segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Poemas para Ramos Rosa e para Agripina

Promovida pela Editora Labirinto, vai ter lugar em Lisboa, no próximo dia 17 de Outubro, a partir das 16 horas, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, uma homenagem aos poetas António Ramos Rosa e Agripina Costa Marques. Esta iniciativa, traduz-se na edição das antologias "Um Poema Para Ramos Rosa" e "Um Poema Para Agripina", coordenadas por Maria do Sameiro Barroso, a primeira obra conta com prefácio de Paula Cristina Costa e a segunda com prefácio de Ana Paula Coutinho e ambas as capas sob pinturas de Laura Cesana.

As obras serão apresentadas pela jornalista e escritora Maria Augusta Silva e conta com a leitura de poemas dos autores presentes que integram as antologias.
O evento coincide com a data de aniversário de António Ramos Rosa e a sessão culminará com a entrega a António Ramos Rosa do Prémio do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, recentemente alcançado com a obra poética "A Rosa Intacta".

Colaboram na antologia "Um Poema Para Ramos Rosa", os seguintes autores:
Adelino Ínsua, Albano Martins, Alexandre Vargas, António Carlos Cortez, António Graça de Abreu, António José Queirós, António Salvado, António Vieira, Artur F. Coimbra, Boaventura Sousa Santos, Carlos Poças Falcão, Carlos Vaz, Casimiro de Brito, Daniel Gonçalves, Ernesto Rodrigues, Fátima Valverde, Fernando de Castro Branco, Firmino Mendes, Gisela Ramos Rosa, Gonçalo Salvado, Graça Pires, Inês Lourenço, Isabel Aguiar Barcelos, Isabel Leonor Forte Salvado, Jaime Rocha, João Rui de Sousa, Joaquim Cardoso Dias, Jorge Listopad, Jorge Reis-Sá, José Agostinho Baptista, José Félix Duque, José Jorge Letria, José Luís de Almeida Monteiro, José Manuel Mendes, José Manuel de Vasconcelos, Juliana Miranda, Luís Quintais, Manuel Madeira, Maria Alberta Menerés, Maria Augusta Silva, Maria Helena Ventura Maria João Cantinho, Maria João Fernandes, Maria do Sameiro Barroso, Maria Teresa Dias Furtado, Maria Teresa Horta, Paula Cristina Costa, Pedro Chagas Freitas, Pedro Sena-Lino, Pompeu Miguel Martins, Rita Taborda Duarte, Rosa Alice Branco, Ruy Ventura, Teresa Salema, Teresa Vieira, Urbano Tavares Rodrigues e Victor Oliveira Mateus.


Colaboram na antologia "Um Poema Agripina", os seguintes autores:
Hernani Tavares (desenho de Agripina), Adelino Ínsua, Albano Martins, Alexandre Vargas,António Cândido Franco, António Ramos Rosa, António Salvado, Carlos Poças Falcão,Casimiro de Brito, Daniel Gonçalves, Ernesto Rodrigues, Firmino Mendes, Gisela Ramos Rosa, Gonçalo Salvado, Hélia Correia, Inês Lourenço, Isabel Aguiar Barcelos, Jaime Rocha, João Rui de Sousa, Jorge Reis-Sá, José Félix Duque, José Jorge Letria, José Luís de Almeida Monteiro, José Manuel Mendes, Manuel Madeira, Maria Alberta Menerés, Maria Augusta Silva, Maria Helena Ventura, Maria João Cantinho, Maria João Fernandes, Maria do Sameiro Barroso, Maria Teresa Dias Furtado, Maria Teresa Horta, Pedro Sena-Lino, Rosa Alice Branco, Teresa Salema, Urbano Tavares Rodrigues e Victor Oliveira Mateus.


Um evento a não perder!

Recitais de Poesia no Palácio Fronteira

VII Ciclo de Poesia Portuguesa do Séc. XX - NEOREALISMO
14, 16, 21 e 23 de Outubro de 2008
Palácio Fronteira, Largo São Domingos de Benfica nº 1 - Lisboa

14 de Outubro de 2008 (terça-feira):
21h30 - RECITAL DE POESIA DE CARLOS DE OLIVEIRA
Apresentação e Comentários: Rosa Maria Martelo.
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas e Paulo Godinho.

16 de Outubro de 2008 (quinta-feira):
21h30 - RECITAL DE POESIA DE JOÃO JOSÉ COCHOFEL
Apresentação e Comentários: Eugénio Lisboa.
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas e Paulo Godinho.

21 de Outubro de 2008 (terça-feira):
18h30 - RECITAL: 'O AR DO TEXTO OPERA A FORMA DO SOM INTERIOR'
MISO ENSEMBLE - Teatro Electroacústico
MIGUEL AZGUIME, composição, texto e performance.
PAULA AZGUIME, desenho de som, electrónica em tempo real, encenação.
'O ar do texto opera a forma do som interior' é um espectáculo, composto e interpretado por Miguel Azguime, poeta, actor e compositor.
É a concretização de um trabalho de criação sobre a escrita: sobre a escrita musical, sobre a escrita poética, um divertimento entre palavra-sentido e palavra-som; é também construção e desconstrução da escrita gestual do compositor/actor e da sua própria imagem, onde a voz é o prolongamento do corpo e do pensamento do poeta. Uma simbiose entre a essência da palavra e a evolução do Ser.
21h30 - RECITAL DE POESIA DE MÁRIO DIONÍSIO
Apresentação e Comentários: José Manuel Mendes.
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas e Paulo Godinho.

23 de Outubro de 2008 (quinta-feira):
21h30 - RECITAL DE POESIA DE MANUEL DA FONSECA
Apresentação e Comentários: Fernando J. B. Martinho.
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas, Paulo Godinho e Pedro Sena-Lino.

Organização: Fundação das Casas de Fronteira e Alorna.

