domingo, 20 de junho de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Minimal Existencial
Paulo Tavares
Artefacto, Maio 2010








Linha a linha


Segue linha a linha
a página ausente, o texto corrido
até ao abismo disperso.

Que máquina progressiva é essa
que opera a construção da metáfora
com a frieza neutra de um algoritmo?

Repara: o chão que te sustém é flexível
ao ponto de te engolir por inteiro.

sábado, 19 de junho de 2010

II Festival Silêncio!

Destaque para hoje:

19 de Junho . 15h00 . Poetry Slam For Children
"Slam poetry for children é uma das novas rubricas que o Festival Silêncio apresenta este ano. Biru vai conduzir um workshop de slam para os mais novos em que um grupo de crianças vai trabalhar a interpretação de um texto previamente escolhido. O slammer vai ensinar aos pequenos poetas todos os truques e segredos para uma boa performance de poetry slam em palco. Ao final da tarde, as crianças apresentam os resultados no Jardim dos Sons do Goethe-Institut."
Local: Goethe-Institut Portugal (Entrada livre)

19 de Junho . 20h00 . Projecto Rilke e Hesse
"Hermann Hesse é “um professor para a vida”; às vezes poético e íntimo, às vezes saudoso e rebelde – Hermann Hesse encontra as palavras e as imagens para os estados da alma. As várias interpretações de estrelas e actores, e as composições impressionantes do casal Richard Schönherz e Angelica Fleer, criam uma imagem musical para as obras de Hesse, manifestando toda a beleza, sabedoria e espiritualidade atemporal dos versos do autor de uma forma pungente. Este evento apresenta o desenvolvimento de dois projectos ligados aos autores Hermann Hesse e Rainer Maria Rilke, projectos esses compostos por exemplos sonoros e imagens de um documentário."
Espectáculo /Noite de Poesia
Local: Goethe- Institut Portugal. Entrada Livre

19 de Junho . 23h00 . Poésie et Lingerie
"Um poema é um corpo. E a lingerie é o manto de sensualidade que Inês Jacques, Claudia Efe e Carla Bolito vão levar à boca e às urnas, levar a poesia a sufrágio do queixo do povo. É um jogo erótico: temos em mão – mais em olho do que em mão, é certo – um espectáculo de contornos curvos e sedução sibilina. As três intérpretes propõem colocar em relevo, por uma noite que seja – na esperança de frutos, filhos, seguimento no sangue e no peito –, o erotismo que é tão intrínseco à poesia, à fastidiosa aparente dos livros, plena de perfume, olhar e carne. A sedução é uma arte, uma arma, e o que aqui está é uma célula revolucionária com um belicismo muito próprio: olhos no lugar de canhões, palavras no lugar de morteiros, explosões em compasso, violência em libido. Um jogo de anca com par, mas em trio. Há sonhos luminosos que começam assim."
Espectáculo/Spoken word
Local: Musicbox (8€ Bilhete válido para todos os espectáculos da noite)

19 de Junho . 23h40 . Ami Karim
"Diz ser um contador de histórias, um observador do que nos rodeia e nos escapa. Os seus textos estão centrados na humanidade visível ou invisível que o rodeia (outra vez) e aos desvios que a sua poesia surpreendente toma. A emoção apanha-nos e é dificil não nos encontrarmos entre os risos e as lágrimas das suas palavras. Rapidamente Karim ganha expressão em França e é convidado pela associação ATD Quart Monde e pelo Ministério da Cultura Francês para levar a palavra a uma série de acções humanitárias contra a pobreza. Sendo uma das referências máximas do Poetry Slam francês é frequentemente convidado para realizar workshops de escrita e de Slam, inclusivamente o famoso SLAM’ALIKOUM desde 2004, em centros de detenção, em meios escolares em em centro culturais ou socias. O disco de estreia Eclipse Total foi editado em 2008."
Espectáculo/Slam
Local: Musicbox (8€ Bilhete válido para todos os espectáculos da noite)

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


entre passos sobrevivem eras
José Álvaro Afonso
Edição do Autor, 2006







FULGURAÇÃO

Emudecido, com uma leve inclinação
Da cabeça, duvida que os dias Sucedam.
Acorda intrigado com a in
Frangibilidade do real. Duvida que o seu
Corpo seja o seu corpo. É-lhe estranho
O desejo de bailar, desejando tanto
A dança como o que não fica

Relâmpago aceso sobre a cabeça.
Inclinado sobre os dias, sucedem-se
Pasmos, muros, sebes, latadas folhosas
Violetas rosa emurchecem, tímidas,
À sua frente.
Caminha na aresta aguda de um real
Imaginado.
O CÃO DAS LÁGRIMAS DE JOSÉ SARAMAGO

No livro de Saramago
‘Ensaio sobre a Cegueira’,
já muito perto do fim
da narração desolada,

que conta como uma praga
vai cegando, lentamente,
cada um dos habitantes
de um país imaginário,

(mas que pode ser o nosso,
cegos que andamos nós todos
de uma praga sem nome
que se chama crueldade

contra o nosso semelhante
e a terra que habitamos)
há um cão extraordinário,
que merece referência.

