre te disse: sou atlântica.


Cristina Pires


***


Em alto mar

Sou barco no alto mar.
Desfaço-me da carga
Supérflua para não naufragar.
Deito fora os caixotes cheios de nada,
As molduras já sem sentido,
A mágoa das dores passadas,
As memórias enferrujadas...
Sou barco no alto mar,
Tenho o ânimo da descoberta
De ilhas exóticas de beleza sem fim,
De mares de azul turquesa,
Da fruta madura a adoçar-me os lábios
E da música dos pássaros a embalar-me o sono.
Sou barco em alto mar,
Com determinação, com rumo,
Com nível e com prumo!


Carla Mondim


***


Canções de mares

Medonhas saudades dos mares,
e dos teus sonhos, desenhos meus
nas margens do Tejo, olho São Paulo
inverto os dias e as latitudes
e banho este papel no tempo,
em teu sal corro como água doce,
nos nossos corpos entrelaçados
no prazer das peles ardentes
criámos ventos secretos
assim desconcertados conversamos,
ouvimos os ecos de quem nos dizia
"E, afora este mudar-se cada dia"


Constança Lucas


***


Beira mar

Imenso espelho de água aonde me revejo e prolongo
Caminho entre o céu e o mar entre a realidade e o desejo
Sou a permanente interrogação de todos os sentidos
As respostas ecoa-as o mar e apenas as canto sem nada perceber.

Sob os meus pés a água fria a areia ardente o céu que brilha
Não caminho sou a génese de todas as dúvidas
A razão de ser dum mundo que precisa dos grandes espantos
Para que faça sentido o dia suceder-se à noite o mar ao céu

E no mais mágico espelho de todos os sonhos
Interrogo o Sol as nuvens ou o deus mais escondido
Quem é o ser mais importante na imensidão da Terra?
E desespero na vaga melodia das respostas encriptadas.


J. Caldas


***


Foi a ver o mar que me perdi.
E, desde então,
nunca mais voltei.


Joaquim Alves


***


Perfumes nocturnos

Beber
nos teus lábios
o licor da manhã
numa ânfora
de prata

tatuar a pele
com saliva e cera
num rastilho de fogo

dormir
nos teus ombros
transfigurar-me

no perfume de flores
mel
e maresia.


António João Mito


***


Labirintos

passamos as línguas pelos cactos das dunas
bebemos o mar inspiramos nuvens de areia
fumamos as horas
convulsas e alucinadas
fazemos dos olhos espelhos de vidro
numa espera inquieta

apagamos o sol do rosto
mordemos os dedos frágeis
e a grandeza das almas sonâmbulas
despimos a pele enrugada
sugamos o veneno do silêncio das bocas
selamo-las com longos beijos amargurados

recolhemos ao túmulo das constelações
rasgamos a lua da alvorada
num fogo que queima e se expande em torrentes de pânico
até ao lugar dos romances da perdição
dos vestígios de tinta

não conhecemos ninguém. nem o mundo...

caímos no sono. o rasto do riso corre-nos os lábios
débeis trémulos belos
portas de um templo que se abre ao desejo
à invasão de outras línguas

então
dizemos coisas impossíveis. Frases que juntam
dois corpos num só corpo
amamos em recantos vultos de sombra húmida
tacteamos as formas

e a solidão vêem cobrir-nos de veludo
pelo perfume da noite.


António João Mito


***


Quis dizer-te...

Quis dizer-te: a lua é uma pérola
encastrada num céu de diamantes

quis dizer-te: o mar é um espelho
emoldurado pela solidão das praias

quis dizer-te: dá-me a liberdade
do teu sorriso molhado
e escrever os nossos nomes na areia
com a ponta dos dedos

quis dizer-te tanto...

o canto dos búzios, das sereias,
quando o vermelho do sol
morria nas ondas
e o meu olhar navegava
naquele veleiro surreal,
na imensidão
e na frescura das manhãs
a iluminar de azul e turquesa
as falésias escavadas pelo tempo.


António João Mito


***



O Murmúrio do Mar

A noite estava instalada,
A cidade adormecia,
Embalada por um som de fundo,
Trazido por um vento manso,
Apaziguado de sua ira.

Eu apurava os sentidos e ouvia,
Tinha mesmo quase a certeza,
Era o murmúrio do mar,
Quase não se escutava,
De tanta tristeza ele padecia.

Ágil, porque algo me intrigava,
Corri para junto do mar,
Para lhe levar minha alegria.
Escutei os seus segredos,
Atentei a seus lamentos,
Vivemos momentos intensos,
De cumplicidade e partilha.

Foi amor à primeira vista,
O que entre nós ali acontecia.
Tanto ele me cativou,
Com seu mistério e encanto,
Que selámos um pacto,
Seria o mar doravante,
Meu eterno namorado.

Hoje, companheiros inseparáveis,
Para o que nos reste da vida,
Sempre que escuto um murmúrio,
Em jeito de desabafo,
Desato logo a correr,
Para secar as lágrimas ao mar,
Para sua tristeza desvanecer.

E neste ritual nos cumprimos,
Dá-me o mar um beijo intenso e molhado,
Dou-lhe eu a carícia suave de um sorriso,
E ficamos os dois num instante,
De novo muito, muito felizes!


Beatriz Barroso


***


Poema lançado ao mar

Fiz de minha vida um poema,
Peguei nele e lancei-o ao mar,
Para que ele me lavasse as tristezas,
Que já não consigo transportar.

