As palavras erquem-se
à altura do vento
e delas nasce a nuvem
do nosso pensamento.
E a nuvem vai ou fica
– fenece.
Só o amor
existe
e aquece.
João Rui de Sousa
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
João Rui de Sousa nasceu em Lisboa, em 1928.
Concluiu um curso técnico agrícola na Escola Prática de Agricultura D. Dinis e, já a exercer funções num organismo de coordenação económica, licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas, pela Faculdade de Letras de Lisboa.
Em 1982 ingressou como investigador na área de espólios literários na Biblioteca Nacional.
A sua actividade literária divide-se entre a criação poética e o ensaísmo, cujo núcleo dominante consiste no estudo da poesia. Fez a sua estreia (poemas e ensaio) na revista “Cassiopeia” (1955), da qual integrou a equipa de direcção, juntamente com José Bento, José Terra, António Carlos e António Ramos Rosa. Na poesia, para além dos livros que publicou, colaborou também em numerosíssimas publicações nacionais e estrangeiras e está também representado em numerosas antologias e volumes colectivos.
Obras:
Poesia:
Circulação (1960)
A Hipérbole na Cidade (1960)
A Habitação dos Dias (1962)
Meditação em Samos (1970)
Corpo Terrestre (1972)
O Fogo Repartido (1983) – este volume reúne os livros anteriores e ainda um grupo de inéditos
Palavra Azul e Quando (1991)
Enquanto a Noite, a Folhagem (1991)
Sonetos de Cogitação e Êxtase (1994)
Obstinação do Corpo (1996)
Respirar pela Água (1998)
Concisa Instrução aos Nautas (1999)
Os Percursos, as Estações (2000)
Obra Poética – 1960-2000 (2002)
Ensaio:
Fernando Pessoa – Empregado de Escritório (1985)
Este Rio de Quatro Afluentes (1988)
António Ramos Rosa ou o Diálogo com o Universo (1998)
Concluiu um curso técnico agrícola na Escola Prática de Agricultura D. Dinis e, já a exercer funções num organismo de coordenação económica, licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas, pela Faculdade de Letras de Lisboa.
Em 1982 ingressou como investigador na área de espólios literários na Biblioteca Nacional.
A sua actividade literária divide-se entre a criação poética e o ensaísmo, cujo núcleo dominante consiste no estudo da poesia. Fez a sua estreia (poemas e ensaio) na revista “Cassiopeia” (1955), da qual integrou a equipa de direcção, juntamente com José Bento, José Terra, António Carlos e António Ramos Rosa. Na poesia, para além dos livros que publicou, colaborou também em numerosíssimas publicações nacionais e estrangeiras e está também representado em numerosas antologias e volumes colectivos.
Obras:
Poesia:
Circulação (1960)
A Hipérbole na Cidade (1960)
A Habitação dos Dias (1962)
Meditação em Samos (1970)
Corpo Terrestre (1972)
O Fogo Repartido (1983) – este volume reúne os livros anteriores e ainda um grupo de inéditos
Palavra Azul e Quando (1991)
Enquanto a Noite, a Folhagem (1991)
Sonetos de Cogitação e Êxtase (1994)
Obstinação do Corpo (1996)
Respirar pela Água (1998)
Concisa Instrução aos Nautas (1999)
Os Percursos, as Estações (2000)
Obra Poética – 1960-2000 (2002)
Ensaio:
Fernando Pessoa – Empregado de Escritório (1985)
Este Rio de Quatro Afluentes (1988)
António Ramos Rosa ou o Diálogo com o Universo (1998)
Hoje nasceu...