É quando a protagonista,
a única que ainda vê
entre os cegos despojados,
leva os sacos com comida

pelas ruas da cidade
e, sentindo-se perdida
e sem fé de se juntar
ao grupo que acompanhava,

já sem forças para andar,
exausta por tanto esforço,
se deixa cair no chão
e chora desesperada.

Anda perto uma matilha
de cães por ali à solta
e, entre eles, há um
que avança para a mulher

e lhe vai lamber as lágrimas,
como que a querer dizer
que, na cegueira em que estamos,
por estranho que pareça,

venha de bicho ou de homem,
há sempre uma proximidade
que entre nós se destaca,
por um gesto que fazemos,

ou algo que recebemos
de que não estamos à espera,
por mais precário que seja
o nosso devir no mundo.

Por mais cegos que estejamos
para o que vai à nossa volta,
desgaste-nos o desespero
ou até a indiferença,

o certo é que a humanidade
jamais nos perde de vista,
sendo que, inversamente,
a humanidade que temos

perdura dentro de nós,
por mais cães que encontremos
que nos rosnem ao destino
ou lambam as nossas lágrimas.

Amadeu Baptista

Do livro inédito ‘Cão Paixão’ (infanto-juvenil)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Ano da Morte de José Saramago

Uma notícia triste: morreu hoje, 18 de Junho de 2010, pelas 12H30, o escritor e poeta José Saramago, na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade.

José Saramago nasceu na Azinhaga, concelho da Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. Trabalhou como jornalista em vários jornais, entre eles o Diário de Lisboa, de que foi director, tendo também colaborado como crítico literário na Revista "Seara Nova". Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Desde 1976 que vivia exclusivamente do seu trabalho literário.
É um dos escritores portugueses mais lidos e traduzidos em todo o mundo.
Em 1991 ganhou o Grande Prémio APE, com o romance "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1985 foi condecorado como Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada, em Portugal, em 1991 foi condecorado como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras Francesas, em França, e em 1996 foi-lhe atribuído o Prémio Camões por toda a sua obra.
Em 1998 ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema em 2008, dirigido por Fernando Meirelles.
Escolheu o exílio na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias, em 1993, depois de ter sido impedido pelo Governo português, em 1991, de concorrer a um prémio literário europeu com o livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
José Saramago foi um escritor de dimensão universal, um cidadão empenhado, um lutador. Deixa uma obra extensa: "Terra do Pecado" (romance, 1947; 2ª ed. 1997), "Os Poemas Possíveis" (poesia, 1966), "Provavelmente Alegria" (poesia, 1970), "Deste Mundo e do Outro" (crónicas, 1971), "A Bagagem do Viajante" (crónicas, 1973), "As Opiniões que o DL teve" (crónicas, 1974), "O Ano de 1993" (1975), "Os Apontamentos" (crónicas, 1976), "Manual de Pintura e Caligrafia" (romance, 1977), "Objecto Quase" (conto, 1978), "Poética dos Cinco Sentidos" (ensaio, 1979), "A Noite" (teatro, 1979), "Levantado do Chão" (romance, 1980); "Que Farei com Este Livro?" (teatro, 1980), "Viagem a Portugal" (viagens, 1980), "Memorial do Convento" (romance, 1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (romance, 1984), "A Jangada de Pedra" (romance, 1986), "A Segunda Vida de Francisco de Assis" (teatro, 1987), "História do Cerco de Lisboa" (romance, 1989), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (romance, 1991), "In Nomine Dei" (teatro, 1993), "Cadernos de Lanzarote" (1994, diário I), "Cadernos de Lanzarote" (1995, diário II), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995), "Cadernos de Lanzarote" (1996, diário III), "Cadernos de Lanzarote" (1997, diário IV), "Todos os Nomes" (romance, 1997), "Cadernos de Lanzarote" (1998, diário V), "O Conto da Ilha Desconhecida" (1998), "Discursos de Estocolmo" (1999), "Folhas Políticas (1976-1998)" (1999), "A Caverna" (romance, 2000), "A Maior Flor do Mundo" (conto, 2001), "O Homem Duplicado" (romance, 200), "Ensaio Sobre a Lucidez" (romance, 2004), "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" (teatro, 2005), "Poesia Completa" (poesia, 2005), "As Intermitências da Morte", (romance, 2005), "As Pequenas Memórias" (2006), "A Viagem do Elefante" (romance, 2008), "Caim" (romance, 2009).


Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: Eleni Karaindrou; Sonoplastia: Fernando Ladeira

II Festival Silêncio!

Destaque para hoje:

18 de Junho . 19h00 . Cântico dos Cânticos
"O Cântico dos Cânticos — também conhecido por Cântico de Salomão — é um dos livros mais poéticos do Antigo Testamento. Este canto de amor de dois amantes que enaltecem a beleza do outro através de evocações eróticas e metáforas pastorais foi originalmente escrito em hebraico. Alvo de múltiplas e controversas leituras, este poema que convida à união dos corpos e das almas é constituído por cento e dezassete versículos imbuídos de profunda sensualidade. Mafalda Lopes da Costa e Filipe Vargas emprestam a sua voz a esta obra-prima da literatura mundial."
Vozes: Mafalda Lopes da Costa e Filipe Vargas; Música: Alexandre Cortez; Editora: 101 Noites
Local: Goethe-Institut Portugal (Entrada livre)

18 de Junho . 23h30 . Sebastian 23
"A poetry slam alemã tem em Sebastian 23 umas das suas principais e mais promissoras novidades. Prémio Pantheon em 2010, procura vários caminhos para dar às palavras lugar central. É sem pejo que busca na comédia o que a música apenas permite sugerir (Sebastien 23 é voz e guitarra). Os ambientes que cria, com uma alegria latente e constante, possibilitam-lhe a levada à cena de pequenas cenas teatrais onde explora as nuances narrativas que retira directamente do papel e que guarda, aberto, no peito. A boina que o acompanha para todo o lado dá-lhe o ar descontraído que estabelece pontes de empatia imediatas com o público. Com os registos fonográficos a passearem-se já pela Alemanha, Sebastian 23 tem uma agenda preenchida até Dezembro. O seu trabalho permite-lhe ainda criar ainda laços com outros artistas, dos quais saem colaborações que muitas vezes chegam ao palco."
Local: Musicbox

18 de Junho . 24h15 . Social Smokers
"Nus numa casa de banho andamos todos, com as badaladas solitárias ao longe, na sala, feitas eco, hino de um homem-novelo que sociabiliza para dentro. Um indivíduo-fenda que colectiviza a criação e enfarda coragem às colheradas. Isto não é para meninos, pá – e a poesia tatuada entre bastas baforadas de fumo, lança o disco, lança o cão, acaba o mundo. Este alarme é para acordar, para que a poesia dê certo – a poesia tatuada, a poesia-mulher, a poesia vertida quente sobre a música. A estrada é, finalmente, esta para os Social Smokers, nascidos em slam, tempo em gume, em vértice, em vórtice, em verso, em conto, certo. É um meridiano de sangue – mais um e outro – que aqui se traça. Um poemário vivo, que clama pelo seu público no seu tempo e assume-se, pó e cara, para que dúvidas não restem de que as palavras – está bom de ver – não são ilhas. Esta noite, o microfone é aberto."
Local: Musicbox

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


T a Bernardim
Teresa Tudela
Campo das Letras, 2006







Favos de mel a resgatar o dia
em pingos oblongos
dedos
como manhãs de estio
lavando a pele de macio

demais estanques
demais sagazes
demais iníquos
fugazes

deleite absorto
alheio
areia inquieta a esboroar

de costas
fazendo castelos e a maré
subia
chegava cheia ao meio-dia
onde a tarde começa
sem que a houvesses porém de encontrar

com a candura dos meninos
prontos a começar
uma vez

e outra
e mais
sem fímbria de se acabar

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O que se escreve navegando...

