quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mais logo, no Porto

Quarta feira, dia 19 de Maio pelas 18 horas, será apresentado o livro Um Cão Em Cada Dedo de Alice Macedo Campos, na Faculdade de Letras, sala 106.
Esta iniciativa enquadra-se no âmbito do Ciclo Estourar a Caixa Antiga, organizado pela Associação Cultural Extrapolar, que conta com o apoio nesta sessão do Núcleo de Arqueologia da Universidade do Porto.
O livro será apresentado por Carlos Vinagre e os textos serão ditos por Ana Almeida Santos.

Caranguejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
Pra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito pra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

Noite sempre plo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho – que amor!...
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor –
Plo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,
Pra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?...
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo –
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará.
Pra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. Co'a breca! levem-me prá enfermaria! –
Isto é, pra um quarto particular que o meu Pai pagará..

Justo. Um quarto de hospital, higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras...
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá-Carneiro


Interpretado pela Andante:

Voz: Cristina Paiva; Música: The Valerie Project; Sonoplastia: Fernando Ladeira

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


As Casas Pressentidas
Luís Serrano
Edição do autor, 1999








As mãos e a casa


As mãos tocam o frio
das paredes
deixam na casa
uma réstea de luz
a memória inexpugnável
de um gesto

Agora a casa
pode ruir
transformar-se de repente
numa lembrança
de pedra
de madeira rasgada
pelo vento

ou as mãos
regressarem à terra
a voz
perder-se nas arquivoltas
do coro

que nada nem ninguém
apagará o silêncio desse gesto
o rasto discreto
de um tal signo

terça-feira, 18 de maio de 2010

O cordão encarnado

Vai realizar-se no dia 19 de Maio, pelas 17H00 (hora local), na GOLE (Av. Rio Branco, 76 A, Bairro do Recife - Brasil), o lançamento dos livros O Cordão Encarnado: Uma Leitura Severina, Volume I e II, de Lucila Nogueira (Edições Bagaço) – uma tese de doutoramento da autora sobre os livros O Cão sem Plumas e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.
A apresentação será feita por Luzilá Gonçalves Ferreira e Lourival Holanda comentará a obra.

SINOPSE: "O Cordão Encarnado", de Lucila Nogueira, é uma bela e consistente contribuição para a fortuna crítica de João Cabral de Melo Neto. Após as indagações de cunho conceitual-teórico da primeira parte, Lucila empreende um corpo a corpo com a poesia cabralina, chegando a resultados pertinentes e fundamentados, tanto no que diz respeito às obras em si, quanto a seu diálogo contextual.

Novidades D. Quixote

A Biblioteca Particular de Fernando Pessoa - Vol. I
Autores: Jerónimo Pizarro, Patricio Ferrari e Antonio Cardiello
Dom Quixote, Maio 2010
N.º Páginas: 448

O primeiro de três livros que apresentam o espólio de Fernando Pessoa. Neste primeiro volume, será dada a conhecer a biblioteca pessoal do poeta.

Sinopse: Fernando Pessoa foi o primeiro a imaginar um catálogo da sua biblioteca particular, por volta de 1913. Embora não saibamos ao certo qual terá sido a sua motivação, nem como a teria catalogado, este livro procura ser esse catálogo e muito mais: tantos são os livros que Pessoa anotou, que se impunham alguns destaques e transcrições; tantos os livros que vendeu ou cuja localização se desconhece, que era preciso documentar algumas dessas vendas e extravios. A Biblioteca Particular de Fernando Pessoa, para além de oferecer uma imagem de cada um dos livros (e de alguns jornais e revistas) que Pessoa leu, corrige e complementa tentativas anteriores de catalogação e dá a conhecer um acervo único através do qual é possível compreender melhor o universo pessoano, descobrindo e adivinhando a proximidade entre a leitura e a criação.
Este é o primeiro de três livros que apresentam o espólio da Casa Fernando Pessoa. Primeiro, a bibblioteca particular, dada a sua magnitude e o facto de ter sido digitalizada para possibilitar a sua consulta on-line; segundo, os objectos que pertenceram ao escritor e que ainda evocam a sua figura; e, terceiro e último, a colecção de arte que conserva a Casa-Museu destinada a homenagear Fernando Pessoa.

