terça-feira, 24 de março de 2009

Filho da poetisa Sylvia Plath suicidou-se 46 anos depois da mãe

Nicholas Hughes, filho dos poetas Ted Hughes e Sylvia Plath, suicidou-se no passado dia 16 de Março, 46 anos depois do suicídio da sua mãe em Fevereiro de 1963.
Nicholas Hughes, que sofria de depressão, matou-se na sua casa do Alasca. Era professor na Universidade do Alasca-Fairbanks, mas tinha recentemente renunciado ao cargo para instalar uma oficina de cerâmica em casa.

V Festival de Poesia d'Oliva


Mais informações, aqui.

Porto Alegre dá Poesia

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sugestão da Andante para esta semana


Canção de maltês

Bati à porta do monte
porque sou um deserdado.
E chovia nessa noite
como se o céu fosse um mar
entornando-se na terra.
— Quem abre a porta a desoras
morando num descampado?
E continha o rafeiro que ladrava,
na ponta do meu cajado.
Mas veio abri-la o lavrador
com a espingarda na mão,
e pôs um olhar altivo
tão no fundo dos meus olhos
que as minha primeiras falas
foram assim naturais:
— guarde a espingarda, senhor,
sou um homem sem trabalho.
Fui secar-me à lareira.
E a filha do lavrador,
que era uma moça perfeita,
ficou a olhar de gosto
a minha manta rasgada
e o meu fato de maltês.
E com licença do pai,
estendeu-me um canto de pão
com azeitonas maduras.
Não aceitei como esmola;
antes roubar que pedir:
paguei com a melhor história
da minha vida sem rumo.
Foi uma paga de rei.
Prá filha do lavrador,
tinha muito mais valia
a história que lhe contei
que o trigo do seu celeiro,
pois estava a olhar de gosto
a minha manta rasgada.
E quando o fogo na lareira
ia aos poucos esmorecendo
agradeci como é de uso;
despedi-me até mais ver
e fui dormir pró palheiro
que é palácio de maltês.
Despedi-me até mais ver
que a gente da minha raça
mal o Sol tenta nascer
ergue-se e parte pelo mundo
sem se lembrar de ninguém.
Assim me deitei ao canto
a esperar pela manhã.

Manuel da Fonseca


Voz: Cristina Paiva; Música: Pascal Comelade; Sonoplastia:Fernando Ladeira

Reedições Atelier Editorial

O Princípio da Sedução
Poesia Reunida

Fernando Manuel Noivo

N.º de páginas: 176
Atelier Produção Editorial

1ª edição: Maio 2008
2ª edição: Abril 2009



O poema constrói-se devagar,
é,
por vezes uma escultura
na imensidão branca

— os dedos desmaiam em cima do papel!
— o coração também!

Deixemos que o tempo fale
e vá construindo
essa grande máquina da sedução.

domingo, 22 de março de 2009

Novidades Averno

A Caixa Negra
Josep M. Rodríguez
80 páginas
Edição bilingue (tradução de Manuel de Freitas)
Tiragem única de 300 exemplares.
Capa de José Francisco Azevedo.
Paginação e arranjo gráfico de Pedro Serpa.

Palavra Ibérica 2009

A 1ª fase do Encontro de Escritores Hispano-luso Palavra Ibérica 2009 arrancará no dia 27 de Março em Punta Umbría, às 18h (hora espanhola) com as apresentações dos 3 últimos livros publicados na colecção de poesia Palavra Ibérica. O evento segue no dia 28 para Vila Real de Sto. António, para as respectivas apresentações no Centro Cultural António Aleixo, às 17h, prolongando-se pela noite.
Autores presentes:
Golgona Anghel
Rui Costa
Santiago Aguaded Landero (Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009)
Tiago Nené (tradutor)
Adão Contreiras (reportagem vídeo)

Coordenadores:
Fernando Esteves Pinto
Uberto Stabile

Outras sugestões para os próximos dias


23 de Março (segunda-feira):

VIZELA - Fundação Jorge Antunes
“Quadras com sabor a café” na Semana da Poesia (19 a 27 de Março).
Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, a Câmara Municipal de Vizela, a Associação Vizela ImaginActiva (VIA) e o Grupo de Teatro da Fundação Jorge Antunes promovem uma semana dedicada ao tema.
Na segunda, dia 23, será inaugurada a exposição sobre a vida e obra dos poetas vizelenses Ana de Sá e Bráulio Caldas, na Fundação Jorge Antunes, pelas 18:00h.
A par destas actividades serão distribuídos poemas pelos cafés e restaurantes do concelho durante todos os dias da semana da poesia.

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25 de Março (quarta-feira):


PORTO - Clube Literário do Porto
25 de Março de 2009 - 4ª Feira
PIANO-BAR, 22:00h:
QUARTAS MAL DITAS
Tema: Desapareceu Dona Lua
Org.: Anthero Monteiro
Leituras por: António Pinheiro / Diana Devezas /Isabel Marcolino/ Luís Carvalho / Mário Vale Lima / Marta Tormenta / Rafael Tormenta




LISBOA - Livraria Círculo das Letras
Na Livraria CÍRCULO DAS LETRAS
inauguração da exposição
Cidades da Água
Manuel Passinhas (Pintura) e Miguel Rego (Poesia)
25 de Março, 4ª feira, 18.30h
Apresentação pelos autores e por Luís Filipe Maçarico
Rua Augusto Gil, 15 B (próximo Av. Roma /João XXI)


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26 de Março (quinta-feira):

COIMBRA - Fnac
26 de Março, 21h30
Local: Fnac, Coimbra
Apresentação do livro “A Cabeça de Fernando Pessoa”, de Luis Filipe Cristovão, título integrado na Colecção Pasárgada (Editora Ardósia).
Segundo Edimilson de Almeida Pereira, autor do prefácio, A Cabeça de Fernando Pessoa é uma colectânea que fornece apelos que a relacionam às demandas da intertextualidade, da tradição e talento individual. Com esta obra singular, o escritor pretende fazer uma releitura da nossa história da literatura. Luís Filipe Cristóvão é responsável pelos livros de poesia Registo de Nascimento, Pequena Antologia Para o Corpo, E Como Ficou Chato Ser Moderno e Santa Cruz (com fotos de Ozias Filho).

