domingo, 13 de junho de 2010

Outras sugestões para os próximos dias


14 de Junho (segunda-feira):


LISBOA - Fábrica Braço de Prata
Lançamento do livro de poesia de Miguel Cardoso "Que se diga que vi como corta a faca" (editado pela Mariposa Azual) no dia 14 de Junho na Fábrica Braço de Prata, 19H00 (Sala Nietzsche).
Com leitura de poemas pelo autor e por Nuno Moura. Música ao vivo pelos Dumb Ego.


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15 de Junho (terça-feira):


FARO - Draculea Café Bar
No dia 15 de Junho, vai ter lugar no Draculea Café Bar mais uma noite de Poesia, a partir das 23H00.
DRACULEA Café Bar: Rua Dr. Rodrigues Davim, 44 - Faro.



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16 de Junho (quarta-feira):


PORTO - Bar Livraria Labirintho
“NOITE DE POÊMIA” no Labirintho, dia 16 de Junho a partir das 22H00.
Com o duo XATA (Xana Miranda e Tânia Dinis) que vão antecipar o S. João na "Noite de Poêmia" do Labirintho, dedicando-a a alguns poetas populares, e a outros que deveriam ser mais populares (são os casos de Alexandre O'Neill, José Fanha, Herberto Helder e António Botto).
Esta prometedora "xatice" poética integra também os apreciados provérbios, trava-línguas e aforismos da sabedoria popular.
20% de desconto nos livros de alguns dos autores declamados.
Rua N. Sra. de Fátima, n.º 334 – Porto

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17 de Junho (quinta-feira):

LISBOA - Restaurante Vinyl
Poesia em Vinyl: dia 17 de Junho, pelas 21 horas, no Restaurante Vinyl, em Lisboa.
A convidada desta sessão será Catarina Nunes de Almeida e para ler a sua poesia, estará presente a actriz Margarida Cardeal.
O momento musical estará a cargo dos Dead Combo.
Organização: Raquel Marinho e Luís Filipe Cristóvão.
Entrada livre.

FARO - Biblioteca Municipal

Apresentação do livro de poesia “Área Afectada” de Fernando Esteves Pinto (edição Temas Originais).
Biblioteca Municipal António Ramos Rosa (Rua Carlos Porfírio, em Faro), dia 17 de Junho, pelas 21H30.
Obra e autor serão apresentados por Fernando Cabrita.
A sessão contará com a leitura de poemas por Ana Manjua.

FIGUEIRA DA FOZ - Casino
Apresentação do livro de poesia para crianças “Zoo musical”, escrito por Amadeu Baptista e ilustrado por Ana Biscaia.
No Casino Figueira no dia 17 de Junho, a partir das 18H30.




CASCAIS - Biblioteca Municipal
Dia 17 de Junho, pelas 21h30, terá lugar mais uma sessão de Noites com Poemas na Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana (Bairro Massapés, em Tires).
Convidada desta sessão: Elisa Costa, autora do livro Ditos e Reditos.
Organização: Jorge Castro.



PORTO - Clube Literário do Porto
Dia 17 de Junho, pelas 21h30, no piano-bar do Clube Literário do Porto:
Poesia de Choque
Com A. Pedro Robeiro e Luís Carvalho.

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18 de Junho (sexta-feira-feira):

LISBOA - Casa Fernando Pessoa
Celebração do BLOOMSDAY na Casa Fernando Pessoa dia 18 de Junho às 19H00.
O compositor Michael Holohan tocará quatro peças para piano do seu recente CD Fields of Blue and White. Em seguida, a poeta Susan Connolly irá recitar quatro poemas da sua colecção de poemas recentemente publicada, Forest Music. Por fim, o actor Paul O’Hanrahan apresenta o conto Clay de James Joyce, acompanhado ao piano por Michael Holohan, que compôs a música original para esta peça. A duração total das três apresentações é de 60 minutos.
Entrada livre.
Casa Fernando Pessoa: R. Coelho da Rocha, 16 - Lisboa.

LISBOA - Palácio Galveias
Apresentação do livro "A Minha Nuvem" de Ruth Ministro (editora Edita-Me) no dia 18 de Junho, pelas 19H00 na Biblioteca Municipal Palácio das Galveias, em Lisboa (ao Campo Pequeno).
Este evento, conta com a participação de Pedro Lopes (ao piano) e Celeste Pereira e Carlos Lopes (nas leituras).

