quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Os vossos poemas

O último desafio que vos lancei foi para que me enviassem os vossos poemas de esperança.
Conforme prometido, aqui estão todos os que me chegaram até hoje e, no final, o poema que foi escolhido para ser gravado em áudio pelo locutor Luís Gaspar.
Obrigada pela participação e... até ao próximo desafio!


Bendita seja

Sonhar desmedido,
por vezes, descontente.
Cheia de luas, sempre!
E marços que adivinha,
qual andorinha de regresso
ao canto da casa,
ao embalo que a mão dá,
ao barro e à palha
do conforto do beiral.


Tanta ternura de graça,
mil sóis de mistério,
mais a alma que ressuscita,
fora de páscoas e abris
que foram de muitos.
Até os ventos de Constança
- a sugerirem cheias do tejo -
se acalmam,
para darem lugar a reflexos
de freixos na água
e musgos e fragmentos,
mesmo que rochedos sejam.

Entre caminhos de areia
e silêncios da neve,
no cume das ânsias
e do desespero contido,
mil vezes reclama, por dentro,
raízes e hastes.
Depois de flor dar,
vale a pena vê-la.

Cresce sempre para o céu,
tal como o trigo
que alimenta a vida
e a música azul
a compassos certos.
Por vezes disfarça-se.
Encolhe-se,
como que a pedir
desculpa de existir,
amendrontada
pelo perigo que é
a possibilidade
de desaparecer.

Mas, quando o dia volta
e ainda viva se encontra,
veste-se da surpresa
e entra na festa
da humildade simples.
No florir das amendoeiras
encontra repouso,
janeiros de perdição,
maios de cerejas,
outubros castanhos,
maravilhas despejadas
no laranjal de agosto.

Bendita seja
a mãe-esperança.


Joaquim Alves


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Na violência da tempestade há olhos que brilham
Na fúria das fugas desenfreadas há olhos que brilham
Na noite profunda dum caminhar desespero insinua-se uma luz
Reflexo de estrelas e olhos que brilham

E quando o olhar acolhe e é humanidade
As águas revoltas ou vendavais sem fim
As guerras de raiva ou as bombas sem sentido
Esvaiem-se submissas num qualquer esboço de poema.

Mesmo em todas as coisas que ferem e fazem doer
Há uma alma que se liberta e se deixa abraçar
Quem a olha a persegue e a tenta amar
Encontra o mundo dos que nunca perdem a esperança.


J. Caldas


............



Sempre

Sempre que nasce uma criança,
É festa no coração da humanidade,
Porque a esperança nela cresce.

Sempre que acontece a morte,
Chora a alma da terra,
Porque alguém nela sofre.

Sempre que quiseres,
Eu dou-te uma palavra,
Para que ela te deseje boa sorte.

Sempre que nasce um poema,
Os anjos abrem as portas do céu,
Para poderem aplaudir a arte.

Sempre que puderes,
Não te esqueças de amar a vida,
Porque ela te agradece!


Beatriz Barroso


............


As palavras no tempo e no modo de viver a esperança

Há um tempo,
Há um modo,
De ser humano.
Há uma miríade,
Uma panóplia,
De podermos ser,
Diz-se a vida de tantas formas,
Que eu fico sem saber,
Qual o princípio que a enforma.
O que nos vai acontecer.
Mas há uma razão sempre de ser,
Enquanto houver esperança,
De haver vida neste Mundo,
E a espécie humana que somos,
Lutar por sobreviver....

Beatriz Barroso


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Neste céu aberto,
Chamado vida,
Brilha uma estrela,
Chamada alegria,
Que nos pisca os olhos,
Lá de cima,
Para poder animar,
Nosso dia a dia.

Neste céu aberto,
Chamado vida,
Há uma miríade de estrelas,
Que gravitam no horizonte,
Uma há chamada de esperança,
Que ensina a viver com sabedoria.

Tolo é o coração que não souber,
Aproveitar a energia que ela nos concede.

Beatriz Barroso


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Tu és especial

Olha o teu rosto amiga,
Não penses naquilo que te polui,
Sem pressa, com honestidade,
Abandona-te à esperança,
Sorri à vida, com confiança,
Lembra o que há de bom,
O poder de estar vivo.
Tu, és uma pessoa especial,
Capaz de receber, com gratidão,
O sorriso daquela face,
Que no espelho que é o Mundo,
Sorri também para ti.

Beatriz Barroso


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Inspiração

Respira,
O ar que te polui,
Não te consintas.
Aprende a respirar,
O amor,
A alegria,
A caridade,
Rega dia a dia o teu coração com litros de esperança,
Não deixes que tuas raízes se atrofiem,
Apenas porque a tua copa já flora.
Cumpre o ritmo da vida,
É hora de deixares entrar outras expressões de verdade,
Repara como é simples: inspirar, expirar.
Deixa entrar, deixa sair,
Também eu, aprendi um dia,
Que respirar é uma das mais belas lições de vida.
Descobrirás como é fácil ser feliz.

Beatriz Barroso


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Esperança

No âmago de teu ventre,
Eu cresci,
Com um grito de amor,
Eu nasci,
Com o teu exemplo,
Eu aprendi,
Mãe, a balbuciar contigo a palavra esperança,
Que me deu um novo sabor à vida.

Beatriz Barroso


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Esperança

Vivo,
Ao saber aconchegar os dias,
Com o calor que me sai do coração,
Ouso,
Ao fazer poesia,
Com as palavras soluçadas,
Por uma dor só minha,
Que aprendi a transformar em amor.
Cresço,
Porque tenho sabido superar minha carência,
Ao colorir a minha infância,
Com o sonho de ter um castelo,
Para brincar e ser rainha,
Criando um herói para me defender.
Visto,
A pele de mulher–criança,
Enquanto a vida o quiser.
Rasgo,
Novas fronteiras,
Novos horizontes,
Abrindo os meus olhos ao mundo,
Enquanto eles me permitirem fazer.
Alicerço,
Meu quotidiano com coragem,
Venço a minha iniquidade,
Porque trago na mão,
Bem firme,
A bandeira da esperança,
Que me norteia e me incentiva a viver.

Beatriz Barroso


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E agora, o poema que escolhi para ouvirmos em voz alta:



Quero enfrentar a minha iniquidade
A minha elegia
A minha preguiça
Os meus desatinos
A minha fragilidade
A minha cobardia

Quero ser pessoa inteira,
Viver com confiança
Enfrentar com ousadia os meus medos

Quero ser feliz,
Viver abraçada pela esperança,
Mesmo que de minha alma prisioneira!


Beatriz Barroso
Na voz de Luís Gaspar:



Mais uma vez, obrigada a todos pela participação e obrigada ao Luís Gaspar que gentilmente acedeu em gravar este poema.

Ulisses Duarte (1923-2008)

Morreu ontem o poeta Ulisses Duarte.

