segunda-feira, 12 de julho de 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Nada se sabe das Profundezas
Sandra Costa (poemas) / Paulo Gaspar Ferreira (fotografias)
in-libris, 2003
#3
talvez esta seja a textura dos dias
que se aproximam das profundezas:
a agitação sob a luz nada revela
e criam-se estratificações nebulosas
junto ao olhar como se a inquietude
- a água - fosse o único ritual
capaz de criar o mundo.
domingo, 11 de julho de 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

cabeças
Pedro Marqués de Armas
Tradução de Jorge Melícias
Cosmorama, 2007
Se o céu
pelo seu olho tenaz
te fita
esconde os teus
sob a pedra pomes
e cava
como a toupeira
um buraco.
Pelo
subsolo da mente sim
chega-se longe
outros tronos de lenha
onde a máquina falha
Mas refundir essa falha
já não resulta
saindo da caverna
para o sol
Se o céu
pelo seu olho tenaz
te fita
sábado, 10 de julho de 2010
Outras sugestões para os próximos dias
12 de Julho (segunda-feira):
TORRES VEDRAS – Livraria Livrododia
No dia 12 de Julho, a Livraria Livrododia celebra o 5º aniversário. Nesta comemoração terá lugar, pelas 18 horas, o lançamento da revista Sítio nº6 (direcção de Luís Filipe Cristóvão e selecção de textos de manuel a. domingos). Autores: E. Ethelbert Miller, bruno béu, Rui Almeida, Rute Mota, Susana Miguel, Jorge Vaz Nande, Rui Manuel Amaral, Sandra g.d., Paulo Rodrigues Ferreira, Paulo Kellerman, Henrique Manuel Bento Fialho e João Camilo.
Livraria Livrododia: Praça Machado Santos, nº 1 a 4 R/c - Torres Vedras.
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14 de Julho (quarta-feira):
BARCELOS – Feira do Livro
Lançamento da Antologia “Os 7 Pecados Capitais” no dia 14 de Julho, na Feira do Livro de Barcelos, pelas 21h30.
Esta Antologia é uma iniciativa do portal BlogTok.com onde estão representados autores de Portugal, Brasil, E.U.A., França, China/Tailândia e Angola.
Mais informações aqui: http://www.7pecados.blogtok.com
PORTO - Bar Livraria Labirintho
Dia 14, às 21h30, no Labirintho Bar, mais uma “Noite de Poemia”, com o livro “Bordar a Vida”, de Celeste Pereira, com a chancela EDITA-ME.
Danyel Guerra fará as apresentações do livro e da autora.
As leituras estarão a cargo de José Carlos Tinoco, de Ruth Ministro, e da própria Celeste Pereira.
A sessão terá acompanhamento musical pelo pianista Pedro Lopes.
No final, a autora estará disponível para autógrafos.
Labirintho: Rua N. Sra. de Fátima, n.º 334 – Porto
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15 de Julho (quinta-feira):
OLHÃO – Biblioteca Municipal
Dia 15 de Julho, pelas 18H00, vai ter lugar na Biblioteca Municipal de Olhão a apresentação do livro de poesia “Área Afectada” de Fernando Esteves Pinto.
Apresentação: Miguel Godinho
Leituras de poemas: Ana Manjua
LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Os poetas brasileiros Geraldo Carneiro e Salgado Maranhão vão apresentar o manifesto OS DESMANDAMENTOS numa conversa informal que terá lugar na Casa Fernando Pessoa, dia 15 de Julho, às 18h30.
Geraldo Carneiro e Salgado Maranhão escreveram o manifesto OS DESMANDAMENTOS "contra a banalização da poesia, defendendo o ressurgimento da poesia como prioridade literária, sem demagogia".
Na Casa Fernando Pessoa os poetas irão ler o manifesto e levantarão muitas questões polémicas válidas no Brasil e em Portugal. Uma conversa à volta da poesia onde não faltarão referências a poetas portugueses, como Luiz de Camões ou Fernando Pessoa.
