domingo, 22 de março de 2009

Poéticas do Rock em Portugal

Nos próximos dias 6, 7 e 8 de Abril, vai decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III) o ciclo de debates «Poéticas do Rock em Portugal – Perspectivas críticas de uma literatura menor» que propõe abrir um espaço para o estudo das principais vozes do rock em Portugal e o exame particular das suas obras. Procura ainda propiciar a análise de traços temáticos, retóricos, estilísticos e composicionais de um autor ou de um movimento, assim como também avaliar as visões do mundo que transparecem nas suas letras, naquilo que têm de singular, isto é, naquilo que as fazem diferenciarem-se entre si, mas também naquilo que as tornam diferentes, outras – por exemplo – do rock anglo-saxónico.
O programa inclui, além de comunicações e mesas-redondas, um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, concertos no Cabaret Maxime e uma exposição intitulada “No Tempo do Gira-Discos: Um Percurso pela Produção Fonográfica Portuguesa 1960-1980)”, patente na universidade a partir de 31 de Março.

Aqui fica o programa:

6 de Abril:

Greil Marcus
Digging Up the Ground: Bob Dylan on and Off the Page
Américo António Lindeza Diogo
Rock, new wave, pós-punk em português: músicas entre letras e poesia.
Osvaldo Silvestre
A «língua materna» no rock, numa situação periférica com a portuguesa
Alexandre Felipe Fiuza
Nas margens do rock: a censura estatal e a canção popular portuguesa.
João Carlos Callixto
As Transversalidades do Rock na Obra de José Cid (1966-1979)
Jorge Louraço
Ficções de três estrofes: as canções teatrais de Carlos Tê
Natália Maria Lopes Nunes
Jorge Palma – O mito de uma geração?
Ana Bigotte Vieira e Pedro Cerejo
Que é do futuro?
Gonçalo Zagalo e João Diogo Zagalo
“Na pandra bomba ainda jinga a hidra samba” – A revolução sintáctica dos Mler Ife Dada.

7 de Abril:

Michka Assayas
La possession par les voix
Isabel Ermida
O nonsense que faz sentido(s): neologismos e jogos de palavras em Rui Reininho.
Pedro Félix
Ulisses, a academia e os Xutos & Pontapés. O lugar da «letra da canção» no estudo da «popular music»
Eduardo Jorge de Oliveira
Distorcer o cânone
Susana Chicó
SAGA. Ópera extravagante: Encontros improváveis
Raquel Guerra
Mão Morta e “Maldoror”ou os Cantos do Recreio em Poema
Bruno Béu
Certo intrigante transmorfismo e belle rue em Pop dell’Arte
Rita Bénis
Os anos 80 e as “tribos musicais” do Rock Rendez Vous.
Antonio Alías
A Glória será não esquecer. O acontecimento português num devir-Joy Division
Duarte Braga
Sétima Legião e a mitopoética da cultura portuguesa
Marisa Mourinha
“Filhos de Rimbaud” – heranças, bagagens, viagens – de Charlevile a Lisboa

Mesa redonda:
Rock e Literatura
Moderadores: Patrícia Leal e Fernando Pinto do Amaral
Convidados: JP Simões, Fernando Ribeiro, Adolfo Luxúria Canibal, Jorge Ferraz, Gonçalo Tocha

8 de Abril:

Luís Trindade
Sai prá Rua
Rui Pina Coelho
Da garagem da adolescência ao supermercado pós-moderno
Luís Filipe Cristóvão
A intervenção divina no Rock Português – um caminho do punk à poesia
André Simões
A raposa
Rita Grácio e Cristina Néry
“I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária
Emanuel Amorim
Rap Português: A liberdade de quem se faz ouvir
Piroska Felkai
É fácil de (re)entender? O tom alternativo dos The Gift e as suas manifestações artísticas na música portuguesa
Filipa Teles
Visões da Música Pop em Portugal
Fernando Guerreiro
Da Bar da Morgue a Turbina e Moça: o cabaret-circo futuro-dadá de Rui Reininho
Vitorino Almeida Ventura
As Letras como Poesia
Golgona Anghel
Belle Chase Hotel – contra o destino, contra a personagem principal, a contratempo

Mesa redonda:
Rock nas Artes
Moderador: Mário Jorge Torres
Convidados: João Pedro Rodrigues, Tiago Guillul, João Garcia Miguel, Paulo Furtado, Armando Teixeira, Manuel João Vieira, Manuel Mozos, Luís Futre

Ciclo de Cinema na Cinemateca Portuguesa – de 1 a 8 de Abril
Sessão de abertura – 1 de Abril, 21h30
Com a participação de Victor Gomes, Daniel Bacelar, João Pedro Rodrigues, João Guerra da Mata, Nuno Galopim
Sessão com Greil Marcus e Anna da Palma – 6 de Abril, 21h30

Ciclo Cinema/Rock na FLUL – de 23 a 26 de Março
Sala Vídeo, 16h -18h, entrada livre

«No Tempo do Gira-Discos: Um Percurso pela Produção Fonográfica Portuguesa 1960-1980»
Inauguração – 31 de AbMarço, 16h30, Sala de Exposições da FLUL
Visita guiada com a participação de Rui Nunes, António Tilly, João Carlos Callixto

Concertos Cabaret Maxime
7 de Abril, 22h: Michka Assayas, Tiago Guillul (8 €)
8 de Abril, 22h: Jorge Ferraz, Ana Deus, Nuno Moura (8 €)

Inscrições: estudantes 5 euros; geral 15 euros

Comissão científica: Maria João Brilhante, Fernando Guerreiro, Patrícia Leal, Golgona Anghel
Comissão organizadora: Fernando Guerreiro, Golgona Anghel, Simão Valente, Sebastião Cerqueira

Mais informações, aqui: http://www.poeticasdorock.blogspot.com/
HORAS DE POESIA no audioblogue "Estúdio Raposa" de Luís Gaspar aqui.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é Dia Mundial da Poesia

Norte

(...)
Örskamma stund leiftra þær
í vegarkantinum
eins og eldspýtur
litlu stúlkunnar í ævintýrinu
og lýsa okkur
þar til við komum aftur
upp í vök
að blása

Gerður Kristný
(Islândia)

***

(...)

Peut-être y aurait-il là aussi un poème,

Un poème fatigué d'attendre dehors sous la pluie
Et qui minutieusement effacerait les bords
Et le centre du jardin?

Yves Namur
(Bélgica)


***

Sit and Look Out

(...)
I observe the slights and degradations cast by arrogant persons upon laborers, the poor, and upon negroes, and the like;
All these — All the meanness and agony without end, I sitting, look out upon,
See, hear, and am silent.

Walt Whitman
(EUA)

***

Bilhete de Identidade

(...)
سجِّل.. برأسِ الصفحةِ الأولى
أنا لا أكرهُ الناسَ
ولا أسطو على أحدٍ
ولكنّي... إذا ما جعتُ
آكلُ لحمَ مغتصبي
حذارِ.. حذارِ.. من جوعي
!! ومن غضبي

Mahmud Darwish
(Palestina)

***

Para lá da praia

(...)
Mamã caminhando p'ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas
- Ai peixe à tardinha
na minha baía
mamã minha serena
na venda do peixe
pela luta da fome
da gente pequena.

Alda Espírito Santo
(São Tomé e Príncipe)

***

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade
(Brasil)

***

Liberdade

(...)
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa
(Portugal)

***

Corazón Coraza

(...)
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.