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19 de Junho (sábado):

LISBOA - Auditório do Campo Grande

Lançamento do livro de poesia “Dinastias” de Vítor Cintra (edição Temas Originais) no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no dia 19 de Junho, pelas 19H00.
Obra e autor serão apresentados por Xavier Zarco.



LISBOA - Restaurante "Vá, Vá"
Tertúlia/almoço da Associação Portuguesa de Poetas.
Dia 19 de Junho, das 13H00 às 15H00 no Restaurante "Vá, Vá".
Av. dos Estados Unidos da América, 100C - Lisboa.
Às 15h30, realizar-se-á a abertura pública dos envelopes contendo a identificação dos poetas premiados nos Jogos Florais de Quadras Populares.

FARO - Livraria Pátio de Letras
Dia 19 de Junho, pelas 21H30 na Livraria Pátio de Letras: Poesia Popular e Charolas de St.ª Bárbara de Nexe:
Lançamento do livro de poesia "Balada da Liberdade" de Miguel Beirão.
Apresentação de Lígia Faria.
Noite de poesia com: Abel Beirão, Zé Vitorino, António Garrochinho, Gilberto Cristina, Tó Calçada, Teobaldo Rosa e Miguel Beirão.
Momento musical pelo acordeonista Helder Barracosa.
Pátio de Letras: Rua Dr. Cândido Guerreiro, 26-30 - FARO.

SINTRA - Palácio de Valenças
Lançamento do livro Nos olhos das Madrugadas, de Ana Daniel, poeta sintrense galardoada com o Prémio de Manuscritos de Poesia de 1969, que reúne agora, 40 anos depois do seu livro Momento Vivo, esta antologia com os poemas de uma vida, com a chancela da Arbusto Editores.
Dia 19 de Junho, no Palácio de Valenças, Vila Velha, Sintra, Sala da Nau, a partir das 18H00.
Apresentação por Luísa Barreto.


PORTO - Palacete Viscondes de Balsemão
Lançamento do livro "Bordar a Vida" de Celeste Pereira (editora Edita-Me) no dia 19 de Junho, pelas 21H30 no Palacete Viscondes de Balsemão.
(Praça de Carlos Alberto, 71 - Porto)
Com apresentação a cargo do Gen. Loureiro dos Santos.
Momento musical por: Pedro Lopes (piano), Inês Oliveira (voz), Daniel Pina (acordeão), Nuno Ildefonso (guitarra portuguesa), Pedro Paixão (violino) .
Leituras por: Ana Pereira, Carlos Lopes, Miguel Ministro, Olga Oliveira, Ruth Ministro.

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20 de Junho (domingo):

PORTO - Clube Literário do Porto

Apresentação do livro "Sentimentos Profundos" de Susana Custódio (editora Edita-Me) no dia 20 de Junho pelas 16H00 no Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22).
Este evento conta com a presença de Pedro Lopes (ao piano) e Celeste Pereira (nas leituras).

Ciclo de conferências "Nós e os Árabes"

Vai realizar-se no próximo mês de Julho, no NCEO - Núcleo de Cultura e Estudos Orientais, um Ciclo de Conferências subordinado ao tema "Nós e os Árabes - Cultura e Mentalidade":

(clicar para ampliar)

Fernando Pessoa na BD

Desenho de Rui Pimentel

(ver mais no blogue Divulgando Banda Desenhada)

Foi há...

...13 anos que morreu Al Berto.
(1948-1997)

“poderíamos falar dele noite adiante
mas não
o começo da escrita seria a sua voz quebrada
no silêncio obsessivo das horas
mas não
porque são horas de profundo e anónimo abandono
não o lembraremos mais”

(excerto do poema “impressão digital” - O Medo)

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
No dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma calma e ansiosa,
Et cetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra cousa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isso ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz,
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto; é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi um Papa?...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo? O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas ou não-coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arroste
Na nora de erros
Duns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história.
Quem foste tu ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E, cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Por que demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Fernando Pessoa
9/6/1935

Mais logo, na Feira do Livro do Porto

13 de Junho • 19H00
A Força da Palavra - Debate sobre Poesia
com Dolores Garrido, Teresa Hespana, Romeu Braga e José Manuel Moreira.
Auditório da Feira do Livro.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Reflexões sobre o Sr. Pessoa
John Wain
Tradução de João Almeida Flor
Cotovia, 1993






O SR. PESSOA gostava de pensar nos rios. Águas a fluir
no próprio leito eram o seu emblema do saber:
a sua vida e arte eram respiração e dádiva.