Ulisses Duarte nasceu em Matosinhos em 1923. Escritor, pintor, poeta e publicitário, foi um dos fundadores do jornal "Notícias da Amadora” e das revistas "Áudio Vídeo" e "Sol XXI". Foi membro da Direcção da APE – Associação Portuguesa de Escritores e da Associação Cultural "Sol XXI" e foi também presidente do "Clube dos Poetas Vivos" de que foi fundador, juntamente com Julião Bernardes e Manuela Rodrigues. Pertenceu, desde a fundação, à "Tertúlia Rio de Prata”. Colaborou em várias revistas e jornais.
Foi autor de vários livros, de letras de fados para Amália Rodrigues e do documentário "Madeira, Pérola do Atlântico".

Hone Tuwhare (1922 - 2008)



Hone Tuwhare, o primeiro poeta maori a escrever em inglês, morreu ontem na Nova Zelândia, aos 85 anos.

Tuwhare nasceu em Kaikohe, na região de Northland (Nova Zelândia), na tribo dos Nga Puhi. Depois da morte da mãe, quando Tuwhare tinha apenas 9 anos, a família mudou-se para Auckland, onde passou a frequentar a escola primária. Até essa altura Tuwhare só falava maori e o pai, um grande orador e contador de histórias em maori, incutiu-lhe o interesse pela palavra escrita e falada, em especial os versos e o imaginário do Antigo Testamento.

Tuwhare foi o primeiro poeta e dramaturgo desta origem a escrever em inglês. Publicou em 1964 o seu primeiro livro de poesia "No Ordinary Sun". Foi distinguido como Poeta Laureado em 1999 e em 2003 recebeu o Prémio Icon da Fundação Neozelandesa das Artes.
Tuwhare, doente há já algum tempo, escreveu poesia até ao último momento de vida.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Poemário Afonso Duarte on-line


Numa homenagem a Afonso Duarte (assinalando os 50 anos da sua morte, no dia 5 de Março de 2008), a Câmara Municipal de Coimbra criou um calendário poético com poemas e excertos literários de livros da biblioteca pessoal de Afonso Duarte intitulado «A Poesia dos Dias».
Trata-se de um calendário em que, diariamente, ao longo do ano de 2008, é adicionado um poema ou um excerto literário retirado de obras da biblioteca particular de Afonso Duarte, com o objectivo de dar conhecer o poeta através dos seus poemas e dos livros que ele leu no dia-a-dia, visando também estimular aos visitantes, o gosto pela leitura.
O «poemário» online está associado ao site da Biblioteca Municipal de Coimbra, aqui.

II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa premeia carreira do poeta Manuel Alegre

O II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa vai decorrer no auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, em Leiria, nos próximos dias 24 e 25 de Janeiro. O tema deste ano é a “escrita e a cidadania”.
O evento, promovido pelo Instituto Politécnico de Leiria, vai evocar a carreira de Manuel Alegre, dando o nome deste poeta a um prémio nacional de poesia (na primeira edição, que decorreu em 2001, foi homenageado José Saramago).
O Encontro vai ter a participação de autores de expressão portuguesa de várias nacionalidades, entre os quais António Torrado, Ana Maria Magalhães, Carlos Pinto Coelho, José Jorge Letria, Rui Zink, Carlos André, Nuno Júdice, Joaquim Vieira, Dulce Cardoso, Manuela Gonzaga, Luís Costa Pires, Maria Antónia Palla, Marta Gautier, Paulo Kellerman, Pedro Barbosa e Vasco Graça-Moura.
No panorama internacional, destaque para Corsino Fortes, Ana Maria Machado, Olinda Beja e Ruy Duarte de Carvalho.
Durante o evento serão entregues aos vencedores, os prémios do Concurso de Literatura 2007, promovido pelo IPL, nas categorias de Conto e Poesia.

Ángel González (1925-2008)



Ángel González Muñiz nasceu em 1925 em Oviedo (norte de Espanha) e tinha 11 anos quando começou a Guerra Civil Espanhola. Aos 19 anos foi-lhe diagnosticada tuberculose e passou três anos num sanatório nas montanhas de León, onde começou a ler poesia. Posteriormente estudou Direito na Universidade de Oviedo. Em 1972 foi dar aulas de Literatura espanhola na Universidade do Novo México até se aposentar, em 1993. Em 1996 foi eleito membro da Royal Academy for the Spanish Language.
Foi galardoado com vários prémios, entre eles o Prémio Príncipe de Astúrias das Letras (1985), e o Prémio Rainha Sofía de Poesia Ibero-Americana (1996). Os seus poemas encontram-se traduzidos em diversos idiomas.
Considerado um dos últimos sobreviventes da Geração de 50, a sua poesia social aborda, sobretudo, a solidariedade e a liberdade.
Obra poética: "Áspero mundo" (1956), "Grado elemental" (1962), "A todo amor" (1988), "Lecciones de coisas y otros poemas" (1998), "101+19=120 Poemas" (2000) e "Otoño y otras luces" (2001).


Em Portugal, foi editado pela editora Fenda o livro “Tratado de Urbanismo”, em 2001, traduzido por Helder Moura Pereira.

Ángel González faleceu em Madrid, no passado dia 12 de Janeiro de 2008.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Sugestões para os próximos dias


12 de Janeiro (sábado):

LISBOA – Pessoa no D. Maria II

“Turismo Infinito”
Na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, de 11 de Janeiro a 26 de Janeiro de 2008.
3ª a Sábado às 21h30; Domingo às 16h00.
Peça com dramaturgia de António M. Feijó - recorrendo à obra de Pessoa, dos heterónimos e das cartas de amor de Ofélia Queirós. Partindo de um convite para co-produção do teatro da Comédie de Reims e de Emmanuel Demarcy-Mota, e de uma proposta antiga de António M. Feijó, o encenador Ricardo Pais propõe-nos uma viagem ao intrincado universo da vida e obra de Fernando Pessoa.
Com: João Reis, Emília Silvestre, Pedro Almendra, José Eduardo Silva e Luís Araújo.


17 de Janeiro (quinta-feira):

LINDA-A-VELHA – Conversas de Poesia

Na Livraria Bulhosa do Linda-a-Velha Central Park:
(Em colaboração com a Junta de Freguesia de Linda-a-Velha)
Dia 17, Quinta-feira, 17 h
Conversas de Poesia: Pedro Homem de Melo
Por Tito Lívio

Prémio Literário Inês de Castro para Pedro Tamen

A primeira edição do Prémio Literário Inês de Castro foi atribuída a Pedro Tamen pelo livro de Poesia "Analogia e Dedos".
O prémio, no valor de 5000 euros, criado pela Fundação Inês de Castro, pretende distinguir uma obra sobre a temática do mito inesiano, «podendo abranger temas tão abrangentes como a paixão, a vingança, a tragédia, a razão de Estado ou outros aspectos da representação histórico-cultural portuguesa».
A Fundação Inês de Castro atribuiu também o Tributo de Consagração a Urbano Tavares Rodrigues, pelo conjunto da sua obra.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