Informações e inscrições: 217784599 ou fcfa-cultura@netcabo.pt


(Nota: nesta notícia, apenas estão referidos os recitais de poesia.
O programa completo deverá ser consultado no site www.fronteira-alorna.pt )


Sugestão da Andante para esta semana


Coro dos empregados da câmara

É tão vazia a nossa vida, é tão inútil a nossa vida
que a gente veste de escuro como se andasse de luto.
Ao menos se alguém morresse e esse alguém fosse um de nós
e esse um de nós fosse eu...
... O Sol andando lá fora, fazendo lume nos vidros,
chegando carros ao largo com gente que vem de fora
(quem será que vem de fora?)
e a gente praqui fechados na penumbra das paredes,
curvados prás secretárias fazendo letra bonita.
Fazendo letra bonita e o vento andando lá fora
rumorejando nas árvores, levando nuvens pelo céu,
trazendo um grito da rua (quem seria que gritou?)
e a gente praqui fechados na penumbra das paredes,
curvados prás secretárias fazendo letra bonita,
enchendo impressos, impressos, livros, livros, folhas soltas,
carimbando, pondo selos, bocejando, bocejando, bocejando.

Manuel da Fonseca

Voz: Cristina Paiva, Música: Pascal Comelade, Sonoplastia: Fernando Ladeira



Próximos espectáculos da Andante:

13 a 17 Outubro de 2008
Anatomias
Biblioteca Municipal de Alcochete (para alunos do 2º ciclo, duas sessões por dia, uma turma por sessão)

18 Outubro de 2008
Atelier - A leitura em voz alta
Biblioteca Municipal de Almeirim, das 10.00 às 17.00 horas

20 Outubro de 2008
Poesia de Manuel da Fonseca
No Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira (por ocasião do 1º aniversário), às 19.00 horas

The Masque of Anarchy de P. B. Shelley

A Máscara da Anarquia seguido de cinco poemas de 1819
Percy B. Shelley
Tradução de Célia Henriques e Eduarda Dionísio
Edições &etc, 2008


As edições &etc acabam de editar a tradução para português (por Célia Henriques e Eduarda Dionísio) do poema de P. B. Shelley "A Máscara da Anarquia" (The Masque of Anarchy), um poema político escrito pelo autor em 1819 na sequência do massacre de Peterloo (no dia 16 de agosto de 1819, no parque de Saint-Peter, uma multidão de mais de 50 mil pessoas, reunidas num protesto, foi exposta a uma brutal carga de cavalaria).

Percy Bysshe Shelley nasceu em 1792 em Sussex, Inglaterra e morreu em 1822 em Itália. Poeta, escritor, tradutor e ensaísta, Shelley foi consagrado como um dos mais importantes nomes do Romantismo mundial e um dos representantes da poesia lírica inglesa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Ramiro Fonte (1957-2008)

O poeta galego Ramiro Fonte, director do Instituto Cervantes de Lisboa, morreu em Barcelona, este fim-de-semana, aos 51 anos
Ramiro Fonte Crespo nasceu em Pontedeume em 1957.
Licenciado em Filosofía e Letras e professor de Língua e Literatura Galegas, foi poeta, ensaísta, crítico e estudioso da literatura galega.
Foi um dos fundadores do colectivo poético Cravo Fondo (1977).
Foi também membro correspondente da Real Academia Galega.

Na estante de culto



"ainda aqui este lugar
"
Pedro Afonso
Editora 4águas


Este primeiro livro de poesia de Pedro Afonso é, também, a estreia de mais uma editora que acaba de nascer, a 4águas. Um editora do Algarve, região onde nasceram grandes poetas como todos sabemos.
O Pedro Afonso nasceu em Faro em 1979 e é um dos membros fundadores do Sulscrito, Círculo Literário do Algarve e faz parte da direcção editorial da revista literária Sulscrito.

O primeiro livro de um poeta, sobretudo se for jovem, é quase sempre olhado com alguma desconfiança. Há a tendência para se pensar (e muitas vezes acertadamente) que o autor não tem ainda a maturidade poética necessária. Muitos autores, depois de editarem vários livros ao longo da sua carreira literária, renegam as obras da juventude, sobretudo porque assumem que o que escreveram enquanto jovens não tinha ainda um estilo, um cunho, a sua própria voz poética, que o autor foi naturalmente encontrando ao longo da vida e da maturidade. E isto, os que encontram...
A poesia do Pedro Afonso tem, já neste seu primeiro livro, uma personalidade poética muito própria. O Pedro pode até ir traçando outros caminhos poéticos ao longo da sua carreira literária, mas este seu primeiro livro nunca o envergonhará e tenho a certeza de que ele nunca o renegará.
Pouco conhecia da poesia do Pedro Afonso, pois ele tinha apenas alguns trabalhos dispersos em algumas antologias. Mas ainda antes de ele publicar este livro, li um poema dele, que não está no livro, que me deixou alerta:


após que a morte os separe

se aquela ferida não lhe ardesse
no sal do tempo ao descoberto
essa obstinação quase vegetal de flor
se aberta não fosse viva
rubra e quente a ferida
astro tangendo o perpétuo
o agora seria uma infecção
de corpos decaídos
pus coalhos e puas de ossos
e lagos tépidos lamacentos

toca-lhe o reflexo com um pano
afaga a película do que resiste
abraça a ausência que ela lhe oferece
e a frescura que se intromete
no quarto muito claro que povoa
é salgada
um mar inquieto
de muitas canções vagas
que afinal sempre esteve ali

aquilo ali dura
como dura a pedra


A sensação imediata que tive, depois de ler este poema do Pedro Afonso, foi a de que estava ali um autor com talento. Um autor que, apesar de jovem, já sabia usar com mestria a subjectividade da metáfora e a adjectivação. E sabia construir um poema forte, num estilo claramente expressionista de imagens desconcertantes, mas ao mesmo tempo com ligação à terra. O sal, o mar, a pedra.

Este livro “ainda aqui este lugar” veio confirmar as minhas suspeitas do talento do Pedro e confirmar, também, a tendência expressionista e a ligação à terra.


ocorre-te sempre uma queda solitária
um som turvo demasiado distante
e na falta de um corpo

uma poça ausente de sangue

como que penetrando a terra

te faltasse nos braços
a carne de um socorro

e assim caminhas de membros
extintos por entre as casas
esperas da luz cada esquina

que te acenda o susto

da sombra do teu regresso


O tempo e a casa como lugar emocional são o cenário da primeira parte deste livro: a memória da infância, a casa que se constrói para se viver para sempre, o jardim que se embeleza como espaço afectivo e a procura do passado nas memórias, nas raízes, no cotão.

assim procuro por debaixo das minhas
raízes onde cotão e memórias crescem

mas nada por lá está onde é possível ver


No fundo, nestes poemas, temos de procurar “onde é possível ver”, nada aqui é imediato ou óbvio. Não se vê, intui-se.
E o Pedro enlaça-nos num confronto entre o passado e o presente, sem que se trate de passado nem presente, apenas o tempo numa concepção diferente.
“ainda aqui este lugar” é o lugar da memória do espaço e do tempo revisitados e reinventados.

