quarta-feira, 20 de agosto de 2008

1ª Mostra da Língua Portuguesa em Ribeirão Preto (São Paulo)

A 1ª Mostra da Língua Portuguesa, que decorre de 21 de Agosto a 13 de Setembro, no Centro Cultural Palace, na cidade de Ribeirão Preto, estado de São Paulo (no Brasil), contempla exposições, apresentações musicais, simpósios, palestras e oficinas temáticas tendo como base o universo da língua portuguesa.
O público poderá participar em exposições temáticas e interactivas da vida e obra dos autores Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Pedro Bandeira, Monteiro Lobato e Luís Vaz de Camões através de «Os Lusíadas», considerada uma das mais importantes obras da língua portuguesa. Durante os dias serão promovidas reflexões em torno da língua portuguesa com diversos profissionais.
A Poesia estará presente com "No Reino da Palavra: Leitura e Criação de Poemas" com Diana J. M. Toneto (no dia 2 de Setembro) e "Uma Noite de Poesias" com o Grupo de Médicos Escritores e a Academia Ribeirãopretana de Letras (no dia 9 de Setembro).

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Novidades Exodus

In Fabula
Aves Gatos Gregos Ocasos
José Viale Moutinho
Antologia

Com selecção e organização de Diana Pimentel, a editora Exodus reuniu as melhores páginas da ficção e poesia de José Viale Moutinho que, com esta antologia, comemora 40 anos de intensa vida literária. Galardoado com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, bem como com os prémios Edmundo Bettencourt de Conto e de Poesia, o escritor mantém-se tematicamente fiel às origens que tem na Ilha da Madeira.


Quilómetro Zero
Ivo Machado
Poesia

Encruzilhada de experiências e viagens (intra)pessoais, interiores ou exteriores, este QUILÓMETRO ZERO é de descoberta e (re)encontro: com o homem e com o poeta, com o mundo e com os outros. Poemas que resvalam - de fora para dentro e de dentro para fora -, numa linguagem simples e vigorosa, mas repleta de sensibilidade [que é também a linguagem da memória], no livro que marca o regresso de Ivo Machado aos inéditos.

X Palavras Andarilhas 2008

Entre os dias 25 e 28 de Setembro decorrerá, na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, as Palavras Andarilhas 2008.
Este evento, que vai na sua 10ª edição, é um Encontro de Contadores em que são desenvolvidas novas práticas na promoção do livro e da leitura através da narração e dos contadores andarilhos que vão espalhando a palavra pelo país. Serão quatro dias de promoção literária e cultural, com colóquios, oficinas, feiras do livro e da leitura, exposições de ilustração, mostras de cinema e maratonas de leitura em voz alta.
A Poesia também estará presente, nomeadamente na Oficina “A voz da Poesia” por José António Franco.
O programa completo poderá ser consultado aqui.

domingo, 17 de agosto de 2008

20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo comemora os 200 anos do Livro no Brasil

A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo abriu as portas no passado dia 14 e prolongar-se-á até 24 de Agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.
A exposição, este ano, comemora os 200 anos da indústria do livro no país, introduzida com a chegada de D. João VI e da família real portuguesa ao Brasil, em 1808. Os caixotes abarrotados de livros que desembarcaram junto com a corte no Rio de Janeiro, naquele ano, marcam também o nascimento da Biblioteca Imperial (hoje Biblioteca Nacional).
Pelo seu envolvimento essencial na história do Livro no Brasil, Portugal será um dos países homenageados nesta edição, juntamente com o Japão, em comemoração do centenário da imigração nipónica no Brasil, e a Espanha, pela realização da VII edição do Congresso Ibero-Americano de Editores.
A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, considerada um grande evento cultural da América Latina e o segundo maior do mercado editorial no mundo, terá este ano mais de 4 mil lançamentos e 2 milhões de livros à venda, reunindo 350 expositores nos 60 mil m² do pavilhão, representando mais de 900 selos editoriais.
O programa completo pode ser consultado aqui.

