sábado, 13 de fevereiro de 2010

133 poetas lançam livro coletivo na Bienal de São Paulo

O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009, onde participaram mais de 600 poetas inscritos e de onde foram seleccionados 133 para participarem da publicação. O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Para além deste lançamento, Valdeck Almeida lançará a coletânea “Antologia do Amor – 2010” e o livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Contos LGBT’s” (que homenageia o escritor e jornalista Jean Wyllys).

A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Pulo 2010 vai ter lugar de 12 a 22 de Agosto de 2010, no Parque de Exposições Anhembi, em São Paulo.

Mais logo, no São Luiz

Até 13 de Março, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, serão recordados cinco poetas portugueses (Alberto Lacerda, Luiza Neto Jorge, Mário Cesariny, Sophia de Mello Breyner e Herberto Helder), no ciclo "Poesia e Música", sábado às 17h30, pela voz de Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Graça Lobo, Beatriz Batarda, Maria João Luís e a música de João Aboim, João Paulo Santos, Olga Pratts, Bernardo Sassetti e Irene Lima.
Depois da sessão do passado sábado dia 6, dedicada a Alberto de Lacerda, a sessão de hoje é dedicada a Luiza Neto Jorge. Os poemas serão lidos por Luís Miguel Cintra, acompanhado ao piano por João Paulo Santos, com música de Jorge Peixinho.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Não me morras
Eduarda Chiote
& etc, 2004







Os passos da Poesia


Deslizas pela delicadeza
com teus pés magoados.
Por que caminhas agora sobre vidros,
por que exiges de ti essa aguda cautela?
Os céus teriam sido a morada, as areias finas
do nosso desencontro?
Soubera-o eu e ter-te-ia ajudado a não descalçar os sapatos.
As meias também.
Deixar-te ficar com elas, durante o amor,
tem sido (foi sempre) um motivo de deleite.
De carinho.
Uma inclinação natural
de proteger-te.
Se te pintara, numa imensa e clara tela, começaria
por essa mancha: estremecida.
Estremecida!
Ia jurar que nunca te apercebeste de como posso,
em discrição, exceder-lhe os pormenores
– convovar o fascínio,
a cor, a textura; pressagiar-lhe os passos de um suor doloroso.
Por que permiti, então, o caminhares por lugares
penosos?
Não mo perdoo.
Agora que os aperfeiçoas na fuga, espero bem poder acolhê-los
como pombas,
lavar-tos com a imaginação perfumada
das nuvens,
o olhar atento ao delicado equilíbrio, no quadro,
da moldura.
Anunciavam já, no tempo em que ao meu encontro
corriam, esse enredo de minuciosas
dores? – Quais? As de viver? O competente espaço
onde os acolho para a frescura da relva
por nascer?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mais logo, em Setúbal

Hoje, 12 de Fevereiro, vai ter lugar na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 14H30, uma sessão de apresentação da antologia de poesia
Os dias do Amor
Um poema para cada dia do ano
Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos
Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho

Estarei acompanhada pelos poetas
Casimiro de Brito,
Myriam Jubilot de Carvalho

e Rui Almeida.

Apareçam!

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


César a César
Adília Lopes
&etc, 2003






Self-portrait 1

My cats
enjoy playing
with my cockroaches

My cockroaches
enjoy eating
my potatoes

And
what about
my potatoes?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Curso de poesia portuguesa contemporânea na Casa Fernando Pessoa

Vai ter lugar, na Casa Fernando Pessoa, nas 2ªs feiras de Abril e Maio, das 18h00 às 19h30, um curso de poesia portuguesa contemporânea orientado por António Carlos Cortez:

5 de Abril: Vitorino Nemésio e Camilo Pessanha;
12 de Abril: Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner;
19 de Abril: Eugénio de Andrade e Carlos de Oliveira;
26 de Abril: Mário Cesariny e Alexandre O’Neill;
3 de Maio: Herberto Hélder e Ruy Belo;
10 de Maio: Fiama Hasse Pais Brandão e Luiza Neto Jorge;
17 de Maio: Gastão Cruz e Armando Silva Carvalho;
24 de Maio: Nuno Júdice e António Osório;
31 de Maio: Luís Miguel Nava e Ana Luísa Amaral.

