sábado, 7 de março de 2009

Ruy Ventura traduzido nos EUA

Acaba de ser publicada nos Estados Unidos da América, em San Francisco (Califórnia), uma tradução do livro de poesia de Ruy Ventura “Assim se deixa uma casa”. A obra agora dada a lume com o título “How to leave a house” surge no âmbito do projecto “Second Mind”, contando com uma versão inglesa da responsabilidade de Brian Strang, que já antes publicara nessa língua poemas de Ruy Ventura, nomeadamente na revista “26: A Journal of Poetry and Poetics”, editada também na cidade californiana, e em publicações electrónicas.

Brian Strang vive em Oakland e é professor na San Francisco State University e no Merritt College. Publicou, entre outros, os livros “Incretion” e “machinations”. Tem traduzido, em conjunto com Elisa Brasil, poemas de vários autores contemporâneos de língua portuguesa.

“Assim deixa uma casa” teve a sua primeira edição em Portugal em 2003, pelas edições Alma Azul, de Coimbra. Tratou-se de uma edição bilingue, em português e espanhol, com versão e prefácio de Antonio Sáez Delgado (Cáceres, 1970), um dos mais importantes estudiosos e divulgadores da literatura portuguesa dos séculos XX e XXI em Espanha.

Ruy Ventura (Portalegre, 1973) reside e trabalha no concelho de Sesimbra, onde é professor. Publicou, em poesia, “Arquitectura do Silêncio” (Lisboa, 2000; Prémio Revelação de Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores), “sete capítulos do mundo” (Lisboa, 2003), “Assim se deixa uma casa” (Coimbra, 2003), “Um pouco mais sobre a cidade” (Villanueva de la Serena, 2004) e “O lugar, a imagem” (Badajoz, 2006); em 2009 editará o original “Chave de ignição”, com edição simultânea em Portugal (edições Cosmorama) e em Espanha (Littera Libros). Como investigador, trabalha neste momento num projecto dedicado ao estudo da toponímia e do património religioso de uma parte do barlavento algarvio. Coordena os blogues “Estrada do Alicerce” (www.alicerces1.blogspot.com) e "Arquivo do Norte Alentejano" (www.nortealentejano.blogspot.com).

sexta-feira, 6 de março de 2009

Poesia no Metro do Porto

Hoje e amanhã o Metro do Porto promove o evento «Um Porto de Poesia no Metro», com sessões de leitura de poemas de Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco, António Gedeão e Álvaro Barciela, entre outros, poemas esses que serão lidos por Maria de Lourdes dos Anjos, Jorge Vieira e Castro Reis (que também irão ler poemas de sua autoria).
Sexta-feira: a partir das 18H00 da estação da Trindade à estação da Póvoa de Varzim, na Linha Vermelha (B) e viagem de regresso.
Sábado: a partir das 10H30, da Trindade/Matosinhos Sul, na Linha Azul (A) e viagem de regresso à Trindade, onde será servido vinho do Porto.

Pnet Literatura

No pnet literatura, um texto de Jorge Reis-Sá sobre o porosidade etérea.
O meu agradecimento e uma pequena nota: o poema que deu o nome a este blogue é de António Gedeão.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Doze Cantos do Mundo

Vai ter lugar no próximo dia 7 de Março, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal de Sintra, a cerimónia de entrega do Prémio Literário Oliva Guerra 2008 atribuído ao poeta Amadeu Baptista pela obra "Doze Cantos do Mundo".


Gustav Coubert: A Origem do Mundo (1866)

Para os que esqueceram
a nudez com que aqui chegaram,

e de onde todos chegam,

crio.

A perda,

a perda que é sempre só resgate,
vem comigo,

quer dizer,
ponho-a nos quadros
para que, na exibição do ultraje,
nada se extinga,

nada se perca
e tudo se transforme.

Este é o rosto invisível de um quasar,

e a mulher que posa é Joanna Hiffernan,
a amante de um amigo,

enquanto o mundo,
o velho mundo,
se esquece que há em Deus
muitos mistérios

e que são os homens que os fazem.

O que se escuta, aqui?

Talvez só se escute alguma coisa estranha,

que os ocres e os vermelhos sublinham
com as insinuações brevíssimas na folhagem
que corre no talude.

Ou o ruído,
quase imperceptível,
de uma aranha a fazer a teia,
a luminosa teia da manhã.