Mario Benedetti
(Uruguai)

***

(...)
possibles hiéroglyphes
de quelque lassitude
bruissant d'un âge ancien des os

dans l'âge où l'on ne peut plus croire
Carthage encore intacte
lorsque plus rien n'arrive
plus personne
comme l'oiseau l'averse avant
& que partir n'a plus d'ailleurs

Raymond Farina
(Ilha da Reunião)

***

Outro Poema









Mitsuharu Kaneko

(Japão)

***

(...)
Sobre el libro cerrado
que yacía en la hierba
por la luna su pasta iluminada,
mas su interior a oscuras,
descansaba una rana
que iba rondando su nocturna ronda.
¡Oh, Kant, cuánto te admiro!

Miguel de Unamuno
(Espanha)

***

Reconciliação

(...)
Und unsere Lippen wollen sich küssen,
Was zagst du?

Grenzt nicht mein Herz an deins -
Immer färbt dein Blut meine Wangen rot.

Wir wollen uns versöhnen die Nacht,
Wenn wir uns herzen, sterben wir nicht.

Es wird ein großer Stern in meinen Schoß fallen.

Else Lasker-Schüler
(Alemanha)

***

Soneto XV

(...)
Sets you most rich in youth before my sight,
Where wasteful Time debateth with Decay
To change your day of youth to sullied night;
And all in war with Time for love of you,
As he takes from you, I engraft you new.

William Shakespeare
(Inglaterra)

***

Templo do Dagrão Dourado











Lo Fu

(China)

***

(...)
E poco stando meco il mio segnore,
guardando in quella parte onde venia,

io vidi monna Vanna e monna Bice
venir invêr lo loco là ov'io era,
l'una appresso de l'altra maraviglia;

e sì come la mente mi ridice,
Amor mi disse: «Quell'è Primavera,
e quell'ha nome Amor, sì mi somiglia».


Dante Alighieri
(Itália)

***

Noite

(...)
Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.

Agostinho Neto
(Angola)

***

A uma virgem
(Improviso)

(...)
E podes ser tão tirana,
Que possas ver indif’rente
D’anos dez’nove somente
Morrer o teu trovador?!
Ai! não! Alenta-me a vida,
Reprime esta dor infinda
Dando-me só, virgem linda,
O teu puro e casto amor!...

Campos d'Oliveira
(Moçambique)

***

Partindo

(...)
Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares
(Cabo Verde)

***

Temiendo leer

(...)
revisa cada tarde los listados
aparecidos
en los muros de la Alcaldía

temiendo leer
el nombre de Ulises
entre los caídos

Anabel Torres
(Colômbia)

***

Dedicação

(...)
Йдеш, немов сновида... В мертвий світ...
Де тепер сестриці безталанні
Двох моїх осатанілих літ?
Сніг сибірський, може, їм востаннє
Шелестить з-під місяця й не тане?
Всім їм шлю прощальний свій привіт.

Anna Akhmátova
(Ucrânia)

***

Los Heraldos Negros

(...)
Esos golpes sangrientos son las crepitaciones
de algún pan que en la puerta del horno se nos quema.

Y el hombre... Pobre... pobre! Vuelve los ojos, como
cuando por sobre el hombro nos llama una palmada;
vuelve los ojos locos, y todo lo vivido
se empoza, como charco de culpa, en la mirada.

Hay golpes en la vida, tan fuertes... ¡Yo no sé!

Cesar Vallejo
(Perú)

***

Cobre

(...)
Día a día te volviste
la pobre piedra quedada,
la pobre piedra que duerme
y dura y odia la llama
y eres, ya, todos tus muertos
antes de ser sepultada.

Helados, llanto y sonrisa,
la oración y la palabra,
el amanecer la siesta
y la oración no arribada.
Ya es lo mismo, ya es igual
la mudez que la palabra.

Gabriela Mistral
(Chile)

***

El Breve Amor

(...)
para que a fuego lento empiece
la danza cadenciosa de la hoguera
tejiédose en ráfagas, en hélices,
ir y venir de un huracán de humo-
(¿Por qué, después,
lo que queda de mí
es sólo un anegarse entre las cenizas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
de liberar las manos ?)

Julio Cortázar
(Argentina)

***

Poder










Al Mu'Tamid

(Alandalus)

***

Ao Leitor

(...)
Il en est un plus laid, plus méchant, plus immonde!
Quoiqu'il ne pousse ni grands gestes, ni grands cris,
Il ferait volontiers de la terre un débris
Et dans un bâillement avalerait le monde.

C'est l'Ennui!- L'oeil chargé d'un pleur involontaire,
Il rêve d'échafauds en fumant son houka.
Tu le connais, lecteur, ce monstre délicat,
Hypocrite lecteur, mon semblable, mon frère!

Charles Baudelaire
(França)

***

Warburton 1910

(...)
............Yet, from the verandah, we saw this stupid boy who shied
a bird from a tree. I slipped hand into my husband’s watching
the wilful child tread the damp lawn, slingshot aimed and smiling.

Alan Wearne
(Austrália)

***

Instantâneo

(...)
How he rocked that long cold winter out!
Rocked the squalid room on its cowboy foundations.
Rocked until his cheeks glowed red from the electric heater.
Until his eyes drooped, tired and dazed from love’s capacity.

Aidan Murphy
(Irlanda)

***

O que as estrelas dizem

(...)
want die sterre sê: ‘Tsau! Tsau!’
en die boesmans sê die sterre vervloek die springbok se oë
die sterre sê: ‘Tsau!’ hulle sê: ‘Tsau! Tsau!’
hulle vloek die springbok se oë
ek het groot geword luisterend na die sterre
die sterre sê: ‘Tsau! Tsau!’

dis altyd somer wanneer jy die sterre hoor Tsau-sê

Antjie Krog
(África do Sul)

***

Sonho de desespero

(...)
Der var lige så langt over broen
som jeg var kommet fra min barndom.

Så døden måtte findes
et sted mellem mig og de grå pile
på den modsatte bred.

Det hele varede mindre end et minut
men resten af verden.

Henrik Nordbrandt
(Dinamarca)

***

(...)
Kun pyydän viinaa, minulle tarjoillaan jäätelöä,
taidan sittenkin olla espanjalainen, tukanraja
tällä tavoin alhaalla, todellakaan:
en taida olla täältä päin.
Hikoilen ja yritän puhua, välillä taas
tärisen.
Melkein enemmän kuin kuolemaa, suren syntymääni.
Ja kaikki mitä pyydän
on tuhat metriä lunta sydämen päälle.

Sirkka Turkka
(Finlândia)

***

(...)
Niemand droomt ons terwijl wij het weten.
Het hart van de dromer blijft kloppen,
zijn ogen schrijven zijn droom, hij is nu
niet in de wereld. Hij slaapt binnen en buiten
de tijd.

De ziel heeft twee ogen, dat droomt hij.
Het ene kijkt naar de uren, het andere
ziet er doorheen,
tot waar de duur nooit meer ophoudt,
het kijken vergaat in het zien.

Cees Nooteboom
(Holanda)

***

Surpresa

(...)
Περνώντας μέσα από αιώνες κι αποστάσεις,
Σκάβοντας τα ερείπια μιας γκρεμισμένης μνήμης,
Μέσα από σωρούς στιγμών καθημαγμένων,
Με νύχια και με δόντια έρωτα υποτάσσεις
Τις διαδρομές, διαρροές του χρόνου,
Ως τη συνάντηση

Και σε συνάντησα
Γυμνό στη μήτρα,
Και σε γέννησα..


Helen Psaralidou
(Grécia)

***

Alma Música

(...)
Así, cuando la negra y dura zarpa
de la muerte destroce el pecho mío,
mi espíritu ha de ser en el vacío
cual la postrera vibración de un arpa.