Inscrições: De 15 de Fevereiro a 31 de Março, na Casa Fernando Pessoa.
Custo da inscrição: 40 euros

Mais informações aqui.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Traveseando
Ricardo Zelarayán
Eloisa Cartoneira, 2005







Cuando llueve


(...)
Cuando llueve, es la fiesta de los sapos. No
hay mal que por bien no venga.
Cuando llueve, fracasa la casa que no
podemos terminar, como el fuego al aire
libre que no podemos encender.
Pero... cuando llueve, las gotas se dan al fin
un baño de tierra.
Cuando llueve, tu pelo se moja mucho y tus
ojos nada... porque están bajo techo.
Cuando llueve, no hay canto de pájaros.
Cantemos nosotros al ritmo del aguacero.
Cuando llueve, es mejor que sea verano que
invierno, es cierto.
Pero... nunca se sabrá si se moja más el que
corre o el que camina despacio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ladainha curta para excreção dos governos

Todos os ministros da saúde deveriam ser pacientes.
Todos os ministros da educação deveriam ser professores.
Todos os ministros da administração interna deveriam cumprir pena.
Todos os ministros dos negócios estrangeiros deveriam ser imigrantes.
Todos os ministros da justiça deveriam ser justos.
Todos os ministros da guerra deveriam carregar com as bombas.
Todos os ministros do comércio deveriam transaccionar rebuçados.
Todos os ministros da indústria deveriam sofrer a trepidação da máquina.
Todos os ministros da economia deveriam ser vagomestres.
Todos os ministros da cultura deveriam ser presidentes da sociedade protectora dos animais.
Todos os ministros do mar deveriam andar embarcados.
Todos os ministros da agricultura deviam ser coagidos a que lhes fosse vertida uma colher de óleo de amêndoa quente no ouvido direito.
Todos os ministros do ambiente deveriam ir a ares.
Todos os primeiros-ministros deveriam ser os últimos.
Quanto aos ministros das finanças, não há nada a fazer.
Todos os ministros das finanças são impostos.

Amadeu Baptista
(inédito)

Novidades &etc


Londres
Nuno Dempster
Janeiro 2010







Uma viagem num único poema de 41 páginas, que começa no aeroporto, depois percorre as ruas de Londres, visita museus...

(...)
Sinto-me bem e leve no meio de tanta gente,
de tantas raparigas,

aqui a vida conflui
de agora e do passado, é só uma e sem hiatos,
daí que veja Ana Bolena misturada connosco,
a beber e a vozear como os outros,

só um discurso de Churchill na rádio nos silenciaria,
hipótese que se admite possa acontecer,
na Roundhouse nada há que não suceda.

Mais do que um confessou ter visto Eliot
no passeio oposto, enquanto uma celta afirmou
ter surpreendido Robin Wood a assaltar o
Barclay's Bank com a namorada. Jurou-mo
entre gargalhadas cristalinas de desejo.
(...)

Novidades Antígona

Pullllllllllllllllllllllllll, Poesia Contemporânea do Canadá
Tradução, prefácio e notas:
John Havelda, Isabel Patim e Manuel Portela
296 páginas



Pullllllllllllllllllllllllll, Poesia Contemporânea do Canadá pretende ser uma amostra da poesia canadiana de língua inglesa contemporânea, com incidência nas últimas três décadas. Nascidos entre 1925 e 1966, os treze autores seleccionados são muito diferentes entre si, abrangendo cerca de três gerações – Robin Blaser, Christian Bök, Dionne Brand, Dennis Cooley, Jeff Derksen, Robert Kroetsch, Karen Mac Cormack, Steve McCaffery, Roy Miki, Erín Moure, bpNichol, Lisa Robertson e Fred Wah. Apesar das diferenças, parece ser possível encontrar alguns pontos de contacto nas suas poéticas individuais. Esses pontos de contacto foram provavelmente o que conduziu a esta selecção. Em todos os autores escolhidos é possível reconhecer uma prática experimental de radical interpelação da linguagem e de abandono de estratégias de significação fossilizadas.

À venda nas livrarias a partir de 10 de Fevereiro.