Gostava das verdades que sem resistência abrem caminho
e da natureza que é serena na sua própria existência.
Desconfiava de argumentos subtis e de clamor obstinado.

Para o Sr. Pessoa, um rio que vai correndo recatado
sem pressas até ao mar inescapável
e embala as algas e peixes mudos era o modelo da vida.

Dos rios falava muitas vezes e da sua morte rara;
achava-os lógica pura. Costumo sentar-me à beira
de um rio e penso no Sr. Pessoa com tranquilo orgulho.

sábado, 12 de junho de 2010

Santo Asinha e Outros Poemas, de Frederico Lourenço


«Estamos diante de uma escrita de um intransigente rigor. É este mesmo rigor que por vezes parece fazer-se obstáculo à inventividade, como se aqui ou além a escrita precisasse de se soltar, contrariando a tendência para uma certo encerramento sobre si mesma, quando não uma ocasional mas perigosa aproximação de algumas formulações mais reconhecíveis como “poéticas”.»

Recensão de Santo Asinha e Outros Poemas, de Frederico Lourenço (Caminho, 2010), por H. G. Cancela, em contra mundum

Festival de Almada destaca a Poesia


Pela primeira vez nas suas carreiras, as actrizes Carmen Dolores, Eunice Muñoz e Maria Barroso actuarão juntas em palco a dizer Poesia. Será no dia 10 de Julho, na Sala Principal do Teatro Municipal de Almada. Este espectáculo está integrado na programação do 27º Festival de Almada, que este ano homenageia Maria Barroso, e na qual a Poesia e os poetas terão uma presença especial. Entre 4 e 18 de Julho, entre as 30 produções, com 86 apresentações, espalhadas por 16 espaços de Almada, Lisboa e Porto, haverá oportunidade para escutar as palavras de Fernando Pessoa, Camões, Constantin Cavafy, Marguerite Yourcenar ou Boris Vian, a par de dramaturgos como Shakespeare ou Ibsen.
Outro momento alto será a leitura integral das 10 canções de Luís de Camões, que Luís Miguel Cintra fará pela primeira vez ao vivo.
A cabeça de cartaz deste que é considerado o terceiro melhor festival de teatro da Europa, será a actriz inglesa Charlotte Rampling, que, em conjunto com o actor grego Polydoros Vogiatzis, vai dar voz a um diálogo imaginário entre a escritora Marguerite Yourcenar e o poeta Constantin Cavafy.
Também Rilke e Edith Sitwell serão evocados, num dos momentos musicais, no qual Luís Madureira, Teresa Gafeira (recitantes) e João Paulo Santos (piano), interpretarão peças baseadas em poemas daqueles dois autores.
A propósito do particular destaque dado, este ano, à Poesia, Joaquim Benite, director do Festival, lembrou que «o texto é sempre o que prevalece, e o texto poético, pela sua complexidade, permite criar uma linguagem cénica inovadora e estabelece uma relação especial com o público».

(Ver mais na página oficial do Festival de Almada)

Mais logo, no Clube Literário do Porto

12 de Junho • Piano bar do Clube Literário do Porto • 18H30
Lançamento do CD de Aurelino Costa com textos de Miguel Torga.
Declamação de textos por Aurelino Costa, acompanhado ao piano pelo Maestro Victorino d'Almeida.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


SO2
Luna Levi
Guimarães editores, 1980








Imaginem os leitores uma criatura debruçada sobre um poema, buscando apaixonadamente o rosto.
Encontra um mito, julga que o mito é o rosto que procurava.
Quando finalmente descobre o rosto, vê como era só imagem a imagem por que se apaixonara.
Tudo um jogo de espelhos: o mito posto a nu era essa criatura que a paixão iluminava. Partido o vidro, sobrava um animalzinho luciferino, papéis apavorantes, e uma pobre pessoa, demasiado pequena para o mito que criara.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um Toldo Vermelho, de Joaquim Manuel Magalhães


«Esta é uma poesia da rasura e da cesura, um magnífico mecanismo verbal que torce a linguagem até ao limite e nos agride, mas que não abdica da beleza, antes a procura nas linhas de fractura da própria escrita.»