Casa Fernando Pessoa: R. Coelho da Rocha, 16 – Lisboa.
PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 15 de Julho, no Clube Literário do Porto:
22H00: Poesia de Choque (tertúlia mensal de poesia).
A. Pedro Ribeiro e Luís Carvalho.
Participação da banda Bella Damião.
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 – Porto.
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16 de Julho (sexta-feira):
CASCAIS - Biblioteca Municipal
No dia 16 de Julho, pelas 21H30, terá lugar mais uma sessão Noites Com Poemas: Os Poetas da Apenas e Alguns Amigos.
Esta 55.ª sessão terá o seguinte alinhamento:
• Apresentação do livro "Apenas Alguns Poemas de Cordel", de Jorge Castro (edição Apenas Livros);
• Concerto de acordeão por João Ricardo Ferreira Bernardino;
• Grupo Dança Yôga (coreografia de um poema): António José Fróis Rafael Ferreira e Maria Manuela Marques Soares;
• Jograis do Canto Sénior das Caldas da Rainha: António Eduardo Silva Moreira, António Júlio Santos Pereira, Berta Santos Pinto Moniz Barreto, José Martinho Rodrigues Correia, Maria Manuela Jesus Monteiro, Maria Manuela T. A. Veríssimo Afonso, Maria Natália Leonardo Nunes, Maria Salomé Nascimento Alferes, Mário Alberto Veríssimo Afonso e Mário Bernardo Reis Capinha;
• Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha: Palmira da Silva Marques Ferreira Gaspar e Carlos Alberto Ferreira Gaspar;
• Recital de poesia por: Carlos Peres Feio, David José Silva, Estefânia Estevens, Francisco José Lampreia, João Baptista Coelho, Edite Gil, Francisco Félix Machado, Maria Francília Pinheiro.
Na Biblioteca Municipal de Cascais - S. Domingos de Rana.
FAFE - Biblioteca Municipal
Apresentação do livro Poesia Soviética Russa – Século XIX e XX, com selecção, organização e tradução de José Sampaio Marinho (editora Labirinto), no dia 16 de Julho pelas 21H30, na Biblioteca Municipal de Fafe.
A obra será apresentada pelo jornalista José Milhazes, autor do prefácio.
LISBOA - Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
Apresentação do segundo livro de poesia das Edições Artefacto:
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17 de Julho (sábado):
PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 17 de Julho, no Clube Literário do Porto:
18h00: Portugal Poético (tertúlia mensal de poesia).
Tema livre
Org.: Rui Fonseca
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 – Porto.
LISBOA – Bar A Barraca
Lançamento do livro “O Taberneiro” de Miguel Martins (Edição Poesia Incompleta) no dia 17 de Julho, pelas 18H30, no Bar d’A Barraca (Largo de Santos, Lisboa).
Apresentação pelo poeta Rui Caeiro.
CAMINHA – Botica das Carlotas
No dia 17 de Julho, vai ter lugar em Caminha, pelas 21H45, a apresentação dos livros “Pin – uma explicação de Ternura” de Luísa Azevedo e “Escolhas” de Pedro Branco (edições Edita-Me).
O evento ocorrerá na Botica das Carlotas, Rua Benemérito Joaquim Rosas, nº 90 e haverá leitura de textos dos livros e a participação musical do músico/autor Pedro Branco.
BRAGA - Livraria Centésima Página
Sessão de Autógrafos e Apresentação do livro “Ao Pé das Palavras”, de Helder Ramos (edição Papiro Editora) no dia 17 de Julho, pelas 17H00 na Livraria Centésima Página.
Livraria 100ª Página: Casa Rolão Av. Central, 118/120 - Braga
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18 de Julho (domingo):
PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 18 de Julho, no Piano bar do Clube Literário do Porto, pelas 17h00: Musicalidade Poética 3 e Lançamento do livro de poesia “As sombras”, de José M. Silva.