sábado, 16 de agosto de 2008

Concurso de Poesia de Stº António da Charneca – Barreiro

O 19º Concurso de Poesia da Freguesia de Santo António da Charneca (Barreiro), é uma iniciativa da Junta de Freguesia que tem como objectivo a promoção e a divulgação da freguesia no domínio da cultura, artes literárias e investigação histórico-cultural da própria freguesia.
Os trabalhos de poesia terão de ser obrigatoriamente redigidos em português. O tema é: “Água – essência da vida”.
Os trabalhos terão que dar entrada na Junta de Freguesia até à data limite de 5 de Setembro de 2008.
Serão atribuídos os seguintes prémios : 1º Prémio 250 euros; 2º Prémio 150 euros e Prémio Jovem 150 euros - destinado ao melhor trabalho de concorrente com idade dos 15 aos 20 anos.
A entrega dos prémios terá lugar nas comemorações do 23º aniversário da Freguesia, a realizar no princípio de Outubro de 2008.
Os trabalhos poderão ser enviados pelo correio ou entregues em mão, na seguinte morada:
19º Concurso de Poesia - Junta de Freguesia de Santo António da Charneca
Rua Manuel Martins Gomes Júnior, 10 – 12 - 2835-723 Santo António da Charneca
Mais informações: junta.charneca@netvisao.pt
Dia 21 de Agosto, pelas 18h, na Livraria O Gil, em Ponta Delgada, Sofia Pinto Correia Melo dará uma sessão de autógrafos do seu primeiro livro de poesia CASA GRANDE (Edições Quasi) que será apresentado pelo Prof. Carlos Ventura, da Universidade dos Açores.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

- BAGACO DE LARANJA MUIDO
- ver a revista ana maria de julho do dia 7 a 11 de julho de 2008
- tiempo proximos 10 dias lisboa
- estante antiga japonesa
- tascas de arcos de valdevez
- marques de tomar sexshop
- gatos á venda em S.João da Madeira
- jeronimo pizarro apaixonado

(Tal e qual como estavam escritas)

XXII Festival de Poesia do Condado

O XXII Festival de Poesia do Condado "Galiza nom se vende", organizado pela Sociedade Cultural e Desportiva do Condado, vai realizar-se nos próximos dias 4, 5 e 6 de Setembro em Salvaterra do Minho.
O programa do Festival contempla exposições de pintura, fotografia, poesia visual, música e, claro, muita poesia.
Estarão presentes os poetas Igor Lugrís, Marica Campo, O Leo, Kiko Neves, Carlos Figueiras, Valentina Carro, María Lado, Xiana Árias, Pedro Casteleiro, Paco Souto, Concha Rousia, Cruz Martínez, Alberto Lema, Lino Braxe, Chus Pato, Pilar Beiro, Núria Martínez Vernís (Catalunha), Limam Boicha (Saara), Isaque Ferreira (Portugal), entre outros.
Mais informações aqui.

Prémios Literários Correntes d’Escritas

No âmbito do Encontro de Escritores de Expressão Ibérica Correntes d’Escritas são atribuídos anualmente dois prémios literários, um para obras já publicadas: Prémio Literário Casino da Póvoa e o outro: Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, dirigido a jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, para trabalhos inéditos. Em 2009 ambos os prémios vão distinguir obras em poesia.
A 30 de Agosto termina o prazo para as obras concorrentes ao Prémio Literário Casino da Póvoa, cujo valor é de 20 mil euros. Podem concorrer autores de língua portuguesa, castelhana ou hispânica, com obras em 1ª. edição, em português e editadas em Portugal entre Julho de 2006 e Junho de 2008, excluindo-se as obras póstumas e ainda aquelas da autoria de galardoados com o Prémio Literário Casino da Póvoa nos últimos seis anos.
O Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus é destinado a jovens naturais de países de expressão portuguesa, castelhana ou hispânica. Os concorrentes podem entregar, no máximo, dois trabalhos até 30 de Novembro de 2008. Para 2009, o valor do prémio será 1000 euros, sendo que a obra premiada será ainda publicada na próxima edição da Revista Correntes d’Escritas. Os interessados em concorrer a este prémio juvenil têm ainda que ter em atenção que deverão apresentar os seus trabalhos por escrito e sob pseudónimo.
Os regulamentos dos dois prémios literários estão disponíveis aqui.
Os vencedores de ambos os prémios serão anunciados na sessão de abertura da X Edição do Correntes d’Escritas, que decorrerá entre 11 e 14 de Fevereiro de 2009, sendo que a entrega do prémio ocorrerá na sessão de encerramento.

