domingo, 5 de abril de 2009

"o mar atinge-nos" de Maria Azenha

o mar atinge-nos
poesia-guitarra portuguesa
Poemas de Maria Azenha ditos pela autora
Guitarras: Octávio Sérgio, Manuel Mendes, Gentil Ribeiro, Armindo Fernandes, Manuel Gomes, António Jorge e Carlos Ligeiro.
Violas: Durval Moreirinhas, Vital d'Assunção, Pedro Nóbrega, João Ramos, Zé Manel e Luís Ligeiro.

Metro-Som Editora, 2009


cercou-se de luz e cântaros
(a Gabriela Rocha Martins)

cercou-se de luz e cântaros
com a foice que trazia cortou os ramos
mais tenros do dia

abriu uma casa de lume para as mãos
e outra para a sede
com trepadeiras na boca

todo o meu ser se colocou à escuta
mendigo entre bosques e relâmpagos de mel

e era branco o som que nunca ouviu


Maria Azenha nasceu em Coimbra. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa. Exerceu actividade docente no Quadro de Nomeação Definitiva na Escola de Ensino Artístico António Arroio. Escritora. Membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

sábado, 4 de abril de 2009

Sugestões para os próximos dias


6 de Abril (segunda-feira):

LISBOA – Faculdade de Letras
Poéticas do Rock em Portugal
Nos próximos dias 6, 7 e 8 de Abril, vai decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III) o ciclo de debates «Poéticas do Rock em Portugal – Perspectivas críticas de uma literatura menor» que propõe abrir um espaço para o estudo das principais vozes do rock em Portugal e o exame particular das suas obras. Procura ainda propiciar a análise de traços temáticos, retóricos, estilísticos e composicionais de um autor ou de um movimento, assim como também avaliar as visões do mundo que transparecem nas suas letras, naquilo que têm de singular, isto é, naquilo que as fazem diferenciarem-se entre si, mas também naquilo que as tornam diferentes, outras – por exemplo – do rock anglo-saxónico.
O programa inclui, além de comunicações e mesas-redondas, um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, concertos no Cabaret Maxime e uma exposição intitulada “No Tempo do Gira-Discos: Um Percurso pela Produção Fonográfica Portuguesa 1960-1980)”, patente na universidade a partir de 31 de Março.

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7 de Abril (terça-feira):

VILA REAL – Biblioteca Municipal
Dia 7 de Abril, sessão de apresentação e espectáculo poético do livro “Dualidades”, de Carla Ribeiro e Susana Catalão (Edium Editores), na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, em Vila Real, pelas 21H30.
Esta sessão conta com a organização do Grémio Literário Vila-Realense.




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11 de Abril (sábado):

FARO – Livraria Pátio de letras
Vai ter lugar na Livraria Pátio de Letras, no dia 11, pelas 17h00:
«O Algarve na poesia de Teresa Rita Lopes» por Teresa Rita Lopes
Conferência integrada no «Ciclo Viajantes, Escritores, Poetas - Retratos do Algarve», org. UALG/CIIPC/CMVRSA
Rua Dr. Cândido Guerreiro, 26-30, FARO

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Novidades INCM

Sensacionismo e Outros Ismos
Volume X da Edição Crítica de Fernando Pessoa
Coordenação de Jerónimo Pizarro
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009
696 páginas

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Novidades Averno


Livre Arbítrio
Tiago Araújo
48 páginas
(tiragem única de 300 exemplares)
Capa e ilustrações de Luís Henriques
Paginação de Pedro Serpa

Novidades Antígona


Poesia Cubana Contemporânea - Dez Poetas
Selecção, Prefácio e Notas de Pedro Marquês de Armas
Tradução de Jorge Melícias
Abril 2009

José Kozer, Reinaldo Arenas, Reina María Rodríguez, Ángel Escobar Varela, Rolando Sánchez Mejías, Osmar Pérez e Alessandra Molina, entre outros.

Foi há... 13 anos

O actor e encenador Mário Viegas morreu no dia 1 de Abril de 1996.
Unanimemente reconhecido como um dos melhores actores da sua geração, deixou-nos a saudade dos seus recitais de poesia.
Gravou poemas de, entre outros, Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade e ainda de autores estrangeiros (Brecht, Pablo Neruda, entre outros). Divulgou nomes como Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria.
Recordemo-lo na "Entrevista a Fernando Pessoa" em Palavras Ditas.

Luz Indecisa de José Mário Silva


O mais recente livro de poesia de José Mário Silva chegará às livrarias no próximo dia 6 de Abril.
Tem por título
"Luz Indecisa"

e a chancela é da Oceanos.










Aqui fica um dos poemas do livro:

os gatos de alhambra

Tão nítidos ainda, os olhos
dos gatos que cirandavam,
há tantos anos, nos jardins
fronteiros ao Alhambra.
Gatos livres, gatos imundos,
gatos quase selvagens.
Lembro-me da forma elíptica
como caminhavam rente aos
muros, como se enovelavam
no meio da vegetação ou se
escapuliam debaixo dos
automóveis com matrícula
estrangeira. Aqui e ali,
junto a latas de conserva,
densas aglomerações felinas.
Corpos em magma, ondulações
de pêlo crespo, um furor de
cabeças esfomeadas. E eu,
criança, a ver o espectáculo
da natureza, um brilho talvez
maligno em olhos tão animais.