"A Génese do Amor" de Ana Luísa Amaral editado no Brasil


"A Génese do Amor" de Ana Luísa Amaral, obra distinguida com o Prémio Literário Casino da Póvoa (2007), atribuído no âmbito do encontro literário Correntes d’Escritas - Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, foi editada no Brasil pela editora Gryphus.
Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, em 1956. Ensina Literatura Inglesa no Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras do Porto. É doutorada em Literatura Norte-Americana com uma tese sobre Emily Dickinson.
Autora de oito livros de poesia e dois livros infantis, está representada em diversas antologias portuguesas e estrangeiras e foi traduzida para várias línguas, como castelhano, inglês, francês, alemão, holandês, russo, búlgaro e croata.
Também em 2007, o Comité do Prémio Giuseppe Acerbi, atribuiu a Ana Luísa Amaral o Prémio de Poesia, permitindo, assim, a tradução de parte da sua obra para italiano.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Bibliofilmes

Um grupo de professores decidiu criar um concurso de vídeos no YouTube intitulado "BiblioFilmes – Livros, Bibliotecas, Acção!", que visa além de promover a leitura, o livro e as bibliotecas públicas e escolares através das novas tecnologias, angariar fundos.
O concurso conta com o patrocínio aos prémios do El Corte Inglès e o apoio do Gabinete do Plano Tecnológico.
Os filmes terão de ser feitos até 2 de Abril de 2008 (Dia Internacional do Livro Infantil), data em que se iniciará o período de votações, até 23 de Abril (Dia Mundial do Livro), em que serão anunciados os vencedores.
Poderão encontrar mais informação na página oficial do concurso em
http://bibliofilmes.com e no blogue http://BiblioFilmes.blogspot.com.

WORDSONG – “Opiário” de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco (1925-2008)

Morreu o escritor e crítico literário Luiz Pacheco. Figura incontornável da literatura, o escritor e também fundador da editora "Contraponto" tinha 82 anos e morreu este sábado ao fim da noite.
Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco nasceu em Lisboa a 7 de Maio de 1925 em Lisboa.
Frequentou o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa que não concluiu, sendo admitido em 1946 como agente fiscal da Inspecção de Espectáculos e vindo a tornar-se terceiro oficial dessa instituição.
Começou a publicar a partir de 1945 diversos artigos em vários jornais e revistas, de que se destacam O Globo, Bloco, Afinidades, O Volante, Diário Ilustrado, Diário Popular e Seara Nova.
Em 1950 fundou a editora Contraponto, onde publicou Raul Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder, Vergílio Ferreira, entre outros. Dedicou-se à crítica literária e cultural, ganhando fama como crítico irreverente.
Denunciou a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime do Estado Novo.
A editora Tinta da China vai editar brevemente as últimas entrevistas concedidas pelo escritor, compiladas por João Pedro George.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O rosto da Voz

Luís Gaspar, a voz da maioria dos poemas audio deste blogue, foi entrevistado mais uma vez pela SIC, numa reportagem sobre as vozes que se ouvem na rádio.
Este programa teve a participação de Joana Azevedo (Rádio Cidade), Luís Gaspar (Estúdio Raposa), Fernando Correia (RCP) e uma recordação de José Ramos.
Um trabalho da jornalista Bárbara Costa e do operador de câmara Odacir Junior.
Para todos quantos se deleitam de cada vez que ouvem um poema dito por Luís Gaspar e não tiveram a oportunidade de ver este programa, eis o rosto da Voz:

Novidades Quasi


O primeiro evento na Casa Fernando Pessoa no ano de 2008 será o lançamento da mais recente recolha de poemas de Francisco José Viegas, "Se me Comovesse o Amor" (Edições Quasi), no próximo dia 10 de Janeiro pelas 18h30.
A apresentação será feita por Pedro Mexia e a leitura, por Ricardo Araújo Pereira.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, nº 16, em Lisboa (Campo de Ourique).

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mais um prémio para Amadeu Baptista

O poeta Amadeu Baptista venceu o Prémio Literário Florbela Espanca 2007.
Este prémio, atribuído pela Câmara Municipal de Vila Viçosa desde 1981, é atribuído de 2 em 2 anos à Poesia e à Ficção alternadamente, premiando obras literárias inéditas de língua portuguesa.
Este ano foi a vez da Poesia e o júri atribuiu o prémio a Amadeu Baptista pela obra «Outros Domínios».
Foram também atribuídas duas menções honrosas a «Espaço Livre com Barcos», de Graça Pires, e «Quebranta Água do Tempo», de Luís Aguiar.

Amadeu Baptista nasceu no Porto em 1953. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem colaborações dispersas em jornais e revistas nacionais e estrangeiros. A sua poesia já foi traduzida para castelhano, italiano, inglês, francês e romeno. É divulgador em Portugal de poetas espanhóis e hispano-americanos. Está representado em diversas antologias e livros colectivos.
Publicou “As Passagens Secretas” (1982), “Green Man & French Horn” (1985), “Maçã” (1986) (Prémio José Silvério de Andrade - Foz Côa Cultural, 1985), “Kefiah” (1988), “O Sossego da Luz” (1989), “Desenho de Luzes” (1997), “Arte do Regresso” (1999) (Prémio Pedro Mir, na categoria de Língua Portuguesa, México), “As Tentações” (1999), “A Sombra Iluminada” (2000), “A Noite Ismaelita” (2000), “ A Construção de Nínive” (2001), “Paixão” (2003) (Prémio Vítor Matos e Sá e Prémio Teixeira de Pascoaes 2004), “Sal Negro” (2003), “O Som do vermelho - Tríptico Poético sobre pintura de Rogério Ribeiro” (2003), “O Claro Interior” (2004), (Prémio de Poesia e Ficção de Almada), “Salmo” (2004), “Negrume” (2006), “Antecedentes Criminais (Antologia Pessoal 1982-2007)” (2007) e “O Bosque Cintilante” (2007) (Prémio Nacional Sebastião da Gama 2007).
Foi recentemente distinguido com o Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire 2007, atribuído pela Câmara Municipal de Benavente pela obra «Poemas de Caravaggio».

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sugestão da Andante para esta semana


DIA DE NATAL



Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros — coitadinhos — nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra — louvado seja o Senhor! — o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama. Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão


Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva e João Brás; Música: Tim Story; Sonoplastia: Fernando Ladeira

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Hoje nasceu...




