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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Na estante de culto


A Voz Fagueira de Oan Tímor
Fernando Sylvan
Recolha de Artur Marcos e Jorge Marrão
Prefácio de Maria de Santa Cruz
Edições Colibri
Dezembro, 1993


Com este livro, tornou-se acessível ao público a obra poética do poeta timorense Fernando Sylvan, quase desconhecida, apesar de existirem traduções das suas poesias em inglês, francês, italiano, sueco e japonês e de grupos culturais leste-timorenses terem divulgado, ao longo de várias décadas, o seus versos de Oan Tímor ("filho de Timor" em tétum) na reivindicação dos direitos de Liberdade e Identidade timorenses.
Este livro é constituído por 7 partes: os seis primeiros títulos publicados entre 1965 e 1982 e uma última parte com poemas dispersos, alguns dos quais circularam em cartazes, na imprensa ou em antologias diversas.

"Os seus poemas são profundamente humanos e têm a dimensão do infinito, abrindo novos horizontes à nossa sensibilidade. Comovem e fazem vibrar o espírito e a consciência de quem os lê. Foi o que me sucedeu, e não se apagará mais na minha sensibilidade e no meu cérebro a impressão de amor fraterno e solidariedade luminosa que dos seus poemas se desprende"
Maria Lamas, em carta de 18 de Setembro de 1980, agradecendo os livros "Tempo Teimoso" e "Meninas e Meninos".



Mensagem do Terceiro Mundo
1971 - Ano internacional contra o racismo


Não tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue

E esgravataste chagas no meu corpo

E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar

E a água pura e a terra boa
E levantaste a cruz contra os meus deuses
E me calaste nas palavras que eu pensava.

Não tenhas medo de confessar que te inventaste mau

Nas torturas em milhões de mim

E que me davas só o chão que recusavas

E o fruto que te amargava

E o trabalho que não querias

E menos de metade do alfabeto.

Não tenhas medo de confessar o esforço

De silenciar os meus batuques

E de apagar as queimadas e as fogueiras
E desvendar os segredos e os mistérios

E destruir todos os meus jogos

E também os cantares dos meus avós.


Não tenhas medo, amigo, que não te odeio.

Foi essa a minha história e a tua história.

E eu sobrevivi

Para construir estradas e cidades a teu lado

E inventar fábricas e Ciência,

Que o mundo não pôde ser feito só por ti.


(Mensagem do Terceiro Mundo - 1972)


***

..................................Cascais, 17 Setembro 1972

O Ditador


.....................................e coroava-se em cada novo dia.
..........................subia
................
subia
O ditador










...................................................Mas despenhou-se.

(Tempo Teimoso - 1974)


***


Eu canto e o meu canto se enternece
de ouvir-se no seu eco e ser distante
tal como a estrela-sol quando amanhece
se orgulha de ter luz e ser andante.

Eu canto e o meu canto faz-se prece
e reza-se a si próprio qual amante

que esparge a sua fé como quem tece
os versículos de nova bíblia errante.

Sozinho na paisagem clara e bela
com o manto lustral dos olhos dela

e o que mais inventei e me aqueceu


o canto e a luz e a fé tudo é mais vivo
porque me sinto sempre em mim cativo

do amor que na verdade ela me deu.


(Dispersos)

***

O teu sexo fechado
tive de abri-lo com um beijo
como se não estivesse ainda desflorado

(MULHER ou o livro do teu nome - 1982)

***


Fernando Sylvan, pseudónimo de Abílio Leopoldo Motta-Ferreira, nasceu em Díli, no dia 26 de Agosto de 1917 e morreu em Cascais, no dia 25 de Dezembro de 1993. Participante activo da Resistência Maubere, foi poeta, prosador, dramaturgo e ensaísta.
Passou a maior parte da sua vida em Portugal mas sempre escreveu sobre o seu país de origem, dissertando sobre as suas lendas, tradições e folclore. Está representado em inúmeras antologias.
Presidiu à Sociedade de Língua Portuguesa, em Portugal e foi o criador do Dia Internacional da Língua Portuguesa.
Recebeu em 1965 a Medalha Pereira Passos pela constante fraternidade na sua obra (Rio de Janeiro). Recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (postumamente).

