sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os vossos poemas

Caros etéreos,
Aqui ficam as participações no último passatempo (um poema por participante) em que vos pedi poemas sobre a água, e ao qual responderam (por esta ordem) os seguintes etéreos inspirados:

1. Carla Ribeiro
2. Fernando Aguiar
3. João Tomaz Parreira
4. Tiago Nené
5. Mário Bruno Cruz
6. Nicolau Saião
7. João Garção
8. Jorge Barroso
9. Carlos Teixeira Luís
10. Casimiro de Brito e Marina Cedro
11. Luís Lima
12. Julião Bernardes
13. Eusébio Tomé
14. Vicente Ferreira da Silva
15. João Rasteiro
16. Maria de São Pedro
17. Alexandre Homem Dual
18. Paula Raposo
19. Conceição Paulino
20. Eduardo Aleixo
21. Marta Vieira
22. Carlos Magalhães
23. Marcelo Torca
24. Francisco Coimbra
25. Patrícia Santos
26. Alexandra Malheiro
27. Zezinho Mota
28. Vieira Calado
29. Carlos César Pacheco
30. José Kuski Vieira
31. Ricardo Blauth
32. Andreia Silva
33. Regina Gouveia
34. Daniela Grelha
35. Nuno Rebocho
36. Fernanda Calçada
37. Vanessa Casais
38. Adauto Suannes
39. Joana Dias Antunes
40. Luísa Azevedo
41. José Miguel de Oliveira
42. Myriam Jubilot de Carvalho
43. Carla Marques
44. António José Fernandes dos Santos
45. Maria Helena
46. Maria Altina
47. Eunice Arruda
48. Gabriel Mário Dia
49. Jorge Vicente
50. Maria de Fátima
51. Manuel Anastácio
52. Luís Pinto
53. J. Caldas
54. Eugénia Tabosa
55. José Ribeiro Marto
56. Vítor Oliveira Jorge


Cascata de Sinfonia

Se me levares, flui em mim
E deixa-me ser rio por dentro da tua voz enternecida
Como de olhares que te prendem entre espelhos de reflexos
E cascatas de suave rumorejar.

Prende a voz no despertar dos meus sentidos
E abre-me no abraço do oceano onde nasceste,
Sinfonia de lágrimas subindo até ao véu das nuvens
E abrindo à cruz da magia a sinfonia dos desertos,
O inverso da chuva que tomba nos teus lagos ancestrais
E dorme sobre a corrente da melodia que te envolve.

Se me encontrares, dorme em mim
Como um berço no marulhar das tuas asas de fluxo,
Refluxo de olhos absortos num sonho de azul e mar
Para lá de um céu que se estende em luz
Semeando tempestades no cometa da tua voz.

E dorme, meu rio de estrelas, de folhas, de Primavera,
Dentro do tempo,
Do templo,
Da luz que plantaste em ramos dentro de mim.


Carla Ribeiro
http://www.freewebs.com/carlaribeiro

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L’ÁGUA

................Para Mariella Bettarini

L’ACQUA

....ÁGUA.


................
LÍNGUA
................
D’ÁGUA.

................LINGUAGEM
................DE BOCA.

..................................
L’ÁGUA.

................BOCA
................D´ÁGUA.

................ÁGUA
................NA BOCA.

....
ÁGUA

L’ACQUA.

Fernando Aguiar

http://ocontrariodotempo.blogspot.com/

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RECUSA

.................Hoje não:
.................amanhã cantarei
.............................Corsino Fortes

Como cantar hoje diante dos grãos
que caem em pedras inúteis
como flutuar com o peso
dos pés sobre os espinhos

Por isso hoje não, amanhã

cantarei amanhã a chuva
sem outro mistério que o da água
o azul sem dúvidas metálicas
o mar como a chave
do horizonte

depois de perceber o rosal puro
do ocaso e o leite da aurora
amanhã cantarei.


João Tomaz Parreira
http://www.poetasalutor.blogspot.com/

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ISLA CANELA

E é enquanto caminho pelo areal da praia
que me ocorre a probabilidade
de os meus passos desabitados
habitarem as piscinas que se formam
logo após as pegadas daqueles
que à minha frente seguiram
e que se contam a horas ou dias de distância,
também desalojados,
como que se esquivando de um caminho dentro de um mapa,
selvagens, paisagísticos, impunes;

Ao meu lado direito, a água devolverá a matéria
a estas pequenas esculturas móveis pela acção do sal,
e a minha desabitação, insuflando o ferro fundido
em vez do sangue escarlate,
escolta as estrelas que de dia dormem
para que passem bem diante dos meus olhos,
furando a transparência do ar,
sobre toda a beleza táctil da costa;

E pouco me importo se vou encontrar ao fundo
as recordações fixas dos passos que ocupo
(ou os efeitos micro-estéticos de toda a vida)
ou se as vou reconhecer voltando nas pernas
de pessoas que volvem do seu passeio análogo,
queimadas pelo sol, rasgando as nuvens,
tentando sintonizar o sonho.


Tiago Nené
http://texto-al.blogspot.com/

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Um Rio Feito de Água

Passa e nunca mais volta a passar
o irremediável presente está feito
e não há remédio
mas o imenso rio do tempo
nas suas águas transporta
os erros que cometi
como se não tivessem acontecido.


Mário Bruno Cruz

http://elblogdeadelleh.blogspot.com/


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ÁGUA


De corpo
Onde acabas e recomeças
De terra
Onde é teu o perfil incompleto
De fogo e ar
Onde exultas e te revolves
Do que dentro existe e cessa
Do que de fora brota

Daquilo que nunca te encontrará
Do que é pequeno e amplia o mundo
Do que jamais se perdeu

Do que se sabe e repousa
Do que não se encontrou

Do que morre
Do que é silêncio e claridade
Do que é mais que um sangue

Um puro momento feito
Entre ti e o teu reflexo inerte.


Nicolau Saião
in “Escrita e o seu contrário”

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SENTIMENTO

A água está parada, muito quieta no meio da noite.
E é preciso perguntar-lhe: és água de um rio?
És água dum mar? És água dentro dum copo
sobre uma mesa muito antiga e sonhada?
És água para um cavalo beber? Para um cão se banhar?
Para um homem e uma criança se lavarem ao relento?
Para uma mulher, para um gato, para um lobo?

E a água talvez não te responda. Nunca te responda.
Ou te responda tarde de mais. Ou nem sequer te ouça.

Mas tu pergunta. Pergunta e espera pela resposta.
Mesmo que os minutos passem entre ti e a água.
E devagar uma silhueta se desloque
e depois se detenha no meio das árvores imóveis.

João Garção
in “Os versos do Zé Povão”

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ESPAÇO DE TEMPO

As águas volumosas da corrente
Fundiam-se pacificamente.
Deslizavam profundas
Graves, repousadas.

Abraçadas à minha saudade
Prosseguiam de longada
Até ao mar.

" — As nossas vidas são rios
Que se vão perder no mar..."

Que faço eu da minha vida?
Deste punhado de anos breves, fugidios?
Desta mão cheia de silêncio
Que preciso empregar?

Tudo é urgência.
O tempo atinge o fim.

Fim serrado que gravita
Sobre os meus ombros

Jorge Barroso

In "Atmosferas Reservadas" (a editar)
http://www.jorgebarroso.no.sapo.pt/

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Uva d’água

Gotejante és sombra amiga
Sol de meio dia árvore
E pés nus sobre a relva
Gotejante és sombra do teu
Corpo
Aflito por descanso
Suave brisa os teus cabelos
O horizonte tão inchado de vermelho
De chuva
Os teus ombros tensos
Massagem
Como faço para te socorrer
Tenho mãos de madeira seca
Gotejante és
Pura mel suave garça nervosa
Um cacho d’água para os
Dois.