Mais logo, em Vendas Novas

Apresentação do livro de António Murteira “Até Amanhã - em Laetoli no Alentejo como numa Lua” (Edições Colibri), em Vendas Novas, no dia 18 de Maio pelas 20h, na Biblioteca da Escola Secundária.
Adélia Bentes dinamiza conversa com António Murteira sobre Até Amanhã e outras obras do escritor.
Leitura de textos e poemas de Até Amanhã.
Sessão de autógrafos.
A "Lua Mais Perto..." Observação do céu com telescópio.
Organização: Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Vendas Novas.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


A Geografia do Tempo
Graça Magalhães
Palimage, 2009








6.

Do lugar onde nasci
crescem flores de caju
prometem-se aos olhos
a caligrafia das paisagens
o movimento dos rios
a simples constelação das flores
em torno dos caules

São como traços de rubi os animais
satélites gráficos voadores
sobre ramos genuflexos
iluminando as noites mal fechadas

eu era pequena
trouxe a memória ocre das falésias
um rapaz ostra dentro do peito
as rosas de açafrão despindo as saias

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Novo livro de Torquato da Luz

Apresentação na Livraria Barata da Av. de Roma (Lisboa), pelas 19H00
do livro "Espelho Íntimo" de Torquato da Luz.
Apresentação por João Gonçalves.
Leitura de poemas por Inês Ramos.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Área Afectada

Fernando Esteves Pinto
Temas Originais, 2010








Ellington sempre me parecera nervoso.
O mesmo acontecia com os nossos jogos psicológicos.
Havia na família uma moldura diferente
atribuída a cada sentimento.
Depois de nos degolarmos na sala a pergunta era esta:
que moldura sentimos que faça parte do nosso espírito?
Eu dizia tristeza e murmurava sempre tristeza
e o coração do pai abandonava-nos com vergonha
a mãe enrolava as mãos a segurar o amor
e eu adormecia em delírio e despertava sempre em delírio.
O jogo da moldura tinha a vantagem da incompreensão.
Numa família há os realizadores de molduras
e os que sentem a realização da matéria emocional.
As mais belas resoluções eram feitas
na presença de Ellington.
Improviso ambiental familiar.

domingo, 16 de maio de 2010

Manjericos em origami e Concurso de quadras populares

A Livraria POETRIA promove o seguinte programa para o dia 19/6/2010 nas Galerias Lumière (ruas José Falcão e das Oliveiras):

10,30h: work-shop de manjericos em origami
Inscrições: 15€ (material incluído)

18,00h: divulgação do resultado do concurso de quadras populares;
distribuição de prémios;
leitura das quadras premiadas.
Participação e entrada livre.


REGULAMENTO DO CONCURSO DE QUADRAS DEDICADAS AOS SANTOS POPULARES

1. Podem participar todos os que tiverem mais de 16 anos podendo concorrer com um número ilimitado de quadras a Santo António, S. João e S. Pedro, desde que cada uma seja assinada por pseudónimo.

2. Também poderão participar jovens com idades a partir dos 10 anos que serão objecto de avaliação e classificação próprias.

3. As quadras deverão chegar via net ou postal a: livraria.poetria@gmail.com ou Poetria - R. das Oliveiras, 70 r/c, loja 12 - 4050-448 Porto até 9 de Junho 2010.
Informações: tlf. 222023071 ou tlm 968707303.

Será constituído um júri para cada grupo etário, que avaliará e classificará as quadras vencedoras atribuindo prémios e menções honrosas.

Mais informações: poetriablog.wordpress.com

sábado, 15 de maio de 2010

Outras sugestões para os próximos dias



19 de Maio (quarta-feira):


FARO - Livraria Pátio de Letras
Quarta-feira, 19 de Maio, 22:00
"120 anos de Mário de Sá-Carneiro"
Leitura de “Mistério” por Afonso Dias.






PORTO - Bar Labirintho
Poesia à Quarta
Quarta-feira, dia 19, pelas 21.30h:
Adão Fernando Soares vai ler poemas de Fiama Hasse Pais Brandão, Ana Cristina César e Emily Dickinson.
Apresentação: Danyel Guerra.
Bar Labirintho: Rua Nossa Senhora de Fátima, 334 - PORTO

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20 de Maio (quinta-feira):

S. DOMINGOS RANA - Biblioteca Municipal de Cascais
Próxima sessão das Noite Com Poemas: na Biblioteca Municipal de Cacais, em São Domingos de Rana, no próximo dia 20 de Maio (quinta-feira), pelas 21h30.
Convidado: Alberto Simões de Almeida.




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21 de Maio (sexta-feira):

LISBOA – Livraria Ler Devagar LX Factory
21 de maio – Sexta
19 horas:
Apresentação do Livro de poesia AvRYl de Dinis H. G. Nunes.
Apresentação do autor e do livro por José Bivar.
Conversa com o autor por Fernando Esteves Pinto.
Leitura de poemas por Inês Ramos.


LISBOA – Escola 2,3 Olivais
Apresentação do livro de Poesia “Pedaços D´Alma” de Sandra Nóbrega (ed. Temas Originais) na Escola Básica 2,3 dos Olivais, Rua Cidade de Bolama, em Olivais Sul, no dia 21 de Maio, pelas 15H00.
Obra e autora serão apresentados pelo escritor Paulo Afonso Ramos.




S. PEDRO SINTRA – Art Domus In
Apresentação do livro de Poesia “Momentos…” de Luís Ferreira (ed. Temas Originais) na tertúlia do Art Domus In, Rua Serpa Pinto, 5 em São Pedro de Sintra, no dia 21 de Maio, pelas 21H30.

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22 de Maio (sábado):

VISEU – Conservatório de Viseu
A antologia de poesia sobre música "Divina Música" editada pela Proviseu - Associação para a Promoção de Viseu e Região, com organização do poeta Amadeu Baptista terá a sua primeira apresentação pública no próximo dia 22 de Maio no Auditório do Conservatório Regional de Música de Viseu.
Esta apresentação estará integrada nas comemorações do 25º Aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu (1985-2010).


LISBOA – Cooperativa Crew Hassan
Lançamento do livro de poesia "Memória das Ausências" de Ana Filipa Duarte (ed. Corpos Editora), no dia 22 de Maio, na Cooperativa Social Crew Hassan, em Lisboa (Rua das Portas de Santo Antão nº159 1ºandar).

Mais logo, vou estar...

... no Auditório do Campo Grande, 56 (Lisboa), pelas 19H00, a ler poemas do livro "Área Afectada" de Fernando Esteves Pinto.

Mais logo, na Feira do Livro de Lisboa

15 de Maio, sábado, 16 horas:
Poesia Brasileira.
Leitura por Diogo Dória.
Com a presença do poeta Carlito Azevedo, que dirá poemas de sua autoria.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

IV Parfums de Lisbonne


Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964

Foi há...

...10 anos que morreu
José Blanc de Portugal
(8/3/1914 - 14/5/2000)








Dia de Todos-os-Santos

Supõe que morri
(Aos mortos se escreve também algumas vezes).
Não sou de cá.
O que me dizem estranho
E ouço o que não há.
Assim, talvez, como estrangeiro,
Encontres palavras que me interessem,
Saibas dar-me o que me tarda...
coisas perdidas que procuro
e talvez se possam dar
aos que partiram e esqueceram
e, por isso,
se lhes oferece o resto de tudo
sem mesmo se saber
que alguma coisa é dada.

Supõe que morri e diz
todas as verdades que se dão aos mortos
o que se confessa a quem não ouve
e espera resposta de ninguém...

Dizem que os deuses morreram:
Sou da raça deles
à espera de Deus

José Blanc de Portugal

Ler aqui o que disse Rui Almeida sobre este poeta, no blogue Poesia & Lda.
E aqui, uma entrevista de José Blanc de Portugal à revista Leonardo, em 1988.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


As Vindimas da Noite
Maria do Sameiro Barroso
Labirinto, 2008








Chuvas de Maio


O corpo (a pele e o silêncio) lavram-se nesse ritual
puríssimo de árvores, astros, sombra,
como misterioso ardor, pungente enleio
que surge pelo jardim, pelos dedos,
pelo mantel de estrelas, pelas árvores de cerâmica,
totem de derramadas turquesas,
sítio onde as aves iniciam o ciclo da relva,
a água, o verde.

Numa cerejeira inesperada, os lilases vestem-se
de negro, os girassóis adormecem,
e os ciclos flutuam, na prata antiga, na noite obscura,
na palavra veemente onde os relâmpagos ardem.

Nas sombras de açafrão, os fios do tempo
anunciam as varandas do sol, a terra, as sementes,
os pigmentos que fabricam as umbelas verdes,
as artérias de jade percorrendo o céu, o barro,
o céu preenchendo o ventre salgado das plantas,
dos peixes,
as máscaras recolhendo, no feitiço dos sonhos,
a distância que cobre os braços, as folhas,
as rotas do vento, o oiro antiquíssimo,

a pureza inicial.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Chão de Papel
Maria Estela Guedes
Apenas Livros, 2009








A Praça


Ias à Praça – relíquia verbal do antigo nome
Da Praça de S. José de Bissau —
Com as casas de sobrado e varanda
De madeira pintada de azul-mantenhas:
– Cuma di corpo? E bo papé? E bo mamé?
Tens um objectivo em mente, o Mercado Municipal,
E um local preciso aonde vais em sonhos.
Que queres tu comprar? Sabes que é coisa
De comer, mas o quê? A vagem branca
E azeda de tamarindo? Castanha de caju?
Volta e meia sonhas com isso
Mas ainda não descobriste o que vais tu
Comprar à Praça com as suas casas de sobrado
E varanda de madeira pintada de azul-mantenhas.
Por baixo as lojas de varejo
– Ali o estúdio fotográfico do pai do Erasmo,
Além o Silva relojoeiro
Aqui a Casa Pintozinho –
A velha escola onde estudaste
Encostada a um majestoso mangueiro
E na esquina, instalada no chão com o fogareiro
A gorda Nha Tilda torrava mancarra
Que comíamos ainda quente
A cheirar a vida airada e a gente de barriga cheia.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Novas Poéticas de Resistência em Coimbra

Colóquio Internacional
Projecto
"Novas Poéticas de Resistência: o século XXI em Portugal"
25 de Maio 2010
Sala de Seminários do CES, 2º Piso, Coimbra

Programa aqui:
http://www.ces.uc.pt/eventos/evento206.php

VII Encontro Internacional de Poetas em Coimbra

VII Encontro Internacional de Poetas
Coimbra - 27-29 de Maio de 2010

Da responsabilidade de um punhado de docentes de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, realiza-se em 27-29 de Maio de 2010, em Coimbra, o VII Encontro Internacional de Poetas.
Cumprindo uma tradição de quase vinte anos, o VII Encontro reunirá uma vez mais poetas de Portugal e do mundo. Uma vez mais, em lugares aprazíveis da universidade e da cidade de Coimbra, ouvir-se-ão as línguas muitas da poesia, num Encontro este ano subordinado ao tema geral justamente de “As Línguas da Poesia”.
Estão confirmadas as presenças de Charles Bernstein, Próspero Saíz e Ntozake Shange, dos Estados Unidos da América; Marlene Nourbese Philip, de Trinidad y Tobago/Canadá; Ch´aska Eugenia Anka, do Peru; Régis Bonvicino, Wilmar Silva, Camila do Valle, Dona Nice-Quebradeira-de-Coco e Martinho da Vila, do Brasil; Moya Cannon, da Irlanda; Liana Sakelliou, da Grécia; Stephanos Stephanides, de Chipre; Ana Blandiana, da Roménia; Amina Saïd, da Tunísia/França; Uxue Alberdi e Miren Artetxe, do País Basco/Espanha; Manuel Rui, de Angola; Delmar Gonçalves, de Moçambique; Maria Teresa Horta, Ana Luísa Amaral, Helga Moreira, Pedro Sena-Lino, Cristina Nery e aNa b, de Portugal.
As tardes e as noites destes três dias serão ocupadas com leituras e performances de poesia, as manhãs com mesas-redondas para discussão das tendências da poesia contemporânea e problemas de tradução entre as diferentes línguas. De igual modo cumprindo a tradição, também neste VII Encontro Internacional de Poetas a poesia andará de mãos dadas com a festa.

Mais informações:
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