sábado, 17 de janeiro de 2009

Outras sugestões para os próximos dias


20 de Janeiro (terça-feira)
:

OEIRAS – CASO
Vai ter lugar, no dia 20 de Janeiro, entre as 14H30 e as 16H00, no Centro de Acção Social de Oeiras (CASO), uma Palestra sobre António Gedeão, por Maria Ivone Vairinho, Presidente da Associação Portuguesa de Poetas, com a colaboração do Grupo de Jograis “Oeiras Verde” e do fadista João Sobral.
Participação de Associados da APP.


LISBOA – A.E. da Universidade Nova
20 de Janeiro, pelas 16H00: Poesia de Joaquim Evónio e outros poetas, na Associação de Estudantes da Universidade Nova de Lisboa - Av. de Berna.






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21 de Janeiro (quarta-feira):

LISBOA - Livraria Círculo das Letras
21 de Janeiro pelas 18.45h:
Manuel Alegre - “Sete Partidas”
Leitura crítica por Paulo Sucena.
Participação de António Borges Coelho.
Leitura de poemas por Manuel Alegre.
Na Livraria Círculo das Letras: Rua Augusto Gil, 15 B – LISBOA

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22 de Janeiro (quinta-feira):

LISBOA – Biblioteca Museu República e Resistência
No dia 22 de Janeiro, pelas 19H00, vai ter lugar, na Biblioteca Museu República e Resistência (Espaço Grandella), Estrada de Benfica, 419, o lançamento do livro "Esboços Pessoanos", em 5.ª edição, da autoria de Joaquim Evónio, com desenhos de José Jorge Soares.
Haverá Madeira de Honra, Música e Poemas nas diversas línguas (português, inglês, italiano, castelhano e francês).
Estarão disponíveis "Esboços Pessoanos" originais de José Jorge Soares.


ÉVORA - Bibliocafé Intensidez
No dia 22 de Janeiro, vai ter lugar no Bibliocafé Intensidez, pelas 21H30, uma sessão de homenagem à poeta Margarida Morgado.
O Intensidez Bibliocafé fica na R. do Escrivão da Câmara, 10, em Évora.
E o blogue, aqui: http://intensidez.blogspot.com


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23 de Janeiro (sexta-feira):

CASCAIS – Biblioteca Municipal
A próxima sessão das Noites Com Poemas terá lugar no próximo dia 23 de Janeiro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.
Integra-se esta sessão numa série de iniciativas - Rumo ao Centenário - que um grupo de cidadãos tem vindo a levar a efeito no âmbito da preparação dessa efeméride que será, em 2011, o centenário dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de Rana.
Como tema da sessão de poesia: Solidariamente - Rumo ao Centenário.
O grupo que dirá poemas é constituído por: Jorge Castro, Edite Gil, Carlos Peres Feio, Estefânia Estevens, Francisco José Lampreia e João Baptista Coelho.

VOLTE-FACE no Tambor Q Fala

Performance 23 Janeiro • 22H00
Tambor Q Fala

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Lembrar Eugénio de Andrade

Na passagem do 86º aniversário do nascimento de Eugénio de Andrade, a Fundação Eugénio de Andrade fará na próxima segunda-feira, dia 19, pelas 18h30, o lançamento de uma nova edição de À Sombra da Memória. Na sessão de lançamento António Oliveira fará a apresentação do livro, o actor António Reis lerá um texto original de Gonçalo M. Tavares escrito para esta edição e serão ditos poemas de Eugénio de Andrade.
A entrada é livre.
A Fundação Eugénio de Andrade fica na Rua do Passeio Alegre, 584, no Porto.

Prémio Portugal Telecom 2009

Já abriram as inscrições para a sétima edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura.
Para participar, os interessados devem preencher a ficha de inscrição e enviar quatro exemplares do(s) livro(s) que pretendem apresentar a concurso, até dia 28 de Fevereiro de 2009.
Podem concorrer romances, contos, poesias, crónicas, dramaturgias e autobiografias, desde que tenham sido escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição entre 2005 e 2008, e desde que tenham a primeira edição no Brasil em 2008.
O “Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira” foi criado pela Portugal Telecom Brasil em 2003 para prestigiar e divulgar a produção literária brasileira, tendo-se tornado em poucos anos num dos mais prestigiados do Brasil.
Em 2007, conservando a sua estrutura básica, o Prémio estendeu-se a todos os livros escritos em língua portuguesa editados no Brasil, garantindo maior intercâmbio literário entre os países lusófonos.
O Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2009 contemplará os três vencedores com cerca de 32 400 euros para o primeiro lugar, cerca de 11 300 euros para o segundo e cerca de 4 800 euros para o terceiro.
Mais informações, aqui.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Passear pelos lugares a ouvir poesia

O Walking Poetry é um projecto extraordinário da Livrododia, que alia um guia turístico virtual à história local e à poesia. O primeiro Walking Poetry será implementado no Município de Torres Vedras, já no início deste ano, sendo que se seguirá a implementação em outras autarquias do país.
Com os Walking Poetry, a Livrododia pretende criar um conceito de passeio pedestre e de turismo cultural, de grande autonomia para o visitante, estudante ou turista, enriquecedor do ponto de vista cultural e patrimonial e inovador.
Estes percursos pedestres, sem guia, terão apenas o auxílio de um mapa e de um leitor Mp3. Sobre cada ponto de interesse, haverá uma leitura explicativa e um texto poético/literário sobre o mesmo (em várias línguas). Esta ferramenta será assim uma nova forma de ensinar a história e a literatura dos lugares e um meio para os habitantes e visitantes compreenderem as cidades, vilas e lugares, bem como a sua construção.
Ou seja, passear, ouvindo a poesia dos lugares...

Mais informações, contactar a Livrododia:
Tel./Fax: 261 314 286
mail@livrododia.com.pt
www.livrododia.com.pt

Surrealismo no Algarve

Iluminações descontínuas
Surrealismo actual

Patente na Sala de Exposições Temporárias Manuel Gambôa, no Convento de S. José, em Lagoa, de 17 de Janeiro a 28 de Fevereiro de 2009.

Inauguração: 17 de Janeiro, pelas 17 horas, com a presença de alguns artistas participantes.