Ou, talvez, se escute
a dimensão do universo,
com os seus firmamentos irreais,
as suas bocas, hiantes,

a adocicar os negros,
os meios tons,
a grave claridade de um grito a derramar-se
no fundo de um ribeiro.

Ou isso, ou muito mais:

o pôr-do-sol,
as raparigas que passam com os seus lenços
brancos,
perseguidas por homens em cujos olhos
vai o carro de Zeus,
e Apolo,
e as Eríneas,

e a aurora,
com o seu labor operário

no ar recém lavado
da imundície da cidade,
onde a soberba dos ricos
ainda dorme

e onde há órfãos insones,
em busca,
pelos cantos,
de um pão, ainda que recesso.

Eu crio:

estrume,
ou esterco,

crio,

para que o meu testemunho,
sob o efémero,
possa aguilhoar as almas
e consumar
a união entre o diverso e o transitório,

e não haja mais escândalo
que o escândalo
de ser a soberba a nossa ignorância

e a nossa ignorância a desventura.

O que há para ver nos genitais de Joanna?

O fogo?

A presença divina?

A parte da memória que não sabemos
onde está escondida?

A anunciação?

A carroça de feno que os peixes
empurram porque não há
estrelas na noite?

A expectação?

O ribombar dos canhões
no campo de batalha?

O fim de tudo?

A deposição?

O terror do martírio?

A serpente?

Ou só, apenas,
o indício seguro
de que a nossa humanidade é assim,
terna e tenra,
oferente e solícita,

ainda que tudo seja
aterrador
e a aflição
nos cerque?

Joanna é doce,

suporta sem queixume
a pose que lhe impus,

e sabe como,
no princípio,
cobria tudo a treva,

e a mulher chegou
toda de branco,
com uma luz nos olhos e os dedos
abertos
para a farinha,

e que, aos seus ombros,

vieram aves
que, de árvore em árvore,
cantaram o fulgor das primícias,

os frutos,

o sangue vivo
que vinha da mulher numa corrente
purificadora.

Eis o conjuro:

estar vivo.

E passam nos meus olhos
imagens dos amigos,

e Juliette Courbet, dormindo,
como uma criança,

Gabrielle Borreau,
que olha o infinito,

e Besançon,
e os campos floridos
onde brinquei em menino

a roubar ninhos,
a explorar as grutas,
a desvendar a vida.

Joanna é doce,
sorri-me quando pode

e canta,
para entreter a monotonia
a que a pose para este quadro obriga:

e eu olho-a,
e olho-me,

e escuto-a a cantar
como se fosse um pássaro de ausência,

e eu um homem
sem mais remédio
do que pintar assim

como que fascinado,
como que enfeitiçado,

a suprir uma falta,

uma falta imensa na luz que me convoca.

Para os que esqueceram a nudez
com que aqui chegaram,

e de onde todos chegam,

crio,

apenas.


Amadeu Baptista

(do livro '"Doze Cantos do Mundo")

quarta-feira, 4 de março de 2009

Colóquio Internacional em Évora

Ilustração de Norman MacDonald

Vai realizar-se, nos próximos dias 13 e 14 de Março, o Colóquio "Almutâmide e a Poesia do Garb al-Andalus", na Universidade de Évora, Palácio do Vimioso.
Este evento, que conta com a participação de alguns dos mais prestigiados arabistas e investigadores nacionais, espanhóis e marroquinos, resulta de uma parceria entre o CEDA - Centro de Estudos Documentais do Alentejo-Memória Colectiva e Cidadania, o CIDEHUS-UE - Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e o Município de Évora.
Para desenvolver a temática “Almutâmide e a Poesia do Garb al-Andalus” estarão presentes Jorge Araújo, José Ernesto de Oliveira, Fernanda Ramos, José Nascimento, Embaixadores de Marrocos, Argélia e Tunísia, Francisco Naia, Mafalda Soares da Cunha, Filomena Barros, Rui Arimateia, Eduardo M. Raposo, Cláudio Torres, António Rei, Fernando Branco Correia, José Alberto Alegria, João Pereira Santos, Hayat Kara, Omar Suisse, André Simões, Nadia Bentahar, Tiago Bensetil, Teresa Garulo, António Dias Farinha, José Alberto Machado e Hermenegildo Fernandes.
Haverá ainda uma sessão de homenagem a António Borges Coelho e uma noite de convívio com gastronomia mediterrânica, dança oriental, recital de poesia bilingue e música árabe.