Fiz de minha vida um mar aberto,
Para lá poderes navegar,
Não quero enclausurados meus segredos,
Quero que os venhas tu desvendar.

Fiz das minhas lágrimas um sorriso aberto,
Aprendi a lição com o mar sereno,
Quando por suas vagas e tormentas,
Não se deixa ele desinquietar.

Fiz uma prece a Deus,
pedindo-lhe que me dê uma força idêntica à do mar,
deu-me o mote o rio que por querer aumentar o caudal,
pede à chuva que o ajude a lá chegar.

Navego agora neste horizonte sem medo,
E no mar confio,
Para eu te poder encontrar ...


Beatriz Barroso


***


I

Entre uma tríade de amor -
da areia, do mar e do vento,
sereia eu me invento,
para poder meu sentimento,
a ti fazer chegar.

Faço de minha poesia o meio,
vivifico em meu ser a força,
que me foi oferecida pelo mar,
ao dar-me o seu abraço forte,
e que em si me deixa inspirar.

É este poema que eu quero,
que um dia possas recordar,
tal como o mar quotidianamente,
vai dar um beijo à areia,
porque sem ela não pode passar.

São estas as palavras,
que peço encarecidamente ao vento,
que te possa aí levar,
para que sintas a premência,
em que me traz este tempo,
de meu amor por ti se denunciar.

E sem sofisma eu te revelo,
querer ser a sereia,
daquele mar chamado Índico,
que minha inspiração norteia,
e que a todo o tempo me tenta,
a criar mil uma maneira,
para por ti eu me inventar.


Beatriz Barroso


***


II

Vivo ancorada nesta praia,
voltada para o Índico,
esse mar que me traz
diariamente o seu abraço,
e por quem me deixei encantar.

Assim vivo também saudada
pela areia dourada,
na qual ele no seu vai-vém
seu amor deixa espraiar.
Pois este mar amigo,
por ela se deixou cativo .

Entre os dois areia e mar,
vivo infinitamente feliz.
Vem um ou outro dia,
de sufoco e de temor ,
quando o vento aparece,
com seu mau feitio,
solta sobre nós seu lamento,
e esta ordem vem perturbar.

Larga o vento seu desespero,
mordido pelo ciúme,
vem vestido de negro,
a cor que traz o azedume,
de semblante carregado,
lança em nós seu mau olhado,
com o propósito de nos inquietar.

Solta o vento seus ímpetos,
porque quer brincar com a areia,
sonha despentear-lhe os cabelos,
com ela também namorar.
Entre esta tríade me invento,
irrepreensivelmente fiel e leal,
só a meu amigo mar.

Tomo por ele inequivocamente o partido,
sem muito me querer denunciar.
Dizendo-lhe em segredo,
para o vento não me escutar,
que pode contar comigo,
pois que eu o quero ajudar.

Vem então o mar alvoraçado,
suas mágoas me entregar,
trazidas pelos salpicos das lágrimas,
que soltou do seu olhar.
Ofereço-lhe o meu sorriso,
para seu tormento apaziguar,
Dou-lhe também o carinho,
que guardo só para ele no peito,
com o fim de o poder acalmar.

Vejo agora o mar sereno,
de sua dor já liberto.
Deixou o mar a dor comigo,
Ó mar, eu dou-te abrigo,
Mas consente ouvires o meu grito,
quando eu de ti precisar.


Beatriz Barroso


***


Sentir...

... o Mar, ontem, inesperada, gostosamente, trouxe-me de volta a mim...
Senti-lo de um jeito diferente... Mais sentido... Um fascínio completo, quase vital...
Hoje, ainda a brisa marítima a balançar-me o corpo, tão latente... Sol, brisa, côr, luz, energia, querer, vontade, emoção e uma alegriazinha secreta a bailar-me no coração...
Azul e branco,mescla translúcida, horizonte de liquido manso no mais longínquo onde o meu olhar avista, inequivocamente bravio quando aporta, tão sobriamente, nos rochedos, mesmo lá em baixo...
Regressei a mim, a sentir-me mais, a viver segundo a segundo, saboreando a ventania e o vôo das gaivotas que ali, naquele pedaço de azul e branco de céu pairam...
Hoje, ainda a sentir-me de Mar, ainda a saborear o odor da brisa húmida e a convicção de eu estar em mim... Penso, reflicto na maravilha que só o Mar é, em qualquer maré, de todas as Estações do ano...
Na memória tão recente, sinto ainda o afago de ternura, silencioso... E o sorriso presente, de cumplicidade e alegria... São os pequeninos gestos, os tão indeleveis pormenores do quotidiano que me aquecem o coração e me doiram os dias...
Voltar a sentir doçura e energia, as que apenas o Mar contém... Recordar agora sorriso, olhar, toque e sensação e todo o azul e magia do Mar... Regresso a mim, renovada e a sentir um agradecimento desmedido por estar viva!

Dina Costa


***


E de seguida, os poemas que foram seleccionados para serem gravados em áudio:


Penélope fala a Ulisses, ou outras falas

1.

Cala-te, tu,
de voz de azul harpia
e deixa-me que eu ouça outra vez o Egeu,
as ondas sufocadas,
as sereias cantando,
e um riso que foi meu junto de tanto mar

Deixa que ouça outra vez a sua voz
e silencia o tom de azul harpia,
agora,

que o meu amigo fala,
e a memória que dele se desprende
só me pode rimar com o que tenho agora
e é demais conhecido ao longo desta língua,
a minha língua que não é de Egeu,
mas de outro mar mais largo


2.