Carlos Teixeira Luís

http://verderude.blogspot.com/

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Fragmentos do poema
AMO AGORA

21

Mordo os teus lábios
as tuas axilas
e sinto na boca
água púrpura
que visita
os teus seios

Há uma estrela
que resplandece

Ó estas mãos nómadas
descendo o abismo
cheio de música
das tuas coxas

Movimento estrelas
constelações
entre uma língua
e outra
entre a Vénus anterior
e a Vénus posterior
e amo agora
e já não sei
se és mulher
flor carnívora
ou um cântaro
de luz


22

Me alejo
silenciosa
con mis
nalgas
cubiertas
de tu saliva
espesa
entre tus
brazos
me pierdo
en las
horas
donde
comenzaré
a gemir
una vez
más
sobre ti

dentro de


Casimiro de Brito e Marina Cedro
http://casimirodebrito.no.sapo.pt/
http://www.marinacedro.com/index.html


*****


domingo: a água

Gota de água
orvalho incandescente
Cai
rola lentamente
Pelas encostas da tua face

De espelho nos olhos
vejo-te
Cara a cara
no rastro que a lágrima tem

Pista de azedume
num breve slalom de alegria
a água queima-te o rosto

Cascata epidérmica
pupila irrisória
Íris de pupila – papoila-púbis
Catarata de risos

Queda de beijos

Luís Lima
http://luislima.tk

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A água que salta

A água que salta
sobre a pedra fria
toda se aperalta
pra te ver banhar.

Olha como dança
por entre a verdura
como corre e canta
contigo a dançar.

Vestiu o cristal
mais puro da terra
pra correr mais leve
pra te acompanhar.

Tão pura! Tão bela!
Ó água que corres
que devo fazer
pra te imitar?


Julião Bernardes


*****


Água Grande

Para mim
água é mar
É correr na areia
e espraiar o olhar
até ao mergulho
e à apneia
É sorver o marulhar
o sal
cheirar os limos
ver saltar as pulgas
e fugir os caranguejos
Sem nada
sem vozes
sem beijos
Mas com vento
muito vento
e muito sal
Salitre
e mais salitre...
Até à exaustão
ao limite
ao fim
triste
de um duche com sabão
Ah mar!...
Ah cão!...


Eusébio Tomé

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Áuas Nocturnas

há coreografias na leveza da noite.
folhas soltas nas correntes livres,
amantes sem capitulação,
entregues ao abraço do vento morno.

há sentimento rendido à luz. antigo!
como sonhos enamorados
ou voos entrelaçados
ao fulgor do bailarino transparente.

há danças na orla do sorriso.
espirais no caos em liberdade
que resgatam as amendoeiras em flor
e velam pela virtude dos malmequeres

há pirilampos na aura nocturna.
pulsares que preenchem afagos amenos
em mãos que aquecem gatos esquivos
na sintonia da breve escuridão.

há orquestras reunidas em homenagem.
sussurros no silêncio do tempo
tecidos no som das cordas aliviadas,
no uníssono das memórias dos entes desamparados.

mas até a harmonia do divino é falaz!

e depois há o orvalho das luas esverdeadas.
onde a essência se purifica.
perante o gesto do impulso desconhecido,

do homem, existência fugaz.

Vicente Ferreira da Silva

http://inatingivel.wordpress.com/

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Talvez a água


Há certas veias – às vezes corpos inteiros –
que eu não sei se respiram a água.
Não sei se uma candeia, um fole
o ângulo do calor se expande inexplicável.
As coisas tornam-se translúcidas
sob delírios da fêmea. Mas eu não
a conheço, estremeço apenas com o
sabor da argila. Procuro explicações,
mas os foles aderem à pele, parecendo
uma película de vidro. A luz do sol
na textura de Outono. Sem negligência.
O que sei é que chegam pássaros diferentes.
Nesta mão a língua e palavras às golfadas.
Talvez a água. Porque o sangue incendeia-se
algures e amadurece sustendo o fôlego.

João Rasteiro

http://www.nocentrodoarco.blogspot.com/

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MANHÃ FRIA

Começado numa manhã fria,
insegura de sol e desejos,
o Amor caiu, desamparado.
O rio mansamente levou-o,
entregando-o ao mar,
insaciável e apaixonado.
Nadou entre corais e medusas,
dançou com algas e cavalos marinhos.
Quando se cansou...
enrolou-se,
qual gato de telhado numa concha,
repousando numa pérola.
Todos os dias, caminho descalça
desfazendo a areia
numa busca infinita
de uma concha molhada,
uma pérola e algo divino enroscado nela.
O Amor será de novo aconchegado
nos braços de uma Mulher.


Maria de São Pedro


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Águas Passadas

depois de esquecidas as palavras depois
dos corpos sucumbirem ao cansaço do
plenilúnio líquido das promessas falsas
como juraria eu amar-te se sempre
te amei em silêncio o molhado silêncio
depois do sol se pôr na porvindoura maré
que te depositou aos pés os lençóis
mudos de silêncio o molhado silêncio
teia construída pelo cantar dos búzios
ou seriam ostras que me deste a provar
à preia-luar junto as mãos abertas em
forma de concha e sonho lagoas onde
te sopro as velas pandas os olhos líquidos
escutando-te as orações arrependidas
e esfoladas de um céu aquífero pelos
teus joelhos suportado de sereia
no final depois do molhado silêncio o suor
dos corpos que encharcaram camas as lágrimas
que secaram ribeiros as palavras que
molharam o silêncio apenas resta o cheiro
a terra húmida e a águas paradas

Alexandre Homem Dual

http://amendual.blogspot.com


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ÁGUA

Neste líquido que se infiltra
e permanece,
perpetua-se
a mágica solução
de um arremesso tolerante
ao naufrágio
e escorre pelo corpo
agreste e brando
a contínua sílaba da água.


Paula Raposo
http://romasdapaula.blogspot.com/

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como um rio que demanda


como um rio que demanda
o alfa e o ómega
correm as águas

não as contém as margens
|limites não conhecem
nem acolhem|

toda a busca é
perpétua e sagrada

só o fogo de teus olhos
desvenda
o lugar de todas as respostas
e as aquieta.


Conceição Paulino

http://estranhosdias.blogspot.com/


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As águas do meu rio

São estas as águas do rio
Que le(a)vam as letras do meu nome.
Águas limpas águas claras águas sempre em movimento.
Nelas deslisa o bote do meu destino.
O meu corpo fala a linguagem dos peixes
Que sabem ser este o espaço
Da minha liberdade.
Aqui, o cântico do sol e da bruma
brota do ritmo harmonioso do meu coração
casado com a terra, com o céu e com a água.
O verde das margens é o verde dos meus olhos.
É este o rio certo.
O barco certo.
O ritmo certo.

Eduardo Aleixo

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O Esquecimento da bebida

Se o que bebo me acalma
O que consumo me consome
Nada há de mais forte na minha alma
Que a bebida que do meu copo some

Parto à descoberta da água
A mais pura e delicada
Pois a minha garganta ainda arde
E só desta forma ela se apaga

Mas se na escuridão não encontro
Esse refúgio enfeitiçado
De nada me valem alternativas
Pois só a água tem esse fado.

Marta Vieira

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Em cada gota tua
Um pedaço de vida meu
De cada vez que jorras do céu
Chama por ti o Sol; sorri contigo a Lua.

És bondade, carinho e verdura
Passas correndo, agil e fugidia;
Dás vida à noite, dás cor ao dia
Vences até a pedra mais dura.

Vales mais que platina, ouro ou marfim
Não nos deixes nunca, não tenhas fim.
Pois tudo o que somos, a ti devemos

Rega sempre a nossa casa Terra
Nunca nos faltes, ou haverá guerra
Pois por ti suspiramos; sem ti, morremos.


Carlos Magalhães

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A Água do Rio Paraná

Essa água
Escorre e corre
Matas e terras são lavadas
Abençoadas
Alimento para peixe
Produz
Alimento para pessoas
Fornece
Água livre e limpa
Corre e escorre
Concorde
Vital para a vida é a água
Esta forma o Rio Paraná
Sustento de cidades
Moradores
Aqueles que sentem dores
São aliviadas pela água
Do rio ou da chuva
Das plantações sadias
Do peixe do dia a dia
A água é vida!


Marcelo Torca

http://www.marcelotorca.com/


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TRÍPTICO [3x1]

ÁGUA...

a água
nasce na boca
imaginando

um beijo
teu

como um bailado
Assim

IMAGINA

a água
a correr solta
imaginação

é uma mina
natural

com(a) nossa saliva
Mim

A ÁGUA

onde SE aguçam os sentidos
um alambique destila
o puro estilo!