Na última parte do livro, deixa-nos o autor um conjunto de poemas com o título “Boca Brusca”. Poemas sem pontuação onde esbarramos a certa altura com algo que nos tira a respiração:

à mesa o café solta um fio de fumo
a colher inútil o prato escusado

a sombra da mão que segura o cigarro
acorda-me do sono do fumo que sonho

a corda ou o fio de fumo que foge


vou agarrado às crinas de fogo

de um horizonte incandescente
cego na velocidade do avanço

do brilho que me rouba a pele
e
me lava os ossos soltos no fumo

caio caio na cadeira em pé caio

para muito fundo eu vou

agarrado às crinas de fumo

de um horizonte de fogo branco

largo a pele os ossos e o nome


A poesia do Pedro Afonso é uma poesia em construção, sim. Mas já com personalidade, com voz, com coragem.
Com o poder de nos entrar na pele. E isso é o que mais devemos admirar em poesia.

HH inédito e... esgotado

O novo livro de Herberto Helder, "A Faca Não Corta o Fogo – súmula e inédita", esgotou no armazém da Assírio & Alvim e, segundo a editora, não será reeditado. Estão disponíveis, portanto, apenas os exemplares ainda existentes nalgumas livrarias.
A tão esperada publicação de poemas inéditos de HH (quase 15 anos!), autor que, em 1994 se recusou a receber o Prémio Pessoa, apareceu finalmente nas livrarias (numa edição com poemas antigos e uma grande parte de poemas inéditos), há apenas 3 dias.

Outras sugestões para os próximos dias

13 de Outubro (segunda-feira):

LISBOA – Associação Agostinho da Silva
Lançamento da Revista Nova Águia n.º 2
13 de Outubro - 18h00:
na Associação Agostinho da Silva
Rua do Jasmim 11 - 2.º
(ao Príncipe Real)




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15 de Outubro (quarta-feira):

PORTO – Faculdade Letras Porto
Lançamento da Revista Nova Águia n.º 2
15 de Outubro - 16h00:
Faculdade de Letras/Universidade do Porto.




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16 de Outubro (quinta-feira):

LISBOA – Café Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2008
Todas as quintas, das 16h às 18h
Informações Úteis: 213 973 717
No Café Martinho da Arcada (Pç. do Comércio, 3)



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17 de Outubro (sexta-feira):
LISBOA – Livraria Bulhosa de Entrecampos
A editora Labirinto vai realizar a sessão de apresentação das antologias "Um Poema Para Ramos Rosa" e "Um Poema Para Agripina", na livraria Bulhosa de Entrecampos (Campo Grande 10B) - Lisboa, no dia 17 de Outubro às 16h.
O evento coincide com a data de aniversário de António Ramos Rosa, que receberá igualmente o Prémio de Poesia do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, recentemente alcançado com a obra poética "A Rosa Intacta".
A obra será apresentada pela jornalista e escritora Maria Augusta Silva.





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18 de Outubro (sábado):

LISBOA – Centro Cultural de Belém
A Editorial Minerva vai realizar uma sessão de apresentação da obra poética “PALAVRAS NO SILÊNCIO” de Rui Constantino, no dia 18 (Sábado) de Outubro de 2008, pelas 15 horas, no Centro Cultural de Belém, na Sala Sophia de Mello Breyner.
A coordenação da sessão e breve reflexão sobre a obra e autor será feita por Ângelo Rodrigues.
A apresentação da obra será feita por von Trina.
Selecção e leitura de três poemas da obra pela actriz Cristina Estrompa.

LISBOA - Câmara Municipal
O Grupo de Jograis "U...Tópico" vai estar no sábado, 18 de Outubro, na Sala do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa (Praça do Município), pelas 16 horas, no recital "Poesia no Feminino", a propósito do 40.º Aniversário do Movimento Democrático de Mulheres - MDM.

sábado, 11 de outubro de 2008

Obras de Pessoa e Cesário a leilão

Vai realizar-se um leilão no próximo dia 25 de Outubro no Hotel Fénix, em Lisboa, que inclui um número da revista Águia "a revista onde Fernando Pessoa se deu a conhecer ao público", assim como primeiras edições raras da «Mensagem», de Fernando Pessoa, e do «O Livro de Cesário Verde», e obras de Miguel Torga, algumas assinadas com o seu verdadeiro nome, Adolfo Coelho.
Na véspera do leilão, dia 24 de Outubro, todos os lotes estarão em exposição, no Hotel Fénix.
Notícia completa, aqui.

Casimiro de Brito vence Poeteka 2008 (Albânia)

O poeta Casimiro de Brito, que representou Portugal no Poeteka - Festival Internacional de Poesia da Albânia, que decorreu de 22 a 28 de Setembro, onde também lançou um livro, ganhou o Prémio do Festival, um anel de platina e prata do séc. XIX, que lhe foi atribuído como melhor autor estrangeiro, uma das três categorias do Festival a par das de melhor autor albanês e melhor tradução.
O Poeteka 2008 foi a quarta edição deste Festival e os poetas convidados andaram por várias cidades (Durrës, Tirana, Shkoder, Elbasan e Berat).
O festival homenageou, este ano, Octavio Paz (no ano passado homenageou Paul Celan) e o lema deste ano foi "Libertad bajo palabra - Liberdade Sob Palavra”.
Houve leituras de poesia, mesas redondas, debates, curtas-metragens, música, exposições, entre outras actividades. Uma actividade interessante (e original) desta edição do Poeteka foi o Poemsms: envio de poemas por sms durante toda a edição do festival. A organização do festival estabeleceu um protocolo com uma empresa de comunicações o que possibilitou estabelecer comunicação entre os presentes e os não presentes no festival, num exemplo de como a poesia e a tecnologia podem co-existir.