Algumas frases engraçadas, escritas em motores de busca, que direccionaram visitantes para este blogue:

• poema sobre a seleção da eslovênia
• logo de vendas
• deixa-me entrar dentro do teu sexo humido-poemas
• quadras populares ordinárias
• mensagens ardentes eroticas, sedutoras pecadoras
• zulmira sizifredo blogspot muito estranho
• begonia rigga cuidados
• poema perguntas de um operario cansado de berfold brecht
• videos de joves nuas na cidade de agudos –sp
• queria tocar-lhe com a ponta de minha fala...sentir o ardor, o gosto, o exalar da t
• perfil de signo de libra nascido em 1959 as 19.30
• inauguraçao da ic1ou a 28
• antónio carapeta militar
• sex shop

(Tal e qual como estavam escritas)

II Festival Silêncio!

Destaque para hoje:

17 de Junho . 19h00 . Construção colectiva
"Todos nós usamos a palavra no nosso quotidiano. Todos nós criamos textos, diálogos, exteriorizamos ideias, sentimentos e sensações através da palavra, seja ela escrita, falada ou de outra forma qualquer. Mas o nosso uso do discurso, independentemente do seu contexto, é na grande maioria das vezes um esforço individual, quase egoísta. Este evento que está previsto para acontecer no Largo dos Stephens, na rua das Flores, incluído na secção Silêncio Off do Festíval Silêncio, pretende alimentar a construção de um texto colectivo, nascido da colaboração de todos os que estiverem presentes. Em ambiente descontraído, com comes e bebes para ajudar na soltura do espírito e da língua, procura-se a dar à luz a um novo trabalho escrito, seja ele em prosa ou em verso, que não pertença a um, mas sim a todos."

17 de Junho . 19h00 . Errances Littéraires – Atiq Rahimi contra o silêncio
"O círculo de leitores que reúne habitualmente no IFP irá subir ao palco para uma conversa informal em torno do universo literário deste escritor, poeta e cineasta afegão residente em Paris. Atiq Rahimi venceu o Prémio Goncourt em 2008 com o livro Syngué sabour: pierre de patience e o filme que realizou baseado no seu livro Terre et cendres foi premiado em 2004 no Festival de Cannes."
Errances Littéraires - Atiq Rahimi contra o silêncio com Paula Mendes Coelho e Luís Pimenta Gonçalves
Local: Instituto Franco-Português (Entrada Livre). Língua: francês

17 de Junho . 24h00 . Ursula Rucker
"É um problema diário e inevitável: a mediatização ao segundo tem criado problemas de concentração nos robots que não conseguimos deixar de ser, num século de pontas idênticas, em que passámos com a mesma indiferenciação das fábricas oleosas para os escritórios hiperligados. O reflexo no consumo da produção artística e na própria produção é evidente. E é aqui que entram os méritos de Ursula Rucker. A norte-americana tem desenvolvido, desde que começou a trabalhar em spoken word, em 1994, um trabalho técnico que visa sobretudo cativar o público para o que é dito, chamá-lo à sua própria dignidade, a sua capacidade racional. A poesia ganha uma musicalidade muito concreta, num amplexo que abrange o hip hop e a electrónica. A interpretação é construída em favor do texto, cognoscível e não a intrincada – tantas vezes acéfala – massa vocal habitual."
Local: Musicbox

Mais logo, na Casa Fernando Pessoa

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


(Des)codificações
António Salvado (poemas)
Carlos Lança (ilustrações)
Editores Associados, 1988






Se aberta a porta que percurso encontra
a ânsia modelada em febre e espera
feita de solidão e sem caminho

Indolência de rectas são as manchas
do pensamento súbito calado
palidamente a perscrutar no vácuo

A geometria do imponderável
bebendo no receio de amanhã
o que resta sem cor da ante-véspera

Por entre as confluências do acaso
que luz absorta vivifica a via
onde corre veloz o pensamento

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Festa de encerramento da Trama

Trama muda de casa

«A Trama, como vocês conhecem, vai acabar, kaputt, finito, bye bye, adios. é neste momento que vos chamo a atenção para o facto de ter escrito «como vocês conhecem» - porque a Trama não vai acabar» - é assim que, «em jeito de bofetada», é dada a notícia do fecho de um espaço em Lisboa que, além de livraria tem sido (nos últimos 914 dias) também local de exposições, concertos, performances, conversas, lançamentos e convívio de amigos. Uma livraria com os livros menos óbvios, com as revistas mais subterrâneas, com raridades bibliográficas e com café com nomes de escritores. Um espaço de amizade, de poesia, de abertura de ideias, que se tornou numa referência em Lisboa. Tudo graças à Catarina e ao Ricardo que, com a sua inteligência, afecto e simpatia, souberam criar uma forte Trama de laços pessoais e intransmissíveis.
Até já!