Deixa-me que registe
por dentro da memória
a sua voz,
que com ela me cheguem
mil Cretas e soluços de sereias,
Minotauros brincando pela praia,
livres como meninos
em castelos de areia e labirintos

Deixa-me a sua voz,
tu, a de azul harpia,
revisitados montes sem idade
nem tempo para amar

3.

Por isso, ao meu amigo, lhe fala a minha língua
de saudade
— rimando no meu mar com o seu mar,
que é outro e tão diferente
e em tempo tão diferente
do azul, que até à exaustão
cantei

Por isso, ao meu amigo, lhe fala
a minha língua de saudade:
de janelas de sol emolduradas em solidões
diferentes,
mas sempre e ao mesmo tempo
e neste bastidor:
a solidão igual –


Ana Luísa Amaral
(poema inédito, que será incluído no seu próximo livro)




***


Morrer devia ser assim:

lavar a cara com areia fina
e mergulhar no mar adormecido.

Joaquim Alves




------------------------
Obrigada a todos. Estão todos de parabéns. Esta elevada participação e a qualidade do que me enviam reforça a minha vontade de voltar a este espaço aberto. Obrigada também ao locutor Luís Gaspar pela generosidade.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Sugestão da Andante para esta semana


Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen



Voz: Cristina Paiva; Música: Goran Bregovic; Sonoplastia: Fernando Ladeira


Próximos espectáculos da Andante:

7 de Novembro:
"Às escuras, o amor"
Na Biblioteca Municipal da Mealhada
Cine-Teatro Messias, pelas 14.30h
Integrado no programa de itinerâncias da DGLB

9 Novembro:
"Às escuras, o amor"
Junta de Freguesia de S. Francisco - Alcochete, pelas 21.30h
Promoção da leitura nas freguesias de Alcochete

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Lançamento e Recital

















Na próxima terça-feira, 6 de Novembro, pelas 19 horas, no Museu do Chiado, terá lugar o lançamento do livro de poesia "Paixão ou A Batalha Contra as Sombras" de Ricardo Belo de Morais.
A apresentação estará a cargo dos prefaciantes Mafalda Arnauth e Carlos Pinto Coelho.
Haverá também um recital de poesia do livro dita pelos actores Irene Cruz e Paulo Nery e pelo Grupo de Jograis "U...Tópico".

Obra de Miguel Torga em debate no Instituto Cervantes


A obra de Miguel Torga será tema de uma mesa redonda, no próximo dia 5 de Novembro, no Instituto Cervantes, em Lisboa.
"Miguel Torga, cidadão do mundo" é o titulo da homenagem que o Instituto Cervantes vai prestar ao autor, onde participarão Teresa Ritta Lopes, António Campos Muñoz e actriz Maria do Céu Guerra (que lerá poemas de Torga).
Terasa Ritta Lopes abordará a obra de Torga como "cidadão da Ibéria", e Campos Muñoz, da Universidade de Granada, falará da presença da medicina na obra de Torga.
Esta iniciativa, a que assistirá a filha do escritor Clara Crabbé Rocha, é uma forma do Instituto se associar às comemorações do centenário do nascimento do poeta.






Na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 9 de Novembro, a partir das 21.30h, terá lugar o lançamento do livro de poesia "As Mulheres Bonitas Não Viajam de Autocarro" de João Villalobos (editora Arbusto). A apresentação será feita por José Mário Silva.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Estreia hoje




“De boas erecções está o Inferno cheio, stand-up show com Dick Hard”

Em Novembro, o Teatro Bocage (www.TeatroBocage.com), na bem lisboeta zona da Graça, perto do miradouro da Senhora do Monte, leva para cima do palco um verdadeiro diabo, com um stand-up de poesia satírica e erótica.
Dispam-se de preconceitos e vão até ao Teatro Bocage nas noites de quinta-feira, em Novembro (dias 1, 8, 15, 22 e 29).
Podem fazer as reservas de bilhetes para o endereço electrónico mail@TeatroBocage.com; ou para os telefones 21 478 81 20 ou 91 760 30 39.
O Teatro Bocage fica na Rua Manuel Soares Guedes, 13 A.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007


"As Mensagens da Mensagem - O Desvendar dos Mistérios"
A Mensagem de Fernando Pessoa, anotada e comentada
Autor: Nuno Hipólito
Formato: Livro + CD-ROM com texto integral em PDF
Editora: Parceria A. M. Pereira

Nuno Hipólito (o nosso já conhecido autor do site ”O Major Reformado” e do blogue ”Um Fernando Pessoa”) acaba de editar o livro "As Mensagens da Mensagem", pela Editora Parceria A. M. Pereira. Trata-se de uma edição especial da Mensagem, anotada e comentada, com análises profundas a nível estilístico, de conteúdo, e mesmo análise, estrofe a estrofe, do livro mais conhecido de Fernando Pessoa. Este livro vem com um CD-ROM, com a versão em PDF integral do texto.
Em conjunto com este livro, a Editora lançou uma edição fac-simile da 1.ª edição da Mensagem, que foi precisamente lançada pela A. M. Pereira em Dezembro de 1934.

