quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Encerramento da Livraria da Praça




É com tristeza que vos dou a notícia de que a Livraria da Praça (em Viseu) vai encerrar.
Uma livraria que, com dois anos de história, realizou tantos eventos (perto de 150)! Exposições, tertúlias sobre os mais diversos temas, concertos, conversas (com muitos e bons convidados), workshops, cursos de vinho, lançamentos de livros, feiras de comércio justo, etc., mais de um por semana. Essa frequência de eventos acabou por destacar a livraria num artigo da Visão:










Até ao encerramento definitivo (no próximo mês de Março) o horário manter-se-á, bem como as actividades já agendadas.
E a partir de hoje a Livraria da Praça fará promoções de livros, CDs e filmes.
Enfim... menos um espaço cultural no país...
Um abraço solidário aos responsáveis e funcionários da Livraria da Praça. E um obrigada em nome da cultura.
Espero que um dia destes possam reabrir.

O blogue da Livraria da Praça fica aqui.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Hoje nasceu...






15 de Janeiro de 1850

Mihai Eminescu

Poeta romeno







Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: O amanhã aumenta os dias

Mihai Eminescu

Mihai Eminescu nasceu em Botosani, no norte da Moldávia, em 1850.
Sexto de dez filhos, passou a infância na aldeia de Ipotesti, onde o seu pai era fazendeiro. O pai fê-lo ingressar num grande colégio, de onde fugiu várias vezes.
Publicou as suas primeiras poesias com 16 anos, conquistando logo notoriedade entre os escritores romenos. Depois, foram os anos de vagabundagem pelo país que lhe deram um profundo conhecimento da língua e do espírito popular romeno. Ouviu assim centenas de histórias, lendas e baladas, e tomou nota de tudo, coleccionando com fervor velhos manuscritos, locuções antigas, palavras raras. Viveu sempre modestamente, contentando-se com muito pouco, e guardando religiosamente uma caixa de livros, sua única fortuna que nunca abandonou. Frequentou vários cursos nas Universidades de Viena (entre 1869 e 1872) e de Berlim (entre 1872 e 1874), sem o menor empenho em fazer exames ou conseguir diplomas. Interessava-se por tudo: egiptologia, direito romano, ciências financeiras, anatomia, filologia comparativa, ocultismo... mas a sua paixão seria sempre a filosofia. Em Bucareste, foi de tal maneira admirado por alguns escritores e críticos, que pensaram em oferecer-lhe uma cadeira na Universidade, mas Eminescu não se mostrou interessado.
Grande perfeccionista, trabalhou os seus poemas durante anos e anos, sempre insatisfeito com a forma. Voltou para a Roménia, trabalhando como bibliotecário, depois inspector do ensino primário e, por fim, a troco de um magro salário, aceitou redigir um jornal político de Bucareste, o "Timpul". Porém, esgotou-se num trabalho devorador, escrevendo sozinho os artigos de fundo, as crónicas e os comentários políticos, traduzindo os telegramas das agências e ainda revendo, pelas noites fora, as provas inteiras do jornal.
Foi célebre, estimado e admirado. Teve ilustres protectores, mas a sua timidez e o seu orgulho impediram-no de viver uma vida humana. A partir de 1883, de hospital em hospital, com alternativas de lucidez e de desvario, Eminescu deixou que as suas forças o abandonassem e faleceu em 1889, com 39 anos.
O escritor Alexandru Vlahuta descreve uma visita que lhe fez numa casa de saúde: "Com uma alegria de criador, tirou da algibeira um bocado de papel amarrotado e pôs-se a ler uma longa série de estrofes de uma sonoridade e de um efeito rítmico maravilhosos. Mas no bocado de papel só havia três palavras. Eminescu improvisara!..."
Durante a sua doença, os amigos mandaram imprimir o seu primeiro (e último) volume de "Poesias". O êxito foi enorme. Eminescu tornara-se o poeta nacional da Roménia...

O amanhã aumenta os dias

O amanhã aumenta os dias,
O ontem diminui a vida
Perante nós temos, contudo,
O dia de hoje, para sempre.

Se morre um ser, logo vem outro
Para segui-lo neste mundo,
Tal como o sol, quando se põe,
Ressurge logo em qualquer parte.

Dir-se-ia que outras ondas passam
Descendo sempre o mesmo rio;
Dir-se-ia que é um outro outono
Mas caem sempre as mesmas folhas.