Agora queria escrever um poema
sobre o palácio mas não consigo.
Estão dentro da minha cabeça
as imagens: mosaicos geométricos,
arcos, fontes, o céu de Granada
dos versos de Lorca e aquele
complexo labirinto de sombras
que deu um novo sentido à ideia
de frescura. Queria escrever sobre
Alhambra mas não consigo. Porque
os gatos que cirandavam nos jardins
fronteiros intrometeram-se. A sua
nitidez desfoca tudo o resto. Nada
resiste à distorção daquele caminhar
elíptico. Afogam-se, palácio e cidade,
no brumoso segundo plano.

História de um eclipse: tantos anos
depois, são os gatos de Alhambra
que vêm, devagar, contra a minha
vontade, acender este poema.



José Mário da Silva nasceu em 1972, em Paris. É licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mas trocou os laboratórios pelas redacções dos jornais ainda antes de terminar o curso. Jornalista desde 1993, trabalhou 14 anos no Diário de Notícias, onde foi editor adjunto do suplemento «DNA» e da secção de Artes.
Pelo meio, fez parte da equipa que realizou dois programas televisivos emitidos na RTP2 («Portugalmente» e «Juízo Final»). Traduziu algumas obras do francês e é autor do livro de poesia Nuvens & Labirintos (2001), obra vencedora do Prémio Literário Cidade de Almada e do livro Efeito Borboleta e outras histórias (2008) Oficina do Livro.
Actualmente, é crítico literário do Expresso e colaborador permanente da revista Ler. Escreve diariamente sobre livros e literatura no blogue Bibliotecário de Babel e é também autor do blogue A Invenção de Morel.

terça-feira, 31 de março de 2009

Novidades Cotovia

Arado
A. M. Pires Cabral
88 páginas









IRMÃ COTOVIA
I
Vive rente ao solo e é no solo
que faz o ninho e sacia a fome
com as coisas do chão e em silêncio.
Porém, quando precisa de cantar,
muda de elemento: deixa a terra, sobe ao ar,
altíssimo, até onde
nenhum outro pássaro se arrisca.
Dir-se-ia
que sobe a um palco.
Então, dos limites do voo, quase imóvel,
vai derramando breves, repetidos
jorros de júbilo, assim como quem diz:
vejam como estou alto, sustentada
por tão frágeis asas.
Depois que desafogou o peito
das inadiáveis premências da voz,
apeia-se, torna ao solo,
dissimula-se na cor parda da terra,
como se nunca tivesse voado.



Aluimentos
Bénédicte Houart
80 páginas









o meu carteiro, adoro-o
se me traz facturas saldos bancários
zero na conta a ordem
menos que zero na conta a prazo
poupanças nada e
crédito disparando
faz várias perninhas ali mesmo
no átrio em cima do tapete
desculpando-se com habilidades várias
de modo que eu
ansiosa pelo seu toque
visto-me como quem não quer, mas quero
e peço-lhe mordiscando-lhe a orelha: por obséquio
mais papelada amanhã
dessa que me agiganta até
transformar-me em nada
onde nos desencontraremos



Do Princípio
Pedro Braga Falcão
124 páginas









X
A sinceridade dessa gata,
de um tigrado quase infinito,
delicada como alegre jogo
de crianças adormecidas,
lembra-me, à tarde,
quando ouço pianistas,
uma única varanda
e uma única janela.
Como solstícios de inferno
o repuxo abre-se em luz.
Tomara o canto fosse nosso
sem searas e sem ciprestes.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Workshop de Poesia por Ana Luísa Amaral em Leiria

O próximo workshop na Livraria Arquivo é sobre Escrita Criativa (Poesia) e será orientado pela escritora Ana Luísa Amaral no próximo dia 4 de Abril.
Este workshop destina-se a todos os interessados na escrita de poesia, nos seus contextos de produção e nos seus processos.
Objectivos: sensibilizar os participantes para os diversos tipos de escrita literária, para a reflexão sobre as práticas de escrita e para as potencialidades da linguagem, na sua vertente experimental (a exploração dos efeitos de musicalidade, por exemplo) ou de exercitadora de cidadania. Uma reflexão e prática que se deseja poder contribuir para, nesse enriquecimento da reflexão sobre a linguagem criativa, o enriquecimento do mundo.
Formadora: Ana Luísa Amaral. Nasceu em Lisboa em 1956, vive em Leça da Palmeira e ensina Literatura Inglesa, Literatura Comparada e Estudos Feministas na Faculdade de Letras do Porto, onde se doutorou em Literatura Norte-Americana com uma tese sobre Emily Dickinson. É autora de dez livros de poesia e dois livros infantis. Está representada em inúmeras antologias portuguesas e estrangeiras, onde se encontra traduzida para várias línguas. Editada no Brasil, a sua poesia será brevemente editada também em Itália e na Suécia. Em 2007, venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas, com o livro A Génese do Amor e, no mesmo ano, foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi. Em 2008, com o livro Entre Dois Rios e Outras Noites, obteve o Grande Prémio de Poesia da APE (Associação Portuguesa de Escritores).