Mais logo, na Casa Fernando Pessoa

(clicar para ampliar)

Diálogos com a Ciência

Poesia e Ciência II
11 de Fevereiro 21H30
21H30 • Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto
Com:
Gabriela Rocha Martins, Alice Macedo Campos, Nuno Júdice e Vítor Oliveira Jorge

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Nas Margens do Sar

Rosalía de Castro
Tradução de José Carlos González
Editorial Diferença, 1999








Vós, que dum céu imaginado

viveis, como Narciso, enamorados,

não podereis mudar da criatura,

na sua essência eternamente a mesma,
os instintos inatos.


Não apagareis nunca da alma humana

o orgulho da raça, o amor pátrio,
a vaidade do valor pessoal,

nem o orgulho do ser que se nega

a perder do seu ser o menor átomo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Prémio Autores SPA/RTP de Poesia para António Osório


A Luz Fraterna, de António Osório (edição Assírio & Alvim), venceu o Prémio Autores SPA/RTP na categoria de Melhor Livro de Poesia.
A cerimónia decorreu ontem no CCB, em Lisboa.

Lista dos autores premiados aqui.

Outras sugestões para os próximos dias


9 de Fevereiro (terça-feira):

FARO – Draculea Bar
Vai ter lugar no dia 9 de Fevereiro, pelas 23h mais uma Noite de Poesia no Draculea Bar, em Faro (Rua Dr. Rodrigues Davim, 44).





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10 de Fevereiro (quarta-feira):

LISBOA– Fnac do Chiado
Pedro Mexia apresenta no dia 10 de Fevereiro, na Fnac Chiado, pelas 18H30, o mais recente livro de Eduardo Pitta, intitulado Aula de Poesia.
A obra, editada pela Quetzal, compila 42 ensaios sobre poetas e poesia, escritos por Eduardo Pitta.




PORTO - Bar Labirintho
Lançamento do mais recente livro de poesia de Daniel Maia-Pinto Rodrigues,
A Casa da Meia Distância
(edição Mariposa Azual), no Porto, dia 10 de Fevereiro, às 21hH30m, no Bar Labirintho.
Apresentação de Helena Vieira e leituras por José Carlos Tinoco, Susana Guimarães, Manuel Ribeiro e pelo autor.
O Bar Labirintho fica na Rua Nossa Senhora de Fátima, 334, Porto.

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11 de Fevereiro (quinta-feira):

PORTO – Clube Literário do Porto
Dia 11 de Fevereiro, no Piano-bar do Clube Literário do Porto, pelas 22h00:
Concerto com declamação de poesia
Tozeguitarras (guitarra, voz)
Acompanhado por:
Manuel Soares (flauta, voz)
Eduardo Moura (diseur)
Franklin Cardoso (diseur)
Cláudia Sousa (poema teatralizado)
Jorge Botelho (poema teatralizado)
José Pedrosa (diseur)


LISBOA – Bar BA Friends
No dia 11 de Fevereiro, pelas 18H30, Manuel Cintra fará uma leitura de poemas seus no Bar BA Friends (Rua da Rosa, 99). Serão lidos poemas do seu livro inédito Depois do nada, a publicar este ano, assim como do mais recente, Alçapão, da &etc. No final da leitura haverá uma venda de exemplares autografados de vários livros do autor.
A entrada é livre.

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12 de Fevereiro (sexta-feira):

SETÚBAL – Biblioteca Municipal
No dia 12 de Fevereiro, vai ter lugar na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 14H30, uma sessão de apresentação da antologia de poesia "Os Dias do Amor".
Estarão presentes a antologiadora (Inês Ramos) e os poetas Casimiro de Brito, Myriam Jubilot de Carvalho e Rui Almeida.




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13 de Fevereiro (sábado):

LISBOA – Auditório do Campo Grande
No dia 13 de Fevereiro, vai ter lugar a apresentação do livro de poesia “A Espiral do Amor”, de Egéria (edição Temas Originais), no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, pelas 16H00.
Obra e autora serão apresentadas pelo artista plástico Joma Sipe e esta sessão contará com leitura de poemas por Aurora Sousa.

No mesmo local, às 19H00, terá lugar a apresentação do livro de poesia “Amador do Verso” de Emanuel Lomelino (edição Temas Originais).
Obra e autor serão apresentados por Paulo Santos.




