sábado, 14 de novembro de 2009

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Walt Whitman
Folhas de Erva
Tradução de Maria de Lourdes Guimarães
Relógio D'Água, 2002






Sento-me a contemplar


Sento-me a contemplar todas as dores do mundo, toda a opressão e vergonha,
Ouço os secretos soluços convulsivos dos jovens angustiados consigo mesmos, cheios de remorsos após o que fizeram,
Vejo no meio da miséria a mãe ser maltratada pelos filhos, morrer desprezada, magra e desesperada,
Vejo a mulher maltratada pelo marido, vejo o traiçoeiro sedutor das jovens,
Reparo nos ciúmes inflamados e no amor não retribuído e que se tenta esconder, vejo estes espectáculos na terra,
Vejo as agitações do combate, a pestilência, a tirania, vejo mártires e prisioneiros,
Observo a fome no mar, observo os marinheiros tirando à sorte aquele que vai ser morto para salvar a vida dos outros,
Observo o desrespeito e os aviltamentos lançados por gente arrogante sobre os trabalhadores, os pobres, os negros e seus semelhantes;
Tudo isto — toda a mediocridade e agonia sem fim eu contemplo sentado,
Vejo, oiço e fico em silêncio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mais logo, em Silves

"Stand Up Poetry - Diz-se Poesia com Andreia Macedo"
Biblioteca Municipal de Silves
13 de Novembro • 21H00

Há um ano a percorrer todo país, “Stand Up Poetry – Diz-se Poesia com Andreia Macedo” é um espectáculo/sessão de poesia para o público em geral... em geral como quem diz: em específico para os que gostam e para os que passarão a gostar de poesia, para os entendidos e para os desentendidos fazerem as pazes. Uma actuação em constante transformação porque o público nem sempre é igual, e porque a Andreia é temperamental e porque umas vezes nos apetece mais subir às cadeiras e gritar que nos dói a alma e provocar uma revolução com palavras e, outras, subir às nuvens e voar em amor... mesmo com bolsas de ar que nos dão aflição para logo sermos salvos pela ternura de um salto de alegria surreal. Nada complicado, as palavras são as escolhidas por grandes poetas; as emoções, as criadas por quem é gente; e a interpretação por uma expressiva e sensual actriz que gosta disso tudo.
Andreia Macedo:
Site - http://andreiamacedo.no.sapo.pt
Blog - http://andreiamacedo.blogs.sapo.pt

20º Aniversário do Grupo Literário POESIS

14 de Novembro • 14H30 • Casa da Cultura de Paranhos

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Editorial Caminho, 2001







Abril


Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.

E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fernando Aguiar






Poesia visual de Fernando Aguiar publicada pela “Boek861”, publicação electrónica dirigida por César Reglero:


Encuentra más vídeos como este en Boek Visual

Mais informações aqui.

Os Acasos Persistentes
Cláudio Neves
7 Letras, 2009


Cláudio Neves é um dos promissores nomes da poesia que hoje se faz no Brasil. Acerca deste autor e da sua obra já se pronunciaram importantes poetas e ensaístas como: Antonio Carlos Secchin, Marco Lucchesi e André Seffrin. "Os Acasos Persistentes" é o seu mais recente livro, prefaciado pelo poeta português Victor Oliveira Mateus com o texto: "Efemeridade e Permanência na poesia de Cláudio Neves".

Cláudio Neves nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. Mora em Fortaleza desde 1990. É bacharel em Comunicação Social e licenciado em Língua Portuguesa. Trabalhou em agências de propaganda na década de 90. Desde 2000, é professor de português. Publicou poemas em jornais, antologias e revistas, como na "Poesia Sempre", da Fundação Biblioteca Nacional. Estreou em livro com "De Sombras e Vilas" (7Letras, 2008). É também ficcionista, ensaísta e crítico literário. (...)
(da badana do livro)

O cão que juntos vimos numa esquina.
O peixe que agonizava à nossa frente.
A onda na direção de nossas filhas,
a quem pedimos não quebrasse sobre elas.

O cacto que te comprei na feira
e que te faz sorrir
quando o entrego
ainda hoje nos meus pensamentos.