Música • Poesia • Pintura ao vivo

Participantes:
Alcota, Aldo (Grupo Derrame) (Chile)
Arrabal, Fernando (Espanha)
Ávila, Sara (Brasil)
Beneyto, António (Espanha)
Berger, Cristian Arregui (Grupo Derrame) (Chile)
Bervoets, Jan (Holanda)
Bordese, Marcelo (Argentina)
Bubenik, Josef (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Budik, Arnost (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Carvalho, Miguel de (Portugal)
Corsiglia, Laura (Canada)
Desrozier, Gilles (França)
Dubois, Lou (França)
Ducornet, Guy (França)
Duvall, Jan Schlechter (Indonesia)
Filipová, Linda (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Fox, Kathleen (África do Sul)
Gamboa, Manuel (Portugal)
Gazel , Amirah (Costa Rica)
Girard, Guy (França)
Gonçalves, Eurico (Portugal)
Graubard, Allan (EUA)
Guedes, Maria Estela (Portugal)
Hausner, Beatriz (Chile)
Henao, Raul (Colombia)
Hernandez, Rodrigo (Grupo Derrame) (Chile)
Huerta, Miguel Angel (Derrame) (Chile)
Kerndl, Lubomir (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Kremlacek, Josef (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Kubicek, Vladimir (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Labrin, Jorge Leal (Chile)
Leite, Paulo (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Lemos, Fernando (Portugal)
Lima, Sergio (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Lina, Rik (Holanda)
Lohlé, Miguel (Argentina)
Luz, Alfredo (Portugal)
Marques, Maria Regina (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Martins, Carlos (Portugal)
Moraes, Deusdedit de (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Mota, Rodrigo (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Moya, Pastor de (Republica Dominicana)
Nogueira, Luisa (Portugal)
Pajurek, Vaclav (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Peixoto, Seixas (Portugal)
Perez, Raul (Portugal)
Pessoa, Heloisa (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Piza, Zdenek (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Puga, Alejandro (Argentina)
Rasteiro, João (Portugal)
Roque, Fátima (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Santiago, Enrique de (Grupo Derrame) (Chile)
Sardan, Zuca (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Searom, Anasor ed (Brasil)
Simpson, Gregg (Canada)
Tentindo, Virginia (Argentina)
Vancrevel, Laurens (Holanda)
Verdugo, Rodrigo (Grupo Derrame) (Chile)
Vlad, Sasha (Romenia)
Vorel, Ondrej (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Vries, Her de (Holanda)
Wald, Susana (Hungria)
Welson, John (Inglaterra)
Wolf, Jan (Grupo Styr Up) (Rep. Checa)
Zeller, Konrad (Grupo Surr. São Paulo) (Brasil)
Zeller, Ludwig (Chile)

Os nomes a azul, são alguns dos autores que marcarão presença no evento.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Poesia de Choque no CLP

"A poesia não tem que ser a poesia dos prémios nem das honras nem das solenidades. Essa poesia existe. Respeitamo-la, mas não é dela que vamos tratar. Nós vamos tratar da poesia que incomoda, da poesia que se diz e se escreve a gritar, da poesia que vai contra a norma, da poesia daqueles que não se conformam com um mundo único e irreversível.
Vamos tratar da poesia que fala do amor mas não o amor ingénuo e previsível, do amor como urgência do ser humano íntegro e integral. Vamos tratar da poesia que fala da liberdade, da liberdade sem limites, absoluta, da liberdade livre da criação. Vamos tratar da poesia que canta o decadente, o maldito, aquele que vive como poeta para lá das convenções, para lá das linhas rectas. Vamos tratar da poesia que intervém, que não se contenta com a vidinha, que faz a crítica do instituído. Vamos tratar da poesia que rompe as fronteiras entre o leitor e o poeta, entre o performer e o público, que quebra as distâncias que ainda acontecem nas sessões de poesia."


Poemas de: Charles Bukowski, Nietzsche, Charles Baudelaire, A. Pedro Ribeiro, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Jim Morrison, Antonin Artaud, Henri Michaux, Levi Condinho, José Mário Branco, Almada Negreiros, Mário Cesariny, Àlvaro de Campos, Luís Carvalho, entre outros.

António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho
Clube Literário do Porto
16 de Janeiro • 21H30

Porto entre mares de poesia

A Reitoria da Universidade do Porto convida para o lançamento do CD "Entre Mares" de Clara Ghimel, a realizar no próximo dia 14 de Janeiro, às 18h30, no Salão Nobre da Reitoria da U. Porto.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Novidades Assírio & Alvim

OFÍCIO CANTANTE — Poesia completa
Autor: Herberto Helder
Colecção: Documenta Poetica
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia
Formato e acabamento: 14 x 20 cm, edição encadernada
N.º de páginas: 624

Apresentação:
Ofício Cantante foi o título escolhido para a primeira publicação, em 1967, de poemas reunidos do autor, na colecção Poetas de Hoje, na Portugália Editora, título agora recuperado para a sua poesia completa. Para além de alguns poemas inéditos (e outros retrabalhados), incluem-se aqui os poemas do já esgotado "A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & inédita", considerado o melhor livro de 2008 por alguma da imprensa especializada.


LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO
DE ÁLVARO DE CAMPOS
[edição fac-similada]

Autor: Mário Cesariny
Colecção: Obras de Mário Cesariny
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia; Revista
Formato e acabamento: 19,5 x 25,5 cm, edição fac-similada


Apresentação:


Coitado do Álvaro de Campos !
Tão isolado na vida ! Tão deprimido nas sensações !

Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia !

Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,

Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele

Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.


Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa !

Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo !

E, sim, coitado dele !
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,

Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele !


Mário Cesariny de Vasconcelos



A VIDA DA POESIA —Textos críticos reunidos
Autor: Gastão Cruz
Colecção: Peninsulares
Ano de edição: 2009
Tema, classificação: Poesia; Ensaio
Formato e acabamento: 16 x 22 cm, edição brochada
N.º de páginas: 400

Apresentação:

A tensão e o rigor exigidos para o poema deverão igualmente consolidar a reflexão que toma por objecto a poesia: um texto de que a emoção não pode estar excluída e em que o poder da palavra continua a ser essencial. Falar de poesia, se não é tentar o impossível aprisionamento do poema ou do seu fugidio sentido entre as linhas do quadrilátero onde eles não hão-de caber, não poderá ser, também, o desajustado divagar extrapolante que tantas vezes encontramos na chamada crítica de poesia. O entendimento do poema, o acerto com que dele se fala, são fenómenos tão infrequentes quanto o é a criação de verdadeira poesia. E assim como não é fácil dizer por que razão um poema é um poema e não um simples amontoado de versos ou de frases com pretensões poéticas, difícil será explicar por que um texto sobre poesia não falha (quando não falha) o seu objectivo, que é entrar no «lago escuro», não para o iluminar, mas para lhe conhecer a escuridão.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Sugestões para os próximos dias


13 de Janeiro (terça-feira):

LISBOA - Livraria Círculo das Letras
Na Livraria Círculo das Letras:
13 de Janeiro de 2009 – Terças Feiras de Poesia: 18H30 – Poesia de Mário Dionísio por Luís Miguel Cintra.
Eduarda Dionísio dará uma curta informação sobre a “Associação Casa da Achada - Centro Mário Dionísio”.
A Livraria Círculo das Letras fica na Rua Augusto Gil, 15 B, em Lisboa.

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14 de Janeiro (quarta-feira):

SETÚBAL – Universidade Sénior
Apresentação do livro de poesia de João Tomaz Parreira
“Os Sapatos De Auschwitz”, em Setúbal, na Universidade Sénior (aula de poesia)
e Palestra no Salão Setubalense.
14 de Janeiro, às 15 horas.




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16 de Janeiro (sexta-feira):

PORTO - Clube literário do Porto
Dia 16 de Janeiro, no Piano-bar do Clube Literário do Porto:
21h30
Poesia de Choque
Organização: António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho.





