quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Polishop


Hoje, 19 de Agosto, pelas 20H00 (hora local), vai ter lugar na Casa de Cultura de Punta Umbría (Espanha) uma apresentação do livro "Polishop" de Tiago Nené (Colecção Palabra Ibérica).

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Simbiose Telúrica de Fragmentos do Ser
Reflexos e Reflexões Poéticas
Manuel Madeira
POPSul, Julho 2010






In- definição do ser

Existir e saber que se existe é ter consciência
de si próprio e representa pelo menos dois seres dentro de um só
separados no entanto porque só um respira
e alimenta os dois sem os distinguir
por compartilharem o centro de um círculo encimando um triângulo
com linhas divergentes que às vezes convergem.

Para haver conhecimento do conhecimento de si,
é preciso que haja pelo menos dois pontos distintos
numa linha recta repleta de infinitos
constituídos na essência de probabilidades
susceptíveis de serem no futuro um facto consumado
que uma vez atingido parece determinado…

A consciência é um filtro computante
que computa e analisa os dados computados
através de fontes diversas que abastecem os circuitos
compostos de células especializadas no registo de vozes e conceitos
que outras decompõem em ideias e palavras
ou formas e conteúdos de valores aleatórios
tendentes a encontrar uma saída consistente.

A individualidade do ser tende a submeter-se
provavelmente à sociabilidade genérica
como o fluxo continuo provoca a inundação
ou o foco luminoso domina a escuridão.

Também «o ego surge como fundador solitário de si mesmo
ignorando o circuito solidário e gerador de que emergiu».

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Exposição bibliográfica de António Borges Coelho


Sob o título "Procurar a luz para ver as sombras", o Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, tem patente uma exposição bibliográfica dedicada a António Borges Coelho.
Nascido em 1928, em Trás-os-Montes, Borges Coelho conta, a par do seu vasto trabalho de Historiador, com vários obras literárias. É, aliás, a poesia que inaugura, em 1962, a sua bibliografia, com Roseira Verde, uma colectânea que reúne poemas escritos na prisão de Peniche, entre 1958 e 1960. Regressa à poesia com Ponte Submersa (Jogral, 1969), Fortaleza (Seara Nova, 1974), No Mar Oceano (Caminho, 1981) e Ao Rés da Terra (Caminho, 2002).
A exposição pode ser visitada até ao dia 26 de Setembro e o catálogo pode ser consultado on-line.


CHEGOU
O poema acompanhou ocasionalmente o autor na «estátua» a que foi submetido em Janeiro de 1960 após a fuga do Forte de Peniche. E deu-lhe força, a força da vida e da morte.
Durante a noite veio de surpresa
como um naco de céu que alguém derruba.
Tirei do ventre o vaso da pureza
fui pô-lo na varanda. Era a chuva!

Lembrava na calçada
o arrastar dos socos
pesados e roucos.
Ou a restolhada
que faz a azeitona
nos toldos de lona.

Que saudade, chuva!
Já sinto em liberdade o sonho.
já o ouço praiar.

Coração batia
a portas fechadas.
Eu bem no sentia
em grandes pancadas.
Chamava: — Poesia! —
À sua procura
o balde descia
o rosto queimado
eu já estendia
o balde furado
a boca vazia.
Vai neste entretanto
a chuva caía
em corpo sem manto
portas não havia.
Era só quebranto
de melancolia.

Pinga molha chuva de verão!
Abre regatos sobre os meus cabelos.
Na minha face pousa a tua mão
lava-me o suor dos pesadelos.

(Forte de Peniche, Setembro de 1959 / in No Mar Oceano)

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Tudo por Tudo
Fernando Aguiar
Escrituras, 2009







Se


se osculo se arranho se atendo
se forneço se faculto se clamasse
se induzo se produzo se pretendo
se clas
se.

se arranjo se fomento se nefasto
se encravo se respiro se torce
se eu perco se eu risco se eu pasto
se entor
se.

se ensino se cimento se inculpo
se entorno se entorto se parece
se arguto se minuto se desculpo
se apres
se.

se deprimo se imprimo se volteio
se borrifo se fulmino se precoce
se admiro se adquiro se permeio
se tos
se.

se defiro se arquivo se prevejo
se defendo se defino se falasse
se eu sou se eu dou se eu vejo
se achas
se.

se desleixo se assinalo se aflijo
se empenho se embalo se comece
se mantenho se pedalo se corrijo
se ces
se.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


O Poema Incompleto
Cristina Maria da Costa
Ardosia, 2005







XXIII

A palavra que habita em mim habita em mim...
Acampa no sobrolho do eu...