Publicou os seguintes livros de poesia:
Vendaval. Porto, 1942
Oração. Porto, 1942
Os Poemas de Fernando Sylvan. Porto, 1945
7 Poemas de Timor. Lisboa, 1965. 2ª edição, pirata. Lisboa, 1975.
Mensagem do Terceiro Mundo. Lisboa, 1972.
Tempo Teimoso. Lisboa, 1974. 2ª edição, Lisboa, 1978
Meninas e Meninos, Lisboa, 1979
Cantogrito Maubere – 7 Novos Poemas de Timor-Leste. Lisboa, 1981.
Mulher ou o Livro do teu Nome. Lisboa, 1982

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Na passada quinta-feira 14 de Maio, realizou-se no Salón Noble del Liceo Casino de Pontevedra, organizado pela Associação República das Letras, o lançamento do livro "O aire, a luz e o canto", Poesia reunida 1987-2006, editado pelo PEN Clube da Galiza, onde esteve presente o autor, o poeta Víctor Campio Pereira e Luís González Tosar, Presidente do P.E.N. Clube da Galiza, tendo sido moderador deste evento Fernando Luis Pérez Poza.

Víctor Campio Pereira nasceu em Garabás, Maside, Ourense, em 1928. É licenciado em Filologia Hispânica pela Universidad Complutense de Madrid. Fundou as revistas " Aula I" e "Tagore" e colaborou nos suplementos culturais da revista Escuela Española.
Iniciou-se na poesia publicando no "Mirador Galaico" e no "Poesía, Arte e Letras” de Ourense. Também publicou textos seus em "Alcazaba" de Tetuán, "Trebo" de Ourense, "Dorna" de Santiago, "Cadernos do Tâmega" de Portugal, "Zorgai" de Bilbao, entre outros.
É autor dos livros de poesia "O ar que nos leva" (1987), "Perdida luz" (2000) e "O aire, a luz e o canto. Poesía reunida 1987-2006” (2008) e participou em outros livros colectivos. Em prosa publicou a novela "Baixo o so do Magreb" (1999) e uma colecção de artigos.
Ganhou os seguintes prémios: "Biblioteca Endesa" (A Coruña, 1977), "Festas da Peregrina" (Pontevedra, 1977), "Festas da Luz" (A Rúa, Ourense, 1980), "O Nadal" (Begonte, Lugo, 1992), e "Modesto R. Figueiredo" de narrativa (Santiago, 1988).
Colaborou no jornal "La Región" e noutras publicações ibero-americanas como "Noti-Tarde" e "El Espectador" de Valencia (Venezuela), "La Ciudad de Avellaneda" de Buenos Aires, e "Galicia”.

domingo, 17 de maio de 2009

Graça Pires vence Prémio Nacional Ruy Belo

A poeta Graça Pires ganhou o Prémio Nacional Ruy Belo 2009 com o livro "O Silêncio: Lugar Habitado", que será entregue, em Sessão Solene, na Biblioteca Municipal de Rio Maior, no dia 20 de Junho pelas 11H30.
Graça Pires nasceu na Figueira da Foz em 1946 e é licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Editou o seu primeiro livro em 1988, depois de ter recebido o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com o livro Poemas.
Recebeu ainda o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, com Labirintos (1993), o Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres, com Outono: lugar frágil (1993), o Prémio Nacional de Poesia 25 de Abril, com Ortografia do olhar (1995), 0 Grande Prémio Literário do I Ciclo Cultural Bancário do SBSI, com Conjugar afectos (1996), o Concurso Nacional de Poesia Fernão Magalhães Gonçalves, com Labirintos (1997), o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho, com Uma certa forma de errância (2003) e o Prémio Literário de Sintra Oliva Guerra, com Quando as estevas entraram no poema (2004).

domingo, 19 de abril de 2009

José Carlos Barros vence Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama

“Os Sete Epígonos de Tebas” foi a obra de José Carlos Barros seleccionada como vencedora do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009.
O júri, constituído por Joaquim Cardoso Dias, João Candeias e Ruy Ventura,
escolheu o original “Os Sete Epígonos de Tebas”, de entre um conjunto de 144 obras a concurso.
O prémio bienal tem o valor de 2500 euros e é promovido em conjunto pelo Município de Setúbal e pelas Juntas de Freguesia de S. Lourenço e S. Simão.
O Júri atribuiu ainda duas menções honrosas aos livros A Demanda do Conhecimento, de Firmino Mendes, e Objecto Persistente, de Rui Costa.