LISBOA – Fábrica Braço de Prata
Vai ter lugar no dia 16 de Janeiro, pelas 21H30, a apresentação do novo livro de Pedro Gil-Pedro "Para que Ninguém Sobreviva ao Perdão", publicado pela Cosmorama Edições.
Na Fábrica do Braço de Prata: Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1, 1950-218 Lisboa, (em frente aos Correios do Poço do Bispo).
A apresentação será realizada por valter hugo mãe.



CASTRO VERDE – Centro Cultural
No dia 16 Janeiro, a Associação Artística Andante apresenta "Regressa o trovador", no Centro Cultural de Castro Verde, pelas 18.00 horas.
"Regressa o Trovador", é um Recital de poesia feito exclusivamente com textos de Pablo Neruda.




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17 de Janeiro (sábado):

BRAGA – Livraria Centésima Página
Apresentação do livro “Apoplexia da Ideia”, de Maria Quintans:
Dia 17 de Janeiro, pelas 17 horas.
Sessão de autógrafos e apresentação do livro Apoplexia da Ideia, obra de poesia/prosa poética de Maria Quintans, ilustrada por João Concha e prefaciada pelo escritor e jornalista Fernando Dacosta (Edição Papiro Editora).



LEIRIA - Teatro José Lúcio da Silva
Stand Up Poetry
“DIZ-SE POESIA” com Andreia Macedo
LEIRIA - Teatro José Lúcio da Silva
Sábado, 17 Janeiro - 17:00H



LISBOA - Clube GBES
No dia 17 de Janeiro vai ter lugar no Auditório Clube GBES (R. D. Luis I, 27 - Santos - Lisboa), pelas 15.30h, um Recital de Poesia comemorativo do 10º Aniversário do Grupo de Jograis "U...Tópico".

sábado, 10 de janeiro de 2009

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama

A 12ª edição do Concurso literário bienal “Prémio Sebastião da Gama” pretende promover a criatividade no campo da poesia e divulgar a obra de Sebastião da Gama. Os trabalhos, originais, devem ser entregues até 6 de Fevereiro. O vencedor será conhecido em Maio e receberá um prémio de 2500 euros.
Promotores: Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão - Azeitão.
São parceiros, neste evento, a Câmara Municipal de Setúbal e a Associação Cultural Sebastião da Gama
O regulamento pode ser consultado em www.mun-setubal.pt, em http://pnpsebastiaodagama.googlepages.com ou em http://pnpsebastiaodagama.blogspot.com/

Filo-Café: Salvação e Justiça

28 Fevereiro 2009, 21h30
Orfeão do Porto
Praça da Batalha, 123 – 1º
Porto
Estão abertas as inscrições para o "Filo-Café: Salvação e Justiça".
Inscrições gratuitas, para as áreas abaixo mencionadas, pelo e-mail incomunidade@gmail.com indicando zona de proveniência e área de emissão.
O prazo limite de inscrição é o dia 20 de Fevereiro.

Áreas de Emissão: Pensamento, Fotografia, Música, Performance, Poesia, Pequenas-Comunicações, Artesanato, Filosofia, Semiótica, Pintura, Escultura.

Mais informações, aqui.

Notícias da Livrododia

A loja Livrododia da Avenida General Humberto Delgado (em Torres Vedras) deixará de estar aberta ao público e passará a ter um novo conceito já que, a partir de finais de Janeiro, aí estará sedeada a Livrododia Editores e Serviços. Esta vertente constituirá, em 2009, um dos mais importantes vectores da aposta da Livrododia, que tem como cartão de visita o Walking Poetry, projecto que alia um guia turístico virtual à história local e à poesia. O primeiro Walking Poetry será implementado no Município de Torres Vedras, já no início deste ano, sendo que se seguirá a implementação em outras autarquias do país.
A outra novidade da Livrododia será ao nível das ofertas aos clientes (que já se habituaram a um livro diferente, a cada dia do ano, com 20% de desconto), já que, a partir de agora, durante todo o ano, haverá pelo menos um dia por mês em que os clientes encontrarão uma baixa generalizada de preços na loja do Centro Histórico.
A Livrododia disponibiliza aos seus clientes, para além de livros, artigos de papelaria, brinquedos e gifts, e, ainda, um serviço de cafetaria.
Não deixem, pois, de visitar a Livraria Livrododia (loja do Centro Histórico), na Praça Machado Santos, n.1-4 R/c, em Torres Vedras.
O site fica aqui.

Novidades Corpos Editora


Do Amor e da Espada
Teresa Cuco
Poesia
Dezembro 2008

Curso de Literatura Portuguesa

Curso de Literatura Portuguesa na Galeria Matos Ferreira
por Duarte Drumond Braga

21 de Janeiro a 11 de Março / 2009
Bairro Alto: Rua Luz Soriano, 18 - LISBOA

O objectivo do Curso é fornecer um panorama da literatura portuguesa da geração de 70 até ao modernismo, um dos períodos mais ricos da nossa tradição literária.
O curso dividir-se-á em dois blocos, o primeiro dos quais respeitante ao período que vai de 1865 até às correntes finisseculares, e o segundo relativo ao modernismo, sendo que a primeira aula de cada bloco será sempre dedicada à necessária contextualização histórico-cultural.

Programa:
I. Da Geração de 70 até às correntes do fim-de-século:
• A geração de 70 e os caminhos do Fim-de-Século;
• António Nobre: memória individual e memória nacional;
• Cesário Verde: a transformação poética do mundo;
• Os Pobres de Raul Brandão: a ficção no fim-de-século.
II. O Modernismo Português
• O modernismo em Portugal e a modernidade estética;
• Poesia de Teixeira de Pascoaes: panteísmo e saudade;
• Introdução a Fernando Pessoa;
• Alberto Caeiro: ignorância e revelação.

Horário, inscrições e preço:
As aulas serão realizadas em período pós-laboral às quartas-feiras, de 21 de Janeiro a 11 de Março, inclusivé, ou seja nos dias 21, 28, de Janeiro, dias 4, 11, 18 e 25 de Fevereiro e ainda nos dias 4 e 11 de Março, das 19h00 às 20h30.
O Curso tem um limite máximo de 20 participantes.
Preço: 70 euros, podendo ser pagos em duas prestações de 35 euros cada, devendo a primeira ser paga até 28 de Janeiro e a segunda até 25 de Fevereiro.
Inclui material de apoio e confere ainda o direito a certificado de participação.
Inscrições: Tel.: 21 323 00 11 • Tlm.: 96 295 37 22 • E-mail: mfgaleria@netcabo.pt

Perfil do Formador:
Duarte Drumond Braga é licenciado em Estudos Portugueses pela FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e prepara uma dissertação de mestrado em Estudos Comparatistas sobre literatura portuguesa do fim-de-século.
Leccionou já também cursos sobre cultura e literatura portuguesa dos séculos XIX e XX. Tem publicado alguns trabalhos científicos sobre literatura, cultura e pensamento português, dentro os quais se destaca a co-organização, com Paulo Borges, do volume O Buda e o budismo no ocidente e na cultura portuguesa. Pertence à direcção da Associação Agostinho da Silva.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• www.mensagens para rir ate chorar
• vestido usado por patricia poeta entrega de premiação
• vidente sophia de mello breyner andreson
• restaurante oficina dos sabores em aveiras de baixo
• tabacaria mateus loule
• como construir uma estante para car audio
• Festa, da, espuma, pulsar, 30, de, dezembro, de, 2008
• zonas industriais de s.joao da madeira
• ana hartley poema
• premios recebidos a sophia mello brian

(Tal e qual como estavam escritas)

Lembranças

Chorar pelos vivos que falecem
é natural — coisa lacrimal.
A carne sente a falta do costume
às tantas... tem fome.
Não choro ninguém.