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

- manuel marta barbosa de bocage
- quadras e como arruma las
- revista do amadeu batista
- lojas que tenha plaise de homem
- poesia com lh
- teze de guilherme pitta
- quanto sera o proso do show do rbd
- concursos de poemas e poesias
- quando se comemora a semana munidal do melhor amigo
- bocage + dobrada à moda do porto
- omnia a 250 euros no porto
- O QUE E POROSIDADE NA MECANICA

(Tal e qual como estavam escritas)

Ode Marítima por Bartolomeu dos Santos

Está patente na Casa Fernando Pessoa uma exposição com conjunto de gravuras de Bartolomeu dos Santos, sobre a Ode Marítima de Álvaro de Campos, que pode ser visitada até ao final do ano.

Bartolomeu Cid dos Santos nasceu em 1931 em Lisboa, e estudou na Escola Superior de Belas Artes entre 1950 e 1956, prosseguindo a sua formação na Slade School of Fine Art em Londres entre 1956 a 1958, com Anthony Gross. Realizou a sua primeira exposição individual em 1959, na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Desde então expôs individualmente 82 vezes. Morreu em Londres, este ano.

Poesia visual de Almada Negreiros exposta pela primeira vez

Abriu no Museu das Comunicações uma exposição organizada pela Fundação Portuguesa das Comunicações, no âmbito do Dia Mundial dos Correios, com obras de vários artistas portugueses e estrangeiros (entre os quais Ana Hatherly e Ernesto de Melo e Castro, expoentes da poesia visual portuguesa), que inclui três poemas desenhados por Almada Negreiros em 1920 e que são mostrados publicamente pela primeira vez.
A exposição "Arte é comunicação" percorre todo o século XX, do Futurismo e do Dada aos caligramas de Apollinaire, ao movimento internacional da Poesia Visual, que em Portugal floresceu na década de 1960.
Os três poemas desenhados de Almada Negreiros são uma série de caligramas desenhados nas folhas de um caderno de apontamentos.
A exposição está patente até 15 de Janeiro de 2009.
A Fundação Portuguesa das Comunicações editou também o livro "Caligrafias - A Nascente dos Nomes", de Maria João Fernandes, uma primeira recolha temática dos textos da autora, abordando a relação fundadora da arte do século XX, entre escrita e pintura, num período de cerca de 30 anos, que irá dar continuidade ao caderno temático "Caligrafias", editado em 2006 pela Revista Mealibra de Viana do Castelo.
Mais informações aqui.

Prémio Literário PEN Clube para Poesia


A 29ª edição do Prémio Literário do PEN Clube galardoou em ex aequo Hélder Moura Pereira pela obra "Segredos do Reino Animal" (Assírio & Alvim) e Daniel Jonas pela obra "Sonótono" (Cotovia).

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Novo livro de Herberto Helder



Saiu hoje o tão esperado novo livro
de Herberto Helder
"A Faca não Corta
o Fogo - súmula
& inédita"

editado pela Assírio & Alvim.







Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.
O orvalho da muita manhã.
Corria de noite, como no meio da alegria,
pelo orvalho parado da noite.
Luzia no orvalho. Levava uma flecha
pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado
loucamente
por um caçador de que nada se sabia.
E era pelo orvalho dentro.
Brilhava.

Não havia animal que no seu pêlo brilhasse
assim na morte,
batendo nas ervas extasiadas por uma morte
tão bela.
Porque as ervas têm pálpebras abertas
sobre estas imagens tremendamente puras.

Pelo orvalho dentro.
De dia. De noite.
A sua cara batia nas candeias.
Batia nas coisas gerais da manhã.
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.
Tomava alegria no pensamento
do orvalho. Corria.

Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.
Que têm os olhos cegos como sangue.
Este corria, assombrado.
Os mortos devem ser puros.
Ouvi dizer que respiram.
Correm pelo orvalho dentro, e depois
estendem-se. Ajudam os vivos.
São doces equivalências, luzes, ideias puras.
Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar

— a morte é passar, como rompendo uma palavra,
através da porta,
para uma nova palavra. E vejo
o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição
através das portas de outros corpos.
Como uma qualidade ardente de uma coisa para
outra coisa, como os dedos passam fogo
à criação inteira, e o pensamento
pára e escurece

— como no meio do orvalho o amor é total.
Havia um homem que ficou deitado
com uma flecha na fantasia.
A sua água era antiga. Estava
tão morto que vivia unicamente.
Dentro dele batiam as portas, e ele corria
pelas portas dentro, de dia, de noite.
Passava para todos os corpos.
Como em alegria, batia nos olhos das ervas
que fixam estas coisas puras.
Renascia.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Adalberto Alves premiado pela UNESCO

O escritor e poeta Adalberto Alves foi distinguido com o prémio Sharjah 2008 para a cultura árabe, atribuído pela UNESCO, juntamente com o professor egípcio Gaber Asfour.
O prémio Sharjah 2008, no valor de cerca de 22 mil euros para cada vencedor, foi criado em 1998 com fundos oferecidos pelo Emirado de Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos e será entregue a Adalberto Alves e a Gaber Asfour, na sede da UNESCO, numa cerimónia que se relizará a 17 de Novembro.
Com este prémio, Adalberto Alves vê assim reconhecida a sua contribuição para a difusão, promoção, preservação e revitalização da cultura árabe no mundo.

Adalberto Alves é advogado, escritor, poeta, tradutor, ensaísta e grande estudioso da cultura árabe.
É presidente do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves e membro do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores.
O seu interesse pela cultura muçulmana levou-o a estudar Língua Árabe na Universidade Nova de Lisboa, curiosidade que se alargou à História e Cultura Árabico-Islâmicas. Neste âmbito está ligado a várias instituições, das quais se podem destacar a Fundação da Memória Árabe, o Centro Português de Estudos Islâmicos ou a Academia de Altos Estudos Ibero-Árabes.
Entre os seus variadíssimos livros de poesia, contos e ensaios, destaque para “O Meu Coração é Árabe”, “Arabesco - da Música Árabe e da Música Portuguesa”, "Al-Mu'tamid Poeta do Destino”, “Ibn'Ammâr Al-Andalusî — O drama de um poeta” e "No Vértice da Noite".
Ver notícia completa, aqui.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Não faltem!




No próximo dia 10 de Outubro, os poetas do Algarve vêm a Lisboa para uma sessão de apresentação na Livraria Trama.
Assim, a partir das 21:30h, serão apresentados a revista de literatura "Sulscrito" n.º2, o livro de poesia "ainda aqui este lugar" de Pedro Afonso e a editora 4águas.