.....................................a que me sobra é a que me falta.

A palavra é a torre de babel do meu sentir

........................
desmorona-se
........................desfragmenta-se
para que eu revolva os destroços à procura dos alicerces do edifício do meu eu.


Habita em mim.

É o hábito do meu corpo,

.....................................
que já nem se dá a mim,
.....................................nem nada me deixa.
Vem de destroços,

vai para quedas...

Inclina-se no quadro do nascimento da palavra filha,

..................................................................a mais nova,
desagua sobre mim

e a intempérie leva o que quiser...

Depois, abandono-a!

Já saí faz tempo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

António Pocinho (1958-2010)

Morreu, na passada quarta-feira, o Poeta António Pocinho. Nascido em 1958, era antropólogo de formação e a sua obra, toda publicada pela Fenda, desde 1981, inclui também dramaturgia e narrativa.
[foto: Miguel Madeira / Público]

cartas

As cartas não viajam à velocidade da luz, nem lá perto, nem mesmo as cartas de condução. Só os bilhetes-postais viajam a uma velocidade superior à da luz, com as suas palavras acabadas de se pôr sobre uma paisagem ou um momento, com esses recados de nós, mansos viajantes siderais, mesmo quando vamos só até Cacilhas.

(in Os pés frios dentro da cabeça, Fenda, 1999)

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


sulscrito 3
antologia da indiferença
revista de literatura
4Águas, Junho 2010






- és poeta
perguntaste
- sou plagiador
respondi
… plagiei todos os poetas que li
e
naveguei o único poema que a(ssa)ssinei

um poema-cavalo branco que galopa as minhas veias
que ensaia estupendos saltos-precipícios
um poema-sexo-lamina-de-duas-faces
um poema-punheta
um poema-em-fuga
(foge todas as noites da minha cama para foder com outros)

- és poeta
perguntaste
e eu, esquecido de todas as lembranças, assolado pelas consternações do mapa-múndi, encalhado nas ruas de barcelona, sem música e sem geografia, sem ir à horta onde as raízes pensam e o vinho escorre por entre fábulas de almanaque… eu que não existo.

mesmo antes de estar morto, não existo.
só disse
- tu… há muito que dormes comigo, na minha cama. tudo começou muito antes de te conhecer.
muito antes de te conhecer
muito antes de te conhecer
muito antes de te conhecer
muito antes de te conhecer
muito antes de te conhecer
fui surpreendido pela arquitectura do teu corpo-prazer-ócio.
o prazer e o ócio
o prazer e o ócio
o prazer e o ócio
o prazer e o ócio
o prazer e o ócio
que ainda me mantém vivo

- és poeta
perguntaste
e eu…
só disse
- não prolonguemos as civilizações mecânicas…

a obscuridade retrocede e o ciclo das estações em salas climatizadas…

a noite e o verão perdem o seu encanto e o romper da alba está a desaparecer.
já não há espaço para o sonho.
quero descansar nas ruínas do império
enamorar-me do rio que as atravessa
casar com ele
e
passearmo-nos por entre as velhas pedras
os nossos véus de noivado (negros) serão suportados por dois adolescentes
ele de marinheiro (como gosto)
ela desnuda (como convém)

sou, todo eu, um plágio. uma janela aberta por onde transparecem milhares de imagens roubadas

premeditadamente

Manuel Almeida e Sousa

domingo, 15 de agosto de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


As sombras
José M. Silva
Edição do autor, 2010







São aves de rapina as tempestades
que assombram os dias que a
memória não esquece.
São o amanhecer ancestral e chuvoso
Desses, que brotam lamurias renascentistas.
São o choro de cada homem:
o medo de cada criança, o sonho desvanecido
de cada asa, o brilho fosco, de cada estrela.
São uma mancha na escuridão das vozes.

sábado, 14 de agosto de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


sonetos
Rodolfo Franco
Dadá Ediciones, Abril 2010







POÉTICA ETRUSCA
SONETO FESCENINO ACLARATORIO

Para curar um amor platónico
só uma trepada homérica.