Local: Livraria Arquivo
Horário: 10h30 às 13h • 14h30 às 18h30
Preço: 75,00€
Data: 4 de Abril
Inscrições até ao dia 31 de Março, limitadas a 15 participantes.

As inscrições poderão ser feitas ao balcão da Livraria Arquivo, por telefone e por e-mail.

Contactos:
LIVRARIA ARQUIVO
Av. Combatentes da Grande Guerra, 53, 2400 -123 Leiria
Telf. 244 822 225
Fax. 244 828 091
E-mail: Paula Carvalho (agenda@arquivolivraria.pt)

Não são pães, senhor, são livros!

Inauguração da Livraria Alêtheia, nas instalações da antiga «Padaria Provinciana», dia 31 de Março, pelas pelas 18h30.
Rua do Século, 13 (junto à Calçada do Combro), em Lisboa.

sábado, 28 de março de 2009

Outras sugestões para os próximos dias


31 de Março (terça-feira):

LISBOA – Teatro da Trindade
A actriz e poetisa Carmen Filomena vai lançar um CD áudio dedicado aos 120 anos de Fernando Pessoa com o título "120 Anos depois… Fernando Pessoa Revisitado", no Teatro da Trindade no dia 31 de Março, pelas 18h.
Neste CD são ditos pela actriz os poemas: "Não venhas sentar-te à minha frente"; "Aniversário"; "Não sei"; "Lisbon Revisited", "Poema em linha recta", "Padrão", "Gato que brincas na rua", "Se te queres matar", "Símbolos", entre outros, num total de 17 poemas de Fernando Pessoa. São ainda ditos 3 poemas inéditos do mestre Lagoa Henriques: “Astronauta”, “Tudo ou Nada” e “Raiz”.

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1 de Abril (quarta-feira):

LISBOA – Ateneu Comercial de Lisboa
Lançamento do livro "Poema a Dois" de João Coelho dos Santos, dia 1 de Abril pelas 19 horas, no Salão Nobre do Ateneu Comercial de Lisboa (Rua das Portas de Santo Antão, 110-2º Lisboa)
O evento terá a presença das Presidentes da Associação Portuguesa de Poetas, da União Lusófona das Letras e das Artes e da Universidade de Lisboa Para a Terceira Idade .
Dirão poemas: António Vasconcelos Tavares, João Cantiga Esteves, João Pereira Neto, José Manuel Brissos Lino, José manuel Cidreiro Lopes, José Tavares de Castro, Luís Gonçalves Sobrinho, Manuela Ducla Soares, Narana Coissoró e Norberta Pinho.

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3 de Abril (sexta-feira):


FARO – Livraria Pátio de Letras
No dia 3 de Abril, pelas 21h30, vai ter lugar na Livraria Pátio de Letras mais uma Conferência integrada no Ciclo Viajantes, Escritores, Poetas - Retratos do Algarve. A conferência do dia 3 será: «António Vicente Campinas: linhas de fronteira», por José Carlos Barros.
António Vicente Campinas é um poeta e prosador português algarvio. Começou a editar poesia em 1938, com o livro «Aguarelas». Entre as suas obras poéticas conta-se o livro Raiz da Serenidade. Em 1952 publica o seu primeiro romance «Fronteiriços», dedicado aos contrabandistas. Publicou ainda livros de contos. Especialmente famoso é o seu poema "Cantar Alentejano", em honra de Catarina Eufémia, musicado por José Afonso, no álbum "Cantigas de Maio" editado no Natal de 1971.
Rua Dr. Cândido Guerreiro, nº 26/30, Faro.

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4 de Abril (sábado):

LISBOA – Auditório Campo Grande
Dia 4 de Abril, no Auditório sito ao Campo Grande (Campo Grande, 56) em Lisboa, pelas 16 horas:
Lançamento do livro de poesia Interlúdios da Certeza de Vicente Ferreira da Silva.
Editora Temas Originais.
Obra e autor serão apresentados por Maria Azenha.
Inês Ramos declamará poemas do livro.


CASTELO BRANCO – Sé-Catedral de Idanha-a-Nova
Performance poética in(di)vi.sí[vel
Poema polifónico para vozes, violino, penduricalhos e processamento electrónico da autoria de Márcio-André e com os poetas convidados bruno m. santos, João Miguel Henriques e Karinna Gulias e projecções de Paula Gaitán
Dia 4 de Abril às 21h30 na Sé-Catedral de Idanha-a-Nova, Castelo Branco.