Hoje nasceu...



15 de Agosto de 1938

Fiama Hasse Pais Brandão

Poetisa portuguesa




Artigos relacionados:
Biografia
Poemas: “Amor é o olhar total, que nunca pode...” ; “Sei que o cérebro o coração e o ventre...” ; “Epístola para Dédalo”
Outros artigos: Morreu Fiama Hasse Pais Brandão ; Novidades da Labririnto

Fiama Hasse Pais Brandão

A poetisa Fiama Hasse Pais Brandão foi também dramaturga, ensaísta, ficcionista e tradutora.
Revelada no movimento Poesia 61, que revolucionou a linguagem poética portuguesa dos anos 60, Fiama demonstrou ser uma das principais vozes poéticas da sua geração, constando da sua obra "O Aquário", "Cantos do Canto" e "Obra Breve".
Recebeu em 1957 o Prémio Adolfo Casais Monteiro pela obra "Em Cada Pedra Um Voo Imóvel".
Casada com o poeta Gastão Cruz, dedicou-se igualmente à escrita para teatro, tendo a sua primeira peça, "Os Chapéus de chuva", sido distinguida com o Prémio Revelação de Teatro, em 1961.
Traduziu obras de língua alemã, de língua inglesa e de língua francesa, de John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis e Anton Tchekov, entre outros, e colaborou em revistas literárias como Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phala.
Ao nível do ensaio, escreveu, entre outros, "O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos", sobre a influência cabalística em diversos autores dos séculos XVI a XVIII.
Faleceu em Lisboa no dia 20 de Janeiro de 2007.
Amor é o olhar total, que nunca pode
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre apenas à água.

Fiama Hasse Pais Brandão
Sei que o cérebro o coração e o ventre
são uma só forma. O mesmo ponto claro
no alcatrão profundo da abóbada.
Que o cérebro murmura
como o estorninho que devora a verdura
que se estende diante dos olhos.

O ventre, esse, pernoita e imita-o
ao som do ritmo do coração
que digere os vegetais túrgidos
a que pude aconchegar os lábios.
Nada mais bascula no tecto
onde um vapor prende os intervalos.

Costelas, harpa da noite, com um som
de osso cristalino em que não toco
senão quando o cadáver se desenvolver
deste corpo ornamentado por flores frescas.
Assim um tronco esvaziado
pelo formigueiro por vezes confunde-se
com o meu cérebro, o coração e o ventre.

O luar eterniza-se como fundo
deste pensamento acerca das formas.
É uma pequena cabeça de formiga,
tão negra que a agradeço aos mestres clássicos
pelo negrume descrito nas cosmogonias.

Fiama Hasse Pais Brandão

Epístola para Dédalo

Porque deste a teu filho asas de plumagem e cera
se o sol todo-poderoso no alto as desfaria?
Não me ouviu, de tão longe, porém pensei que disse:
todos os filhos são Ícaros que vão morrer no mar.
Depois regressam, pródigos, ao amor entre o sangue
dos que eram e dos que são agora, filhos dos filhos.

Fiama Hasse Pais Brandão

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Surrealismo português

Eis um novo espaço do surrealismo português na blogosfera: A única real tradição viva - surrealismo e surrealistas em Portugal e no mundo.
Um blogue dedicado ao surrealismo, com particular destaque para o movimento literário português, da autoria de Ricardo Pulido Valente.
A visitar!

Sugestão da Andante para esta semana...

Fala a preguiça

Eu gosto tanto, tanto, tanto
de estar quieta, muito parada,
de fazer nada, coisa nenhuma,
e de fazer isso, que é não fazer
e de não estar, não ir, também.
Eu cá faço nada e todos
me dizem que faço isso muito bem.