Quando digo chorar é outra pressa
de chegar a tempo
da conversa atenta com um amigo
que nos quer bem.

Chorar por ninguém é chorar pelos vivos
que já morreram, sem o saber,
e vivem no seu presídio.

O resto, repito, é fisiologia
provocada, e ainda bem, pelo riso,
ou pela dor que temos de já ter nascido
e sermos chorados por alguém.

Ruy Cinatti

Na voz de Luís Gaspar:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro

Estão ainda abertas as candidaturas para a 33ª edição do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro, para os jovens portugueses de Portugal Continental e Regiões Autónomas, e jovens portugueses e luso-descendentes espalhados pelo Mundo.
Este prémio literário, nas modalidades de poesia e prosa, destina-se a revelar e divulgar valores literários dos jovens, sendo assim um estímulo à sua capacidade criativa.
O Prémio está dividido em dois escalões etários:
Escalão A, dos doze aos quinze anos, inclusivé;
Escalão B, dos dezasseis aos vinte anos, inclusivé.
Os trabalhos apresentados a concurso terão de ser originais, e o tema é livre.
No que diz respeito à modalidade de Poesia, se os concorrentes enviarem mais do que uma poesia, as mesmas serão agrupadas constituindo-se um conjunto de poesias.
Os trabalhos deverão ser enviados até ao dia 13 de Março de 2009.
O Júri deste concurso é constituído por Matilde Rosa Araújo, Alice Vieira e António Torrado.
As decisões do Júri serão divulgadas durante o mês de Maio de 2009.
Ao autor do melhor trabalho em poesia e/ou prosa, dentro de cada Escalão etário serão atribuídos os seguintes prémios:
- Obras de Ferreira de Castro.
- Um prémio pecuniário no valor de 500,00 €.
Para mais informações e consulta do Regulamento, consultar o site da Associação Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro, aqui.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Prémio Daniel Faria

Foi prorrogado o prazo de entrega de candidaturas para o Prémio de Poesia Daniel Faria 2009 para 30 de Janeiro de 2009 e alterada a morada para a qual deverão ser enviados os trabalhos para: Avenida Carlos Bacelar, 968, Salas 3A e 4A, 4760 Vila Nova de Famalicão.
O regulamento alterado estará em breve disponível aqui.

Nâzim Hikmet terá de volta a cidadania

A Turquia anunciou esta segunda-feira que vai devolver a cidadania ao poeta turco Nâzim Hikmet, que foi processado por ter posições de esquerda e que morreu no exílio em Moscovo, em 1963, depois de ter sido declarado traidor. Hikmet, cujos versos revolucionaram a poesia turca nos anos 30, é considerado o maior poeta turco do século XX. Artistas turcos, incluindo o Prémio Nobel de Literatura Orhan Pamuk, dizem há muito tempo que o caso dele é exemplo da repressão movida pela Turquia contra os intelectuais. O poeta, cuja obra chegou a ser proibida no seu país e que foi traduzida para 50 línguas, passou anos na prisão na Turquia e, em 1959, foi destituído da sua cidadania turca por ser comunista.
(Fonte: Mundo Pessoa/Reuters)

Livro "Os cavalos a correr" recomendados pela Casa da Leitura da Gulbenkian

Colectânea de textos poéticos agrupados em torno da temática animal e do motivo do cavalo, esta publicação passa em revista algumas das figuras equídeas da tradição cultural, literária e artística, recriando o significado simbólico da espécie e a sua recorrência nas produções humanas ao longo dos tempos. Assim, desde Pégaso, o cavalo alado da mitologia grega, aos cavalos que marcaram as obras de escritores como Lorca, Kafka ou Leopold Sédar Senghor, muitas são as referências ao carácter nobre, veloz, perfeito e belo da espécie, simbolicamente conotado com a velocidade, o equilíbrio e também a liberdade. Em verso livre ou com recurso à rima, o poeta reescreve, afinal, a sua visível atracção por uma espécie que, de tempos a tempos, vai marcando as poéticas de diferentes escolas e correntes (...).

Título: Os cavalos a correr
Autor(es): Amadeu Baptista, Estela Baptista Costa (ilustrador)
Editora: Trinta por uma linha
Data de edição: 2008

A Casa da Leitura fica aqui.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Universidade Sénior Eugénio de Andrade

Na próxima quinta-feira dia 8, pelas 11h00, vai ser oficialmente consagrada com o nome de Eugénio de Andrade a Universidade Sénior que já tem vindo a funcionar nas instalações do Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto, na Rua Alves Redol, 292, Porto.
Na oportunidade o actual Presidente da Fundação Eugénio de Andrade falará da vida e obra do autor de As Mãos e os Frutos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Novidades &etc


















Os Selos da Lituânia

Amadeu Baptista
Poesia
Prémio Edmundo Bettencourt – Cidade do Funchal, 2008
Edição &etc Janeiro 2009,
produzida por Edições Culturais do Subterrâneo, Lda.