Grande estudioso da obra de Fernando Pessoa, Nuno Hipólito criou em 2002 o site “O Major Reformado”, onde ia fazendo análise dos poemas de Fernando Pessoa. Como resultado, foi recebendo perguntas e pedidos de análise de outros poemas, sobretudo de estudantes portugueses e brasileiros, e, ao fim de um tempo, percebeu que já tinha perto de uma dezena de poemas analisados. Meteu mãos à obra, reuniu o material todo, reviu-o, complementou-o, fez um livro e colocou online “As Mensagens da Mensagem”. Daí à edição em livro, foi um pequeno passo.
Votos do maior sucesso para este projecto do Nuno Hipólito!

sábado, 27 de outubro de 2007

Na estante de culto







Poemas de Mário Cesariny
ditos por Mário Cesariny
Assírio & Alvim/Sons, 2007
CD audio gravado e masterizado por Paula Albuquerque e Vasco Pimental



A Assírio & Alvim lançou em Agosto deste ano esta colectânea de poemas de Cesariny lidos pelo próprio poeta numa gravação feita em sua casa poucos meses antes de morrer.
São 34 poemas gravados em três domingos de Maio e Junho de 2006, e foi o próprio Cesariny que os escolheu de três livros seus: «Cidade Queimada», «Pena Capital» e «Manual de Prestidigitação».
Na capa, uma pintura também de Cesariny, de 1948.
Uma pérola imprescindível em qualquer estante de culto.


exercício espiritual

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora


sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Latinale




O Latinale, já em segunda edição, é um festival itinerante que reúne jovens poetas da América Latina para os divulgar na Europa.
Do Brasil irão participar os poetas Carlito Azevedo e Angélica Freitas, junto com outros dez autores de países hispânicos.
O evento começa em Berlim no dia 27 de Outubro e no dia 30 a "caravana lírica" parte para uma jornada com paragens em Colonia, Potsdam e Leipzig, terminando no dia 7 de Novembro na Kulturhaus (Casa da Cultura) de Hamburgo.
Um dos critérios de selecção deste ano voltou a ser a vontade de apresentar uma multiplicidade de vozes, tanto no aspecto formal quanto temático, além de divulgar as novas tendências da poesia latino-americana.

Mais informações, aqui.






"Onde fica o sítio que nos faz falta?", o novo livro de poesia de Mário Bruno Cruz (Teorema) será apresentado na Casa Fernando Pessoa por António Cândido Franco e Jorge Leandro Rosa, no próximo dia 31 de Outubro pelas 18h30.

"Se a vida é um desenho como desenhá-la? Como um desenho fugaz? Como uma imagem que se apreende entre o olhar e o ser visto? ... Perdendo-nos e mantendo-nos em contacto com a realidade. Decifrando as folhas do Outono. Desenhando rios nesses vales que descortinamos, daqui, lá no fundo. Estendendo os nossos limites físicos, o que nos faz hesitar quando nos propõem uma simples aparição num círculo ou numa praia escondida pelas falésias. Se o assunto da arte não é a arte, é a ausência da arte ... mas se se alimenta das origens de tudo ...?! Talvez possamos encontrar alguma forma que ainda não tenhamos visto ..." Mário Bruno Cruz

quinta-feira, 25 de outubro de 2007










No decurso das comemorações do centenário do nascimento de Guilherme de Faria, terá lugar, no próximo sábado, 27 de Outubro, pelas 16 horas, no Clube Literário do Porto, mais uma apresentação da antologia "Saudade Minha" de Guilherme de Faria.
Com as seguintes intervenções:
A redescoberta de Guilherme de Faria, por José Rui Teixeira
Guilherme de Faria e a outra Saudade, por Fernando Guimarães
Haverá ainda leitura de poemas e um Porto de honra.

O Clube Literário do Porto fica na Rua Nova da Alfândega, 22.
Mais informações em: http://guilhermedefaria.blogspot.com

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Na estante de culto



António Ramos Rosa
Antologia Poética
Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes
Publicações D. Quixote, 2001

Falar de Ramos Rosa é falar de um dos maiores poetas portugueses contemporâneos e o que mais tem publicado desde os finais dos anos 50. Não é por acaso que a maior parte dos livros de Ramos Rosa esgota pouco tempo depois de terem sido editados. Ele é o nosso círculo aberto, o nosso grito claro, a nossa figura solar. Com ele aprendemos a amar as palavras de vogais abertas (como as de Sophia) e a encontrar uma nova matéria do real num poema. Ramos Rosa alterou a nossa poesia desde os anos 70. Amou a poesia como a uma mulher. Pintou-a em palavras e reinventou-a, por entre clarões e sombras, expandindo-a a todo o espaço e a toda a matéria, através de um erotismo mediado pelo corpo da mulher, pelo corpo da terra, pelo corpo da própria palavra. Tornou-se desde cedo e continua sendo o nosso Poeta em Construção.

Nesta antologia poética das Edições D. Quixote, editada em 2001, Ana Paula Coutinho Mendes seleccionou com mestria cerca de duas centenas de poemas de Ramos Rosa, permitindo-nos uma visão alargada e cronológica da sua obra, desde o subjectivismo inicial ao cultivo puramente objectivo, aos elementos neo-realistas, surrealistas, neo-clássicos, neo-barrocos...