Tudo isso farei eterno,
se me confias teu corpo sem ruído,
se sufocas teu grito para que não nos ouçam
as crianças no quarto contíguo,
para que não descubra o tempo
o cão, a onda, o cacto,
o teu corpo jugulado e inconsentido.

Relâmpago 24

Hoje, 12 de Novembro, vai ter lugar na Casa Fernando Pessoa o lançamento do número 24 da revista Relâmpago, pelas 18H30. A revista será apresentada por Fernando Pinto do Amaral e Gastão Cruz. António Carlos Cortez e Teresa Martins Marques falarão sobre a obra de David Mourão-Ferreira, a quem este número da Relâmpago é dedicado. O actor Luís Lucas lerá alguns poemas de David Mourão-Ferreira.
A Casa Fernando Pessoa fica na R. Coelho da Rocha, 16, em Lisboa.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Pedro Mexia
Vida Oculta
Relógio D'Água, 2004







Sala de espera

Cinquentonas adiposas
homens de bigode problemático
duas angustiadas estéreis
outras duas parideiras
velhos parados na sua velhice
funcionários tão públicos
uma adolescente esburacada
a mãe catastrófica
o jovem lamentável casal
uma miúda que só olha
um avô despedaçado,
todos na mesma fila que eu
para os comprimidos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Diálogos com a Ciência

Poesia e Ciência
12 de Novembro 21H30
Maria Azenha, valter hugo mãe e Teresa Tudela

Mais logo, no Instituto Cervantes

11 de Novembro • 18H30 • Instituto Cervantes de Lisboa (Rua de Santa Marta, 43-F)
MESA REDONDA sob o título POEMAS CRUZADOS
a propósito da apresentação de dois livros de poesia bilingues:
EN LA VIA DEL MAESTRO de CASIMIRO DE BRITO
(tradução espanhola de Montserrat Gibert, editado pela OLIFANTE),
que será apresentado pelo poeta espanhol ÁNGEL GUINDA.
TEORIAS DEL ORDEN de JOSÉ MARIA CUMBREÑO
editado pelas EDIÇÕES SEMPRE-EM-PÉ.
A apresentação será feita por Ruy Ventura, que traduziu para português o original castelhano.

Estarão também presentes os autores Casimiro de Brito e José Maria Cumbreño.
A sessão é organizada pelas Edições Sempre-em-Pé e pelo Instituto Cervantes de Lisboa.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Mihai Eminescu
Revedere
Tradução de Doina Zugravescu
Evoramons Editores, 2005






E Se...


E se os ramos vêm bater
....No vidro e os choupos rangem,
É para eu devagar trazer
....À mente tua imagem.

Se os astros batem seu fulgor
....No seio da onda calma,
É para eu aliviar a dor
....E serenar a alma.

E se as nuvens densas vão,
....E a lua sai ‘splendente,
É para tua recordação
....Sempre guardar em mente.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Novidades Assírio & Alvim

EVOCAÇÃO DE SOPHIA
Autor: Alberto Vaz da Silva
Prefácio: Maria Velho da Costa
Posfácio: José Tolentino Mendonça
112 páginas

«Curiosa forma tem Alberto Vaz da Silva de abeirar-se aqui de Sophia, em evocação intensa, dilectíssima e discreta. “Quem tiver ouvidos para ouvir […]”. A visão inaugural é a de um jardim. Ainda não se fala de livros, nem de versos, mas de uma adolescente num “maravilhoso jardim semi-abandonado e selvagem”, deslizando atrás do aroma “profundo, intenso, secreto, veludoso, insondável” que é a alma do mundo e a nossa própria. Quando Sophia, recuperando a memória desse lugar, escrever que “o corpo de Alexandre da Macedónia era, por sua natureza, aromático”, certamente re-corda e a-corda. Os jardins são, para a consciência, territórios de origem, patamares, cavidades maternais, propulsores de vertiginosa passagem.
A imagem do epílogo, por sua vez, é um traço do autor, a impressão do olhar perante Sophia que escreve, apenas isso: “Ali, naquela folha, arvorava o seu nome […]”. Detenho-me no modo exacto e, todavia, inesperado que Alberto Vaz da Silva propõe para enunciar, ou anunciar, o acto da escrita: “arvorava”.
No princípio e no fim temos, assim, o jardim, pois a escrita é, ela também, singular forma de arborescência.
A caligrafia é tatuagem orgânica, matéria com predicados vegetais: linha indivisa, ramificada, que se multiplica desde as raízes até ao alto (ou desde o alto até às raízes, como ensina a Cabala). Escrever mantém uma equivalência misteriosa com o arborescer.
Este é, se quisermos, um livro sobre jardins. Os que nos precedem, os que formam sem sabermos a nossa alma e os seus declives, os que silenciosamente se avistam nas várias formas de grafia, desde aquela que cintila na vastidão silenciosa dos céus (e que também nos pertence), à nossa grafia íntima, feita de arranhões, de registos digitais, de textos, crateras.»
JoséTolentino Mendonça, no posfácio deste livro