12 de Outubro de 1928
João Rui de Sousa
Poeta português
Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: Legenda ; Paralelo invisível
sábado, 7 de outubro de 2006
Do Corpo Sentido
As palabras voan por riba das fronteiras

Vai decorrer, de 13 a 15 de Outubro de 2006, o 2º Simpósio Internacional Letras na Raia.
Um evento organizado pela Asociación de Escritores en Lingua Galega, que terá lugar em Vila Nova de Cerveira e em Goiám, na Galiza.
O objectivo desta actividade é materializar o convívio sempre presente entre os escritores/poetas portugueses e galegos.
O programa contempla:
Em Vila Nova de Cerveira:
Uma mesa-redonda com José Viale Moutinho e Francisco Salinas Portugal: «Literatura galega e literatura portuguesa: umha velha amizade/umha aspiraçom à anagnórise», moderada por Carlos Quiroga, uma mesa-redonda com Gonzalo Navaza Blanco, Alberto Augusto Miranda, Ana Luísa Amaral, Miguel Anxo Fernán Vello, Rosário Pedreira e Xurxo Borrazás: «Actualidade da literatura portuguesa e da literatura galega: Universos tangentes?», moderada por Marta Dacosta.
Em Goiám, Tominho:
Uma mesa-redonda com María Pilar García Negro, Virgílio Alberto Vieira e Bernardo Penabade: «Galiza-Portugal: Umha bilateralidade necessária», moderada por Mercedes Queixas, uma mesa-redonda com Uxía Senlle, Aurelino Costa e Sérgio Godinho: «As palabras (e as artes) voan por riba das fronteiras», moderada por Antía Otero, uma mesa-redonda com Joel Gómez, Patraquim, Antonio Riveiro Coello, Ana Paula Tavares: «Portugal como motivo literário», moderada por Henrique Rabuñal.
Semana cheia de poesia!
Esta semana que aí vem (9 a 15 de Outubro), está repleta de actividades. Senão, vejamos:
Na terça-feira, 10 de Outubro, no Salão Nobre do Palácio da Independência (no Largo de S. Domingos, em Lisboa), terá lugar, às 18.30 horas, o lançamento de "O Universo dos Lusíadas" e "Ressurgências Quase-Poéticas" da autoria de Luís Crespo de Carvalho.

Na quinta-feira, 12 de Outubro, terá lugar a apresentação do livro de poesia de Joaquim Evónio "Esboços Pessoanos" (3ª edição), no Bar "Inda a Noite é uma Criança", na Praça das Flores, em Lisboa, às 21.30 horas. Este livro de poesia é bilingue e tem desenhos de José Jorge Soares.
Para quem não puder ir, haverá outra apresentação do mesmo livro no sábado (dia 14), no Bar "10A" em Alvalade, também às 21.30 horas.
Também na quinta-feira, realiza-se o habitual convívio poético no Martinho da Arcada (na Praça do Comércio, em Lisboa), promovido pelo Círculo Nacional d'Arte e Poesia. Esta tertúlia realiza-se todas as quintas, das 16 às 18 horas.
No sábado, para além da já referida apresentação do livro de Joaquim Evónio, terá lugar no restaurante "Vá Vá" (na Av. de Roma, em Lisboa) a habitual tertúlia poética da Associação Portuguesa de Poetas, entre as 15.30 e as 18.30 horas, onde todos poderão dizer poesia de sua autoria ou de outros poetas.
Também no sábado, na Academia Recreio Artístico (na Rua dos Fanqueiros, 286 - 1º, em Lisboa), às 17 horas, terá lugar a apresentação do livro "Poetânea 5". Uma colectânea de poesia com textos de Ana Elisa Mercadante, Armando Taborda, Fernanda Pinto Ribeiro, Joaquim Evónio, José Junça, Julião Bernardes e Maria Natália Miranda. Haverá leitura de poemas do livro pelos autores e, após o intervalo, leitura de poemas por quem o quiser fazer.

No domingo, no Sardoal, (mais precisamente na Associação da Presa, em Alcaravela), terá lugar a apresentação do livro "Tagarelices" de Américo Farinha, pelas 15 horas. Esta sessão terá também um momento de poesia.
Outras actividades que decorrerão esta semana:

Em Abrantes, na Biblioteca Municipal António Botto, uma exposição bibliográfica sobre David Mourão Ferreira, que estará patente até 20 de Outubro.
Uma mostra que gira em torno de vários núcleos temáticos: Referências; Reminiscências e Recorrências.