A nossa noite é precedida
Pela suave madrugada;
A própria morte é ilusão,
Um mealheiro de existências:

De cada efémero momento
Eu depreendo que este axioma
Sustenta toda a eternidade
E faz girar o mundo inteiro.

Pode voar, portanto, este ano
E no passado mergulhar,
Pois conservamos o tesouro
Que desde sempre temos n'alma.

O amanhã aumenta os dias,
O ontem diminui a vida
Contudo, temos ante nós
O dia de hoje, para sempre.

As cintilantes aparências,
Que velozmente se sucedem,
Repousam sob a irradiação
Do sempiterno pensamento.

Mihai Eminescu


(Versão de Carlos Queiroz, sobre tradução de Victor Buescu e Rogério Claro)

Minerva procura novos autores







A Editorial Minerva procura novos autores para a próxima antologia “Poiesis” (volume XV).
Os trabalhos (poesia ou prosa poética) deverão ser entregues até ao dia 30 de Março de 2007.
Mais informações (e o regulamento) no site da Minerva, aqui.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Poemas em voz alta

Estou cansado, é claro.
Porque, a certa altura, a gente tem de estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa

24/6/1935

Álvaro de Campos

Na voz de Luís Gaspar:

Pessoa cantado

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa

Na voz de Zeca Afonso:

sábado, 13 de janeiro de 2007

Homenagem de Luís Graça ao pai do seu amigo Paulo Cunha Porto

O que te posso dizer, Paulo?

Estou no piso inferior do Monumental. À minha frente tenho duas Super Bock Abadia. Não havia Super Bock Stout. Talvez tenha ficado com a cerveja preta associada à memória de um grande amigo: Fernando Alves Serra. O Fernando adorava Guiness e a Comunidade de Leitores da Culturgest saiu do velório do Fernando para beber uma Guiness num bar irlandês do Cais do Sodré.
Eu a conter as lágrimas, a beber a Guiness e a Marisa a dizer:
— Deixa cair, Luís, deixa cair....
Deixei cair.
E agora choro.
À minha frente, na mesa, tenho um exemplar do PÚBLICO, com quatro versos rabiscados nas margens, pelo medo de os perder até chegar ao Monumental e comprar um bloco Firmo A5 para as escrever.

Porque estes são os versos que tenho para deixar ao pai de um grande amigo meu: Paulo Cunha Porto.
E choro, sem vergonha, de cabeça apoiada no braço, em público, por quem não cheguei a conhecer. Não imagino os traços do rosto, a estatura, não sei nada, para além daquilo que o Paulo escreveu e sofreu nos últimos dias no seu blogue Misantropo Enjaulado.

Não sei nada. Mas choro por ele. Com orgulho.

Normalmente, as lágrimas não me correm fáceis. Ficam aprisionadas num Château D’If sem Abade Garcia ou Conde de Monte Cristo. Mas com os sonos todos trocados não consigo esconder o que me vai na alma.
Nem quero.

São lágrimas bem gastas.

Estava no Metro em S. Sebastião. Tocou o telemóvel. Saí.
Vinha feliz da FNAC do Chiado, com os livros para a Comunidade de Leitores da Culturgest.
Com o corpo na ressaca da hidroginástica e a concentração afectada pelas últimas noites brancas.

E veio a voz do Paulo. Simplesmente a voz que eu esperava ouvir, mas com as notícias que eu não queria ouvir. Uma voz cheia de dignidade perante a morte do seu pai.

Agora acalmo. Já escrevi o poema que tinha prometido ao Paulo à saída do Metropolitano, para o pai dele. Já o li à Inês, que o vai publicar no blogue dela.
E solucei a ler o poema e tive muitas dificuldades em chegar ao final. As palavras cortaram-se-me. Ninguém no Monumental pareceu aperceber-se de que as lágrimas me escorriam pela face e que a voz vacilava.

A morte é tão estranha aos que estão vivos.

Peço mais uma Abadia. Chega a Inês, em meu socorro, com a Alexandra e a pequena princesa Catarina, filha da Inês. É quase meia-noite.