FARO – Livraria Pátio de Letras
No dia 4 de Abril, vai ter lugar na Livraria Pátio de Letras, pelas 21 horas, o evento «VJ_Zayle e Poesia» - Projecção de Poemas inspirados na obra dos WordSongs e da escritora Maria do Dromedário - autoria: Elisabete Ribeiro.
Rua Dr. Cândido Guerreiro, nº 26/30, Faro.

LISBOA – Galeria Matos Ferreira
Na Galeria Matos Ferreira, vai ter lugar no dia 4 de Abril, pelas 21h, a palestra "O Ofício Cantante de Herberto Helder" proferida por Maria Estela Guedes.
A Galeria Matos Ferreira fica na Rua Luz Soriano, 14 e 18, em Lisboa (Bairro Alto).




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5 de Abril (domingo):

LISBOA – Auditório Campo Grande
Apresentação do livro II Antologia de Poetas Lusófonos: 5 de Abril às 15h30, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, com a actuação da Orquestra Filarmonia das Beiras, continuando a cerimónia pelas 16h30, no Auditório do Mosteiro.

Poesia Experimental Portuguesa

Inaugurou no passado dia 22 de Março, nos Paços da Cultura de S. João da Madeira, a exposição Poesia Experimental Portuguesa - Colecção da Fundação de Serralves, que estará patente até 10 de Maio.
Nesta exposição são apresentadas obras dos anos 60 até 1984 de Ana Hatherly, António Aragão, António Barros, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, Salette Tavares e Silvestre Pestana.

Novidades Temas Originais


Interlúdios da Certeza
Vicente Ferreira da Silva
Editora Temas Originais
Março 2009







Espantalhos

vigiam-nos amnequins agrestes...
apesar da erosão da passerelle.

o desfile é perpetuo.
o conhecimento, fátuo.

para além da paliçada,
resta o sonho da espécie em harmonia.
mas constante tem sido o género da guerra.

e dizem que o apoclipse ainda virá!

não há valquírias entre nós?
e quedas em tentações?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Novidades Apenas Livros


Nevou este Verão
Maria Paula Raposo
Editora Apenas Livros
Março 2009







Nevou este Verão

Este Verão nevou.

Quando cheguei
já a neve derretia
nas calçadas
e disseram-me
que tinha nevado
muitos dias e noites
e que fazia muito frio
na rua.

As lareiras em casa
mantiveram os ambientes
aquecidos
enquanto nevava
não se sabe porquê
mas nevou este Verão!

O Verão do meu regresso.

Prémio de Poesia Popular do Alentejo

Promovido pelo Centro Cultural da Terrugem, o 1º Prémio de Poesia Popular do Alentejo destina-se a todos os autores de poesia popular alentejana, nascidos no Alentejo ou com residência na região. Entrega de trabalhos até 29 de Maio de 2009.
Este prémio tem como objectivo homenagear, divulgar e valorizar a poesia popular alentejana.
Todos os poemas a concurso devem ser inéditos (nunca publicados em livro, jornais, revistas, etc.).
No âmbito da poesia popular, podem ser entregues obras em qualquer modalidade (quadras, quintilhas, sextilhas, décimas etc.).
Cada concorrente pode apresentar mais do que uma obra poética, desde que as envie separadamente e com pseudónimos diferentes.
Cada obra deverá ser apresentada com o mínimo de uma folha A4 e o máximo de quatro folhas A4. Estas devem ser agrafadas, numeradas e assinadas com pseudónimo. Nas obras entregues, não deverá constar qualquer indicação sobre a identidade do concorrente, sob pena de exclusão.
Para concorrer, cada autor deve entregar em mão ou enviar por correio, dentro de um envelope fechado, quatro exemplares de cada obra, assinados com pseudónimo. Simultaneamente, deve enviar dentro do mesmo envelope, outro envelope fechado, com a identificação do autor (nome, endereço e telefone ou email) no interior e o pseudónimo utilizado, no exterior.
Os exemplares devem ser entregues até às 18H00 do dia 29 de Maio de 2009, no Centro Cultural da Terrugem.
A entrega por correio deverá ser feita através de registo com aviso de recepção, para Rua dos Quintais nº5 7350-491 Terrugem – Elvas.
Prémios a atribuir:
1º Prémio – 250 Euros.
O Júri poderá atribuir menções honrosas no valor de 50 Euros cada.
Os concorrentes premiados serão oficialmente informados do resultado do concurso e da data da sessão de entrega dos prémios, por carta registada com aviso de recepção. Proceder-se-á também à divulgação dos vencedores na imprensa regional.
As obras a concurso serão avaliadas por um júri constituído por três elementos, ligados à poesia e/ou à literatura, escolhidos pela direcção do Centro Cultural da Terrugem.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os vossos poemas

Caros etéreos,
Participaram neste passatempo 38 pessoas que enviaram um total de, imaginem, 317 haiku!
Como compreenderão, ao contrário do que tinha prometido, não vai ser possível publicá-los todos.
Optei por escolher apenas um haiku por participante para ser gravado em áudio pelo diseur Luís Gaspar, que aqui fica:



Reflexos

A flor reflectida
Fragmenta em símbolos de água
O olhar do infinito.