substituí no coração o meu avô, que era barqueiro,
por este homem que morava no segundo andar
do prédio em frente. à porta, sobre uma coluna de madeira,
tinha uma begónia sempre florida e uma avenca,
e só me permitia entrar sob promessa
de estar calado e de, em caso algum, tocar em nada.
invejava-lhe a caneta azul-escuro montblanc, com aparo
de ouro, quase igual à que alguém me ofereceu
no último aniversário, e a caligrafia taquigráfica
que eu não sabia ler, mas admirava,
pelo negro brilhante a inscrever-se
no papel branco ou lilás que utilizava.
ele escrevia quase incessantemente.
à tarde recebia muita gente que trazia,
em pastas de couro muito velhas, inúmeros
documentos, áscuas de um mistério
absoluto. analisava tudo pormenorizadamente
e, com minúcia, anotava-os, sempre em busca
de um detalhe talvez inesperado e valioso, que o fazia
ir à procura em livros muito grossos
de coisas que ninguém mais entendia,
com os óculos de massa puxados para a testa
e um lápis viarco atrás da orelha. gostava imenso
de contar histórias, o que acontecia
quando estava bem disposto e se sentava
na poltrona forrada de veludo, ou porque os negócios
lhe corriam melhor do que esperara
ou o almoço estivesse para além das suas expectativas.
fazia uns cigarrinhos que fumava e deslumbrava-me
a extrema destreza com que punha
entre os dedos os fios de tabaco e os enrolava
na mortalha, molhando-a com saliva,
num movimento rápido dos lábios e da língua.
depois, ficava horas a desfiar aventuras em cima de aventuras,
que só tarde demais percebi que inventava
e nada tinham a ver com a sua própria história,
embora hoje ainda me espante como divagava
assim sobre tigres e leões sem os ter visto alguma vez
e as suas viagens não passassem
de tristes itinerários entre os guindais e a cantareira.
falava sobre os vulcões da islândia e o mar de riga
com a familiaridade de quem lá tivesse vivido a vida inteira
e o seu olhar adensava-se sobre as coisas
como se nesse momento estivesse de partida.
havia dias em que estava deprimido
e mais para o fim, um dia, reparei
que secretamente observava
um volumoso conjunto de postais
de mulheres nuas que mais tarde
vim a encontrar reproduzidas numa edição
da forbiden erotika e o devem
ter aliviado do desalento de estar um homem velho
e muito fatigado deste mundo
que vale muito pouco para quem, como dizia,
já passou dos setenta e está casado
com uma megera há tantos anos
que só mesmo uma angina de peito faz sentido.
também para o fim, já não tolerava
mais nenhuma presença além da minha
e a de um gato siamês a que estimava
e dava lições de canto ao som de um disco
da callas, sempre o mesmo,
sempre na mesma faixa, durante tempos e tempos
infinitos. no dia em que se foi, jurei para mim mesmo
não mais entrar naquela dependência
e o faria não em sua memória mas em nome
do que me soube e quis ensinar com tanto afecto
e argúcia. é dele que preservo
os selos da lituânia.

Inger Christensen (1935-2009)

A poeta, romancista e ensaísta dinamarquesa Inger Christensen faleceu no passado dia 2 de Janeiro.
Inger Christensen, que integrava regularmente a lista de candidatos ao Nobel da Literatura, nasceu em 1935 em Vejle, era considerada uma das escritoras dinamarquesas mais importantes dos últimos anos e era conhecida pela sua poesia experimental, com formas próprias da matemática ou da música, como a do seu livro "Alphabet", uma das suas obras de referência.
Publicou os primeiros poemas em 1962 e publicou também romances, uma curta ficção sobre o Renascimento italiano, obras para crianças, peças de teatro, peças de rádio, e numerosos ensaios, entre os quais “O Segredo de Estado” (2000).
A escritora foi membro da Academia Dinamarquesa e da Academia Europeia de Poesia e foi distinguida com o prémio nórdico da Academia Sueca em 1994.
Venceu ainda o Prémio Austríaco Europeu de Literatura em 1994, o Prémio Europeu de Poesia em 1995 e o The America Award em 2001, entre muitas outras distinções.
As suas obras estão traduzidas em várias línguas.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sugestões para os próximos dias


8 de Janeiro (quinta-feira):


ESTORIL - Hotel Alvorada
Vai ter lugar no dia 8 de Janeiro, no Hotel Alvorada, no Estoril, pelas 21H30, a apresentação dos livros de António Rebordão Navarro "Romagem a Creta" (Romance, 1ª edição de 1964) e "27 Poemas" (Poesia, 1ª edição de 1988), duas reedições da Edium Editores.
Apresentação a cargo de Fernando J. B. Martinho.

OEIRAS - Livraria-Galeria Verney
Sessão de Poesia lúdica de Ana Briz, inserida no ciclo das "Quintas-Feiras Culturais" da Livraria-Galeria Municipal Verney.
Dia 8 de Janeiro, pelas 16 horas, com a participação especial de André Pacheco na guitarra eléctrica.
A Livraria-Galeria Municipal Verney fica na Rua Cândido dos Reis, 90/90A, em Oeiras.

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9 de Janeiro (sexta-feira):

ODIVELAS – Casa do Largo
Vai realizar-se no dia 9 de Janeiro mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.

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10 de Janeiro (sábado):

LISBOA – Restaurante Vá Vá
Vai ter lugar no dia 10 de Janeiro, mais uma Tertúlia Poética organizada pela Associação Portuguesa de Poetas, no Restaurante “Vá Vá” (Av. Estados Unidos, 100 C, em Lisboa), entre as 15h30 e as 18h30, tertúlia em que todos os presentes poderão dizer poesia sua ou de outros poetas.


PORTO – Espaço Contagiarte
No sábado (dia 10 de Janeiro), Nuno Meireles fará uma leitura encenada do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos.
Operação de Luz/Som: Rui Oliveira
Duração aproximada: 30`
Às 21h45, no Contagiarte (R. Álvares Cabral, 372 - Porto).

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os vossos poemas

Caríssimos etéreos,
O passatempo sobre o vinho foi muito participado. E bem participado, como se pode ver. Desta vez, para a escolha do poema que iria ser gravado em audio, optei por uma solução diferente da habitual: seleccionei dois poemas de autores que nunca publicaram (um deles — o cartunista Álvaro Santos —, penso que esta é a sua primeira experiência em poesia, o que muito me alegra, pois um dos objectivos deste blogue é trazer mais adeptos para a Poesia). Além disso, estes dois poemas que escolhi são bastantes originais e divertidos, o que é óptimo para começar um Ano Novo.
Não se esqueçam de que este "espaço aberto" é um espaço de tertúlia e não de alguma espécie de competição. Para isso existem os concursos literários, com júris e prémios monetários. O poema (ou poemas) que escolho para serem gravados em audio não têm necessariamente de ser os "melhores". Como entenderão, é impossível o Luís Gaspar gravar em audio todos os poemas participantes, pelo que tenho sempre que escolher apenas um ou dois.
A vossa participação nestes passatempos deve ser sempre na óptica da partilha, da sã convivência. E até para divulgarem o que escrevem. Por isso vos agradeço a forma como têm participado nestes passatempos.
Uma nota também de agradecimento ao Luís Gaspar, que tão bem nos soube servir estes "nectares" que gravou, para nosso deleite. Sei que ele também se divertiu a gravá-los.
Aqui ficam, então, todos os poemas que chegaram ao porosidade. E no final, os poemas que foram escolhidos para gravação em audio.
Obrigada a todos, Bom Ano e... até ao próximo passatempo etéreo.


Luís Graça:


Bacchanalibus

As bacantes têm ânforas de vinho no lugar do sexo
e bebem-se de luxúrias com olhos de fogo
fervendo as entranhas deslavadas em tornados

Ao entardecer desfloram o ser das uvas
com línguas ansiosas por trilhar o mosto
de um par de seios com cabeça de fauno

Sacerdotisas de Baco e do prazer
incendeiam de olhares o transe da noite
com poemas subversivos que falam de florestas

Vestem as almas com peles de tigre e de pantera
fachos acesos nas vulvas indomadas
o vinho a escorrer nas suas bocas

Gritam “Evoé” em honra de Euhan
embriagadas pela fúria dos mistérios
sabem a fêmeas e lascívias sortidas

Têm corpos de hera, parra e tirso
desgrenhadas, ululantes, feras em cio
louvando o filho de Zeus e Sémele

Oferecem os seus torsos ao touro
Liber da fertilidade
Grande Empalador do delírio místico

Uvas e vinho são vates da orgia
assim se bastem as bacantes
no saciar lúbrico das ânsias


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Paula Raposo:


O Vinho

Aos primeiros tragos
O vinho amacia as palavras,
Depois
Perturba o pensamento
E convoca
Alucinantes desvarios
Tornando ásperas
As vozes
E confinando a tristeza
A um desperdício.