O livro "ainda aqui este lugar" será apresentado por Inês Ramos.
A revista "Sulscrito" será apresentada por Pedro Afonso.
Fernando Esteves Pinto apresentará a Editora 4águas.

A Livraria Trama fica Rua São Filipe Nery, nº 25B, em Lisboa.

Conto convosco!

Pedro Afonso nasceu em Faro, em 1979.
É um dos membros fundadores do Sulscrito, Círculo Literário do Algarve e faz parte da direcção editorial da revista de literatura Sulscrito.
É autor do blog “a pedra”.
Publicações:
- Representado na Antologia de Novos Poetas Algarvios – Do Solo ao Sul, Faro, Dezembro de 2005, ARCA.
- Representado e traduzido para castelhano na Antologia de Poesia Portuguesa Actual – Poema Poema, Revista de Poesia Aullido nº 15, Punta Úmbria, Huelva 2006.
- Representado na Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Editora Exodus, Fevereiro de 2008.
- Publicou poesia em algumas revistas de Portugal, Espanha e México.

Sugestão da Andante para esta semana


O Dia

Passa o dia contigo
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
Que nem sabes desde quando em ti vivia

Sophia de Mello Breyner Andresen



Voz: Cristina Paiva; Música: Future Sound of London; Sonoplastia: Fernando Ladeira


Próximos espectáculos da Andante:
7 a 10 Outubro de 2008
Anatomias
Biblioteca Municipal de Alcochete (para alunos do 2º ciclo, duas sessões por dia, uma turma por sessão)

11 Outubro de 2008
Atelier - A leitura em voz alta
Biblioteca Municipal de Condeixa-a-Nova, das 10 às 17 horas

Foi há 46 anos

Manuscrito do poema "Stings" de Sylvia Plath
escrito em 6 de Outubro de 1962 (4 meses antes de morrer)

domingo, 5 de outubro de 2008

Leitura mundial de Mahmud Darwich





Respondendo ao apelo do Festival Internacional de Literatura de Berlim aqui fica um poema de Mahmud Darwich para nos juntarmos à leitura de poemas deste poeta que acontece hoje, 5 de Outubro, por todo o mundo.

Os pássaros morrem na Galileia

Voltaremos a ver-nos em breve.
Dentro dum ano
ou dois
ou numa geração.
Em seguida ela guardou, precipitadamente, na sua máquina fotográfica
vinte jardins,
os pássaros da Galileia,
e partiu, para além dos mares, em busca
dum novo sentido para a verdade.
— A minha pátria é uma corda de estender roupa
para os lenços de sangue derramado
a cada momento.
E estendi-me na praia,
areia e... palmeiras.

Sobre isso, ela nada sabe.
— Rita! A morte e eu revelámos-te
o segredo da alegria murcha às portas das alfândegas.
A morte e eu renovámo-nos
na tua fronte primitiva
e na tua janela.

A morte e eu, duas faces.
Porque foges agora da minha?
Porquê?
Porque foges do que faz do trigo
os cílios da terra,
do vulcão, um outro rosto de jasmim?
Porque foges?

Sozinho, o seu silêncio fatigava-me de noite,
quando se alongava diante da minha porta
como se fosse a rua... o velho bairro.
Que a tua vontade seja feita, Rita!
Que o silêncio seja machado,
cercaduras de estrelas
ou terreno propício ao nascimento da árvore.
Eu saboreio o beijo
no fio das lâminas.
Vem, adiramos aos massacres!

Como folhas supérfluas,
os enxames de pássaros
caíram no poço do tempo.
E eu recolho as asas azuis.
Rita,
eu sou a pedra tumular da sepultura que cresce.

Rita,
eu sou aquele em cuja carne
as searas cavam
o rosto duma pátria...

Mahmud Darwich
(tradução de Albano Martins)

Neste poema, Rita é a amada israelita, que, desiludida, parte numa viagem em busca da verdade e deixa o poeta para trás. O poema tornou-se numa das canções mais populares da Palestina.


Também podemos ouvir aqui poemas de
Mahmud Darwich ditos pelo próprio poeta.


O poeta Mahmud Darwich morreu no passado dia 9 de Agosto, nos Estados Unidos, aos 67 anos. Um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos, a sua actividade literária e política tornaram-no o poeta nacional da Palestina.
Mahmud Darwich nasceu em
Birwa (na Galileia) em 1941. Em 1948 a sua aldeia foi atacada pelos israelitas e os habitantes foram obrigados a partir para o exílio. Aos sete anos Darwich fugiu para o Líbano à procura de notícias da sua família que, no entanto, não conseguiu encontrar. Um ano depois o poeta retornou à Palestina, onde encontrou a sua aldeia totalmente arrasada e ocupada pelos israelitas. Darwich escreveu os seus primeiros textos poéticos quando ensinava na aldeia de Der Al Asad. Foi detido e preso pelos israelitas em diversas alturas ao longo da sua infância e adolescência, tendo mais tarde sido proibido de leccionar no ensino superior. Entretanto, foi para Moscovo em 1970, e para o Cairo no ano seguinte. Desde então organizou várias publicações e centros de pesquisa palestinianos. Foi presidente da Sociedade de Escritores e Poetas Palestinianos e foi várias vezes indicado para o Prémio Nobel.
Em Abril de 1988 o então primeiro-ministro Isaac Shamir iniciou uma ofensiva contra Darwich devido ao seu poema "Aqueles que passam entre as palavras passageiras", que, segundo Shamir era "a expressão exacta dos objectivos do bando de assassinos organizados debaixo do guarda-chuva da OLP". Na verdade, o poema é um pedido dirigido aos israelitas para que deixem as terras ocupadas.
Em Abril de 2002 o exército israelita atacou e destruiu o Centro Cultural Jalil Sakatini (Ramallah), dirigido por Darwich. Antes, o edifício tinha sido saqueado pelas forças militares de Israel que levaram arquivos, documentos e obras de arte e a seguir o destruíram com explosões de cargas de dinamite. O edifício também era sede da prestigiosa revista literária palestiniana Al Karmel, também dirigida por Darwich. Horas mais tarde a operação continuou com a invasão da casa do poeta, que residia em Paris, onde continuava a editar a revista literária Al Karmel.
Com livros traduzidos em mais de 20 idiomas e vários prémios internacionais, Mahmud Darwich é o autor da Declaração de Independência Palestiniana, escrita em 1988 e lida por Iasser Arafat quando declarou unilateralmente a criação do Estado Palestiniano.
Darwich ganhou notoriedade ainda nos anos 60, com a publicação do seu primeiro livro "Pássaro sem asas", uma colectânea de poemas que inclui "Bilhete de Identidade". Escrito na primeira pessoa, o poema descreve o momento em que um árabe fornece os números do seu documento de identificação numa barreira israelita, na tentativa de retornar à sua terra.