é a água na boca
sumarenta

como um desejo a beber(se)
...

Francisco Coimbra

http://diariodedetras.blogspot.com/

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Água,

Magia da Natureza,
És fonte de vida e pureza.

Bates à minha janela
Pedes que te admire
E com um sorriso no rosto
Eu faço-te esse gosto.

Vejo-te cair nas folhas das plantas
Renovando a sua vitalidade
Graças a ti passeio nos jardins floridos
Agradeço a tua generosidade.

E agora chega o sol
E eu junto à praia te contemplo
O reflexo do sol em ti lembra diamantes,
Perco-me nos meus pensamentos por instantes.

Mergulho nas tuas águas cristalinas
A tua paz e serenidade
Fazem com que me esqueça do mundo
E de toda a sua maldade.

Por vezes te vejo tempestuosa,
Marcas a tua vontade imperiosa!
Afinal, todos temos maus dias.
Mas mesmo esses momentos
Apesar de causar alguns tormentos
Geram belas fotografias.

És o mais mágico de todos os presentes da natureza.
És fonte de vida e pureza.
Perto da janela me sento
E atendendo ao teu chamamento
Admiro a tua força e beleza.

Patrícia Santos

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Águas perturbadas

Talvez te encontre
numa teia de acasos,
o corpo fechado à intempérie
de afectos vagos.
Talvez então me apeteça
amar-te, tanto
como ainda poucos foram
capazes de o fazer
e entregar pele
à tua pele,
sentir na língua
o gosto do vento
e o límpido sossego
das tuas águas perturbadas.

Alexandra Malheiro

http://www.alexandramalheiro.no.sapo.pt

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A água brota de uma nascente

A água brota de uma nascente
Tal como uma amizade
De um coração…

A água com a sua limpidez
Corre pelas ladeiras
Aumentando o seu caudal…

De um fio de água
Se transforma num rio
E correndo velozmente
Ao encontro do mar.

A água e a amizade
São tão distintos
Mas correm
Em caminhos paralelos.

Se a primeira movimenta
O Universo…

A segunda um mundo à parte
Num sentimento eterno e sagrado!
A Amizade!
De um coração que ama
E lhe dá uma infinda FELICIDADE!

A água corre para alimentar
Por onde passa…

A amizade o afecto
Numa solidariedade
Espontânea…

E presente!

Zezinho Mota

http://zezinhomota.blogspot.com

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Estas águas trouxeram a praia

Estas águas trouxeram a praia,
a paz jovial, o repouso das águas.

Depois chegaram búzios, sargaço,
estrelas-do-mar, anémonas sucumbidas aos levantes,
troncos de árvores arrastados nas cheias
de Novembro.

Veio o vento norte, as águas doutros mares,
o sal e o salitre que acende o rubor
púrpura das manhãs

ou o pôr-do-sol derradeiro
dum marinheiro que nunca mais voltou
a terra,
onde se jogam os destinos
doutros marinheiros sem barco,
a sonhar o infinito azul na orla
das águas da praia.

Vieira Calado
http://vieiracalado-poesia.blogspot.com


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três (6)

estava sozinho com o meu corpo e eu e o meu corpo éramos
o mesmo; para onde fosse, éramos: como um tolo-doscampos (mas sem sabermos); um dia, à beira da água, víamos os círculos dentro de círculos cada vez maiores e atirávamos pedras e inesperadamente estava ali e era parte de nós e éramos nós e éramos eu e tu dizias eu e aquele que não se distingue do meu corpo também dizia eu e o meu corpo ficou contente porque eras tu e tu o meu corpo o teu corpo eu o mesmo eucorpo sem se saber onde acabava ou começava uma parte e a outra e a outra e a outra porque eram o mesmo e brincávamos riscando a pele das nossas pernas nos liláses e sem medo que o dia acabasse (mas não conhecíamos a palavra) e eucorpo ríamo-nos de ocuparmos uma porção maior do universo sempre muito sério com aquelas estrelas fixas no tecto e sem palavras eucorpo:

..................................................o que aconteceu não sei, agora sei a tristeza e o desencanto e que fui um tolo-dos-campos e tantas outras palavras e coisas que não interessam e falta-me metade: eucorpo ocupa metade da porção de universo que ocupou, não me lembro, falta metade de tudo

.....................talvez o universo tenha duplicado, não, eucorpo desapareceu: eu (esta coisa: eu) no meu corpo, separados, sempre a pensar sem que de nada sirva, sem parar, e não adianta: nada

Carlos César Pacheco
http://forteondaserena.blogspot.com/

*****


Ruído gripal

Oiço água a correr dentro da minha cabeça.
Será uma torneira mal fechada?
Ou será uma imprevisível rotura?

Oiço água a correr dentro da minha cabeça,
Mas não a vejo sair.
Talvez corra directamente para o ralo
Que se me abre na planta de um pé.

Oiço água a correr dentro da minha cabeça.
Olho-me no espelho e imagino
Repuxos saindo dos meus ouvidos.

Oiço água a correr dentro da minha cabeça…
…mas apago a luz.


José Kuski Vieira
http://terceiropassageiro.blogspot.com/

*****


ÁGUA

ÁGUA, desafio proposto
ADULTO racional olha no DICIONÁRIO
procura inspiração...!!!!!!!!

CRIANÇA, esperta, NADA...............
pensa no riacho.... arroio... ribeirão...
lambaris rodeando seus pés
esperando migalhas de pão

adulto, H2O, líquido incolor, insípido
liquido ESSENCIAL À VIDA !
maior parte do corpo !
setenta por cento da terra !

criança, aguapé..... água de coco.....
água furtada e “assombrada” !!!
ÁGUA DA CHUVA......................
em dias de verão

ADULTO querendo CRIANÇA ser de novo
.....que NEM PENSA no adulto
que um dia vai ser.................

mas pros dois, NÃO IMPORTA IDADE
água deveria ser como sonhamos SEJA toda a HUMANIDADE.............
PURA !

RICARDO garopaba BLAUTH
http://www.cronicasetextosrblauth.blogspot.com/

*****


Água

Procuro por ti, ó Água
Que me refrescas
Quando o calor me atormenta
Que me sacias
Quando a sede me apresenta
A sua amarga secura!
Quero-te tanto
Nas vezes em que trago o coração seco
E sinto a pele a repuxar…
Porque não me vens resgatar?
Levas-me para dentro
De uma gota tua…
Molhas-me ate ao centro
Desta minha alma
Ressequida e nua…

Andreia Silva

*****


Requiem pela água

I
Deixou de cair a chuva benfazeja não por vingança,
apenas por cansaço,
e o deserto vai avançando passo a passo.
Suplicante o olhar perdido da criança,
que passa fome e sede sem entender porquê.
Vazio o olhar do velho sem esperança
que não implora mais, pois já não crê.

II
A água cantava na fonte onde corria, outrora.
O cantar, o correr eram seu mister.
Agora deixou de correr.
Não corre nem canta, só chora .

III
Era a sombra do velho salgueiro na margem,
a frescura nos pés chapinando na água, o limo escorregadio.
Era o rio, o velho rio que então me parecia imenso.
Era a infância, agora uma miragem.
O sussurro da água ainda se recorta no silêncio,
mas já não é cristalino o velho rio.

IV
Agosto
O sumo da rubra melancia escorre-me pelas mãos e pelo rosto.
Lembro-me da velha fonte, água cristalina, sempre fria;
lembro-me do seu rumor, qual litania.
Para lá me dirijo e, em sua fronte, leio num cartaz esta heresia:
Água imprópria para consumo.

V
Algures a chuva caiu tão furiosamente
que tudo foi destruindo na passagem
Desencantada com a espécie humana,
já não consegue controlar os seus impulsos
e assim, umas vezes cai de forma insana,
tudo engolindo, impiedosamente, na voragem
outras vezes não cai
e deixa agonizante a terra seca e gretada que a reclama.