Y ya de nuevo en el astral camino
concretara sus ansias de armonía
en la cascada de una sinfonía,
o en la alegría musical de un trino.

Nicolás Guillén
(Cuba)

***

A Guerra

(...)
Зачем же мы не остановим
Ужасный сей мартиролог?!
Пошто клянём иль славословим?
Пошто пускаем на порог?!

Ужель Любовь, что нам Спаситель,
За нас страдая, завещал,
Не убедит тебя, Воитель?
Не победит насилья вал?!

Объединитесь, люди, братья!
Скажите громко: «Мы за мир!»
Друг другу распахнув объятья,
Всемирный зиждите кумир!


Victor Martynov
(Rússia)

Poemas em voz alta


Correio

Chegam cartas, chegam pedaços
do meu país
Chegam vozes. Chega um silêncio que me diz
as revoltas as lágrimas os cansaços.
Chegam palavras que me apertam nos seus braços.
Chegam notícias do meu país.

Chega o José o Alípio o Manel a Toina
chegam do Sul e falam a cantar
chegam do Norte e trocam os bês pelos vês
chegam mulheres descalças e homens de boina
chegam os antigos senhores do mar.
Chega gente que chora em português.

Chegam palavras com guitarras de Lisboa
chegam palavras que me sentam à sua mesa
para falar das nossas coisas: trigo e tristeza.
Trevo e sal.
Chegam palavras que me trazem vinho e broa
Chegam palavras que me trazem Portugal.

Chegam palavras como sinos a tocar.
Há fogo em Sintra. Greve no Barreiro.
E chegam de Águeda palavras de há vinte anos:
Mataram no Gravanço o filho do moleiro.
E o Ti Fausto a dizer: Se ainda houvesse republicanos…
Chegam palavras com o Alípio e o Botaréu
palavras de Águeda com sinos a dobrar
pelo Ti Fausto que já morreu que já morreu.

E há o Eugénio a tocar a Marselhesa
ao piano das palavras que o tempo me traz.
Chegam notícias de mim mesmo de há vinte anos:
O Manel gosta da Maria do Brás.
Ti Fausto Eugénio Vó Clementina
onde é que estão onde é que estão os republicanos
e a Maria do Brás que ficou sempre menina
dentro de mim em Águeda há vinte anos.

Chegam palavras que nos estão dentro da pele
palavras de palavras de palavras
a Maria do Brás só olha para o Manel
o tempo passa como o vento
e cá por dentro só palavras palavras palavras
e já morreu Manel e já morreu
o tempo em que tu eras o avançado centro
que marcava mais golos no largo do Botaréu.

Chegam as palavras de ontem dentro das palavras de hoje.
O tempo nos constrói e nos destrói
vai-se o tempo Manel o tempo foge
por vezes dói Manel por vezes dói.
E esta gente por dentro das palavras
esta gente que se junta que se junta
esta gente que chega e que pergunta
Que fazer? Que fazer? Só palavras?

Esta gente que chega e que me abraça
com palavras. Com braços
por dentro das palavras. Que fazer?
Ah o tempo que passa e o tempo que não passa
este alarme estes gritos cansaços pedaços
do meu país. E os olhos baços braços lassos e por dentro
uma ânsia a ferver.
A tempestade acumulada vento a vento.

Impossível cantar à mesa de um escritório.
Todo o poema é de rua. Todo o tempo é de combate.
E nada sei da poesia de laboratório:
Faço o que escrevo. Escrevo o que faço.

Abraço quem me abraça
Bato em quem me bate.
Escrever para depois não sei escrever.
Meu tempo é hoje. Tudo o mais é não ser.
Canto o tempo que passa.
E sei que passo como o tempo. E sei que passo.

Manuel Alegre

Na voz de Frederico Hartley:

(Música: "Valsa" - Carlos Paredes)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Novidades Roma Editora

O Desdobrar da Sombra
seguido de
Fragmentos de um Labirinto

Maria da Saudade Cortesão Mendes
N.º 8 da colecção “Sopro” da Roma Editora

“Mulher toda sal e espuma/filha e neta de altos entes/companheira de arte-vida...”, assim a define o grande poeta brasileiro Murilo Mendes. Maria da Saudade morou grande parte da vida no estrangeiro, acompanhando no exílio seu pai, Jaime Cortesão, até Paris (onde foi educada), Madrid e Rio de Janeiro. Nesta cidade conheceu Murilo Mendes, com quem veio a casar-se e depois acompanhando pela Europa em missões culturais. Em 1957 fixaram-se em Roma, onde, durante 18 anos, a sua casa se tornou lugar de referência para escritores e artistas plásticos. Apesar destes itinerários, Maria da Saudade conservou-se integralmente portuguesa, se bem que muitos dos seus amigos fossem estrangeiros, tais como Albert Camus, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Luciana Stegagno Picchio, ao lado de Sophia de Mello Breyner e Maria Helena Vieira da Silva.
Do inglês traduziu, de Shakespeare, A Midsummer Night’s Dream e, de T. S. Eliot, Murder in the Cathedral; para o francês, uma antologia de textos de Murilo Mendes, Office Humain. Pássaro do Tempo reúne seis livros, que vão desde O Dançado Destino, seu livro de estreia (Prémio Fábio Prado de Poesia, São Paulo, 1952) até No Tempo, onde há poemas já de 2002. Os textos aqui reunidos com o título O Desdobrar da Sombra, são de épocas e estilos muito diferentes. Ao contrário de Fragmentos de um Labirinto, que formam uma sequência completa.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Novidades Intensidez

Máquinas de Trovar - poética e tecnologia
E. M. de Melo e Castro
Editora Intensidez

E. M. de Melo e Castro reúne neste livro alguns artigos e estudos escritos nos últimos anos do século XX e também nos primeiros anos deste século XXI, organizados em duas partes. Na primeira parte textos sobre teoria e crítica de poesia, focando principalmente a evolução que conduziu desde a poesia escrita até à poesia visual e daí à actual infopoesia e à poesia digital. Na segunda, a compilação de textos sobre vários aspectos da poesia gerada por computador, culminando na discussão dos novos géneros artísticos daí resultantes.
Este livro dá continuidade à reflexão teórica e criativa que E. M. de Melo e Castro tem vindo a desenvolver há mais de 4 décadas, da qual resultaram Infopoesia, Videopoesia e o livro Poética dos meios e arte High Teck (ed. Vega, 1988), mas também os materiais informáticos, quer analógicos quer digitais, integrados na exposição O Caminho do Leve, realizada pelo Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, no Porto, de Fevereiro a Abril de 2006.
Mais recentemente, publicou o Livro de Releituras e Poiética Contemporânea, pela editora Veredas & Cenários de Belo Horizonte, que integra um DVD interactivo com a sua produção visual desde os anos 50 até agora.

(...) Se imaginarmos Aristóteles no computador, logo veremos que ele hoje terá uma tarefa bem mais complexa do que se vislumbra nos conceitos miméticos da sua Poética, lutando contra a falta de uma terminologia adequada... principalmente quando somos chamados a trabalhar com conceitos como hiperespaço, interactividade, transformação, metamorfose, anamorfose, labirinto e rede, mas sobretudo num ambiente de complexidade. Conceitos estes que, embora alguns herdados da estética do barroco, devem ser relidos e estudados à luz das grandes possibilidades com que o código digital agora nos presenteia, tornando irrecusável a investigação das suas probabilísticas, hipérbolas e risomáticas propriedades, num desafio interminável às nossas capacidades inventivas e abdutivas.
E. M. de Melo e Castro

Viajantes, Escritores e Poetas

Ciclo de Conferências: Viajantes, Escritores e Poetas – Retratos do Algarve

Sábado, 21 de Março de 2009 às 17:00

Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve é o mote para o ciclo de conferências organizado pelo Centro de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) da Universidade do Algarve e pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António / Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, que terá lugar no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António e na Livraria Pátio de Letras, em Faro, nos meses de Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

A próxima conferência do ciclo decorrerá no Pátio de Letras, em Faro, pelas 17h00 do dia 21 de Março, com uma palestra sobre A Literatura Oral no Algarve, proferida por José Joaquim Dias Marques, docente da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Torneio Poético António Botto e Jorge de Sena

No âmbito do Dia Mundial da Poesia (21 de Março), do Dia Mundial do Livro (23 de Abril) e do Ano Europeu da Criatividade e Inovação (http://criar2009.gov.pt), a Direcção‐Geral do Livro e das Bibliotecas convida o jovem público leitor a participar num torneio poético de evocação de António Botto, por ocasião da passagem de cinquenta anos sobre a morte do poeta, e de Jorge de Sena no nonagésimo aniversário do seu nascimento.
Encarando a leitura regular e o exercício poético como livre e superior expressão do conhecimento humano e da diversidade da natureza humana e como fonte de criatividade e inovação, procura‐se corresponder às recomendações das organizações internacionais no sentido de se promover o diálogo intercultural.

REGULAMENTO

1. Condições de participação: O presente torneio dirige‐se a todos os estudantes do 3º ciclo do ensino básico (categoria A) e do ensino secundário (categoria B). Os trabalhos concorrentes devem ser entregues até ao dia 15 de Maio na Biblioteca Municipal do concelho de residência ou na Biblioteca Escolar do estabelecimento de ensino frequentado.

2. Modalidades de participação :
Em alternativa: glosa e desenvolvimento, em verso ou em prosa de ficção, e num máximo de duas páginas A4, de uma das estrofes:

I – Afirmam que a vida é breve,
...Engano, – a vida é comprida:

...Cabe nela amor eterno
...E ainda sobeja vida.
(António Botto, in Pequenas Esculturas, 1925)

II – Anda um ai na minha vida
....Que me lembra a cada passo
....A distância que separa
....O que eu digo do que eu faço.
(António Botto, in Dandismo, 1928)

III – Uma pequenina luz bruxuleante
.....não na distância brilhando no extremo da estrada
.....aqui no meio de nós e a multidão em volta
.....une toute petite lumière
.....
just a litlle light
.....una picolla…em todas as línguas do mundo
.....uma pequena luz bruxuleante
.....brilhando incerta mas brilhando
.....[…]
(Jorge de Sena, "Uma Pequenina Luz", in Fidelidade, 1958)

IV – Amo‐te muito, meu amor, e tanto
.....que, ao ter‐te, amo‐te mais, e mais ainda
.....depois de ter‐te, meu amor. Não finda
.....com o próprio amor o amor do teu encanto.
.....[… ]
(Jorge de Sena, do "Soneto VIII", in As Evidências, 1955)

3. Critérios de selecção: Serão seleccionados três trabalhos (1º, 2º e 3º); a sua apreciação pelos elementos do júri terá em conta o bom domínio da língua portuguesa, nele se considerando tanto a correcção gramatical como a boa utilização dos seus recursos expressivos; boa exposição e articulação de ideias; e o conhecimento, velado ou explícito, da obra dos poetas seleccionados.

4. Composição do júri O júri é composto por um representante da DGLB, um representante do Plano Nacional de Leitura e Eduardo Pitta, poeta e ensaísta.

5. Prémios: Os prémios serão conjuntos de livros. Os trabalhos premiados serão publicados no site da DGLB.

6. Os responsáveis das Bibliotecas deverão fazer chegar os textos concorrentes, em triplicado, às instalações da DGLB, até 30 de Maio, dirigindo‐os à:
Direcção de Serviços do Livro
Direcção‐Geral do Livro e das Bibliotecas
Campo Grande, 83,1º – 1700‐088 LISBOA

III SobrEscritas em Torres Vedras

O SobrEscritas, 3º Encontro de Escritores em Torres Vedras, vai realizar-se entre 21 e 28 de Março.
Contando com a presença de destacados nomes do mundo dos livros e da cultura em Portugal, como Arnaldo Espírito Santo, José Afonso Furtado, José Mário Silva, Pedro Mexia, Telmo Mourinho Baptista e Helena Vasconcelos, entre outros, o SobrEscritas terá sessões na Livraria Livrododia, Cooperativa de Comunicação e Cultura e em diversas escolas do Concelho.
Este evento vai juntar escritores, livreiros, jornalistas... à conversa. Do humor à poesia. Do Plano Nacional de Leitura ao dia-a-dia dos leitores.
Para os mais novos, das escolas EB 2,3 do Maxial, Freiria e Padre Francisco Soares e também da Escola Internacional, vão realizar-se ainda oficinas de línguas.
O programa completo deste evento organizado pelo ATV poderá ser consultado no Blogue da Livrododia: http://www.diariodeumlivreiro.blogspot.com ou em www.atv.pt.
(clicar para ampliar)

terça-feira, 17 de março de 2009

Poesia à solta em Lisboa

No próximo dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, o Centro Nacional de Cultura, em parceria com a Carris e com a Escola Superior de Teatro e Cinema, assinala a efeméride com a iniciativa “Poesia à Solta na Cidade”.
Serão lidos poemas de vários escritores portugueses no interior dos eléctricos 28 e 12, durante a manhã, e nos elevadores da Glória e Santa Justa, da parte da tarde.
Durante toda a semana vão estar colocados nos eléctricos e autocarros de Lisboa, em pequenos cartões, que os passageiros vão poder levar consigo, poemas de Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões, Sophia de Mello Breyner, entre outros.

Blanca Varela (1926-2009)

A poetisa peruana Blanca Varela faleceu na passada quinta-feira, aos 82 anos, deixando uma obra poética reconhecida internacionalmente e que lhe valeu galardões tão importantes como o o Prémio Octavio Paz de Poesia e Ensaio em 2001, o Prémio Internacional de Poesia Cidade de Granada Federico García Lorca em 2006 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana em 2007.
Blanca Varela, nascida em 1926 e definida como «uma grande figura da poesia peruana», considerava que a sua obra não seria a mesma se não tivesse a ajuda do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz, que conheceu em Paris.
Iniciou-se na poesia na Universidade de San Marcos (Lima), onde ingressou em 1943 para estudar Letras e Educação, tendo-se mudado alguns anos mais tarde para Paris onde conheceu Sartre, Simone de Beauvoir, Michaux e Giacometti, e manteve também contactos com o círculo de intelectuais latino-americanos e espanhóis radicados em França.
Viveu também em Florença e em Washington.
Em 1959 publicou o seu primeiro livro, "Este puerto existe", em 1963 "Luz de día", em 1971 "Valses y otras confesiones" e em 1978 um dos títulos mais representativos da sua obra, "Canto villano".

Curso sobre Fernando Pessoa

A Galeria Matos Ferreira vai promover, em parceria com a Associação Agostinho da Silva, um Curso sobre Fernando Pessoa.

Objectivo:
O curso partirá de uma abordagem plural e interdisciplinar, filosófica e literária, a alguns aspectos da obra de Fernando Pessoa. Dividir-se-á em três blocos temáticos, leccionados pelos seguintes professores: Paulo Borges, Renato Epifânio e Duarte Braga. Dois dos módulos serão constituídos por três sessões (sendo o segundo módulo constituído apenas por 2), mais o recital de Carmen Filomena, nove ao todo.

Programa:
MÓDULO I - Ilusão e Libertação, por Paulo Borges (25 Março, 1 e 8 Abril):
· Pré-existência e saudade na poesia inglesa;
· O vazio do sujeito e o jogo onírico/i-lusório do mundo (poesia ortónima e Bernardo Soares);
· O “Tratado da Negação” e “O Caminho da Serpente” (Raphael Baldaya).
MÓDULO II - Pessoa, o filósofo do outro, por Renato Epifânio (15, 22 Abril):
· Pessoa, o filósofo do "outro" do pensar;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de todo o ser;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de si próprio;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de nós mesmos.

Recital de Poesia de Fernando Pessoa, por Carmen Filomena (29 Abril).

MÓDULO III – Projecto poético e heteronímia, Duarte Braga (6, 13 e 20 Maio):
· A questão da Nova Poesia Portuguesa, a profecia do supra-Camões/supra-Portugal e as Índias Espirituais;
· Alberto Caeiro: ignorância e revelação; o poema VIII de Guardador de Rebanhos e a leitura agostiniana;
· Álvaro de Campos e o sensacionismo.

Horário, Inscrições e Preço:
As aulas serão realizadas em período pós-laboral às quartas-feiras, de 25 de Março a 20 de Maio, inclusivé, ou seja nos dias 25 de Março, 1, 8, 15, 22 e 29 de Abril, e ainda nos dias 6, 13, 20 de Maio, das 19h00 às 20h30.

O Curso tem um limite máximo de 20 (vinte) participantes. O seu custo é de EUR 90,00 (noventa euros), podendo ser pago em duas prestações de EUR 45,00 (quarenta e cinco euros) cada. A primeira prestação deve ser paga a 25 de Março e a segunda com cheque pré-datado para 29 de Abril. Inclui material de apoio.

Os interessados podem-se inscrever através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22, do Email: mfgaleria@netcabo.pt . Em qualquer das opções deverão indicar sempre o número de telemóvel para eventual contacto.

Perfil dos Intervenientes:
PAULO BORGES é professor de Filosofia na universidade de Lisboa e tem uma vasta obra publicada nos domínios da poesia, ficção, teatro e ensaio filosófico. Autor da tradução de livros budistas e coordenador das obras reunidas de Agostinho da Silva, é também sócio fundador e membro da direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, co-director da revista Nova Águia e presidente da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva e do MIL - Movimento Internacional Lusófono.

RENATO EPIFÂNIO é Doutor em Filosofia pela FLUL, membro do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e da direcção da Associação Agostinho da Silva. É autor de várias obras sobre pensamento português e partilha com Paulo Borges e Celeste Natário a direcção da revista Nova Águia. Pertence à comissão coordenadora do MIL.

CARMEN FILOMENA DE ARRIAGA MARTIN CONDE nasceu em Angola, onde em 1965 começou a sua carreira no Teatro Nacional de Luanda com um espectáculo de poesia de Fernando Pessoa teatralizado. Em 1975, veio para Portugal onde se estreou no Teatro Experimental de Lisboa, tendo posteriormente enveredado por uma carreira de artista de variedades, dizendo poesia e cantando fado e música ligeira sempre em itinerância por todo o País. Participou igualmente, nas quadras natalícias em várias revistas infantis, organizadas pelo SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculo.
Mudou-se depois, em 1993, para Paris, onde participou em eventos lusófonos, convidada por diversas Embaixadas e comunidades. Quatro anos mais tarde, instalou o De Arriaga Piano Bar na Mouraria que encerrou em 2004. Desde aí participou em filmes, novelas, programas de rádio e de televisão, insistindo sempre em levar a poesia a todos os cantos de Portugal com incidência especial em bares da noite lisboeta.

DUARTE BRAGA é licenciado em Estudos Portugueses pela FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa .e mestre em Estudos Comparatistas pela mesma Faculdade. Trabalha nas áreas dos Estudos de Cultura e dos Estudos Literários. Tem leccionado em vários locais cursos sobre literatura portuguesa e publicado trabalhos sobre cultura, literatura e pensamento portugueses. Membro da direcção da Associação Agostinho da Silva e da comissão coordenadora do MIL.

Nota:
Durante o curso sobre FERNANDO PESSOA estará patente na GALERIA MATOS FERREIRA um quadro em técnica mista intitulado MAR PORTUGUEZ (100 x 120 cm - ano 2005) e inspirado no poema do mesmo nome do Poeta, da conhecida pintora ANA MARQUES.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sugestão da Andante para esta semana


Flashback

No verão, à noite, as nuvens de mosquitos
caíam sobre as casas. Eu via-os, de volta
das lâmpadas, formando uma névoa agitada
pelo brilho fraco da electricidade. Vinham
dos arrozais, dos pântanos, dos rios estagnados
pelo calor; mas nunca soube para onde iam
quando, passada a noite, a madrugada surgia
limpa e branca, como as casas da aldeia.

Nesse verão, muitas coisas se passaram:
alguns velhos morreram; começaram as obras
na igreja, e as lages com inscrições antigas
deram lugar a um chão de madeira; o
cinema ambulante trouxe alguns filmes
de capa e espada, mas o rapaz salvou-se
sempre; e uma máquina fotográfica registou
os andores que traziam à rua os santos,
na festa de agosto, de mistura com rostos
que julgava esquecidos na minha memória.
(Só o padre, segurando o cálice, mantém a
mesma expressão dura e atenta, como convém
ao representante de deus entre os homens).

Há quem diga que esses verões acabaram. De
facto, as casas já não precisam de mosquiteiros,
o cinema ambulante acabou, e o padre limita-
-se a ser o nome de uma rua, e qualquer dia
já nem isso. Mas quando as luzes se acendem,
ainda com dia, é como se uma névoa surgisse
do passado, com os mosquitos, as falhas
na corrente quando o filme ia a meio, e os
gritos que dávamos no escuro, até a luz voltar.

Nuno Júdice


Voz: Cristina Paiva; Música: Pascal Comelade; Sonoplastia:Fernando Ladeira

domingo, 15 de março de 2009

Outras sugestões para os próximos dias


16 de Março (segunda-feira):

LISBOA – Jardim da Parada
Jardim Teófilo Braga (Jardim da Parada - Campo de Ourique)
16 a 22 de Março:
Feira do Livro de Poesia
Todos os dias (10h00 - 19h00)
Inauguração: 16 de Março (10h00)
Sessão de Autógrafos com diversos poetas
Mostra de Artesanato Urbano


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17 de Março (terça-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
Conferência “Toda a verdade será castigada” por Eduardo Pitta.
17 Março, 18h30, na Casa Fernando Pessoa.
Haverá um caso entre António Botto e a poesia portuguesa? No dia em que passam 50 anos da sua morte, o escritor e poeta Eduardo Pitta, responsável pela edição das Obras Completas do autor de Canções, tentará explicar as razões possíveis do silenciamento de um poeta acerca de quem Fernando Pessoa e José Régio teceram os mais rasgados elogios. Afinal, o que é que perturba a Academia? A crise de fé dos anos 1950, coincidente com o exílio brasileiro? O facto de Botto incorporar a tradição popular no discurso homoerótico? São isto razões sérias de rasura?
Casa Fernando Pessoa: R. Coelho da Rocha, 16, Lisboa

PONTE DE SOR – Biblioteca Municipal
No dia 17 Março, a Andante apresenta o espectáculo “Às avessas” na Biblioteca Municipal de Ponte de Sor (Cine-Teatro) Municipal, às 10H30 e às 14H30.
O que se pode fazer com os livros? Aprender, crescer, brincar, virar o mundo do avesso, ou seja, olhar o mundo de outra maneira. De uma forma lúdica, este espectáculo de teatro, tenta revelar o prazer que os livros podem proporcionar e como eles nos podem ensinar a ver as coisas sob outra perspectiva. A poesia, a forma escolhida pela personagem do espectáculo, guia esta viagem onde se encontrarão a natureza, o tempo, as letras, a noite, a banda desenhada, tudo dentro de uma biblioteca.

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18 de Março (quarta-feira):

TORRES VEDRAS – Cooperativa de Comunicação e Cultura
18 de Março, 22 horas
Na Sala Polivalente da Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras.
Noite Al Bertiana: performance poética com leituras de Isabel Raminhos, Mário Verino Rosado, Miguel Duarte e Luís Filipe Cristóvão.
Intervenção de Golgona Anghel, autora da biografia de Al Berto.
Uma organização conjunta da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, Cooperativa de Comunicação e Cultura, Livraria Livrododia.


LISBOA - Instituto Camões
Quarta- feira 18 de Março 2009, 18h30:
Serão literário
Viagens literárias: percursos francófonos e em português
Presença de escritores de língua portuguesa: Ana Paula Tavares (Angola), Cristina Robalo Cordeiro, Francisco José Viegas (Portugal) e francófonos: Gisèle Pineau (França), Lambert Schlechter (Luxemburgo), Samir Marzouki (Tunísia), Rafik Ben Salah (Suíça), Roger Léveillé (Canadá).
Diálogo entre os escritores e leitura de alguns excertos das suas obras seguido de um Porto de honra.
Local: Auditório do Instituto Camões

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19 de Março (quinta-feira):

LISBOA – Casa Fernando Pessoa
O Colóquio Internacional "Poe e Criatividade Gótica" decorrerá em vários locais de Lisboa entre 18 e 20 de Março, para comemorar o bicentenário do nascimento deste autor. Na Casa Fernando Pessoa o programa arranca dia 19, quinta-feira, às 17h15, com visita guiada à exposição de Filipe Abranches que mostra ilustrações destinadas à edição da Obra Poética Completa de E. A. Poe. Às 18h15 tem lugar o debate sobre Arte Fantástica em Portugal no qual participam António de Macedo, Fernando Ribeiro, Filipe Abranches, Filipe Melo, Maria Antónia Lima e Paula Ribeiro. As actividades encerram com a Leitura Encenada de poemas de E. A. Poe, pelos actores Ângela Pinto e Luís Lucas, às 20h00.

LISBOA - Bar Frágil
No dia 19 de Março decorre a terceira sessão de poesia no Frágil, desta vez dedicada a António Gancho. A partir das 23h00, na Rua da Atalaia 126, ao Bairro Alto.







PORTO – Fnac do NorteShopping
“Uma Tertúlia, quatro Poetas – a celebração do Dia Mundial da Poesia”, 19 de Março, na FNAC do NorteShopping, a partir das 21:30.
Nesse evento serão apresentadas quatro antologias que integram a colecção Mundo das Letras:
- Folhas Caídas e Flores Sem Fruto, de Almeida Garrett [Introdução e notas de Auxília Ramos e Zaida Braga];
- Só, de António Nobre [Introdução e notas de Ana Maria Amaro];
- Poemas, de Cesário Verde [Introdução e notas de Ana Maria Amaro];
- Sonetos, de Florbela Espanca [Introdução e notas de Noémia Jorge],
Esta tertúlia será animada por Manuel António Pina, João Luís Barreto Guimarães, Jorge Reis-Sá e Rui Lage.

PORTO - Clube Literário do Porto
No dia 19 de Março, vai ter lugar no Auditório do Clube Literário do Porto, pelas 21h30, o lançamento do livro "Entre margens de afectos" de Gabriela Silva e Aida Baptista, e pinturas de Manuel Martins. O prefácio é da autoria de Alzira Silva.
A apresentação será feita por Ivo Machado.
A reserva de direitos da obra é oferecida ao Núcleo Regional da Liga Portuguesa contra o Cancro.

MONTEMOR-O-NOVO – Biblioteca Municipal
No 19 Março, a Andante apresenta o espectáculo “Às avessas” na Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo, às 21H00.







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20 de Março (sexta-feira):

TOMAR – Biblioteca Municipal
Sexta-feira, 20 de Março, 15h00
Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar
Recital de poesia “Cadáver Esquisito na Biblioteca”
Pelo grupo O Contador de Histórias. Entrada livre.

ODIVELAS – Centro de Exposições
Vai realizar-se, no dia 20 de Março, mais uma sessão da tertúlia quinzenal "Palavreando", pelas 22 horas, na Casa do Largo, Centro de Exposições de Odivelas.
Um local onde os tertulianos poetas, escritores, amantes da poesia, anónimos ou conhecidos conversam, ouvem e lêem poesia.

LISBOA – Picoas Plaza
Apresentação do livro “Apoplexia da Ideia”, de Maria Quintans:
Dia 20 de Março, pelas 18.30 horas.
Sessão de autógrafos e apresentação do livro Apoplexia da Ideia, obra de poesia/prosa poética de Maria Quintans, ilustrada por João Concha e prefaciada pelo escritor e jornalista Fernando Dacosta (Edição Papiro Editora).
No Centro Comercial Picoas Plaza, na Rua Tomás Ribeiro.

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21 de Março (sábado) DIA MUNDIAL DA POESIA:

PORTO – Reitoria da Universidade
Lançamento do livro de poesia
Interlúdios da Certeza
de Vicente Ferreira da Silva
(ed. Temas Originais).
Apresentação por Helena Padrão e Otília Martel.
Leitura de poemas por Júlia Moura Lopes.
21 de Março, pelas 16H30, na Sala do Fundo Antigo da Reitoria da Universidade do Porto.



LISBOA – Livraria Fabula Urbis
Sábado, 21 de Março, 21h30
II Aniversário da FABVLA VRBIS
Chá com Poesia
A Livraria Fabula Urbis fica na Rua de Augusto Rosa, 27, em Lisboa







LISBOA – Pólo Tecnológico de Lisboa
Lançamento do livro de poesia Victor Oliveira Mateus A Irresistível Voz de Ionatos.
A apresentação estará a cargo da escritora Maria Lucília Meleiro e alguns dos poemas serão depois ditos pela actriz Eugénia Bettencourt.
21 de Março pelas 16h no Pólo Tecnológico de Lisboa, Rua I, Lote 25, Lisboa.
No final da sessão será servido um beberete.

Sobral de Monte Agraço- Biblioteca Municipal
"O Dia Mundial da Poesia comemora-se a rir"
Na Biblioteca Municipal de Sobral de Monte Agraço, sábado, 21 de Março, às 17 horas, pelo grupo O Contador de Histórias.


CONDEIXA-A-NOVA – Biblioteca Municipal
PALAVRAS A BRINCAR com Andreia Macedo
Sessão de poesia para crianças
BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CONDEIXA-A-NOVA
sábado.21.março.2009.16:30h



LISBOA - Casa Fernando Pessoa
A Comuna-Teatro de Pesquisa iniciou em 1998 uma série de espectáculos de divulgação da Poesia Portuguesa com a apresentação de sessões regulares no espaço do Café-Teatro. O êxito desta iniciativa foi imediato, tendo a partir daí a Comuna recebido inúmeros convites para apresentar estas sessões em várias localidades do país. A Palavra dos Poetas é um espectáculo com som, luz e montagem simples, acompanhado ao vivo por um músico que utiliza vários instrumentos, com a duração aproximada de 60 minutos, e que foca a vida e a obra de cada poeta, fazendo uma leitura da sua obra com o percurso da vida do autor, permitindo ao público uma leitura mais profunda e contextualizada da obra apresentada. A recolha, selecção e dramaturgia dos textos está a cargo de Carlos Paulo, que também dirige estes espectáculos e que conta com a colaboração dos actores da Comuna e outros actores convidados e ainda com a colaboração regular do músico Hugo Franco.
Dia 21 de Março, sábado, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa. ENTRADA LIVRE.