Em Lisboa, no Museu-Palácio Angeja-Palmela (no Lumiar), está em cena o espectáculo "Das pessoas em Pessoa", pelo actor e encenador Ricardo Bargão, até 30 de Novembro. Trata-se de um espectáculo concebido para alunos com mais de 12 anos, de modo a despertá-los para o entendimento da obra de Fernando Pessoa e fomentar o gosto pela poesia, pelo teatro e pelas palavras ditas, com poemas de Fernando Pessoa ortónimo, e de Alberto Caeiro, Álvaro de Campo e Ricardo Reis. Este espectáculo pretende abrir os sentidos e os horizontes dos espectadores para o universo do poeta através das palavras ditas (uma espécie de Fernando Pessoa para principiantes), fazendo uma síntese dos principais temas da obra do poeta: desde a infância ideal e inexistente, o medo da loucura e da morte, até ao cansaço extremo pelo confronto entre uma alma infinita e excessiva encerrada numa vivência banal e sem história.
Bom, e agora... é só escolher!


Na quinta-feira, 12 de Outubro, terá lugar a apresentação do livro de poesia de Joaquim Evónio "Esboços Pessoanos" (3ª edição), no Bar "Inda a Noite é uma Criança", na Praça das Flores, em Lisboa, às 21.30 horas. Este livro de poesia é bilingue e tem desenhos de José Jorge Soares.
Para quem não puder ir, haverá outra apresentação do mesmo livro no sábado (dia 14), no Bar "10A" em Alvalade, também às 21.30 horas.




No domingo, no Sardoal, (mais precisamente na Associação da Presa, em Alcaravela), terá lugar a apresentação do livro "Tagarelices" de Américo Farinha, pelas 15 horas. Esta sessão terá também um momento de poesia.
Outras actividades que decorrerão esta semana:

Em Abrantes, na Biblioteca Municipal António Botto, uma exposição bibliográfica sobre David Mourão Ferreira, que estará patente até 20 de Outubro.
Uma mostra que gira em torno de vários núcleos temáticos: Referências; Reminiscências e Recorrências.

Em Lisboa, no Museu-Palácio Angeja-Palmela (no Lumiar), está em cena o espectáculo "Das pessoas em Pessoa", pelo actor e encenador Ricardo Bargão, até 30 de Novembro. Trata-se de um espectáculo concebido para alunos com mais de 12 anos, de modo a despertá-los para o entendimento da obra de Fernando Pessoa e fomentar o gosto pela poesia, pelo teatro e pelas palavras ditas, com poemas de Fernando Pessoa ortónimo, e de Alberto Caeiro, Álvaro de Campo e Ricardo Reis. Este espectáculo pretende abrir os sentidos e os horizontes dos espectadores para o universo do poeta através das palavras ditas (uma espécie de Fernando Pessoa para principiantes), fazendo uma síntese dos principais temas da obra do poeta: desde a infância ideal e inexistente, o medo da loucura e da morte, até ao cansaço extremo pelo confronto entre uma alma infinita e excessiva encerrada numa vivência banal e sem história.
Bom, e agora... é só escolher!
Poemas em voz alta
As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.
Alberto Caeiro
13/3/1914
(O Guardador de Rebanhos - XXV)
Na voz de Luís Gaspar:
sexta-feira, 6 de outubro de 2006
Uma fusão original entre Poesia e Design