19 de Dezembro de 1924

Alexandre O’Neill

Poeta português




Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Fala ; Daqui, desta Lisboa compassiva... ; Um adeus português ; Poema pouco original do medo

Alexandre O'Neill

Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões, nasceu em Lisboa no dia 19 de Dezembro de 1924.
Em 1948, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, Vespeiro e José Augusto França, O'Neill lançou-se na aventura do surrealismo, um movimento que surgiu como provocação ao regime político vigente, e à poesia neo-realista. Mas em 1950 decidiu-se pelo abandono polémico do Movimento Surrealista, expressando desta forma o seu desagrado pelo rumo em que o surrealismo mergulhara. Contudo, a sua poesia conservou traços surrealistas.
O'Neill, à semelhança de muitos artistas portugueses não pôde viver da sua arte. Afirmava "viver de versos e sobreviver da publicidade" e foi de facto a publicidade o modo que O'Neill encontrou para ganhar o sustento. Numa área que requer destreza e à-vontade com as palavras, O'Neill sentia-se como peixe na água. Porém, não criou nenhum vínculo afectivo com esta profissão. Criou algumas frases publicitárias que ficaram na memória, como por exemplo "Boch é Bom" ou um outro slogan, que é já provérbio, "Há mar e mar, há ir e voltar". A publicidade deu-lhe o conforto económico de que necessitava, mas sempre que se enfastiava mudava de agência publicitária.
No seu vasto currículo constam diversas colaborações para jornais, revistas e televisão.
Em 1953 foi preso pela PIDE durante 40 dias.
A pátria era o seu tema mais constante, e o gosto pelo jogo de palavras e pelo brincar a sério com a língua portuguesa foi uma das marcas constantes da sua poesia. Talvez por isso tenha sido pouco compreendido em vida, pagando o preço por se ter recusado a seguir qualquer poesia da moda.
Publicou dois livros em prosa narrativa, As Andorinhas não Têm Restaurante e Uma Coisa em Forma de Assim, e as Antologias Poéticas de Gomes Leal e de Teixeira de Pascoaes (em colaboração com F. Cunha Leão), de Carl Sandburg e João Cabral de Melo Neto. Gravou o disco «Alexandre O'Neill Diz Poemas de Sua Autoria». Em 1966, em Itália, foram publicados poemas de O’Neill como título Portogallo mio rimorso. Recebeu em 1982 o Prémio da Associação de Críticos Literários.
Faleceu em 1986, de doença cardíaca.
Obra:
Poesia:
A Ampola Miraculosa (Poema Gráfico) – Cadernos Surrealistas, Lisboa, 1948
Tempo de Fantasmas – Cadernos de Poesia, Lisboa, 1951
No Reino da Dinamarca – Poesia e Verdade, Guimarães Editores, Lisboa, 1958
Abandono Vigiado – Poesia e Verdade, Guimarães Editores, Lisboa, 1960
Poemas com Endereço – Círculo de Poesia, Livraria Moraes Editora, Lisboa 1962
Feira Cabisbaixa – Poesia e Ensaio, Ulisseia, Lisboa, 1965; 2ª edição, Sá da Costa Editora, Lisboa, 1979
Portugallo Mio Rimorso – Col. di Poesia, Einaudi, Torino, 1966
No Reino da Dinamarca – Obra Poética (1951-1965) – Poesia e Verdade, Guimarães Editores, Lisboa, 1969
De Ombro na Ombreira –Cadernos de Poesia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Abril, 1969; 2ª edição, Cadernos de Poesia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Setembro, 1969
Entre a Cortina e a Vidraça –Auditorium, Estúdios Cor, Lisboa, 1972
No Reino da Dinamarca – Obra Poética (1951-1969) – "Poesia e Verdade", Guimarães Editores, Lisboa, 1974
Made in Portugal – Quaderni della Fenice, nº 29, Guanda, Milão, 1978
A Saca de Orelhas – Sá da Costa Editora, Lisboa, 1979
Poesias Completas, 1951-1981 –Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, Lisboa, 1982
Poesias Completas, 1951-1983 – 2ª ed. rev. aum. Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, Lisboa, 1984
O Princípio da Utopia, o Princípio da Realidade seguidos de Ana Brites, Balada Tão Ao Gosto Português & Vários Outros Poemas, 1986 – Círculo da Poesia, Moraes Editora, Lisboa, 1986
Poesias Completas, 1951-1986 – 3ª ed. rev. aum. Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, Lisboa, 1990
Poesias Completas, 1951-1986 – Assírio & Alvim, Lisboa, 2000
Prosa:
As Andorinhas não têm Restaurante (crónicas) – Cadernos de Literatura, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1970
Uma Coisa em Forma de Assim (crónicas) – Edic, Lisboa, 1980; Editorial Presença, Lisboa, 1985
Discos:
Alexandre O' Neill diz poemas da sua autoria – A Voz e o Texto, Discos Decca
Os Bichos também são gente (Poemas dedicados aos bichos e ditos pelo autor) – A Voz e o Texto, Discos Decca

Fala

Fala a sério e fala no gozo
Fá-la pela calada e fala claro
Fala deveras saboroso
Fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
Falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala francês fala béu béu
Fala fininho e fala grosso
Desentulha a garganta levanta o pescoço

Fala como se falar fosse andar
Fala com elegância muito e devagar.

Alexandre O'Neill

Na voz de Luís Gaspar:

Daqui, desta Lisboa compassiva...

Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por suíços habitada,
onde a tristeza vil e apagada
se disfarça de gente mais activa;

daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;

daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira de vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,

do ramudo tristolho que se apaga;
daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem lá o soneto e vão com Deus.

Alexandre O'Neill
Na voz de Luís Gaspar:

Um adeus português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

*

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

Alexandre O'Neill
Na voz de Luís Gaspar:

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Poetisa Joana Serrado venceu prémio na Holanda

Joana Serrado, uma poetisa portuguesa que está desde 2005 na Holanda a fazer um doutoramento, venceu o Prémio Hendrik de Vries — do município holandês de Groningen, no valor de 6.000 euros —, com o projecto poético bilingue (português/neerlandês) «Emparedada/ Uit de Muur».
O seu primeiro livro, «O Tratado de Botânica» foi editado pela Quasi, ganhou uma menção honrosa no Prémio Daniel Faria (2006), instituído pela Câmara Municipal de Penafiel e está a ser traduzido para neerlandês.
Joana Serrado, especialista em mística feminina medieval, licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra, onde trabalhou como assistente de investigação sobre escolástica conimbricense.

Sugestões para os próximos dias


19 de Dezembro (quarta-feira):

PORTO – Recital de Poesia
Hoje, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 22h00:
Quartas Mal Ditas - Ler poesia II
Coordenação de Anthero Monteiro.
Colaboração: António Pinheiro, Diana Devezas, Joana Padrão, Luís Carvalho, Mário Vale de Lima, Rafael Tormenta.


20 de Dezembro (quinta-feira):

SINTRA - Os Meninos d'Avó recebem Paulo Brito e Abreu
Hoje, 20 de Dezembro, pelas 22h00, os Meninos d'Avó recebem uma vez mais o poeta Paulo Brito e Abreu, desta vez no Café-Bar 2 ao Quadrado (atrás da estação CP de Sintra). O autor de "Uma Oração Portuguesa" recitará poema seus dos últimos 30 anos.
Paulo Jorge Brito e Abreu dedica a récita «ao ecumenismo, ao desarmamento nuclear e às causas traídas do amor e da paz». Nasceu em Lisboa, a 27 de Maio de 1960. Além de cantor, é poeta, conferencista, ensaísta, filósofo e crítico literário. Licenciou-se, em 1986, em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Obras: Cântico Jovem para a Tua Rebelião, 1984; O Bafo do Dragão, 1987; A Minha Tropa Foram os «Rolling Stones», 1989; Agricultura Celeste, 1992; Loas à Lua, 1996 (2ª edição, 2000); O Livro e a Lavra, 1999 (inclui o Cântico Jovem para a Tua Rebelião); Ignota Fauna, 2005.