Convidados: Marília Miranda, voz e guitarra; Trindas, baixo; Paulo Pelotas, bateria; Luís Novo, guitarra (da banda Croquis)
Diseuses: Manuela Leitão e Maria Emília Pinheiro.
Org.: José M. Silva
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 – Porto.
Novidades Cativa

Poemas do Banco de Trás
Rui Dias Simão
Edições CATIVA, Maio 2010
Quando inclino o corpo para a lentidão
redonda dos teus seios, vejo atentamente
que ainda não respiro o futuro.Sabes,
o pólen cai na boca dos que abrem
o silêncio. Sobra talvez uma fuligem em
cada pulso, levanta-se um leve vento,
mas os dias animados sequer encolhem
quando enlouqueces com as tuas baças
unhas amarelas...
Não é assim a casa desta manhã quando
os pintassilgos folheiam os cardos, e a cama
é devagar ao lado duma fogueira desmaiada.
As cabeças estremecem um pouco no
regresso do sol das dunas, há um navio
que deambula ainda no corpo, na exígua
memória duma guitarra e outras cordas e peixes.
Sim, alguém se debruça para dentro de nós,
quer sacudir a profunda alegria de sermos
uma realidade com sonho aberto...
Todavia temos os castelos que inventámos
após o murmúrio dos pinheiros altos, onde
guardámos as amoras, os medronhos
secos. Bebemos agora a água que resta
doutro vinho, proclamamos a prenhe volição,
a visceral palavra, e embora com uma ramela
a descansar em qualquer labirinto disponível
somos um carrossel de emoções descobrindo
aquilo que pressagiámos durante a vária
areia. Inclinamos o corpo e vemos atentamente
que ainda não respiramos o futuro...
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

O Que Dói Às Aves
Alice Vieira
Editorial Caminho, 2009
Tenho tantas palavras para te dizer nesta manhã
em que outros se esqueceram definitivamente de mim
e penso no teu silêncio esperando-me
e é como se as dissesse ainda para ti
e envolvesse cada sílaba na hesitação do teu andar
e entregasse ainda à tua boca o sal das dunas onde
me ensinaste um dia a esperar
por tudo o que chega fora de horas
porque esse iria ser sempre.....assim o repetias
o meu destino
mas as palavras desta manhã têm
diferentes contornos
e aquele estranho sabor
de um corpo que se afasta de nós
nas inexplicáveis névoas de agosto anunciado
o inverno para dali a pouco
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Foi há...
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

INDIGESTA
Siracusa Bravo Guerrero
Cuaderno Caníbal nº 0
Cangrejo Pistolero Ediciones, 2009
ADVERTENCIA:
A la próxima
voy a descoyuntarme el cuello,
a retorcerlo,
hasta que caiga y ruede mi cabeza
lo más lejos posible
para no ver de nuevo
cómo metes el dedo
de ventrículo en aurícula
y de aurícula en ventrículo.
Supongo
que despachurrar el corazón
de una decapitada
no tendrá la misma gracia.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Venham daí esses poemas!

Caros etéreos,
Desta vez, o desafio é que enviem poemas sobre "memórias". Haverá, para os primeiros 6 participantes que enviarem os seus poemas, um exemplar do livro Marcas ou memórias do Vento oferecido pela autora, Maria Paula Raposo.
Só serão aceites as participações que cumpram os seguintes requisitos:
• Envio, para o e-mail porosidade.eterea@gmail.com, de um (1) único poema até às 24H00 do dia 16 de Julho.
• Só será aceite um (1) e-mail por participante, caso contrário será considerado apenas o primeiro e-mail.
• Envio, no mesmo e-mail, da morada (completa) do participante.
• No caso de os participantes terem blogues ou sites que pretendam divulgar, poderão incluir no mesmo e-mail, um (1) único link.
• No caso de participantes que morem fora de Portugal, o envio (portes) do livro será pago pelo participante, à cobrança.