Volte-Face é um álbum de Poesia e Design, audaz, irreverente e inovador, desenvolvido perlo Grupo de Intervenção Poética PIM! – 4 jovens artistas do Núcleo de intervenção poética da associação cultural Conflito Estético.
Eles têm como objectivo promover a reflexão poética e crítica sobre temas pertinentes do quotidiano, e através de um diálogo de convergência artística, realizam uma fusão original entre a palavra e o design experimental.
Volte-Face é uma publicacão sofisticada que se destaca pelo impacto visual arrojado e pela originalidade da escrita poética, apresentando trabalhos inéditos de diversos artistas nacionais.
Tomando como mote o universo televisivo, os conteúdos temáticos desta edicão vão aparecendo na revista como a grelha de uma emissão de TV.
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Fotopoema
O poeta Rui Diniz lançou um desafio, no seu blogue, para que que os visitantes lhe enviassem fotografias de sua autoria para testar a sua inspiração.
Respondendo ao desafio do poeta, enviei-lhe uma fotografia, para a qual ele escreveu este poema:

Fomos dois um dia
Éramos duas figuras rolando na escada da vida,
dois semblantes sem rumo, de alma vazia...
Assim éramos e assim fomos.
Assim nos encontrámos pela Magia do segundo
emque a surpresa vem na sensação de lá termos
sempre estado,
sempre presentes,
como que
sempre felizes.
Nada mais houve de importante nesse dia;
nem a causa que ganhei a um amigo das histórias,
nem as vitórias tuas no jogo do jornal;
passámos ao lado do banal e encarnámos a fantasia.
Os pombos serviram o pretexto,
mas fomos nós que deixámos palavras voar
e alojar-se no sangue,
qual carvão,
atiçando o fogo de uma paixão que será eterna porque morreu,
bem antes de falecer...
Anulados pela vida, encontrámo-nos,
no fim de mais uma tarde vencida,
ultrapassada pelos meandros de quem se desenrasca
com um café e um cigarro
e se alimenta do milho atirado
aos pombos-cegonha do nosso amor nascido.
Eu sempre soube que lá estarias;
nas escadas da maternidade
e do túmulo do nosso Momento,
perpetuado apenas na eternidade
de um pensamento...
Vivemos anos em horas...
por isso não estranhei o teu convite
para ir até onde moras
aguçar ao teu corpo o apetite!
Encontrámo-nos aí na tal Magia do segundo
em que a surpresa vem na sensação de lá termos
sempre estado,
sempre presentes,
e agora,
sempre ausentes...
Rui Diniz
Obrigada, Rui!
Vamos repetir a experiência?
Respondendo ao desafio do poeta, enviei-lhe uma fotografia, para a qual ele escreveu este poema:

Fomos dois um dia
Éramos duas figuras rolando na escada da vida,
dois semblantes sem rumo, de alma vazia...
Assim éramos e assim fomos.
Assim nos encontrámos pela Magia do segundo
emque a surpresa vem na sensação de lá termos
sempre estado,
sempre presentes,
como que
sempre felizes.
Nada mais houve de importante nesse dia;
nem a causa que ganhei a um amigo das histórias,
nem as vitórias tuas no jogo do jornal;
passámos ao lado do banal e encarnámos a fantasia.
Os pombos serviram o pretexto,
mas fomos nós que deixámos palavras voar
e alojar-se no sangue,
qual carvão,
atiçando o fogo de uma paixão que será eterna porque morreu,
bem antes de falecer...
Anulados pela vida, encontrámo-nos,
no fim de mais uma tarde vencida,
ultrapassada pelos meandros de quem se desenrasca
com um café e um cigarro
e se alimenta do milho atirado
aos pombos-cegonha do nosso amor nascido.
Eu sempre soube que lá estarias;
nas escadas da maternidade
e do túmulo do nosso Momento,
perpetuado apenas na eternidade
de um pensamento...
Vivemos anos em horas...
por isso não estranhei o teu convite
para ir até onde moras
aguçar ao teu corpo o apetite!
Encontrámo-nos aí na tal Magia do segundo
em que a surpresa vem na sensação de lá termos
sempre estado,
sempre presentes,
e agora,
sempre ausentes...
Rui Diniz
Obrigada, Rui!
Vamos repetir a experiência?
Na estante de culto