Eduardo Kaj

a Nuria Mezquita


Con mi lado femenino,
con culos, coños y senos...
Satíricos y obscenos
son mis versos fesceninos...

También les echo venenos
fatales y viperinos
para apartar clandestinos
que quieren lo que tenemos.

Tenemos, yo y mis huevos,
el pasaporte de Etruria
pues nacimos en Fescenio.

Tenemos ganas, de nuevo,
de homenajear a Nuria
con el polvo del milenio.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sarau no Ninho 5

14 de Agosto na Sede dos A.G.U.I.A. s
Doutor Vale, 38 - Bairro Floresta
Porto Alegre, Brazil

Novidades POPSul


Simbiose Telúrica de Fragmentos do Ser
Reflexos e Reflexões Poéticas
Manuel Madeira
POPSul, Julho 2010






Genealogias

II

São corpos convergentes que se multiplicam
as células reproduzindo-se por cissiparação
conservando no tempo o impulso inicial
a caminho de atingir a unidade sonhada,
como as letras unindo-se em sílabas e palavras
adquirindo sempre novos significados
na direcção de formarem o corpo do poema
que se afirma em nome da multiplicidade
unindo esforços divergentes para formar a unidade.

Enquanto nas células toda a evolução é sistemática
para atingir o fim imprevisível no princípio,
no poema tudo é medido e pesado pelo construtor
num jogo ponderado atento às variáveis para alcançar um fim
nem sempre implícito no inicial impulso.
Por outro lado, pode dizer-se que as células não falam
nem as palavras falam
mas fazem-nos falar,
dizendo a sorrir o que as células fazem a sério,
porque elas somos nós próprios sem sabermos que são elas
que estão onde estamos dizendo o que elas dizem
com a voz do silêncio palpitante nos núcleos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Venham daí esses poemas!


Caros etéreos,
Desta vez, o tema é livre. Haverá, para os primeiros 10 participantes que enviarem os seus poemas, um exemplar do livro AvRYl oferecido pelo autor, Dinis H. G. Nunes.

Só serão aceites as participações que cumpram os seguintes requisitos:
• Envio, para o e-mail porosidade.eterea@gmail.com, de um (1) único poema até às 24H00 do dia 30 de Agosto.
• Só será aceite um (1) e-mail por participante, caso contrário será considerado apenas o primeiro e-mail recebido.
• Envio, no mesmo e-mail, da morada (completa) do participante, mesmo que já tenha participado noutros passatempos.
• No caso de os participantes terem blogues ou sites que pretendam divulgar, poderão incluir no mesmo e-mail, um (1) único link.
• No caso de participantes que morem fora de Portugal, o envio (portes) do livro será pago pelo participante, à cobrança.
As participações que não respeitem todos estes requisitos serão anuladas e passarão a vez ao participante seguinte.

Os poemas serão publicados neste blogue, em princípio, uma semana após o fecho da recepção das participações.
O locutor Luís Gaspar gravará um dos poemas participantes para inclusão num programa do Estúdio Raposa.

Boa inspiração!

Chegou agora mas já deixa saudade

Saiu mais uma revista saudade, a nº 12, que é também, infelizmente, o último número a ser editado.

Participam nesta edição, cujo tema é a terra:
Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, Ana Luísa Amaral, Ana Luísa Queiroz, António Cândido Franco, António José Queirós, António Salvado, Armando Silva Carvalho, Daniel Jonas, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Fátima Valverde, Fernando Echevarría, Fernando Esteves Pinto, Fernando Grade, Fernando Guimarães, Gisela Ramos Rosa, Graça Pires, Henrique Monteiro, Iacyr Anderson Freitas, Ildásio Tavares, Isabel Cristina Pires, João Rui de Sousa, Joaquim Feio, Jorge Reis-Sá, Jorge Velhote, Luís Adriano Carlos, Luís Filipe Pereira, Luís Graça, Luís Quintais, Maria João Reynaud, Maria do Sameiro Barroso, Maria Teresa Horta, Nuno Dempster, Nuno Júdice, Pedro Sena-Lino, Rosa Alice Branco, Rui Almeida, Sérgio Pereira, Tiago Patrício, Vasco Graça Moura, Victor Oliveira Mateus, Virgílio de Lemos, Xosé Lois García e Yvette K. Centeno.