As participações que não respeitem todos estes requisitos serão anuladas e passarão a vez ao participante seguinte.
Os poemas serão publicados neste blogue, em princípio, uma semana após o fecho da recepção das participações.
O locutor Luís Gaspar gravará um dos poemas participantes para inclusão num programa do Estúdio Raposa.
Boa inspiração!
O Pátio Bar fica no espaço ao ar livre da Livraria Pátio de Letras: Rua Dr. Cândido Guerreiro, 28, em Faro.Mais logo, na RTP1

Hoje, 8 de Julho, a Andante interpreta 3 poemas de Manuel da Fonseca no programa "Especial Alqueva" que passa na RTP 1, entre as 12H00 e as 13H00.
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Marthiya de Abdel Hamid
Segundo Alberto Pimenta
&etc, 2005
É claro que
A memória
Não ressuscita
E o esquecimento
Não dá paz.
A alguns
Mandaram abrir uma cova
E deitar-se dentro.
Mas quando
Entre o verde
Do horto de palmeiras
Na margem do rio
Se virem apenas
Como no leque do pavão
O olhos das tâmaras,
E não houver
Tanques de guerra
Assestados a espreitar,
Nem um só,
Os mortos,
Reconciliados,
Poderão passear
Como dantes
No vento
Que passa,
E refrescar-nos
Assim os olhos.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
PAN 8
PAN 8Encontro e Festival da Poesia e das Artes em Meio Rural
Morille (Salamanca) 9, 10 e 11 de Julho 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Daralhorra
Maria Victoria Atencia
Suplemento "Pliegos de Vez en Cuando" nº7, 1990
La Llave
Me despoja de mí el silencio en las torres
que una llave de piedra o de plata me abren,
y a las veras del agua se desnuda de aljófar
y nácar la nostalgia. Deja escurrir el mirto
una gota de aroma que sacude a la alberca.
Puedo ungirme las yemas para dar luz a un ciego.
Discurro con la noche. Los cipreses se alzan.
Soy el vacío ya. Ni una voz me sostiene.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

LUCIDEZ DESNECESSÁRIA
Diante das estrelas
E do Sol
Sabendo a morte
E a vida aranha
Disconforme
E concordante
Pronta a parar na teia
Envelheci
Mas posso olhar ainda
Ainda
Cravos de sangue e rosas da estrada
Como se eterna fosse
Mas tão tarde.
(foto daqui, a acompanhar resumo biográfico)
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Estranha Condição
António Salvado
Revista «Estudos de Castelo Branco», 1977
Ogiva
De par em par a porta da janela:
a distensão do tecto, a morta ogiva:
o mundo que lá fora imenso grita
na raiva consentida: o coro, a letra.
Vento suão da fome, da submersa
rixa das coisas: a charneca seca.
O azul da esperança, o limitado nilo
por entre a confusão, o desafio...
E os passos que se evolam na distância
como ruídos soltos: passadeira
até ao outro lado; almas sem corpo,
corpos sem alma: o grude, o esforço, areia
batida e rebatida nesta mansa
praia de encontro a desvendar o sopro.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Obra Poética
Afonso Duarte
Iniciativas Editoriais, 1956
Invernia
Aos destinos do Céu cai chuva e bruma:
Trá-las um vento ríspido da Barra!
E é uma praga, meu Deus, se o tempo agarra,
Miséria e dor, se a chuva não arruma!
Pelo ar vão núncios tristes de cegonhas:
Fantasma e agoiro aos arrepios torvos!
Baixam à Terra, atlântidas medonhas,
As grandes nuvens negras como corvos.
Meu Deus! Nem grão, nem palha nos moroiços!
O aol arranca em lívidos desmaios
E o vento põe meu coração aos dobres.
E os aldeões, as vozes rudes, oiço-os
A insultos bárbaros à Vida: Raios!