LISBOA - Rio Tejo
Barco Poético pelo rio Tejo, um espectáculo de interpretação de poetas portugueses, por Nuno Miguel Henriques.
11.00 e 14.00 - Saída do Cais Fluvial de Belém.
Nuno Miguel Henriques, fundador do Museu da Poesia, é também Director Artístico do «Teatro Azul - Companhia Profissional», e Director do Instituto de Protocolo, Artes e Comunicação.

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27 de Março (sexta-feira):

LISBOA – Livraria Trama
Performance poética in(di)vi.sí[vel
Poema polifónico para vozes, violino, penduricalhos e processamento electrónico da autoria de Márcio-André e com os poetas convidados bruno m. santos, João Miguel Henriques e Karinna Gulias e projecções de Paula Gaitán
Dia 27 de Março às 22h30 na Livraria Trama [São Filipe Nery, nº25B, Lisboa]

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28 de Março (sábado):

LISBOA – Palácio Galveias
No dia 28 de Março, pelas 19 horas, o escritor e poeta Eugénio de Sá estará presente no Palácio Galveias, em Lisboa, como convidado de honra da Associação Portuguesa de Poetas, na sessão de encerramento das homenagens ao Dia da Poesia.
A Presidente da APP, Maria Ivone Vairinho, abrirá a sessão com as boas-vindas ao poeta convidado.
Carmo Vasconcelos fará uma breve apresentação da vida e obra do Poeta e dirá poemas do autor.
Eugénio de Sá seguirá apresentando uma palestra de sua autoria sobre a "A Poesia e os Poetas" seguida da dicção de alguns de seus Poemas.
A sessão continuará com poemas ditos pelos poetas presentes.


ALMADA - Café Le Bistro
No dia 28 de Março, a partir das 17:30H, vai acontecer a habitual sessão mensal de "poesia vadia" organizada pelos poetas Almadenses (Rua dos Espatários, 2, Almada).
http://poetas-almadenses.blogspot.com

Por amor à arte poética

"Cosmorama, projecto de atitudes culturais, é a única editora portuguesa que só publica poesia"
Para ler aqui.

Premio Nacional de Poesía Miguel Hernández para David Hernández Sevillano

O júri do Premio Nacional de Poesía Miguel Hernández para menores de 35 anos, decidiu atribuir este galardão, no valor de 3.000 euros, a David Hernández Sevillano.
O júri foi constituído por Francisco Javier Díez de Revenga, na qualidade de membro da Fundação Miguel Hernández, pela poetisa Elena Medel, pelo poeta e editor José Luis Zerón, pelo responsável da editora Devenir (de Madrid), Juan Pastor, e pelo professor de Literatura na Universidade de Alicante, Ángel Luis Prieto de Paula.
David Hernández Sevillano, de 32 anos, é licenciado pelo INEF de Madrid e trabalha em turismo rural. Já foi galardoado com vários prémios como o XXIV Premio de Poesía Villa de Benasque, em 2008, com livro “Suma de azares” e o II Premio José María de Los Santos, em 2007, com o livro “Uno y uno no es dos frente al espejo”, publicado pela Diputación de Sevilla.

Poéticas do Rock em Portugal

Nos próximos dias 6, 7 e 8 de Abril, vai decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III) o ciclo de debates «Poéticas do Rock em Portugal – Perspectivas críticas de uma literatura menor» que propõe abrir um espaço para o estudo das principais vozes do rock em Portugal e o exame particular das suas obras. Procura ainda propiciar a análise de traços temáticos, retóricos, estilísticos e composicionais de um autor ou de um movimento, assim como também avaliar as visões do mundo que transparecem nas suas letras, naquilo que têm de singular, isto é, naquilo que as fazem diferenciarem-se entre si, mas também naquilo que as tornam diferentes, outras – por exemplo – do rock anglo-saxónico.
O programa inclui, além de comunicações e mesas-redondas, um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, concertos no Cabaret Maxime e uma exposição intitulada “No Tempo do Gira-Discos: Um Percurso pela Produção Fonográfica Portuguesa 1960-1980)”, patente na universidade a partir de 31 de Março.

Aqui fica o programa:

6 de Abril:

Greil Marcus
Digging Up the Ground: Bob Dylan on and Off the Page
Américo António Lindeza Diogo
Rock, new wave, pós-punk em português: músicas entre letras e poesia.
Osvaldo Silvestre
A «língua materna» no rock, numa situação periférica com a portuguesa
Alexandre Felipe Fiuza
Nas margens do rock: a censura estatal e a canção popular portuguesa.
João Carlos Callixto
As Transversalidades do Rock na Obra de José Cid (1966-1979)
Jorge Louraço
Ficções de três estrofes: as canções teatrais de Carlos Tê
Natália Maria Lopes Nunes
Jorge Palma – O mito de uma geração?
Ana Bigotte Vieira e Pedro Cerejo
Que é do futuro?
Gonçalo Zagalo e João Diogo Zagalo
“Na pandra bomba ainda jinga a hidra samba” – A revolução sintáctica dos Mler Ife Dada.