Nas livrarias a partir de 19 de Novembro

"Tatuaje" de Uberto Stabile

Apresentações, no México, da antologia de poesia "Tatuaje" do poeta espanhol Uberto Stabile, editada pela Editorial ATEMPORIA (Saltillo) e pela NORTESTACIÓN (Tijuana, México):

11 NOV. MÉXICO DF TEATRO EL MILAGRO 8.30 pm
Milán 24, Col. Juárez

14 NOV. TIJUANA (Baja California) LUGAR DEL NOPAL 7:00 p.m.

17 NOV. ENSENADA (Baja California) CEARTE ENSENADA 7:00 p.m.
Sala Audiovisual

19 NOV. TIJUANA (Baja California) INSTITUTO DE CULTURA DE B.C. 7:00 p.m.
Encuentro de las Letras en las Artes

26 NOV. SALTILLO (Coahuila) AGORAS 9:00 pm
Juárez 309, Centro

28 NOV. GUADALAJARA (Jalisco) F.I.L. DE GUADALAJARA 5.00 pm
Sala Alfredo R. Pascencia

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Manuel Bandeira
Os Melhores Poemas
Selecção de Francisco de Assis Barbosa
Global Editora, 1984
(2ª edição)





Confidência


Tudo o que existe em mim de grave e carinhoso
Te digo aqui como se fosse o teu ouvido...
Só tu mesma ouvirás o que aos outros não ouso
Contar do meu tormento obscuro e impressentido.

Em tuas mãos de morte, ó minha Noite escura!
Aperta as minhas mãos geladas. E em repouso
Eu te direi no ouvido a minha desventura
E tudo o que em mim há de grave e carinhoso.

1913

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

«Pseudo-editoras»

Um artigo de Jaime Bulhosa para ler no blogue da Livraria Pó dos Livros.
Já agora, também é interessante ler um post de valter hugo mãe, do ano passado, aqui.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Juan Ramón Jimenez
Antologia Poética
Selecção e tradução de José Bento
Relógio D'Água, 1992






A viagem definitiva


... E eu partirei. E ficarão os pássaros
cantando;
e ficará meu horto, com sua árvore verde,
e com seu poço branco.

Todas as tardes, o céu será azul e plácido;
e tocarão, como esta tarde estão tocando,
os sinos do campanário.

Hão-de morrer aqueles que me amaram;
e a aldeia tornar-se-á nova cada ano;
e naquele recanto do meu horto em flor, caiado,
o meu espírito vagueará, nostálgico...

E eu partirei; e estarei só, sem lar, sem árvore
verde, sem meu poço branco,
sem céu azul e plácido...
E ficarão os pássaros cantando.

domingo, 8 de novembro de 2009

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Jorge Sousa Braga
O Poeta Nu
[poesia reunida]
Assírio & Alvim, 2007






Portugal

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira, que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electrochoques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

sábado, 7 de novembro de 2009

Novidades &etc


ESCALPE
Amadeu Baptista
Imagens de António Ferra







(...)

No meu corpo estiras o teu corpo,

sobre os meus lábios pousas
a tua mão esquerda,

e a tua mão direita,
serenamente terna,
aperta o meu pescoço:

sobre o meu rosto,
o teu hálito é um vento cálido,
uma brisa benéfica,

sendo que assim te respiro,
enquanto asfixio

e o meu pénis,
uma vez mais,
cresce
e entumece

para meu e teu prazer,

e nosso gozo.