Carla Ribeiro


***

sem teus abraços
o mundo é sozinho
nudez afiada

Soraia Martins

***

Volto sempre cá
onde a essência
perfeita fica.

Paula Raposo

***



Cadê o cê daqui
Parece que sumiu sim
Tenho que achar

Marcelo Torca

***

Em noite de luar
Há nos teus olhos lágrimas
Da cor do Outono

Susana Custódio

***

Sente o corpo aberto
já nele ninguém reside,
só um coração bate.

Alexandra Malheiro

***

Liso o céu cinzento,
de neve a planície toda.
Pássaros com fome.

Nuno Dempster

***

— Bejo-te logo?
— Xim amor, bem xedo!. E...
Traz mais bagaxo!

Álvaro Santos


***

Nenúfares no lago:
uma mesa que Deus põe
a flutuar no vidro.

João Tomaz Parreira

***

Hóspedes das águas
as nuvens brincam no rio:
fogem do céu azul...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes


***

Silêncio

ouvir o suave
som da pétala da flor
a abrir ao Sol.

Tmara

***

sentimentos são água
quem nada
Tudo

Renato de Mattos Motta


***

No fundo do mar —
uma concha adormece
sem ruído.

Lucília Saraiva Pereira

***

Gerar o tempo
p'ra não perder nenhum dos
teus crepúsculos.


Tiago Nené


***

falavas muito
pouco mas tinhas voz
de abelha mestra


Luís Brito Pedroso


***

Neste céu sem nuvens,
o sol madrugou em ti.
É quase Verão.


António José Queirós


***

Tenho livros lido
Mas lendo sempre mui lento
Leio repetido.


Célia Lamounier de Araújo


***
nos prostíbulos
há mulheres acesas
luzem nos quartos.


José Miguel de Oliveira


***

adrenalina,
cada um tem a sua,
e aspirinas...

José Kuski Vieira


***

Mar em fúria
Os pescadores em terra
Jogam às cartas


J. Caldas

***

porosidade
entre som e palavra
nossos sentidos


Francisco Coimbra


***

Ó se faz favor!
Bica e bagaço
Em balão quente!


Luís Graça


***

fica perto de mim
a vereda de um bosque
de verde infinito


Jorge Castro


***

Cisne branco a voar
nas rugas das mãos da avó.
Sorriso eterno.


Luís de Aguiar

***

Mãe carinhosa
No teu regaço sinto
A luz do Amor


Jorge Barroso

***

Baço pensamento
Como uma lupa constante
Procurando luz


Maria de Lourdes Barni

***

E dentro de mim
eu amo as tuas mãos
Além da pele.


Graça Magalhães

***

Verão

Fiapos nos dentes
o rosto todo amarelo
É tempo de manga


Eunice Arruda


***

Tocar a terra
no chão molhado
do teu corpo


Otília Martel


***

Um raio de sol
acordou o pássaro
rasgou a manhã.


Fernanda Sal Monteiro

***

Velas na baía
Salgueiros sobre a falésia
– E o forte vermelho


Myriam Jubilot de Carvalho


***

Praia só,
frio e nós, a fogueira,
ficaremos...


Carlos Teixeira Luis

***

Sensuais, dançam
valquírias entre faunos
ao entardecer


Regina Gouveia

***

Na lagoa
a rã coaxa.
Vida boa!


Adauto Suannes

***

Na janela aberta
O espanta espíritos
Atrai os sonhos


Ilona Bastos


***

Trago-te o sabor
Na ponta dos dedos nus
Palpando o Verão


Alexandre Homem Dual

***

chove à tarde,
estou só e guardo
as horas cruas.


José Ribeiro Marto


***

Inverno rigoroso —
gota a gota
Veneza é engolida


Nuno Graça

***

na folha de lótus
uma rã prepara o salto

a lua tão perto


Leonilda Cavaco Alfarrobinha

***

Como sabem, este passatempo foi patrocinado pela Cosmorama Edições, que ofereceu 9 livros para os primeiros a responder.
Assim sendo, receberão os seguintes livros:

Carla Ribeiro:
"Para que ninguém sobreviva ao perdão" de Pedro Gil-Pedro (2008)
Soraia Martins:
"Marcas de urze" de Catarina Costa (2008)
Paula Raposo:
"De haver relento" de Andreia C. Faria (2008)
Marcelo Torca:
"O percurso da Luz" de Carlos Alberto Braga (2006)
João Tomaz Parreira:
"O percurso da Luz" de Carlos Alberto Braga (2006)
Susana Custódio:
"A Vocação dos Homens Silenciosos" de Sandra Costa (2006)
Alexandra Malheiro:
"A Vocação dos Homens Silenciosos" de Sandra Costa (2006)
Nuno Dempster:
"Assim na Terra" de José Rui Teixeira (2005)
Álvaro Santos:
"Iniciação ao Remorso" de Jorge Melícias (2005)

Deixo-vos ainda com mais alguns haiku dos que chegaram (mais 5, no máximo, por participante):


maçã, amora
a tua, lábios de seda
boca-veludo

o grito no fim
é piano esquisito
morto e seco

a música voa
dedos grandes, bandidos
guitarras nos pés

Soraia Martins

***

sempre é tempo
da palavra de amor
feita caminho


é de súbito
do poema eleito
mil vezes o som

Paula Raposo

***

Modéstia do corpo
a nudez duns seios nus
entre dois vestidos.