7 de Abril:

Michka Assayas
La possession par les voix
Isabel Ermida
O nonsense que faz sentido(s): neologismos e jogos de palavras em Rui Reininho.
Pedro Félix
Ulisses, a academia e os Xutos & Pontapés. O lugar da «letra da canção» no estudo da «popular music»
Eduardo Jorge de Oliveira
Distorcer o cânone
Susana Chicó
SAGA. Ópera extravagante: Encontros improváveis
Raquel Guerra
Mão Morta e “Maldoror”ou os Cantos do Recreio em Poema
Bruno Béu
Certo intrigante transmorfismo e belle rue em Pop dell’Arte
Rita Bénis
Os anos 80 e as “tribos musicais” do Rock Rendez Vous.
Antonio Alías
A Glória será não esquecer. O acontecimento português num devir-Joy Division
Duarte Braga
Sétima Legião e a mitopoética da cultura portuguesa
Marisa Mourinha
“Filhos de Rimbaud” – heranças, bagagens, viagens – de Charlevile a Lisboa

Mesa redonda:
Rock e Literatura
Moderadores: Patrícia Leal e Fernando Pinto do Amaral
Convidados: JP Simões, Fernando Ribeiro, Adolfo Luxúria Canibal, Jorge Ferraz, Gonçalo Tocha

8 de Abril:

Luís Trindade
Sai prá Rua
Rui Pina Coelho
Da garagem da adolescência ao supermercado pós-moderno
Luís Filipe Cristóvão
A intervenção divina no Rock Português – um caminho do punk à poesia
André Simões
A raposa
Rita Grácio e Cristina Néry
“I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária
Emanuel Amorim
Rap Português: A liberdade de quem se faz ouvir
Piroska Felkai
É fácil de (re)entender? O tom alternativo dos The Gift e as suas manifestações artísticas na música portuguesa
Filipa Teles
Visões da Música Pop em Portugal
Fernando Guerreiro
Da Bar da Morgue a Turbina e Moça: o cabaret-circo futuro-dadá de Rui Reininho
Vitorino Almeida Ventura
As Letras como Poesia
Golgona Anghel
Belle Chase Hotel – contra o destino, contra a personagem principal, a contratempo

Mesa redonda:
Rock nas Artes
Moderador: Mário Jorge Torres
Convidados: João Pedro Rodrigues, Tiago Guillul, João Garcia Miguel, Paulo Furtado, Armando Teixeira, Manuel João Vieira, Manuel Mozos, Luís Futre

Ciclo de Cinema na Cinemateca Portuguesa – de 1 a 8 de Abril
Sessão de abertura – 1 de Abril, 21h30
Com a participação de Victor Gomes, Daniel Bacelar, João Pedro Rodrigues, João Guerra da Mata, Nuno Galopim
Sessão com Greil Marcus e Anna da Palma – 6 de Abril, 21h30

Ciclo Cinema/Rock na FLUL – de 23 a 26 de Março
Sala Vídeo, 16h -18h, entrada livre

«No Tempo do Gira-Discos: Um Percurso pela Produção Fonográfica Portuguesa 1960-1980»
Inauguração – 31 de AbMarço, 16h30, Sala de Exposições da FLUL
Visita guiada com a participação de Rui Nunes, António Tilly, João Carlos Callixto

Concertos Cabaret Maxime
7 de Abril, 22h: Michka Assayas, Tiago Guillul (8 €)
8 de Abril, 22h: Jorge Ferraz, Ana Deus, Nuno Moura (8 €)

Inscrições: estudantes 5 euros; geral 15 euros

Comissão científica: Maria João Brilhante, Fernando Guerreiro, Patrícia Leal, Golgona Anghel
Comissão organizadora: Fernando Guerreiro, Golgona Anghel, Simão Valente, Sebastião Cerqueira

Mais informações, aqui: http://www.poeticasdorock.blogspot.com/
HORAS DE POESIA no audioblogue "Estúdio Raposa" de Luís Gaspar aqui.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é Dia Mundial da Poesia

Norte

(...)
Örskamma stund leiftra þær
í vegarkantinum
eins og eldspýtur
litlu stúlkunnar í ævintýrinu
og lýsa okkur
þar til við komum aftur
upp í vök
að blása

Gerður Kristný
(Islândia)

***

(...)

Peut-être y aurait-il là aussi un poème,

Un poème fatigué d'attendre dehors sous la pluie
Et qui minutieusement effacerait les bords
Et le centre du jardin?

Yves Namur
(Bélgica)


***

Sit and Look Out

(...)
I observe the slights and degradations cast by arrogant persons upon laborers, the poor, and upon negroes, and the like;
All these — All the meanness and agony without end, I sitting, look out upon,
See, hear, and am silent.

Walt Whitman
(EUA)

***

Bilhete de Identidade

(...)
سجِّل.. برأسِ الصفحةِ الأولى
أنا لا أكرهُ الناسَ
ولا أسطو على أحدٍ
ولكنّي... إذا ما جعتُ
آكلُ لحمَ مغتصبي
حذارِ.. حذارِ.. من جوعي
!! ومن غضبي

Mahmud Darwish
(Palestina)

***

Para lá da praia

(...)
Mamã caminhando p'ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas
- Ai peixe à tardinha
na minha baía
mamã minha serena
na venda do peixe
pela luta da fome
da gente pequena.

Alda Espírito Santo
(São Tomé e Príncipe)

***

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade
(Brasil)

***

Liberdade

(...)
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa
(Portugal)

***

Corazón Coraza

(...)
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.