Com tempo assim o que há-de ser dos pobres...
domingo, 4 de julho de 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Monte Maior sobre o Mondego
Xavier Zarco
Temas Originais, 2010
Menção Honrosa (Poesia) Prémio Literário Afonso Duarte - 2003/04
Primeira Faixa Ondada
FERNÃO MENDES PINTO
Nas mãos,
toma o próprio destino.
Há,
ao longe,
um mundo e outro mundo
se abre no olhar.
Viandante,
não de sandálias
por pó urdidas,
mas de arestas do sonho
a oiro traçadas.
Não de cajado
sob o peso da amargura,
mas de hirto ensejo
de demandar para além,
para lá da raiz
da própria distância.
sábado, 3 de julho de 2010
Leitura, Literatura Infantil e Ilustração
Realizam-se na Universidade do Minho em Braga, os Encontros Li:Dia 8 de Julho, 17h00-20h00 – Workshop pré-encontro Li; Inferências e compreensão de textos; Práticas no âmbito da Compreensão da Leitura
Dias 9 e 10 de Julho - 8º Encontro Nacional; 6º Internacional de Investigação em Leitura, Literatura Infantil & Ilustração.
No dia 9 de Julho, a sessão de abertura dos Encontros Li, contará com a presença de Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, em representação do PNL e da Ministra da Educação, Isabel Alçada.
Mais informações: http://encontrosli.wordpress.com
Destaque (retirado do Programa):
Sexta-feira, 9 de Julho, 11H00 - Mesa Literatura Infantil e Ilustração (Moderadora: Sara Silva):
Fernando Pessoa para Crianças: Poesia, Biografia e Ilustração
Por Conceição Pereira, da Universidade de Lisboa.
Outras sugestões para os próximos dias
5 de Julho (segunda-feira):
MONTIJO - Estabelecimento Prisional
Dia 5 Julho, a Andante leva o espectáculo "A palavra cativa" ao Estabelecimento Prisional de Montijo, pelas 10H00.
Textos de Alexandre O'Neill, António Aleixo, António Gedeão, António Jacinto, Bertold Brecht, Chimo, Clarice Lispector, Fiodor Dostoievski, Jorge de Sena, José Saramago, Luís de Camões, M.M.q.N. & Urano Falcão, Mário Fonseca, Mia Couto, Nazim Hikmet, Oscar Wilde, Sérgio Godinho e Vladimir Maiakovski.
Espectáculo integrado no programa Leitura sem fronteiras da DGLB, concebido a pedido do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais.
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6 de Julho (terça-feira):
LINHÓ - Estabelecimento Prisional
Dia 6 Julho, a Andante leva o espectáculo "A palavra cativa" ao Estabelecimento Prisional do Linhó, pelas 15H00.
FARO - Draculea Café Bar
No dia 6 de Julho, vai ter lugar no Draculea Café Bar mais uma noite de Poesia, a partir das 23H00. Com oferta do livro "Monte Maior Sobre o Mondego" de Xavier Zarco.
DRACULEA Café Bar: Rua Dr. Rodrigues Davim, 44 - Faro.
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7 de Julho (quarta-feira):
LEIRIA - Estabelecimento Prisional
Dia 7 Julho, a Andante leva o espectáculo "A palavra cativa" ao Estabelecimento Prisional de Leiria, pelas 15H00.
PORTO - Bar Livraria Labirintho
Dia 7 de Julho, pelas 21H30, no Labirintho: A poesia não é chata, mas deve ser XaTa.
Xana Miranda e Tânia Dinis vão fazer mais uma apresentação do XATA na "Noite de Poemia" do Labirintho, numa homenagem ao Verão, com poemas de Sol e Mar de Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Florbela Espanca, Alberto Caeiro, Vinicius de Moraes e Manuel Alegre.
Labirintho: Rua N. Sra. de Fátima, n.º 334 – Porto
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8 de Julho (quinta-feira):
PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 8 de Julho, no Piano bar do Clube Literário do Porto, pelas 22H00: Pessoa entre pessoas
Intervenientes: tozeguitarras (guitarra); Marlene Ribeiro (voz); Manuela Leitão (diseur); Susana Castelo (poema teatralizado).