Bilhete de Identidade

Escreve!
Sou árabe
e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;
tenho oito filhos
e o nono chegará no final do Verão.
Vais zangar-te?

Escreve!
Sou árabe.
Trabalho na pedreira
com os meus companheiros de infortúnio.
Arranco das rochas o pão,
as roupas e os livros
para os meus oito filhos.
Não mendigo caridade à tua porta,
nem me humilho nas tuas antecâmaras.
Vais zangar-te?

Escreve!
Sou árabe.
Sou um homem sem título.
Espero, paciente, num país
em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
foram enterradas antes do início dos tempos
antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido a erva.

O meu pai descende do arado,
e não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
sem honras nem títulos,
e ensinou-me o orgulho do sol
antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.

Escreve!
Sou árabe.
Roubaste os pomares dos meus antepassados
e a terra que eu cultivava com os meus filhos;
não me deixaste nada,
apenas estas rochas;
O governo vai tirar-me as rochas,
como me disseram?

Escreve, então,
no cimo da primeira página:
a ninguém odeio, a ninguém roubo.
Mas, se tiver fome,
devorarei a carne do usurpador.
Tem cuidado!
Cuidado com a minha fome,
Cuidado com a minha ira!

Mahmud Darwich

بطاقة هوية


!سجِّل

أنا عربي

ورقمُ بطاقتي خمسونَ ألفْ

وأطفالي ثمانيةٌ

!وتاسعهُم.. سيأتي بعدَ صيفْ

فهلْ تغضبْ؟

!سجِّلْ


أنا عربي

وأعملُ مع رفاقِ الكدحِ في محجرْ

وأطفالي ثمانيةٌ

أسلُّ لهمْ رغيفَ الخبزِ،

والأثوابَ والدفترْ

من الصخرِ

و لا أتوسَّلُ الصدقاتِ من بابِكْ

ولا أصغرْ

أعتابكْ أمامَ بلاطِ

فهل تغضب؟


!سجل

أنا عربي

لقبِ أنا إسمٌ بلا

صبورٌ في بلادٍ كلُّ ما فيها

يعيشُ بفورةِ الغضبِ

...جذوري

قبلَ ميلادِ الزمانِ رستْ

وقبلَ تفتّحِ الحقبِ

وقبلَ السّروِ والزيتونِ

وقبلَ ترعرعِ العشبِ

أبي... من أسرةِ المحراثِ

لا من سادةٍ نجبِ

وجدّي كانَ فلاحاً

بلا حسبٍ.. ولا نسبِ

يعلّمني شموخَ الشمسِ قبلَ قراءةِ الكتبِ

وبيتي كوخُ ناطورٍ

منَ الأعوادِ والقصبِ

فهل ترضيكَ منزلتي؟

!أنا إسمٌ بلا لقبِ


!سجل

أنا عربي

ولونُ الشعرِ.. فحميٌّ

ولونُ العينِ.. بنيٌّ

:وميزاتي

على رأسي عقالٌ فوقَ كوفيّه

وكفّي صلبةٌ كالصخرِ

تخمشُ من يلامسَها

:وعنواني

أنا من قريةٍ عزلاءَ منسيّهْ

شوارعُها بلا أسماء

وكلُّ رجالها في الحقلِ والمحجرْ

فهل تغضبْ؟


سجِّل

أنا عربي

سلبتَ كرومَ أجدادي

وأرضاً كنتُ أفلحُها

أنا وجميعُ أولادي

ولم تتركْ لنا... ولكلِّ أحفادي

...سوى هذي الصخورِ

فهل ستأخذُها حكومتكمْ.. كما قيلا!؟

! إذن!

سجِّل.. برأسِ الصفحةِ الأولى

أنا لا أكرهُ الناسَ

ولا أسطو على أحدٍ

ولكنّي... إذا ما جعتُ

آكلُ لحمَ مغتصبي

حذارِ.. حذارِ.. من جوعي

!! ومن غضبي


محمود درويش


Em Portugal, a editora Campo das Letras publicou em 2002 o livro "O Jardim Adormecido e Outros Poemas", com selecção e tradução de Albano Martins. Os poemas deste livro foram extraídos dos volumes "La terre nous est étroite et autres poèmes" (antologia organizada pelo próprio poeta, antecedida de um prefácio inédito do autor, publicada, em 2000, pela editora Gallimard), "Plus rares sont les roses" (Les Éditions de Minuit, 1989) e "Poèmes palestiniens" (Les Éditions du Cerf, 1989).

sábado, 4 de outubro de 2008

Sugestões para os próximos dias


8 de Outubro (quarta-feira):

PORTO – Reitoria da Universidade do Porto
Dia 8 de Outubro, pelas 21h30, no Edifício da Reitoria:
Concerto de Clara Ghimel, compositora e cantora brasileira, sobre poemas de Ana Luísa Amaral, que também lerá a sua poesia.


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9 de Outubro (quinta-feira):

LISBOA – Café Martinho da Arcada
Convívios Poéticos do Círculo Nacional d'Arte e Poesia
Até 27/12/2008
Todas as quintas, das 16h às 18h
Informações Úteis: 213 973 717
No Café Martinho da Arcada (Pç. do Comércio, 3)




LISBOA – Museu da Ciência
No dia 9 de Outubro irá realizar-se o lançamento do livro de poesia de Paulo Teixeira Pinto, "LXXXI (Poema Teorema)", editado pela Caderno, às 18h30, no Laboratório Chimico do Museu da Ciência, em Lisboa.
A apresentação do livro estará a cargo de António Emiliano e Vasco Graça-Moura.
A sessão de lançamento inclui a leitura de poemas do livro por Mário Crespo, Nicolau Santos e Pedro Abrunhosa.
LXXXI (Poema Teorema) reúne 99 poemas escritos por Paulo Teixeira Pinto durante a última década, agrupados por áreas temáticas e inspirados na natureza humana.