Mario Benedetti
(Uruguai)

***

(...)
possibles hiéroglyphes
de quelque lassitude
bruissant d'un âge ancien des os

dans l'âge où l'on ne peut plus croire
Carthage encore intacte
lorsque plus rien n'arrive
plus personne
comme l'oiseau l'averse avant
& que partir n'a plus d'ailleurs

Raymond Farina
(Ilha da Reunião)

***

Outro Poema









Mitsuharu Kaneko

(Japão)

***

(...)
Sobre el libro cerrado
que yacía en la hierba
por la luna su pasta iluminada,
mas su interior a oscuras,
descansaba una rana
que iba rondando su nocturna ronda.
¡Oh, Kant, cuánto te admiro!

Miguel de Unamuno
(Espanha)

***

Reconciliação

(...)
Und unsere Lippen wollen sich küssen,
Was zagst du?

Grenzt nicht mein Herz an deins -
Immer färbt dein Blut meine Wangen rot.

Wir wollen uns versöhnen die Nacht,
Wenn wir uns herzen, sterben wir nicht.

Es wird ein großer Stern in meinen Schoß fallen.

Else Lasker-Schüler
(Alemanha)

***

Soneto XV

(...)
Sets you most rich in youth before my sight,
Where wasteful Time debateth with Decay
To change your day of youth to sullied night;
And all in war with Time for love of you,
As he takes from you, I engraft you new.

William Shakespeare
(Inglaterra)

***

Templo do Dagrão Dourado











Lo Fu

(China)

***

(...)
E poco stando meco il mio segnore,
guardando in quella parte onde venia,

io vidi monna Vanna e monna Bice
venir invêr lo loco là ov'io era,
l'una appresso de l'altra maraviglia;

e sì come la mente mi ridice,
Amor mi disse: «Quell'è Primavera,
e quell'ha nome Amor, sì mi somiglia».


Dante Alighieri
(Itália)

***

Noite

(...)
Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.

Agostinho Neto
(Angola)

***

A uma virgem
(Improviso)

(...)
E podes ser tão tirana,
Que possas ver indif’rente
D’anos dez’nove somente
Morrer o teu trovador?!
Ai! não! Alenta-me a vida,
Reprime esta dor infinda
Dando-me só, virgem linda,
O teu puro e casto amor!...

Campos d'Oliveira
(Moçambique)

***

Partindo

(...)
Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares
(Cabo Verde)

***

Temiendo leer

(...)
revisa cada tarde los listados
aparecidos
en los muros de la Alcaldía

temiendo leer
el nombre de Ulises
entre los caídos

Anabel Torres
(Colômbia)

***

Dedicação

(...)
Йдеш, немов сновида... В мертвий світ...
Де тепер сестриці безталанні
Двох моїх осатанілих літ?
Сніг сибірський, може, їм востаннє
Шелестить з-під місяця й не тане?
Всім їм шлю прощальний свій привіт.

Anna Akhmátova
(Ucrânia)

***

Los Heraldos Negros

(...)
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.

Y el hombre... Pobre... pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido
se empoza, como charco de culpa, en la mirada.

Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé!

Cesar Vallejo
(Perú)

***

Cobre

(...)
Día a día te volviste
la pobre piedra quedada,
la pobre piedra que duerme
y dura y odia la llama
y eres, ya, todos tus muertos
antes de ser sepultada.

Helados, llanto y sonrisa,
la oración y la palabra,
el amanecer la siesta
y la oración no arribada.
Ya es lo mismo, ya es igual
la mudez que la palabra.

Gabriela Mistral
(Chile)

***

El Breve Amor

(...)
para que a fuego lento empiece
la danza cadenciosa de la hoguera
tejiédose en ráfagas, en hélices,
ir y venir de un huracán de humo-
(¿Por qué, después,
lo que queda de mí
es sólo un anegarse entre las cenizas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
de liberar las manos ?)

Julio Cortázar
(Argentina)

***

Poder










Al Mu'Tamid

(Alandalus)

***

Ao Leitor

(...)
Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde!
Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes, ni grands cris,
Il ferait volontiers de la terre un débris
Et dans un bâillement avalerait le monde.

C'est l'Ennui!- L'oeil chargé d'un pleur involontaire,
Il rêve d'échafauds en fumant son houka.
Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat,
Hypocrite lecteur, mon semblable, mon frère!

Charles Baudelaire
(França)

***

Warburton 1910

(...)
............Yet, from the verandah, we saw this stupid boy who shied
a bird from a tree. I slipped hand into my husband’s watching
the wilful child tread the damp lawn, slingshot aimed and smiling.

Alan Wearne
(Austrália)

***

Instantâneo

(...)
How he rocked that long cold winter out!
Rocked the squalid room on its cowboy foundations.
Rocked until his cheeks glowed red from the electric heater.
Until his eyes drooped, tired and dazed from love’s capacity.

Aidan Murphy
(Irlanda)

***

O que as estrelas dizem

(...)
want die sterre sê: ‘Tsau! Tsau!’
en die boesmans sê die sterre vervloek die springbok se oë
die sterre sê: ‘Tsau!’ hulle sê: ‘Tsau! Tsau!’
hulle vloek die springbok se oë
ek het groot geword luisterend na die sterre
die sterre sê: ‘Tsau! Tsau!’

dis altyd somer wanneer jy die sterre hoor Tsau-sê

Antjie Krog
(África do Sul)

***

Sonho de desespero

(...)
Der var lige så langt over broen
som jeg var kommet fra min barndom.

Så døden måtte findes
et sted mellem mig og de grå pile
på den modsatte bred.

Det hele varede mindre end et minut
men resten af verden.