Um dia o vinho
Clarificará
A metamorfose de mim,
Quando eu o souber
Apreciar
Em todo o seu esplendor
E adocicará
Toda a melancolia
Da saudade.


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Luís Lima:


do vinho que a sangria tem e do sangue também


Jarro de sangria
quase vazio
Sem asa e com azia
na Ásia
Jarro de sangue
de meninas chinesas
Jarro de dor
ardor
Timor
Temor da guerra
Tremor de lágrimas
na água
na terra
do jarro
jarro de sal
no Sudão
na mão de um anão
um canhão
em Braga
artilharia em Praga
Duas raparigas riem
a estudar na tasca
Nos lábios delas
rubros
a sangria
de um jarro vazio
jarro de leite
deleita
na boca preta
de petróleo
um piloto
depois da queda
na areia
do deserto aberto
um oásis de barro
em forma de jarro
retira
reitera
a terra
do astronauta
do cosmonauta
Jarro de estrelas
Jarro de suor
Jarro de sangria
num só dia
À hora de jantar
um jarro televisivo
jarro de fumo
jarro de fome
nos olhos de um condutor
um camião
Jarro de alcatrão
Jarro no chão
quebrado
Jarro de segurança
na boca aberta do piloto
na tenda desfeita do verão
na cama de um beduíno
ainda menino
Jarro de água fria
fresca
Loira como um camelo
a juba das meninas
de Praga e de Braga
entrança-se
e dança
Enquanto a criança descansa
o piloto aterra
e o anão
não
Jarro de saliva
na boca do ministro
sinistro
canastro
cadastro
Jarro de mentira
nos olhos safira
dos colegas
dos amigos
olvidos
Jarro de orelhas
levado pelas abelhas
para recolher o mel
transformado em fel
Filho de Israel
jarro de artilharia
em fogo por um dia
Jarro de alegria
numa noite de silêncio
onde os néons cintilam
Jarro de maré
aos teus pés
No vestido curto
Azul
ausente
jarro de desejo
numa noite sem fim
de lonjura
que esconjura
todos os cosmonautas
que se juntam aos humanautas
todos os trogloditas
que se juntam aos separatistas
quando os argonautas
se juntam aos sauditas
jarro de areia
Na cauda de uma sereia
seria
Jarro de sangria
que bebo neste dia


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Adauto Suannes:


Vinhas tu da vinha,
alquebrada e triste,
nem mesmo sorriste,
quando me fitaste.

Vendo-te sozinha,
tentei um contato,
nem sorri, de fato,
quando me miraste.

“O que te aporrinha?
Que tristeza é essa?
Aonde vais com pressa?
Diga lá, mocinha.”

E o semblante azedo,
ar aborrecido.
Que teria havido?
Estará com medo?

Não me importa a uva,
o vinho é que importa.
Se a casa tem porta,
fuja-se da chuva.

“Cale-se” me dizes,
com ar arrogante,
e um jeito pedante.
Imitas atrizes.

Essa não és tu.
Te conheço bem,
deixa de desdém.
Tomemos um cru.

Tu bebes, pressinto.
A vida é tão curta,
então, vamos, curta
um copo de tinto.

Brindemos a vida,
com taças de vinho,
talvez um beijinho
antes da partida.

Pra que não apanhes
tu um resfriado
aceita um bocado
deste meu champanhe.

Já vejo um sorriso
surgir-te no rosto.
Foi-se o teu desgosto,
voltou-te o juízo.

Não sou adivinho,
sei que voltaria
a velha alegria,
graças ao bom vinho.


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Luís Brito Pedroso:


Spiel mit mir

Sorrir, ao levemente amanhecer
Bebo o vinho e torno-me um menino
capaz de amar uma coisa qualquer
Um menino indivisível
O senhor seguro do seu sonho

O sorriso ao mansamente adormecer
se souber que consigo sonhar que me amas
Eu amo-te
Durmo como um menino


* * *


Durmo

Durmo de mão caída junto ao copo
no fundo inconsciente da note
Luzes brancas desenham
um sorrir de desespero
Há alguém que me adormece
bêbado ao encontro de toda a consciência
E o vinho é uma pergunta, resposta que dura
no mundo morno dos braços da ausência
Sonho que o meu corpo rodeia a tua figura
e atravesso a noite da música
Ando à minha procura
Ando à tua procura


* * *


Vindima

Aniquilar a linha de chuva era um ofício
Passar sobre a margem coisas sem alma
Leves

És apenas alguém que passa
mas não me é leve o teu olhar
Ergo a mão acaricio a vinha
Parece-me que a solução está encontrada

Serei Ulisses embriagado
Descansando e lendo poemas


* * *


Não enveredo pela cinefilia
Alquimia ou crítica de arte
Nem pela genética ou física atómica
Dedico-me ao jornal desportivo
À alheira e ao vinho tinto
Refugio-me numa tremenda lareira de pedra
e isto chega-me para filosofia


* * *


Vidro e Barro

Num local fresco e escuro
a garrafa está deitada há décadas esperando a festa
O desrolhar

Tanto tempo ardeu enquanto esperava o regresso
e planeava a reencarnação
A escrita furiosa de um diário

A garrafa é rodada de tempos a tempos
Os duendes mortos no seu interior
murmuram o químico por exalar

Perguntei aos sábios onde estariam
os precipícios do mar, as fronteiras dos homens
Disseram-me que ainda ninguém sonhara ver o fundo à garrafa


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Joaquim Evónio:



já estás

copos tilintavam
garrafas pululavam
o vinho era bom
depois chegou a cirrose
só mais uma convidada


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Mário Bruno Cruz:



A Boémia antes do Dia

A boémia vivida hoje
é a boémia de Sócrates
que numa noite
no fim disse uma frase
apesar de ébrio
prosseguiu com o vinho
e voltou a falar depois de beber
Venceu aquele debate
apesar do álcool apesar de nada saber
apenas saber beber.


Nota do Autor: Este poema refere-se exclusivamente ao Banquete de Platão no qual participa Sócrates, ateniense e filósofo, e aos factos relatados nesse Diálogo de Platão.

* * *


Ensaio sobre o Movimento

O corpo balança
constrói uma dança
no alcatrão cai e levanta-se
preenchido pelo vinho
não precisa de chorar
mais um passo e ainda é capaz de andar.