António Víctor Ramos Rosa nasceu em Faro, em 1924. Nos anos 50, altura em que era apenas conhecido como crítico literário e ensaísta, foi fundador e/ou co-director das revistas literárias "Árvore", "Cassiopeia" e "Cadernos do Meio Dia", tendo também colaborado em diversas publicações francesas, espanholas e brasileiras. É com a publicação do livro "Grito Claro" que se torna conhecido como poeta.
Organizou e prefaciou várias antologias e traduziu também algumas obras.
A sua poesia figura em inúmeras antologias estrangeiras, nomeadamente na Europa e América Latina.
A sua obra tem sido reconhecida publicamente, e a comprová-lo está a crescente acumulação de prémios relacionados com a sua actividade e os recitais que são realizados com os poemas do autor. O seu nome também já foi apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
Prémios ao autor:
Prémio da Bienal de Poesia de Liége, 1991
Prémio Jean Malrieu para o melhor livro de poesia traduzido em França, 1992
Prémios à sua obra:
Prémio Nacional de Poesia, da Secretaria de Estado de Informação e Turismo (recusado pelo autor), 1971 (Nos seus olhos de silêncio)
Prémio Literário da Casa da Imprensa (Prémio Literário), 1972 (A pedra nua)
Prémio da Fundação de Hautevilliers para o Diálogo de Culturas (Prémio de Tradução), 1976 (Algumas das Palavras: antologia de poesia de Paul Éluard)
Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia, 1980 (O incêndio dos aspectos)
Prémio Nicola de Poesia, 1986 (Volante verde)
Prémio Jacinto do Prado Coelho, do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, 1987 (Incisões oblíquas : estudos sobre poesia portuguesa contemporânea)
Prémio Fernando Pessoa, 1988 (Viagem através duma nebulosa)
Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 1989 (Acordes)
Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa (Prémio de Poesia), 1992 (As armas imprecisas)
Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (Prémio de Poesia), São João da Madeira, 2005 (O poeta na rua. Antologia portátil)
Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 2005 (Génese seguido de Constelações)
Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia, Lisboa, 2005 (Génese seguido de Constelações)
Prémio de Poesia Luís Miguel Nava, 2006 (Génese seguido de Constelações)



Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


Na voz de Luís Gaspar:


A palavra

A palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anémona
sobre uma cabeleira. Por vezes é uma estrela
que projecta a sua sombra sobre um torso.
Ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. Rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
Toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
É sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.


Na voz de Luís Gaspar:





É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso




Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

Casa Grande


"Casa Grande" é o primeiro livro de poesia de Sofia Pinto Correia Melo (Quasi Edições) que será apresentado no próximo dia 26 de Outubro, às 18:30h no Palácio do Beau Séjour (Estrada de Benfica 368, Benfica).
A apresentação estará a cargo de Gonçalo M. Tavares (vencedor do Prémio Camilo Castelo Branco).

Enquanto sobrevoo o quarto
cai o estuque
cai a chuva miúda
no soalho

em cima da cama grande
ainda o casaco

o chapéu

as luvas

a fotografia e a rosa

no espelho

o fio do colar rebentou-se e as contas verdes

brilhantes espalharam-se

no soalho

no tapete de flores vermelhas.



Sofia Pinto Correia Melo nasceu em Lisboa, em 1968.
É licenciada em Marketing pelo IADE. Possui também o curso de Design de Moda, com especialização em Audiovisuais de Moda no IADE e ainda o curso de Modelagem Industrial, pelo CIVEC.
Profissionalmente, dedicou-se, de 1989 a 1999, à "acessorização" de moda, em desfiles, revistas e colecções de designers e marcas de moda portuguesas. Desde 1998 que acompanha a gestão de um estabelecimento familiar. Actualmente, desenvolve o projecto de artesanato Casassombrada.
Na área da pintura, fez o curso de formação artística na Sociedade Nacional de Belas Artes. Tem exposto individualmente com regularidade, desde 2003.

sábado, 20 de outubro de 2007

Novidades Antígona




No ano em que se completam 250 anos sobre o nascimento de William Blake (1757-1827), a Antígona junta-se às comemorações com a publicação de Cantigas da Inocência e da Experiência, uma edição especial que inclui um extenso e completo ensaio de Manuel Portela e a reprodução integral das gravuras.

William Blake foi o primeiro dos grandes poetas Românticos ingleses, mas também pintor, impressor, e um dos maiores gravadores da história inglesa.
No dia do seu nascimento (28 de Novembro), aqui será lembrado.

Encontro de Poesia em Salamanca

O X Encontro de Poesia Ibero-americana, organizado pela Fundação Salamanca Cidade de Cultura, homenageia desta vez o escritor brasileiro Álvaro Alves de Faria.
O encontro decorrerá nos próximos dias 26 e 27, e nele participarão 13 poetas de 9 países, (entre os quais o poeta português Jorge Fragoso).
O coordenador deste evento é o poeta peruano Alfredo Pérez-Alencart.
A leitura de poemas terá lugar no salão de recepções da Câmara Municipal e começará com a participação de Álvaro Alves de Faria (Brasil), Pío Serrano (Cuba) e José María Muñoz Quirós (Espanha). Neste encontro estarão ainda presentes Verónica Amat, Carlos Aganzo, Helena Villar e Jordi Doce (Espanha), Jorge Fragoso (Portugal), Luis Alberto Ambroggio (Argentina), Julio Espinosa (Chile), Alvaro Mata (Costa Rica) e Mario Alonso (México).