Mais informações:
Data limite de inscrição: 9 de Março de 2009
Contactos: 96 136 12 86 (Eduardo M. Raposo) e 96 962 47 73 (Filomena Barros)
E-mail: memorialentejana@gmail.com; eduardomraposo@portugalmail.pt; mfbarros@uevora.pt

Os dias do Amor em Faro (parte IV)


Apresentação da antologia "Os dias do Amor" no passado dia 14 de Fevereiro, na Livraria Pátio de Letras, em Faro.
Vídeo de Adão Contreiras.


Definição do Amor


É um nada Amor que pode tudo,
É um não se entender o avisado,
É um querer ser livre e estar atado,
É um julgar o parvo por sisudo;

É um parar os golpes sem escudo,
É um cuidar que é e estar trocado,
É um viver alegre e enfadado,
É não poder falar e não ser mudo;

É um engano claro e mui escuro,
É um não enxergar e estar vendo,
É um julgar por brando ao mais duro;

É um não querer dizer e estar dizendo,
É um no mor perigo estar seguro,
É, por fim, um não sei quê, que não entendo.

Anónimo
(Séc. XVII-XVIII)



-o caçador.cativo

...............................................ao joão rasteiro

......em vão procuraram.se nas cidades

percorreu continentes e
quando desistiu
encontrou.se solto no ritmo lento
de uma valsa
dançada em contra.mão

desintegrado

sentiu as ondulações das cearas
que cearou em dança lenta
regressou estranho às recordações de antanho
antanho era a linguagem de seus avós

cresceu junto à terra gretada
pela fome das manhãs abertas
desde cedo sentiu a boca
apagada de desejo de terra pão
fustigada pelo vento

pulou a cerca
construída sobre os dias
como as copas das árvores que
costumava ouvir à noite entregue
aos seus passos de caçador furtivo
foi numa dessas deambulações que a encontrou
solta
aproximou.se
ela a medo levantou as asas
no voo ferido

soltou os cães e
ficou suspenso à dança do animal

em voo
primeiro raso
depois mais alto
arribando em direcção ao mundo
em tons de mel

engrossou o batimento das asas
ao som da pressa
do homem / caçador / cativo
daquele voar
enquanto filados
os cães esperaram a voz de comando

ele muito aquém da aventura
seguiu.lhe o volteio e
o silêncio da terra foi o elo que os uniu

ele o caçador cativo
ela solta à migração

o desejo deixou.os sob um manto de horas
semeadas a esmo
que estranho aquele olhar que
se projectava na mira do caçador
tornando.a vulnerável ao cúmplice
jogo do agarra e foge
ele o enfabulador
regressou caçador
ela de asas fechadas
pronta a deixar.se prender
olhou.o
ele viu.se
projectado no olhar em flash

uma ave / dona


gabriela rocha martins
(1948)




Antologia

Uma antologia é uma conclusão,
Mas ela apresentou-se assim, no meio daquelas pessoas.
Detalhou o seu melhor
Nas melhores palavras que executavam o meu silêncio.

Eu apresentei-me como poema do dia, como sempre fiz.
Apresentei-me como o último retrato do sol
Ou a última nuvem do romance que li.

Para minha surpresa, um dia mais tarde,
Ao ler-lhe a novíssima edição da antologia,
Apareci eu, vestido deste poema.

Tiago Nené
(1982)



O Amor é um Claro Mês

Os dias de chuva deixaram a memória aberta aos ventos. Lembro-me de ti e lembro-me de ontem. Vi-te. Sorrimo-nos. Era um silencioso e branco navio esse sorriso. Havia luz.
Amo-te, quero dizer-te. Amo-te como se nada mais existisse para lá de ti e de mim e da chuva breve. Tudo é simples. O amor é um claro mês. Mas as palavras são nada.
No silêncio poderia voar um pássaro que eu não soubesse nomear. Poderia haver um lugar desconhecido de todas as geografias. Poderia existir tão apenas uma ausência que deixa saudade e melancolia. Já viste a lua?