VI
Ouço o seu murmurar dolente na velha ribeira,
onde já não faz mover a mó do velho moinho,
ouço o seu cantar agora triste, no rio outrora cristalino
Ouço-a vociferar nas ondas revoltas deste mar
e sinto os homens a lutar por possuí-la
qual mulher virgem que se anseia violar.
E ela lá vai prosseguindo o seu caminho
sentida com os homens que a não sabem amar

VII
Água, esquife de Ofélia, és fonte de vida para o lírio,
a bromélia, a rosa, a camélia, para as flores no altar.
Água que corres no sangue e nas linfas,
água onde nadam sereias e ninfas,
água, dos homens cativa, tua força viva urge resgatar.


Regina Gouveia

*****


Tinta de água

Pinto as paredes de minha casa.
Grossas, paredes de cimento.
São camadas e camadas de tinta,
Que se sobrepõem umas às outras.
Cada uma delas com uma história diferente.
Remontam desde a antiguidade.
Tempos da liberdade, de paz e amor.

Compridas, tais muralhas de castelo.
Cheias de manchas e desfolhadas,
Paredes sequiosas de buracos,
Negros esses, sugadores,
Entorpecedores de conflitos.

Altas, paredes sombrias
Sempre em precipitação constante.
Desvanecem em calado,
Chorando, sozinhas, relembrando
Dias de sol passados, naquela casa, naquele lar.

Hoje já não estás sozinha,
tens-me contigo,
eternamente..


Daniela Grelha

*****


Sou Rio (Sorrio)

Broto da escarpa rochosa:
ténue fiozinho de água
deslizando pela encosta,
molhando fragas e arbustos
até alcançar o vale
na procura de um riacho.

Irmãos-de-água fundidos
corremos alegremente,
na inocência da infância,
cantando e rumorejando
por sobre as pedras do leito
que nos indica o caminho.

Engrossei o meu caudal,
já tenho curvas e praias.
Rápidos alucinantes,
num rodopio de volúpia,
precipitam-me na queda
em vertiginosa cascata,
numa lagoa serena.

É dali que parto, eufórico,
enriquecido pelas águas
de outros rios solitários
que comigo se reúnem
e num só se consolidam:
imenso, forte, profundo.

Em desassossego e exaltação
o mar agora procuro
para nele, em largo manto,
consumar o meu destino:
confundir os nossos fluidos,
acertar nossas marés.

Sou rio.


(De costas voltadas
para a porta
pressinto a tua chegada:
aproximação doce e suave
que me faz estremecer
em prazer antecipado.

Enlaças-me pela cintura,
teu rosto encostado ao meu cabelo.
Um murmúrio terno e quente
me roça ao de leve o ouvido.
Lábios macios e ardentes
beijam-me a nuca, ansiosa.

Rio que sou, a ti me entrego:
Estuário vigoroso, excessivo, apressado
que o teu mar acolhe em festa.

Sorrio.)

Maria Carvalhosa


*****


Água furtada,
Janela ao rio voltada
Quanto depende de ti o meu olhar.
Nesta noite pioneira
Bate a chuva na caleira
E junto a ti me vou deitar.
Ouço a chuva, ouço o vento
A luz da lua dá-me alento
E o Inverno vem para me embalar.
De manhã o rio mudou
A chuva também parou
E a tempestade regressou ao mar.


Vanessa Casais


*****


Temor

Querer viver um grande amor
sem tempo e sem sofrer de dor,
quem há-de?

Querer partir, querer ficar,
querer driblar
toda a saudade.

Querer amar sem se envolver;
querer nadar e não temer
a água.

Querer sorrir, querer chorar,
querer mentir para evitar
a mágoa?

Querer viver apenas dor
para evitar um grande amor
e a mágoa.

Querer partir pra não ficar;
querer sumir e se afogar.
E a água?

Querer amar e não querer
a dor do amor,
que é a saudade?

Querer nadar pra não ficar;
........................ então morrer por se cansar.
Quem há-de?

Adauto Suannes
http://www.circus-do-suannes.com/

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YIN

Apetecia-me o frio Inverno ensolarado
para cobrir-te toda a noite como um manto
de penas das minhas asas de flamingo.
Ser em ti fundo e seres tu como uma luva
nossos lábios na medida desse húmido beijo
e a aura do teu peito a ferver em minhas veias.
Apetecia-me o frio Inverno ensolarado
pôr mais uma acha na lareira crepitante
acesa toda a noite, toda a noite um fogo lento.
Deixava no teu ventre a especiaria do amor
minha tímida concha de água salgada,
e depois do teu suspiro de espuma na areia,
já de madrugada reacender as tuas cinzas
com a lava incandescente de mim mesmo.

Joana Cristina Dias Antunes
http://ju-ladybird.blogspot.com/

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és água em mim.
um gotejo que imunda o lago dos meus olhos
quando a minha face roça a tua
e os teus lábios aquecem os meus.
és água de orvalho que ainda brilha ao meio-dia,
alimenta o amor como seiva de branco vestida,
veia de sangue rubro, quente e palpitante,
nascente de pura vida descendo a serra.
és água que me dança na carne,
me abraça no leito e em mim se retem,
metade da semente que germina no ventre que embalo,
estame na flor que perfuma os meus dias
e, para sempre serás...
porque és água, em mim!

Luísa Azevedo

http://pin-gente.blogspot.com


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Hei-de pertencer-te
como o mar pertence aos búzios.

Eu peixe nas tuas ondas mediterrânicas
eu mergulhador no teu fosso índico
eu peixe-mergulhador na espuma da orla atlântica.

Esta noite. Só
eu peixe-gato no oceano pacífico
eu cavalo marinho a trote e a galope
o mar morto.

Esta noite só
o gato regressa a casa
onde o espera naturalmente no prato
o peixe gato.


José Miguel de Oliveira
http://deliriospoeticos.blogspot.com/

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Tabira

Calma, não vás tão depressa. A estrada romana,
antiga, o lagedo redesenhando caminhos ainda
mais antigos, largou-se com o tempo, perdeu-se –
E o teu texto é demais, compacto, complexo,
intrincado nas redes pesadas de guerras e guerrilhas,
traições, muralhas e conquistas. Põe antes a tua

mão sobre o meu ombro para eu sentir o teu
coração a amamentar-me de seiva o laranjal,
os teus pulmões a respirarem a imensidão da
minha praia, o teu sangue de ria no ondular
da minha fantasia, o teu sorriso de oiro a iluminar
o espelho dos meus faróis. Põe a tua mão de

luar sobre o meu ombro a encher de suão as velhas
noites de Agosto. Oferece-me de banquete as pedras
caídas e desfeitas da muralha, as areias esfolinhadas
das taipas como amêndoa moída, peneirada, num
morgado negro de figos secos. Vê como somos princesas
sem reino. Mas acabámos de nos reencontrar, abrigadas

nesta balsa escondida, este porto protegido entre mar
e montes, azul e verde seco, mar que espelha o céu,
verde garrafa das ondas bravas, seco das folhas tristes
de oliveiras e figueiras, sombra quente das alfarrobeiras,
proas dum barco varado em terra. E o branco, este
branco que inunda e fere os olhos e chega às medulas

das nossas almas de algas e espuma. Aqui, na cerca do
meu convento, há duas palmeiras enormes, erguidas
no céu, desenhadas nas nuvens, torres góticas, minaretes,
suspensas no mar do destino – tu e eu. E a nora, eterna
fonte, o tanque inocente, a água das regas, rituais a
purificar-nos corpo e mente das poeiras do caminho

Myriam Jubilot de Carvalho
http://www.myriamdecarvalho.com/


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De líquido se veste a noite

Como se do leito do rio
Jorrasse em deleite a água,
Solta num murmúrio solitário
Das margens em que desagua!

Escorre como sangue ardente
Nas veias quentes do desejo
Louca, saltitante e imprudente
Não omite seu cego ensejo.

Guarda na memória da pele
Sentidos sentires de outros tempos
Marcas que em sulcos revele
Vidas em sorrisos e contratempos!

Como dizer desse silêncio que não cala,
Quando do ventre das palavras se rasgam segredos.
Abraço o teu corpo em aprumada escala
Pois, um dia faremos uma noite de serenos líquidos!