PORTO – Lançamento e Recital
Hoje, no Clube Literário do Porto:
Auditório; 22h00:
Lançamento do livro «Uma Luz de Papel»
Fotografia Renato Roque
Autores: Ana Luísa Amaral, Jorge Marmelo, Carlos Alberto Braga, Emílio Remelhe, Filipa Leal, Inês Lourenço, João Pedro Mésseder, Jorge Sousa Braga, Jorge Velhote, José Rui Teixeira, Manuel António Pina, Mário Cláudio, Regina Guimarães, Teresa Tudela.
Piano-bar; 21h30:
O Prazer do Texto: Poemas de Natal
Dinamização: Paulina Figueiredo.

LISBOA – Convívio Poético no Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2007
Quintas, 16h-18h
Informações Úteis: 213 973 717
Café Martinho da Arcada
Endereço: Pç. do Comércio, 3
Telefone: 21 887 92 59/21 886 62 13; Fax: 21 886 77 57


21 de Dezembro (sexta-feira):

PORTO - Lançamento de Livro de poesia
O livro "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro vai ser lançado hoje, dia 21, pelas 22.30 h, no bar Real Feytoria, no Porto (à Ribeira).
"Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro. Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001) e a "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988). "Um Poeta a Mijar" combina o surrealismo e o Dada com o beatnick, a mulher e a noite com o palco e a loucura.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968.
Diz regularmente poesia no norte do país. Foi fundador e é colaborador da revista Aguasfurtadas.



LISBOA - Wordsong no CCB
Wordsong, projecto que alia a poesia à música, constituído pelos músicos Pedro d'Orey (Mler If Dada), Alexandre Cortez (Rádio Macau), Nuno Grácio, Filipe Valentim (Rádio Macau) e alguns artistas convidados, apresentam hoje, 21 de Dezembro, no grande auditório do CCB, às 21h, uma mistura dos seus dois trabalhos, dedicados à poesia de Al Berto (2002) e Fernando Pessoa (2006). A primeira parte do espectáculo será assegurada por Lula Pena.
Mais informações aqui.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Saudade 9


No final do Verão saiu o número 9 da Saudade, revista de poesia com periodicidade anual a cargo da Associação Amarante Cultural e dirigida por António José Queirós.

Esta edição tem no corpo o mote para os poemas nela coligidos. Participam 51 poetas de quatro países: Portugal, Espanha (sobretudo da Galiza), Grécia e Brasil.
Eis os nomes dos poetas: Alfredo Ferreiro, Alice Daniel, Amadeu Baptista, Anditytas Soares de Moura, António Cândido Franco, António José Queirós, António Manuel Couto Viana, António Salvado, António Vera, Aricy Curvello, Casimiro de Brito, Cyro de Mattos, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Eduarda Chiote, Elsa Seabra, Fátima Valverde, Fernando Botto Semedo, Fernando Grade, Fernando Pinto Ribeiro, Gabriel Nascente, Henrique Fialho, Iacyr Anderson Freitas, Iannos Ritsos, Isabel Cristina Pires, Isabel Guimarães, Jesús Cobo, João Ricardo Lopes, João Rui de Sousa, Joaquim Cardoso Dias, Jorge Reis-Sá, José Manuel Vasconcelos, Juliana Miranda, Julião Bernardes, Maria Natália Miranda, Maria do Sameiro Barroso, Maria Sousa, Maria Teresa Dias Furtado, Mavilde Lobo Costa, Nicolau Saião, Paulo Brito e Abreu, Pompeu Miguel Martins, Ramiro Torres, Rui Almeida, Rui Caeiro, Ruy Ventura, Susete Viegas, Tati Mancebo, Ulisses Duarte, Vaza Pinheiro, Vítor Oliveira Jorge e Xosé Lois García.

No conjunto das 64 páginas desta revista podem ler-se as múltiplas interpretações do corpo no imaginário poético dos autores que o cantam e celebram.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Morreu Fernanda Botelho


Fernanda Botelho (1926-2007)

Ficcionista, tradutora e poetisa, foi, nos anos 50, uma das fundadora dos cadernos de poesia Távola Redonda, que dirigiu com Maria Judite de Carvalho, António Manuel Couto Viana, David Mourão-Ferreira e Luís de Macedo, no primeiro dos quais (1950) se estreou com seis poemas. Colaborou também em várias outras revistas e jornais, como Colóquio Letras, Graal, Europa, Panorama, Tempo Presente, Diário de Notícias, e ainda na Televisão, no programa "Convergência".
Fez bastantes traduções, de que se salienta O Inferno, de Dante, que lhe valeu uma medalha da Direcção Geral das Relações Culturais de Itália.
Recebeu, entre outros, o Prémio Camilo Castelo Branco, da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1960; Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, 1987; Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa, 1990; Prémio P.E.N. Clube Português de Ficção, 1994; e o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB, 1998.

As Coordenadas Líricas

Desviou-se o paralelo um quase nada
e tudo escureceu:
era luz disfarçada em madrugada
a luz que me envolveu

A geométrica forma de meus passos
procura um mar redondo.
Levo comigo, dentro dos meus braços,
oculto, todo o mundo.

Sozinha já não vou. Apenas fujo
às negras emboscadas.
Em cada esfera desenho o meu refúgio
— as minhas coordenadas.

"Coordenadas Líricas" (1951)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Nova livraria em Lisboa

A livraria Byblos vai abrir portas na próxima quinta-feira dia 13, em Lisboa, e será a maior do país, com 150 mil títulos.
A Byblos é a primeira de uma cadeia portuguesa de livrarias cujo conceito é a disponibilização de tudo o que as editoras editam no mercado português.
A livraria situa-se no edifício Amoreiras Square, num espaço de dois pisos, e terá um total de 3300 metros quadrados.
A livraria terá ainda uma nova tecnologia para que o comprador possa facilmente encontrar qualquer livro, através de um sistema de identificação por radiofrequência, em que todos os livros e estantes estarão integrados numa rede informática.
Em mais de 50 ecrãs e 12 postos de atendimento espalhados pela livraria, o comprador poderá aceder ao «bilhete de identidade» do livro, caso não o encontre nas estantes.
A livraria terá ainda um auditório, uma sala de exposições, uma cafetaria, uma área de venda de revistas e jornais, outra dedicada a CD, DVD e jogos de computador.
A partir de Março, a livraria irá organizar semanas temáticas, com actividades dedicadas aos mais variados assuntos, incluindo actividades paralelas que podem incluir uma prova de vinhos, uma mostra de queijos ou recitais de poesia.
Em 2008 abrirá uma segunda livraria Byblos, desta vez no Porto, que promete ser ainda maior do que a de Lisboa. Está ainda em perspectiva a abertura de outras duas livrarias, possivelmente em Braga e em Faro.

Prémios "Livrodoano" 2007



A Livraria Livrododia (Torres Vedras) promove os prémios Livrododia 2007, para que em conjunto com os seus clientes e amigos dar destaque ao que de melhor foi feito no mundo dos livros em 2007.