Fernando Cabrita
(1954
)

terça-feira, 3 de março de 2009

Tríptico Fálico de Vítor Vicente

Depois de "Tríptico do Narciso", (editora Canto Escuro), acaba de sair, pela editora Apenas Livros, o novo livro de poesia erótica de Vítor Vicente "Tríptico Fálico", que segue a sequência do "Tríptico do Narciso".
A fim de promover o recém-publicado "Tríptico Fálico", o Rascunho e a Canto Escuro estão a oferecer 3 exemplares do seu antecessor (Tríptico do Narciso) a quem for mais criativo e escreva uma frase, através do twitter, com as palavras "tirar os três".
O passatempo decorre aqui.

Recordar Maria Gabriela Llansol

Hoje, 3 de Março, um ano após a sua morte, Maria Gabriela Llansol é recordada com leituras dos seus textos e cadernos inéditos.
A sessão tem lugar a partir das 18H30, na galeria da Assírio & Alvim em Lisboa (Rua Passos Manuel, 67B), sob a organização de João Barrento e do Espaço Llansol.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Página sobre Fernando Pinto Ribeiro


Numa homenagem ao poeta Fernando Pinto Ribeiro, falecido no passado dia 20 de Fevereiro, o lavra... Boletim de Poesia editou a página na internet "Tributo ao Poeta Fernando Pinto Ribeiro", que pode ser visitada a partir deste momento aqui.

domingo, 1 de março de 2009

Búzio


Trouxeram-me um búzio.

Dentro dele canta
um mar de mapa.
Meu coração
enche-se de água
com peixinhos
de sombra e prata.

Trouxeram-me um búzio.

Federico García Lorca
(tradução de José Bento)

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Sonoplastia: Fernando Ladeira

Os dias do Amor em Faro (parte III)


Apresentação da antologia "Os dias do Amor" no passado dia 14 de Fevereiro, na Livraria Pátio de Letras, em Faro.
Vídeo de Adão Contreiras.


Se fosse no séc. XIX


Se fosse no séc. XIX
diria dos teus lábios que são mel.
Mas hoje quase nada nos comove
e é ridículo falar da pele.

Assim escrevo os poemas e fraquejo
temendo uma imagem duvidosa.
Nem métrica nem rima: só a prosa
me é dada pra dizer que te desejo.

E temo sobre tudo a impressiva
metáfora, a hipérbole, o efeito,
a frase rebuscada e excessiva

do tipo «a água, o lume incandescente».
Escrever com emoção é um defeito
e amar-te, meu amor, é estar doente.

José Carlos Barros
(1963)



Acróstico

Invisível a meus olhos,
........trago-te sempre no coração
Te envio um adeus feito paixão
........e lágrimas de pena com insónia.
Inventaste como possuir-me
........e eu, o indomável, que submisso vou ficando!
Meu desejo é estar contigo sempre
........oxalá se realize tal desejo!
Assegura-me que o juramento que nos une
........nunca a distância o fará quebrar.
Doce é o nome que é o teu
........e aqui fica escrito no poema: Itimad.

Al-Mu'tamid
(1040-1095)


(tradução de Adalberto Alves)

Sugestões para os próximos dias


5 de Março (quinta-feira):

ÉVORA - Bibliocafé Intensidez
Vai ter lugar, no Intensidez Bibliocafé, no próximo dia 5 de Março, pelas 22 horas, a apresentação do livro "A Cigarra e a Formiga", de Martins Fontes e Rui Calisto.
A apresentação será feita por Rui Calisto.
Partindo da ideia original da tradicional história, ao longo de 88 páginas, ilustradas por João Cabaço, o livro “fala da importância da poesia e do sonho nas nossas vidas”.
De Martins Fontes são os poemas que compõem as falas das personagens. Rui Calisto revela que a ideia de escrever esta história surgiu a partir de dois poemas de Martins Fontes, depois escolheu mais três, do mesmo autor, e construiu uma peça de teatro usando para as falas das personagens os referidos poemas. Toda a prosa do livro é original e da autoria de Rui Calisto.
O Intensidez Bibliocafé fica na R. do Escrivão da Câmara, 10-10A, em Évora.

PORTO - Café Progresso
Poesia In Progress
Amor em tempo de crise
Leitura de poemas: Cláudia Novais, André Sebastião, Olga Oliveira, Celeste Pereira, António Pinheiro, Mário Lima.
Acompanhamento: Tango Argentino (Inês Tabaja e Fernando Leal).
5 de Março, dia 9 de Fevereiro, no Café Progresso (Rua Actor João Guedes, nº5, no Porto).
Organização: Livraria Poetria.