E DO ESTORIL SOPROU A BRISA FÚNEBRE

Mais um pássaro
a voar
direito ao Céu

Mais um voo
que foi
e já não é

Mais um Porto
que fica
órfão de um cais

Mais um abismo
a queimar
como braseiro

Mais um amigo
a pensar
se vale a pena


Mais uma alma
atracada
no deserto

Assim ficamos
prostrados, ofendidos
incrédulos, tementes

Como quem não sabe
ou finge não saber
a meta à vista

E do Estoril
soprou
a brisa fúnebre

E depois da brisa fúnebre
virá o vento
e depois do vento

Ainda mais vento
sempre mais vento
até ao fim do vento

E a brisa fúnebre
tão fúnebre de fúnebre
que só fúnebre sabe ser

Dissolve-se no Guincho
em gritos de gaivota
e desfaz-se nas ondas

À procura da lágrima certa
para saudar a partida
de quem nos gerou

A dor fica
mas a Paz
há-de chegar

Luís Graça, 12/1/2006, 22h45m, R.I.P. em memória do pai do Paulo.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

t


Realiza-se amanhã, 13 de Janeiro, das 15h30 às 18h30, mais uma Tertúlia Poética organizada pela Associação Portuguesa de Poetas no Restaurante “Vá Vá” (Av. Estados Unidos da América, 100 C - Lisboa).

Livros em saldo na Ler Devagar





A livraria "Ler Devagar", que durante seis anos foi um dos mais conceituados espaços de animação cultural do Bairro Alto, em Lisboa, vai reabrir brevemente.
Entretanto, até 20 de Janeiro de 2007, a "Ler Devagar" vai saldar o seu stock nas instalações da ZDB (Galeria Zé dos Bois), situada também no Bairro Alto.
De quarta a sábado, das 18 às 24 horas.
São mais de dez mil livros, a preços que variam entre os 50 cêntimos e os dez euros, mas há também discos e outros artigos.
A "Ler Devagar" - uma das raras livrarias de Lisboa abertas até de madrugada - fechou em 2005, quando os proprietários do edifício onde estava instalada decidiram fazer obras e transformá-lo num condomínio.
Durante seis anos, a livraria acolheu centenas de debates, lançamentos de livros, encontros com artistas, recitais de poesia, sessões de música e exposições.
A nova "Ler Devagar" irá funcionar também no Bairro Alto, num edifício da Rua da Rosa.

Mais informações, aqui.

Biblioteca do Cadaval expõe último poeta amador

O ciclo de exposições de poesia amadora que decorre desde o dia 2 de Outubro, na Biblioteca Municipal do Cadaval, apresenta, até 19 de Janeiro, o último poeta amador a expôr o seu trabalho: Alda Silvestre, oriunda de Vale Côvo (Bombarral).
Recorde-se que esta iniciativa culminará com a publicação, pela CMC, de uma antologia de poesia com textos de todos os participantes no referido ciclo.

Um total de oito autores amadores de poesia, na sua maioria oriundos do concelho cadavalense, tiveram a oportunidade de mostrar e, posteriormente, editar uma selecção dos seus escritos.

Os trabalhos podem ser visitados, na biblioteca do Cadaval, de segunda a sexta-feira, entre as 8.30 e as 18 horas.
No final do ciclo de poesia, serão escolhidos os melhores poemas de cada autor, para uma antologia de poesia amadora, a editar pela Câmara Municipal do Cadaval.


Para mais informações, aqui ficam os contactos da Biblioteca Municipal do Cadaval:
Av. dos Bombeiros, 2550-103 Cadaval;
Tel.: 262 696 155,
E-mail: biblioteca@cm-cadaval.pt;
Blog:www.bibliotecamcadaval.blogspot.com

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Poemas em voz alta

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge...
O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a-horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?

Que noite serena, etc.

Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói...

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.

Álvaro de Campos


Na voz de Luís Gaspar:

Al Berto na Casa Fernando Pessoa


As Quasi Edições e a Casa Fernando Pessoa convidam-nos para o lançamento dos livros "Eis-me Acordado Muito Tempo Depois de Mim" (uma biografia de Al Berto) de Golgona Anghel, e, "O Último Coração do Sonho" de Al Berto, que se realizará no próximo dia 11 de Janeiro, às 18:30, com apresentação de Fernando Pinto do Amaral.


Conheci um homem que possuía uma cabeça de vidro.
Víamos — pelo lado menos sombrio do pensamento — todo o sistema
planetário.
Víamos o tremelicar da luz nas veias e o lodo das emoções na ponta dos
dedos. O latejar do tempo na humidade dos lábios.
E a insónia, com seus anéis de luas quebradas e espermas ressequidos.
As estrelas mortas das cidades imaginadas.
Os ossos [tristes] das palavras.

A noite cerca a mão inteligente do homem que possui uma cabeça
transparente.
Em redor dele chove.
Podemos adivinhar uma chuva espessa, negra, plúmbea.

Depois, o homem abre a mão, uma laranja surge, esvoaça.
As cidades (como em todos os livros que li) ardem. Incêndios que
destroem o último coração do sonho.
(...)