Henrik Nordbrandt
(Dinamarca)

***

(...)
Kun pyydän viinaa, minulle tarjoillaan jäätelöä,
taidan sittenkin olla espanjalainen, tukanraja
tällä tavoin alhaalla, todellakaan:
en taida olla täältä päin.
Hikoilen ja yritän puhua, välillä taas
tärisen.
Melkein enemmän kuin kuolemaa, suren syntymääni.
Ja kaikki mitä pyydän
on tuhat metriä lunta sydämen päälle.

Sirkka Turkka
(Finlândia)

***

(...)
Niemand droomt ons terwijl wij het weten.
Het hart van de dromer blijft kloppen,
zijn ogen schrijven zijn droom, hij is nu
niet in de wereld. Hij slaapt binnen en buiten
de tijd.

De ziel heeft twee ogen, dat droomt hij.
Het ene kijkt naar de uren, het andere
ziet er doorheen,
tot waar de duur nooit meer ophoudt,
het kijken vergaat in het zien.

Cees Nooteboom
(Holanda)

***

Surpresa

(...)
Περνώντας μέσα από αιώνες κι αποστάσεις,
Σκάβοντας τα ερείπια μιας γκρεμισμένης μνήμης,
Μέσα από σωρούς στιγμών καθημαγμένων,
Με νύχια και με δόντια έρωτα υποτάσσεις
Τις διαδρομές, διαρροές του χρόνου,
Ως τη συνάντηση

Και σε συνάντησα
Γυμνό στη μήτρα,
Και σε γέννησα..


Helen Psaralidou
(Grécia)

***

Alma Música

(...)
Así, cuando la negra y dura zarpa
de la muerte destroce el pecho mío,
mi espíritu ha de ser en el vacío
cual la postrera vibración de un arpa.

Y ya de nuevo en el astral camino
concretara sus ansias de armonía
en la cascada de una sinfonía,
o en la alegría musical de un trino.

Nicolás Guillén
(Cuba)

***

A Guerra

(...)
Зачем же мы не остановим
Ужасный сей мартиролог?!
Пошто клянём иль славословим?
Пошто пускаем на порог?!

Ужель Любовь, что нам Спаситель,
За нас страдая, завещал,
Не убедит тебя, Воитель?
Не победит насилья вал?!

Объединитесь, люди, братья!
Скажите громко: «Мы за мир!»
Друг другу распахнув объятья,
Всемирный зиждите кумир!


Victor Martynov
(Rússia)

Poemas em voz alta


Correio

Chegam cartas, chegam pedaços
do meu país
Chegam vozes. Chega um silêncio que me diz
as revoltas as lágrimas os cansaços.
Chegam palavras que me apertam nos seus braços.
Chegam notícias do meu país.

Chega o José o Alípio o Manel a Toina
chegam do Sul e falam a cantar
chegam do Norte e trocam os bês pelos vês
chegam mulheres descalças e homens de boina
chegam os antigos senhores do mar.
Chega gente que chora em português.

Chegam palavras com guitarras de Lisboa
chegam palavras que me sentam à sua mesa
para falar das nossas coisas: trigo e tristeza.
Trevo e sal.
Chegam palavras que me trazem vinho e broa
Chegam palavras que me trazem Portugal.

Chegam palavras como sinos a tocar.
Há fogo em Sintra. Greve no Barreiro.
E chegam de Águeda palavras de há vinte anos:
Mataram no Gravanço o filho do moleiro.
E o Ti Fausto a dizer: Se ainda houvesse republicanos…
Chegam palavras com o Alípio e o Botaréu
palavras de Águeda com sinos a dobrar
pelo Ti Fausto que já morreu que já morreu.

E há o Eugénio a tocar a Marselhesa
ao piano das palavras que o tempo me traz.
Chegam notícias de mim mesmo de há vinte anos:
O Manel gosta da Maria do Brás.
Ti Fausto Eugénio Vó Clementina
onde é que estão onde é que estão os republicanos
e a Maria do Brás que ficou sempre menina
dentro de mim em Águeda há vinte anos.

Chegam palavras que nos estão dentro da pele
palavras de palavras de palavras
a Maria do Brás só olha para o Manel
o tempo passa como o vento
e cá por dentro só palavras palavras palavras
e já morreu Manel e já morreu
o tempo em que tu eras o avançado centro
que marcava mais golos no largo do Botaréu.

Chegam as palavras de ontem dentro das palavras de hoje.
O tempo nos constrói e nos destrói
vai-se o tempo Manel o tempo foge
por vezes dói Manel por vezes dói.
E esta gente por dentro das palavras
esta gente que se junta que se junta
esta gente que chega e que pergunta
Que fazer? Que fazer? Só palavras?

Esta gente que chega e que me abraça
com palavras. Com braços
por dentro das palavras. Que fazer?
Ah o tempo que passa e o tempo que não passa
este alarme estes gritos cansaços pedaços
do meu país. E os olhos baços braços lassos e por dentro
uma ânsia a ferver.
A tempestade acumulada vento a vento.

Impossível cantar à mesa de um escritório.
Todo o poema é de rua. Todo o tempo é de combate.
E nada sei da poesia de laboratório:
Faço o que escrevo. Escrevo o que faço.

Abraço quem me abraça
Bato em quem me bate.
Escrever para depois não sei escrever.
Meu tempo é hoje. Tudo o mais é não ser.
Canto o tempo que passa.
E sei que passo como o tempo. E sei que passo.