Gaivotas no mar:
ramos da copa das águas
cheios de brancas folhas.

A pedra no lago
parte em círculos um Narciso
que se vê ao espelho.

Atrás da janela
estão o pássaro e a rosa:
presos ao seu corpo.

João Tomaz Parreira

***

Vento no Outono frio
Sopra a vida que me deste
Nas folhas caídas

Foi ontem nós juntos
A fonte jorrou amor
Em néctar dos Deuses

No Inverno frio
Do meu descontentamento
Chega abraço quente


Inverno tão triste
Entre árvores caídas
Manhã submersa

Agora cai chuva fina
Folhas secas velam o chão
Odor de Outono

Susana Custódio

***

Pingentes nas folhas,
mistérios da madrugada
quando o orvalho cai?

Corpo cobre corpo
O sangue borbulha
Frio vai-se embora


Madrugada clara
No decote do horizonte
Um colo rosado...

Fita de luz: réstia
onde a poeira tem estrelas...
Sol de nebulosa

Reflexo de prata:
Luar despeja-se no mar
– Espelho do céu

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

***

Alegria

luminoso som
claro riso de criança
flor que desabrocha.

Paz

cristalino som
de água. perfumada
brisa. laranjeiras.

Lua

distante farol
barco na profundidade
dos distantes céus.

Espera

um tempo sem tempo
ausência de sentido
desfolhar da flor.

Alentejo

cavalo de luz
dorso que se oferece
nos raios de SOL.

Tmara

***

apartamento gelado
a pilha de roupas respira
o gato usa cueca no pescoço

Renato de Mattos Motta

***

A minha casa
perdida no oceano
lençol branco contra o céu.

Céu plúmbeo,
vento gélido
os meus passos no temporal.

As pétalas caem
e a cascata corre
os nosso corpos nus no onsen.

Numa mão
seguro o vento,
na outra, também.

As folhas húmidas
o breve murmúrio
do aguaceiro.

Lucília Saraiva Pereira

***

O piano mudo
De velho sofre e revela
Seu corpo desnudo.

Morre em paz a rosa
sorrindo em pétalas...
seu dever, formosa.

Tal sol, com calor...
Homem, seja tu semente
de paz, bem e amor...

O verde se pinta
Mostrando serenas tramas
Recriando a tinta.

No céu, uma flor
De nuvens bem feita nunca
Recebeu amor.

Célia Lamounier de Araújo

***

Dias de chuva
Os chapéus abrem-se
As flores aguardam

Campos de neve
Uma ave negra
Desfaz o sonho

Numa árvore despida
Um ninho espera
Pelo amanhã

Olho pela janela
A chuva cai
O tempo escorre

Percorri a floresta
Não me perdi
Mas saí outro

J. Caldas

***

contigo eu sou...
como relva a crescer!
um touro solto

Francisco Coimbra

***

Rasguei-te carne,
Tripas, ventre, coração
Mas não foi por mal

O falo em ti
Teu coração em mim
Divina bênção

És oiro, prata, jade
Seios de cristal
Olhar de fêmea

Haiku gajo ‘tá
Mais ou menos tarado
E sem melhoras

Um anjo fugiu-me
Naquela madrugada
Tão sorrateiro

Luís Graça

***

o vento que surge
nos meandros da floresta
é a festa das nuvens

se por ver se sabe
um olhar abre janelas
da cor da dádiva

para cá do além
sem ter longe a distância
confunde-se em nós

Jorge Castro

***

Jarro na cabeça,
água nos olhos da aldeã.
O rio das mil fontes.

Mãe triste a bordar,
a criança suja na terra.
Campos por lavrar.

Cavalo da terra
corre veloz pelos prados.
O vento no dorso.

Melros e pardais
nos ramos de um castanheiro,
as ovelhas pastam.

Uma nuvem branca,
um barco vagueia no mar:
os peixes nas redes.

Luís de Aguiar

***

Ser feliz é ter
A luz da sabedoria
E da palavra.

Criança feliz
Cheia de Amor e Paz
Flor do meu jardim.

Jorge Barroso

***

Olha para o espelho
Veja a pureza do rosto
E cobre-o com véu

Nimbo pardacento
Verão com gosto de inverno
Céu sombrio cinzento

Malubarni

***

Tocar o céu
na bruma do desejo
infinito…

Tocar o mar
nas ondas salgadas
da tua boca

E perder nos
teus braços o último
fôlego de Vida…


Otília Martel

***

Mar e céu azul
Amendoeiras, pinheiros –
Areia, distância

Ontem foi manhã
Eras tu e o sol a arder –
E um filme sem fim

As rochas, o Guincho,
Safiras, asas, e bruma
– Os ventos, o mar

Areias no vento
Ladram os cães no quintal
– Calma, caravana

Perdeu-se na bruma
A criança sem cabeça
– E agora e agora?