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10 de Outubro (sexta-feira):

LISBOA – Livraria Trama
No próximo dia 10 de Outubro, vai ter lugar na Livraria Trama uma sessão de apresentação, a partir das 21:30h, onde serão apresentados a revista de literatura "Sulscrito" n.º2, o livro de poesia "ainda aqui este lugar" de Pedro Afonso e a editora 4águas.

O livro "ainda aqui este lugar" será apresentado por Inês Ramos.

A revista "Sulscrito" será apresentada por Pedro Afonso.

Fernando Esteves Pinto apresentará a Editora 4águas.

A Livraria Trama fica Rua São Filipe Nery, nº 25B, em Lisboa.


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11 de Outubro (sábado):

PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 11 de Outubro, no Auditório do Clube Literário do Porto, pelas 17 horas:
Filipa Leal apresenta O Guindaste Branco espalha as suas asas, do poeta inglês Lawrence Pettener, com leitura e tradução portuguesa de Filipa Leal, dos poemas do escritor.
Lawrence Pettener vive em Bristol, mas costuma identificar-se como sendo “Irlandês de Liverpool”. A sua poesia está traduzida em várias línguas europeias e tem feito leituras em cidades como Berlim, Liubliana e Amesterdão. Licenciado em Literatura inglesa e Mestre em Escrita Criativa, tem trabalhado como revisor em publicações periódicas e textos literários. Na primeira visita ao Porto, Lawrence Pettener promete fazer uma leitura dos seus poemas não só em inglês mas também em irlandês gaélico.
Filipa Leal nasceu no Porto. Formada em Jornalismo, é Mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros. Publicou «lua-polaroid», «Talvez os Lírios Compreendam», «A Cidade Líquida e Outras Texturas» e «O Problema de Ser Norte». Tem participado em vários Encontros de Poesia, nomeadamente na Galiza, em Pisa, Zagreb e Bristol. Integra, desde 2004, os Seminários de Tradução Colectiva de Poesia Viva da Fundação da Casa de Mateus.


LISBOA – Livraria Bulhosa de Entrecampos
Lançamento do Livro
“Sobre Fio de Lume”
De Luís Soares Barbosa
Cosmorama Edições
Apresentação de José Tolentino Mendonça



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12 de Outubro (domingo):

LISBOA - Auditório do Clube GBES
No dia 11 de Outubro, vai ter lugar no Auditório do Clube GBES (R. D. Luis I, 27 – Santos, em Lisboa), pelas 15,30h uma Sessão de Poesia - Angola e a Lusofonia.
Coordenação de: Maria de Lurdes Esteves
Participação de: Eleutério Sanches (professor, poeta, compositor e pintor).
Maria Dinah (locutora e jornalista) e dos elementos do Grupo de Jograis "U...Tópico" António Freire e Manuel Diogo.

Hoje, na Póvoa de Varzim

Vai realizar-se hoje, 4 de Outubro, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim Rocha Peixoto, o lançamento da 2ª edição do livro “Calmarias e Tufões” de Bernardino da Ponte (1842-1917), com organização, introdução e notas de Manuel Gomes da Torre.

Aurelino Costa participará na sessão com leitura de poemas.

A primeira edição de "Calmarias e Tufões" data de 1917, tendo sido publicada cerca de meio ano após o falecimento de Bernardino Gomes da Ponte por iniciativa de Admário Ferreira, poeta, jornalista, bibliógrafo e livreiro, que dedicou a sua vida à actividade livreira e à poesia.

Lugar aos Outros no Estúdio Raposa

Acaba de ser actualizado o espaço Lugar aos Outros do "Estúdio Raposa" (audioblogue do locutor Luís Gaspar), onde se pode ouvir poesia de Natália Bonito, aqui.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Leitura mundial de Mahmud Darwich

O Festival Internacional de Literatura de Berlim apelou à leitura mundial de poemas de Mahmud Darwich
no próximo domingo, 5 de Outubro de 2008.
Estas manifestações prestam homenagem, não só à obra do poeta recentemente falecido, mas também à sua luta pela coexistência pacífica entre árabes e israelitas.
O apelo foi lançado a instituições culturais, estações de rádio, escolas, universidades, teatros e outras entidades, à escala mundial.
Assim, estão já previstas, um pouco por todo o mundo, sessões públicas de leitura de poemas de Darwich, em iniciativas organizadas por várias entidades.
Também aqui o leremos, em silêncio.

Dinis Machado (1930-2008)

Dinis Machado morreu hoje, dia 3 de Outubro.
Foi jornalista, escritor, crítico de cinema, editor da revista de banda desenhada Tintin e, também, poeta.
Organizou os primeiros ciclos de cinema da Casa da Imprensa, nos anos 60, e publicou críticas na revista Filme.
Também escreveu poesia e publicou três romances policiais sob o pseudónimo Dennis McShade “Mão direita do Diabo” (1967), “Requiem para D. Quixote” (1967) e “Mulher e arma com guitarra espanhola” (1968).
O seu maior sucesso literário, “O que diz Molero” (1977), foi reeditado em 2007, e está traduzido para alemão, búlgaro, castelhano e romeno.
Autor também de “Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez” (1984), “Reduto quase final” (1989) e de “Gráfico de vendas com orquídea” (1999).

Soneto para Cesário

Se te encontrasse, agora, na paisagem
nocturna dos fantasmas da cidade,
contava-te dos nossos pobres versos
no teu rasto de sombra e claridade

Contava-te do frio que há em medir
a distância entre as mãos e as estrelas,
com lágrimas de pedra nos sapatos
e um cansaço impossível de escondê-las

Contava-te – sei lá! – desta rotina
de embalarmos a morte nas paredes,
de tecermos o destino nas valetas

De uma história de luas e de esquinas,
com retratos e flores da madrugada
a boiarem na água das sarjetas.

Dinis Machado

Palavreando em Odivelas

Vai realizar-se hoje, 3 de Outubro, mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.

Feira do Livro Manuseado na Praça da Figueira


Está a decorrer a VIII Feira do Livro Manuseado, na Praça da Figueira, em Lisboa.
Diariamente, das 9 às 20 horas, e até ao dia 18 de Outubro, estão disponíveis milhares de títulos de diferentes géneros a preços muito reduzidos.
São restos de stocks, fins de edição, promoções, saldos, livros com deficiente apresentação mas com conteúdo intocável, alguns, edições já raras.