Al Berto

Hoje nasceu...





8 de Janeiro de 1863

Paul Scheerbart

Poeta alemão





Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Sons nocturnos

Paul Scheerbart

Paul Scheerbart (pseudónimo de Bruno Küfer), um dos vultos do expressionismo alemão, nasceu em 1863 em Danzig.
A partir de 1887 estabeleceu-se em Berlim, como escritor.
Em 1889 fundou a editora Phantasten, onde publicou os seus primeiros trabalhos.
Escreveu fantásticos contos e romances.
Em 1909, o jovem editor Ernst Rowohlt publicou a primeira colectânea poética de Sheerbart, "Katerpoesie".
Scheerbart esteve ligado a Herwarth Walden e à revista "Der Sturm".
Morreu em 1915, com 52 anos.
Foi um percursor da nova poesia da época, que acompanhou sempre.

Sons nocturnos

Pela velha porta
Rangendo que é um gosto,
Entra o carvoeiro
Com muitas canecas pretas
Tão tristes como cartas pretas.
Hm – que quererá o carvoeiro?
Virá ele oferecer
As últimas gotas aos velhos beberrões?
O carvoeiro tem pernitas curtas;
O seu corpo é uma grande pedrinha quadrada.
E sobre a pedrinha assenta uma cabeça de cera –
Que naturalmente se desfaz toda,
Porque o fogão está quente.
E as canecas pretas caem
Das mãos pretas e velhas
Deste velho carvoeiro
Sobre o soalho branco e mudo.
E o vinho molha as tábuas.
Os velhos beberrões acham muita graça.
As pernitas do carvoeiro
Partem-se ao meio.
E o fogão
Continua encostado à parede – como sempre.

Paul Scheerbart
(1909)
(tradução de João Barrento)

Um livro

Apenas uma coisa entre outras coisas
Mas também uma arma. Foi forjada
Na Inglaterra, em 1604,
E carregada com um sonho. Encerra
O som, a fúria, a noite e o escarlate.
A minha mão sopesa-a. Quem diria
Que contém o inferno: essas barbudas
Bruxas que são as parcas, os punhais
Que executam as duras leis da sombra,
O delicado ar desse castelo
Que te verá morrer, a delicada
Mão que é capaz de ensanguentar os mares,
O clamor e a espada da batalha.

Esse tumulto silencioso dorme
No espaço de um só livro, na tranquila
Prateleira da estante. Dorme e espera.

Jorge Luis Borges



Interpretado pela Andante:


Voz: Cristina Paiva; Música: Clint Mansell; Sonoplastia - Fernando Ladeira.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007





Já saiu mais uma antologia da Associação Portuguesa de Poetas, com a coordenação de Carlos Teles Gomes.
Este número (XIII Volume) tem poemas de 53 autores.
Agradeço à A.P.P. a gentileza de me ter enviado um exemplar, do qual escolhi um poema que aqui vos deixo.


Olhos secos de dor

Pequenas coisas, banais
mágoas de orgulho ferido
traição de alguém conhecido
(um amigo nunca trai)
ódios de gente vulgar
fazem meus olhos chorar.

Se não estivessem toldados
por lágrimas sem razão
de auto-comiseração
e para o outro voltados
vendo olhos secos de dor
inundados de pavor

meus olhos feitos nascentes
de caudais desesperados
no mar da dor mergulhados
sentindo o medo pungente
de quem sofre nesta terra
perseguição, fome, guerra

secos de dor ficariam
e nunca mais chorariam.

Maria Ivone Vairinho


A Associação Portuguesa de Poetas existe como associação cultural desde 1985 e tem por objectivo difundir a Poesia em língua portuguesa, proporcionar o convívio, o diálogo e a interajuda entre os seus associados e informá-los de toda a actividade poética existente.
A Associação realiza dois Encontros Poéticos mensais: um no Palácio Galveias (com uma palestra sobre o Poeta do Mês) e outro no Restaurante Vá-Vá (dedicado à poesia dos associados). Realiza também palestras culturais na Livraria-Galeria Verney, em Oeiras, edita um Boletim trimestral gratuito e uma Antologia Poética anual com poemas dos associados, organiza Jogos Florais e tem um Grupo de Jograis que, gratuitamente, actua em diversos eventos. Realiza, ainda, anualmente, uma homenagem a Luís de Camões no Mosteiro dos Jerónimos no dia 10 de Junho.
A Associação tem associados em Espanha, Luxemburgo, Alemanha, Angola, Brasil, EUA e Canadá.
Mais informações, aqui.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Na estante de culto









Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração.
«Rosa do Mundo - 2001 Poemas Para o Futuro» é uma obra colectiva feita por muitas dezenas de pessoas com sensibilidades diferentes, mas tendo em comum o grande amor pela poesia. Trata-se de uma obra ambiciosa, procurando abarcar a poesia conhecida ao longo da História, desde as civilizações mais remotas até aos autores nascidos em 1945.
Como o leitor constatará ao longo do livro a rosa atravessa a poesia universal de todas as épocas. E Rosa do Mundo foi a expressão que propositada e silenciosamente veio ter connosco para dizer Poesia.»
(Manuel Hermínio Monteiro, Abril de 2001)

Ao editor da Assírio & Alvim Manuel Hermínio Monteiro falecido em Junho de 2001 — que tinha a arte de falar de livros e o desejo de editá-los — se deve a publicação de "Rosa do Mundo - 2001 Poemas Para o Futuro".

A Rosa do Mundo é o Mundo num livro. 2001 poemas em 1920 páginas. É um livro para abrir de vez em quando e partir à descoberta das palavras dos outros. Um livro que se levaria para uma ilha deserta.

Uma edição da Assírio & Alvim, numa iniciativa conjunta com a Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura.
Um livro universal e imprescindível. Ainda disponível nalgumas livrarias.

Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro
Direcção editorial: Manuel Hermínio Monteiro
Organização: Manuela Correia
Coordenação editorial: Sara Oliveira, com a colaboração de: Gil de Carvalho e José Alberto Oliveira
Colaborações principais:
Adalberto Alves (poesia árabe contemporânea)
Ana Paula Guimarães (poesia portuguesa de tradição oral)
Cecília Rego Pinheiro (poesia inglesa)
Doina Zugravescu (poesia árabe pré-clássica e clássica, romena e turca)
Ernesto Rodrigues (poesia húngara)
Ernesto Sampaio (poesia italiana)
Filipe Jarro (poesia francesa)
Gil de Carvalho (poesia chinesa)
Halima Naimova (poesia persa)
Irene Freire Nunes (poesia provençal)
João Barrento (poesia de língua alemã)
Jorge Henrique Bastos (poesia brasileira e latino americana)
José Alberto Oliveira (poesia norte-americana)
José Bento (poesia de língua espanhola)
José Domingos Morais (poesia da cultura celta)
José Tolentino Mendonça (textos bíblicos)
Manuel Hermínio Monteiro (poesia portuguesa)
Manuel João Magalhães (cosmogonias)
Manuel João Ramos (cosmogonias)
Maria Aliete Galhoz (Cancioneiro e Romanceiro Português)
Maria Helena da Rocha Pereira (clássicos gregos e latinos)
Nina Guerra e Filipe Guerra (poesia russa)
Stephen Reckert (poesia japonesa)
Teresa Amado (poesia galaico-portuguesa)

Edição Assírio & Alvim, 2001


A ROSA DO MUNDO

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.

Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas, que se agitam e quebram
Como as pálidas águas em seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.

Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

W. B. Yeats
(tradução de José Agostinho Baptista)
(pág. 1163)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Prémio Municipal de Poesia Nuno Júdice







A Câmara Municipal de Aveiro apresentou hoje o Prémio Municipal de Poesia Nuno Júdice, um prémio no valor de 2.500 euros, que será entregue no dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia.
Os candidatos podem apresentar os trabalhos concorrentes entre 4 de Janeiro e 16 Fevereiro de 2007.
Organizado pela Câmara Municipal de Aveiro, o Prémio Municipal de Poesia Nuno Júdice conta com a parceria da Universidade de Aveiro e do Grupo Poético de Aveiro.
O prémio pretende contribuir para a reafirmação da poesia como género maior da literatura portuguesa, estimular a criação literária, em particular a poética, incentivando os participantes a ousar formas narrativas modernas e de vanguarda na esteira das referências de contemporaneidade da obra de Nuno Júdice, e favorecer o aparecimento de novos autores portugueses.
Fazem parte do júri o vereador dos Assuntos Culturais, Miguel Capão Filipe (presidente), Fátima Pombo, Luís Serrano, Alberto Serra e Rosa Maria Oliveira, representante do Grupo Poético de Aveiro.
Mais informações, aqui.
O regulamento do Prémio Municipal de Poesia Nuno Júdice estará disponível on-line no site da Câmara Municipal de Aveiro, em: www.cm-aveiro.pt.