Manuel Alegre

Na voz de Frederico Hartley:

(Música: "Valsa" - Carlos Paredes)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Novidades Roma Editora

O Desdobrar da Sombra
seguido de
Fragmentos de um Labirinto

Maria da Saudade Cortesão Mendes
N.º 8 da colecção “Sopro” da Roma Editora

“Mulher toda sal e espuma/filha e neta de altos entes/companheira de arte-vida...”, assim a define o grande poeta brasileiro Murilo Mendes. Maria da Saudade morou grande parte da vida no estrangeiro, acompanhando no exílio seu pai, Jaime Cortesão, até Paris (onde foi educada), Madrid e Rio de Janeiro. Nesta cidade conheceu Murilo Mendes, com quem veio a casar-se e depois acompanhando pela Europa em missões culturais. Em 1957 fixaram-se em Roma, onde, durante 18 anos, a sua casa se tornou lugar de referência para escritores e artistas plásticos. Apesar destes itinerários, Maria da Saudade conservou-se integralmente portuguesa, se bem que muitos dos seus amigos fossem estrangeiros, tais como Albert Camus, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Luciana Stegagno Picchio, ao lado de Sophia de Mello Breyner e Maria Helena Vieira da Silva.
Do inglês traduziu, de Shakespeare, A Midsummer Night’s Dream e, de T. S. Eliot, Murder in the Cathedral; para o francês, uma antologia de textos de Murilo Mendes, Office Humain. Pássaro do Tempo reúne seis livros, que vão desde O Dançado Destino, seu livro de estreia (Prémio Fábio Prado de Poesia, São Paulo, 1952) até No Tempo, onde há poemas já de 2002. Os textos aqui reunidos com o título O Desdobrar da Sombra, são de épocas e estilos muito diferentes. Ao contrário de Fragmentos de um Labirinto, que formam uma sequência completa.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Novidades Intensidez

Máquinas de Trovar - poética e tecnologia
E. M. de Melo e Castro
Editora Intensidez

E. M. de Melo e Castro reúne neste livro alguns artigos e estudos escritos nos últimos anos do século XX e também nos primeiros anos deste século XXI, organizados em duas partes. Na primeira parte textos sobre teoria e crítica de poesia, focando principalmente a evolução que conduziu desde a poesia escrita até à poesia visual e daí à actual infopoesia e à poesia digital. Na segunda, a compilação de textos sobre vários aspectos da poesia gerada por computador, culminando na discussão dos novos géneros artísticos daí resultantes.
Este livro dá continuidade à reflexão teórica e criativa que E. M. de Melo e Castro tem vindo a desenvolver há mais de 4 décadas, da qual resultaram Infopoesia, Videopoesia e o livro Poética dos meios e arte High Teck (ed. Vega, 1988), mas também os materiais informáticos, quer analógicos quer digitais, integrados na exposição O Caminho do Leve, realizada pelo Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, no Porto, de Fevereiro a Abril de 2006.
Mais recentemente, publicou o Livro de Releituras e Poiética Contemporânea, pela editora Veredas & Cenários de Belo Horizonte, que integra um DVD interactivo com a sua produção visual desde os anos 50 até agora.

(...) Se imaginarmos Aristóteles no computador, logo veremos que ele hoje terá uma tarefa bem mais complexa do que se vislumbra nos conceitos miméticos da sua Poética, lutando contra a falta de uma terminologia adequada... principalmente quando somos chamados a trabalhar com conceitos como hiperespaço, interactividade, transformação, metamorfose, anamorfose, labirinto e rede, mas sobretudo num ambiente de complexidade. Conceitos estes que, embora alguns herdados da estética do barroco, devem ser relidos e estudados à luz das grandes possibilidades com que o código digital agora nos presenteia, tornando irrecusável a investigação das suas probabilísticas, hipérbolas e risomáticas propriedades, num desafio interminável às nossas capacidades inventivas e abdutivas.
E. M. de Melo e Castro

Viajantes, Escritores e Poetas

Ciclo de Conferências: Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve

Sábado, 21 de Março de 2009 às 17:00

Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve é o mote para o ciclo de conferências organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da Universidade do Algarve e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, que terá lugar no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

A próxima conferência do ciclo decorrerá no Pátio de Letras, em Faro, pelas 17h00 do dia 21 de Março, com uma palestra sobre A Literatura Oral no Algarve, proferida por José Joaquim Dias Marques, docente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Torneio Poético António Botto e Jorge de Sena

No âmbito do Dia Mundial da Poesia (21 de Março), do Dia Mundial do Livro (23 de Abril) e do Ano Europeu da Criatividade e Inovação (http://criar2009.gov.pt), a Direcção‐Geral do Livro e das Bibliotecas convida o jovem público leitor a participar num torneio poético de evocação de António Botto, por ocasião da passagem de cinquenta anos sobre a morte do poeta, e de Jorge de Sena no nonagésimo aniversário do seu nascimento.
Encarando a leitura regular e o exercício poético como livre e superior expressão do conhecimento humano e da diversidade da natureza humana e como fonte de criatividade e inovação, procura‐se corresponder às recomendações das organizações internacionais no sentido de se promover o diálogo intercultural.

REGULAMENTO

1. Condições de participação: O presente torneio dirige‐se a todos os estudantes do 3º ciclo do ensino básico (categoria A) e do ensino secundário (categoria B). Os trabalhos concorrentes devem ser entregues até ao dia 15 de Maio na Biblioteca Municipal do concelho de residência ou na Biblioteca Escolar do estabelecimento de ensino frequentado.