Assim, a Livraria abriu a concurso as seguintes categorias:
- Melhor Livro de Ficção
- Melhor Livro de Poesia
- Melhor Livro de Ilustração
- Melhor capa de Livro

Para participar, deverão enviar um email para livrododia@gmail.com, nomeando três livros para cada uma das categorias. Esta votação decorrerá até 31 de Dezembro.
Feita a selecção dos cinco mais votados, esses livros voltarão a estar a votação até ao fim de Janeiro, para se escolherem os vencedores de cada uma das categorias.
Os vencedores terão destaque no site e nas livrarias Livrododia, e poderão ser adquiridos com descontos.
Entre os participantes das votações, a Livraria Livrododia sorteará exemplares dos livros vencedores.

Agora, é começar a votar! E olhem que, de Poesia, foram editados muitos livros este ano...

Sugestões para a próxima semana


10 de Dezembro (segunda-feira):

PORTO – Música e Poesia no Clube Literário do Porto

Hoje, 10 de Novembro, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 21:00h:
“Música e Poesia” - As escolhas do Professor Nuno Grande
Declamações de poemas por elementos do grupo de teatro Sótão acompanhamento ao piano por membros do CICBAS.
O Clube Literário do Porto fica na Rua Nova da Alfândega, 22 - Porto.


12 de Dezembro (quarta-feira):

LISBOA - Poesia de Casimiro de Brito na Casa Fernando Pessoa

Hoje, 12 de Dezembro, pelas 18h30 serão apresentados 4 dos 9 livros que o escritor Casimiro de Brito editou este ano em vários países. Os livros a lançar na Casa Fernando Pessoa serão: Arte de Bem Morrer (Edições Roma) poesia, segundo volume do Livro das Quedas a apresentar por Fernando J. B. Martinho; Fragmentos de Babel (Quasi) fragmentos estéticos a apresentar por Álvaro Manuel Machado; Musica Mundi (Ed. Escritoras, São Paulo) antologia organizada pelo poeta Ildásio Tavares a apresentar por Maria João Cantinho; e Através do Ar (Shichigatsudo, Tóquio) livro de haiku a 4 mãos com o poeta japonês Ban’ Ya Natsuishi e em 4 línguas: Português, Japonês, Inglês e Francês a apresentar pelo próprio Autor. No final haverá um beberete.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16 (Lisboa).


13 de Dezembro (quinta-feira):

LISBOA – Apresentação de Livro de Poesia

Hoje, 13 de Dezembro, pelas 18:30, terá lugar a apresentação do livro de poesia "Estrofes Elementares" de António Vera (Edições Colibri), na Casa Fernando Pessoa.
O livro será apresentado por Tereza Moura Guedes.
Haverá ainda um recital por Regina Duarte e Isabel Rodeia (Grupo de Jograis da Academia de Cultura e Cooperação da União das Misericórdias Portuguesas).
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16 (Lisboa).

LISBOA – Convívio Poético no Martinho da Arcada

Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2007
Quintas, 16h-18h
Informações Úteis: 213 973 717
Café Martinho da Arcada
Endereço: Pç. do Comércio, 3
Telefone: 21 887 92 59/21 886 62 13; Fax: 21 886 77 57



15 de Dezembro (sábado):

LISBOA – Apresentação de Livro de Poesia

Hoje, 15 de Dezembro, terá lugar no no Santiago Alquimista, em Lisboa, pelas 22:30h, a apresentação do livro «Amor ah Tona» de Hugo Villier, editado pela Corpos Editora.





AMADORA - Lançamento e Recital

Hoje, 15 de Dezembro, na Galeria Municipal Artur Bual (Amadora), pelas 15 horas, terá lugar o
lançamento do livro "Tempo per verso3", da tertúlia poética "Sempre Acontece Poesia", da Amadora, coordenada por Mário Matta e Silva.
O Grupo de Jograis "U...Tópico" dirá um poema de cada um dos autores da tertúlia que colaboraram nesta antologia.

Venham daí esses poemas com esperança!


Desta vez o mote é... a esperança.
Um novo ano aí vem e, com ele, novas esperanças. Sobretudo a de um mundo melhor.
Inspirem-se e enviem-me os vossos poemas até 7 de Janeiro de 2008, para o e-mail: inesramos.designer@gmail.com
No dia 15 de Janeiro aqui estarão todos. E, como de costume, um deles gravado em áudio pelo locutor Luís Gaspar.


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

(Pedra Filosofal)
António Gedeão

sábado, 8 de dezembro de 2007

Florbela Espanca

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa no dia 8 de Dezembro de 1894.
A sua obra lírica, iniciada em 1919 com o livro "O Livro das Mágoas" influenciou um movimento de emancipação feminina no mundo literário, tendo sido considerada uma poetiza sem precedentes na literatura portuguesa da época. Em 1923 publicou "Livro de Soror Saudade".
Só depois da sua morte é que Florbela viria a ser conhecida do grande público, sobretudo com a publicação do livro "Charneca em Flor", em 1930, ano em que morreu, em Matosinhos.
Logo a seguir à sua morte (1931) foram publicados "Reliquae", "A Máscara do Destino" e "Dominó Negro" (contos).

Hoje nasceu...




8 de Dezembro de 1894

Florbela Espanca

Poetisa portuguesa




Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Eu... ; Ser poeta ; Se tu viesses ver-me... ; Árvores do Alentejo ; Soneto VII ; Amar! ; Amiga ; Supremo enleio
Na estante de culto: Florbela Espanca – Poesia completa
Supremo enleio

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás-de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás-de encontrar ainda...

Florbela Espanca

Na voz de Carmen Dolores:

Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei prà minha boca!...

Florbela Espanca

Na voz de Carmen Dolores:

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

Na voz de Sofia Aparício:

Soneto VII

São mortos os que nunca acreditaram
Que esta vida é somente uma passagem,
Um atalho sombrio, uma paisagem
Onde os nossos sentidos se poisaram.

São mortos os que nunca alevantaram
De entre escombros a Torre de Menagem
Dos seus sonhos de orgulho e de coragem,
E os que não riram e os que não choraram.

Que Deus faça de mim, quando eu morrer,
Quando eu partir para o País da Luz,
A sombra calma de um entardecer,

Tombando, em doces pregas de mortalha,
Sobre o teu corpo heróico, posto em cruz,
Na solidão dum campo de batalha!