José Carlos Barros nasceu em Boticas, em 1963, e é licenciado em Arquitectura Paisagista pela Universidade de Évora. Radicou-se no Algarve, em Vila Nova de Cacela. É actualmente vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Editou os seguintes livros de poesia: “Pequenas Depressões” (colaboração com Otília Monteiro Fernandes – 1984); “Uma Abstracção Inútil” (1991); “Todos os Náufragos” (1994); “Teoria do Esquecimento” (1995); “As Leis do Povoamento” (1996); “Las Moradas Inútiles” (edição bilingue, Punta Umbría, 2007; edição em castelhano, La Habana, Cuba, 2009).
Em prosa: “O Dia em que o Mar Desapareceu” (2003).

A cerimónia de entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009 terá lugar no dia 16 de Maio, pelas 21H00, no Auditório Carlos Alberto Ferreira Júnior, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão.
Actuará o Grupo de Dança Renascentista ArsLuce e a Orquestra Filarmónica da Sociedade.
Serão lidos poemas de Sebastião da Gama e de José Carlos Barros.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O discurso poético em Aveiro

No âmbito das Comemorações Aveiro 250 Anos, é promovido, pelo Grupo Poético de Aveiro, o Encontro Internacional de Poesia “O discurso poético em Aveiro”, no próximo dia 18 de Abril, pelas 17.30 horas, no Museu da Cidade, que irá reunir, para além de poetas portugueses, o Grupo Literário e Artístico Sarmiento de Valladolid, vários poetas de Pontevedra, de Itália, de Argentina e de São Tomé e Príncipe. A organização conta ainda com a presença de Olinda Beja. A entrada é livre.

Poetas convidados:
José António Vale Alonso: Nascido em Zamora, é autor de vários livros de poemas, entre os quais Alondras en el páramo del tiempo editado pela Academia Castelhano-Leonesa de Poesia e La espiral del sueño publicado pela Editorial Azul. Foi premiado em importantes concursos poéticos de Espanha.
Donaciano Cantera del Rio: Nascido em Palência, licenciado em Ciências da Informação pela Universidade Complutense de Madrid, é autor de vários livros de poesia e prosa, entre os quais Vispera luminosa de tu cuerpo.
Araceli Saguillo: Nascida em Palência, está radicada, há muitos anos, em Valladolid. Presidente do Grupo Literário Juan de Baños y Sarmiento. Coordenadora das sessões poéticas semanais Viernes del Sarmiento, colabora em várias revistas de Espanha, Portugal e Itália. Tem doze livros publicados, alguns traduzidos em italiano e poemas traduzidos para português por António Salvado.
Giovanna Mulas: Escritora italiana de Sardenha. Tem vários títulos publicados, entre os quais: Lughe de Chelu, Penélope che parlava alle pietre e Domo del viento. Recebeu dezenas de prémios nacionais e internacionais e foi proposta por duas vezes como candidata de Itália ao Prémio Nobel de Literatura. Dirige a revista de literatura italiana Isola Nera.
Gabriel Impaglione: Poeta argentino, nascido em Buenos Aires, tem vários livros publicados entre os quais: Bagdad y otros poemas e Explicaciones com mar y otros elementos. Fundou e dirige a revista internacional de Poesia Isla Negra. É co-organizador do Festival de Poesia Palabra en el mundo que se realiza em diversos países.
Fernando Luís Pérez Poza: nasceu em Pontevedra. Publicou oito livros de poesia, um de contos e participou em numerosas antologias. Secretário da Fundação Cuña Casabellas, Presidente da Associação Cultural República de las Letras é o director da Editora El Taller del Poeta. Como ensaísta publicou conjuntamente com Jorge Cuña Casabellas um ensaio monográfico sobre a poesia chilena do século XX.
Brigidina Gentile: vive e trabalha em Roma. Licenciada em antropologia cultural e em literatura hispano-americana, colaborou com a Universidade de Roma e como tradutora com organizações não governamentais. Publicou diversos artigos e ensaios literários, em particular sobre a escrita feminina e a poesia latino americana. A antologia La outra Penélope é o seu primeiro livro.
Asun Estevez: Nasceu em Bueu, Pontevedra. É membro da Associação de Escritores e Artistas Espanhóis e secretária da ADICAM (Associação de Diagnosticadas de Cancro da Mama). Participou em vários recitais de poesia e publicou em 2008 o livro de poesia Pel de Muller que está a ter um enorme êxito na Galiza. É ainda responsável e animadora de um programa de rádio semanal.
Olinda Beja: Nasceu em Guadalupe, São Tomé e Príncipe. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade do Porto. A sua obra tem incidido principalmente sobre temas africanos, com títulos como Bô Tendê (poesia), Quinze dias de regresso (romance) ou No País do Tchiloli (poesia) entre muitos outros. Tem um carinho especial por Aveiro a quem dedicou o livro Quebra-mar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Emparedada • Uit de Muur