Meu amor:

um dia hei-de morrer
no saque dos teus olhos

e há-de a morte descampar
-me no que em ti
é polpa,

coda,

foda.

Outras sugestões para os próximos dias


11 de Novembro (quarta-feira):

LISBOA – Instituto Cervantes
Dia 11 de Novembro, pelas 18H30, no Instituto Cervantes de Lisboa (Rua de Santa Marta, 43-F):
MESA REDONDA sob o título POEMAS CRUZADOS a propósito da apresentação de dois livros de poesia bilingues:
EN LA VIA DEL MAESTRO de CASIMIRO DE BRITO (tradução espanhola de Montserrat Gibert, editado pela OLIFANTE), que será apresentado pelo poeta espanhol ÁNGEL GUINDA.
TEORIAS DEL ORDEN de JOSÉ MARIA CUMBREÑO editado pelas EDIÇÕES SEMPRE-EM-PÉ. A apresentação será feita por Ruy Ventura, que traduziu para português o original castelhano.
Estarão também presentes os autores Casimiro de Brito e José Maria Cumbreño.
A sessão é organizada pelas Edições Sempre-em-Pé e pelo Instituto Cervantes de Lisboa.

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12 de Novembro (quinta-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
No dia 12 de Novembro vai ter lugar na Casa Fernando Pessoa o lançamento do número 24 da revista Relâmpago, pelas 18H30.
A revista será apresentada por Fernando Pinto do Amaral e Gastão Cruz.
António Carlos Cortez e Teresa Martins Marques falarão sobre a obra de David Mourão-Ferreira, a quem este número da Relâmpago é dedicado. O actor Luís Lucas lerá alguns poemas de David Mourão-Ferreira.
A Casa Fernando Pessoa fica na R. Coelho da Rocha, 16, em Lisboa.

PORTO – Reitoria da Universidade do Porto
Ciclo de Conferências “Diálogos com a Ciência”
Outubro 2009 a Março 2010
Dia 12 de Novembro:
Poesia e Ciência - 21H30
Com Maria Azenha, valter hugo mãe e Teresa Tudela.




FIGUEIRA DA FOZ – Biblioteca Municipal

Apresentação do livro de poesia "O silêncio: lugar habitado" de Graça Pires (editora Labirinto), livro vencedor do Prémio Nacional Poeta Ruy Belo, na Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás (Figueira da Foz), no dia 12 de Novembro, pelas 18H00.




GUIMARÃES - Biblioteca Municipal
Dia 12 de Novembro, a Associação Artística Andante vai apresentar o espectáculo "Anatomias" na Biblioteca Municipal Raul Brandão, em Guimarães, às 10H30 e às 14H30.
Um espectáculo com textos de Manuel António Pina, António Gedeão, Herman Melville, Jacques Prévert, Antoine de Saint-Exupéry, João Pedro Mésseder e outros.
Integrado no programa de itinerâncias da DGLB.

ODIVELAS – Centro de Exposições

Vai realizar-se, no dia 13 de Novembro, mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.

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14 de Novembro (sábado):

CADAVAL – Biblioteca Municipal
A Biblioteca Municipal do Cadaval e a Livraria Livrododia promovem o programa "Cadaval é Biblioteca", uma série de eventos que se realizam nas novas instalações da Biblioteca no Cadaval.
Evento para hoje, 14 de Novembro, pelas 16H00:
“Os Livros e as Bibliotecas”
Com a presença dos escritores Miguel Real, Maria do Rosário Pedreira e Rui Almeida.
Moderação de Luís Filipe Cristóvão.

PORTO – Livraria Gato Vadio
XX DIAS – de Rui Miguel Ribeiro
Apresentação e leitura de poemas pelo autor
Sábado, 14 de Novembro, 18h
Na Livraria Gato Vadio
Rua do Rosário, 281 – Porto






SETÚBAL – Câmara Municipal
Lançamento da antologia “Aprender Contigo - Três Anos de Poesia (2006 - 2008)” da APPACDM - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (Setúbal) (edição Temas Originais) no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, no dia 14 de Novembro, pelas 15H00. Nesta sessão ocorrerá a Cerimónia de Entrega de Prémios do XIV Concurso de Poesia e IV Concurso Comunidade Escolar e Exposição de pintura a cargo da Galeria/Oficina "Arte & Imaginação".