Recensão de Um Toldo Vermelho, de Joaquim Manuel Magalhães (Relógio d'Água, 2010), por José Mário Silva, em Bibliotecário de Babel

Novo número de Viola Delta


«Acaba de ser publicado o nº XLVII dos cadernos de Poesia Viola Delta com "poemas sobre as Mãos e outros textos" de 15 autores além de um poema de David Mestre (1948-1998) na contracapa». A notícia é dada por José do Carmo Francisco, no blogue Aspirina B.

Os Cadernos de Poesia Viola Delta, por onde já passaram largas dezenas de nomes, são publicados desde 1977, sempre com coordenação do Poeta Fernando Grade e com a chancela das edições MIC. Este 47º número conta com textos dos seguintes Autores: Aal Aarão (heterónimo de F. Grade), António Salvado, Armando Taborda, Cecília Melo e Castro, David Mestre, Fernando Grade, Florbela Espanca, João Martim, José do Carmo Francisco, José Manuel Pressler, Luís Ferreira, Luís Filipe João, Miguel Martins, Manuel Ramiro Salgueiro, Maria Almira Medina e Mário Machado Fraião.

Encontro de Poetas em S. Brás de Alportel

No próximo domingo, 13 de Junho, irá realizar-se em S. Brás de Alportel o IX Encontro de Poetas e Palavras, um encontro anual promovido pelo Grupo Desportivo e Cultural de Machados, com o apoio da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, que reúne anualmente, desde 2002, dezenas de poetas algarvios.
O encontro terá início às 15H30, na Sede do GDCM e está integrado nas comemorações do Aniversário do Município, que decorrem ao longo do mês.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Novidades Arcádia

As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar
Isabel Mendes Ferreira
Arcádia, Junho 2010

Mulher ao Mar, de Margarida Vale de Gato


«Se de um ponto de vista formal a convencionalidade surge enfraquecida pela experimentação, do ponto de vista temático há como que dois pilares fundamentais sobre os quais se erguem os poemas deste livro: a chamada condição feminina e uma lírica amorosa sem redes de abstrusa sentimentalidade.»


Recensão de Mulher ao Mar, de Margarida Vale de Gato (Mariposa Azual, 2010), por Henrique Fialho, em Rascunho

O que é que a poesia e a matemática aplicada têm em comum?


Um artigo (em inglês), descoberto por José Mário Silva, de Joel E. Cohen, famoso biólogo matemático americano.

Boas notícias


Caros etéreos,
a partir de agora, este blogue contará com a colaboração do poeta Rui Almeida, autor do blogue Poesia distribuída na rua.
Bem-vindo, Rui!
É com alegria que aceito e agradeço o convite da Inês Ramos para passar a colaborar com o Porosidade Etérea, que é já de há muito, uma referência na divulgação da Poesia.
Espero estar à altura ou, pelo menos, não desiludir.

Rui Almeida

Mais logo, no Clube Literário do Porto

10 de Junho • 22H00 • Piano bar do Clube Literário do Porto
Música + Declamação de Poesia
TozéGuitarras (guitarra/voz)
Manuela Leitão (diseur)
Manuela Ribeiro (voz)
Susana Castelo (poemas teatralizados)

Foi há...


430 anos
que morreu Luiz Vaz de Camões.








Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Na voz de Luís Gaspar:

CD de homenagem a Sebastião da Gama

“Meu caminho é por mim fora”, o primeiro verso do poema “Itinerário” de Sebastião da Gama, dá agora título a um CD em sua homenagem.
O CD, numerado, contém 26 textos de Sebastião da Gama (prosa e poesia), excertos do Diário, de obras publicadas em vida e obras póstumas e, também, o último texto que Sebastião da Gama escreveu. Os poemas estão ordenados pela cronologia da sua produção. Contém também inúmeras fotografias de várias fases da vida de Sebastião da Gama. O libreto, de 32 páginas, tem ainda um pequeno texto introdutório assinado por Marcelo Rebelo de Sousa.
Este CD, com direcção musical de Rui Serodio, tem as vozes de actores do Teatro Animação de Setúbal: Célia David, Fernando Guerreiro, José Nobre e Maria Clementina e, também, a voz de Maria Barroso.
O projecto gráfico é de Jorge Calheiros e a edição da Associação Cultural Sebastião da Gama.
Os responsáveis pela escolha dos textos foram João Reis Ribeiro e Maria Barroso.
A apresentação pública do CD aconteceu no passado dia 5 de Junho (num evento comemorativo do 86.º aniversário de Sebastião da Gama) no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal).