Vinte Poetas Contemporâneos
David Mourão Ferreira
2ª edição revista e aumentada de um volume de crítica editado em 1980 (pela primeira vez publicado em 1960), onde David Mourão Ferreira coligiu referências críticas a vinte poetas portugueses contemporâneos.
Algumas, meras recensões, simples esquemas ou apontamentos, outras, pelo desenvolvimento e pela estrutura, tendem para o ensaio.
Grande parte da matéria reunida neste livro é constituída por artigos de David Mourão Ferreira publicados no Diário Popular (entre 1954 e 1957), onde desempenhou as funções de crítico de poesia. Neste volume, David Mourão Ferreira analisou as poesias de Cabral do Nascimento, António de Sousa, Campos de Figueiredo, José Gomes Ferreira, José Régio, Vitorino Nemésio, Pedro Homem de Mello, Armindo Rodrigues, Alberto de Serpa, António Gedeão, Adolfo Casais Monteiro, Tomaz Kim, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, António Manuel Couto Viana, Mário Cesariny de Vasconcelos, Sebastião da Gama, Luiz de Macedo, e Fernanda Botelho.
Colecção Ensaio • Edições Nova Ática
Prémio do PEN Clube Português atribuído a António Ramos Rosa

O Prémio literário do PEN Clube Português (27.ª edição), referente à obra editada em 2005, na modalidade de Poesia foi atribuído a António Ramos Rosa pelo livro "Génese" (Roma Editora).
O Prémio, de 5.000 euros, é patrocinado, desde a sua criação, pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e foi atribuído por um júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral e Maria João Reynaud.
O PEN Clube Português atribuiu ainda prémios que distinguiram Fiama Hasse Pais Brandão e Hélder Macedo (Ficção), Pedro Eiras (Ensaio), José Bento e Miguel Serras Pereira (Tradução) e Ana Cristina Oliveira (Primeira Obra).
O PEN Clube Português anunciará brevemente a data da cerimónia da entrega dos Prémios.
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Feira do Livro de Frankfurt

Abre amanhã (quarta-feira) a principal feira de literatura do mundo – a Feira do Livro de Frankfurt. Vai estar aberta até 8 de Outubro e tem como país convidado, a Índia, colosso mundial cuja literatura, no entanto, é quase desconhecida na Europa.
A Índia levará a Frankfurt 40 escritores, incluindo alguns dos seus nomes mais conhecidos a nível internacional, como Vikram Seth e Amit Chaudhuri.
Visitarão este certame cerca de 1000 autores de vários países, e marcarão presença 7.000 expositores de 111 países (entre os quais Portugal, com 45 editoras).
Esta feira terá cerca de 400 mil livros em exposição, cerca de 2.500 actividades e espera quase 300 mil visitantes.
O Instituto Português do Livro e das Bibliotecas vai estar presente (ao contrário do que aconteceu no ano passado, por falta de verba), mas não poderá levar autores. A representação oficial portuguesa terá um espaço de 4 metros quadrados que servirá de meeting-point para desenvolver uma acção de relações públicas junto dos editores e agentes literários estrangeiros, promovendo os autores portugueses e africanos de língua portuguesa e convidando os mediadores estrangeiros a candidatarem-se aos nossos programas de apoio à tradução e à exportação de artistas portugueses de livros infantis.
As apostas portuguesas deste ano são Ana Teresa Pereira, José Riço Direitinho, Miguel Miranda, Rodrigo Guedes de Carvalho, Rui Zink e Hélder Macedo, mas serão também promovidos José Rodrigues Miguéis, Mário Cláudio, Gonçalo M. Tavares, Adília Lopes, Mário Cesariny, José Gil e Francisco Bettencourt.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
o soneto encontrado na garrafa
é a ti que eu quero nesta ilha deserta:
livro nenhum, quadro nenhum, nem disco
(gosto de tanta coisa que faísco
mas a escolher assim nunca se acerta).
quero trazer-te a ti, ágil, desperta,
despenteadamente a cada risco,
e viver de algas, peixes e marisco
e nunca mais fazer sinais de alerta
e os navios ao longe ver passar,
enquanto a roupa seca na palmeira
(esta ilha tem uma, de maneira
que não é só rochedo e à roda o mar).
e tu entre corais, náufraga e nua,
a boiar no meu peito à luz da lua.
Vasco Graça Moura
in "Poesia 2001/2005"
(laocoonte, rimas várias, andamentos graves)
Edição de Setembro de 2006 da Quetzal Editores
livro nenhum, quadro nenhum, nem disco
(gosto de tanta coisa que faísco
mas a escolher assim nunca se acerta).
quero trazer-te a ti, ágil, desperta,
despenteadamente a cada risco,
e viver de algas, peixes e marisco
e nunca mais fazer sinais de alerta
e os navios ao longe ver passar,
enquanto a roupa seca na palmeira
(esta ilha tem uma, de maneira
que não é só rochedo e à roda o mar).
e tu entre corais, náufraga e nua,
a boiar no meu peito à luz da lua.
Vasco Graça Moura
in "Poesia 2001/2005"
(laocoonte, rimas várias, andamentos graves)
Edição de Setembro de 2006 da Quetzal Editores