PORTO– Ateneu Comercial
Lançamento do livro “Khaos Poeticum” de Bruno Miguel Resende (edição Temas Originais) no Ateneu Comercial do Porto, Rua Passos Manuel, 44, Porto, no dia 14 de Novembro, pelas 16H00.
Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco e esta sessão contará com a leitura de poemas por Anaas e Tarnaa.


COIMBRA - Festa do Livro
Lançamento do livro "Versos de Respirar" de José António Franco, com ilustrações de André Caetano, (editora Calendário) no dia 14 de Novembro na Festa do Livro em Coimbra.
Haverá leitura de poemas por João Paulo Janicas.




FARO - Livraria Pátio de Letras
No dia 14 de Novembro, pelas 17h00, no Pátio das Letras: lançamento do livro que reúne as conferências proferidas no ciclo Viajantes, Escritores e Poetas - Retratos do Algarve, que decorreu entre Março e Julho deste ano.
Organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade do Algarve e pelo Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, esta iniciativa, integrada nas comemorações dos 30anos da Universidade do Algarve, decorreu no Arquivo Municipal de VRSA e no Pátio de Letras, em Faro.

LISBOA - Restaurante "Vá, Vá"
Tertúlia Poética da Associação Portuguesa de Poetas.
No Restaurante VáVá, na Av. Estados Unidos da América, 100C.
Dia 14 de Novembro, das 15h30 às 18h30.
Mote: "A Lágrima" (Guerra Junqueiro).

Augusto dos Anjos na TV Senado

Na passagem dos 95 anos da morte do poeta Augusto dos Anjos (12 de Novembro de 1914), o canal de televisão brasileiro TV Senado exibirá o documentário Eu, Estranho Personagem, sobre a vida e a obra do poeta que morreu de pneumonia aos 30 anos e deixou uma única obra editada – Eu.
O documentário (com depoimentos, fotos, cartas, poemas e informações inéditas sobre o poeta) irá passar na TV Senado às 15H30 (hora brasileira) de hoje, 7 de Novembro, com repetição amanhã, pelas 21H00.
O documentário tem as participações dos actores Adeilton Lima como Augusto dos Anjos e Rita de Almeida Castro como Sinhá Mocinha, mãe do poeta. A banda sonora inclui músicas de Marina Andrade e Assis Medeiros, sobre poemas de Augusto dos Anjos.
O livro Eu, que teve uma impressão de mil exemplares paga pelo autor e um dos seus irmãos, em 1912, foi ampliado para Eu e outras poesias em 1920, por iniciativa de Órris Soares, amigo pessoal do poeta. A obra reúne outros poemas escritos por Augusto dos Anjos nos dois anos antes da sua morte.

“Clube de Leitores” no CLP

O “Clube de Leitores” da editora Edita-Me ocorrerá no primeiro domingo de cada mês (com início no próximo domingo dia 8/Nov pelas 16h00) no piano-bar do Clube Literário do Porto.
Para tal, irá ser indicada uma obra em cada mês, a qual irá estar à disposição de todos no Clube Literário do Porto, para consulta e base de partida para o encontro do mês seguinte.
Para o próximo domingo, as obras em destaque serão:
“PIN – Uma Explicação de Ternura” de Luísa Azevedo
“O Oráculo do Fogo” de Jorge Pópulo
O evento contará ainda com a participação musical de Pedro Lopes (ao piano) e Bianca Almeida (na voz) bem como das diseurs Celeste Pereira e Olga Oliveira.
O Clube Literário do Porto fica na R. da Alfândega, nº 22

Mais logo, em Santarém

O Livro da Casa, obra poética de Fernando Cabrita que foi distinguida, em 2008, com o Prémio Nacional de Poesia Mário Viegas, vai ser publicamente apresentada hoje, 7 de Novembro, pelas 17H30 no salão do Fórum Mário Viegas, Centro Cultural Regional de Santarém (Rua Dr. Joaquim Luis Martins, 16, em Santarém).
A obra será apresentada por Arnaldo Matos e por Teresa Rita Lopes, e intervirão ainda os escritores Tiago Torres da Silva e Francisco Moita Flores.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


João Rui de Sousa
Obra poética 1960-2000
Publicações D. Quixote, 2002







São peças bem unidas desunidas...