LISBOA - Teatro A Barraca
No dia 13 de Fevereiro, no Teatro A Barraca – Cinearte (Largo de Santos, 2, Lisboa), a partir das 22H00, terá lugar a festa de lançamento do mais recente número da revista Criatura. A apresentação ficará a cargo de José Manuel de Vasconcelos e conta com um programa de leituras de alguns dos textos reunidos na revista.

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


A carvão
Poesia reunida
Fernando de Castro Branco
Cosmorama, 2009






Rua de Costa Cabral

Ali os invernos eram longos mas suaves em sua crueldade.
Em Costa Cabral as noites eram húmidas,
mergulhava-se na madrugada com o amor preso nos dentes
e o que faltasse à vida era mesmo para rejeitar.
Pelas tantas chegavam o chulo e a prostituta
e se desesperavam em cavalgadas ruidosas
como se aos ouvidos sobejasse o que chiava:
dobradiças, encaixes ralos, folga nas madeiras
e a fraqueza de muitas mortes na cova do colchão.

Eu era o terceiro excluído, se bem que no longe
de quem olha o tecto e sente o ménage incompleto
no troisième que se ressente. E dobrado o cabo
das tormentas necessárias à juventude,
que após as aulas enfrentava promontórios ao virar da esquina,
sobrava na manhã o traço grosso
de quem leva pela rua a noite
escorrendo da cabeça.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um livro de poesia a cada dia...
nem sabe o bem que lhe fazia


Um Ritmo Perdido
Ana Hatherly
Edição da autora, 1958







Nocturno

Com a mais fina areia se formaram duras pedras.

Com qualquer frágil flama se incendeia toda a terra.


Uma galáxia tem mil chamas

Consumindo-se e criando-se ininterruptamente...


A dor é toda uma,

Imutável e indiferente.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sugestão da Andante para esta semana


Sem Amor

Viver sem amor
É como não ter para onde ir
Em nenhum lugar
Encontrar casa ou mundo.

É contemplar o não-acontecer
O lugar onde tudo já não é
Onde tudo se transforma
No recinto
De onde tudo se mudou.

Sem amor andamos errantes
De nós mesmos desconhecidos

Descobrimos que nunca se tem ninguém
Além de nós próprios
E nem isso se tem.

Ana Hatherly


Voz: Cristina Paiva; Música: Nils Frahm; Sonoplastia: Fernando Ladeira

Às Escuras, o Amor



A Associação Artística Andante que corre o país de lés a lés desde 1999 com espectáculos, recitais, ateliês, leituras em voz alta... procurando sempre novos públicos para a poesia e para a prosa e especialmente para o teatro, através dos princípios da curiosidade e do prazer, continua a apresentar, pelo país fora, o espectáculo “Às escuras, o amor”.

Os espectáculos não são recitais no seu sentido mais convencional. Partem de um conjunto de formas possíveis (e às vezes impossíveis) de ler um texto.
As imagens são construídas dentro de cada pessoa a partir da sonoridade que as palavras têm (porque para além de um sentido, também possuem a sua sonoridade) e da sonoplastia que a Andante lhes impõe para lhes dar uma nova "versão".

“Às escuras, o amor” (que é também o título de um poema de David Mourão Ferreira), tem poemas de vários autores (maioritariamente portugueses) sobre o Amor.

Ficha técnica:
Textos : Vários
Encenação: Rui Paulo
Pesquisa: Cristina Paiva e Fernando Ladeira
Interpretação: Cristina Paiva
DJing: DJ grandE
Sonoplastia: Fernando Ladeira
Concepção Plástica: Maria Luiz
Fotografia: Carla d’Almeida Lopes e Vitor MM Costa
Produção: Andante Associação Artística
Apoio: Câmara Municipal de Alcochete

Os próximos espectáculos estão marcados para:
8 Fevereiro: Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo (São Domingos de Rana) 12H00
10 Fevereiro: Biblioteca Municipal da Guarda 10H30 e 14H30
11 Fevereiro: Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António 10H30 e 14H30
12 Fevereiro: Estabelecimento Prisional de Alcoentre 14H30