Emparedada
Uit de muur

Een gedichtencyclus
Joana Serrado
Bilingue (português e neerlandês)
Prémio Hendrix de Vries 2007
Edição Uitgeverij Passage
Groningen, 2009



Foi recentemente editado, na Holanda, o livro de poesia bilingue (português/neerlandês) de Joana Serrado «Emparedada/ Uit de Muur».
Com este livro, Joana Serrado (que vive na Holanda desde 2005) venceu o Prémio Hendrik de Vries — do município holandês de Groningen.

Joana Serrado, nasceu em 1979 e é especialista em mística feminina medieval, licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra, onde trabalhou como assistente de investigação sobre escolástica conimbricense.
O seu primeiro livro, «O Tratado de Botânica» foi editado pela Quasi e ganhou uma menção honrosa no Prémio Daniel Faria (2006), instituído pela Câmara Municipal de Penafiel.
Neste momento, prepara uma tese sobre a religiosa e mística portuguesa Joana de Jesus.
"Emparedada/ Uit de Muur" é um livro de poesia sobre o seu próprio "problema de habitação" numa Holanda "superlotada" e numa língua estranha.

Das portas trancadas

Doem-me as portas trancadas.

As que abanamos e não se conseguem abrir.

Das que se perderam as chaves.

As chaves das portas trancadas que não se conseguem abrir.


Penso nas portas trancadas da tua casa.

As chaves que se escondem e não mais aparecem

...........a porta do teu quarto que range sempre que a abres
................................ou quando se tosse uma réstia de vento.


A madeira sólida do teu quarto

.........................................os raios anelares das árvores
..................................................agora sem vida
........................................................t
rancam o teu quarto

conservando a resina que cola os meus cabelos à tua porta.


As unhas negras.

........................O sangue coagulado.
............................................................A dor.
.......................................................................A cor.

De como a tua porta se tranca trilhando os meus dedos de solidão.


Joana Serrado

Em Portugal, este livro está à venda na Poesia Incompleta.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Versos Olímpicos



No próximo dia 17 de Abril (sexta-feira) Henrique Manuel Bento Fialho irá apresentar o livro de José Ricardo Nunes “Versos Olímpicos” (editado pela Deriva).
A apresentação decorrerá no Chá de Limão, Caldas da Rainha, pelas 21H30 com apoio da Livraria Loja 107.


Foram as mais grandiosas Olimpíadas de sempre.
Participaram todas as nações conhecidas.
Resultados muito além do que seria de esperar.
A organização excedeu-se e merece os elogios
e o aplauso. Passados quarenta dias,
é tempo de entregar o testemunho
a mais uma cidade. Prudente omitir
como ficou pior o mundo nestes quarenta dias.

José Ricardo Nunes
(in “Versos Olímpicos”)

José Ricardo Nunes nasceu em Lisboa, em 1964. É licenciado em Direito e exerce funções no Ministério da Justiça. É mestre em Literatura e Cultura Portuguesas - Época Contemporânea.
Publicou “Rua 31 de Janeiro” (&etc., 1998), "Na Linha Divisória" (Grande Prémio Eugénio de Andrade, Campo das Letras, 2000), "Novas Razões" (Gótica, 2002) e “Apócrifo” (Deriva, 2007).
No domínio do ensaio tem uma tese sobre Luiza Neto Jorge publicada na &etc e um volume intitulado “9 Poetas Para o Século XXI” na Angelus Novus (2003), além de vários textos críticos publicados na Colóquios/Letras, no Ciberkiosk (publicação on-line), nas revistas Ler e Relâmpago, entre outros.