Concerto aberto na Fundação Portuguesa das Comunicações

Recital com Sérgio Pacheco (trompete), Cândido Fernandes (piano) e Gil Gonçalves (tuba)
16 de Junho de 2010
19H00 - Concerto Aberto

Programa:
Joseph Turrin Intrada • Cândido Fernandes (piano)
Vincent Persichetti Parable for solo trumpet
Paul Bonneau Suite: Improvisation; Danse des démons; Plainte e Espièglerie • Cândido Fernandes (piano)
Johannes Krieger Quatro imagens sobre a poesia de François Villon (estreia mundial) Gil Gonçalves (tuba)
Poesia recitada por Tiago Gomes
Karol Beffa Subway (estreia nacional)
Lars Arens Code Mode (estreia mundial) • Cândido Fernandes (piano)

No Auditório da Fundação Portuguesa das Comunicações.
Entrada livre.
Parceria com a Antena 2.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Trinta facadas de raiva
António Calvinho
ADFA, 1999
Edição especial comemorativa
do 25º Aniversário da ADFA






Testículos em frascos de álcool

Havia na guerra,
Como em todas as guerras:

– O direito de saque;
da posse da mulher prisioneira;
mas havia ainda «os troféus»!

– Os troféus eram feitos de carne!

Havia orelhas
que enfeitavam colares.

E havia também quem conservasse
testículos em frascos d'álcool!

....................(amputados a homens na anestesia
....................da morte aparente)...

....................(Foi esta a guerra para que nos alienaram
....................e alguém se atreve a contestar o fim,
....................preparando-se para contestar Abril)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia

só à noite os gatos são pardos
textos inéditos de autores contemporâneos
Organização: Jorge Velhote e Patrícia Pereira
Ilustrações: Ricardo Ayres
Cantinho do Tareco, 2009




Os gatos da minha mãe

Os gatos da minha mãe caminham
sobre as margens das coisas simples.
Não vão à praia. Sinalizam
a preguiça invadindo silenciosos
o regaço das visitas. E escutam,
privilegiados, obscuras conversas
sobre desnecessidades ou
invasivas devassas alheias.
Olham soberanos o nosso
olhar onde passam
obrigatórios como sombras
ou luz – e quando regressam
com passinhos de veludo
dos seus desvairados lugares
traduzindo a nossa ignorância
instauram a evidência, o conhecimento
fortuito, os limites imputáveis
à ternura com que, sedosos
e felinos, se deixam afagar.

Apenas não arborescem.

Jorge Velhote

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Prémio Cidade de Ourense para José Luiz Tavares

O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares é o vencedor da XVI edição do Prémio de Poesia Cidade de Ourense, pela sua obra As Irrevogáveis Trevas de Baldick Lizandro.
Destinada a originais em galego e português, a distinção hoje anunciada tem o valor de 6 mil euros e garante a publicação do livro pela editora Espiral Maior.
A obra premiada foi escolhida de entre os 40 originais recebidos e é descrita pelo júri como «um discurso bem construído em poemas longos com uma linguagem cuidada, onde se combina o classicismo com imagens inovadoras cheias de riscos eficazmente resolvidos».
Sob a presidência de Isabel Pérez, responsável pela cultura da alcaiadaría de Ourense, do júri fizeram
também parte o poeta português António Manuel Pires Cabral, em representação do Grémio Literário Vilarealense, Teresa Devesa, professora de Língua e Literatura Portuguesa, Román Rana, vencedor da anterior edição do Prémio e Miguelanxo Fernán Vello, editor da Espiral Maior.

José Luiz Tavares nasceu na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Estudou Literatura e Filosofia. Estreou-se em 2004 com Paraíso Apagado por um Trovão e o seu mais recente livro, editado
já este ano, é Cidade do Mais Antigo Nome, em parceria com o fotógrafo Duarte Belo.

Ai que prazer... passear por Lisboa com Fernando Pessoa!

De 17 a 20 de Junho será possível passear com Fernando Pessoa em vários locais de Lisboa como o Chiado, o Rossio, a Avenida da Liberdade, o Saldanha e o Jardim de S. Pedro de Alcântara. Trata-se de um espectáculo concebido por André Murraças, construído a partir do texto homónimo de Fernando Pessoa, em que o poeta se passeia com as pessoas por Lisboa – a Lisboa que o turista deve ver, confrontando o passado e o presente da cidade.
Durante os quatro dias do espectáculo/percurso, das 10H00 às 19H00, os actores (Alexandra Sargento, André Patrício, César Ribeiro, Dina Santos, Estevão Antunes, Hugo Amaro, Joana Barrios e Ricardo Neves-Neves) interagem com o público, confrontando-o com a descrição original do texto de Pessoa “Lisboa: O que o turista deve ver” e as imagens actuais da cidade, desvendando também o seu lado desconhecido.
Serão disponibilizados leitores de CD com excertos do texto (em português e inglês) referentes a cada local.