Alguns exemplos (Poesia):
- Os Lusíadas, Editorial Minerva: 5 euros
- Antologia da Poesia Espanhola das Origens ao Século XIX, Assírio & Alvim: 10 euros
- As Palavras das Cantigas, de Ary dos Santos, Editorial Avante: 8,76 euros
- Poesias, de Fernando Pessoa, Nova Ática: 8,50 euros

El derecho de vivir en paz

El derecho de vivir
poeta Ho Chi Minh,
que golpea de Vietnam
a toda la humanidad.
Ningún cañón borrará
el surco de tu arrozal.
El derecho de vivir en paz.

Indochina es el lugar
mas allá del ancho mar,
donde revientan la flor
con genocidio y napalm.
La luna es una explosión
que funde todo el clamor.
El derecho de vivir en paz.

Tío Ho, nuestra canción
es fuego de puro amor,
es palomo palomar
olivo de olivar.
Es el canto universal
cadena que hará triunfar,
el derecho de vivir en paz.

Víctor Jara
Chile
(28/9/1932-16/9/1973)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

disrupção/disruption de Jorge Melícias



Com o título “disruption” foram traduzidos num único volume, nos Estados Unidos, pela durationpress três livros de poesia de Jorge Melícias ("A Luz nos Pulmões, "Incubus" e "A Longa Blasfémia"), com tradução para inglês por Brian Strang e Elisa Brasil.


It's a beautiful and disturbingly vivid work translated from Portuguese by myself and Elisa Brasil. A preface to his poetry is included.
Brian Strang


Jorge Melícias nasceu em 1970. Publicou "Ahagahe" (A Mar Arte, 1994), "A Um Deus De Olhos De Graça" (A Mar Arte, 1995), "O Tempo de Foaron" (A Mar Arte, 1998), "Iniciação ao Remorso" (A Mar Arte, 1998), "A Luz Dos Pulmões" (Quasi Edições, 2000), "O Dom Circunscrito" (Quasi Edições, 2003), "Incubus" (Quasi Edições, 2004) e “A Longa Blasfémia” (Objecto Cardíaco, 2006).
Tem poemas publicados no Brasil e traduzidos para inglês, espanhol e servo-croata.
Traduziu, entre outros, Saint-John Perse, Leopoldo María Panero e António Gamoneda.
O "durationpress", é um dos sites literários mais prestigiados e visitados dos Estados Unidos com trabalhos editados de grandes nomes da poesia americana contemporânea (Charles Berstein, Bob Perelman, Michael Basinski, Coral Bracho (poeta mexicana), Norma Cole, Michael Palmer, entre outros).

Prémio Eduardo Lourenço 2008 para Ángel Campos Pámpano

O poeta e tradutor espanhol Ángel Campos Pámpano é o vencedor da quarta edição do Prémio Eduardo Lourenço atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos (com sede na Guarda), que distingue “personalidades ou instituições, de língua portuguesa ou espanhola que tenham sido protagonistas de uma intervenção relevante e inovadora no âmbito da cooperação e no domínio das identidades, das culturas e das comunidades ibéricas".
Ángel Campos Pámpano (editor da revista de literatura "Espacio/Espaço", escrita em português e espanhol) ganha este prémio como reconhecimento dos seus méritos como escritor, tradutor, crítico e estudiosos das obras de autores portugueses. Traduziu autores como José Saramago, António Ramos Rosa, Mário de Sá-Carneiro, Al Berto, Fernando Pessoa, Mário Neves, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade e Ruy Belo.
A sessão solene de entrega do prémio terá lugar no próximo dia 27 de Novembro, na Guarda.
As três anteriores edições do Prémio Eduardo Lourenço galardoaram Maria Helena da Rocha Pereira, Agustín Remesal e a pianista Maria João Pires.

Novidades 4águas



Doze Poemas de Saudade

Fernando Cabrita
Poesia

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Nobel Ópera

Os poetas Seamus Heaney e Derek Walcott, ambos Prémio Nobel da Literatura, colaboraram com a compositora caribiana Dominique Le Gendre (e o maestro Peter Manning) numa nova ópera “The Burial at Thebes” inspirada em "Antígona", de Sófocles.
Pela primeira vez na sua carreira, Seamus Heaney autorizou uma aproximação de um trabalho seu à ópera.
Com a direcção de Derek Walcott, pela primeira vez na História, os dois Prémio Nobel (e também amigos) trabalham juntos num espectáculo ao vivo. Seamus Heaney é o autor do texto poético que serve de libreto a «The Burial at Thebes».
A estreia mundial está prevista para 11 de Outubro em Londres (Shakespeare’s Globe), seguida de uma turné nacional.
Derek Alton Walcott (nascido 1930) ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1992.
Seamus Justin Heaney (nascido em 1939) ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1995.
Mais informações, aqui.

Não faltem!




No próximo dia 10 de Outubro, os poetas do Algarve vêm a Lisboa para uma sessão de apresentação na Livraria Trama.
Assim, a partir das 21:30h, serão apresentados a revista de literatura "Sulscrito" n.º2, o livro de poesia "ainda aqui este lugar" de Pedro Afonso e a editora 4águas.


O livro "ainda aqui este lugar" será apresentado por Inês Ramos.
A revista "Sulscrito" será apresentada por Pedro Afonso.
Fernando Esteves Pinto apresentará a Editora 4águas.

A Livraria Trama fica Rua São Filipe Nery, nº 25B, em Lisboa.

Conto convosco!

Pedro Afonso nasceu em Faro, em 1979.
É um dos membros fundadores do Sulscrito, Círculo Literário do Algarve e faz parte da direcção editorial da revista de literatura Sulscrito.
É autor do blog “a pedra”.
Publicações:
- Representado na Antologia de Novos Poetas Algarvios – Do Solo ao Sul, Faro, Dezembro de 2005, ARCA.
- Representado e traduzido para castelhano na Antologia de Poesia Portuguesa Actual – Poema Poema, Revista de Poesia Aullido nº 15, Punta Úmbria, Huelva 2006.
- Representado na Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Editora Exodus, Fevereiro de 2008.
- Publicou poesia em algumas revistas de Portugal, Espanha e México.