2. Modalidades de participação :
Em alternativa: glosa e desenvolvimento, em verso ou em prosa de ficção, e num máximo de duas páginas A4, de uma das estrofes:

I – Afirmam que a vida é breve,
...Engano, – a vida é comprida:

...Cabe nela amor eterno
...E ainda sobeja vida.
(António Botto, in Pequenas Esculturas, 1925)

II – Anda um ai na minha vida
....Que me lembra a cada passo
....A distância que separa
....O que eu digo do que eu faço.
(António Botto, in Dandismo, 1928)

III – Uma pequenina luz bruxuleante
.....não na distância brilhando no extremo da estrada
.....aqui no meio de nós e a multidão em volta
.....une toute petite lumière
.....
just a litlle light
.....una picolla…em todas as línguas do mundo
.....uma pequena luz bruxuleante
.....brilhando incerta mas brilhando
.....[…]
(Jorge de Sena, "Uma Pequenina Luz", in Fidelidade, 1958)

IV – Amo‐te muito, meu amor, e tanto
.....que, ao ter‐te, amo‐te mais, e mais ainda
.....depois de ter‐te, meu amor. Não finda
.....com o próprio amor o amor do teu encanto.
.....[… ]
(Jorge de Sena, do "Soneto VIII", in As Evidências, 1955)

3. Critérios de selecção: Serão seleccionados três trabalhos (1º, 2º e 3º); a sua apreciação pelos elementos do júri terá em conta o bom domínio da língua portuguesa, nele se considerando tanto a correcção gramatical como a boa utilização dos seus recursos expressivos; boa exposição e articulação de ideias; e o conhecimento, velado ou explícito, da obra dos poetas seleccionados.

4. Composição do júri O júri é composto por um representante da DGLB, um representante do Plano Nacional de Leitura e Eduardo Pitta, poeta e ensaísta.

5. Prémios: Os prémios serão conjuntos de livros. Os trabalhos premiados serão publicados no site da DGLB.

6. Os responsáveis das Bibliotecas deverão fazer chegar os textos concorrentes, em triplicado, às instalações da DGLB, até 30 de Maio, dirigindo‐os à:
Direcção de Serviços do Livro
Direcção‐Geral do Livro e das Bibliotecas
Campo Grande, 83,1º – 1700‐088 LISBOA

III SobrEscritas em Torres Vedras

O SobrEscritas, 3º Encontro de Escritores em Torres Vedras, vai realizar-se entre 21 e 28 de Março.
Contando com a presença de destacados nomes do mundo dos livros e da cultura em Portugal, como Arnaldo Espírito Santo, José Afonso Furtado, José Mário Silva, Pedro Mexia, Telmo Mourinho Baptista e Helena Vasconcelos, entre outros, o SobrEscritas terá sessões na Livraria Livrododia, Cooperativa de Comunicação e Cultura e em diversas escolas do Concelho.
Este evento vai juntar escritores, livreiros, jornalistas... à conversa. Do humor à poesia. Do Plano Nacional de Leitura ao dia-a-dia dos leitores.
Para os mais novos, das escolas EB 2,3 do Maxial, Freiria e Padre Francisco Soares e também da Escola Internacional, vão realizar-se ainda oficinas de línguas.
O programa completo deste evento organizado pelo ATV poderá ser consultado no Blogue da Livrododia: http://www.diariodeumlivreiro.blogspot.com ou em www.atv.pt.
(clicar para ampliar)

terça-feira, 17 de março de 2009

Poesia à solta em Lisboa

No próximo dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, o Centro Nacional de Cultura, em parceria com a Carris e com a Escola Superior de Teatro e Cinema, assinala a efeméride com a iniciativa “Poesia à Solta na Cidade”.
Serão lidos poemas de vários escritores portugueses no interior dos eléctricos 28 e 12, durante a manhã, e nos elevadores da Glória e Santa Justa, da parte da tarde.
Durante toda a semana vão estar colocados nos eléctricos e autocarros de Lisboa, em pequenos cartões, que os passageiros vão poder levar consigo, poemas de Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões, Sophia de Mello Breyner, entre outros.

Blanca Varela (1926-2009)

A poetisa peruana Blanca Varela faleceu na passada quinta-feira, aos 82 anos, deixando uma obra poética reconhecida internacionalmente e que lhe valeu galardões tão importantes como o o Prémio Octavio Paz de Poesia e Ensaio em 2001, o Prémio Internacional de Poesia Cidade de Granada Federico García Lorca em 2006 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana em 2007.
Blanca Varela, nascida em 1926 e definida como «uma grande figura da poesia peruana», considerava que a sua obra não seria a mesma se não tivesse a ajuda do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz, que conheceu em Paris.
Iniciou-se na poesia na Universidade de San Marcos (Lima), onde ingressou em 1943 para estudar Letras e Educação, tendo-se mudado alguns anos mais tarde para Paris onde conheceu Sartre, Simone de Beauvoir, Michaux e Giacometti, e manteve também contactos com o círculo de intelectuais latino-americanos e espanhóis radicados em França.
Viveu também em Florença e em Washington.
Em 1959 publicou o seu primeiro livro, "Este puerto existe", em 1963 "Luz de día", em 1971 "Valses y otras confesiones" e em 1978 um dos títulos mais representativos da sua obra, "Canto villano".

Curso sobre Fernando Pessoa

A Galeria Matos Ferreira vai promover, em parceria com a Associação Agostinho da Silva, um Curso sobre Fernando Pessoa.

Objectivo:
O curso partirá de uma abordagem plural e interdisciplinar, filosófica e literária, a alguns aspectos da obra de Fernando Pessoa. Dividir-se-á em três blocos temáticos, leccionados pelos seguintes professores: Paulo Borges, Renato Epifânio e Duarte Braga. Dois dos módulos serão constituídos por três sessões (sendo o segundo módulo constituído apenas por 2), mais o recital de Carmen Filomena, nove ao todo.

Programa:
MÓDULO I - Ilusão e Libertação, por Paulo Borges (25 Março, 1 e 8 Abril):
· Pré-existência e saudade na poesia inglesa;
· O vazio do sujeito e o jogo onírico/i-lusório do mundo (poesia ortónima e Bernardo Soares);
· O “Tratado da Negação” e “O Caminho da Serpente” (Raphael Baldaya).
MÓDULO II - Pessoa, o filósofo do outro, por Renato Epifânio (15, 22 Abril):
· Pessoa, o filósofo do "outro" do pensar;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de todo o ser;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de si próprio;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de nós mesmos.