CASTELO BRANCO - Bar Património
A obra de António Salvado é o tema do próximo “Colóquios do pensar”, organizado pela Associação Nacional de Professores, no Bar Património, em Castelo Branco, no próximo dia 5 pelas 21 horas. A sessão será preenchida com uma apresentação do poeta pelo metereologista e escritor Manuel Costa Alves e com um recital de poemas de António Salvado pelo grupo de teatro "Mãos ao Ar".

LISBOA - Palácio da Independência
No dia 5 de Março, vai ter lugar no Salão Nobre do Palácio da Independência (Largo de S. Domingos, Rossio), pelas 18 horas, uma Sessão Cultural no âmbito do 179.º nascimento do poeta João de Deus e da Embaixada da Casa do Algarve ao concelho de Sines, com duas palestras: “A Estrutura Urbana da Cidade de Silves” (por Rogério Mena Gomes) e “João de Deus e a sua Obra” (por António de Deus Ponces de Carvalho).
Organização: Casa do Algarve e Sociedade Histórica da Independência de Portugal.


LISBOA - Bar Frágil
Sessão de Poesia no Frágil, a partir das 23h00.
Poesia de Luiza Neto Jorge.
Actriz: Lucília Raimundo
Músico: Adriano Filipe
DJ: Vítor Silveira




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6 de Março (sexta-feira):

FARO - Livraria Pátio de Letras
Dia 6 de Março na Livraria Pátio de Letras às 21H30: apresentação por José Carlos Barros do livro de poesia “Os Animais da Cabeça” de Rui Dias Simão.
Leitura de poemas por Vitor Correia.





LISBOA - Biblioteca Orlando Ribeiro
A Papiro Editora promove no próximo dia 6 de Março pelas 21h30m, no âmbito do Dia Internacional da Mulher, uma tertúlia intitulada Palavra de Mulher, que reune cinco autoras no auditório da Biblioteca Orlando Ribeiro, em Lisboa.
Estarão presentes Maria Quintans, Teresa Salvado, Joana Branco, Otília Martel e Cristina Soares, autoras respectivamente de Apoplexia da Ideia, Das Minhas Águas Furtadas, Café, Canela e Coração, Menina Marota e Gineceu.

ODIVELAS – Casa do Largo
Vai realizar-se no dia 6 de Março mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.


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7 de Março (sábado):

TORRES VEDRAS - Livraria Livrododia
Dia 7 de Março, pelas 16 horas na Livraria Livrododia - Centro Histórico, em Torres Vedras, vai ter lugar a apresentação do livro “A Cabeça de Fernando Pessoa” de Luís Filipe Cristóvão (ed. Ardósia, Col. Pasárgada, 2009).
A apresentação estará a cargo do editor Ozias Filho.




LISBOA - Galeria Colorida
Conferência Falando de Fado, com Adalberto Alves, seguido de excerto do espectáculo "Papoila de Odiana", Dançar a Poesia de Almutâmide, com Elsa Shams, Eduardo M. Raposo, Tiago Bensetil e Nuno Faria.
Sábado, 07 de Março, 17:00, na Colorida Galeria de Arte: Rua Costa do Castelo, 63 - Lisboa, Mouraria (entrada pela Esc. Marquês de Ponte de Lima, 1A)


ÉVORA - Bibliocafé Intensidez
No Intensidez Bibliocafé, no próximo dia 7 de Março, pelas 21H30, Ensaio e Poesia Angolana: Francisco Soares apresentará dois autores angolanos, Quino e Abreu Paxe.
O Intensidez Bibliocafé fica na R. do Escrivão da Câmara, 10-10A, em Évora.

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8 de Março (domingo):

PORTO - Clube Literário do Porto
Poesia no Feminino no Clube Literário do Porto
O Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22) vai comemorar o Dia Internacional da Mulher com uma tertúlia intitulada Poesia no Feminino – a Poesia tem género?
O evento contará com a presença das autoras Ana Luísa Amaral, Minês Castanheira e Alexandra Malheiro, estando a moderação a cargo do jornalista e escritor César Príncipe.
O evento promete muita poesia, conversa e partilha de sensibilidades poéticas entre mulheres e homens.
Dia 8 de Março, pelas 17h00, no Auditório do CLP.