domingo, 1 de outubro de 2006
Poemas em voz alta
Não digas nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.
Fernando Pessoa
23/8/1934
Na voz de Luís Gaspar:
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.
Fernando Pessoa
23/8/1934
Na voz de Luís Gaspar:
A Poetisa Malú Urriola ganhou o Prémio Pablo Neruda 2006

A Fundação Pablo Neruda decidiu atribuir o Prémio Pablo Neruda 2006 à poetisa chilena Malú Urriola, pelo seu trabalho literário.
O júri decidiu unanimemente distinguir o trabalho de Urriola com este prémio no valor de 6000 dólares e que consiste ainda numa medalha e num diploma que serão entregues à poetisa no dia 12 de Dezembro.
Malú Urriola publicou "Piedras Rodantes" (1988), "Dame tu Sucio Amor" (1994), "Hija de Perra" (1998) e "Nada" (2003).
Em 2002, recebeu a Bolsa do Fundo de Desenvolvimento das Artes e Cultura para realizar o projecto poético "Poesía es +: Lectura de poesía desde globos aerostáticos". Em 2004, recebeu o Prémio Melhor Contribuição Televisiva, atribuído pelo Ministério da Mulher, pelo guião "Sofía, (Una historia de maltrato a la mujer)", realizado por Christine Lucas, no contexto da série "Cuentos de Mujeres", transmitida pela Televisão Nacional do Chile. No mesmo ano recebeu também o Prémio Municipal de Poesia e o Prémio Melhores Obras Editadas, entregue pelo Conselho Nacional do Livro, pela sua obra "Nada".
O Prémio Pablo Neruda é atribuído anualmente desde 1987, sempre a um poeta com menos de 40 anos, e já distinguiu autores como Gonzalo Millán, Raúl Zurita, Diego Maquieira, Clemente Riedemann, Carlos Trujillo, Teresa Calderón, Erick Pohlhammer, Alicia Salinas, Tomás Harris, José María Morales, Armando Roa, Jaime Huenún, Victor Hugo Díaz e Germán Carrasco.
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Carlos Drummond de Andrade
Aparição amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma ideia platónica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
Leituras Encenadas em Sines