As peças do teu corpo bem ligadas
desligam-se para os gestos mais perfeitos:
são joelhos e coxas separadas,
é desalinho de ombros e de seios.

E os lábios também vão desordenados...
E os infindáveis braços sobrevoam-se...

E nesses movimentos sem regresso
em perdidas peças transviadas,
eu também me perco e sou um voo
muito além de tudo o que entrevejo
nesta ondulação onde balouço...

São peças bem unidas desunidas
pelo caudal das sedes debatidas
em lençóis de sumo rumoroso.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Concurso de Poesia ACAT 2009

A Associação Cultural Artística de Tavira promove um concurso de poesia com o Tema "Fado" e com Tema Livre.
Só são admitidas produções inéditas, em língua portuguesa, estando o concurso dividido em dois grupos etários: jovens até aos 15 anos e indivíduos com mais de 16 anos.
Os trabalhos deverão ser enviados pelo correio até ao dia 27 de Novembro.
Haverá prémios para cada grupo etário e para cada tema.
A entrega dos prémios terá lugar no dia 12 de Dezembro no Cine-Teatro António Pinheiro, em Tavira, durante o espectáculo «Fado com Letras - Tavira'09».
Mais informações aqui.

Poesia nos Jerónimos

Voz: Luís Machado
Piano: Inês Rodrigues Correia

7 de Novembro: Jorge de Sena
21 de Novembro: Sophia de Mello Breyner
5 de Dezembro: Eugénio de Andrade
19 de Dezembro: Poemas de Natal
9 de Janeiro: Ary dos Santos

Sessões: Sábados às 17H00

Uma iniciativa de Luís Machado, no Museu Nacional de Arqueologia (Praça do Império - Mosteiro dos Jerónimos), Lisboa

Andante em Paris

Hoje, 6 de Novembro, a Associação Artística Andante apresenta o espectáculo de poesia "Às escuras, o amor" no Lycée-Collège Honoré de Balzac em Paris, França, pelas 18H00.
Este espectáculo está integrado no Festival "Tous en scène/ Todos ao Palco 2009”, organizado pela associação Cap Magellan e pela Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF) , com apoio da DGLB .
“Às escuras, o amor” (que é também o título de um poema de David Mourão-Ferreira), tem poemas de vários autores (maioritariamente portugueses) sobre o Amor.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


O vagabundo do Dharma
25 poemas de Han-Shan
Traduções do chinês de Jacques Pimpaneau
Versões poéticas de Ana Hatherly

Cavalo de Ferro, 2003





As montanhas acumuladas a água jorrando
A bruma núvens rosadas envolvendo o verde iris

O vapor de água acaricia e molha a minha touca de gaze
O orvalho humedece a minha capa de palha

As minhas sandálias de peregrino escorregam
Na mão seguro um velho ramo de junco

Contemplo ainda a poeira do mundo exterior:
Na esfera do sonho que faria eu de novo?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Novidades Antígona


Milton
William Blake

Tradução, introdução e notas de Manuel Portela
293 páginas
(inclui 51 ilustrações a cores)



Milton continua a publicação das obras de William Blake (1757-1827, artista e poeta), que a Antígona encetou em 1994, com a primeira edição de Cantigas da Inocência e da Experiência, sempre pela experiente e poética mão de Manuel Portela.

Milton encena a viagem de autodescoberta e renovação do herói que lhe dá título. No primeiro livro do poema, John Milton regressa do céu ao mundo dos mortais. Sob a forma de um cometa, penetra no corpo de William Blake. A relação entre o poeta vivo e o seu predecessor dramatiza as pulsões contrárias da consciência individual, e uma luta sem tréguas pela afirmação da imaginação e da visão contra a mera exterioridade do mundo material. No segundo livro, Milton une-se à sua emanação feminina, Ololon, progredindo em direcção à superação apocalíptica das divisões entre sexos, entre vivos e mortos, e entre a consciência humana e as suas projecções alienadas no mundo exterior.