Nova editora

No passado dia 5 de Fevereiro nasceu a editora Temas Originais que já editou dois livros e procura mais autores com obra pronta a editar.
Esta editora tem sede no Porto (Rua de Vilar, 74 – 2.º - 4050-625 Porto) e tem delegações em Coimbra e Lisboa.
Para mais informações:
E-mail: temas.originais@gmail.com
Blogue: http://temasoriginais.blogspot.com/

Os dias do Amor em Faro (parte II)


Apresentação da antologia "Os dias do Amor" no passado dia 14 de Fevereiro, na Livraria Pátio de Letras, em Faro.
Vídeo de Adão Contreiras.


Um sistema de relação


Considere-se o caso em que A é igual a 1.
Obtém-se a função ípsilon igual a X à vida inteira
partindo da convicção que nenhum amor é para sempre
sendo A o mínimo absoluto do que és capaz de amar
e 1 uma falha de expressão comum ao tempo
em que sofrias fechada num quarto
a sentir uma régua de luz com origem sobre o teu rosto
a definir a região inundada do teu espaço
à medida que o tempo ocupa uma parte da cidade
e a tua situação representada numa estação de comboios
onde o esquema da vida se define por perpendiculares
aos dias cruzados na tua memória
sendo cada dia um gesto que te posiciona
em relação a todos os medos
mentiras de origem abjectas
e a proporção de ípsilon na mais estranha irracionalidade
no centro de um jardim onde se passeia geometricamente
apenas com o pensamento intimamente ligado
por símbolos de circunferência e dimensões harmoniosas
comparando o valor da vida à mais bela arquitectura
da experiência e da perda
um processo prático desenvolvido no laboratório
das horas mais simples e gráficas
ordenadas de uma forma circular
no teu caso um valor compreendido
entre duas questões humanas
por comparação do que foi destruído
pois há uma maior concentração de tristeza nos teus olhos
se designarmos por sofrimento algumas atitudes provocadas por 1
e se traçarmos duas rectas de amor paralelas à desigualdade de amar
e que passem pelos dias intuitivamente felizes
nesse quarto classificado de nuvens pesadas
onde a tua vida é agora inferior à média da felicidade
se concluirmos que o estado de ser feliz é um ponto diário
que varia de predominância e influência
nos tempos nulos condenados e negativos
na figura mínima encostada ao balcão do álcool
numa noite de cubos de gelo
e o que uma bebida especial
servida à mistura com a estratégia das palavras fez dos teus planos
calculando agora o valor referente aos lucros do amor e das promessas
introduz as marcas do teu corpo e obténs as medidas do teu prejuízo
define o tempo correspondente a cada acto de amor
seleccionando o menu da tua experiência
e tens uma lista que confirma o historial da tua personalidade
para que função o problema X tem significado
se o volume da tua casa tem todas as janelas fechadas
e o teu corpo é um fio de comprimento que mede a solidão dos dias
ou se os teus braços já não traçam
uma recta de prazer abaixo da cintura
ou ainda se o teu sexo é um foco distante que se fecha em curva
e não há intersecção nem arco entre dois corpos
considerando as arestas da tua vida propriedade de defesa
uma estimativa do tempo ao fim do qual tudo se perde
e tens deste modo um amor protagonizado pelo desespero
sujeito às regras da obediência e da ilusão.

Fernando Esteves Pinto
(1961)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mais logo, lá estaremos!

Lançamento do livro de poesia
de Torquato da Luz
“Por Amor e Outros Poemas”

Apresentação por Inês Ramos
Leitura de poemas por João Severino

28 de Fevereiro de 2009, pelas 17h30
Na Livraria Barata (Av. de Roma, 11 A – Lisboa)

Conto convosco!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os dias do Amor em Faro


Apresentação da antologia "Os dias do Amor" no passado dia 14 de Fevereiro, na Livraria Pátio de Letras, em Faro.
Vídeo de Adão Contreiras.

Para Além do Coração...

Quando o Amor funde as almas num olhar
que é pranto, em seu mistério —, o que se sente!
Treme o Universo em nós, divinamente!
— Numa lágrima cabe o seu luar!

Não tem fundo o abismo desse mar,
e não há céu mais alto e amanhecente!
O Passado e o Futuro —, eis o Presente
de que é feito esse instante singular!

Quem já amou com esse olhar profundo,
cujo fulgor transcende a Vida e o Mundo,
(sarça-ardente e divino amanhecer!);

— Quem já assim amou, esse, em verdade,
viveu Deus, o Infinito, a Eternidade,
— tudo o que foi, e é, e há-de ser!