Myriam Jubilot de Carvalho

***

Bicicleta veloz,
brisa de norte, estrada,
eu acompanho-te.

Frio de Janeiro,
cabelos longos, casa
comigo, mulher bela.

Bicicletas lentas,
a força do mar e o céu
ameaçador.

Carlos Teixeira Luis

***

Flutuou no ar
um scherzo em ré menor
e o dia nasceu

Chorou a nuvem
e um colar de pérolas
cobriu a terra

Nasceu a manhã
e ocultou-se na bruma
o silêncio

Os astros cantam
alegre melopeia
no surdo cosmos

A criança riu
O riso cristalino
adoçou o ar

Regina Gouveia

***

Eis a Primavera!
Botões florescem no vaso
Pintado no quadro

Na manhã nublada
Um raio de sol brilha
Num sorriso belo

O longo abraço
Da cortina sobre si
Mostra o arvoredo

Na mimosa flor
Que da árvore voou
Vi o Universo

Pólen a pairar
Em raio de sol poente
Planta um jardim

Ilona Bastos

***

habita a luz
coração inocente,
foge da treva.

chamo por ti,
vem uma estrela nua
pousar na água.

ao sol quente,
o gato pinga horas
abismado.

o nó dos dias
esse baraço solto
quando cai.

há um relógio
aqui a pulsar sangue
orvalho e luz.

José Ribeiro Marto

***

Eis a Primavera
E a tiara de andorinhas
Cobrindo-lhe a testa.

No Outono escarlate
Sinto-te as folhas dançando
Pousadas nos lábios.

Com as mãos, afasto
-te a branca neve dos ombros
No estertor do Inverno.

No final dos ciclos
Sobram as palavras vãs
P'ra nos confortar...

Alexandre Homem Dual

***

Milhares de mãos
depositam sonhos
numa urna

Haiti —
lágrimas desesperadas
removem os escombros

Jantar abundante —
Ela, tal como a Lua,
cheia

Crise —
depois do último cheque
não voltei a mexer as peças

Nuno Graça

***

ao cair da noite
respiração da cidade
o regresso a casa

sol da manhã
penteio o meu cabelo
na varanda

manhã de neblina —
ameixieiras em flor
acendem o dia

baloiçando ao vento
papagaios de papel
o coração voa

memória de infância
meu avô agricultor
semeando o trigo

Leonilda Cavaco Alfarrobinha

***

Some
depois do almoço
a minha fome.

Adauto Suannes

***

Obrigada a todos os participantes; obrigada à Cosmorama pelos livros oferecidos e obrigada ao Luís Gaspar, pela gravação.
E... até ao próximo passatempo etéreo!

Prémio D. Dinis 2009 para Vítor Aguiar e Silva

O Prémio D. Dinis 2009, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, foi atribuído ao investigador de literatura Vítor Aguiar e Silva pelo seu livro A lira dourada e a tuba canora: novos ensaios camonianos, publicado em 2008 pelos Livros Cotovia.

Vítor Aguiar e Silva nasceu em 1939.
Tem-se dedicado especialmente ao estudo da Teoria da Literatura, domínio em que a relevância do seu ensino e da sua investigação é nacional e internacionalmente reconhecida, e da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo. Os estudos camonianos têm constituído objecto constante da sua actividade de investigador.
Tem desempenhado funções docentes, como professor visitante, em diversas Universidades estrangeiras.
Orientou numerosas dissertações de mestrado e doutoramento, na sua maioria publicadas.
Ocupou, por escolha governamental, diversos cargos nas áreas da Educação e da Cultura.
Autor, entre outros, dos seguintes trabalhos: Para uma interpretação do Classicismo, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa, Teoria da Literatura, Competência Linguística e competência literária: Sobre a possibilidade de uma poética gerativa, Análise e metodologia literárias e Camões: Labirintos e fascínios (obra galardoada com o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Escritores).
A Universidade de Évora atribuiu-lhe o Prémio Vergílio Ferreira de 2002.
Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Caixa Geral de Depósitos, o mais alto galardão literário existente em Portugal.

Prémio Literário Cidade de Almada

O Prémio Literário Cidade de Almada tem uma periodicidade anual e deverá, alternadamente, distinguir um dos dois géneros literários: Romance ou Poesia.
A edição de 2009 contempla poesia.
À 21ª Edição do prémio Literário Cidade de Almada podem concorrer todos os indivíduos que apresentem os seus trabalhos nas condições que se seguem: São admitidas a concurso exclusivamente obras inéditas em língua portuguesa; As obras concorrentes, devem observar as seguintes condições de apresentação: Três exemplares; As páginas devem ser numeradas, apresentando na capa o título da obra, o pseudónimo do autor e a indicação do concurso, mínimo de 30 páginas; Juntamente com os três exemplares deverá ser apresentado um sobrescrito fechado, contendo no interior: os elementos de identificação do concorrente e, no exterior, o título da obra e pseudónimo; e menção "Prémio Literário Cidade de Almada".
As obras admitidas a concurso terão que respeitar as seguintes características gráficas: suporte papel, formato A4, tamanho 12, espaço de 1,5 entre linhas.
Cada concorrente poderá apresentar mais do que um trabalho, desde que os envie separadamente e com pseudónimos diferentes.
Os trabalhos a concurso deverão ser entregues, via correio ou em mão até 31 de Março de 2009.