Faço arroz de nada, pudim de nada
(que não é nada, está-se mesmo a ver)
e é tudo muito bom, delicioso,
só por não ser preciso fazer.

Eu faço nada, sou um nadador,
mas não daqueles que nadam mesmo,
O que é cansativo, tão maçador;
é que nadar, cá para mim,
tem um defeito insuportável:
aquele erre que está no fim.

E não digam que não faço nada
porque eu faço isso o mais que posso
e se não faço mais é porque mesmo nada
fazê-lo muito é uma maçada.
Não quero ir. Ainda é cedo.
Que pressa é essa? Não pode ser!
Deixem-me estar porque eu hoje tenho
bastante nada para fazer.

Álvaro Magalhães

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva, Música: Erik Satie; Sonoplastia: Fernando Ladeira

terça-feira, 12 de agosto de 2008

António Aragão (1925-2008)

Morreu ontem, 11 de Agosto, o poeta e pintor madeirense António Aragão.
António Aragão licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade Clássica de Lisboa e em Arquivismo e Biblioteconomia pela Universidade de Coimbra.
Estagiou em França e na Itália, em etnografia, museologia e restauro de obras de arte e, como pintor, expôs em Barcelona e Londres, e participou em experiências vanguardistas em Inglaterra, Brasil e Itália. Deixou também legado na escultura.
É considerado um grande poeta da década de 60 e publicou os livro de poesia “Poema Primeiro” (1962), “Folhemas 1, 2, 3 e 4” (1966-67), “Mais ExactaMente P(r)o(bl)emas” (1968), “Os Bancos” (1975) e “Metanemas” (1981). Integrou a "Antologia da Poesia Concreta em Portugal" (1973), Assírio & Alvim.
António Aragão escreveu ainda ficção "Um Buraco na Boca" e teatro "Desastre Nu".

Mahmud Darwish (1941-2008)

Morreu no passado dia 9 de Agosto, nos Estados Unidos, o poeta palestiniano Mahmud Darwish, aos 67 anos, um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, cuja actividade literária e política o tornaram no poeta nacional da Palestina.
Mahmud Darwish nasceu na Palestina em 1941. Em 1948 a sua aldeia foi atacada pelos sionistas e os habitantes levados para outros lugares. Aos sete anos Darwish fugiu para o Líbano à procura de notícias da sua família que, no entanto, não conseguiu encontrar. Um ano depois o poeta retornou à Palestina, onde encontrou a sua aldeia totalmente arrasada e ocupada pelos israelitas. Darwish escreveu os seus primeiros textos poéticos quando ensinava na aldeia de Der Al Asad. Foi detido e preso pelos israelitas em diversas alturas ao longo da sua infância e adolescência, tendo mais tarde sido proibido de leccionar no ensino superior. Entretanto, foi para Moscovo em 1970, e para o Cairo no ano seguinte. Desde então organizou várias publicações e centros de pesquisa palestinianos. Foi presidente da Sociedade de Escritores e Poetas Palestinianos e foi várias vezes indicado para o Prémio Nobel.
Em Abril de 1988 o então primeiro-ministro Isaac Shamir iniciou uma ofensiva contra Darwish devido ao seu poema "Aqueles que passam entre as palavras passageiras", que, segundo Shamir era "a expressão exacta dos objectivos do bando de assassinos organizados debaixo do guarda-chuva da OLP". Na verdade, o poema é um pedido dirigido aos israelitas para que deixem as terras ocupadas.
Em Abril de 2002 o exército israelita atacou e destruiu o Centro Cultural Jalil Sakatini (Ramalá), dirigido por Darwish. Antes, o edifício tinha sido saqueado pelas forças militares de Israel que levaram arquivos, documentos e obras de arte e a seguir o destruíram com explosões de cargas de dinamite. O edifício também era sede da prestigiosa revista literária palestiniana Al Karmel, também dirigida por Darwish. Horas mais tarde a operação continuou com a invasão da casa do poeta, que residia em Paris, onde continuava a editar a revista literária Al Karmel.
Com livros traduzidos em mais de 20 idiomas e vários prémios internacionais, Mahmud Darwish é o autor da Declaração de Independência Palestiniana, escrita em 1988 e lida por Iasser Arafat quando declarou unilateralmente a criação do Estado Palestiniano.
Darwish ganhou notoriedade ainda nos anos 60, com a publicação do seu primeiro livro "Pássaro sem asas", uma colectânea de poemas que inclui "Bilhete de Identidade". Escrito na primeira pessoa, o poema descreve o momento em que um árabe fornece os números do seu documento de identificação numa barreira israelita, na tentativa de retornar à sua terra.