Henrique Fialho escreveu sobre José Ricardo Nunes aqui e aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Novidades Caixotim



Odes
António Salvado


O livro Odes, do poeta António Salvado (integrado na nova série «da palavra o fruto» das Edições Caixotim) será apresentado no próximo dia 17 de Abril, pelo poeta Alfredo Pérez Alencart, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco e entrará no mercado livreiro a partir dessa data. Esta obra terá apresentações públicas subsequentes, nomeadamente no Fundão, em Lisboa e no Porto.
Com seis reproduções de pinturas inéditas do artista Raul Costa Camelo e apresentação de Paulo Samuel, o mais recente livro de poemas de António Salvado caracteriza-se por uma elevada qualidade gráfica, com as reproduções apresentadas em estampas impressas em quadricromia e com capa revestida num invulgar tecido inglês.

António Forte Salvado nasceu em Castelo Branco, a 20 de Fevereiro de 1936. Licenciado em Letras (Filologia Românica) pela Universidade Clássica de Lisboa, dividiu a sua vida profissional entre o ensino e a museologia. Foi Director-Conservador do Museu Francisco Tavares Proença Jr. (Castelo Branco). Membro da Cátedra de Poética Fray Luís de Léon (Univ. Pontificia de Salamanca). Poeta, ensaísta, antologiador, crítico, tradutor, director de publicações, como Estudos de Castelo Branco (desde 1974), Sirgo (Castelo Branco, 1992-1994), Cadernos de Cultura e Medicina na Beira Interior. Um dos fundadores das Folhas de Poesia (Lisboa, 1957-59). Obteve várias distinções, em Portugal e no estrangeiro. Autor de mais de meia centena de títulos de poesia, tem ainda dispersa e vasta colaboração em antologias, revistas literárias e suplementos de jornais. As suas obras têm sido traduzidas para castelhano, francês, italiano e inglês. António Salvado é um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea.

Poesia publicada: A Flor e a Noite, 1955; Recôndito, 1959; Na Margem das Horas, 1960; Narciso, 1961; Difícil Passagem, 1962; Equador Sul, 1963; Anunciação, 1964; Cicatriz, 1965; Jardim do Paço, 1967; Tropos, 1969; Estranha Condição, 1977; Interior à Luz, 1982; ANTOlogia I (selecção de poemas), 1985; Face Atlântica, 1986; Pequena Antologia, 1986; Amada Vida, 1987; Des Codificações, 1987; Matéria de Inquietação, 1988; Soneto em lembrança de João Roiz de Castelo Branco, 1989; Utere Felix, 1990; Nausíaca, 1991; O Prodígio, 1992; AntoLOGIA II (selecção de poemas), 1993; Dis Versos, 1993; O Corpo do Coração, 1994; ANtoloGIa III (selecção de poemas), 1994; Estórias na Arte, 1995; Certificado de Pr esença, 1996; Castalia, 1996; O Gosto de Escrever, 1997; O Extenso Continente, 1998; Rosas de Pesto, 1998; A Plana Luz do Dia, 1999; Os Dias, 2000; Largas Vias, 2000; Quadras (in)populares e Sábios Epigramas, 2001; Flor Álea, 2001; A Dor, 2002; Águas do Sono, 2003; Pausas do Aedo, 2003; A Quinta Raça, 2003; Rochas, 2003; Coisas Marinhas e Terrenas, 2003; Entre Pedras o Verde, 2004; Palavras Perdudas, seguidas de oito encómios, 2004; Se na Alma Houver, 2004; Ravinas, 2004; Malva, 2004; Na Eira da Beira (selecção de poemas), 2005; Quase Pautas, 2005; Recapitulação, 2005; Modulações, 2005; Sinais de Deus na minha poesia (selecção de poemas), 2005; Os Distantes Acenos, 2006; Afloramentos, 2007; No Fundo da Página, 2008; Essa Estória, 2008. Larga parte dos títulos anteriores está reunida e reeditada em: Obra I (1955-1975), 1997; Obra II (1975-1995), 1997; Obra III (1995-1999), 1999.