LISBOA – Centro Cultural de Belém
Pelo segundo ano consecutivo, as salas do CCB vão abrir-se à poesia e aos poetas, na comemoração de mais um Dia Mundial da Poesia.
21 de Março de 2009, para todo o público e com entrada livre, em váris espaços do CCB.
Depois do enorme sucesso da primeira edição, realizada em 2008, que trouxe ao CCB mais de duas mil pessoas, o programa para 2009, que volta a contar com o apoio do Plano Nacional de Leitura, alarga os horizontes geográficos da poesia feita em português: autores do Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique, juntarão a sua voz aos seus confrades portugueses para celebrar a língua que todos falam – e na qual escrevem.
Poetas que lêem a sua poesia (e a de outros poetas), espontâneos que encontram o seu espaço para dar largas à sua vontade de comunicar através de um poema, oficinas em que as crianças (e os pais) aprendem a brincar com as palavras, pequenos concertos onde se apura a relação entre a palavra poética e a música, documentários onde se recolhe o rosto e a voz de poetas que já não estão entre nós, uma feira do livro exclusivamente dedicada aos poetas em língua portuguesa, uma maratona de leitura de Os Lusíadas, e mais, muito mais coisas, integram o programa a ser divulgado no final de Janeiro de 2009.

Ver o programa completo, mais abaixo.

PORTO – Fundação Eugénio de Andrade
Celebrando o Dia Mundial da Poesia, no próximo sábado, dia 21, pelas 18h30, estarão na Fundação Eugénio de Andrade para ler poemas inéditos, os seguintes poetas: Albano Martins, Fernando Guimarães, Eduarda Chiote, António Rebordão Navarro, Ana Luísa Amaral, Helga Moreira, José Emílio-Nelson, Rosa Alice Branco, Daniel Maia Pinto Rodrigues, João Luís Barreto Guimarães, Rui Lage, Inês Lourenço e Jorge Reis-Sá.
A entrada é livre.
A Fundação Eugénio de Andrade fica na Rua do Passeio Alegre, 584, Porto.

MALVEIRA – Casa da Cultura
No dia 21 Março, a Andante apresenta o espectáculo “Às avessas” no Auditório da Casa da Cultura da Malveira, às 14H30.








ALCOCHETE – Biblioteca Municipal
No dia 21 Março, a Andante estará na Biblioteca Municipal de Alcochete, pelas 21H00, para uma Maratona de Poesia.
A Biblioteca de Alcochete desafia o público a seleccionar um poema e participar numa maratona de poesia.
Informações e inscrições: 212 349 720 / biblioteca@cm-alcochete.pt


PORTO - Clube Literário do Porto
No dia 21 de Março, vai ter lugar no Piano Bar do Clube Literário do Porto, pelas 11h00, o Clube de Leitura RodaPé - O Porto com livros debaixo do braço.
Esta sessão será dedicada ao livro "A secreta vida das imagens", de Al Berto, em que é proposta a partilha deste roteiro poético inspirado nas artes plásticas. Para participar, basta aparecer. Não é necessária uma leitura prévia da obra.
A Biblioteca Municipal Almeida Garrett desafia jovens leitores a ler e partilhar um conjunto de livros previamente propostos pelos orientadores. As sessões realizam-se quinzenalmente aos sábados, às 11h00, em diversos locais da Cidade. Organização: Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

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22 de Março (domingo):

MATOSINHOS – Fnac MarShopping
STAND UP POETRY
Diz-se poesia com Andreia Macedo
FNAC - MarShopping (Matosinhos)
domingo.22.março.2009.17:00h




LISBOA – Jardim da Parada
Jardim Teófilo Braga (Jardim da Parada - Campo de Ourique) 22 de Março (15h30)
CENAS COM PESSOA
Com Ângela Pinto, Hélder Gamboa, Bruno Cochat e Manuel Brás da Costa
Mural de Poesia
Convite à veia poética da população de Campo de Ourique.



PORTO - Clube Literário do Porto
No dia 22 de Março, vai ter lugar no Piano Bar do Clube Literário do Porto, pelas 18h00, a tertúlia de poesia "Portugal Poético".


Dia Mundial da Poesia no CCB


Programa para o Dia Mundial da Poesia no Centro Cultural de Belém
21 de Março de 2009

Das 11:00 às 19:00

O QUARTO DE FERNANDO PESSOA
SALA EUGÉNIO DE ANDRADE
Instalação de JOÃO VIEIRA

LA VIDA ES UM BOLERO
FOYER SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Instalação/Performance de JOÃO VIEIRA

AS IMAGENS DAS PALAVRAS
EM VÁRIOS ESPAÇOS DO CENTRO DE REUNIÕES
Exposição de pintura de JOÃO VIEIRA
A exposição está patente até dia 20 de Abril.

OS PASSOS DA POESIA
ÁUDIO-POEMAS
Vários espaços
O público pode ouvir poesia gravada, enquanto passeia, através de auriculares, disponibilizados pelo CCB, a requisitar na Recepção do Módulo I.

CORPOS LETRADOS
SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
Performance (colectânea de vídeos/filmes) de JOÃO VIEIRA

FEIRA DO LIVRO DE POESIA
ENTRADA DO CENTRO DE REUNIÕES


Das 14:00
às 18:00

AS FACES DO POETA
Vídeos de poesia dita por poetas e actores


Das 14:00
às 19:00

DIGA LÁ UM POEMA
BENGALEIRO NORTE
Leituras em voz alta abertas ao público. O espaço é montado como um estúdio de gravação, com um estrado e um microfone. O público é convidado a dizer poesia frente a uma câmara. As gravações são passadas, em diferido, em televisores.


Das 14:30
às 19:00

LEITURA "OS LUSÍADAS" E POEMAS DE CAMÕES
SALA FERNANDO PESSOA
Os cantos dos Lusíadas ditos por diferentes personalidades.
Canto I
14:30 A. MEGA FERREIRA
estrofes 1/18
Canto II
14:45 F. LUÍS SAMPAIO
71/103 (Chegada a Melinde)
Canto III
15:00 MANUEL GRAÇA DIAS
118/143 (Pedro e Inês)
Canto IV
15:15 GUILHERME D’OLIVEIRA MARTINS
15/45 (Nun’ Álvares e Aljubarrota)
15H30 SIMONETTA LUZ AFONSO
84/94 (Partida das Caravelas e Velho do Restelo)
Canto V
15:45 TERESA LAGO
16/36 (Viagem pelo Atlântico)
16H LABORINHO LÚCIO
37/61 (Adamastor)
Canto VI
16:15 ANABELA MOTA RIBEIRO
70/91 (Os Doze de Inglaterra)
Canto VII
16:30 ISABEL ALÇADA
57/65 (Recepção do Samorim ao Gama)

Canção VII + Sonetos
17:45 MARIA NOBRE FRANCO 2/156 (Final)

Canto VIII
16:45 JORGE PEDREIRA

Canto IX
17:00 JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA
16/24 51/63 69/81
MARGARIDA PINTO CORREIA
36/42 64/68 83/89 64/75 (Discurso do Gama)