Recital de Poesia de Fernando Pessoa, por Carmen Filomena (29 Abril).

MÓDULO III – Projecto poético e heteronímia, Duarte Braga (6, 13 e 20 Maio):
· A questão da Nova Poesia Portuguesa, a profecia do supra-Camões/supra-Portugal e as Índias Espirituais;
· Alberto Caeiro: ignorância e revelação; o poema VIII de Guardador de Rebanhos e a leitura agostiniana;
· Álvaro de Campos e o sensacionismo.

Horário, Inscrições e Preço:
As aulas serão realizadas em período pós-laboral às quartas-feiras, de 25 de Março a 20 de Maio, inclusivé, ou seja nos dias 25 de Março, 1, 8, 15, 22 e 29 de Abril, e ainda nos dias 6, 13, 20 de Maio, das 19h00 às 20h30.

O Curso tem um limite máximo de 20 (vinte) participantes. O seu custo é de EUR 90,00 (noventa euros), podendo ser pago em duas prestações de EUR 45,00 (quarenta e cinco euros) cada. A primeira prestação deve ser paga a 25 de Março e a segunda com cheque pré-datado para 29 de Abril. Inclui material de apoio.

Os interessados podem-se inscrever através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22, do Email: mfgaleria@netcabo.pt . Em qualquer das opções deverão indicar sempre o número de telemóvel para eventual contacto.

Perfil dos Intervenientes:
PAULO BORGES é professor de Filosofia na universidade de Lisboa e tem uma vasta obra publicada nos domínios da poesia, ficção, teatro e ensaio filosófico. Autor da tradução de livros budistas e coordenador das obras reunidas de Agostinho da Silva, é também sócio fundador e membro da direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, co-director da revista Nova Águia e presidente da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva e do MIL - Movimento Internacional Lusófono.

RENATO EPIFÂNIO é Doutor em Filosofia pela FLUL, membro do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e da direcção da Associação Agostinho da Silva. É autor de várias obras sobre pensamento português e partilha com Paulo Borges e Celeste Natário a direcção da revista Nova Águia. Pertence à comissão coordenadora do MIL.

CARMEN FILOMENA DE ARRIAGA MARTIN CONDE nasceu em Angola, onde em 1965 começou a sua carreira no Teatro Nacional de Luanda com um espectáculo de poesia de Fernando Pessoa teatralizado. Em 1975, veio para Portugal onde se estreou no Teatro Experimental de Lisboa, tendo posteriormente enveredado por uma carreira de artista de variedades, dizendo poesia e cantando fado e música ligeira sempre em itinerância por todo o País. Participou igualmente, nas quadras natalícias em várias revistas infantis, organizadas pelo SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculo.
Mudou-se depois, em 1993, para Paris, onde participou em eventos lusófonos, convidada por diversas Embaixadas e comunidades. Quatro anos mais tarde, instalou o De Arriaga Piano Bar na Mouraria que encerrou em 2004. Desde aí participou em filmes, novelas, programas de rádio e de televisão, insistindo sempre em levar a poesia a todos os cantos de Portugal com incidência especial em bares da noite lisboeta.

DUARTE BRAGA é licenciado em Estudos Portugueses pela FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa .e mestre em Estudos Comparatistas pela mesma Faculdade. Trabalha nas áreas dos Estudos de Cultura e dos Estudos Literários. Tem leccionado em vários locais cursos sobre literatura portuguesa e publicado trabalhos sobre cultura, literatura e pensamento portugueses. Membro da direcção da Associação Agostinho da Silva e da comissão coordenadora do MIL.

Nota:
Durante o curso sobre FERNANDO PESSOA estará patente na GALERIA MATOS FERREIRA um quadro em técnica mista intitulado MAR PORTUGUEZ (100 x 120 cm - ano 2005) e inspirado no poema do mesmo nome do Poeta, da conhecida pintora ANA MARQUES.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sugestão da Andante para esta semana


Flashback

No verão, à noite, as nuvens de mosquitos
caíam sobre as casas. Eu via-os, de volta
das lâmpadas, formando uma névoa agitada
pelo brilho fraco da electricidade. Vinham
dos arrozais, dos pântanos, dos rios estagnados
pelo calor; mas nunca soube para onde iam
quando, passada a noite, a madrugada surgia
limpa e branca, como as casas da aldeia.

Nesse verão, muitas coisas se passaram:
alguns velhos morreram; começaram as obras
na igreja, e as lages com inscrições antigas
deram lugar a um chão de madeira; o
cinema ambulante trouxe alguns filmes
de capa e espada, mas o rapaz salvou-se
sempre; e uma máquina fotográfica registou
os andores que traziam à rua os santos,
na festa de agosto, de mistura com rostos
que julgava esquecidos na minha memória.
(Só o padre, segurando o cálice, mantém a
mesma expressão dura e atenta, como convém
ao representante de deus entre os homens).

Há quem diga que esses verões acabaram. De
facto, as casas já não precisam de mosquiteiros,
o cinema ambulante acabou, e o padre limita-
-se a ser o nome de uma rua, e qualquer dia
já nem isso. Mas quando as luzes se acendem,
ainda com dia, é como se uma névoa surgisse
do passado, com os mosquitos, as falhas
na corrente quando o filme ia a meio, e os
gritos que dávamos no escuro, até a luz voltar.

Nuno Júdice


Voz: Cristina Paiva; Música: Pascal Comelade; Sonoplastia:Fernando Ladeira