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 - Porto.
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9 de Julho (sexta-feira):
CAXIAS - Estabelecimento Prisional
Dia 9 Julho, a Andante leva o espectáculo "A palavra cativa" ao Estabelecimento Prisional de Caxias, pelas 14H30.
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10 de Julho (sábado):
LINDA-A-VELHA – Palácio dos Aciprestes
Apresentação do Livro “Aquilégia 1” (autores: Filomena Fonseca, Julião Bernardes, Maria Natália Miranda, Ofélia Bomba e Tereza Moura Guedes), no dia 10 de Julho pelas 16H30, no Palácio dos Aciprestes (Fundação Marquês de Pombal, Av. de Tomás Ribeiro nº 18, em Linda-A-Velha).
Apresentação por Annabela Rita.
LISBOA – Auditório do Campo Grande
Apresentação conjunta dos livros de Poesia e Contos Eróticos “rio que corre indiferente” de Nuno Guimarães e “Desafios em fusão” de Anna Ruta e Rui Reis (edições Temas Originais) no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no dia 10 de Julho, pelas 15H30.Obras e autores serão apresentados por Ana Margarida Cristo e Ângelo Vaz.
ÉVORA – Bibliocafé Intensidez
No dia 10 de Julho, vai ter lugar no Intensidez Bibliocafé, pelas 22H00, a Tertúlia Margarida Morgado... a poesia, a voz e o canto - Homenagem à mulher e à poeta, com gravação ao vivo.O Bibliocafé Intensidez, amigos e admiradores, homenageiam Margarida Morgado, poeta da cidade de Évora, numa atmosfera de tertúlia, leituras de poesia, música e afectos.
O Intensidez fica na Rua Escrivão da Câmara, 10, em Évora.
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

Caligraphia do Espanto
Ricardo Gil Soeiro
Edições Húmus, 2010
deixemos correr a chuva
as fotografias despidas de culpa,
o incessante crepitar do deserto.
o que existe para lá da nudez da ausência
só a nós nos diz respeito:
os lápis de colorir, o silêncio, a morte.
um mudo ardor consentido,
murmurando em surdina a ilíada,
uma e outra vez o desabrochar da lagoa.
só isto peço:
caminhar a teu lado,
munido de pétalas ilegíveis,
resgatando naufrágios em câmara lenta.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

O Som do Vermelho
Tríptico poético sobre pintura de Rogério Ribeiro
Amadeu Baptista
Campo das Letras, 2003
3. QUADROS PARA UMA EXPOSIÇÃO
não digo que o meu coração pulsa, digo
que pulso com o meu coração.
neste sentido, o que quer que faça,
surge de mim com a mesma acutilância
do que, comigo persistindo, expressa
a inquietação de quem, não tendo asas,
ousa voar, pintando. por um lado, vejo.
por outro lado, pinto. e tudo a que aspiro
é esta perturbação imperturbável
que vem da luz e o mundo transfigura,
sem que ignore, em qualquer momento,
que também surjo do mundo e nessa luz
evoluo, a questionar o mistério e o sortilégio
em que aqui chego, como um sintoma
de tudo o que existe no universo
e é, comigo, a expressão da ressonância
que viaja pelos tempos para todo o sempre
e pela variedade infinita se define. assim,
conquisto pela cor e pela luz
a doçura possível que enquadra
a tensão em que tudo coexiste
e como uma narração procede do amor
e em drama e invenção se manifesta
ocultamente, para que se entenda
a explicação da urgência, a relação suprema,
o contraponto entre a arte e a natureza,
a turbulência, a nitidez, o ofício.
falo, antes de mais, dessa energia
que as formas geométricas corporizam
e não são mais que figuras de nós mesmos
em permanente mudança, a fluir
no que se adivinha e pressente
onde as pulsões se juntam e concorrem
para melhor discernir a solidão, o medo,
a incontornável cronologia das várias circunstâncias
onde nos perdemos ou nos encontramos
como ascensão e queda, ou apurada
enunciação da ascese e do desejo.