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• concurso de majaricos
• letra da musica meu menino jesus de adelia pedroso
• bar da hilda mirandela
• domadores de cavalos em castro daire
• anna hartley o'mar que se quebrou
• cantores tires são domingos de ranã 2010
• como se escreve campo na dinamarca?
• "rua da formiga" + mirandela
• WWWJOGRAIS.COM.BR TEMA; E A GLORIA DO SENHOR SE MANIFESTARA
• francisco gouveia musica letra senhora matosinhos
• poemas quadras com a letra ó
• ti governo
• ana hartley poetisa
• poema no teclado sinto tua pele
• anthero monteirono comboio descendente
• Quem é Nha Tilda?
• nicole, robert et patapouf

(Tal e qual como estavam escritas)

terça-feira, 8 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)

Faleceu hoje, 8 de Junho, o poeta António Manuel Couto Viana, aos 87 anos.
António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo, em 24 de Janeiro de 1923. Foi poeta, contista, ensaísta, tradutor, actor, dramaturgo, encenador e figurinista. Fez os seus estudos em Viana do Castelo, Braga e Lisboa.
Em 1948 estreou-se na poesia com o livro "O Avestruz Lírico" e desde então publicou dezenas de obras. Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David-Mourão Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia "Távola Redonda". Mais tarde dirigiu a revista cultural "Graal" e fez parte do conselho de redacção da revista "Tempo Presente" (1959-1961).
Fez parte da direcção do Teatro de Ensaio do Teatro Monumental (1952), foi director do Teatro do Gerifalto (1956-1960) e director da Companhia Nacional de Teatro (1961-1965). Além da poesia e do teatro, dedicou-se também à literatura infantil.
Está representado em várias antologias de poesia e a sua obra está traduzida em francês, inglês, castelhano, chinês, alemão e russo.
Foi distinguido com vários prémios (Prémio Antero de Quental em 1949 e 1959, Prémio Nacional de Poesia em 1965, Prémio Camilo Pessanha em 1993) e foi condecorado com a Banda da Cruz de Mérito, Grão Cruz da Falange Galega, o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

(4.2.2005)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Solta o Poeta que há em ti!

2º Concurso de Poetry Slam no Festival Silêncio!
"Há um júri, um cronómetro, classificações e prémios. É um concurso. Mas não é um qualquer: trata-se de vanguarda em Portugal. O que se propõe é reunião de poesia e performance em palco, com um público que reage às palavras, ao movimento e à interpretação, enfim, é a defesa de um texto atirado às panteras da urbanidade. Este palco é uma arena e é na aparente solidão de cada artista, de cada insegurança ou improviso que surge o espectáculo irrepetível da poesia em trânsito, entre gente, saindo pelos corredores. O concurso vai depurando a noite dos seus artistas até ser escolhido o vencedor, de facto (no ano passado, primeira edição, Biru foi o escolhido). E no entanto é o processo artístico em carne viva que pontifica este concurso, responsável pelo incentivo em Lisboa a um tipo de produção artística tão cara aos grandes centros culturais contemporâneos – a poetry slam."
Sábado 26 Jun, 24h no Musicbox
Espectáculo / Spoken Word
INSCRIÇÕES ATÉ 14 DE JUNHO

II Festival Silêncio!

De 16 a 26 de Junho, Lisboa vai receber espectáculos de Spoken Word e de Poetry Slam, conferências, debates, workshops, lançamentos, leituras encenadas, poesia sonora e mostras de Vídeo Poetry.
O Festival Silêncio! é um projecto desenvolvido pela editora 101 Noites, Musicbox, Goethe-Institut Portugal e Instituto Franco-Português, com o apoio da Direcção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Lisboa – EGEAC e o alto patrocínio do Fundo Franco-Alemão para Países Terceiros.

Prémio Literário Manuel António Pina

Encontram-se abertas de 1 de Junho a 30 de Julho as candidaturas à 1ª Edição do Prémio Literário Manuel António Pina.

Instituído pela Câmara Municipal da Guarda com o objectivo de homenagear o escritor e poeta natural do Distrito da Guarda, o Prémio será atribuído anualmente, premiando, em anos pares, poesia e, em anos ímpares, literatura infanto-juvenil. Neste ano realizar-se-á a 1.ª edição, a atribuir a obras de Poesia.