Bernardo de Passos
(1876-1930)




após que a morte os separe

se aquela ferida não lhe ardesse
no sal do tempo ao descoberto
essa obstinação quase vegetal de flor
se aberta não fosse viva
rubra e quente a ferida
astro tangendo o perpétuo
o agora seria uma infecção
de corpos decaídos
pus coalhos e puas de ossos
e lagos tépidos lamacentos

toca-lhe o reflexo com um pano
afaga a película do que resiste
abraça a ausência que ela lhe oferece
e a frescura que se intromete
no quarto muito claro que povoa
é salgada
um mar inquieto
de muitas canções vagas
que afinal sempre esteve ali

aquilo ali dura
como dura a pedra

Pedro Afonso
(1979)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Poe e Criatividade Gótica

Em comemoração do Bicentenário de Edgar Allan Poe, a Linha de Acção de Estudos Americanos do CEAUL promove o Colóquio “Poe e Criatividade Gótica” que será coordenado por João de Almeida Flor e subsidiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Este colóquio inaugura o projecto “Criatividade Gótica”, desenvolvido pela Linha de Acção de Estudos Americanos coordenada por Teresa F. A. Alves.

Direcção do Colóquio: Teresa F. A. Alves e Teresa Cid
Comissão Organizadora: Maria Antónia Lima e Margarida Vale de Gato
Comissão Executiva: Ana Cristina Franco, Anabela Duarte, Cecília Martins, Diana Almeida, Edgardo Medeiros da Silva, Filipa Palma Reis, José Duarte e Rute Beirante

Oradores convidados: António de Macedo, Darryl Jones, David Soares, Fred Botting, Fernando Guerreiro, Fernando Pinto do Amaral, Fernando Ribeiro (a confirmar), Filipe Abranches, Filipe Melo, George Monteiro, Gonçalo M. Tavares (a confirmar), Helena Barbas, Hélia Correia, Henri Justin, José Bragança de Miranda, José Luís Peixoto (a confirmar), José Manuel Lopes, Luís Filipe Silva, Maria Leonor Machado de Sousa (a confirmar), Maria Irene Ramalho (a confirmar), Mário Avelar, Mário Jorge Torres, Paula Ribeiro, Pedro Mexia e Rui Lage.

Em paralelo, decorrerão diversos eventos culturais na cidade de Lisboa, tais como uma exposição na Biblioteca Nacional e o lançamento de um volume com a poesia completa de Edgar Allan Poe. O Colóquio terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 18 e 20 de Março de 2009.

Mais informações, aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um Pouco de Morte


Poesia
António Quadros Ferro
Fevereiro de 2009
Edição de autor







Exercício

Deixa
lentamente
que a tarde finde
verás depois ou entretanto
depende
que o que deixas acabar
não é mais do que a parte que a ti
te pertence.

Ali,
onde tu vês o que não existe
saberás, se te perderes um pouco,
que esse céu que o teu olhar
tantas vezes fingiu
fingiu uma vida inteira.

Depois, quando regressares,
e não souberes quem és,
isto é, quando te perderes de vez,
e tiveres aprendido por duas vezes
tudo o que há para aprender nesta vida
é possível que eu queira, se é que isto existe,
morrer contigo, morrer melhor.

Mas como te percebo,
eu próprio nunca abri os olhos
nunca me perdi antes
nunca me achei em nenhum céu.
Nunca, sequer, me levei de uma cor à outra.
A noite escura nunca me levou ao lugar que eu queria.

Morri apenas.
Demorei uma vida a morrer.
Como desejei.
Aos poucos,
ou de uma vez só,
como a tristeza quis.

António Quadros Ferro

Templo de Luxor

Sei agora que o gato tem espírito,
um dom poético, uma expressão
reveladora, perante o fogo
é um brilho, sobre a água
uma forma de ser que subtilmente
usa os sentidos alerta para falar
o idioma principal, esse mistério
de prevalecer na crença
da invocação egípcia, uma presença
divina entre o silêncio, a vertigem
e a intensidade que emerge do espaço
e avassala as colunas, a impressiva
modulação dos arcos, os blocos
inclinados para dentro
para que a rapidez inclua nos testículos
uma parte devoradora e outra felina,
uma parte excessiva e outra ágil
nas sete mortes
que antecedem o admirável suicídio.

Amadeu Baptista

Na voz de Luís Gaspar: