sábado, 13 de fevereiro de 2010

Hoje é dia de poesia erótica!

Caros etéreos,
como sabem, para este passatempo, o tema era o erotismo. Este passatempo foi patrocinado pela editora 4Águas, que ofereceu 10 exemplares do livro de poesia erótica "Amo Agora" de Casimiro de Brito e Marina Cedro para os primeiros 10 participantes que enviaram os seus trabalhos.
Assim sendo, os participantes mais rápidos que receberão livros são os seguintes:
Alexandra Malheiro
João Tomaz Parreira
Raquel Lacerda
Fernando de Jesus Ferreira
Jorge Castro
Fernando Aguiar
José M. Silva
António José Queiroz
Adauto Suannes
Antonio Miranda

Eis todos os poemas participantes, pela ordem que chegaram:


Promessa cumprida

Prometi não falar hoje,
das esquinas do teu corpo,
nem do sangue que me foge
e deixa o meu quase morto.

Prometi nem pensar
na curva-contra-curva
desenhada no teu peito
nem no avanço contrafeito
dos dedos pelo teu ventre
até à encosta onde acosta
o teu desejo fremente.

Prometi não te pensar
como o lobo pensa a presa,
desejei não desejar
teu corpo de sobremesa,
ou sobre a mesa,
ou sobre o chão,
ou nas paredes…
da casa…

O teu cheiro
em toda a parte
só tu não…

Alexandra Malheiro
www.alexandramalheiro.no.sapo.pt
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Eu quero beijar a tua rosa

Eu quero beijar a tua rosa
Um sinal ao fundo
das tuas costas
que se desenham sob a roupa
Eu quero que recomecemos
do princípio
quando desço pelo declive
que começa nas espáduas
E absorto do mundo ao redor
firme meus dedos
nesse caule dessa rosa
que mexe com teu corpo
e me chama por Amor
como um sinal.

João Tomaz Parreira
http://poetasalutor.blogspot.com
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Via na luz amarelada
do seu corpo
dobrado
dentro do seu peito,
a galope
a respiração ofegante
de quem ama a mais, por ser assim o amor.
Amar a mais,
com as mãos,
os lábios frescos
pedem
só mais um pouco
dessa canção
em que danças.

Raquel Lacerda
http://asinhasdefrango.blogspot.com
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Ensina-me o teu corpo
as tuas mãos
o teu peito

Ensina-me o teu sexo

Ensina-me o teu amor
O teu amar
O teu mar

Corpos em fusão
num movimento
perpétuo
Como animais de luz
esgotando-se num prazer
infinito

Ensina-me o silêncio
das coisas inefáveis
do saber atávico

Fernando de Jesus Ferreira
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L(e)itania

todo eu me pelo
ao ver cabelo
e ao mordê-lo
mordiscá-lo
afagá-lo
alisar-lhe
os caracóis
e sermos dois
entre vales de lençóis
por tanta míngua
se calhar vingo-a
com a língua
na raiz das coxas
quando puxas
sedas roxas
para trás
porque nos cobre
e descobre
quanto sobre
do prazer
que entre nós há-de ser
o que se quer.

Jorge Castro
http://sete-mares.blogspot.com
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E SE O RISO

e se o riso sobe e se o sonho sua
sobre a tela ponho o esboço que faço
de te ver tão bela, de te ter tão nua
que sobre a imagem o teu cheiro ameaço.

e se pronta te dás quando na cama me cercas
e se na pele te velejo numa brisa tão pura
nos instantes que encontro, não deixo que percas
na forma dos mamilos a cor desta loucura.

e se queres que te aprenda quando vês que te vejo
e se exulto arfando à força de te amar
e se de noite te acendo e na penumbra te beijo
é no teu mar de desejo que me quero afogar.

Fernando Aguiar
http://ocontrariodotempo.blogspot.com
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Dispo-me

Dispo-me…
no segredo nu
das tuas vestes irresistíveis
no olhar concavo,
do imaculado desfruto.

Navego-te, oceano
turbulento de águas febris,
franqueio o veludo tépido dos poros
a estalar como átomos inebriantes
na voluptuosidade do anelo.
Cópulas intensas evocam lençóis brancos
como sementes, coadas nos corpos
num ledo e fogoso pórtico semiaberto
ás combustões macias dos tecidos
do sinuoso e profundo lago imaginário.

Danças em mim, despojos d’alma,
visto-te com a minha pele, toco-te…
submergem da languidez adormecida
do teu corpo espasmos, orgasmos,
renovados no respiro ofegante da
da ressoada e porosa fonte!…

José M. Silva
http://esquicospoeticos-avlisjota.blogspot.com
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Ensina às minhas mãos
o caminho do teu corpo.

Faz com que subam
às pequenas colinas
onde a luz indecisa
se demora pela manhã.

Cegas, descobrirão
o delírio da água
na fonte incendiada.

António José Queiroz
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Maria de Jesus

Maria de Jesus
tu és afronta
és negação total da religião
És toda carne
e tão roliça
e tão cheirosa

Tens no prenome
(logo quem)
o Salvador

Laboratório de uma rua inteira
onde aprendemos biologia
anatomia
e tanta coisa
tanta coisa

Até matemática:
um e um dois
nem sempre
às vezes três
depende do sexo
tudo depende do sexo
todos dependem do sexo,
Maria.

És sem vergonha
tão cretina
que eu me revolto
procuro outras marias
menos tremendas
mais recatadas
não tão altruístas
não tão roliças
não tão gostosas

Tão sem graça essas marias!

Que me revolto
e volto a ti
que tens em ti o Salvador
e és a minha salvação
atestado da minha virilidade

Maria de Jesus
tu és um mundo

Adauto Suannes
http://www.circus-do-suannes.com
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O COITO DO SÁTIRO

I
Na penumbra de uma lua minguante enxergou
uma casa modesta, coberta de telhas arruinadas
e nenhuma cama decente
para descansar da fadiga caminheira.
Redes no meio de um quarto sem adorno e sem móveis.
Um cenário de sombras.
O sátiro arrojou-a na rede suja
e esforquilhou-se sobre seu corpo trêmulo,
despindo-a com rudeza,
com os pés plantados no assoalho.
Desvestiu-se da camisa e,
uma perna
depois da outra,
desvencilhou-se da calça de brim escuro.
Apareceram, então, entre as pernas,
dois pênis imensos excitados e vibrantes
como duas serpentes libertas.
Dois pênis sobrepostos, olhos de fera, faiscantes.
A lamparina extinguia-se lampejante,
exalando um cheiro de queimado.
Carnes indefesas,
besuntou-a com sucessivas demãos de saliva grossa
e começou a introduzir-se com fúria.
Tamanha a dor e acabou desfalecendo.
Depois ele repetiu o assalto pelo ânus.
Começou a penetrar as cavernas até não mais poder.
Um estrebucho de frêmito até aos estertores
do gozo, relinchando vitorioso.
Acordou as galinhas nos poleiros e os animais nas coxias.
O sangue jorrava dela
enquanto o fauno saía correndo
para o riacho próximo,
arrojando-se nas águas
para apagar as brasas de seu corpo enfermo.

II
O silêncio acometeu os corpos exauridos.
O homem estremecia no sonho saciado
e perturbava a noite com os roncos de bicho extenuado.
A jovem no torpor de um pesadelo e gemidos constantes.
Na tarde do dia seguinte abriu os olhos e viu
as réstias de luz invadindo o quarto hediondo.
O companheiro dormia um sono ruminante.
Saiu engatinhando até a soleira da porta
para ofuscar-se com as luzes invasoras
de uma tarde declinante.
Avistou uma ingazeira portentosa e um pasto ralo
no horizonte difuso.
Encontrou mais adiante um cocho com água da chuva
e meteu a cara até sentir afogamento
quando percebeu que estava nua.
Viu um machado repousando junto à porteira
e agarrou-se a ele com a força que não tinha.
Sentiu o ímpeto de salvar-se
valendo-se daquele instrumento de justiça.
Tentou arrancá-lo das entranhas
da madeira de um tronco caído
mas não foi capaz.
Ainda intacto o saco em que trouxera seus minguados pertences.
O vestido de noiva prostrado sobre o chão poeirento.
Saiu avexada até embrenhar-se na caatinga
em direção desconhecida.
Errando pelos caminhos de tropeços e espinhos.
Arfando e farejando “com sôfregas narinas”
como escreveu o poeta Humberto de Campos.

Antonio Miranda
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SURPREENDE-ME

Surpreende-me...
Querer desejo incontido
Lambe-me os seios
desmancha-me a loucura
usa-me as coxas
devasta-me o umbigo
mostra-me tua bravura
abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros
e lentamente faz o que te digo
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas
Encostada de costas quentes suadas
ao teu peito inchado
em leque as pernas dolentes
abertas
o ventre inclinado
ambos de pé colados
despertas
formando lentos gestos de ternura
as sombras brandas
tombadas no soalho leito
Corpos excitados
Em morna loucura
Estranho feito
Que em tempo perdura

Ana Bárbara de Santo António
http://anabsantoantonio.blogspot.com
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Sexo…

Fome carnal…

Olhar… atracção, desejo…
beijo… sabor, cheiro…
toque… envolvimento, excitação…

Pele macia, sedosa…
cabelo solto…
mimos, carícias…

Lábios, orelhas, pescoço…
seios, nádegas…
pénis, vagina…

Curvas e contra-curvas de sensualidade…
carne… mais desejo…
erotismo…

Chupões, dentadas…
penetração…
sexo…

Posições dinâmicas… movimento…
devagar, depressa… ritmos vários…
voltas e mais voltas…

Dois corpos fundidos num só…
arrepio…
prazer… orgasmo…

Larva de vulcão…
fonte… cascata…
rio e seus afluentes…

Sexo…
alimento da paixão…

Saul Neves de Jesus
www.ualg.pt/~snjesus/fotopintura
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Poema de amor para chatear o Camões

num dia cinzento
uma amiga colorida
apareceu-me num sonho cor-de-rosa

mas ainda estávamos muito verdes
e nada estava preto no branco
foi na verdade por uma unha negra que não nos demos bem
(entalei-lhe um dedo ao fechar a porta do salão)

nada disso impediu que continuássemos juntos
sempre pela noite dando com a língua nos dentes
depois de ela me dar uma mãozinha
e de eu lhe dar um braço a torcer

descalça a minha bota e depois penduradas as suas
encostava-me a roupa ao pêlo
e eu levava as minhas mãos muito a peito

metíamos os pés pelas mãos em noites de maior excentricidade

punha-me sempre a pau
ela prometia-me mundos e fundos

quando partiu ficou como um negrão na minha vida
eu fiquei na sua como um ponto negro

a verdade é que
estou-me nas tintas

Bruno Santos
http://aranhicaselefantes.blogspot.com
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dentro do teu corpo
há um barco que te puxa

as mãos que são as tuas asas
a boca que é a tua rosa aberta
à procura do fogo

dentro do teu corpo
há um barco que te navega

as palavras que não dizes
o silêncio com que tropeças
na solidão

dentro do teu corpo
há um barco que te rodeia

o sangue que te respira
o amor que desenhas
com um suspiro

Daniel Gonçalves
http://afectosepalavras.blogspot.com
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segue-me a linha do corpo

segue-me a linha do corpo
no arrepio que provoca a brisa do teus lábios
inunda-me o ventre com o ondular dos teus cabelos
e serena repousa o ósculo
no pico extasiado do falo
que te desperta
a fome
de carne doce

engole-me
seduz-me na vertigem da tua língua

os meus sentidos emergem
na graciosidade gesticular
das tuas pernas
que, estremecendo,

procuram a foz de um rio feito de pétalas
e plumas da alvorada.

José Alexandre Ramos
http://quefarei.blogspot.com
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Na Gruta de Helena

Uma deusa de longos cabelos prateados
foi derrubada no esplendor da alba,
gemeu como ave ferida de desejo
enquanto caída, cheia ainda de paixão.
Eu ia no corcel em que era espetada.

O corpo estremecia no mármore fresco
o olhar fixo no tronco do fogo da paixão,
os lábios húmidos sugando o sexo dos astros
uma roseira, erguendo-se agarrada às vozes.
Eu bebi o interior transparente das anémonas.

Como Heitor no carro doce da vitória
todos os cânticos no gume feérico da pele,
enquanto no elmo a cabeça ainda sadia
e o tronco indomado ainda garboso.

João Rasteiro
www.nocentrodoarco.blogspot.com
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A tua boca me encanta
Seu rosto definido
Beleza tanta
Deixa-me tímido

Falar com você
Tocar em suas curvaturas
Enche-me de prazer
Faz pensar em consequências futuras

O amor floresceu
Seu sorriso me enlouqueceu
O umbigo apareceu
Desceu

Aquele vestido vermelho...

Marcelo Torca
www.marcelotorca.com
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pele

a pele
é um rio
sendo que um rio
é tudo
ou nada.
estio
fartura
sede
fome.

sangue
e sémen
escorrem
vibram.

poro a poro.
a boca,
cálice,
degusta
o sagrado sabor da vida.

Conceição Paulino
http://acordavida.blogs.sapo.pt
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O PAPEL SORRI

silenciosamente,
de forma quase inaudível
o lápis sussurra palavras ao papel.
e o papel sorri.

letra após letra,
o lápis acaricia
a alva folha,
que de felicidade sorri.

do lápis,
as ideias brotam
sobre o papel
e ambos fazem nascer
a poesia.

lápis e papel
trocam afagos com letras.
dão abraços com palavras.
são sentimentos
através das ideias
e em conjunto constroem o poema
até à palavra FIM.

...o lápis cansado
deita-se em merecido descanso...
...enquanto, de alma preenchida
o papel sorri.

Eduardo Roseira
http://ecosdomeupatio.blogspot.com
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Entre Corpos

Traço entre traços de pele e suor
Um enlace de amplexos fugitivos,
Suave miragem de prazer e dor
Perdida entre movimentos furtivos.

Um demónio devaneia entre os vivos,
Estendendo as mãos em lascivo fulgor,
Como um deserto fogo de olhos esquivos
Fugindo da voz de um fogo maior.

Corpos sobre almas de êxtase e loucura,
Pecado e luz no leito da vontade
Que canta em gritos a eterna loucura

De um perfeito sacrilégio, de um mundo
Liberto em vozes de audaz liberdade
No cântico de um altar mais profundo.

Carla Ribeiro
http://valedassombras.blogspot.com
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anseio pelo momento de escrevermos poesia
ou palavras de vida
nos beijos de nossos corpos entrelaçados.

beber as gotas do amor,
ser mar.

Vicente Ferreira da Silva
http://inatingivel.wordpress.com
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ATRASOS…

Sempre olhavas o relógio
E as horas marcadas
Para estar em casa

Quando começava
A despir-me
Olhavas-me cobiçoso
E tocavas-me
Onde sabias

As horas ficavam para trás
(Mas nunca te atrasavas
Em casa)

Atrasavas-te só em mim
No reboliço
Em que deixávamos
Metade de nós….

Paula Raposo
http://romasdapaula.blogspot.com
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MOMENTO DA LUZ 3

E ainda por entre os cortinados de vento
Te contemplo. Os teus gestos. O jarro.
A água embebedando-se na luz do teu corpo
Onde a claridade é morena.

Os teus fémures lembram pórticos antigos.
O silêncio ruge-me entre os dentes
Que lavo, enquanto te vejo, aproximando-te,
No espelho.

Os teus braços enleiam-me. As minhas
Vértebras estremecem. O mundo recebe-nos
Com o relincho dos frutos.

Luís Costa
http://oarcoealira.blogspot.com
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Luandino apalpa-a com dedos lassos,
Frouxos.
Toca-a como se num receio.

Parece que ele afaga a testa de um velho:
O côncavo da mão a recusar o bico do seu seio.

E ela o que quer é sexo.
Sexo, sem denguices nem rodeios.

Encosta-se nele.
Sente-o todo no vestido fresco.

Mater desejosa, roça-se.
Beija-lhe cada mamilo.
Morde-o.

Virgem arrependida, Luandino…

Ela a ganhar vantagem.
Ela a lamber-lhe o sexo.
Ela a chupá-lo.

Luandino e ela
Ela e Luandino…

Maria de Fátima
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Nos teus lábios
Uma gota de água
Desperta a sede

Nos teus seios
Uma gota de água
Treme e escorre
No teu umbigo

Uma gota de água
Inunda o olhar
No teu corpo

Uma gota de água
Perde-se feliz

J. Caldas
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O ESPANTO DEITADO

Primeiro foi uma sensação a veludo nas mãos, a carne à flor da pele
era macia de um modo tão suave a pedir só mansidão e elas
as mãos, transcorriam bêbedas com todos os seus 10 dedos nas polpas sensíveis e
eu lá ao fundo, no final da sensação, navegava com toda a preguiça esboçada do mundo
por aquele mar de novidades que o teu corpo me emprestava
no silêncio ofegante da noite.

Estavas ali deitada, absorta no teu sonho inteiro de ser
escultura para as minhas mãos, e eu sentia-te a crescer nas ondas da respiração e
de um lado e do outro, ambos éramos mais próximos
como se houvesse uma indeterminada luz pelo meio,
que tínhamos de possuir exactamente ao mesmo tempo.

Tudo ilusão.
E, no entanto não era. Eu estava ali, tu também, éramos dois corpos
com as portas abertas a tudo. A aragem das mãos esvoaçando sobre
a tua pele de veludo, era o que sobrava do silêncio de chumbo
que os nossos corpos mortais no fundo faziam. Havia entre nós
um nó inteiramente aceso por dentro, onde as línguas mais aprumadas
já não soltam palavras.

E os gestos criavam outros mundos, onde só nós cabíamos,
onde só nós éramos quase perfeitos
à espera de o sermos.

José Alberto Mar
http://ecvcaminhando.blogspot.com
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Verão

Atravessamos o calor
pelos lugares felizes,
corpos cúmplices do sol,
mergulhamos nos sorrisos
sem portas, sem paredes,
os dedos lentamente
adivinham os desejos

Constança Lucas
http://constancalucas.blogspot.com
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FALO E FALAS

É uma tentativa; a máquina está ungida, não pode ser um fardo.
Põe-se e tira quando a tomo e recomeça quando acabo.

Um mecanismo de vaivém, um puro dualismo, uma dinâmica entre o corpo e
O mais além.

Outra situação, terceira, terceiro sexo ainda sem resolução…

Será perfeito! Sexo, máquina, engenho, experienciando o tamanho do órgão
Que está prenho.

Fala. Na boca o falo me fala, sendo o dizer tão perfeito que o falo me cala.
Quem o não tem é uma máquina a vapor, onde o dizer serve a industria do
Termo-ventildor.

Amélia Vieira
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Quero beijar tua boca
morder tua nuca
invadir-te o ventre
penetrar teu nicho
te amar
como bicho

Renato Mattos Motta
http://remamo.blogspot.com
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os cabelos desenrolados
para fora
como se de fora
fosse a ordem doce
agora
teclado
de madeixas
mas deixas
desenrolar
o cabelo
longo
sobre o meu peito
sem cabelos
além dos teus
olhos
escuros e maduros
olhando
olhando
a olhar para os meus
olhos
de despedida
de desejo
de regresso
de sucesso
mãos
mãos
muitas e muitas mais
tantas mãos a tocar
em ti
em mim
assim
braços
cabelos
joelhos e
cotovelos
dobraduras
dobras de pele
sobras de pele
na falta de saliva
na boca a secar
secando
em tudo
o que sobra
de terra
de água
de fogo
e de ar
a secura dos elementos
alimentos visuais
para invisuais
os cegos
que não olham
como nós nos olhamos
que não sabem olhar nos olhos
que não querem ver
que não nos querem ver
porque nós
tu mais eu
nós
damos nós de órgãos
de membros
de beijos
nós tu mais eu
nós nós
afastados
estamos perto
de estar juntos
ansiosos
por estar juntos
sedentos
de estar dentro
de nós
dentro de mim mais dentro de ti
em tudo
em nós
falta de ti
em mim
e tu
de cabelos bravos
bravos
como flores com picos
espinhos de flores
coroas de amor
que alguns não vêem
que alguns não têm
mas que tu mais eu
mas que nós tu e eu
temos
sabemos e somos
o mar
um mar
amar
um qualquer mar.

Luís Lima
http://luislima.tk
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VEM, UM GRITO

VEM,
grito
Não sei se é sonho
Ou se estou mesmo
a gritar...

Sinto a tuas mãos
em todos os recantos
do meu corpo

Descem,
sobem,
frenéticas,
provocadoras,
sedutoras.

Cedo,
dispo-me.
Fico nua
e o teu olhar
encanta-me.

Não me tocas e
endoideço.

Quero-te.
VEM
Mas não sei
se me escutas.
Continuas
a olhar-me.
Incapaz de te ler,
de saber
o que queres,
tapo-me.
Fico
envergonhada.
Baixo a cabeça
e sinto a tua boca
na minha nuca.
Acordei
com o desejo
que não soube ler
no teu olhar

Marta Vinhais
http://www.amartaeeu.blogspot.com
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Jenuflexão

Lobato era batido, cruel e desalmado.
Uma fera para as moças esperançosas.
Dava-lhes com palavras doces, não danosas
e algum farfalho, até meter, afoito, o nabo.

Miquelina era - assim corria no Lugar -
virgem, uma planta, pura como as santas.
Até surgir o Lobato, manhoso, que às tantas
face a recusa tanta, cede e acena c’o altar.

Aceita ela por fim a virgindade perdida.
Mas na hora marcada, por cruel ferrete
Miquelina sustém da porra a corrida...

- Quero uma coisa fina, de lembrete
que de fodas apressadas estou varrida.
Ajoelha, pois, que morro por um minete.

Eusébio Tomé
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Saudades, essas, morrerão terrivelmente sozinhas

a porta entreaberta
dá azo aos arrepios
que já me conhecem o mapa do corpo
e sabem exactamente onde cair
peço-te que a encostes,
fica mais quente assim
e sorrio,
aquele sorriso de malícia
que tantas outras vezes
me valeu um beijo sem fôlego
arrastas a pele para mim
roçando o cabelo nos meus poros desprevenidos
um braço sobe
tocas-me o rosto
como se apreciasses a escultura mais nobre
de contornos singelos,
a medo
um beijo no pé,
uma costura que rasga;
um aperto no sangue e na voz:
somos a noite,
em esplendores raros,
em denúncias ao céu
sinto-te
enquanto te passeias na praia que é o meu dorso
areia fina,
alva:
língua que morde
chegas-te a mim,
olhos fechados para melhor bebermos o amor
desprende-se o pecado do tecto
cortei-lhe o fio
quebra-se no chão,
em lençóis, paredes, mãos, costas
tenho os pés frios
e o coração a ferver
encaixa-te
fazemos do escuro aliado de murmúrios de um prazer partilhado
e faço-me demorar em ti
qual doença,
qual tempestade que não quer ir embora
não vamos mesmo embora, nunca
falar-te dos teus lábios
que inspiram a poesia
amar com as mãos
assim.

Soraia Martins
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Belisama

Chaminé antiga. Casais de
pombos, grasnar de gaivotas.
E o Rio azul e doce dos sonhos de
loucamente. E o Rio da boca espantada
das máscaras sem eternamente.
O Rio triste, simplesmente triste,
nem sonhos, nem alegrias, teatro
enfadonho dos velhos dias.

Eu tenho um rio a correr desde os primórdios
do tempo, um rio de ouro em pó e vento, veneno,
e firmamento, um rio de nadas de praias onde
mergulhas e nadas e foges das minhas saias.
Por nadas te deixas prender, por nadas me fazes
sofrer. Por nadas me anoiteces, me escarneces,
me enfureces! E eu sempre a amanhecer.
És o meu rio fundo e negro, de esquecer.

As águas brancas dos rios são raras como
o coral. Mas o comboio da estação, depois
do tempo das velocidades, deita-se para o lado
e morre de ferrugem e estagnação. Meu rio
fundo e negro, a macerar, de esquecer.
Meto-o na frigideira e vou à praça para
o vender. Amanhã faço anos, e não sei mais
que fazer

Myriam Jubilot de Carvalho
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Nua de Corpo e de Espírito

É neste aconchego de nós,
Bafejados pela sorte,
Que nos mantemos despertos e etéreos de sentidos,

É nesta concupiscência sadia,
Que fixa em mim o desejo de entrega,
E a vontade de dar uma voluptuosa mordida,
Nesse único corpo,
O teu,
Que eu me consinto agir tal como se fora uma cobra atenta,
Que de forma sub-reptícia vai ondulante pelo terreno,
Em busca daquilo que lhe possa trazer algum alimento.

É apenas nesse teu corpo,
Meu espaço sideral,
Que eu aprendo a ouvir e a escutar os segredos,
Que entre mil suspiros e ais nos vamos revelando,
Enquanto recebemos o alento de nosso próprio desempenho.

Só nos teus rios,
Eu me consinto mergulhar por completo,
E cedo à tentação de querer experimentar os únicos caminhos
Que me provocam um tesão enorme no espírito e no corpo,

Refiro-me a teus doces gostos,
Aqueles a quem dou satisfação,
Somente a ti,
Meu generoso e viril companheiro,
Eu pretendo entregar,
Estas cálidas tentações de um tempo de desabafo e de partilha.
É a arte de Amar,
Que nos torna sublimes e nos obriga a estar vivos,
Por isso te venho confessar,
Que é neste aconchego de nós,
Que dia após dia,

Tenho poisado nua e sôfrega sobre ti,
E minhas asas sobre o teu firmamento,
Como se fora uma ave de rapina que esvoaça pelo alto dos céus de garras encolhidas,
A fim de poder respirar a atmosfera por completo,

Solto-me,
Desta ânsia de infinito que nos leva a querer morder de desejo o nosso outro,
A fim de poder apaziguar,
Esta fome de sentido que nos prende reciprocamente
E que nos tem ajudado a emoldurar a vida.

Beatriz Barroso
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Escarificas o restolho cansado
que me cobre a pele
revolves a carne superficial
onde a dor se aloja confundindo
os impulsos impenetráveis
da morte

Os sulcos que rasgas
na superfície instável (ainda
vegetação primitiva) impedem
o regresso da conversa concupiscência

Escarificas o restolho
preparando o corpo para o ódio
discreto da amplexa plenitude
deriva obtusa do sexo
inquieto.

Vítor Gil Cardeira
http://quintacativa.blogs.sapo.pt
*****


Psicanálise

E se algum dia um psicanalista
me acusar de egocentrismo
e disser que finjo ser poeta
para fugir à realidade
e que cada verso
é uma tentativa absurda
de superar um desejo recalcado
direi que sim!

Direi que sim
porque quis escrever estes versos
enquanto não fazia outras coisas.