O Prémio terá o valor pecuniário de 2.500,00€ (dois mil e quinhentos euros), correspondendo este montante aos direitos de autor respeitantes à edição da obra premiada, a editar pela Câmara Municipal da Guarda em parceria com a editora Assírio&Alvim.

Para efeitos de concurso, serão considerados os trabalhos inéditos de Poesia de autores portugueses, que cumpram os procedimentos previstos no respectivo Regulamento, sendo requisito obrigatório o preenchimento do Formulário de Candidatura.

A atribuição do Prémio Manuel António Pina será feita em sessão solene, na Guarda, no dia do aniversário do Escritor, 18 de Novembro de 2010.

Regulamento e formulário de candidatura aqui.

Obra de Maria Gabriela Llansol em Paris

No dia 10 de Junho, Paula Mendes Coelho, professora da Universidade Aberta, irá proferir na Universidade de Paris 3 - Censier, pelas 14H30, uma conferência sobre as versões de poetas franceses por Maria Gabriela Llansol (Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Rilke...), com o título "Notre besoin de poésie est impossible à rassasier" (A nossa necessidade de poesia é impossível de saciar).

A obra de Maria Gabriela Llansol estará também presente no Marché de la Poésie, que decorre em Paris de 17 a 20 de Junho.
A última edição de textos de
Maria Gabriela Llansol em francês será apresentada por Guida Marques, (tradutora de O Raio sobre o Lápis, Hölder de Hölderlin e Cantileno), no dia 18 de Junho pelas 18H00, no stand da Editora Les Arêtes.

Sugestão da Andante para esta semana


Paris at night

Três fósforos um a um acesos na noite
O primeiro para ver o teu rosto inteiro
O segundo para ver os teus olhos
O terceiro para ver a tua boca
E toda a escuridão para recordar tudo isso
Apertando-te nos braços.

Jacques Prévert
(tradução: Manuela Torres)


Voz: Cristina Paiva; Música: Yann Tiersen; Sonoplastia: Fernando Ladeira.

sábado, 5 de junho de 2010

Outras sugestões para os próximos dias


8 de Junho (terça-feira):

LISBOA – Sociedade Guilherme Cossoul
Apresentação do livro de poesia "Minimal Existencial" de Paulo Tavares, editado pelas Edições Artefacto.
A apresentação estará a cargo de António Carlos Cortez e a leitura de poemas será feita pelo actor Luís Lucas.
Acompanhamento musical por José Carlos Pontes.
Sociedade Guilherme Cossoul (Av. D. Carlos I, nº61 – 1º - Lisboa), dia 8 de Junho, pelas 21H00.


LISBOA – Faculdade de Letras
José Augusto Mourão (Padre Dominicano, Professor, Ensaísta e Poeta) será homenageado no lançamento do livro ‘Os Dominicanos em Portugal’, no próximo dia 7 de Junho, às 18:00h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da U.L., com a Medalha de Mérito do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da FLUL.
A alocução de homenagem será proferida por Ana Cristina da Costa Gomes e José Eduardo Franco enquanto o lançamento do livro estará a cargo de José Augusto Ramos.
Será oferecida, nesta sessão, a Medalha de Mérito do CLEPUL ao Homenageado.
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11 de Junho (sexta-feira):

SERTÃ - Biblioteca Municipal
Dia 11 de Junho, a Andante apresenta o espectáculo "Anatomias" na Biblioteca Municipal da Sertã, às 10H30 e às 14H30.
Um espectáculo com textos de Manuel António Pina, António Gedeão, Herman Melville, Jacques Prévert, Antoine de Saint-Exupéry, João Pedro Mésseder e outros.
Integrado no programa de itinerâncias da DGLB.
Mais informações aqui: http://www.andante.com.pt/anatomias.html

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12 de Junho (sábado):

LISBOA - Casa Fernando Pessoa
Comemorações do aniversário do nascimento Fernando Pessoa na Casa Fernando Pessoa.
Dia 12 de Junho, a partir das 15H00.






PORTO – Clube Literário do Porto
O escritor e poeta Aurelino Costa juntou-se ao maestro Victorino D'Almeida na criação de um CD, onde dão corpo à obra de Miguel Torga.
Para a apresentação deste CD de poesia, vai ter lugar uma ssessão de declamação, com Aurelino Costa e Victorino D'Almeida, no Clube Literário do Porto (Rua da Alfândega), no dia 12 de Junho, sábado, pelas 18 horas.