Este enredo integra inúmeras referências e alusões, que vão desde a Bíblia à vida pessoal de Blake, em particular a difícil relação com o seu mecenas William Hayley. Mas a reescrita dos mitos da criação e a recriação mítica de factos biográficos são apenas duas das múltiplas dimensões desta viagem psiconáutica. Milton é também uma obra sobre a dilaceração do sujeito humano e sobre a presença das forças genesíacas e apocalípticas do universo na forma e nos desejos do corpo.
A sua fantasia visionária é, antes de mais, um produto da letra e da escrita como invenção simbólica do humano e como emulação da forja criadora. Como nos restantes livros iluminados, os actos de escrever, desenhar, gravar, imprimir e pintar parecem conter, nas suas interacções, a própria possibilidade do pensamento.

À venda nas livrarias a partir de 20 de Novembro

Mais logo, em S. João da Madeira

Sessão Poética PORTUGAL(IDADES)
Art7Menor Bar
5 de Novembro • 22H00

Mais logo, no Porto

Sessão de poesia organizada pela POETRIA
5 de Novembro, no Café Progresso, pelas 21H30

POESIA TROVADORESCA
Com a participação do Coral de S. Ivo

Café Progresso: Rua Actor João Guedes, nº5, Porto

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Fernando Pessoa
Poesia do Eu
Edição: Richard Zenith
Assírio & Alvim, 2006






Não foram as horas que nós perdemos,
Nem o comboio que não chegou.
Foi só o barco e o gesto dos remos
E a triste vida que já passou.

Tudo nos dava a impressão de havermos
Entre travessas errado a rua,
E não acharmos o amor, nem termos
Para a tristeza senão a Lua...

Tudo isso foi como se não fosse...
Antes tivesse durado menos...
Enfim, que importa? Não há a posse...
E os céus eternos só são serenos...

21-2-1915

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Encontro Anual Poetas del Mundo

O Encontro Anual Poetas Del Mundo vai acontecer dia 21 de Novembro, na Casa das Rosas (em S. Paulo), organizado por Elisabeth Misciasci, Embaixadora Universal da Paz e Cônsul da cidade de São Paulo dos Poetas Del Mundo. Ali serão debatidos temas relativos ao universo do livro e da poesia, por todos os agentes da arte poética: leitores, editores, livreiros, jornalistas, professores, estudantes, críticos e colunistas literários.
O evento é aberto a todo o público e tem como principal objectivo divulgar obras da literatura brasileira e mundial, além de provocar os participantes a responder: Qual a postura actual do poeta na sociedade; Quais os paradigmas da poesia contemporânea; Qual a colocação da poesia no Mercado Editorial Brasileiro.
A Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) fica na Avenida Paulista, 37 – Bela Vista – São Paulo.

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• os contemporaneos e as confrarias baquicas no youtub
• bentahar horário flul
• jose almada ovar paraelelo 38
• poemas curtos de amor divertidos
• cemiterio celorico de bastos em gagos
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• poetas portugueses que escreveram poemas de borboletas
• ceramica em casa peças
• fabrica de vidro de pataias
• gaijas de lamego

(Tal e qual como estavam escritas)

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


E. M. de Melo e Castro
Corpos radiantes
&etc, 1982







Restratus

1.
nada sei do sangrado
sou um não sou
de lados desalados
um soma cibernesto
desolado do sol.

mas feridas firo
em ferro. ácido irado
de ilhas insolado
com acidente solo
ocidentado

sobre o sobe que desce
injectado o jacto
de um sexo projecto
em ri gor lastro

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Botella del Naufrago nº12

Acaba de sair o nº 12 da revista chilena Botella del Naufrago organizada pelo Centro de Investigações Poéticas Grupo Casa Azul, uma organização cultural e artística sem fins lucrativos de Valparaíso.
Responsáveis pelo presente número:
Karina García Albadiz e Jaime Villanueva
Colaboram neste número:
Nicolau Saião (Portugal); Julia Benavidez, Rolando Revagliatti, Ivana Szac, Viviana Carinci, Eduardo Espósito, José Oscar Perdigón, Norma Gianico (Argentina); Raúl Henao, Francisco Cisco (Colômbia); Patricio Bruna Poblete, Emilia Valenzuela, Patricio Gutiérrez, Eliana Vega, Claudia Beba, Franco Bertozzi, Luis Abarca Mayea (Chile); Alexander Zánches, (Panamá) e Ricardo Díaz (França).
A revista pode ser solicitada em formato pdf para: grupocasaazul@gmail.com
Mais informações aqui.