Florbela Espanca
Árvores do Alentejo

..........................................Ao Prof. Guido Battelli

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
— Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Florbela Espanca
Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca


Ser poeta

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

BN comprou o manuscrito "Indícios de Oiro" de Mário de Sá-Carneiro

A Biblioteca Nacional adquiriu o único manuscrito conhecido de Mário de Sá-Carneiro "Indícios de Oiro", (uma colectânea de poemas) no leilão da Galeria Potássio4, em Lisboa, juntamente com outros três cadernos do autor por um total de 33.000 euros, passando este manuscrito a ser o documento mais importante do espólio do escritor, na posse da Biblioteca, e evitando assim que o mesmo saísse do nosso país.
Este livro só foi publicado em 1937, 21 anos após a morte do poeta, pela Presença.
Dois dos cadernos contêm muitas notas do autor e também as revistas Orpheu 1 e Orpheu 2. Num terceiro caderno, criado postumamente, foram reunidos recortes de jornais soltos nos quais também estão contidas algumas anotações.
Estas obras vão juntar-se ao espólio de 72 documentos de Mário de Sá-Carneiro, na posse da BN, constituído por poesias, contos, escritos de juventude, cadernos escolares e cartas.
Estes documentos são muito valiosos já que Mário de Sá-Carneiro destruiu muitos dos seus escritos e são poucos os que restaram. Porém, foi possível recolher alguns que o autor enviou a amigos, nomeadamente a Fernando Pessoa.
O manuscrito "Indícios de Oiro" e os três cadernos vão receber um tratamento especial de limpeza e preservação antes de se reunirem ao restante acervo do autor, e deverão estar disponíveis para consulta dentro de cerca de três meses.
Também esteve à venda, no mesmo leilão, uma fotografia de Fernando Pessoa com 10 anos, assinada pelo futuro poeta e com a seguinte dedicatória "à sua boa amiga Maria Ignácia de Saldanha Sette offerece como prova de muita amizade o seu amiguinho - Fernando", que foi arrematada por 11.000 euros.
Dos 50 lotes leiloados fizeram ainda parte os dois primeiros números da revista inglesa "Blast", em que colaboraram os poetas T. S. Eliot e Ezra Pound, "De secretis Libri XVII Ex variis Authoribus collecti", um livro hermético do século XVI, de Johann Jacob Wecker, cartazes editados pelo Estado Novo, uma fotografia de Sarah Bernhardt com dedicatória a Silva Pinto e um conjunto de fotografias de Fernando Pessoa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Às Escuras, o Amor



A Associação Artística Andante que corre o país de lés a lés desde 1999 com espectáculos, recitais, ateliês, leituras em voz alta... procurando sempre novos públicos para a poesia e para a prosa e especialmente para o teatro, através dos princípios da curiosidade e do prazer, está neste momento a apresentar um espectáculo pelo país fora que se chama “Às escuras, o amor”.

Os espectáculos não são recitais no seu sentido mais convencional. Partem de um conjunto de formas possíveis (e às vezes impossíveis) de ler um texto.
As imagens são construídas dentro de cada pessoa a partir da sonoridade que as palavras têm (porque para além de um sentido, também possuem a sua sonoridade) e da sonoplastia que a Andante lhes impõe para lhes dar uma nova "versão".

“Às escuras, o amor” (que é também o título de um poema de David Mourão Ferreira), tem poemas de vários autores (maioritariamente portugueses) sobre o Amor.

Ficha técnica:
Textos : Vários
Encenação: Rui Paulo
Pesquisa: Cristina Paiva e Fernando Ladeira
Interpretação: Cristina Paiva
DJing: DJ grandE
Sonoplastia: Fernando Ladeira
Concepção Plástica: Maria Luiz
Fotografia: Carla d’Almeida Lopes e Vitor MM Costa
Produção: Andante Associação Artística
Apoio: Câmara Municipal de Alcochete

Os próximos espectáculos estão marcados para:
5 Dezembro de 2007: Biblioteca Municipal de Loures, às 21.00h
6 Dezembro de 2007: Biblioteca Municipal de Torres Vedras, às 11.00h e às 14.30h
7 Dezembro de 2007: Biblioteca Municipal de Matosinhos, às 17.15h
8 Dezembro de 2007: Biblioteca Municipal de Porto de Mós; Cine-Teatro de Porto de Mós, às 21.30h

Novidades Bertrand




Os Sonetos de Shakespeare
Edição especial ilustrada e assinada
Tradução de Vasco Graça Moura
Desenhos de Jorge Martins
Edição bilingue / versão integral
Bertrand Editora

domingo, 2 de dezembro de 2007

Sugestões para os próximos dias



4 de Dezembro (terça-feira):

LISBOA – Apresentação de Livro na Casa Fernando Pessoa
Terá lugar hoje, 4 de Dezembro, na Casa Fernando Pessoa, a sessão de apresentação do livro de poesia “Elementos” de Rudolfo Miguel Begonha (Papiro Editora), pelas 18h30.
A apresentação da obra estará a cargo de Ana Briz e Valter Guerreiro.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16 - Campo de Ourique, em Lisboa.


LISBOA – Apresentação de Livro de Poesia de Mário Castrim
Apresentação do livro de poesia “Do Livro dos Salmos” de Mário Castrim (Campo das Letras).
Ilustrações de Rogério Ribeiro.
150 poemas que Mário Castrim escreveu enquanto colaborou nas revistas Além-Mar e Audácia, dos Missionários Combonianos, até pouco antes de falecer, em Outubro de 2002.
O lançamento está marcado para o dia 4 de Dezembro, no auditório da Revista Além-Mar, em Lisboa, e será apresentado pelo poeta José Tolentino Mendonça.


5 de Dezembro (quarta-feira):


PORTO - Apresentação do Livro de Poesia de Jorge Casimiro
Terá lugar hoje, 5 de Dezembro, no Clube Literário do Porto, a apresentação do livro de poesia "Murmúrios Ventos" (edição Pássaro de Fogo), e do CD “Ternas Alquimias” de Jorge Casimiro, pelas 21h30 horas.
A apresentação será feita por Anthero Monteiro.
Haverá recital de Poesia e música ao vivo: Maestro Francisco Tavares, Piano.




LISBOA – Poesia Vadia na Fábrica Braço de Prata

Hoje, pelas 22:30h, na Sala Arendt:
Poesia Vadia
Org. Pedro Mota

A Fábrica Braço de Prata fica na Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1 (em frente aos Correios do Poço do Bispo), em Lisboa.



LISBOA- Lançamento na Casa Fernando Pessoa
Terá lugar hoje, 5 de Dezembro, na Casa Fernando Pessoa, o lançamento do livro de poesia "Seivas de Inquietude" de José Miguel Lopes (Papiro Editora), pelas 17 horas.
A apresentação estará a cargo de Fernando Pinto do Amaral.
Haverá leitura de poemas pelo actor João d'Ávila.



6 de Dezembro (quinta-feira):


PORTO – Os Prémios do PEN Clube 2006
Hoje, 6 de Dezembro, terá lugar no Auditório do Clube Literário do Porto, pelas 21:30h, uma sessão pública sobre o tema OS PRÉMIOS DO P.E.N. EM 2006.
Com a presença dos escritores:
- Mário Cláudio
- Camilo Broca (Romance), Prémio de Ficção do PEN Clube, 2006 (Dom Quixote)
- José Pedro Serra, Pensar o Trágico, Prémio de Ensaio do PEN Clube, 2006 (Fundação C. Gulbenkian/FCT)
- Gastão Cruz, A Moeda do Tempo, Prémio de Poesia do PEN Clube, 2006 (Assírio & Alvim)
Apresentação de Maria João Reynaud (da direcção do PEN Clube Português) e Rui Lage, Poeta e Ensaísta
O Clube Literário do Porto fica na Rua Nova da Alfândega, 22 - Porto


LISBOA – Lançamento na Casa Fernando Pessoa

Hoje, 6 de Dezembro, terá lugar na Casa Fernando Pessoa a apresentação do livro de poesia "Pêndulo" de Paulo Tavares (Quasi Edições), pelas 19 horas.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16 - Campo de Ourique, em Lisboa.