Carla Marques
http://www.palavrasemdesalinho.blogspot.com


*****


Doce água cristalina
vinda de um coco verde,
assim como a água linda
de um mar que mata a sede
da procura de um menino,
que não tem mais endereço,
que não sabe qual o preço
de um encantado sorriso
desenhado e repousado
por um conforto ofertado
naquele sonho ou paraíso...

Doce água cristalina
pura fonte de emoção
que molha e alimenta
as bocas e as mãos;
que rega as inspirações
e nascem belas canções
ouvidas em sintonia
entre as duas estações
entre os favos de alegria
entre os barcos e mansões

Doce água cristalina
que gera e evapora
respingo de neblina
que faz o sol lá fora
vestir o dia ensolarado.
E o tempo ali mora
sem qualquer pressa
ou qualquer demora
é dono de si próprio
e o menino ali chora...

Doce água cristalina
pura em sua essência
no âmago da inocência
daquelas aves voadoras
que circulam os espaços
dos braços de um vento
que sopra sem direcção
momentos de um tempo
Só as lembranças dirão.


António José Fernandes dos Santos


*****


Pureza líquida translúcida,
Saborosa, fresca e farta,
Passado, presente e futuro,
Que em nenhum instante nos falte,
Pois jamais nos enfarta.


Maria Helena


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A água é pura
E ás vezes é cura.
Só ela nos dá frescura,
Alimenta a agricultura,
E nos alimenta ajudando na cozedura.


Maria Altina


*****


O MAR

conheço o mar


neste
domingo

conheço
a ternura verde
da árvore


da noite

abraçando o nosso

abraço

neste

domingo


conheço o mar

..............
o nome


que mistura as nossas águas


Eunice Arruda

http://poetaeunicearruda.blogspot.com/

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Ou uma torre na península

Entorpeces-me as marés no teu olhar castanho,
mora ali um escritor, dizes, conto-me em casa,
contigo. Na hora do jantar tocamos a norte
o lugar do choro, uns para fora, outros por dentro,
é assim que o amor vai morrendo, quando vimos das grutas.
Abres-me a costa dispersa de verde, poisa um fino raio de sol
em cada uma das palavras que soltas, és tu,
é tudo uma lenda, ou um conto contado à sombra de uma torre.
As ondas selvagens voltam à praia, é dia vinte e qualquer coisa
de Março, na noite não vemos a água,
respiramos o negro. E em naves de pedra plantadas à luz
vemos chegar o demónio da flecha sorrindo, hercúleo,
arrastando a paz pequena do teu ser.

Gabriel Mário Dia

http://formalizandotedio.blogspot.com

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tenho um profundo respeito (reverência)
pelo rio que deserda as ondas
como se uma névoa de espuma
o alumiasse e o obrigasse a
voltar para trás.

todo esse respeito profundo (palavra)
cala e segue a água:
a presença súbita das algas,
uma corrente feroz,
o carmelo que se ergue no silêncio
perene das rochas.

não há respeito (há voz)
nas palavras que seguem o ritmo
da escritura.


Jorge Vicente
http://jorgevicente.blogspot.com

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Bolsas de água

Rompeu-se a bolsa.
Ficou meu filho solitário
Sem o aguado travesseiro.

A minha gata, essa,
É ela quem rasga.
Gestos ternos, precisos.
Lambidela sábia.
Cada gatinho desenrolado da capinha ténue,
Um quase nada que os torna vivos.

A minha bolsa rasgou-se.
Água transparente e muco
(ou seria baça, nem recordo)
A bolsa de águas solta,
Sem mimo e sem segredo,
Instantes antes que viesses ao mundo.

Maria de Fátima
http://www.tristeabsurda.blogspot.com

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Água, vapor de água, orvalho, geada,
Orvalhada.
Gota derramada,
Dividida, infiltrada,
Por carícia, absorvida, seiva bruta ascendente,
Vapor de água, nuvem, neve,
Saraivada.
Estrada molhada,
Salpico, cara de gente,
Sangue, lágrima, sal, solvente.
Vapor de água, vidros frios, condensação,
Água, arrasto, arrasto de gota em gota, absorção,
Dispersão, capilaridade.
Na invisibilidade, vapor de água.
Inspiração, fossas nasais, muco, saliva, expectoração,
Colóide, partícula,
Evaporação.
Vapor de água.
Condensação,
Água, solidificação,
Gelo, fusão, degelo, evaporação.
Mas nunca, em nada, jamais
Sublimação.
Ámen.


Manuel Anastácio
http://literaturas.blogs.sapo.pt/

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Nascente

Dormes num féretro forrado de cetim branco;
Círio trémulo ilumina teu rosto inerte, sereno, pálido.
Nessa face pouso minha mão; despedida eterna,
E recordo o passado de nevoeiro cerrado.
Quando sentiste meus dedos nos teus cabelos soltos
Tiveste, eu vi, tiveste um leve rubor celestial
E lágrimas saíram dos teus olhos fechados
Como nascente de água fria, cristalina e imortal.


Luís Pinto

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Dia de chuva em St. Antão

A água escorre pelos montes e pelo desejo
Braços abertos sorrisos rasgados um tremor de emoção
A vida o pão o verde os dias mais férteis
Caiem em cascatas pelas montanhas e inundam as almas

E saem para a rua e tocam a água e fogem e voltam
E sonham e correm e brincam e riem
E banham-se e brincam e molham-se e amam
Mãos dadas à chuva um abraço agradecido no sorriso

A chuva cai em catadupa enche as montanhas os vales e o mar
Crescem as sementes a promessa dos frutos e pão
O peixe chega-se à praia os pescadores ao mar
A tranquilidade prometida para mais uns longos dias de Sol.


J. Caldas
http://olhareserrantes.blogspot.com/


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A fonte


No meio da praça um jardim.
No meio do jardim um largo.
No meio do largo um lago.
No meio do lago uma fonte.
No meio da fonte um fio de água.

E a água da fonte,
do lago do largo,
do jardim da praça,
que graça,
corre, salta e foge
de pedra em pedra
sempre a cantar.

E os meninos da escola
parados a olhar.

Eugénia Tabosa

http://apice-artesplasticas.blogspot.com/

*****


do areal elevavam-se dunas brancas vasto linho
ondas erguiam-se e desdobravam-se como mantas
voavam connosco todos os pássaros do caminho

libélulas planavam-te o chapéu
fugiam peixes vermelhos dele
transgrediam as águas da praia
pulsando nos pés devagarinho

tremiam-te os olhos num jeito habitual
um fechava-se muito outro lentamente abria-se
multiplicavam-se ondas de mansinho
chovendo no corpo água nos colares de infância

na distância outrora de um portal
eu ficava nesses dias de primavera
com a respiração trespassada
um dedo de silêncio na corda de uma guitarra
sabendo do teu corpo intenso
toda a flor da madrugada

o que continham as mãos senão segredos
quando a casa tremia sobressaltando-se horas nas paredes
nos dias presos e independentes nesses meses

agora na água corriam anos de erva e mantas verdes
agora na água fugia-te no vento o chapéu
vinham mais peixes á superfície esconder-se nele

a praia o extenso areal onde pusemos os pés
onde descemos e subimos as dunas
onde os pinheiros bravos davam sombra
eram nossas as nuvens no céu azul
colhíamo-las como estrelas beijadas á noite
fazíamo-las nossas uma a uma

José Ribeiro Marto

*****


Toalha aos quadrados vermelhos e brancos

Quando comecei a escrever
Lá fora era a minha juventude,
As grandes férias do interminável verão.

Vocês jogavam na praia, ouviam-se risos
E o ruído constante das ondas: e essa repetição
Trazia-nos paz, uma areia fina que se depositava
No espírito, e sobre a qual este se rebolava com prazer.

Quando comecei a escrever
Sobre a mesa ainda coberta da toalha da refeição
Cheirava aqui a bolos,
Cheirava a sandes de carne assada, ao pão quente.

E essa repetição da família permitia-me escrever,
Criar outro verão aqui dentro do texto,
Com os pais a ver televisão sobre o sofá, uma ordem,

Essa forma dos grandes relógios assentaram no chão,
O riso de um amigo a sair de um corredor
Como se viesse a ouvir uma música interminável
Que falava das férias, dessa absoluta despreocupação.