Álvaro Alves de Faria é um dos nomes mais representativos da geração de poetas que se formou nos anos 60 na poesia do Brasil. Nasceu em São Paulo em 1942. Além de livros de poesia é autor de romances, ensaios literários, peças de teatro e livros de crónicas e entrevistas.
A sua obra está traduzida em francês, servo-croata, inglês, espanhol, italiano e japonês.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

1º Encontro de Escritores em Torres Vedras




Organização: Académico de Torres Vedras
Produção: Livrododia, Editores e Livreiros
Apoios: Fundição Dois Portos, Câmara Municipal de Torres Vedras, Hotel Império

Este Encontro de Escritores de Torres Vedras que se realizará nos próximos dias 26 e 27 de Outubro, terá leituras para crianças, apresentações de novos autores e de livros, debates, enfim... tudo em torno dos livros e dos escritores.
Mas... haverá também uma Noite de Poesia! Será no dia 26, pelas 21 horas e a declamação estará a cargo de Luís Filipe Cristóvão, Ozias Filho, Mário Lisboa Duarte e Rute Mota, na Livraria Livrododia – Centro Histórico (Praça Machado Santos, n.1-4 R/c - Torres Vedras)

Mais informações, aqui:
www.milnove79.blogspot.com
www.livrododia.com.pt
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"Paixão ou A Batalha Contra as Sombras" é a primeiro livro de poesia de Ricardo Belo de Morais (Editora Via Occidentalis), uma colecção subversiva de 80 poemas, com alma livre e coração exaltado, divididos por quatro secções, resultantes da decomposição do título. A fadista Mafalda Arnauth e o jornalista Carlos Pinto Coelho assinam, em conjunto, o prefácio. A ilustração de capa é de José Fragateiro.

“Paixão ou A Batalha Contra as Sombras” encontra-se no blogue http://paixaoextra.blogspot.com que apresenta, em antevisão, alguns poemas da obra, excertos do prefácio e inéditos, de acesso livre até 7 de Novembro, data em que o livro estará disponível nas livrarias.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007




O novo livro de poesia de Fernando Pinto do Amaral,
"A Luz da Madrugada"

(D. Quixote) terá uma sessão de apresentação em Lisboa, no próximo dia 29 de Outubro, pelas 18:30h, na LIvraria Bulhosa de Entrecampos.
O livro será apresentado por Fernando Martinho.

Prémio Ramos Rosa para Nuno Júdice




O poeta Nuno Júdice, venceu o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, pelo livro «As coisas mais simples», editado no ano passado pela D. Quixote.
O prémio, com o valor de 5000 euros, será entregue sexta-feira na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, em Faro, durante um recital integrado em “Faro, Capital dos Poetas e da Poesia”, a decorrer até domingo.
Nuno Júdice é professor catedrático de Literatura Portuguesa e tem vários livros publicados.
Já recebeu vários prémios, como o D. Dinis (da Casa de Mateus) Bordalo (da Casa da Imprensa), o do Pen Clube e o Fernando Namora, em 2005, pelo livro “Um anjo da tempestade”.
No próximo ano, Nuno Júdice promete editar um novo livro de poesia em que está a trabalhar.
Após um interregno de seis anos, a Câmara de Faro decidiu relançar este ano o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, com o objectivo de premiar um livro em português, de autor português, publicado integralmente em primeira edição em 2006.
Este prémio já foi entregue, em 1999, a Fernando Echevarria e, em 2001, integrada no Festival de Poesia Internacional de Faro, a Fernando Guimarães.

Novidades Intensidez




"Hangares do Vendaval"

Autor: Luís Serguilha
Projecto intertextual e posfácio: Jorge Luiz Antonio

Hangares do Vendaval são abrigos das palavras / poesias / experimentações poéticas. Os abrigos das palavras-vendavais que compõem a tessitura poética de Luís Serguilha: vários compartimentos de onde surge a sua comunicação poética, num projecto experimental de poesia contemporânea. Cada compartimento-hangar-poesia abriga vendavais compostos de grupos de palavras enfeixados em campos semânticos que, tal como o título do livro, são paradoxos, um tipo especial de metáforas. Hangares do Vendaval oferece ao leitor uma leitura-jogo: ele tem a liberdade de se ater a um grupo de palavras e entusiasmar-se em redescobrir associações ou círculos semânticos a partir daí. [in posfácio]

O livro realiza um diálogo intertextual com dezasseis infopoemas de E. M. de Melo e Castro

Mais informações, aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Rosa Intacta

















Terá lugar na Livraria Bulhosa de Entrecampos, no próximo dia 20 de Outubro às 17 horas, a sessão de apresentação do livro "A Rosa Intacta", da autoria de António Ramos Rosa (editora Labirinto).
A obra será apresentada pela escritora Maria Teresa Horta, culminando a sessão com a leitura de poemas pela actriz Eugénia Bettencourt.

"A Rosa Intacta", reúne poesia de temática erótica e desenhos do próprio autor, com arranjo gráfico do artista Plástico Júlio Cunha e coordenação editorial da escritora Maria do Sameiro Barroso.
António Ramos Rosa nasceu em Faro, a 17 de Outubro de 1924, e vive em Lisboa, desde 1962, tendo já publicado mais de 50 títulos. Confirmando a importância do seu percurso literário e o rigor do seu trabalho poético, foi-lhe atribuído, em 1988, o Prémio Pessoa, a que se têm associado outras condecorações, como aquelas recebidas em 1984 e 1997 - respectivamente da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Segundo o editor, João Artur Pinto, "A Rosa Intacta", é uma verdadeira jóia que reúne inéditos e ilustrações do autor. Um livro-objecto muito belo com a qualidade e o rigor, a que António Ramos Rosa, sempre nos habituou.

domingo, 14 de outubro de 2007

Hermano Saraiva propõe nova interpretação de «Os Lusíadas»