Ficha artística:
Conceito, Dramaturgia, Espaço Cénico e Concepção Sonora: André Murraças
A partir de Lisboa: O Que o Turista Deve Ver / What the Tourist Should See, de Fernando Pessoa
Tradução Maria Amélia Santos Gomes/Livros Horizonte
Vozes: Pedro Ramos e André Murraças
Com: Alexandra Sargento, André Patrício, César Ribeiro, Dina Santos, Estevão Antunes, Hugo Amaro, Joana Barrios e Ricardo Neves-Neves
Design Gráfico: João Biscaia
Produção Executiva: João Lemos e Tânia Afonso
Comunicação: Raquel Prata de Oliveira
Produção Grupo Cassefaz
Espectáculo integrado na Programação Outras Cenas das Festas de Lisboa 2010


“Lisboa: O que o turista deve ver” é um texto inédito de Fernando Pessoa (provavelmente datado de 1925) que, ao contrário da maior parte dos seus inéditos, estava completo, dactilografado e pronto a ser publicado. É um guia de Lisboa, escrito em Inglês, propositadamente turístico, que percorre todo o património importante da cidade (arquitectónico, artístico, intelectual e de lazer).

Mais logo, na Fábrica de Braço de Prata

Lançamento do primeiro livro de
Miguel Cardoso, Que se diga que vi como corta a faca,
da editora Mariposa Azual

Mais logo, na BMRR

Exposição Colectiva de Artes Plásticas e Internacional de Arte Postal “Aniversário de Fernando Pessoa”
Inauguração: 14 de Junho, 19h, na Biblioteca-Museu República e Resistência/Espaço Grandella (Estrada de Benfica 419 - Lisboa).
A exposição estará patente ao público até dia 30 de Junho.
A sessão de Abertura contará com uma sessão de poesia por Joaquim Evónio.
Irá ainda haver uma pequena palestra sobre o Fernando Pessoa pelo seu sobrinho Luís Rosa Dias.
Participam os seguintes artistas:
Carruço, Carmen Lara, Carlos Gomes, H. Mourato, Fernando Infante do Carmo, David Marques, António Sem, Paulo Prates, Theia Roiz, Marco Ayres, Henrique Tigo, entre outros.
Na Exposição de Internacional de Arte Postal participam:
Alemanha: Bernhard Zilling
Austrália: Denis Mizzi
Brasil: Sérgio Monteiro de Almeida, José Roberto Sechi, Vitor Cavallo, Celso Cintra, Thiago Buoro
Bélgica: Baudhuin Simon, Stuka Fabryka
Canadá: Artopia
Espanha: Miguel Jiménez, Juan Montero Lobo
Estados Unidos: Jim Leftwich, David L. Alvey, T. Smith, John M. Bennett, Dan Buck, Valery Oisteanu, Mary K. Cain, Sydney Burroughs, Zo Zois
Equador: Monica Garces Conley
França: André Robèr, Zav, Jean Hugues, Yves Maraux, Pascal Lenoir
Holanda: Jan van dePol, Rael
Itália: Enrico Pignone, Pinky, Giovanni, Emily Joe, Varese, Lancillotto Bellini, Roberto Scala, Fabio Sassi, Ruggero Maggi, Anna Boschi, Adriano Bonari
Inglaterra: Jon Bray, Ray Bass, Skandy, Jordan Ambler
Japão: Ryosuke Cohen, Keichi Nakamura
Lituânia: Gytis Skudzinskas
Portugal: H. Mourato, Silvia Soares, Henrique Tigo, Manuel Pina, Vera Occhiucci, Gonçalo Beja da Costa, Miguel Barros, Prekatado, Henry Cruz, Aida Espadinha, Fernando Henriques, Lourdes, Ana Maria Malta, Paulo Santos, Eduardo Perestrelo, Maria Arceu, Clo Bourgar, Ana Maria Malta José Manuel Alves-Pereira, Victor Teixeira Lopes, Joaquim Sousa, Raquel Martins, Maria Azenha
República Checa: Valentino Sani
Uruguai: Clemente Padin