Debrucei-me sobre o caderno para escrever
Não sei porquê nem quando, mas ganhei este vício
Dos cheiros, dos sons repetidos, de estar aqui sentado
Mesmo à beira do verão, sempre a tempo de ir apanhá-lo.

Vocês jogavam lá fora, sempre, o mesmo jogo
Sem nunca se cansarem, e nunca se passava nada,
A não ser os intermináveis banhos de mar, as toalhas,
Secar, tirar a areia de entre os dedos dos pés,
Voltar a casa para comer com avidez, deixar os dias
Escorregar um após outro, sem querer que acontecesse nada.

O acontecimento era mesmo isso: o verão parado na toalha,
Nos seus quadrados vermelhos e brancos,
As sandálias a um canto, os calções de banho a secar,
E eu a tentar apanhar a frase, que estava sempre quase.

Debrucei-me, e passei o tempo a dizer “vou já”
Às muitas chamadas: "vítor, vem daí jogar matrecos",
"Vítor, o jantar está na mesa", "vitor hoje há aqueles croquetes
De que tanto gostas, e o bolo, vem.”

Passei o tempo a dizer, “espera aí, estou quase
A terminar a frase”, ganhei este vício de estar sentado,
A tentar escrever qualquer coisa que me desse gozo,
Um gozo inexplicável, é verdade, e para o qual não tenho álibi.

E um dia levantei-me, e disse, acho que talvez tenha acabado.

Mas já não ouvi nada, nem vi ninguém, nem vinha da cozinha
Qualquer odor de comida a ser fabricada.
O mar tinha-se retirado; e os meus pais tentavam ainda sorrir
Dentro de uma moldura que os apertava numa elipse sépia.

Curioso, pensei, devo ter-me distraído um pouco.

Peguei num pano húmido, limpei a toalha aos quadrados.

E percebi então que estava dentro de uma fotografia,
E que a minha imaginação se encontrava disponível.
Era apenas tarde, não sei exactamente quanto!

Vítor Oliveira Jorge
http://trans-ferir.blogspot.com/

*****

E por fim, o poema que escolhi para ser gravado em áudio pelo locutor Luís Gaspar:



MAGOADAS ÁGUAS

que mágoas lava a água quando me recolho? e que seixos
mancha quando me devolvo? e que entrementes correm
nos seus leitos os rios onde me não deito? e onde endurecem
as dores que escurecem as tardes do meu corpo feito
de saudades e liberdades? e que cidades vagueiam no esconso
pranto dos alardes consumidos e eu te olho e não decido

apenas da minha parte a parte dada
para outro recomeço
e novas águas e novo endereço
para uma ansiedade iniciada
no lugar da espera.

então ouvi as lágrimas do meu abandono
— outras águas, manos, outras mágoas —
e te vi no palco dos anúncios onde distante eras:
olhei e murei-me
e então me dei sem remédio à renúncia
no encerrado porto sem farol

porque aí me deposito e sorvo
nas roladas pedras os poucos bagos
encalhados entre estragos
de tanta água despejada e tanto estorvo.

mas sobre a ribeira seca as mãos em concha
ainda anseiam a chuva: ainda mexem
no suor dos desenganos enquanto as águas
dos milagres se evaporam e apodrecem.

assim me esqueço nas coisas que não acontecem.

Nuno Rebocho


*****



Como sabem, este passatempo foi patrocinado pela editora 4Águas, que ofereceu 14 livros para os primeiros a responder.
Assim sendo, receberão os seguintes livros:

Carla Ribeiro: "69 Poemas de Amor" de Casimiro de Brito (2008)
Fernando Aguiar: "69 Poemas de Amor" de Casimiro de Brito (2008)
João Tomaz Parreira: "69 Poemas de Amor" de Casimiro de Brito (2008)
Tiago Nené: "Doze Poemas de Saudade" de Fernando Cabrita (2008)
Mário Bruno Cruz: "Doze Poemas de Saudade" de Fernando Cabrita (2008)
Nicolau Saião: "Doze Poemas de Saudade" de Fernando Cabrita (2008)
João Garção: "ainda aqui este lugar" de Pedro Afonso (2008)
Jorge Barroso: "ainda aqui este lugar" de Pedro Afonso (2008)
Carlos Teixeira Luís: "os animais da cabeça" de Rui Dias Simão (2008)
Casimiro de Brito e Marina Cedro: "os animais da cabeça" de Rui Dias Simão (2008)
Luís Lima: "os animais da cabeça" de Rui Dias Simão (2008)
Julião Bernardes: "Do Solo ao Sul - Antologia de Novos Poetas Algarvios" (2005)
Eusébio Tomé: "Do Solo ao Sul - Antologia de Novos Poetas Algarvios" (2005)
Vicente Ferreira da Silva: "Do Solo ao Sul - Antologia de Novos Poetas Algarvios" (2005)

Obrigada a todos os participantes, à editora 4Águas pelos livros oferecidos e ao Luís Gaspar pela gravação do poema do Nuno Rebocho.
E... até ao próximo passatempo etéreo, que, espero, seja tão participado quanto este!

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Relembro que este "espaço aberto" é um espaço de tertúlia e não de alguma espécie de competição. Para isso existem os concursos literários, com júris e prémios monetários.
A vossa participação nestes passatempos deve ser sempre na óptica da partilha, da sã convivência. E até para divulgarem o que escrevem. Por isso vos agradeço a forma como têm participado nestes passatempos.
Os participantes que recebem livros, são apenas os que foram mais rápidos a enviar as colaborações.

13º Aniversário da Bíblia

A Revista Bíblia celebra o 13º aniversário no Cabaret Maxime (Praça da Alegria, nº 58), no próximo dia 15 de Maio, pelas 23h, numa festa com Tó Trips + Tiago Gomes + Raquel Castro com On the Road, de Jack Keuroac, os “Três Marias” e o DJ Vaipes.
Na ocasião estarão à venda todos os números da Revista Bíblia e o livro de poesia de Tiago Gomes “Auto-ajuda”.
A Revista Bíblia é um espaço de experimentação nas tendências contemporâneas das artes visuais e da literatura e tem uma periodicidade trimestral.
Abrange áreas como a ilustração, desenho, fotografia, pintura, design, banda desenhada, vídeo prints, prosa, conto e poesia.

Hoje, na Feira do Livro de Lisboa

8 de Maio

Sessões de autógrafos:
Espaço LeYa:
17:00 - Manuel Gusmão
19:00 - José Luís Peixoto
Espaço da Porto Editora:
21:30 - Pedro Sena-Lino

Poesia na Praça LeYa
21:00
Recital de poesia com Ana Marques Gastão, José Mário Silva, Maria Teresa Horta e Nuno Júdice.

Na estante de culto

El desayuno de Carla Bruni
O pequeno-almoço de Carla Bruni

Rui Costa
Colecção Palabra Ibérica
Tradução para castelhano: Uberto Stabile
Edição: Ayuntamiento de Punta Umbría
2008

64 pp



Bar do acaso

Escrevo, decerto, por qualquer
razão inútil que não vais nunca entender.
Surgem as frases, vês, desconhecidos
que no bar do acaso encontro e são
as tuas mãos a escrever por mim.

Minto-lhes, digo que só te amo
a ti, eles riem e pedem-me pra ficar,
que sim, que a noite ainda é uma pequena
musa no breve altar venal do coração.
Fico. Dou à boca o jeito do cigarro
e é em fumo que transformo o corredor
de imagens, metáforas, pequenos desvios de
ritmo mais pobre ou queda sempre a pique
em sentido nenhum. Às vezes, sabes, é mais
difícil descobrir que o amor, como o cigarro,
quando se acende é que começa
a iluminar o fim.