Bilhete de Identidade

Escreve!
Sou árabe
e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;

tenho oito filhos

e o nono chegará no final do Verão.

Vais zangar-te?


Escreve!

Sou árabe.

Trabalho na pedreira

com os meus companheiros de infortúnio.

Arranco das rochas o pão,

as roupas e os livros

para os meus oito filhos.

Não mendigo caridade à tua porta,

nem me humilho nas tuas antecâmaras.

Vais zangar-te?


Escreve!

Sou árabe.

Sou um homem sem título.

Espero, paciente, num país

em que tudo o que há existe em raiva.

As minhas raízes,

foram enterradas antes do início dos tempos

antes da abertura das eras,

antes dos pinheiros e das oliveiras,

antes que tivesse nascido a erva.


O meu pai descende do arado,

e não de senhores poderosos.

O meu avô foi lavrador,

sem honras nem títulos,

e ensinou-me o orgulho do sol

antes de me ensinar a ler.

A minha casa é uma cabana,

feita de ramos e de canas.

Estás feliz com o meu estatuto?

Tenho um nome, não tenho título.


Escreve!

Sou árabe.

Roubaste os pomares dos meus antepassados

e a terra que eu cultivava com os meus filhos;

não me deixaste nada,

apenas estas rochas;

O governo vai tirar-me as rochas,

como me disseram?


Escreve, então,

no cimo da primeira página:

a ninguém odeio, a ninguém roubo.

Mas, se tiver fome,

devorarei a carne do usurpador.

Tem cuidado!

Cuidado com a minha fome,

Cuidado com a minha ira!

Em Portugal, a editora Campo das Letras publicou em 2002 o livro "O Jardim Adormecido e Outros Poemas", com selecção e tradução de Albano Martins.
Os poemas deste livro foram extraídos dos volumes "La terre nous est étroite et autres poèmes" (antologia organizada pelo próprio poeta, antecedida de um prefácio inédito do autor, publicada, em 2000, pela editora Gallimard), "Plus rares sont les roses" (Les Éditions de Minuit, 1989) e "Poèmes palestiniens" (Les Éditions du Cerf, 1989).

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aproximando Margens/Acercando Orillas


Vai acontecer no próximo dia 7 de Agosto pelas 21H30 na Feira do Livro de Faro um encontro de autores do Algarve, da Andaluzia e das Canárias, o 3.º “Aproximando Margens/Acercando Orillas”, com António Manuel Venda, Fernando Esteves Pinto, Gabriel Cruz, Pedro Afonso, Quintin Cabrera e Uberto Stabile.

Montanhas de Poesia na República Dominicana

Com o mote de que a poesia é a mais pura das artes, e com o objectivo de que este tipo de criação sirva de elemento unificador entre os seus adeptos, o Festival de Poesia na Montanha já se realizou cinco vezes na cidade de Jarabacoa, na República Dominicana.
Todos os anos a montanha serve de espaço para os versos e para os poetas, numa atmosfera de camaradagem e amizade. A estes se juntam os habitantes da cidade e visitantes ocasionais que não querem perder o mais importante evento poético do país.
O VI Festival de Poesia da Montanha "Jarabacoa 2008", que se realizará em Pinar Quemado de 29 a 31 de Agosto, faz parte das celebrações do 150.º aniversário de Jarabacoa e contempla no programa vários recitais de poesia, workshops, colóquios, Poesia Musicalizada, Teatro & Poesia, Filosofia & Poesia, Pintura & Poesia, Cinema & Poesia e ainda um evento ecológico intitulado “Los poetas versifican en la montaña”.