José Hermano Saraiva propõe um visão absolutamente nova de «Os Lusíadas» com base na investigação que fez da vida de Luís Camões, numa edição que será lançada esta segunda-feira.
O investigador realizou
uma investigação que revelou uma biografia de Camões totalmente diferente daquela que até aqui se tem divulgado.
Segundo ele, inventou-se o romance de um fidalgo de corte apaixonado por uma princesa, que não corresponde à verdade. Por exemplo, nos versos com que Camões iniciou a «Canção Décima»: «Foi minha ama uma fera», a interpretação tradicional refere-se a esta ama como quem toma conta de uma criança, quando na realidade era a mulher do seu amo por quem Camões se apaixonou.
Segundo José Hermano Saraiva, Luís de Camões não era fidalgo da corte mas escudeiro do conde de Linhares, comendador da Ordem de Cristo, e viveu no paço da Comenda de S. Martinho, frente a Coimbra. Linhares (seu amo) foi enviado para Paris como embaixador, tendo Camões e a mulher do conde (sua ama) se apaixonado. Tudo isto modifica a interpretação de «Os Lusíadas».
Esta nova edição de «Os Lusíadas», com 900 páginas, comentada por José Hermano Saraiva e com ilustrações de Pedro Proença, assinala o 40.º aniversário da presença das Selecções do Reade's Digest em Portugal.
Para Hermano Saraiva, Camões «revela-se não muito imaginativo, mas escreveu de uma forma artisticamente genial. Foi um grande criador da língua portuguesa e um dos maiores escritores da Europa do seu tempo». "Os Lusíadas" é um livro de protesto contra os excessos da nobreza e um pedido de emprego a D. Sebastião com a promessa de que o tornaria célebre em toda a Europa através dos seus versos. Camões tinha a plena consciência do seu valor, e prometeu a D. Sebastião que o tornaria mais célebre que o mítico herói grego Aquiles.

sábado, 13 de outubro de 2007

Miguel Torga reúne especialistas em Famalicão



Alguns dos mais prestigiados académicos especialistas na obra de Miguel Torga vão participar, no próximo dia 16 de Outubro, numa jornada de estudo dedicada ao poeta. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através da Biblioteca Camilo Castelo Branco, pretende divulgar e debater a riqueza biográfica e bibliográfica do autor.

No ano em que se comemora o centenário do nascimento de Miguel Torga, esta é mais uma forma de homenagear aquele que foi um dos maiores escritores contemporâneos e um mestre da língua portuguesa. A sessão terá início pelas 09h30 e terá como temas “O canto bucólico na poesia de Miguel Torga”, “A Idade Média revisitada por Miguel Torga: portugalidade e universalidade”, “Os Contos de Miguel Torga” e “Miguel Torga e a temática trágico-marítima”, entre outros. Para falar sobre estes temas estarão presentes Orlando Grossegesse, da Universidade do Minho, João Minhoto Marques, da Universidade do Algarve, Isabel Morán Cabanas, da Universidade de Santiago de Compostela, José Machado, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, entre outros.

Mais informações: http://www.vilanovadefamalicao.org

Dez anos de solidão




O último livro de poesia de Daniel Gonçalves "Dez Anos de Solidão" vai ser apresentado hoje, 13 de Outubro, em Lisboa, na Bulhosa de Entrecampos, pelas 17 horas.

A obra será apresentada pela escritora Maria do Sameiro Barroso, culminando a sessão com a leitura de poemas pela actriz Isabel Wolmar.

Haverá outra apresentação nos Açores (em Santa Maria) no próximo dia dia 20 de Outubro, na Igreja das Vitórias.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Fernando Pessoa para os mais novos




Vai ter lugar, no próximo dia 17 de Outubro, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, a apresentação do livro "Fernando Pessoa - O menino da sua mãe", escrito por Amélia Pinto Pais para que as crianças "aprendam a saborear a musicalidade dos poemas de um dos maiores autores da literatura portuguesa".

A obra começa com uma forjada autobiografia de Fernando Pessoa, que fala de si próprio às crianças, e continua com uma antologia poética, que inclui, desde os poemas escritos para os sobrinhos, até alguns do "Cancioneiro", da "Mensagem" e dos heterónimos.

Docente aposentada, a autora, licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra, escreveu outras obras didácticas e de carácter ensaístico dedicadas a Fernando Pessoa ("Para Compreender Fernando Pessoa", 1966), Luís de Camões ("Para Compreender os Lusíadas", 1982, "Os Lusíadas em Prosa", adaptação para o público juvenil, entre outros), e Gil Vicente ("Auto da Barca do Inferno", uma edição escolar).

"Fernando Pessoa - O menino de sua mãe" tem ilustrações de Telma Fernandes e Pedro Leal e faz parte da colecção "À Descoberta" da editora Ambar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Raquel Chalfi na Casa Fernando Pessoa



Vai realizar-se, no próximo dia 9 de Outubro, pelas 18h30, um encontro na Casa Fernando Pessoa, com a poetisa israelita Raquel Chalfi.
A apresentação será feita por Lúcia Mucznik.
Haverá leitura de poemas.

Gastão Cruz venceu a 28.ª edição do Prémio Literário do P.E.N. Clube Português relativo a obras editadas em 2006, na modalidade de poesia, com o livro "A Moeda do Tempo".
(Na modalidade de novelística, venceu Mário Cláudio com "Camilo Broca").
O júri da Poesia foi constituído por Maria João Reynaud, Fernando J. B. Martinho e Manuel Simões.