A selva é redonda

Os macacos comem bananas porque
era a fruta que tinham mais à mão.
Se tivessem mais à mão morangos, os
macacos comeriam na mesma bananas,
porque os morangos são muito difíceis de
descascar. As bananas são comidas por
macacos porque são os animais com mais
mãos que têm ali à mão. As bananas não
têm mãos mas têm casca, que é uma espécie
de mão à volta da banana. As bananas prefe-
riam ter mãos mas saiu-lhes antes casca.
Ser casca não deve ser fácil, passar a vida
a ser deitado fora. Os árbitros de futebol
têm duas mãos, uma para cada cartão.
Os macacos também arbitram as bananas,
comendo-as. Os macacos não mostram
os cartões às esposas. Preferem seduzi-las
usando a inteligência. Não sei como vim
parar à selva. Talvez tenha corrido demais
atrás da bola.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

José Emilio Pacheco vence Prémio Rainha Sofia de Poesia

O autor mexicano José Emilio Pacheco (nascido na Cidade do México em 1939), venceu o Prémio Rainha Sofia de poesia latino-americana, que reconhece a carreira de um autor vivo, organizado pelo Patrimonio Nacional e pela Universidad de Salamanca, no valor de 42.100 euros, e com a edição de um estudo antológico da obra do escritor galardoado.
As diferentes academias de língua dos países da América Latina são responsáveis pela selecção dos candidatos, avaliando a sua contribuição para o património cultural da língua espanhola nos dois lados do Atlântico.
José Emilio Pacheco, de 69 anos, é considerado uma figura pioneira na geração de 50 no México (integrada também por Carlos Monsiváis, Eduardo Lizalde, Sergio Pitol, Juan Vicente Melo, Vicente Leñero, Juan García Ponce, Sergio Galindo e Salvador Elizondo). Começou por escrever poesia e, mais tarde, enveredou também pela narrativa e pelo ensaio, assim como pela tradução, desde os clássicos gregos e chineses, a autores contemporâneos. É autor dos romances "Morirás lejos", "Los elementos de la noche" e "Trabajos en el mar".
Já recebeu outras distinções como o Prémio Villaurrutia (1973), o Prémio Nacional de Linguística e Literatura (1992), o Prémio José Asuncion Silva (1996), o Prémio José Donoso (2001), o Prémio Octávio Paz (2003), o Prémio Ramón López Velarde (2003), o Prémio Alfonso Reyes (2003), o Prémio Iberoamericano Pablo Neruda (2004) e o Prémio García Lorca (2005).
Entre a sua obra poética, destaca-se: Los elementos de la noche (1963); El reposo del fuego (1966); No me preguntes cómo pasa el tiempo (1969); Irás y no volverás (1973); Islas a la deriva (1976); Desde entonces (1980); Trabajos en el mar (1983).

Entre os vencedores do Prémio Rainha Sofia, este ano já na XVIII edição, constam nomes como o chileno Gonzalo Rojas, o madrileno José Hierro, o uruguaio Mario Benedetti e o argentino Juan Gelman, entre outros.

I Convenção Nacional BookCrossing 2009

O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros. O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca.

No próximo dia 9 de Maio vai ter lugar a primeira Convenção de BookCrossing em Portugal, que terá o seguinte programa:

Auditório da Junta de Freguesia de Maceda
10h – Recepção aos participantes
10h30 – Abertura da Convenção
11h – Inauguração da OBCZ “Biblioteca de Maceda” e Abertura da “Piscina de Livros”
11H30 – “Conto do BC Português” – apresentação dos contos nomeados
12H – À conversa com Maria Eugénia Ponte
13H – Almoço
15H – Apresentação dos nomeados para os “Prémios do BC Português”
15H30 – À conversa com Anabela Mimoso
16H30 – Pausa
17H – À conversa com valter hugo mãe
18H – Pausa
18H30 – Caça ao Tesouro
20H – Jantar
22H – Noite de Convívio na OBCZ “Gharb al-Ândalus” (com entrega dos prémios do “Conto do BC Português” e “Prémios do BC Português”) e com o espectáculo de poesia: Stand Up Poetry - Diz-se Poesia com Andreia Macedo
OVAR (Maceda) - 09.maio.2009.sábado.22h -Bar Gharb al-Ândalus

Nuno do Carmo e os Painéis dos mestres

«Nuno do Carmo e os Painéis dos mestres» é um recital de poesia acompanhado de Guitarra Portuguesa que será exibido no próximo dia 9 de Maio, pelas 21H15, na Sé de Lisboa.
Esta é uma iniciativa conjunta do grupo Novos Universitários Católicos, NUCA, (FCT - Monte da Caparica) e do Vale de Acór, e surgiu por ocasião da Canonização do Santo Condestável, dia 26 de Abril de 2009, em Roma.
O argumento resume os momentos históricos da vida de D. Nuno Álvares e é constituído por nove painéis alusivos à sua vida, às virtudes e qualidades do Santo: Biografia, A Honra, Pátria, A Liberdade, A Fé, A Caridade, A Pobreza, A Confiança, O Santo. Nestes painéis foram inseridas obras de vários mestres da literatura.
Os textos de Camões, Pessoa, Paul Claudel, Murilo Mendes e outros, foram interpretados por Adélia Nogueira Ramos, Bruno Couto, José Nogueira Ramos e Sara Ideias. O recital foi acompanhado por vários momentos musicais de Guitarra Portuguesa tocada pelos jovens guitarristas David Matias, Diogo Faria e Domingos Mira.
Mais informações em http://www.novosuniversitarioscatolicos.blogspot.com:80/

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Liberdade


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Na voz de Luís Gaspar:

Contrabando de Versos

O que é a poesia moderna? E o que acontece quando autores de origens linguísticas e culturais diferentes se encontram e traduzem a sua poesia mutuamente? Estas perguntas foram o tema da 5ª edição do Poesiefestival Berlin organizado pela Literaturwerkstatt (Oficina de Literatura) no Verão de 2008 onde o idioma português foi a língua convidada. O objectivo era intensificar o intercâmbio entre poetas contemporâneos de diferentes línguas, tendo-se, para tal, formado equipas interculturais. O resultado deste workshop é um livro que reúne as obras mutuamente traduzidas dos autores participantes portugueses e alemães. A colectânea com o título Contrabando de versos: o mundo em português reúne as obras de mais de dez autores de língua alemã e portuguesa e vai ser publicada por três editoras internacionais.

O Goethe-Institut Portugal vai apresentar este livro em colaboração com a Sextante Editora e a Casa Fernando Pessoa no âmbito de um Festival de Poesia luso-alemã em Lisboa. Para este propósito, o festival vai voltar a juntar duas das duplas biculturais para leituras e conversas. Os convidados vão ser os dois participantes deste projecto Daniel Falb e Barbara Köhler da Alemanha. Junto com os seus parceiros Pedro Sena-Lino e Ana Paula Tavares vão apresentar as traduções da sua lírica em leituras e conversar sobre a poesia que circula entre fronteiras culturais.

As sessões realizam-se nas seguintes datas:
14 de Maio às 18.30h no Goethe-Institut
15 de Maio às 19.00h na Casa Fernando Pessoa
16 de Maio (à tarde) no auditório da Feira do Livro

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Palabra Iberica/EDITA 2009


29 de Abril - 2 de Maio 2009
Museu de Huelva
Teatro del Mar de Punta Umbría

Nos últimos dias, no sul de Espanha, viveu-se, respirou-se, comeu-se Poesia.

Muchas gracias, Uberto Stabile!

(Reportagens vídeo por Adão Contreiras aqui)

"Conferência"

"Conferência" no Clube Literário do Porto, dias 7, 8 e 9 Maio

domingo, 3 de maio de 2009

Letras em Lisboa II

O Letras em Lisboa, já em segunda edição, resulta de uma colaboração da Casa Fernando Pessoa com o Teatro S. Luiz e o Fórum das Letras de Ouro Preto (Brasil). O evento visa construir uma ponte entre as culturas lusófonas, através do encontro entre diversos criadores, editores, divulgadores, críticos e interessados na literatura dos diferentes países e comunidades dessas mesmas culturas. Visa também criar propostas em comum para promover o acesso dos autores lusófonos aos espaços de divulgação e difusão das suas obras no mundo, acesso por vezes dificultado por questões exteriores ao universo literário.
Decorre de 7 a 10 de Maio, na Casa Fernando Pessoa e no Jardim de Inverno do Teatro São Luís.