Alma Minha Gentil

O lançamento público da nova antologia de poesia portuguesa publicada em Espanha, no início deste Verão, pela editora Eneida com o apoio do Instituto Camões e da Embaixada de Portugal, de que é autor Carlos Clementson (tradutor e professor de Literatura da Universidade de Córdova), vai ser oportunidade para um recital que se realizará hoje, 3 de Novembro, em Madrid, na Biblioteca Nacional, com a presença dos poetas Manuel Alegre, Ana Luísa Amaral e Vasco Graça Moura.
Alma Minha Gentil é uma edição bilingue onde estão representados 95 poetas, abarcando 8 séculos da nossa Literatura, das origens até à actualidade. Esta antologia apresenta textos de introdução histórica a cada período estético e também outros de carácter ensaístico sobre a obra de cada poeta representado bem como sobre o contexto histórico e cultural em que ela se insere.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


David Mourão-Ferreira
Obra Poética
1948-1988

Editorial Presença
1ª Edição: 1988






Equinócio


Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro....o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gim enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto....Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela....Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão....Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Alda Merini (1931-2009)

Faleceu ontem, 1 de Novembro, a poetisa italiana Alda Merini, com 78 anos.
Alda Merini, que viveu os últimos anos de vida em extrema pobreza, chegou a ser considerada a maior poeta italiana viva. Merini começou a escrever poesia com apenas 16 anos. O seu primeiro livro de poesia, "La presenza di Orfeo", foi publicado em 1953 pela editora Schwarz, tendo sido muito bem recebido pela crítica, tornando-a uma “menina maravilha”.
A partir daí, a sua vida passou a estar sempre na fronteira entre o reconhecimento da sua excepcional capacidade poética e a dificuldade devido às perturbações mentais e à constante alternância entre estados de lucidez e loucura, o que a obrigou a estar internada em várias instituições psiquiátricas.
Alda Merini fez amizade com Oreste Macri, David Maria Turoldo, Salvatore Quasimodo, Pier Paolo Pasolini, Carlo Batocchi, Maria Corti e John Raboni, entre outros.
Depois do primeiro livro seguiram-se “Paura di Dio” (1955), “Nozze romane” (1955), “Tu sei Pietro” (1962). Estes quatro volumes de poemas foram reunidos sob o título “A presença de Orfeu” pela editora Secheiwiller, em 1993.
Após duas décadas de silêncio, devido à doença, publicou: “La Terra Santa” (1984), “Testamento” (1988), “Vuoto d’amore” (1991), “Ballate non pagate” (1995), “Fiore di poesia 1951-1997” (1998), “Superba è la notte” (2000), “Più bella della poesia è stata la mia vita” (2003), “Clinica dell'abbandono” (2004), “L’anima innamorata” (2000), “Corpo d’amore, Un incontro con Gesù” (2001), “Magnificat. Un incontro con Maria” (2002) e “La carne degli Angeli” (2003).
Em 1993 recebeu o Premio Librex-Guggenheim “Eugenio Montale" para poesia, em 1996 o Premio Viareggio, em 1997 o Premio Procida-Elsa Morante, e em 1999 o Premio della Presidenza del Consiglio dei Ministri-Settore Poesia.
Site oficial: http://www.aldamerini.com

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Adélia Prado
Bagagem
Livros Cotovia, 2002







Para perpétua memória

Despois de morrer, ressuscitou
e me apareceu em sonhos muitas vezes.
A mesma cara sem sombras, os graves da fala
em cantos, as palavras sem pressa,
inalterada, a qualidade do sangue,
inflamável como o dos touros.
Seguia de opa vermelha, em procissão,
uma banda de música e cantava.
Que cantasse, era a natureza do sonho.
Que fosse alto e bonito o canto, era sua matéria.
Aconteciam na praça sol e pombos
de asa branca e marron que debandavam.
Como um traço grafado horizontal,
seu passo marcial atrás da música,
o canto, a opa vermelha, os pombos,
o que entrevi sem erro:
a alegria é tristeza,
é o que mais punge.