Eduardo Pitta no Festival de Poesia do Mundo Latino







O poeta português Eduardo Pitta vai participar na próxima semana, representando Portugal, no VII Ars Amandi, Festival Internacional de Poesia do Mundo Latino, que se realizará em Roma entre os dias 10 e 14.
O Ars Armandi realiza-se de dois em dois anos e é organizado pela União Latina e pelo Instituto Cultural Romeno, permitindo o intercâmbio entre poetas vindos de diferentes regiões do mundo latino e proporcionando ao público a possibilidade de descobrir a riqueza da poesia dos países latinos.
O programa consta de mesas redondas, leitura de poemas, encontros com interlocutores sobre a cultura local e visitas ao património cultural.
Além de Eduardo Pitta, que nos representará, estarão presentes (entre outros), Hughes Labrusse Hughes Labrusse (França), Serban Foarta (Jugoslávia), Paolo Ruffilli (Itália), Julien Kilanga Musinde (Congo), Alexandra Domínguez (Chile), Óscar de Pablo Hammeken (México), Elisabeth Marín Díaz (Venezuela), Tatiana Arguello (Nicarágua), Sarah Carrère (Senegal), Luis Vicente de Aguinaga e Inmaculada Salas Moreno (ambos de Espanha).

Novidades Quasi




Bibliotheca Scatologica
Poesia
José Emílio-Nelson









American Scientist
Poesia
António Gregório

Paul Aster em Lisboa




Paul Auster é um dos grandes nomes da literatura norte-americana contemporânea. Este "Poemas Escolhidos / Selected Poems" (Quasi Edições) com tradução de Rui Lage, revela uma faceta menos conhecida do autor, a de poeta, que foi uma opção no início da sua carreira, depois de ter alcançado grande sucesso.
O vencedor do Prémio Literário Príncipe das Astúrias 2006 vai estar na Livraria Bulhosa de Entrecampos, amanhã 4 de Outubro, entre as 12h e as 13h, para uma sessão de autógrafos.

Poesia em Vila Praia de Âncora

No próximo dia 12 de Outubro, pelas 22 horas, terá lugar na Livraria Pára e Lê, em Vila Praia de Âncora, a apresentação dos livros mais recentes de Cláudio Lima e Carlos Poças Falcão (editados pela Ópera Omnia), com a presença dos autores.






Cláudio Lima
, residente na cidade de Braga, é um autor originário de Ponte de Lima, tendo nascido na Freguesia de Calvelo em 1943. Iniciou-se desde muito cedo nas lides literárias, dividindo-se a sua produção pela Poesia, o Conto, a Crónica, a Crítica Literária, a Diarística e o Ensaio.
Entre outros títulos, é autor dos livros:
- "A Foz das Palavras" (poesia)
-"Por aqui não é passagem" (contos)
-"Itinerarium I" (poesia)
-"Itinerarium II" (poesia)
-"Os morros de Nóqui" (contos)
-"Um rio de muitas luzes" (ensaios)
-“Itinerarium III” (poesia).
Está representado em várias antologias e outras obras colectivas, das quais destaca, nos últimos anos: Cancioneiro do Rio Lima; Timor – do Poder das Armas à Força do Amor; Histórias para um Natal; Neruda, Cem Anos Depois; Leiamos! e In Memoriam de Agostinho da Silva.









Carlos Poças Falcão
nasceu em Guimarães, em 1951. Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, exerceu durante alguns anos a advocacia, que abandonou para dedicar-se à docência e à escrita.
Tem publicados os seguintes livros:
- "O Número Perfeito" (edição do autor, Guimarães, 1987);
- "O Invisível Simples" (Limiar, Porto, 1988);
- "Rotações" [com António Ramos Rosa e Agripina Costa Marques] (Cadernos Solares, Lisboa, 1991);
- "Três Ritos" (Pedra Formosa, Guimarães, 1993);
- "Movimento e Repouso" (Pedra Formosa, Guimarães, 1994);
- "Sinais" [edição bilingue portuguesa-finlandesa, com fotografias de Markku Niemenlehto] (edição de autor, Guimarães, 1998);
- "A Nuvem" (Pedra Formosa, Guimarães, 2000);
- "Coração Alcantilado" (Opera Omnia, Guimarães, 2007).
Tem colaboração dispersa por numerosas publicações e revistas literárias.

A Livraria Pára e Lê fica na Rua 31 de Janeiro, 47-A (Vila Praia de Âncora).

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

E como ficou chato ser moderno


















Terá lugar no próximo dia 6 de Outubro, pelas 16 horas, na Livrododia-Centro Histórico, em Torres Vedras, o livro de poesia
"E como ficou chato ser moderno" (Livrododia Editores) de Luís Filipe Cristóvão, com a presença do autor.
Haverá uma outra apresentação em Lisboa, no dia 12 de Outubro, pelas 21h30, na Book House do Monumental.

Luís Filipe Cristóvão nasceu a 24 de Fevereiro de 1979 em Torres Vedras.
É pós-graduado em Teoria da Literatura, pela Universidade de Lisboa e frequentou a especialização em Edição de Livros na Universidade Católica de Lisboa.
Profissionalmente, é gestor editorial e livreiro.
É autor dos livros Registo de Nascimento (2005) e Pequeña Antología para el Cuerpo (Espanha, 2007).
O blogue do autor pode ser visitado aqui.

Poesia em Loulé



A mostra documental “Cheiros de Outono”, em exposição no átrio da Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen desde 24 de Setembro, vai continuar até ao dia 13 de Outubro.
Nesta mostra estão obras de Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Carlos de Oliveira, Irene Lisboa, Adolfo Casais Monteiro, Ruy Belo, Nuno Júdice entre outros.
No próximo dia 12 de Outubro, pelas 21.30 horas, terá lugar um recital de poesia por Afonso Dias, cantautor e actor, que vai interpretar obras dos autores “presentes” na mostra.
A Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen fica na Rua José Afonso, em Loulé.