Programa (entrada livre):

DIA 7
CASA FERNANDO PESSOA
18.00 – Sessão inaugural
Uma política cultural eficaz para a divulgação da literatura lusófona
Lauro Moreira (Embaixador do Brasil junto da CPLP ), Inês Pedrosa (Directora da Casa Fernando Pessoa), Guiomar de Grammont (Professora da Universidade Federal de Ouro Preto), Jorge Salavisa (Director Artístico do São Luiz Teatro Municipal) e João Luiz Martins (Reitor da Universidade Federal de Ouro Preto)
18.30 – Ficção e crónica
José Eduardo Agualusa, Luís Fernando Veríssimo, Miguel Sousa Tavares
Moderação: Inês Pedrosa
22.00 – As Feridas do Amor
Textos Ovídio e Fernando Pessoa
Dramaturgia Inês Pedrosa
Encenação Diogo Dória
Interpretação Diogo Dória

DIA 8
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
15.00 – Literatura, história e biografia
Fernando Morais, Germano Almeida, Leonor Xavier
Moderação: Lúcia Araújo
16.30 – Jornalismo e literatura: irmãos e inimigos?
Beth Ritto, Francisco José Viegas, Patrícia Reis, Zuenir Ventura
Moderação: Inês Pedrosa
18.30 – Estímulos à criação: as fontes do escritor
Amílcar Bettega, Fuad Yazbeck, Teolinda Gersão
Moderação: José Carlos de Vasconcelos

DIA 9
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
15.00 – História, ficção e poesia
Ana Paula Tavares, Irene Pimentel, Iza Salles, Laurentino Gomes
Moderação: Suzana Vargas
16.30 – Escritores que escrevem sobre a escrita dos outros
João Gabriel de Lima, José Mário Silva, Paulo Nogueira e Pedro Mexia
Moderação: Beth Ritto
18.00 – Literatura e música
Arthur Nestrovski, Carlos Nejar, Hélia Correia, José Miguel Wisnik
Moderação: Inês Pedrosa
CASA FERNANDO PESSOA
22.00 - Carta com Resposta
Textos Fernando Pessoa e Inês Pedrosa
Encenação Hélder Gamboa
Interpretação Ângela Pinto e Hélder Gamboa

DIA 10
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
15.00 – O Barroco e seus personagens na literatura: do passado à contemporaneidade
Clóvis Bulcão, Guiomar de Grammont, Leandro Müller e Miguel Real
Moderação: Maria Dolores
17:00 – Literatura e história: a memória e o esquecimento
Cristóvão Tezza, Helena Matos, Luís Cardoso e Rui Tavares
Moderação: Guiomar de Grammont
19.00 – Homenagem a Eduardo Prado Coelho
Inês Pedrosa e Nuno Júdice
21.30 – Vinicius, Palavra e Música
Um espectáculo com Arthur Nestrovski, José Miguel Wisnik e Paula Morelenbaum

José Miguel Wisnik, Paula Morelenbaum e Arthur Nestrovski
no espectáculo “Vinicius, Palavra e Música” (foto: Tuca Vieira)

Nova Águia nº3






Lançamentos do terceiro número da revista Nova Águia:


04.05.09 - 14h30: Escola Superior de Educação de Setúbal
06.05.09 - 19h00: União Brasileira de Escritores de Pernambuco
09.05.09 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
09.05.09 - 18h00: Associação Agostinho da Silva
13.05.09 - 17h00: Reitoria da Universidade de Brasília
15.05.09 - 21h30: Museu Nogueira da Silva (Braga)
16.05.09 - 17h00: Centro Cultural do Sobradinho (Brasília)

Este terceiro número (1º semestre de 2009) tem como tema principal "O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte".
Para o quarto número (2º semestre de 2009): o tema será "Pascoaes, Portugal e a Europa" (recepção de textos até ao final do presente semestre).
Vítor Vicente vai participar, em Barcelona, no bar brasileiro La Bodeguita, num sarau de poesia, na próxima terça, 5 de Maio, às 20h, onde irá ler poemas de "Tríptico Fálico" (editora Canto Escuro).
Este recente livro de poesia erótica de Vítor Vicente "Tríptico Fálico" segue a sequência do "Tríptico do Narciso".

Outras sugestões para os próximos dias


4 de Maio (segunda-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa

Luis Maffei, professor da Universidade Federal Fluminense e poeta, concluiu a sua tese de doutoramento sobre a obra de Herberto Helder em 2007. Raquel Menezes, mestranda na Universidade Federal do Rio de Janeiro e editora da revista Pequena Morte, prepara actualmente a dissertação de mestrado sobre a poesia de Adília Lopes. Se Herberto Desse a Mão a Adília é uma comunicação a duas vozes que pretende pôr dois poetas a conversar a partir da diferença, mas também rumo ao encontro de afinidades talvez surpreendentes.
Dia 4 de Maio pelas 18h30 na Casa Fernando Pessoa.

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6 de Maio (quarta-feira):

PORTO – Colégio Luso-Francês

Durante a Feira do Livro do CLF vai ter lugar no dia 6 (4ª-feira, pelas 14.30h.) a apresentação do livro Disrupção [poesia reunida] de Jorge Melícias. No dia 7 (5ª-feira, pelas 16h.) haverá uma conversa sobre a poesia de Fernando de Castro Branco, autor de Plantas hidropónicas

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7 de Maio (quinta-feira):

PORTO – Espaço Cultural Tropelias & Companhia

Apresentação do livro “folclore íntimo” de valter hugo mãe (Cosmorama)
7 Maio (5ª-feira) 21.30h.
A Cosmorama inaugura o seu espaço no Porto (partilhado com a editora Trinta por uma linha), na Rua Calouste Gulbenkian, n.º 201 (ao Mota Galiza), com a presença do poeta valter hugo mãe, ao redor da sua poesia reunida em folclore íntimo.


TORRES VEDRAS – Cooperativa Comunicação e Cultura

Dia 7 de Maio: Ego Whist, performance de poesia, na Cooperativa Comunicação e Cultura, às 22h.
Primeira apresentação laboratorial dos Ego Whist. Oriundos de Torres Vedras, os Ego Whist são Cristóvão (voz), Nico Verino (ambientes sonoros), Phaustino (ambientes visuais) e Rúben Monteiro (guitarras). Nesta apresentação vão ler poemas de Luís Filipe Cristóvão, Mário Cesariny, Miguel-Manso, Fernando de Castro Branco, Adília Lopes, Ruy Belo, entre outros.

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8 de Maio (sexta-feira):

ALTE – Pólo Museológico

Vai ter lugar no Pólo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte, no dia 8 de Maio, pelas 21 horas, o lançamento do livro de poesia "Os Animais da Cabeça" de Rui Dias Simão (Editora 4Águas).

Leitura: Cyombra; Apresentação: Victor Cardeira.



MANGUALDE – Biblioteca Municipal

8 de Maio 2009 - 21h - Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves - Mangualde:
Vida e Obra de Camilo Pessanha; seguida de Alocução Camilo Pessanha… um poeta ao longe pelo Dr. José Valle de Figueiredo e da Sessão de poesia pelo Grupo de Coros Dramáticos dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto.

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9 de Maio (sábado):

AMARANTE – Biblioteca Municipal

Apresentação do livro “Estende a mão ao milagre” de Hilde Domin (Cosmorama).
9 Maio (sábado) 16h.
Biblioteca Municipal Albano Sardoeira (Amarante).
A antologia da poeta alemã Hilde Domin será apresentada por José Rui Teixeira (editor) e Maria José Peixoto (tradutora).



LISBOA - Restaurante "Vá, Vá"

Tertúlia organizada pela Associação Portuguesa de Poetas, no restaurante Vá, Vá (Av. Estados Unidos da América, 100 cC - Lisboa).
Dia 9 de Maio, das 15h30 às 18h30.
Tertúlia poética com poesia livre.

Madrugada da Poesia em Oeiras


Dia 8 de Maio a partir das 21h00, na Biblioteca Operária Oeirense
Rua Cândido dos Reis, 119 – Oeiras
Entrada livre
Aconselhada inscrição para dizer ou declamar pelo telefone 21 442 66 91.

sexta-feira, 1 de maio de 2009