PORTO – Ateneu Comercial
Sessão de lançamento do livro "Bolsa de Valores e Outros Poemas" de Domingos da Mota (edição temas Originais), no dia 12 de Junho de 2010, pelas 16 horas, no Ateneu Comercial do Porto.
Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco e esta sessão contará com leitura de poemas por António Magalhães e Eduardo Roseira.


LISBOA – Bar Na Cave
Sábado, dia 12 - Recital de poesia por Luís Filipe Parrado.
O poeta lerá vários autores nacionais (Fernando Assis Pacheco, A.M. Pires Cabral, Manuel Resende, etc.), bem como poetas estrangeiros por si traduzidos.
BAR NA CAVE: R. Imprensa Nacional, 116b (na cave do Restaurante BS), Lisboa.

Mais logo, na Feira do Livro do Porto


Sábado, 5 de Junho às 17H30, no Auditório da Feira do Livro do Porto: Álvaro Magalhães, Luís Miguel Queirós, Sousa Dias e
Manuel António Pina.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mais logo, em Aveiro

Hoje e amanhã, em Braga

4 de Junho 22H10, café A Brasileira, em Braga: conversa informal no âmbito dos Encontros do Relógio.

5 de Junho, 18H30, livraria Centésima Página (Av. Central, Braga): lançamento da revista INÚTIL

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


A carvão
Fernando de Castro Branco
Comorama, 2009








O brutal acaso de ter nascido

O irremediável é de uma escrupulosa pontualidade.
Sofremos por sofrer, há um masoquismo no amor
que não dispensa o diário cálice de sangue.
Amigos tombados, gente que viveu dentro das nossas veias
de Inverno em Inverno, de diástole em diástole. Trinta anos
de derrotas solidárias, de angústias
divididas, de noites desenhadas no fumo de cigarros
e de palavras. Um dia acordamos
contra o tempo, exilados no futuro com a morte
presa na garganta. A estranha certeza de que para morrer
é necessária a mais absoluta solidão.

O regresso é já o pretexto do poema. A dor,
pintada na lama do Outuno, foge na chuva
com o nosso rosto dentro. Nascemos dessa morte
como quem perde um filho, há uma casa aberta
contra a noite que nos recolhe em seu seio doce.

Já só nós florescendo na desordem, terrífica beleza
do fogo queimando os jardins. Espuma
na orla das palavras. Consolemo-nos apesar de tudo
com o brutal acaso de ter nascido.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Poesia em S. Pedro de Sintra


Dia 5 de Junho na Galeria ART DOMUS/Café de S. Pedro.
Rua Serpa Pinto, 5 - S. Pedro de Sintra.
Sessão de Poesia com o Actor João D'ávila.

O que se escreve navegando...

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(Tal e qual como estavam escritas)

Nova editora

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Na Via do Mestre

Casimiro de Brito
Temas Originais, 2010








Se eu pudesse deixar de correr
Caminhava se eu pudesse deixar de caminhar
Sentava-me à sombra da nogueira azul do céu
Se eu pudesse deitar-me deitava-me
Numa cova com a forma do meu corpo em
Repouso se eu pudesse deixar de cantar
Fechava os olhos e olhava o alto vazio
Onde não acontece nada a não ser
A conciliação provisória do caos
E da luz que não se cansa de nascer.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


de amor ardem os bosques
Maria Azenha
Edição da autora, Janeiro 2010








Olhou o pão na mesa e deixou cair
as mãos como sementes
para que tudo crescesse a partir
do chão

olhou o mar

e viu as lágrimas
das trevas
iluminadas pelo firmamento

depois sentiu que se fechasse os olhos
por um pequeno instante
tudo voltaria aos caos

as mães têm as mãos grandes

terça-feira, 1 de junho de 2010

Poesia em S. Pedro do Sul

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Máquina de Relâmpagos
Jorge Velhote
Fotografias de João Paulo Sotto Mayor
Afrontamento, Março 2005







Descrevemos tudo como sempre principia

Descrevemos tudo como sempre principia.
Ignoramos se um outro sentido, com a noite, virá
tocar o momento da surpresa.
Talvez o ténue enredo conduza a nossa memória.
Conservemos a imobilidade para que a poeira se detenha na sombra.

Finalmente chegará a luz.