Via correio: Secretariado do Prémio Literário Cidade de Almada - Fórum Municipal Romeu Correia - Divisão de Bibliotecas - Praça da Liberdade, 2800 – 648 Almada.
Em mão: Na Biblioteca Municipal de Almada, Praça da Liberdade, 2800 -648 Almada, durante o horário do expediente de segunda a sexta-feira das 10h – 18h, no Secretariado do Prémio Literário Cidade de Almada.

As obras devem ser enviadas ou entregues com indicação do concurso e do pseudónimo no espaço destinado ao remetente, e acompanhadas pelo envelope referido.

Prémio: haverá um único prémio, não divisível, no valor de 5.000 euros.

Organização: Câmara Municipal de Almada

Mais informações:
Fórum Municipal Romeu Correia
Praça da Liberdade, Almada
Tel:21 272 4940
Email:acalado@cma.m-almada.pt
Sítio: http://www.m-almada.pt/bibliotecas

terça-feira, 24 de março de 2009

Curso de E. M. de Melo e Castro na Associação Agostinho da Silva

O poeta E. M. de Melo e Castro vai dar um curso na Associação Agostinho da Silva com o título
"Raízes da Visualidade Ocidental"


Sinopse:
Originalmente, no Egipto antigo, desenhar, escrever e pintar eram o mesmo acto e tinham o mesmo significado. Uma escrita hieroglífica de tipo ideogramático proporcionava essa identificação que, de certo modo, ainda se mantém nas escritas ideogramáticas contemporâneas, como a chinesa e a japonesa.
Mas a adopção e o desenvolvimento das escritas alfabéticas na antiguidade clássica greco-latina, veio desfazer essa identificação, criando-se a arte da escrita (Caligrafia), o Desenho e a Pintura como formas de arte diferenciadas. Durante a Idade Média essas formas de arte enraizam-se na cultura do mundo ocidental e na Renascença estruturam-se em termos que haviam de se tornar modernos e contemporâneos.
No entando, alguns resíduos do original "ideogramatismo" permaneceram no subsolo dos nossos actos da escrita e da leitura, até que, primeiro no período Barroco e depois nos movimentos de Vanguarda do século XX, se voltaram a afirmar, aproximando estruturalmente a arte da escrita alfabética das artes ditas plásticas do desenho e da pintura, desenvolvendo-se formas híbridas a que hoje se chama genericamente Poesia Visual.
O objectivo deste curso é estudar de uma forma sistematizada e sincrónica esses movimentos de intersecção contemporânea entre a arte da escrita e as artes plásticas, evidenciando que as novas tecnologias informáticas caminham para um novo sentido ideogramático da comunicação, sendo ao mesmo tempo, instrumentos de criação de novas formas de arte.
O desenvolvimento desta temática far-se-á segundo os seguintes tópicos programáticos:
- Leitura do programa e de textos introdutórios
- Leitura e comentário do texto "Poesia e visualidade"
- Poemas visuais desde a antiguidade até hoje
- As tecnofanhias alexandrinas e romanas
- Leitura do poema OVO de Simias de Rodes
- As sinalizações originais e as origens da escrita
- Classificação das escritas, segundo Geoffrey Sampson
- Origens da nossa escrita "alfabética" (sua escrita e sua leitura)
- Poesia visual medieval (Carmina Figurata)
- Poesia visual barroca sua recuperação e interpretação em
A Experiência do Prodígio
de Ana Hatherly
- O entrecruzamento contemporâneo entre a escrita e a pintura:
...• o ponto de vista da pintura
...• o ponto de vista da escrita
...• Caligramas (Apollinaire, Albert-Birot e Almada)
... Futurismo e DADA
...Apoteose de Mário de Sá-Carneiro
... Caligrafia e Tipografia criativas
...Poesia Concreta: portuguesa e brasileira
... Infopoesia concepto visual (O Olho Críptico)

Este curso terá 10 sessões, de 13 de Abril a 15 de Junho, às segundas (18h00-19h30)

Inscrições até à primeira sessão do curso: 95 euros (com direito a Certificado de Participação)

E. M. de Melo e Castro
Doutor em Letras USP, Brasil
Professor da ESAP, Porto, Portugal

Associação Agostinho da Silva
Rua do Jasmim, 11, 2º
1200-228 Lisboa
E-Mail: agostinhodaSilva@mail.pt
Tel.: 21 3422783 / 96 7044286
Site: www.agostinhodasilva.pt
Blogue: www.novaaguia.blogspot.com