* * *


A Baco

As bacantes encantavam Nietzsche
Dioniso protegia-as
como conhecer a desordem do mundo
o total esquecimento de si mesmo
perder o pé
e num copo de vinho
ver o mundo tal qual ele é.


* * *


A Uva

Da uva pisada pela vida
a vida vive do vinho
alegria nos momentos
em que esquecemos o tempo
e na madrugada
brindamos ao novo amanhecer
esse que jamais vamos esquecer.



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Gabriela Rocha Martins:




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José Miguel de Oliveira:


Do outro lado da mesa um copo ergue-se.
No fundo mais circunspecto de uma vida
nenhum licor.

Esta obra ao negro.
Pássaro debicando as elipses anárquicas do pão
fórmula geométrica imperfeita da obra original
como as mãos que cumprem a sua tarefa no tempo.

O pão do trabalho ali deixado no esquecimento
Sempre o trabalho e a tarefa dele próprio
o pão no cesto ali pensado para depois
um copo vazio, esta obra ao negro.

Pudesse eu pensar a vida como uma espiral
combustão do silêncio contido na garganta
carrossel de palavras no sonho das cabeças pendidas
e a luz informulada pelo desejo de escuridão.

Pudesse eu pensar a natureza simples de cada coisa.
Pensar uma árvore por dentro, debaixo uma casa abrigada do sol
Uma toalha dentro da casa, a superfície maciça da madeira por baixo
duas cadeiras - o mesmo chão.

O pão e o vinho derramado sobre a mesa.
A minha tarefa no tempo - esta obra ao negro
nenhum licor.


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Julião Bernardes:


Do vinho quando corre
homenagem aos meus conterrâneos, de Lapas

I
Envelheço nos braços p’las sementes
Que mergulho na enxada, nos arados,
A desbravar o ventre nas entranhas
Revolvendo inquietudes, desboroando
Estes secos torrões que a chuva molha
Enquanto em suor o rosto transfigura.

II
Mas as horas são largas e a energia
Como que não se esgota, permanece
Um não saber dar voz à voz que clama,
Solitária garganta estremecendo
Na desmedida sede da ignorância
Pulsando a intervalos,
Desnudando o silêncio entre as sombras.

Então grita na espuma e burbureja
Um lamento de brasas insubmissas,
Um palpitar de tempos, de alegrias,
De espaços entre os corpos e de abismos
Por onde a sede sobe e se dissolve
Entre névoas de azul!...

Vem beijar-nos no co(r)po as ilusões
E levar-nos ao centro só tocado
Por quem se reencontra no beber
A redimir em náuseas as fraquezas.

III
Já não sei se fui eu — quem mais seria?! —
Que dos troncos das vestes fez raízes
E as mergulhou na terra. Ou foi Zeus?!,
Num êxtase de amor, como relâmpago,
Que deu vida a Dioniso, o mesmo Baco
Em ânsias desmedidas desvendando
O sentido da vida e do destino,
Nessas noites de líquidas visões
Do sagrado emergindo.


…

Esse vinho a meus pés amadurece,
Vermelho como o sangue mas com espuma
Cheiro e sabor inigualáveis
E vai da mão à boca em oferenda,
A mesma da vindima, sobre as parras,
Com carinho de amante, pai, irmão,
Os bagos a vibrar na existência,
Esses beijos de sol que a vida abraça.

IV
Será sempre vermelho o sacrifício
Nos altares a que a vida nos amarra!...
Só quem o vê crescer por sob os pés
Lhe saboreia o travo, na distância
A encurtar as horas siderais…

V
Transportá-lo p’ra fora dos limites
Da terra onde nascer, é corrompê-lo,
É alterar-lhe o rosto e a lucidez
Só dados ao lugar onde fecunda
Naturais comunhões, gestos, sorrisos.

Mas disso apenas sabem os que o colhem
E lhe bebem o sumo, respeitosos,
Mais entregues à vida que a vivê-la.

1997


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Pedro S. Martins :


O corpo bate com a porta
Deixando-te sozinha a despertar de
Uma noite que ainda não devia ter acontecido. Viste
Fatos de cabras dançantes, montanhas sentadas numa cordilheira
Tudo,
Encaixilhado com arte e pendurado na parede lateral da
Tua pobre existência ébria

Agasalhas fígado e rins com roupas tecidas
Por um Baco ensinado por ti. Trocas a sobriedade
Por borrões de esquecimento onde te dói mais. Vives,
Vais vivendo, (viverás?) em banho-maria
Roubas identidades a quem julgas melhor que a tua
Versão original.

Eu,
Do lado sóbrio da vida,
Ainda te consigo ouvir sussurrar palavras cambaleantes com o copo a fazer de barragem entre os lábios:
«O meu problema é o vinho»
Enquanto pensavas:
»O vinho é a solução para o meu problema»
Enquanto eu sentia:
«O teu problema era uma divisão dos dias por zero»


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Leonardo Luz:



Doce olhar

foi o vinho meu amor
que me trouxe de novo aquele olhar
que no meio do tilintar
dos corações eternos e esquecidos
me perdi loucamente, provando
a tua boca cor de carmim
em ti, entrei devagar
toquei o copo, olhar macio
redondo paladar que sempre e por acaso
lembrava o vento
no dia em que partiste

foi assim, inteiro que permaneci
o copo de pé partido
a mesa imóvel lugar de apoio, antes
a paixões flutuantes e agora preso
ao doce agarrar dos teus lábios


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Eusébio Tomé:


Adeus Carrascão do Povo

Bebo desde rapaz como era uso
hoje sou um velho com memória
e ainda que do vinho já não abuse
vou-vos aqui contar uma sua história

O vinho era bebido em tabernas
escorropichado todo de uma vez
até um homem se aguentar nas pernas
e servido em copos de dois ou três

Jorrava da torneira do tonel
carrascão, com suave melodia
e girava pelas mesas a granel
solene, como em sagrada liturgia

Hoje, Deus meu, triste desgraça
bebe-se o vinho de fugida ao balcão
em "penáltis" ou em baças "taças"
vertido de horríveis caixas de cartão

Vai longe o tango e a coladera
o fado modernizou-se e veio o rock
as vindimas manuais são d'outra era
e as cubas são hoje em aço inox

Das barricas, das pipas, dos lagares
resta agora apenas a ilusão
e nos lugares de venda singulares
não se lobriga sequer um garrafão

O vinho era coisa d'agricultores
que eram ainda chamados vinhateiros
hoje foi arrebanhado por doutores,
por enólogos tecnocratas e banqueiros

Adeus Torres Vedras, adeus Cartaxo
o grande Camilo Alves ainda ecoa
esse tempo morreu, foi-se abaixo
vencido pelo Esporão e pela Bacalhoa

Morreu assim o vinho carrascão!...
Os velhos ficam-se agora pelos martinis
a cerveja é a nova rainha do pifão
e a populaça embebeda-se com "minis"


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Jorge Castro:


Elogio ao vinho, à vida
a Francisco Torres, companheiro de lides nos blogs

uvas
rubras
brancas
verdes
sangue da terra e suor
cachos de uvas
tantas vezes
outro nome para a dor

frágeis
expostas
ridentes
ao rés do chão
nas latadas
rubras
brancas
maceradas de geadas e calor
uvas franjadas de seda
parras verdes cuja cor
se mancha de ouro e cansaço
por Setembro e por amor

uvas despidas de frio
engavinhadas na vida
néctar da nossa mesa
por lágrimas
e alegrias
e seguras incertezas
árduos cachos de labor
sangue da terra lavrada
seiva da terra exangue
e suor
tanto suor...