LISBOA – Convívio Poético no Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2007
Quintas, 16h-18h
Informações Úteis: 213 973 717
Café Martinho da Arcada
Endereço: Pç. do Comércio, 3
Telefone: 21 887 92 59/21 886 62 13; Fax: 21 886 77 57


7 de Dezembro (sexta-feira)


LISBOA – Apresentação do Livro "Mensagem" de Fernando Pessoa
Terá lugar hoje, na Casa Fernando Pessoa, pelas 19 horas, a apresentação da nova edição da “Mensagem” de Fernando Pessoa, pelas Edições Caixotim.
A apresentação será feita por Artur Anselmo, António Carlos Carvalho e pelo editor. Em simultâneo, será inaugurada uma exposição de alguns trabalhos de Cynthia Guimarães Taveira, autora da serigrafia que acompanha a «edição especial» desta obra.
A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16 - Campo de Ourique, em Lisboa.

Hoje nasceu...




2 de Dezembro de 1877

Teixeira de Pascoaes

Poeta português






Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Antiga dor ; Depois da vida ; Os oslhos dos animais

Teixeira de Pascoaes

Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (Teixeira de Pascoaes), um dos vultos mais significativos da literatura portuguesa, nasceu em Amarante em 1877.
Formou-se em direito pela Universidade de Coimbra no ano de 1901. Exerceu a advocacia em Amarante e no Porto, prosseguindo ao mesmo tempo a sua carreira literária. Estreou-se nas letras com a colectânea de versos "Embriões" em 1895.
Em 1910, com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão, entre outros, fundou a revista "Águia" órgão da Renascença Portuguesa, de que veio a ser director literário e onde largamente defendeu o Saudosismo como estética literária. Em 1929 foram publicadas pela primeira vez as Obras Completas de Teixeira de Pascoaes.
Morreu em 1952.
Obra:
1895 "Embriões" (poesia)
1896 "Belo" (poesia) 1ª parte
1897 "Belo" 2ª parte
1898 "À Minha Alma" e "Sempre" (poesia)
1899 "Profecia" (poesia) em colaboração com Afonso Lopes Vieira
1901 "À Ventura" (poesia)
1903 "Jesus e Pan" (poesia)
1904 "Para a Luz" (poesia)
1906 "Vida Etérea" (poesia)
1907 "As Sombras" (poesia)
1909 "Senhora da Noite" (poesia)
1911 "Marânus" (poesia)
1912 "Regresso ao Paraíso" (poesia). "Elegias" (poesia); "O Espírito Lusitano e o Saudosismo" (conferência)
1913 "O Doido e a Morte" (poesia); "O Génio português na sua expressão filosófica poética e religiosa" (conferência)
1914 "Verbo Escuro" (aforismos); "A Era Lusíada" (conferência)
1915 "A Arte de Ser Português" (prosa didáctica)
1916 "A Beira Num Relâmpago" (prosa)
1919 "Os Poetas Lusíadas" (conjunto de conferências proferidas na Catalunha)
1921 "O Bailado" (prosa filosófica) e "Cantos Indecisos" (poesia)
1922 "Conferência" e "A Caridade" (conferência)
1923 "A Nossa Fome" (prosa filosófica)
1924 "A Elegia do Amor" (verso) e "O pobre Tolo"
1925 "D. Carlos" (poesia); "Cânticos" (poesia); "Sonetos"
1926 "Jesus Cristo em Lisboa" (peça de teatro escrita em colaboração com Raul Brandão)
1928 "Livro de Memórias" (prosa autobiográfica)
1934 "S. Paulo" (biografia romanceada)
1936 "S. Jerónimo e a Trovoada" (biografia romanceada)
1937 "O Homem Universal" (prosa filosófica)
1940 "Napoleão" (biografia romanceada)
1942 "Camilo Castelo Branco O Penitente" (biografia romanceada); "Duplo Passeio" (prosa)
1945 "Santo Agostinho" (biografia romanceada)
1949 "Versos Pobres"
1950 "Duas conferências em defesa da paz"

Os olhos dos animais

Que triste o olhar do cão! Até parece
Mais um queixume, um íntimo lamento
Da noite interior que lhe escurece
O coração, que é todo sentimento.

E os mansos bois soturnos! Que tormento,
Em seus olhos, tão calmos, transparece…
E os olhos da ovelhinha e os do jumento!
Que tristes! Só o vê-los entristece…

Chora, em todo o crepúsculo, a tristeza.
E, além do ser humano, a Natureza
É lívida penumbra feita de ais…

Por isso, o vosso olhar de escuridão
É mais lágrima ainda que visão,
Ó pobres e saudosos animais!

Teixeiar de Pascoaes

Depois da Vida

Quando meu coração, parar desfeito,
Em sombra, na profunda sepultura;
E o meu corpo, espectral e já perfeito,
Divagar entre o Olimpo e a terra dura;

Quando sentir, enfim, todo o meu peito
A converter-se em luminosa altura;
Eu, aquele fantasma, o claro eleito,
O enviado da vida à morte escura;

Ah, quando, em mim, eu for minha esperança!
Meu próprio ser, divino e redimido;
E minha sombra apenas for lembrança,

Bem longe, em outro mundo transcendente,
À luz dum sol jamais anoitecido,
Serei contigo, amor, eternamente.

Teixeira de Pascoaes

sábado, 1 de dezembro de 2007

Antiga dor

O subtil, o reflexo, o vago, o indefinido,
Tudo o que o nosso olhar só vê por um momento,
Tudo o que fica na Distância diluído,
Como num coração a voz do sentimento.
Tudo o que vive no lugar onde termina
Um amor, uma luz, uma canção, um grito,
A última onda duma fonte cristalina,
A última nebulosa etérea do Infinito...
Esse país aonde tudo principia
A ser névoa, a ser sombra ou vaga claridade,
Onde a noite se muda em clara luz do dia,
Onde o amor começa a ser uma saudade;
O longínquo lugar aonde o que é real
Principia a ser sonho, esperança, ilusão;
O lugar onde nasce a aurora do Ideal
E aonde a luz começa a ser escuridão...
A última fronteira, o último horizonte,
Onde a Essência aparece e a Forma terminou...
O sítio onde se muda a natureza inteira
Nessa infinita Luz que a mim me deslumbrou!...
O indefinido, a sombra, a nuvem, o apagado,
O limite da luz, o termo dum amor
Tornou o meu olhar saudoso e magoado,
Na minha vida foi minha primeira dor...
Mas hoje, que o segredo oculto da Existência,
Num momento de luz, o soube desvendar,
Depois que pude ver das Cousas a essência
E a sua eterna luz chegou ao meu olhar,
Meu infinito amor é a Alma universal,
Essa nuvem primeira, essa sombra d’outrora...
O Bem que tenho hoje é o meu antigo Mal,
A minha antiga noite é hoje a minha aurora!...

Teixeira de Pascoaes