Depois desenharei ao psicanalista, uma mulher
redonda, uma mulher prenhe e redonda
tão redonda como a terra
mas talvez menos achatada no pólo sul
e com um fosso Índico onde nadam os peixes
dentro da vagina para rebentarem cabeças de alfinete
ou girinos à espreita de uma oportunidade
cirúrgica para dilacerar a sua fonte.

Desenharei sim!
Uma mulher prenhe e redonda
com dois relevos a norte donde nascem
rios de leite para matar a minha sede.

Desenharei sim!
E concluirei que não sou egocêntrico
mas um geocêntrico disfarçado de charuto
sentado à secretária de um consultório de psicanálise.

José Miguel de Oliveira
http://deliriospoeticos.blogspot.com
*****


TABU

Quisera eu ser fogosa,

desvairada de amor,

gueixa de noites e dias de prazer,
gritando em suspiros, toda a minha loucura.
Deixar-me possuir por corpos que me quisessem,
e abandonar-me sem pudor, na luxúria das paixões.
Mas não!
Recuso passar para lá da barricada,
sou sentinela de mim mesma,
anjo assexuado em corpo de mulher pagã.
Carrego um fardo de pecados originais,
e mortais também.
Deus e o Diabo me fizeram assim.
Tenho o condão de me sentir virgem,
e assim permanecer,
até que a minha alma
gire um dia,
nalgum girassol
perdido no campo.

Helena Figueiredo
http://noreinodacriatividade.blogspot.com
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Outra Margem de mim
E é nesta dormência demente
Que me assola o corpo inteiro,
Que estremeço e enlouqueço
Sentindo falta do teu toque
No espaço vazio
Deixado na minha pele.

Despojada assim do meu pensar
Vagueando à deriva
Nesta vasta imensidão
Ensandeço, atordoada
Ansiando avidamente
Pelo calor do teu olhar
Pousado suavemente em mim.

Grito em silêncio o teu nome
E tudo que escuto
É o eco emudecido
Desta demente dormência
Que me deixa adormecida,
Morando perpetuadamente
Neste êxtase sonhado,
Aguardando o teu corpo no meu
Extinguindo este defeito
De ter feito de ti
A nascente que me suporta
E me transporta
À outra margem de mim.

Maria Escritos
http://escritosepoesia.blogspot.com
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palavra a palavra
construo o poema

do fundo dos teus olhos parto
beijo a beijo caminho
e os meus lábios são pés
que te pisam

loucas as mãos
prendem-se a tudo quanto geme
da tua boca saem sons cifrados
que no meu corpo encontram eco

com raiva te esmago

é já cansado que chego aos teus lábios
e as línguas prendem-se
como mãos que se apertam
matando uma na outra a sede
que neles nasceu
e neles há-de morrer

ah!
como é louca esta miragem
de te percorrer"

António Cravo
http://www.fotolog.com/acravo98
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Incapaz

O teu coração chora
esse amor insatisfeito
que no teu peito mora
e, em agonia, implora
um regresso ao leito,
à paixão que outrora
era um sonho perfeito
e que, agora desfeito,
te deixa nesse jeito
de abandono feito.

Na cama por fazer
um sonho acorrenta
o teu corpo a arder,
a carícia que te tenta
na tua mão que desliza
e na entrada mobiliza,
em suaves movimentos,
finos lábios suculentos,
em satisfação necessária,
tristemente solitária.

O teu olhar delirante,
em busca fremente
daquele corpo ausente,
encontra, agonizante,
a almofada vazia
que a teu lado jaz
e a dor lancinante
o prazer anestesia
e, a ti, deixa-te incapaz.

Rui António Almeida
*****


Em suores, fluidos vários, me ensopei
Deixando que teu corpo ao meu colasses
Chamando por teus lábios que beijei
Sem deixar que tu primeiro os meus beijasses.

Da terra nesse momento nos tirámos
E sem pés deixei-me sair de mim
Mas antes fosse eterno o que alcançámos
Quando, sem te ver, de mim saí.

E quando contra mim tu te apertaste
E o som dos teus lábios abafei
O prazer que em mim tu despertaste
Garanto, não o sentirá ninguém.

Rafael Nascimento
*****


Por mim subiste com o olhar
De mulher e fêmea entesada
Não vale a pena pois corar
Por ter a crica... molhada

E quando o pudor te assaltar,
Quando a vergonha vier…
É bom que saibas pensar;

Que o corpo deve ser para gozar
Até a juventude se perder
Porque quando a velhice chegar
Já ninguém te quer foder.

Manuel F. C. Almeida
http://www.sagher.blogspot.com
*****


Sonata ao luar

Ao luar
no mar
nós dois
agora
e depois...

E depois
corpos molhados
teu corpo nu
contra o meu
e eu
agora
quero-te aqui
só nós dois
nos amando
e depois...

E depois
dou-te meu corpo
nu e excitado
molhado de mar
e de prazer molhado
e tu entras em mim
louco e desenfreado
e depois...

E depois
o mar borbulha
e sente
e estremece
com o orgasmo
de nós dois!

Ana Paula Lavado
*****


Sinais de ti

Acordei contigo em mim
Menino lindo de olhos tristes
O cheiro
As mãos
A voz
O sexo entumescido
O beijo
A parte
O todo
A ausência
Acordei contigo em mim
Em mim
Sobre mim
Dentro de mim
Tão perto da minha urgência de ti
Apesar do oceano
E do resto.

Graça Andrade
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Geme bem alto teu querer
Mexe teu ventre contra o meu com paixão
Vira de um lado e acaricia minhas nádegas
Depois do outro meu tosão de oiro te entrego
Pega fogo com tua língua em meu sedento corpo
Segura tua ânsia somente mais um pouco
Morde meus mamilos negros erectos
Grita bem alto quanto me desejas
Beija meus olhos, minha alma
Ama como sempre quiseste amar
E por fim derrama tua seiva, teu leite, teu mel
Todo teu amor em mim penetra.

Victor Reis
http://ideotario.blogspot.com
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Tentação

Quente
...Canela espalhada sobre a pele
Chocolate
...O que te levo na ponta do meu dedo até à tua boca
Cores de sangue
...O que visto para me despires sem cerimónia
Calor
...O que fazes em mim
Língua
...Trabalhar o teu corpo com a minha língua
Cheiro
...Que sai da tua pele sempre que gemes
Suor
...Doce, quando o recolhes beijando-me
Gritos
... O que me fazes conter junto do teu ouvido quando me excitas sem piedade
Gelo
... Provocas-me desenhando uma palavra nas minhas costas
Palavras
... As pedes que escreva para regar o teu desejo
Parede
... Onde me encurralas deixando-me à tua mercê
Arrepio
...Sempre que te mordisco a orelha
Mordidela
... Marcas os meus lábios com os teus dentes e língua
Beijos
... Belos, Eternos, Iguarias, Jogos, Ofuscantes, Sensuais
Água
... Deixamo-la escorrer por nós, agarrados
Sentidos
... Toque, som, escutar, ver, saborear... todos alertas
Unir
... O que fazemos porque queremos, porque a tentação ordena
Tentação
... Porque só somos tentados por aquilo que desejamos

Isa Silva
http://oladocultodamarciana.blogspot.com
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Abriste os olhos
E eu já te olhava à muito
Desejava-te de corpo e alma
Encostei-me….
Deslizei em ti
Segurei-te
Apertei-te
O calor do teu corpo
O calor do meu corpo
Ouvir-te murmurar
Ouvir-te gemer
Hmmm…
Rocei o meu peito no teu
Rocei o meu peito nos teus lábios
Na tua língua
Quero-te
Tenho-te
Venho-me

Carla Campos
*****


DESPERTAR PARA A VIDA

O corpo emerge de um torpor antigo
Sinto as vísceras, os ossos, os músculos
O coração derramando sangue no meu corpo
Os pés, as pernas, o ventre, os seios, as mãos

Redescubro o toque

Os braços alongam-se em movimentos esquecidos
O corpo liberto, recria-se em gestos que são meus
A tensão não existe: só o meu corpo em sintonia comigo

E danço e navego ao sabor de mim própria
E brinco à cabra-cega
E brinco ao gato e ao rato

Redescubro os sons

... tum-tum, fztt fztt...
Felinos rodeiam-me
Sinto-lhes os passos
Atenta às respirações
Aos murmúrios do silêncio

Redescubro os cheiros

A perfeição não existe
mas, na explosão de um orgasmo,
o Amor recria o Universo.

Manuela Almeida
http://luarabril-limiar.blogspot.com
*****


Plátano

o meu plátano. amor. cheira a hortelã...

vem agora. à na casa das pétalas.
onde a papaia. está madura
toma-a. da minha boca
deixa pôr no teu umbigo...

sente, amor
o toque macio dos meus dedos
nas tuas coxas
nas tuas virilhas
no teu sexo erecto

sente, amor
os meus lábios
nos teus lábios
e o sabor a papaia...

senta-me em cima do teu ventre
toma o teu sexo
crava-te em mim...

o tempo escoa-se
some. no ar
segura-me as ancas
a cintura
percorre-me.

(já não sei
onde acabo eu
onde começas tu)

envoltos num só cheiro
um no outro
no silêncio da floresta
restolhamos...
e o nosso amor é um sol
flutuante
com sabor
a sémen e a papaia...

Margarida Almeida
*****


Em ti me eternizo

Os meus olhos pousam em ti
e todos os meus sentidos te olham
num delirar mútuo de atenção...
vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura...
cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz....
ouço o teu respirar lento,
como um lamento que não lamento…
as minhas mãos tocam os teus cabelos
e envolvem-se neles...
acerco-me de ti e te toco...
te sinto global e ali inteira frente a mim...
beijo a tua boca e tudo se torna como num festim
de doces carícias e sabor a sal...
estou inteiro no teu corpo inteiro
e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim...
é apenas um abraço,
um enlace de braços que apertam sem apertar,
sentindo apenas o teu respirar...
minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda...
fecho os olhos procurando apenas sentir…
e sinto o desejo crescer em mim
e o teu arfar sobe de tom...
como é bom...
a minha boca se cola na tua boca
e a minha língua se funde dentro dela
como se da tua se tratasse...
é apenas mais um enlace...
sinto o teu peito quente junto ao meu
e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura...
loucura que me invade lentamente,
premente ali presente
ou então como se tudo mais estivesse ausente...
meus braços te envolvem
e se descobrem momento a momento
como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem…
sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor,
oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor...
minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele,
todos os recantos de teus encantos
e se encontram, de repente,
sobre o teu ventre quente,
dolente...
afago tuas coxas e as tuas ancas
e as aperto contra mim…
procuro o teu sexo e o acaricio...
beijo-te completamente num único beijo
e me torno desejo do teu próprio desejo…
te envolvo num abraço mais e te penetro…
és tu que me possuis...
não te tenho, és tu que me tens...
movimentos doces se entrelaçam
como se não fossemos dois mas um só...
os nossos corpos se fundem
num arfar profundo de prazer e loucura...
já não sei o que sou,
apenas em ti estou...
eu sou tu
e tu és eu numa fusão de ser e estar...
na verdade és tu que me possuis
pois eu não te tenho,
és tu que me tens
pois em ti eu me dou...
e em ti eu me eternizo…

Joaquim Nogueira
http://lobices-4.blogspot.com
*****


Deixei...

É franco o meu corpo.
Tem franqueza nos braços que se tentam abrir,
nas pernas que tremem para acompanhar os braços
nos olhos que tentam não olhar mas olham.
Deixei-o ter-me...

É fundo o meu copo.
Profundo nos mares que se tentam diluir
nos rios que dançam nos seios de mares salgados
nos mamilos que se escondem mas incham
Deixei-me ter-te.

É manso o meu topo.
Mansidão do ventre que se tenta fundir
nas ancas que ondulam para diminuir espaços
nos joelhos sôfregos que se afastam
Deixei-nos ser-te.

Joana Well
http://missjoanaswell.blogspot.com
*****


achando-me sou tua

é no roçar dos teus lábios nos meus
que o meu corpo geme
no levantar de asas em murmúrio

a chama que se inflama
no caminho longo dos teus dedos
ruboriza a minha pele branqueada de silêncio

envolvo-te neste calor
e nasce um rio que aflora entre as coxas
guardadas pelas tuas mãos imensas

faço-te o trajecto do peito
com a língua ansiosa
reconhecendo o leito onde me abrigo

partem-se os minutos
rendendo a vida num momento

fluem-se os corpos num só

declino-me sobre a tua voz
e entrego-te os meus seios
encontrando o sentido do teu olhar

recolho-te no mais íntimo de mim
e achando-me sou tua

agora
jamais se encantam os sonhos
enquanto fores rio e eu o mar que te acolhe

Vanda Paz
http://www.nectardaspalavras.blogspot.com
*****


Os meus desejos

Fim de tarde cinzenta, terminou mais um dia…

Sentei-me junto à janela naquele que me transporta
Todos os dias de volta ao meu ninho,

Recostei e deixei-me embalar de mansinho,
Aos poucos os olhos se fecharam, dando
Lugar a pensamentos, sonhos, lembranças,
As mesmas com que tu me banqueteavas
Em cada amanhecer ou em nosso ninho
Em cada adormecer….

Deixei levar-me, senti tua mão deslizando
Por entre as pernas, nuas sedosas de um
Branco quase celestial, aos poucos teus
Dedos tocaram suavemente meu sexo
As faces foram ruborizando, surgindo
Um tom de romã…
Coxas, ancas, seios, quase que gritavam
De prazer o mesmo que sucumbia
De rompante em cada toque na nossa alcova,

Enlouquecida de desejo cobrias meu corpo
Fazendo de ti meu eterno macho,
Meu sexo já quente e húmido embriagava
Nossos sentidos, teus dedos passeavam
Deslizando a cada orgasmo meu…

Bebeste cada fluido, cada gota de meu sentido

No meio de nossas bocas sedentas
Senti o fulgor do teu sexo dentro do meu,

Derrubei fronteiras, gemi baixinho
Senti o teu corpo junto ao meu
Bem de mansinho, entre espasmos
Humedecidos de nossos cheiros
Gozo supremo o cheiro do teu sexo,

O nosso sexo misturado non silêncios
De cada alvorada, onde tu beijavas
Cada cereja de meu peito….licores

O andamento do comboio fazia-se
Sentir, atordoada pelos seus solavancos
O meu corpo se ouriçava… na tua procura
O silêncio fez-se sentir…abri os olhos
Na estação tinha que sair….

Ana Bárbara
http://myspace.com/apbarbara
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Membro a pino

É sol aquecedor,
Teu corpo de vale húmido e fértil
Entre montes de Vénus
Criador.

Calor e cio
despertam nossos corpos.
A boca é polvo que suga
lenta, de cada poro sedenta,
cada membro, cada fenda.
A nossa língua, lenta
e vagarosa,
percorre o corpo saborosa,
num despertar carnívoro de sensações.
Abro as tuas coxas lisas e sedosas
Nas tuas entranhas viciosas
eu penetro
despertando em nós duplas explosões,
deixo dentro de ti
o meu próprio arquétipo.

João Norte
*****


essas tuas pernas
são quentes
e o frio
envelhece os ossos
beija as crianças
aconchega-as
não digas nada
vem

José Manuel Marinho
*****


Teus seios astros
Que não alcanço
Teu ventre mar
Onde balanço
Meu desejo

Teus beijos castos
Do meu engano
No teu arfar
Onde me canso
Num ensejo

De percorrer
Teu quente sopro
Entrar em ti
…ser o teu corpo…

Na tua pele
Colher o mel
Do teu prazer

Alucinar!

Descer à fonte
E beber do teu sabor
E em minha boca colher
Toda alma do teu mar!

Meu amor
Meu astro rei
Onde meu sémen deixei
Apenas num sonho
Numa cama

De onde sei

Teus seios astros
Que não alcanço
Teu ventre mar
Onde balanço
E não alcanço… e não alcanço…

Poiso, morro, descanso…
Sobre teus beijos castos
Meus sonhos gastos
… no teu olhar…

Jorge du val
http://www.poetik4ever.blogspot.com
*****


Olhas os meus olhos

Os teus descem à minha boca
que sorri e penetras-me
com a doçura da alma e a
força de um guerreiro.

No silêncio da sala
a música entoa ao som
do coração e, lentamente,
como um pestanejar, o calor
dos nossos corpos aproximam-se
como cavalos a galope numa pradaria.

Tuas mãos, minhas mãos,
percorrem nossos corpos
que se desnudam em cada dedo que toca
nossas peles sedentas de magia.

Olho-te. Olhas-me.
E neste olhar está toda a febre
do sentir a ânsia de cada beijo
língua a língua escorrendo o mel da fantasia.

Na boca do meu corpo relembro
o teu beijar.

Orgasmos… mil deleites que
quero recordar na tua língua
que me percorre sem cessar.

A exaltação dos nossos corpos
como música - The Master –
frenesim do desejo - Divine –
que se ignora na paixão da pele
que comunga o mesmo sentir.

Olhas-me. Olho-te.

E nesse olhar de amor
desnudo
selvagem
ardente
que sente
com a mente
o desejo
de penetrar
possuir
com o tesão
do nosso sentir.

Olho-te. Olhas-me.

No desejo saciado
de nossos corpos
em leito descansados…

Olhas-me. Olho-te.
E sorrimos…

Menina Marota
http://meninamarota.blogspot.com
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Obscenidade(s)

de púrpura elegância me vesti
ondulando os passos de salto alto
pela insistência do teu olhar sôfrego
- formosa e insegura? -
afoita!
tiritei sílabas de vermelho bâton e de rubra paixão
no meu peito um rubor latejava
fendia gelos e convencia magos
de escarlates intenções e silêncios abafados
ruboresceste numa palidez resignada do limbo
em que me sonhaste

Maria Irene Proença Ermida
http://umaetrintaesete.blogspot.com
*****


Manuscrito do pecado particular

Afogueio um cigarro num lume desinibido,
Vês o meu contemplar atónito
Ao benfeitorizar que te insinuas perto do meu encalço.
Sabes que gosto de ser provocado
Tudo para mim é desafio,
E mesmo tu, circunstancial,
Acidental e explícita
Percebes que não tens costumes de beijada mão.

Seduzes-me sentando-te no meu colo,
Simulando tocares harmónicos de boca
Que não se alcançam,
Pois quer eu, ora tu
Arredamo-nos para deixar o destino num adiado suspenso
…Embora se saiba o sequente a agir.

Eis que te desnudas desarmada, como tua derradeira artimanha.
Ofereces teu mamilo, como iguaria dos omnipotentes.
Descalças as tuas sandálias modernas,
O teu cabelo passa de preso para liberto e longo,
O teu olho verde pisca como uma divindade humana,
A pedir por melhor…
Rendo-me aos teus encantos e sortilégios ilusionistas,
Consegues ministrar a explosão do abrasamento que vive dentro das minhas veias.
As minhas tendências estão vocacionadas em ti, pecadora dos meus prazeres.

Apago o cigarro em água de um copo, longínquo ao que já se passa.
Os preliminares têm inicio, orais gozos… Sorridentes exclamações de meiguice,
Mordo os teus lábios em gesto de malandragem… Massajas meu hirto pescoço…
Relaxo-me e tremo de retesados empreendimentos, Que gostas, oh graciosa…

Quando me hipnotizas e fica esse eco oco
Que me desmobila o físico de tão cálido que não fala ineficácias.
Quando me cinges a ti, entrelaçamos nossos filamentos de cabelo
E tudo tremelica, quando me banhas esse doce leite-creme
No declive das minhas costas.
O pardacento endoidece...
Quando me amornas, remanescendo em meus braços.
Quando a bailar me afrontas, consumo os teus trechos
De uma forma salivante...
Porém o teu sussurrar irrompe a mudez,
Se te deixas por ápices comigo numa cama
De lençóis enxovalhados, com o nosso odor a clímax,
Confundido com a aura que vem da frincha entreaberta.

Quando te abordo pela inteira oportunidade,
Perdes a compreensão da área marcada
...Tudo é reciprocidade…

Nada alegas, pois tuas as mãos já conversam por elas competentes,
Dedilhando o percorrer do meu tórax,
Como quem sabe de cor os compassos de uma viola.
Deixas-me violar-te de forma autorizada,
Gemes com um colorido pudico, ao sofreres de forma feliz
O meu símbolo másculo penetrar-te,
Como a excelência de um batel que pinta sortes
Em afluências azuis.

O teu umbigo quase que suplica por carícias.
Os nossos linguados cortejam-se
E palestram colóquios deliciosos
De quem sabe querer.
As tuas curvas que femininas são aclamadas pela tua Eva maior.
As tatuagens dos teus graciosos pés, pequenos de Princesa,
Que me excitam de forma suprema.

Sexismos lamacentos, pornografias bonitas,
Obscenidades algemadas,
Adereços das nossas sádicas fantasias,
Insânias de mãos dadas numa união de dois instrumentos carnais.
As tuas pernas de veludo a roçar na nossa adrenalina,
De quem confecciona afecto
No dia mais longo de dois forasteiros.
Um exame interdito
Mas por isso mais cobiçado.

Um lugar nosso, que nunca ninguém viu ou tocou,
Pois o aconchego é exponencial, e difícil de plagiar.
E as marcas rupestres destes instantes …
Estão imoralmente registadas, para jamais escaparem.
…És o código de barras dos meus apetites secretos.

Diogo Costa Leal
http://www.verticeredondo.wordpress.com
*****


CLUBE PRIVADO

POR BAIXO DO TEU VESTIDO
VIVE O MEU RACIOCÍNIO
TENTO ADIVINHAR A COR
DA TUA ROUPA INTERIOR
E PENETRAR NOS TEUS DOMÍNIOS

DONA ÉS DO MEU PRAZER
DA ENTREGA DA ILUSÃO
MANDAS TU NO MEU QUERER
MANDO EU NO TEU TESÃO

E VOU DESCOBRINDO EM TI
OS MEDOS QUE EU PRÓPRIO TENHO
AS FANTASIAS E OS SONHOS
QUE QUEREMOS ENCONTRAR

O SEXO É TÃO IMPORTANTE
COMO É A AMIZADE
E EU TENHO SEMPRE SAUDADE
DA NOITE DE ONTEM À NOITE

EU VOU LONGE, EU VIAJO
EU SAIO DAQUI PRA FORA
EU QUERO LEVAR-TE COMIGO
PARA UM LUGAR DISCRETO
UMA CASA NO MEIO DO MATO
UM JARDIM, UM CÃO QUIETO

EM NOME DA NOSSA PAIXÃO
TUDO NOS É PERMITIDO
POR BAIXO DO TEU VESTIDO
EXISTE UM MUNDO SECRETO
E OUTROS POR INVENTAR

EXISTE UM CLUBE PRIVADO
ONDE SÓ EU POSSO ENTRAR...

FERNANDO GIRÃO
http://www.myspace.com/brazilatribute
*****


O GATO E A LUA

Gato que chamas a lua
como se fosse uma dama.
Desejas que seja tua
porque te ateou a chama.

Ignoras as leis morais,
mas não aquilo que sentes!
Considera-las banais,
segues só as indecentes.

Nem sempre te vejo assim.
Não sei bem o que te deu...
Mas olha bem para mim
para contemplares o céu.

Tu ficas tão baralhado
ao colher o meu reflexo!
Como queres ser amado
se nada dizes com nexo?!

Os teus olhos em delírio
suspensos na minha teia,
minha luz o teu colírio
que teu pêlo incendeia.

Achar-te-ia com siso
se trepasses esse poste...
Dar-te-ia um sorriso.
Não duvides, há quem goste!

Para te dizer que sim,
primeiro faz um desenho.
Só te direi se me vim,
depois do teu desempenho.

Quando for tempo ouvirás
o meu canto de sereia.
Esconde-te bem atrás
e espreita de volta e meia.

Assim que ouvires a voz,
vais perceber que me rendo.
Não me desates os nós,
porque é a ti que me prendo.

Minha mão é preciosa
como flor na primavera.
Deixa-me silenciosa
e fica quieto à espera.

Palavras de sedução,
essas que tu me dizes.
Mas nelas há negação,
vejo bem pelos matizes.

Num dilema me deixaste.
Vejo-te a ti num conflito.
Sei que nunca me amaste
por mais que mo tenhas dito.

Lua cheia sou eu hoje,
logo serei minguante.
Segue meu conselho. Foge!
Não mais serei tua amante.

Se voltar em lua nova,
passarei logo a crescente.
Será essa a minha prova
para ver quem é que mente.

Teresa Marques
*****


Gosto

Gosto
Da tua boca beijar com ardor
Gosto
Despir as minhas roupas,
Sob o céu cheio de estrelas,
Gosto
Entregar-me assim a ti nua,
Gosto
De no teu corpo me perder,
E tu no meu sorveres
Os néctares que dele emanam,
E ébrio de mim,
Jazendo comigo na erva orvalhada,
Os dois soltando suspiros e gemidos sem fim
Semelhante a um vulcão a rebentar!
Lançando para a luz do luar,
As nossas lavas de amor,
Acabado de saciar!

Susana Custódio
*****


AMO AGORA

neste momento o meu corpo é teu
se me sentires a entregar
ao papel a pele

fazendo versos simples
para neles ler

meus movimentos de língua vindo

indo e vindo
variando e rodando
rodeando nu e nu me dando

no O dum oh! de espanto
fundo entretanto

Onde subo na Onda e deslizo

liso, duro, teso,
como um mastro à vela
só de vê-la

à minha espera
cheia de desejo e tesão

querida boa e bela inspiração
Assim

AGORA AMO

fazes do meu desejo as mamas
agora mesmo, sem mas
nem meio mas

deixando louco de desejo
meu peito todo teu

e eu, e eu, eu…

derreto-me toda por ti
querendo-te todo
inteiro assim

Assim dentro
de Mim

túrgido e cheio de gozo.!.

no nosso zoo privado
meu leão vem
possuir

eu tua gata o espero
posta de gatas

agora vem, obedece!
Mim

Francisco Coimbra
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=36394#36394
*****


O PRAZER TRAZENDO ARTE E MAGIA

Navegando num oceano ondulado
Que é o teu corpo lindo desnudado
Em que por destino eu fico ao leme
Como o aventureiro que nunca teme

Tripulando a mais bela embarcação
Através da mais agitada navegação
Sempre se vai atracar num bom cais
Onde se é recebido com uns ais...!!!

Ancorando na doca da sensualidade
À minha espera toda a hospitalidade
Que por ti é prestada ao navegante

Naquela parada mais estimulante...
Com carícias e na maior cortesia
Vem o prazer trazendo arte e magia

Zé Albano
*****


MEIAS PRETAS

Assim te espero, decente e lady
assim te quero, assim te beijo
Mas quero mais
quero tesão
quero beijo louco
quero beber no labirinto das tuas pernas
quero-te nu, exposto, devasso e louco
corpo de fogo molhado,
dou-te a minha nudez...e os perigos da minha pele quente.

MEIAS PRETAS
Assim me olhas
beija-me depois, lambe-me a língua,
afoga-me na tua ternura
alimenta-me do teu vicio
mergulha as tuas mãos cegas de desejo
na nudez que te ofereço
e
deixa-me andar perdida no teu gozo...

Amália Lopes
*****


Damo-nos à madrugada

Dispo-me de tudo e da razão
mesmo no fingir subtil
a que me obrigas,
latejam todos os gestos
nos sorrisos ruidosos do corpo,
quando os meus seios roçam o teu peito.

De alma fico nua...
no aperto dos teus abraços
e no prazer crescente e ignóbil,
quando, a tua boca me foge,
em sussurros vernáculos
salivando nos lóbulos,
os beijos quentes que nos damos.

Inquietante corrente, galgando todas as margens,
no perfeito movimento do teu corpo
eroticamente sobre o meu,
descobrindo as fontes
lambidas no perfume de vénus,
enquanto...
a pele pálida da madrugada
vagarosamente se muta crisálida!

Ausenda Hilário
http://tempoagreste.blogspot.com
*****


[Sorrindo docemente, o amor]

Sorrindo docemente o amor
Dentro da cabeça,
Entre outras coisas,
Borda
Rosas pequenas
E botões de
Rosa
Que deslizam e
Se fundem
Com anelos
De sua trança.
Até que me descalço
E o despenteio
Sem sensatez.

José Emílio-Nelson
*****


Amo-te, meu amor!

Escuta amor
O nosso silêncio…
Primeiro, um beijo…
Terno, molhado, doce
A saciar o desejo!
Depois, em carinhos,
Outro e outro e tantos…
O abraço apertado
Carícias, miminhos!
As mãos, loucas,
Sublime bailado.
Tocam os corpos…
Enquanto os dedos
Descobrem segredos
Na tua pele de seda.
Estranha dança….
A boca, sequiosa,
Mordisca as orelhas
E regressa aos lábios
Que se reúnem
E quase se mordem.
Depois… os seios,
Duros, rijos, macios…
Nascem gemidos…
Afunda-se o prazer
A língua, como louca
Toca-os ao de leve,
E, suga-os forte…
Envolve-se o sexo
Em aromas de amor
Apertam, fundem-se
No êxtase da paixão
E em profunda explosão
Extenuados caímos
Cada um lado a lado
Enquanto no olhar…
Nasce como paraíso
O mais sereno sorriso.
Terna, louca de paixão
Só dizes… Obrigada
Amo-te, meu amor!

Raul José Afonso Duarte
*****


Sexo

Vamos foder
Abre teu corpo
Tua mente
A novas dimensões
Tudo o que pensas
Ser errado não é
Tens que começar a acreditar
Tu tens o direito de fazer
Tudo o que os outros fazem
Tu tens o direito de
Sozinho vencer o teu
Próprio medo
Que ninguém mude
A tua maneira de pensar.
Que ninguém controle
O teu mundo
Prometo dar-te harmonia
Só te peço uma coisa
Traz-me de novo a luz
Portanto vamos foder

Paulo Pacheco
*****


E no princípio houve o fim

E depois houve o silêncio.
Juntaram as mãos ao céu em prece,
prece calma e com uma pequena pitada de raiva.
Ela não lhe telefonou, ele engoliu o orgulho e resolveu esquecer.

Ela pensou que nunca mais encontraria alguém semelhante...
Ela era demasiado racional e ele demasiado emocional.
Resolveu que era demasiado cedo para se dar ao amor.
Ela pensou, noites e noites em claro a pensar.

Se te disser algo... é porque sou tua. Não olhes para trás se não te falar...
E a meio de um beijo de despedida disse-lhe gentilmente:
Ela ficou em silêncio e disse que tinha que se afastar...

Ele disse-lhe que amava cada poro da sua alma.
Ele olhou-a nos olhos e amou-a de facto.
Houve silêncio e mãos a tocarem-se gentilmente...
Encontraram-se no banco de jardim do primeiro minuto deles...

A alma ainda estava em lume brando.
Ainda sentia as mãos dele no seu corpo...
Um banho... era tudo o que precisava neste momento.
Embrulhada numa toalha ela fechou a porta.

Beijo... suave a soar a tímbalos e trompetes...
"Sim..."
Ela:
Arrepio...
A mão dele a escorregar pelas costas dela....
"Amanhã, onde tudo começou..."

Chegou os seus lábios ao seu ouvido, e disse:
Pegou nela, envolvendo-a... Sentindo-a... Saboreando a sua pele.
Ele sem pensar demasiado vestiu-se... exalando o cheiro dela nele....
Passou-lhe a mão pelo rosto e disse-lhe: "Está na hora".
Levantou-se... foi buscar uma toalha e voltou para perto dele
Ela sentiu-se observada...
Era tão bela, mas de uma beleza tão calma.

A pouca luz do nascer da manhã deixavam ver o rosto dela
Ele ergueu-se um pouco para ver melhor o rosto dela
Nunca pensaram sentirem-se assim, era apenas algo efémero.
Repetiram até os corpos caírem em exaustão... e o sono veio.
Foi o real êxtase.
O música ainda continuava a repetir-se...
Quando ele explodiu nela e ela nele...
Clamar e implorar um nada de enorme e tão demasiadamente intenso.

Ritmo e loucura...
Sentir-se mais e mais dentro um do outro.
Ritmo e loucura...
Os corpos a deslizar um no outro.
Sofreguidão...
A música ditava o compasso...

E rebolavam, na inédita dança do desejo de pele.
Ele entrava demoradamente nela...
Ele vibrou e fê-la gemer...
Ela saboreou cada milímetro do seu corpo...
Lançaram-se nos braços um do outro numa cama real e de paixão.

Arrancaram as roupas...
Ela puxou-o para ela... Sentiram o corpo e o calor que emanavam...
Caíram os copos... o vinho... caiu toda a formalidade imediatamente...
A sede era maior...

Olharam um para o outro por cima de um gole...
Ela serviu dois copos de vinho tinto,
Ele sentou-se e seguiu com o olhar as formas do seu corpo.
Ela convidou-o a sentar... e com o olhar a sentir...

Entraram em casa.
Ele pegou na mão dela e disse: "Podemos ir."
Ela timidamente perguntou: "Queres beber um copo de vinho comigo?"
E todos os momentos tinham que lhe pertencer.

Ela sentiu que era um momento
Parou de chorar.
O seu cheiro, era o cheiro de terra.... de vida... de fogo.
O olhar dele tão envolvente.
O abraço era tão forte e apaixonante...

Ele abraçou-a.
Compulsivamente.
E chorava...
Mas não conseguia parar de chorar
Ela olhou para ele surpreendida,
Ele passou os dedos levemente pelo seu rosto.

Não conseguiu conter dentro de si a paixão e compaixão que tinha por ela.
Ficou em silêncio, acompanhando a sua dor.
Ele sentou-se.
Ela acenou afirmativamente com a cabeça.

E perguntou se podia sentar-se.
Ele aproximou-se vagarosamente... como que por medo...
Ele sentia o magnetismo das emoções a puxa-lo.
"Quem era ela?"
Não conseguia desviar o olhar ao caminhar.

Pessoas passavam junto dela e nem a viam...
Lancinante, cortante... sanguinária.
Ela sentada num banco, tentava gritar ao mundo a sua dor.
Ele ia a fazer a sua corrida de final de dia viu-a.

E revivia todos os momentos da sua vida.
Ela soube que ia morrer...

Ludmila Queirós
www.janela-suspensa.blogspot.com
*****


SE DEIXE PERMITIR

Quero-te fêmea solta no meu pasto
e passo a passo poder me liberar,
nos mistérios e contornos do seu ser
e assim poder confessar que estou
muito a fim de em ti cavalgar.

Quero-te estrela cadente no meu céu,
vê-la cair em êxtase no meu chão,
quero ser a terra a lhe acolher
e juntos descobrirmos um novo viver.

Quero que proves do fruto proibido
e sintas como é gostoso o seu líquido,
quero que me liberes da prisão
e em liberdade contigo viver noutra dimensão.

Deixa o mundo real não nos proibir,
preciso por demais me permitir,
amar e ser amado sem fingir...
e com você em nenhum momento vou mentir,
e por que não?
Se deixe permitir...

Alvaro Luiz Carvalho da Cunha
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ANESTESIA

Caí na tentação
Perdemos a lucidez
Submeti-me ao pecado
Ao desejo insano
Consumido, devasso
Sentis-te aquela vontade
Tarada maluca trémula
Que me invade e te devora
Tu quebras-te as regras
Caluniando-me pelo corpo
Saciaste-me de prazer
Sem pensar no erro
Continuei encantada
A anatomia do teu corpo
Queria desvendá-la até ao fim
Aqueles toques sublimes
O teu paladar, o teu aroma
Cada vez mais me seduzia
Eu queria libertar-me
Perdi o controlo total
Deixei-me levar uma vez mais
Revivi os nossos momentos
O amor cego e enaltecido
Aquele calor enorme
Que quase nos fazia desmaiar…

Raquel Pereira
http://www.aspalavrasinterditas.wordpress.com
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AMOR

Deitados sobre uma rosa aberta
Iluminados pelo vagalumear da lua
Dois corpos se limitam
A serem vibrações e gritos
Alvoroço que se metamorfoseará
Na mais pura seda.
Agora, repousará o mundo
nos idílicos braços do silêncio.

Giovanni Guidi
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PEQUENA CANTIGA DE AMIGO

Amigo amigo
amigo breve
escasso

Amigo apenas
do tamanho
de um abraço

Sou a mulher
de luz limpa
e terna

Sou a mulher
que deseja
no amor
ser eterna.

Joe Outeiro
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arde

entre a escolha bruta
da vontade

deixa entrar
os dedos

pedacinhos barulhentos
da incerta intenção.

dentro de mim
a suspeita
de querer

dentro de ti a língua
ninfa deslizante quente

ruidosa da palavra desejo
penetra na alma
deste profundo ensejo.

João C. Santos
http://jcssantos.blogspot.com
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CARNE

Lábios. O tom da tua pele provoca-me. O teu cheiro incentiva-me. A tua voz doce excita-me.
O teu olhar faz-me desejar o teu toque, o teu carinho. Vontade de esmagar a minha língua contra a tua, vontade de morder a tua boca, os teus lábios.
Quando me abraças e percorres as mãos pelo meu corpo, algo dentro de mim arde e então a excitação domina-me. Quero tocar as tuas pernas, a barriga, o peito, a boca, tudo. Quero percorrer o teu corpo...
Os nossos corpos pressionam-se mutuamente e a excitação cresce. Quero beber a tua saliva e trincar a tua carne.
Quero-te apertar com força. Domino a vontade de te rasgar a roupa e fazer amor contigo.
As tuas provocações físicas provocam alterações no meu espírito.
Fico louco com carne...a tua carne. Quero saborear o teu suor... obcessão, loucura..
Fecho os olhos e penetro num mundo de puro prazer... prazer é tudo o que sinto. Adoro o sabor da tua pele.
Somos elevados para uma dimensão em que nada existe, apenas nós e o prazer, o prazer e nós.
Tudo o que sinto, tudo o que cheiro, tudo o que quero, tudo o que vejo é carne..a tua.

Jorge de Barros
http://brutalmentedocil.blogspot.com
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Tenho um pensamento; e não tenho coisa alguma, que não seja ouvir, esquecer; e ainda essa tua musica! Eu sei lá onde começa a eternidade! São as palavras que limitam; não os teus braços… O teu corpo…
O grito caiu-te nas mãos? Também nas minhas, como gotas de água. Tenho um pensamento; mas és tu que me guias, que tens os olhos tristes e os lábios doces; e é daí a poesia pura, mas basta a natureza e o instinto dos homens para, que isto e o mais, se acrescente à definição de poesia.
Tenho um pensamento; e é assim uma despedida; mas a musica não deixa que vá; e mais forte ainda é a esperança dos homens. Se eu partir, como poderei ver a esperança dos homens, assim sentida, na perspectiva física, na dúvida que há com a morte e com a fé?
Tenho um pensamento e não tenho, porque sou um pássaro que voa; um momento que escapa. Morremos quando todos os momentos voam do nosso corpo para a paixão e regressam ao momento original, em que não será falsa a pronúncia do amor.
Tenho um pensamento e não tenho; este absurdo, mata-me! Falam-me da guerra e do rapaz nu com uma flor, que afinal não era.

A menina do terceiro andar, que anda na catequese, disse que era um pénis…
Era o milagre do pénis!
Que trazes nesse regaço?
São flores senhor…
Flores!? Mas que espanto esse,
que vejo no teu corpo!

A menina do terceiro, era afinal, e este era o assunto, um menino com pénis, localizado naquele ponto.
Tenho um pensamento e não tenho; e isso me diverte e repugna.

São pénis, senhor…

E toda esta afirmação, com reticencias para o milagre da vida, que é esta saliência. Nasceu disto esta nação; e afinal é o cu, a aparência da portuguesa condição.
Tenho um pensamento, uma folha de trinta e cinco linhas e uma corda...

Amanhã a vida anda à roda!

José Fernando Lobo
*****


Só, aqui,
lendo o que dizes, sem ti,
...eu vejo as letras que trinco, e saboreio o mel,
e engulo-te todo como se te pudesse respirar
..como se pudesse guardar-te nas veias..
pra viajares por mim 1 vida inteira...
... só meu..
Lambo-te,
Beijo-te,
Mordo-te,
Sinto-te...dentro e fora
duro e doce
lento,
bruto,
macio,
Cheiro-te,
e gosto...
de ti
e desse aroma acre
de cio..
apetece-me tomar-te de assalto
e foder-te
até à morte,
até ficarmos colados
e rotos
a ganir de dor
...e gratos,
de ficarmos
fartos
um do outro.

Teresa Cunha
*****


1.
"i fall to pieces
each time i see you again"[1]
(hank cochran / harlan howard)

se eu amasse o corpo de uma mulher
mais do que a mim mesmo,
jamais pertenceria a poema algum
porque de silêncio é feito o
ímpeto dos corpos

se os poemas quebrassem e rebentassem
e abrissem clareiras entre os pensamentos,
destruindo-os e criando-os
e tornando a rebentar,
talvez o meu olhar fosse de uma
sibila ardendo

[ou queimando dos olhos]

se a poesia fosse toda dos homens
e das mulheres
e das vozes discordantes
que enchem a calçada das minhas cidades,
talvez as palavras respirassem vida
e dos cálamos
saíssem veias
e artérias de fogo
e deuses trespassados de som

mas a poesia é isso
palavra ígnea
ou não-palavra
palavra antes da palavra,
quando ainda aspiramos ao dom
de poder morrer de amor.

Jorge Vicente
[1] Excerto da canção “i fall to pieces”, cantada por patsy cline.
http://jorgevicente.blogspot.com

*****


ESQUECER PRAGA

Abraço musculado
peito largo
nádegas firmes
com rastos das marcas com que te amo
rígido
o sexo,
turgido
suculento
interminável,
num rasgar profundo
até à alma
geme(a)
loucura frenesim
permanece dentro de mim
sem fim
o grito com que me lembras
que eu e tu somos um
em fluidos misturados
carne
pele
aromas saboreados.

O teu olhar no meu, na curva do meu joelho, nos seios que quase te cabem nas mãos...
Lembras-te?

Luna Cheia
http://estanoitehaluar.blogspot.com
*****


FLORESTAL, INTENSO

Se os olhos se fecham
Ao mesmo tempo
Que os lábios se apartem:
Ao máximo;

Se esse movimento coincide
Com o escurecer dos troncos,
E a floresta engrossa - e se abre:
Ao máximo;

E se a floresta parte
A toda a velocidade para cima -
E ao mesmo tempo se desdobra,
Se vira em todas as direcções,
Ao máximo;

E se a rotação das pernas
Atinge os êmbolos eléctricos,
Os motores das violas nos músculos,
Fazendo ondular o ruído dos lençóis:
Ao máximo;

E se então um fio negro se atravessa,
E liga, faz contacto no fundo para além do fundo,
Cola mais o que já parece estar colado,
Ao máximo;

E se um grito pode ainda evocar
Esta explosão, este assassínio,
Esta insistência, essa violência
Máxima;

Estraçalhar com fúria todo o escrito
Todo o dito, todo o ansiado,
Numa agonia prolongada
Ao máximo.

Quase coincidência.
Quase perfeito
Ajustamento,
Que volta sempre em onda,
Numa nova tentativa,
Arrastando energia, a cor negra
Em atrito e furor;

Se os troncos entram suados
Pela floresta dentro, e a sua humidade
Estraçalha, rompe ao máximo,
Espalhando seios em todos os sentidos,
E se ouve
A coincidência do grito,
A intenção das gargantas

Viradas para cima,
A direcção das luzes voltaicas
Saindo em rompante.
Para quando, diz-me
verso seguinte,
Esse quase-tudo
Levado ao máximo,

Esse apaziguamento
Dos corpos derrotados pela luz,
pela sua própria corrente,
E essas gotas de sauna
Pingando lentamente
Na floresta negra
toda
tombada.

Vítor Oliveira Jorge
http://trans-ferir.blogspot.com
*****


Sonho de Amor

Passei contigo nesta noite,
Uma noite de loucura!
Tu ao meu lado,
Pura e faminta de amor...
Meu Deus!
Há quanto tempo
Não nos tínhamos amado
E não te dava tanta ternura...
Com quanto apego,
Com quanto ardor
Sussurrei ao teu ouvido
Muitas palavras...
Melodiosas, ociosas
E outras amorosas!
Cobri-te de carícias
De uma maneira desmedida...
Sinto ainda os beijos teus
E meus...
Nas minhas mãos
Os teus lindos seios,
O teu calor...
Como estavas louca, ofegante, perdida!
Sem peias, vergonha ou pudor,
Vibrante, solta. ardente!...
Mas ao acordar,
Ilusão...pura mentira!
Não passou tudo de um sonho,
Somente!

Manuel
www.poemar.blogs.sapo.pt
*****


história-poema

Sara Jane é o teu nome,
abandonas a infância alquebrada
e deixas os brinquedos no seu sono
branco,
passeias na memória como se fosse
a primeira vez.
Por sobre a terra caminhas de silêncio
em silêncio
escutando a voz dos pássaros.

Nos teus pés enrodilha-se a serpente
em nós azulados ascende no silêncio
demorado: desatas o laço:
e os nós distendem-se,
os teus olhos são dois focos de luz
iridescente: sonhas com o fogo
os astros o sol a lua,
abandonas-te no silêncio maduro
do instante
foges de ti sonhas:
escondes os braços dentro do corpo.

nunes
*****


…de…Lírios

Entregamo-nos
um rasto despido deixamos
como estrelas cadentes
as silhuetas brilharam
viandamos por linhas nuas
foste a Lua na minha Terra
uma semente no meu jardim
regada com amor perfeito
bailamos numa noite de chamas
desenhamos o fogo
com carícias de prazer
Vénus e Marte inflamaram
unimos as mãos
livres numa vasta planície
os peitos ressoaram como vulcões
enraizamo-nos num só
o rubor dos teus lábios
cintilou aos meus olhos
deslizei no teu ventre
conduzido pelo desejo
senti o calor da tua pele
leve, doce e macia
um aroma delicado e natural
convidou-me para o teu vale
o pulsar síncrono de vontades
aproximou as montanhas da alma
entre carícias ofegantes
e gestos penetrantes
viajei pelas tuas formas lúbricas
cascatas onde me purifiquei
renasço neste baptismo
com a Primavera ao meu lado
deslumbrados fomos
pelos laços criados
entrelaçados em silêncio
reluzimos o amanhecer

Pedro Pedra
*****


Esta noite, quando te deitares

Esta noite, quando te deitares
Deixa a janela aberta,
Para que o vento norte me transporte
E me faça entrar.

Esta noite, quando te deitares
Põe uma gota de perfume no umbigo,
E deixa que o sono te embale,
E diz baixinho o meu nome.

Esta noite, quando te deitares,
Deixa que o lençol revele as tuas coxas,
Pousa a mão no teu seio, sem receio
Enche a atmosfera de ti.

Esta noite, quando te deitares,
Se sentires que te desejo.
Que em teus lábios deposito um beijo
E que me deito mesmo a teu lado

Não penses, guia-te só pelo que sentes,
Prende-me a língua entre os dentes,
Afaga-me os cabelos com os dedos
Constrói comigo novos segredos,

Entrelaça-te em mim,
E pertinho do fim acorda,
Deixa-me enamorado.
Porque o desejo morre,
Quando é saciado.

E tu és fonte eterna,
Doce magia a crescer,
E teu olhar é sede,
E o teu corpo é bom de beber.

Namoro é caça, é jogo,
Não tenhas pena de mim.
Sofro pelo que não tenho,
Morria se chegasse ao fim!

Alexandre
http://in-fidelidades.blogspot.com
*****


Sic Vis Eros

Tentação de me perder…
Moralistas que nos corrompem o desejo
Reafirma-se o animal que dorme, eros...
Íntimos sonhos qual tormentos,

Doce sensação, que me angustia o paladar…
Paixões desinibidas que me enfraquecem,
Qual repto de intenções descontroladas
Alimenta-me a demência de uma inocência.

Qual chuva do fim de tarde, que nos invade com o seu odor…
Ardente sensação de regozijo que me invade
Essência vigorosa que me alimenta e repudia a razão,
O prazer que sinto veemente cresce.

Estridentes, arrepios que me aparam os sentidos…
Gemidos que se formam,
Qual predador que sua presa ronda…
Emana a paixão de saciar a tua púbis

Voluptuosa sensação que abraço com o olhar
Corpo desnudado, qual orquídea a desabrochar
Quente a descoberta do íntimo
Suave a brisa que me toca,

Tremem-se-lhe as pernas, torneadas….
Húmida, sequiosa de sabor,
Engolfo o meu ser dentro da sua boca,
O prazer uma e outra vez, possuo-te nesse instante somos um.

Leonardo Springer
*****


Vulnerabilidade

De olhos vendados,
Vulnerável,
Não por força alheia e bruta,
Mas por sua vontade
Fechados,
Ela se prostra
Sobre a mesa que às vezes é cama,
Onde ele a almoça quando ela o chama...
Sem palavras (quem realmente
Delas precisa?), ela prende-se, sem correntes,
Às mãos rudes que a possuirão
E ao corpo estranho que a cobrirá
De peso e de prazer.
Sem palavras, sempre sem palavras,
A lânguida morosidade da escuridão
Cairá
Sobre a tarde proibida em jorros de luz vespertina a amadurecer
Na língua do amante que ela nunca verá...

Valter Ego
http://amendual.blogspot.com
*****


DINÂMICA DOS FLUIDOS

Não vês nos meus olhos desejo,
o desejo?, nos lábios a sede
de um beijo e nos braços
a fome de abraços, não vês, tu
não vês?; não vês que nas veias
o sangue incendeia?

Semeio o delírio
com os dedos urgentes:
mordisco-te os seios, os seios
inchados; sugamo-nos
as línguas de fogo,
vorazes; sublevo-te a púbis
e a boca do corpo, num ritmo
agudo, sem véus de pudor.
O frémito cresce; respiras mais
fundo; o vigor entumece.

Rebelem-se os ventos ou tremam
as casas, vogamos na crista
das ôndulas vivas num mar
de calor, os olhos nos olhos,
as mãos desgrenhadas, as bocas
ao rubro, soltamos gemidos
e brados e uivos, os poros
perdidos, fundentes, em brasa.

Celebramos os corpos
assim desvairados
no ápice da febre,
do ardor, da explosão das águas
frementes, do fogo maduro,
com o sol tatuado na pele da paixão.

Domingos da Mota
http://fogmaduro.blogspot.com
*****

Podem ouvir aqui o programa do Estúdio Raposa em que o locutor Luís Gaspar gravou em audio alguns dos poemas participantes neste passatempo.

Terminando, deixo um obrigada a todos pela entusiasta participação, obrigada ao Luís Gaspar... e, até ao próximo passatempo.

....................
Relembro que este "espaço aberto" é um espaço de tertúlia e não de alguma espécie de competição. Para isso existem os concursos literários, com júris e prémios monetários.
A vossa participação nestes passatempos deve ser sempre na óptica da partilha, da sã convivência, para divulgarem o que escrevem. Por isso vos agradeço a forma como têm participado nestes passatempos.
Os participantes que recebem livros, são apenas os que foram mais rápidos a enviar as colaborações.

133 poetas lançam livro coletivo na Bienal de São Paulo

O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009, onde participaram mais de 600 poetas inscritos e de onde foram seleccionados 133 para participarem da publicação. O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Para além deste lançamento, Valdeck Almeida lançará a coletânea “Antologia do Amor – 2010” e o livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Contos LGBT’s” (que homenageia o escritor e jornalista Jean Wyllys).

A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Pulo 2010 vai ter lugar de 12 a 22 de Agosto de 2010, no Parque de Exposições Anhembi, em São Paulo.

Mais logo, no São Luiz

Até 13 de Março, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, serão recordados cinco poetas portugueses (Alberto Lacerda, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Sophia de Mello Breyner e Herberto Helder), no ciclo "Poesia e Música", sábado às 17h30, pela voz de Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Graça Lobo, Beatriz Batarda, Maria João Luís e a música de João Aboim, João Paulo Santos, Olga Pratts, Bernardo Sassetti e Irene Lima.
Depois da sessão do passado sábado dia 6, dedicada a Alberto de Lacerda, a sessão de hoje é dedicada a Luiza Neto Jorge. Os poemas serão lidos por Luís Miguel Cintra, acompanhado ao piano por João Paulo Santos, com música de Jorge Peixinho.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Não me morras
Eduarda Chiote
& etc, 2004







Os passos da Poesia


Deslizas pela delicadeza
com teus pés magoados.
Por que caminhas agora sobre vidros,
por que exiges de ti essa aguda cautela?
Os céus teriam sido a morada, as areias finas
do nosso desencontro?
Soubera-o eu e ter-te-ia ajudado a não descalçar os sapatos.
As meias também.
Deixar-te ficar com elas, durante o amor,
tem sido (foi sempre) um motivo de deleite.
De carinho.
Uma inclinação natural
de proteger-te.
Se te pintara, numa imensa e clara tela, começaria
por essa mancha: estremecida.
Estremecida!
Ia jurar que nunca te apercebeste de como posso,
em discrição, exceder-lhe os pormenores
– convovar o fascínio,
a cor, a textura; pressagiar-lhe os passos de um suor doloroso.
Por que permiti, então, o caminhares por lugares
penosos?
Não mo perdoo.
Agora que os aperfeiçoas na fuga, espero bem poder acolhê-los
como pombas,
lavar-tos com a imaginação perfumada
das nuvens,
o olhar atento ao delicado equilíbrio, no quadro,
da moldura.
Anunciavam já, no tempo em que ao meu encontro
corriam, esse enredo de minuciosas
dores? – Quais? As de viver? O competente espaço
onde os acolho para a frescura da relva
por nascer?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mais logo, em Setúbal

Hoje, 12 de Fevereiro, vai ter lugar na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 14H30, uma sessão de apresentação da antologia de poesia
Os dias do Amor
Um poema para cada dia do ano
Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho

Estarei acompanhada pelos poetas
Casimiro de Brito,
Myriam Jubilot de Carvalho

e Rui Almeida.

Apareçam!

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


César a César
Adília Lopes
&etc, 2003






Self-portrait 1

My cats
enjoy playing
with my cockroaches

My cockroaches
enjoy eating
my potatoes

And
what about
my potatoes?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Curso de poesia portuguesa contemporânea na Casa Fernando Pessoa

Vai ter lugar, na Casa Fernando Pessoa, nas 2ªs feiras de Abril e Maio, das 18h00 às 19h30, um curso de poesia portuguesa contemporânea orientado por António Carlos Cortez:

5 de Abril: Vitorino Nemésio e Camilo Pessanha;
12 de Abril: Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner;
19 de Abril: Eugénio de Andrade e Carlos de Oliveira;
26 de Abril: Mário Cesariny e Alexandre O’Neill;
3 de Maio: Herberto Hélder e Ruy Belo;
10 de Maio: Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge;
17 de Maio: Gastão Cruz e Armando Silva Carvalho;
24 de Maio: Nuno Júdice e António Osório;
31 de Maio: Luís Miguel Nava e Ana Luísa Amaral.

Inscrições: De 15 de Fevereiro a 31 de Março, na Casa Fernando Pessoa.
Custo da inscrição: 40 euros

Mais informações aqui.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Traveseando
Ricardo Zelarayán
Eloisa Cartoneira, 2005







Cuando llueve


(...)
Cuando llueve, es la fiesta de los sapos. No
hay mal que por bien no venga.
Cuando llueve, fracasa la casa que no
podemos terminar, como el fuego al aire
libre que no podemos encender.
Pero... cuando llueve, las gotas se dan al fin
un baño de tierra.
Cuando llueve, tu pelo se moja mucho y tus
ojos nada... porque están bajo techo.
Cuando llueve, no hay canto de pájaros.
Cantemos nosotros al ritmo del aguacero.
Cuando llueve, es mejor que sea verano que
invierno, es cierto.
Pero... nunca se sabrá si se moja más el que
corre o el que camina despacio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ladainha curta para excreção dos governos

Todos os ministros da saúde deveriam ser pacientes.
Todos os ministros da educação deveriam ser professores.
Todos os ministros da administração interna deveriam cumprir pena.
Todos os ministros dos negócios estrangeiros deveriam ser imigrantes.
Todos os ministros da justiça deveriam ser justos.
Todos os ministros da guerra deveriam carregar com as bombas.
Todos os ministros do comércio deveriam transaccionar rebuçados.
Todos os ministros da indústria deveriam sofrer a trepidação da máquina.
Todos os ministros da economia deveriam ser vagomestres.
Todos os ministros da cultura deveriam ser presidentes da sociedade protectora dos animais.
Todos os ministros do mar deveriam andar embarcados.
Todos os ministros da agricultura deviam ser coagidos a que lhes fosse vertida uma colher de óleo de amêndoa quente no ouvido direito.
Todos os ministros do ambiente deveriam ir a ares.
Todos os primeiros-ministros deveriam ser os últimos.
Quanto aos ministros das finanças, não há nada a fazer.
Todos os ministros das finanças são impostos.

Amadeu Baptista
(inédito)

Novidades &etc


Londres
Nuno Dempster
Janeiro 2010







Uma viagem num único poema de 41 páginas, que começa no aeroporto, depois percorre as ruas de Londres, visita museus...

(...)
Sinto-me bem e leve no meio de tanta gente,
de tantas raparigas,

aqui a vida conflui
de agora e do passado, é só uma e sem hiatos,
daí que veja Ana Bolena misturada connosco,
a beber e a vozear como os outros,

só um discurso de Churchill na rádio nos silenciaria,
hipótese que se admite possa acontecer,
na Roundhouse nada há que não suceda.

Mais do que um confessou ter visto Eliot
no passeio oposto, enquanto uma celta afirmou
ter surpreendido Robin Wood a assaltar o
Barclay's Bank com a namorada. Jurou-mo
entre gargalhadas cristalinas de desejo.
(...)

Novidades Antígona

Pullllllllllllllllllllllllll, Poesia Contemporânea do Canadá
Tradução, prefácio e notas:
John Havelda, Isabel Patim e Manuel Portela
296 páginas



Pullllllllllllllllllllllllll, Poesia Contemporânea do Canadá pretende ser uma amostra da poesia canadiana de língua inglesa contemporânea, com incidência nas últimas três décadas. Nascidos entre 1925 e 1966, os treze autores seleccionados são muito diferentes entre si, abrangendo cerca de três gerações – Robin Blaser, Christian Bök, Dionne Brand, Dennis Cooley, Jeff Derksen, Robert Kroetsch, Karen Mac Cormack, Steve McCaffery, Roy Miki, Erín Moure, bpNichol, Lisa Robertson e Fred Wah. Apesar das diferenças, parece ser possível encontrar alguns pontos de contacto nas suas poéticas individuais. Esses pontos de contacto foram provavelmente o que conduziu a esta selecção. Em todos os autores escolhidos é possível reconhecer uma prática experimental de radical interpelação da linguagem e de abandono de estratégias de significação fossilizadas.

À venda nas livrarias a partir de 10 de Fevereiro.

Mais logo, na Casa Fernando Pessoa

(clicar para ampliar)

Diálogos com a Ciência

Poesia e Ciência II
11 de Fevereiro 21H30
21H30 • Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto
Com:
Gabriela Rocha Martins, Alice Macedo Campos, Nuno Júdice e Vítor Oliveira Jorge

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Nas Margens do Sar

Rosalía de Castro
Tradução de José Carlos González
Editorial Diferença, 1999








Vós, que dum céu imaginado

viveis, como Narciso, enamorados,

não podereis mudar da criatura,

na sua essência eternamente a mesma,
os instintos inatos.


Não apagareis nunca da alma humana

o orgulho da raça, o amor pátrio,
a vaidade do valor pessoal,

nem o orgulho do ser que se nega

a perder do seu ser o menor átomo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Prémio Autores SPA/RTP de Poesia para António Osório


A Luz Fraterna, de António Osório (edição Assírio & Alvim), venceu o Prémio Autores SPA/RTP na categoria de Melhor Livro de Poesia.
A cerimónia decorreu ontem no CCB, em Lisboa.

Lista dos autores premiados aqui.

Outras sugestões para os próximos dias


9 de Fevereiro (terça-feira):

FARO – Draculea Bar
Vai ter lugar no dia 9 de Fevereiro, pelas 23h mais uma Noite de Poesia no Draculea Bar, em Faro (Rua Dr. Rodrigues Davim, 44).





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10 de Fevereiro (quarta-feira):

LISBOA– Fnac do Chiado
Pedro Mexia apresenta no dia 10 de Fevereiro, na Fnac Chiado, pelas 18H30, o mais recente livro de Eduardo Pitta, intitulado Aula de Poesia.
A obra, editada pela Quetzal, compila 42 ensaios sobre poetas e poesia, escritos por Eduardo Pitta.




PORTO - Bar Labirintho
Lançamento do mais recente livro de poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues,
A Casa da Meia Distância
(edição Mariposa Azual), no Porto, dia 10 de Fevereiro, às 21hH30m, no Bar Labirintho.
Apresentação de Helena Vieira e leituras por José Carlos Tinoco, Susana Guimarães, Manuel Ribeiro e pelo autor.
O Bar Labirintho fica na Rua Nossa Senhora de Fátima, 334, Porto.

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11 de Fevereiro (quinta-feira):

PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 11 de Fevereiro, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 22h00:
Concerto com declamação de poesia
Tozeguitarras (guitarra, voz)
Acompanhado por:
Manuel Soares (flauta, voz)
Eduardo Moura (diseur)
Franklin Cardoso (diseur)
Cláudia Sousa (poema teatralizado)
Jorge Botelho (poema teatralizado)
José Pedrosa (diseur)


LISBOA – Bar BA Friends
No dia 11 de Fevereiro, pelas 18H30, Manuel Cintra fará uma leitura de poemas seus no Bar BA Friends (Rua da Rosa, 99). Serão lidos poemas do seu livro inédito Depois do nada, a publicar este ano, assim como do mais recente, Alçapão, da &etc. No final da leitura haverá uma venda de exemplares autografados de vários livros do autor.
A entrada é livre.

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12 de Fevereiro (sexta-feira):

SETÚBAL – Biblioteca Municipal
No dia 12 de Fevereiro, vai ter lugar na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 14H30, uma sessão de apresentação da antologia de poesia "Os Dias do Amor".
Estarão presentes a antologiadora (Inês Ramos) e os poetas Casimiro de Brito, Myriam Jubilot de Carvalho e Rui Almeida.




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13 de Fevereiro (sábado):

LISBOA – Auditório do Campo Grande
No dia 13 de Fevereiro, vai ter lugar a apresentação do livro de poesia “A Espiral do Amor”, de Egéria (edição Temas Originais), no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, pelas 16H00.
Obra e autora serão apresentadas pelo artista plástico Joma Sipe e esta sessão contará com leitura de poemas por Aurora Sousa.

No mesmo local, às 19H00, terá lugar a apresentação do livro de poesia “Amador do Verso” de Emanuel Lomelino (edição Temas Originais).
Obra e autor serão apresentados por Paulo Santos.




LISBOA - Teatro A Barraca
No dia 13 de Fevereiro, no Teatro A Barraca – Cinearte (Largo de Santos, 2, Lisboa), a partir das 22H00, terá lugar a festa de lançamento do mais recente número da revista Criatura. A apresentação ficará a cargo de José Manuel de Vasconcelos e conta com um programa de leituras de alguns dos textos reunidos na revista.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


A carvão
Poesia reunida
Fernando de Castro Branco
Cosmorama, 2009






Rua de Costa Cabral

Ali os invernos eram longos mas suaves em sua crueldade.
Em Costa Cabral as noites eram húmidas,
mergulhava-se na madrugada com o amor preso nos dentes
e o que faltasse à vida era mesmo para rejeitar.
Pelas tantas chegavam o chulo e a prostituta
e se desesperavam em cavalgadas ruidosas
como se aos ouvidos sobejasse o que chiava:
dobradiças, encaixes ralos, folga nas madeiras
e a fraqueza de muitas mortes na cova do colchão.

Eu era o terceiro excluído, se bem que no longe
de quem olha o tecto e sente o ménage incompleto
no troisième que se ressente. E dobrado o cabo
das tormentas necessárias à juventude,
que após as aulas enfrentava promontórios ao virar da esquina,
sobrava na manhã o traço grosso
de quem leva pela rua a noite
escorrendo da cabeça.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Um Ritmo Perdido
Ana Hatherly
Edição da autora, 1958







Nocturno

Com a mais fina areia se formaram duras pedras.

Com qualquer frágil flama se incendeia toda a terra.


Uma galáxia tem mil chamas

Consumindo-se e criando-se ininterruptamente...


A dor é toda uma,

Imutável e indiferente.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sugestão da Andante para esta semana


Sem Amor

Viver sem amor
É como não ter para onde ir
Em nenhum lugar
Encontrar casa ou mundo.

É contemplar o não-acontecer
O lugar onde tudo já não é
Onde tudo se transforma
No recinto
De onde tudo se mudou.

Sem amor andamos errantes
De nós mesmos desconhecidos

Descobrimos que nunca se tem ninguém
Além de nós próprios
E nem isso se tem.

Ana Hatherly


Voz: Cristina Paiva; Música: Nils Frahm; Sonoplastia: Fernando Ladeira

Às Escuras, o Amor



A Associação Artística Andante que corre o país de lés a lés desde 1999 com espectáculos, recitais, ateliês, leituras em voz alta... procurando sempre novos públicos para a poesia e para a prosa e especialmente para o teatro, através dos princípios da curiosidade e do prazer, continua a apresentar, pelo país fora, o espectáculo “Às escuras, o amor”.

Os espectáculos não são recitais no seu sentido mais convencional. Partem de um conjunto de formas possíveis (e às vezes impossíveis) de ler um texto.
As imagens são construídas dentro de cada pessoa a partir da sonoridade que as palavras têm (porque para além de um sentido, também possuem a sua sonoridade) e da sonoplastia que a Andante lhes impõe para lhes dar uma nova "versão".

“Às escuras, o amor” (que é também o título de um poema de David Mourão Ferreira), tem poemas de vários autores (maioritariamente portugueses) sobre o Amor.

Ficha técnica:
Textos : Vários
Encenação: Rui Paulo
Pesquisa: Cristina Paiva e Fernando Ladeira
Interpretação: Cristina Paiva
DJing: DJ grandE
Sonoplastia: Fernando Ladeira
Concepção Plástica: Maria Luiz
Fotografia: Carla d’Almeida Lopes e Vitor MM Costa
Produção: Andante Associação Artística
Apoio: Câmara Municipal de Alcochete

Os próximos espectáculos estão marcados para:
8 Fevereiro: Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo (São Domingos de Rana) 12H00
10 Fevereiro: Biblioteca Municipal da Guarda 10H30 e 14H30
11 Fevereiro: Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António 10H30 e 14H30
12 Fevereiro: Estabelecimento Prisional de Alcoentre 14H30

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Poemas de Mário Cesariny
ditos por Mário Cesariny
CD+Livro
Assírio & Alvim, 2007






exercício espiritual


É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A arte de dizer Poesia

Hoje, 6 de Fevereiro, pelas 18H30, a Fundação Eugénio de Andrade promove na sua sede um debate sobre “a arte de dizer poesia”, em que intervirão Pedro Lamares e Isac Ferreira, dois conhecidos “dizedores”, com larga experiência não só em teatros e salões mas também em bares.
Na sessão estará presente uma delegação do “Clube da Letra”, associação carioca de escritores luso-brasileiros.
A Fundação Eugénio de Andrade fica na Rua do Passeio Alegre, 584, no Porto.

Mais logo, em Lisboa

Apresentação do livro de poesia satírica
"Livro de Reclamações - complaints book" de António Ferra.
6 de Fevereiro • Livraria Círculo das Letras • 17H30

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Quinze Poetas Aztecas
[antologia poética]
Tradução de José Agostinho Baptista
Assírio & Alvim, 2006






As flores e os cantos

Do interior do céu vêm
as belas flores, os belos cantos.
Desfeia-os a nossa ansiedade,
a nossa invenção deita-os a perder,
a não ser os do príncipe chichimeca Tecayehuatzin.
Com os seus, alegrai-vos!

A amizade é chuva de flores preciosas.
Brancos tufos de plumas de garça,
entrelaçam-se com preciosas flores vermelhas:
nos ramos das árvores,
debaixo delas andam e libam
os senhores e os nobres.

Vosso belo canto:
um dourado pássaro cascavel,
muito formoso o elevais.
Estais numa cerca de flores.
Sobre os ramos floridos cantais.
Acaso serás tu uma ave preciosa do Dador da vida?
Acaso falaste com o deus?
Tão depressa como vistes a aurora,
os pusestes a cantar.

Que se esforce o meu coração, que queira,
as flores do escudo,
as flores do Dador da vida.
Que poderá fazer o meu coração?
Em vão chegámos,
brotámos sobre a terra.
Só assim hei-de ir-me
como as flores que morrerão?
Nada restará do meu nome?
Nada da minha fama aqui na terra?
Ao menos flores, ao menos cantos!
Em vão chegámos,
brotámos sobre a terra.

Gozemos, oh amigos,
que haja abraços aqui.
Agora andamos sobre a terra florida.
Ninguém aqui acabará
com as flores e os cantos,
eles perduram na casa do Dador da vida.

Aqui na terra é a região do momento fugaz.
Também é assim no lugar
onde de alguma maneira se vive?
Aí nos alegramos?
Aí existe amizade?
Ou apenas aqui na terra
viemos conhecer os nossos rostos?

Ayocuan Cuetzpaltzin
(segunda metade do século XV - princípios do século XVI)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


O Cardo e a Rosa
Poesia do Barroco Alemão
Selecção, tradução e prefácio de João Barrento
Assírio & Alvim, 2002






Dizei lá: o que é o amor?


Corações juntos.................e unidos. Um ve
neno mais que doce. ...........Dor que faz bem aos
sentidos. Seta que acerta......e adormece. Obra que
ao mundo traz gente. Moço fogoso e atrevido. Um
jogo que afinal mente. Chama de braseiro de Cupi
do. Fardo leve de levar. Menino amável galan
te. Tristeza que dá prazer. Corda que prende o
amante. Ser cego, sombrio, sinistro. Noite
de gozo e grandeza. Livro já lido e revis
to. Fausto de fugaz beleza. Feira de
comprar remorsos. Desrazão in
teligente. Estrada de muitos
cansaços. Fogo que
arde eterna
mente.

Georg Philip Handsdörffer (1607 - 1658)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


“Baladas Hebraicas”
Else Lasker-Schüller
Tradução e apresentação de João Barrento
Assírio & Alvim, 2002






O meu povo


Apodrece o rochedo
De onde provenho
E ao sol entoo os meus cânticos sagrados...
Subitamente, precipito-me do caminho
E águas murmuram em mim
Na distância, só, sobre pedras de lamentação,
Em direcção ao mar.

Jorrei-me para tão longe
Do mosto mal fermentado
Do meu sangue.
E sempre e ainda o eco
Dentro de mim,
Quando, voltados para Oriente,
Os ossos do rochedo apodrecido,
O meu povo,
Lançam um grito terrível para Deus.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


ODES António Salvado
Apresentação de Paulo Samuel
Pinturas de Costa Camelo
Caixotim, 2009






Nunca regresso ao ponto de partida,
quando me leva como eremita
a solidão do dia em que viajo,
quando nem horizontes desordenam
com seus fechados véus
a vontade afincada de transpor
as linhas clandestinas.
E porque voltaria? Trabalhoso
seria descobrir
de novo a senda aberta ao retornar,
com poeiras e pedras, sobressaltos,
em toda a dimensão da revoada.
O ponto de partida
diluiu-se aliás no pesadelo
de noites infindáveis, sem contorno,
sem astros pelo céu a tilintarem
e sem segurança do romper
da manhã desejada.
Companheira leal, a solidão
parte sempre comigo
até onde a distância não existe.

Celebrar a Música com Poesia

Acaba de ser editada pela Proviseu - Associação para a Promoção de Viseu e Região, com organização do poeta Amadeu Baptista, a antologia de poesia sobre música "Divina Música" que assinala as comemorações do 25º Aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu (1985-2010).
Amadeu Baptista reuniu uma plêiade de poetas com créditos firmados no panorama da literatura portuguesa e da literatura dos países lusófonos, que, nesta antologia, celebram a música:
Adalberto Alves (Portugal)
Affonso Romano de Sant’Anna (Brasil)
Albano Martins (Portugal)
Alexandra Malheiro (Portugal)
Alexandre Vargas (Portugal)
Alexei Bueno (Brasil)
Amadeu Baptista (Portugal)
Ana Hatherly (Portugal)
Ana Luísa Amaral (Portugal)
Ana Mafalda Leite (Portugal)
Ana Marques Gastão (Portugal)
Ana Salomé (Portugal)
Ana Sousa (Portugal)
António Brasileiro (Brasil)
António Cabrita (Portugal)
António Cândido Franco (Portugal)
António Ferra (Portugal)
António Gregório (Portugal)
António José Queirós (Portugal)
António Osório (Portugal)
António Rebordão Navarro (Portugal)
António Salvado (Portugal)
Artur Aleixo (Portugal)
Bruno Béu (Portugal)
C. Ronald (Brasil)
Camilo Mota (Brasil)
Carlos Felipe Moisés (Brasil)
Carlos Garcia de Castro (Portugal)
Casimiro de Brito (Portugal)
Cláudio Daniel (Brasil)
Cristina Carvalho (Portugal)
Daniel Abrunheiro (Portugal)
Daniel Maia-Pinto Rodrigues (Portugal)
Danny Spínola (Cabo Verde)
Davi Reis (Portugal)
Donizete Galvão (Brasil)
E.M. de Melo e Castro (Portugal)
Edimilson de Almeida Pereira (Brasil)
Eduardo Bettencourt Pinto (Angola)
Eduíno de Jesus (Portugal)
Ernesto Rodrigues (Portugal)
Eunice Arruda (Brasil)
Fernando de Castro Branco (Portugal)
Fernando Echevarría (Portugal)
Fernando Esteves Pinto (Portugal)
Fernando Fábio Fiorese Furtado (Brasil)
Fernando Grade (Portugal)
Fernando Guimarães (Portugal)
Fernando Pinto do Amaral (Portugal)
Francisco Curate (Portugal)
Gonçalo Salvado (Portugal)
Graça Magalhães (Portugal)
Graça Pires (Portugal)
Henrique Manuel Bento Fialho (Portugal)
Hugo Milhanas Machado (Portugal)
Iacyr Anderson Freitas (Brasil)
Inês Lourenço (Portugal)
Isabel Cristina Pires (Portugal)
Jaime Rocha (Portugal)
Joaquim Cardoso Dias (Portugal)
João Aparício (Timor-Leste)
João Camilo (Portugal)
João Candeias (Portugal)
João Manuel Ribeiro (Portugal)
João Moita (Portugal)
João Rasteiro (Portugal)
João Rios (Portugal)
João Rui de Sousa (Portugal)
João Tala (Angola)
Joaquim Feio (Portugal)
Jorge Arrimar (Angola)
Jorge Reis-Sá (Portugal)
Jorge Velhote (Portugal)
José Agostinho Baptista (Portugal)
José Carlos Barros (Portugal)
José do Carmo Francisco (Portugal)
José Luís Mendonça (Angola)
José Luís Peixoto (Portugal)
José Manuel Vasconcelos (Portugal)
José Mário Silva (Portugal)
José Miguel Silva (Portugal)
José Tolentino de Mendonça (Portugal)
Júlio Polidoro (Brasil)
Levi Condinho (Portugal)
Luís Amorim de Sousa (Portugal)
Luís Filipe Cristóvão (Portugal)
Luís Quintais (Portugal)
Luís Soares Barbosa (Portugal)
manuel a. domingos (Portugal)
Margarida Vale de Gato (Portugal)
Maria Andresen (Portugal)
Maria Estela Guedes (Portugal)
Maria João Reynaud (Portugal)
Maria Teresa Horta (Portugal)
Miguel-Manso (Portugal)
Miguel Martins (Portugal)
Myriam Jubilot de Carvalho (Portugal)
Nicolau Saião (Portugal)
Nuno Dempster (Portugal)
Nuno Júdice (Portugal)
Nuno Rebocho (Portugal)
Ondjaki (Angola)
Ozias Filho (Brasil)
Patrícia Tenório (Brasil)
Paula Cristina Costa (Portugal)
Paulo Ramalho (Portugal)
Paulo Tavares (Portugal)
Prisca Agustoni (Brasil)
Risoleta Pinto Pedro (Portugal)
Roberval Alves Pereira (Brasil)
Rosa Alice Branco (Portugal)
Rui Almeida (Portugal)
Rui Caeiro (Portugal)
Rui Cóias (Portugal)
Rui Costa (Portugal)
Ruy Ventura (Portugal)
Sara Canelhas (Portugal)
Soledade Santos (Portugal)
Teresa Tudela (Portugal)
Torquato da Luz (Portugal)
Urbano Bettencourt (Portugal)
Vasco Graça Moura (Portugal)
Vera Lúcia de Oliveira (Brasil)
Vergílio Alberto Vieira (Portugal)
Victor Oliveira Mateus (Portugal)
Virgílio de Lemos (Moçambique)
Vítor Nogueira (Portugal)
Vítor Oliveira Jorge (Portugal)
Yvette K. Centeno (Portugal)
Zetho Cunha Gonçalves (Angola)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


A Faca não Corta o Fogo
súmula & inédita

Herberto Helder
Assírio & Alvim, 2008






Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.
O orvalho da muita manhã.
Corria de noite, como no meio da alegria,
pelo orvalho parado da noite.
Luzia no orvalho. Levava uma flecha
pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado
loucamente
por um caçador de que nada se sabia.
E era pelo orvalho dentro.
Brilhava.

Não havia animal que no seu pêlo brilhasse
assim na morte,
batendo nas ervas extasiadas por uma morte
tão bela.
Porque as ervas têm pálpebras abertas
sobre estas imagens tremendamente puras.

Pelo orvalho dentro.
De dia. De noite.
A sua cara batia nas candeias.
Batia nas coisas gerais da manhã.
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.
Tomava alegria no pensamento
do orvalho. Corria.

Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.
Que têm os olhos cegos como sangue.
Este corria, assombrado.
Os mortos devem ser puros.
Ouvi dizer que respiram.
Correm pelo orvalho dentro, e depois
estendem-se. Ajudam os vivos.
São doces equivalências, luzes, ideias puras.
Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar

— a morte é passar, como rompendo uma palavra,
através da porta,
para uma nova palavra. E vejo
o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição
através das portas de outros corpos.
Como uma qualidade ardente de uma coisa para
outra coisa, como os dedos passam fogo
à criação inteira, e o pensamento
pára e escurece

— como no meio do orvalho o amor é total.
Havia um homem que ficou deitado
com uma flecha na fantasia.
A sua água era antiga. Estava
tão morto que vivia unicamente.
Dentro dele batiam as portas, e ele corria
pelas portas dentro, de dia, de noite.
Passava para todos os corpos.
Como em alegria, batia nos olhos das ervas
que fixam estas coisas puras.
Renascia.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Pequena Antologia da Poesia Palestiniana Contemporânea
Selecção e tradução de Albano Martins
ASA, 2004








Os amantes


Ninguém acredita nos amantes
Enquanto estão vivos, os cafés fecham à hora
e os táxis são raros depois da meia-noite
A própria noite não acredita neles
e retira-se cedo dos jardins públicos
para invadir os quartos de dormir
onde as paredes gemem sob o peso das coisas
E, quando morrem, os seus caixões são estreitos
como os dos outros

Khayri Mansur