Amanhã, sábado, pelas 22 horas, o actor Rui Penas, acompanhado por um músico, vai ler uma selecção de poemas sobre a Guerra Civil de Espanha, na Biblioteca Municipal de Sines, numa iniciativa que assinala os 70 anos do início da Guerra Civil de Espanha.
A Biblioteca Municipal de Sines fica na Praça Ramos Costa.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
M. Andrews
A dor nos olhos
Escorre para a Alma
Como a chuva nos beirais
Lânguida e sofredora
A gritar na invernia interior
Palavras lêem-se
Não se falam
E a dor jorra no sangue
Inundando o corpo
Numa angústia dolorosa
Que aperta a garganta
E os pingos saem lentamente
Pele abaixo rumo ao queixo
O olhar esconde-se
De vergonha e em desleixo
Pelo peso da alma
Que se mostra sem querer
Não chores assim
Diz o vento lá fora
Mas a Alma grita
Este peso
Não vai embora...
M. Andrews
Na voz de Luís Gaspar:
M. Andrews tem 32 anos e desde os 17 que escreve "para a gaveta".
Espero que um destes dias ela encontre uma editora que "lhe tire da gaveta" os poemas, que mais merecem a montra de uma livraria.
Escorre para a Alma
Como a chuva nos beirais
Lânguida e sofredora
A gritar na invernia interior
Palavras lêem-se
Não se falam
E a dor jorra no sangue
Inundando o corpo
Numa angústia dolorosa
Que aperta a garganta
E os pingos saem lentamente
Pele abaixo rumo ao queixo
O olhar esconde-se
De vergonha e em desleixo
Pelo peso da alma
Que se mostra sem querer
Não chores assim
Diz o vento lá fora
Mas a Alma grita
Este peso
Não vai embora...
M. Andrews
Na voz de Luís Gaspar:
M. Andrews tem 32 anos e desde os 17 que escreve "para a gaveta".
Espero que um destes dias ela encontre uma editora que "lhe tire da gaveta" os poemas, que mais merecem a montra de uma livraria.
terça-feira, 26 de setembro de 2006
Atenção diseurs!

O Bar A Barraca, a partir deste mês, todas as últimas terças-feiras, terá o palco aberto para quem quiser declamar, ler, dizer, urrar poemas, versos, obras épicas, recadinhos de amor, enfim... tudo e mais alguma coisa.
Aproveitem esta oportunidade. Quem sabe se não anda por aí um grande diseur por descobrir?
Portanto, já hoje, 26 de Setembro (terça-feira) a partir das 23.30 horas, o palco... é vosso!
domingo, 24 de setembro de 2006
Minhau
De onde vim?
Queres saber de mim?
Cheio de ego absurdo,
sou altivo e peludo;
como chamam por mim?
Tareco ou Moisés?
Miiinhão! Que o caminho é dos pés,
e se aterro num quintal
é a comida que é igual
à fome dura que me fez!
Noutro dia chamei "pechincha"
a uma gatinha que reliiiincha,
quando sente em sua sela o manto
do meu trote bravio e manso!
Mas miiiinhaaaaau...
Sou um gatinho fedorento...
sou um gatinho pachorrento!
Paciente com a vida,
inconsciente da saída!
E se noutra vida não for gato não sei...
se não serei de uma selva humana
El-Rei!
Rui Diniz
E na voz de Luís Gaspar:
Este poema é do livro "Corte d'El Rei" de Rui Diniz, uma edição que é acompanhada de um CD (mp3) onde se podem ouvir todos os textos incluídos no livro, lidos por Luís Gaspar, acompanhados ao piano por Justin Bianco.
Mais informações sobre este livro: http://cortedelrei.blogspot.com
Queres saber de mim?
Cheio de ego absurdo,
sou altivo e peludo;
como chamam por mim?
Tareco ou Moisés?
Miiinhão! Que o caminho é dos pés,
e se aterro num quintal
é a comida que é igual
à fome dura que me fez!
Noutro dia chamei "pechincha"
a uma gatinha que reliiiincha,
quando sente em sua sela o manto
do meu trote bravio e manso!
Mas miiiinhaaaaau...
Sou um gatinho fedorento...
sou um gatinho pachorrento!
Paciente com a vida,
inconsciente da saída!
E se noutra vida não for gato não sei...
se não serei de uma selva humana
El-Rei!
Rui Diniz
E na voz de Luís Gaspar:
Este poema é do livro "Corte d'El Rei" de Rui Diniz, uma edição que é acompanhada de um CD (mp3) onde se podem ouvir todos os textos incluídos no livro, lidos por Luís Gaspar, acompanhados ao piano por Justin Bianco.
Mais informações sobre este livro: http://cortedelrei.blogspot.com
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