pela memória assumo os pressupostos
do que o fio do novelo guarda em si
para que se não esqueça o caminho percorrido
e as suas qualidades, tantas vezes
cercado por negrume e asfixia, tantas vezes
tão próximo da ruína e do extermínio,
tantas vezes acossado pelo que acumula
vazio nos monturos, cadafalcos, forcas.
pela memória assumo a diligência
de averiguar o que é estrela fixa
e no ponto de fusão ao cosmos acrescenta
um lugar de partida e de chegada
a esta passagem para outra luz
onde a luz é um ímpeto e uma espera
implícita para quem sonha e reproduz
no voo um voo esplendoroso
e no desterro uma hipótese, ainda.
pela memória assumo quanto vi
e instaurou nos meus olhos a avidez
e o deslumbramento, pelo auge
das coisas e o seu abismo, pela marca
irredutível que as forças em presença
propagam sobre nós, ampliando
o carácter da obra, a sua estripe e alcance,
a sua dívida à dúvida estabelecida.
na oficina, milímetro a milímetro,
outro combate enfrento, como se
ao material da memória viesse acrescentar-se
uma presença física carregada
do que é em mim a génese de um destino
e o seu entendimento, uma estranheza
que só em algumas coisas reconheço,
seja um caderno branco ou um jogo de anilinas,
um cavalete ou um labirinto,
seja um livro por ler ou o escuro vão de escada
onde vou amontoando frascos, pincéis,
tubos de tintas, figuras mitológicas,
cubos, triângulos, panos coloridos.
eu sei que essa presença é como uma ilusão
e que toda a ilusão é uma traição
no exacto sentido em que o desvendamento
é sempre uma ocultação do que se mostra.
por isso a minha arte é este rosto
em que continuadamente convoco a invenção
e nó a nó a corda do desenho
é parte convulsiva do que digo
e vou acrescentando ao mais vulgar sentido,
por ser a parte pertinente desta história
em que a história se vai redefinindo
para que o clímax se atinja e a floração irrompa
sob a forma de um silêncio
que não é mais que um grito inexorável.
estou na linha de fogo, o mais das vezes.
e o que me sitia provém de um imaginário
em que o combate comum se apresenta
como um mito maior nas nossas vidas,
um arrepio que ferve e ruge ancestralmente,
um sonho que se inscreve noutro sonho,
formas e brilhos sempre irreversíveis,
a busca permanente e assumida
da paz nos dois lados da muralha,
a ênfase da partilha, a procura
de outra noite no que a noite
contém de indizível, ardente, impetuoso.
em cada fuga que na praia se prepara
e represento com cores fundamentais,
em cada corpo que intui a viagem
e ponho sobre a tela como aparição
explicitamente disponível
para o arrojo do voo e da ousadia,
por cada incógnita que a moldura circunscreve
com feixes de murmúrios e plenitude,
em cada quadro dentro de outro quadro
e a lenta irrealidade com que cito
a transcendência, o fascínio e a intimidade,
em cada abstracção, em cada névoa,
em cada perspectiva,
é o enigma que exprimo,
o dom de adivinhar,
a veemência com que somos errância e origem
na síntese possível
do eterno retorno da pintura
e a transfiguração subliminar.
por um lado, vejo. por outro lado,
pinto. e é como se tivesse
uma dupla pupila sob a reserva
que na alma levo,
vencendo assim um obstáculo e outro,
notando como a mão
a segurar o pincel
é potencialmente uma asa,
talvez precária,
talvez rudimentar,
mas não menos asa sobre o espaço
e a matéria,
enquanto sou um deus
castanho,
negro,
vermelho,
amarelo,
verde,
azul,
ou branco
a abrir janelas sobre o firmamento,
para que nos possamos ver,
dizer,
criar.