Canto X
17:30 MARCELO REBELO DE SOUSA
74/90 (Máquina do Mundo) 14

Canção IV e Ode V
18:00 INÊS PEDROSA
15 sonetos de Amor
18:15 HELDER MACEDO

DE VIVA VOZ
SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Poetas / Actores / outros convidados
14:30 PEDRO LAMARES DIZ PESSOA
14:45 ANA PAULA TAVARES (ANGOLA)
15:00 FERNANDO ECHEVARRIA
15:15 RUI MORISSON DIZ DRUMMOND DE ANDRADE
15:30 NUNO JÚDICE
15:45 LUÍS CARLOS PATRAQUIM (MOÇAMBIQUE)
16:00 MARIA TERESA HORTA
16:15 FILIPA LEAL DIZ CLARICE LISPECTOR
16:30 CARLITO AZEVEDO (BRASIL)
16:45 ELISABETE CARAMELO DIZ JOSÉ CRAVEIRINHA
17:00 PEDRO TAMEN
17:15 JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
17:30 VASCO GRAÇA MOURA
17:45 ANTÓNIO OSÓRIO
18:00 MANUEL ANTÓNIO PINA
18:15 JOSÉ LUÍS TAVARES (CABO VERDE)
18:30 LUÍS QUINTAIS
18:45 DANIEL JONAS
19:00 ALEXEI BUENO (BRASIL)
19:15 GASTÃO CRUZ
19:30 MANUEL VILLAVERDE CABRAL DIZ A "ODE MARÍTIMA" ÁLVARO DE CAMPOS


Das 15:00
às 16:30

QUANDO A POESIA É O QUE RESTOU DA VOZ
SALA ALMADA NEGREIROS
Conversa-fiada sobre poesia e voz com Andreia Bento, João Meireles, Pedro Lacerda, Sílvia Filipe, Sylvie Rocha e Jorge Silva Melo (Artistas Unidos). Um passeio pela poesia ocidental e a sua relação com a oralidade, através de Jacques Prévert, Píndaro, John Guilgud, Shakespeare, Racine, W. H. Auden, Garrett, José Gomes Ferreira, Pavese, Ungaretti, Dante, Sérgio Godinho, Paul Celan, Jorge de Sena e Schubert-Müller.


15:30

CONFERÊNCIA PALMEIRAS E VERSO LIVRE: A EXPERIÊNCIA HISTÓRICA DA POESIA BRASILEIRA
POR ABEL BARROS BAPTISTA
SALA DE LEITURA


17:00

CONFERÊNCIA FERNANDO PESSOA, POETA DO MUNDO
POR RICHARD ZENITH
SALA DE LEITURA

LANÇAMENTOS

SANDWICH BAR
Aluimentos, BÉNÉDICTE HOUART | Livros Cotovia (com a presença da autora)
Do Princípio, PEDRO BRAGA FALCÃO | Livros Cotovia (com a presença do autor)
Arado, A. M. PIRES CABRAL | Livros Cotovia, apresentado por Osvaldo M. Silvestre
O Mar e o Espelho, W. H. AUDEN, trad. por Daniel Jonas | Livros Cotovia/Teatro da Cornucópia, com uma conversa entre o tradutor e Luís Miguel Cintra.


Das 17:00
às 18:30

CONCERTO COM POESIA
SALA ALMADA NEGREIROS
SINDE FILIPE e PAULA CASTELAR dizem poesia acompanhados por:
LAURENT FILIPE trompete
JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA piano
MASSIMO CAVALI contrabaixo

PROGRAMA EDUCATIVO | FÁBRICA DAS ARTES
Ao pé da Árvore da Poesia vão despontar as folhas da Primavera que ainda há-de vir,
poesia escrita numa fita vai voar, para colorir o dia, poesia cantada, dita, sussurrada,
Poesia... Poesia...


Das 11:00 às 19:00

DA POESIA AO LIVRO E DO LIVRO À POESIA
SALA COTTINELLI TELMO
Com ANTONELLA GILARDI | TELMA PEREIRA | MARTA REGO | MANUEL MOREIRA
À mão da Licença Poética, e com a ajuda de um Chapéu de Poemas e de tintas de chá de poesia, vamos escrever, desenhar e colar poesia em rima, poesia em prosa, poesia
abstracta, concreta e visual, nos livros, mini-livros e micro-livros que no caldeirão da poesia vamos “cozinhar”.


Das 11:00 às 19:00

POESIA CRUZADA – BANCO DE POESIA
SALA DACIANO DA COSTA
Com INÊS TAROUCA | MARIA MORBEY
No Banco da Poesia poderá levantar um poema à sua escolha e, sozinho ou em grupo, com ensaio ou sem ensaio, subir ao palco como protagonista do seu próprio recital. Através da sua voz, as palavras serão ditas, rapadas, cantadas... a escolha é sempre sua!


14:30

CONCERTO - BANDO DOS GAMBOZINOS
POETAS À VOZ DE SEMEAR
20 CANTIGAS DE 15 POETAS PORTUGUESES
SALA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA
M/4 ANOS
Ao longo de mais de trinta anos de vida no Porto, de uma dezena de trabalhos biblio-discográficos e de apresentações ao vivo por todo o país, “O Bando dos Gambozinos” tem desenvolvido um intenso trabalho musical sobre a poesia para crianças (e não só). Retomando registos de inéditos como de obra publicada de vários desses autores, “Poetas à voz de semear”, que agora se apresenta no CCB, constitui um roteiro seleccionado sobre essa longa caminhada.


16:30

OFICINA “OS POEMAS… SÃO O QUÊ, AFINAL?”
SALA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA
M/7 ANOS
Com o BANDO DOS GAMBOZINOS
- Os poemas acontecem quando as palavras dançam?
- Parece-me que os poemas são os sons das palavras que conversam!
- Sempre pensei que um poema era uma música de letras …
- Mas há poemas sem palavras?
- Claro que sim! Quando os sons rimam e dançam e também falam.
Os Gambozinos passam a vida a conversar e a brincar sobre estas coisas, escondidos nos seus buracos. Agora vão também fazê-lo à luz do dia com outros, grandes ou pequenos, que às vezes também pensam: OS POEMAS… SÃO O QUÊ, AFINAL?

OFICINA “DA BOCA PARA FORA”
SALA AMADEO SOUZA-CARDOSO
às 16:00 dos 6 aos 9 anos e adultos
às 17:30 para graúdos
Com MARGARIDA MESTRE
Experiência física e vocal da poesia.
Vamos inventar maneiras de dizer e cantar palavras, frases, poemas. Sentir o seu ritmo e sua cadência no corpo. Com a ajuda de simples instrumentos construímos a base sonora. Depois gravamos e finalmente partilhamos o prazer da escuta, saboreamos a orquestração vocal.


Das 11:00 às 19:00

A ÁRVORE CÁ DENTRO
ÁTRIO DA SALA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA, SALA AMADEO SOUZA-CARDOSO, SALA COTTINELLI TELMO E SALA DACIANO DA COSTA
De MARTA REGO
Todos temos uma árvore pela qual nos podemos apaixonar, onde nos podemos refugiar, muitas vezes riscamos um encontro de amor ou poderá ser somente um marco de um lugar onde um dia teremos de voltar. Já todos sonhamos ou até inventamos uma vida de uma casa numa árvore. A Árvore do Conhecimento pode ser uma Acácia, uma Amendoeira, um Carvalho, um Cipreste, uma Oliveira, Árvore Kian-Mu, Árvore Fu, e Árvore Jo, a Oliveira do Oriente Islâmico, o Larício ou a Bétula Siberianos; Criamos uma árvore “de pernas para o ar”, feita de folhas do dia a dia de um jornal, no chão instalam-se sementes para levares na palma da tua mão, regar e deixar crescer ao sabor da tua criatividade.