Vestígio

Um pano colado ao rosto, um sudário, será essa a natureza
do vestígio deste braço projectado sobre a terra.

Luís Quintais

Hoje nasceu...

Miguel Torga (12/8/1907-17/1/1995)



Voz: Luís Gaspar

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Obra II
António Salvado
A Mar Arte, 1997







Emigrantes


As raízes navegam pelo sangue
das rudes cores dum alvor sem brilho:
húmus de sol em traços de distante
e a noite a prolongar-se nos declives.

O côncavo das mãos ganhou a forma
do rio incerto a suplicar o mar:
nas pupilas do longe se constrói
uma tristeza irmã da madrugada.

Talhados em granito e solidão,
dos matizes da estrada percorrida,
confluem sós na luz interior
que os emigrou em sonhos derruídos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Poesia Incompleta


(...) Acontece que em Lisboa acabo de descobrir uma livraria integralmente dedicada à poesia. Fica na Rua Cecílio de Sousa e chama-se Poesia Incompleta, o que envolve um princípio de paradoxo: nunca encontrei livraria mais completa para a poesia do que esta Poesia Incompleta…(...)
Vasco Graça Moura

Ler tudo, no DN online, aqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Silêncios Comprados
António Ferra
Europress, 2007







ON YOUR FEET!


6.
Suzana era uma dama mal-maridada, casada com um sujeiro de barba negra, um tecnocrata execrável que não a amava como ela merecia. Era preciso eu trazer-lhe anéis de França, mostrar-lhe o meu sacrifício de não a ter à noite. Valia a pena viver assim, olhando as nuvens cinzentas em Mirandar cinzento, monologar pausada e repetidamente ON YOUR FEET!? Suzana não se queria apartar de Alfredo, preferia ter-me a trocar tardes, utilizar-me como derivativo, entrecuzar coversas sobre culinária, gastronomia e saúde, contar-me as viagens que o marido lhe oferecia como modo de tê-la à trela, descrever-me a mansão imponente onde vivia em Miracena, por onde entrava um negro Audi, enquanto os leõezinhos de pedra sobre as colunas laterais se baixavam submissos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Outras sugestões para os próximos dias


2 de Agosto (segunda-feira):

CAMINHA - Centro Cultural de Orbacem
Recital de poesia com Aurelino Costa e Victorino D'Almeida, no Centro Cultural de Orbacem/Caminha, no dia 2 de Agosto, pelas 21H30 horas.
Entrada Livre.

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6 de Agosto (sexta-feira):

PORTO - Clube Literário do Porto
Dia 6 de Agosto, no Piano-bar do Clube Literário do Poro, pelas 22H30:
6.º Recital do ciclo: “Música e poesia no tempo de Drummond e Jobim”
Isabel Nogueira, soprano
Tiago Matias, alaúde, tiorba, vihuela, guitarra romântica e guitarra barroca
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 - Porto.

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7 de Agosto (sábado):

PORTO - Clube Literário do Porto
Dia 7 de Agosto, no Auditório do Clube Literário do Porto, pelas 21H30:
Apresentação de PROSOPOPEIA
Leitura dramática de Poemas de Fabio Manzione
Clube Literário do Porto: Rua Nova da Alfândega, nº 22 - Porto.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Diario de un gato nocturno
Javier Gato
Cangrejo Pistolero, 2009







Lourdes


Entre el choque de los vasos de whisky,
las risotadas degradadas con éxtasis,
el acoso de luces y flashes en la bruma,
entre el roce lascivo de bultos y curvas
el rictus fúnebre, implacable,
de Lourdes.
Por encima de la música ensordecedora
me llegan los alaridos del silencio de Lourdes,
toda labios sucios de carmín agrio.
Verla observándolo todo desde la barra
con ojos de vodka
es ver que al fin y al cabo
el hombre es un ser
para la muerte.