....................................


Raquel Lacerda:


Sobre a mesa
derramava olhares
vítreos, embevecidos.
Seu corpo lembrava um cacho de uva invertido
nas suas saias que dançavam ao ritmo dos rubores,
na face que teimava em queimar, de amores.
Sobre a mesa
se sentava
escutando todos.
Os cabelos eram vermelhos escuros,
da sua boca entreaberta, corriam palavras,
desajeitadas, enquanto ostentava o cálice.
Sobre a mesa,
ela se deitou,
sobre a mesa,
ela desmaiou.

....................................


J. Caldas:


No frenesim das ruas em festa o vinho escorre
A música está alta e os copos brindam
Corpos bailam na cor quente a escorrer nos lábios
A leve embriaguez dos apaixonados

No segredo dos palácios o vinho é emoção
E no rodopiar de volúpia dos que riem
Um hálito que é perfume uma carícia que é húmida
Dançam os copos e os corpos e o desejo

Na solidão fria dum recanto perdido no mundo
Um olhar reconforta-se naquele copo cheio a irradiar luz
As mãos acarinham os lábios afagam
A viagem começa os olhos fecham-se e divagam

Num tempo longínquo numa ceia sagrada
O vinho foi o Ser todo que se ofereceu
Foi sangue e vida foi divindade
Um cálice erguido e o mundo aos pés.


* * *


O caminho é estreito mas o mundo vasto
E os passos são gigantes a cavalgar a euforia
Das estrelas ainda verte o nectar dos deuses
Nas gargantas ainda escorre o vinho que enleva

O olhar baila à velocidade do mundo
Campos semeados de garrafas coloridas
Nelas a seiva o elixir a vida
O delírio é a relva crescer do vinho e ser leito

E a paixão desenfreada explode domina
A sede é muita a relva cresce e o desejo
E rebola-se pela relva num abraço descontrolado
E parte com a garganta a vomitar poemas.


....................................


Vítor Oliveira Jorge:

Vinho

Há dias em que o céu adquire
A cor e a textura do vinho.
São dias abençoados:
As gargantas abrem-se para cima
Viram-se todas como flores abertas para cima
E não podem falar, continuar a encher de ruído
O já tão excessivo ruído deste mundo embriagado.

Há dias em que são como um copo de vinho
Não pousado, mas batido na mesa como uma carta de jogo.
Uma carta violeta, violenta como o corpo de uma mulher
Vestido de veludo, e segurando a cabeça no braço.

Mesmo quem usa pistola, mesmo quem sua
E cheira a cavalo, mesmo quem faz gala de ter um pénis,
Se encolhe, e treme: vinho, vinho muito raro, muito vulcânico
Côa de repente a totalidade das cortinas. E não se ouve nada.

Um copo cheio coloca-se sobre a cara,
No lugar do nariz. Como uma vulva enorme, como
Uma lua. E exige: bebe. Bebe a cor do vinho, esta tinta,
Este sabor tramado. E as pessoas voltam a ser meninos.

Toca a beber, ao ritmo dos tambores. Toca a abrir as gargantas
Como as figuras de guernica. Toca a fazer silêncio total.
A deixar ouvir o deslizar dos líquidos, o seu boiar
Primordial. A mulher vai entrar na taberna.

A mulher das unhas dos pés compridas como espadas,
Como ganchos que se debruçam sobre a carne, e ordenam:
Bebe este sangue, engole de um só travo a cor.

E tu bebes, como criança. E ela sai da sala
Fazendo um ruído metálico com as unhas no chão,
Arrastando o veludo. E levando o copo da tua vida na mão,
Poderosa. Dirigindo-se de costas sabe deus para onde.


.......................


E agora, os poemas que escolhi para ouvirmos em audio (pelo Luís Gaspar):


Eusébio Tomé:

Ah! Se todos fossem como o avô...

Quando penso em vinho penso no avô
homem do campo arrostando com o sol
parcimonioso, assim como eu sou
afoito na vida e moderado c'o briol

Apenas bebia em ocasiões particulares
ao matar de bicho matinal
ao chegar cedo aos pomares
a meio da manhã, nalgum pinhal

Bebia bem ao almoço, lá p'rás treze
à tarde nem tanto, nada disso
só para matar a sede, várias vezes
e outras com uns nacos de chouriço

De regresso ao lar nada de excessos
Uma breve paragem na taberna
sorvendo de passagem dois canecos
e ala que se faz tarde pela berma

Na ceia farta - janta de trabalhador
permitia-se uma certa relaxação
comia bem, quase com amor
e despejava à vontade meio garrafão

Depois falava e era eloquente
Lembrando que o vinho era dádiva de Deus
sorvia um copinho de aguardente
e vituperava bêbados e ateus

Por fim ia recuperar de toda a canseira
ternamente à avó dando a mão
sabendo consolado que à cabeceira
repousava bem cheio um canjirão

Ah!, se todos fossem como o avô...
cumpria-se o velho desígnio da Nação
embora doendo a quem calhou
matava-se bem a fome a um milhão

Eusébio Tomé




* * *


Álvaro Santos:


O Binho


Acordei
e alebantei-me.

Coxei-me.

Procurei
as chabes...

Encontrei.
Meti-as
à porta.

Em caja
entrei.

Na cojinha
o bagaxo
Busquei.

Olhei à bolta,
não encontrei.

Oubi a garrafa
tombar
no roupeiro.

AH!
Ao quarto
rumei.

E cuidadojamente
entrei.

Não hoube
berreiro.
Estranhei...

A Maria
taba
no xubeiro.

Ah, prontos,
lá xeguei.

Reparei
num pó axim branco no ar...
Huumm...

Neboeiro?

Abri
O roupeiro

Uma mão
paxa-me o bagaxo.
Era o padeiro.

Xaí de caja,
pelas escadas
rebolei.

Boltei
para a rua.
Jiguejaguei.

À porta da padaria
numa cuscubilheira
esbarrei.

Bai
Bar
Da
Mer
Da!
Recomendei.

A padaria
contornei.

Às boltas,
às trajeiras
lá xeguei.

À janela
de xima
um calhau
atirei.

No bidro
nem xei como
lá axertei.

A padeira
à janela
bei.

Abriu
as portadas
e me biu.

No peitoril
entre os bajos
poujou
xenxual
o xeu xeio.

E xorriu.

Tens o bagaxo?
Perguntou ela.

Tenho xim.
Respondi.

Atão xobe, porra!
Dixe ela.

E xubi.


Álvaro Santos

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O mundo é grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: Ryuichi Sakamoto; Sonoplastia: Fernando Ladeira