domingo, 5 de abril de 2009

"o mar atinge-nos" de Maria Azenha

o mar atinge-nos
poesia-guitarra portuguesa
Poemas de Maria Azenha ditos pela autora
Guitarras: Octávio Sérgio, Manuel Mendes, Gentil Ribeiro, Armindo Fernandes, Manuel Gomes, António Jorge e Carlos Ligeiro.
Violas: Durval Moreirinhas, Vital d'Assunção, Pedro Nóbrega, João Ramos, Zé Manel e Luís Ligeiro.

Metro-Som Editora, 2009


cercou-se de luz e cântaros
(a Gabriela Rocha Martins)

cercou-se de luz e cântaros
com a foice que trazia cortou os ramos
mais tenros do dia

abriu uma casa de lume para as mãos
e outra para a sede
com trepadeiras na boca

todo o meu ser se colocou à escuta
mendigo entre bosques e relâmpagos de mel

e era branco o som que nunca ouviu


Maria Azenha nasceu em Coimbra. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa. Exerceu actividade docente no Quadro de Nomeação Definitiva na Escola de Ensino Artístico António Arroio. Escritora. Membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Luz Indecisa de José Mário Silva


O mais recente livro de poesia de José Mário Silva chegará às livrarias no próximo dia 6 de Abril.
Tem por título
"Luz Indecisa"

e a chancela é da Oceanos.










Aqui fica um dos poemas do livro:

os gatos de alhambra

Tão nítidos ainda, os olhos
dos gatos que cirandavam,
há tantos anos, nos jardins
fronteiros ao Alhambra.
Gatos livres, gatos imundos,
gatos quase selvagens.
Lembro-me da forma elíptica
como caminhavam rente aos
muros, como se enovelavam
no meio da vegetação ou se
escapuliam debaixo dos
automóveis com matrícula
estrangeira. Aqui e ali,
junto a latas de conserva,
densas aglomerações felinas.
Corpos em magma, ondulações
de pêlo crespo, um furor de
cabeças esfomeadas. E eu,
criança, a ver o espectáculo
da natureza, um brilho talvez
maligno em olhos tão animais.

Agora queria escrever um poema
sobre o palácio mas não consigo.
Estão dentro da minha cabeça
as imagens: mosaicos geométricos,
arcos, fontes, o céu de Granada
dos versos de Lorca e aquele
complexo labirinto de sombras
que deu um novo sentido à ideia
de frescura. Queria escrever sobre
Alhambra mas não consigo. Porque
os gatos que cirandavam nos jardins
fronteiros intrometeram-se. A sua
nitidez desfoca tudo o resto. Nada
resiste à distorção daquele caminhar
elíptico. Afogam-se, palácio e cidade,
no brumoso segundo plano.

História de um eclipse: tantos anos
depois, são os gatos de Alhambra
que vêm, devagar, contra a minha
vontade, acender este poema.



José Mário da Silva nasceu em 1972, em Paris. É licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mas trocou os laboratórios pelas redacções dos jornais ainda antes de terminar o curso. Jornalista desde 1993, trabalhou 14 anos no Diário de Notícias, onde foi editor adjunto do suplemento «DNA» e da secção de Artes.
Pelo meio, fez parte da equipa que realizou dois programas televisivos emitidos na RTP2 («Portugalmente» e «Juízo Final»). Traduziu algumas obras do francês e é autor do livro de poesia Nuvens & Labirintos (2001), obra vencedora do Prémio Literário Cidade de Almada e do livro Efeito Borboleta e outras histórias (2008) Oficina do Livro.
Actualmente, é crítico literário do Expresso e colaborador permanente da revista Ler. Escreve diariamente sobre livros e literatura no blogue Bibliotecário de Babel e é também autor do blogue A Invenção de Morel.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Workshop de Poesia por Ana Luísa Amaral em Leiria

O próximo workshop na Livraria Arquivo é sobre Escrita Criativa (Poesia) e será orientado pela escritora Ana Luísa Amaral no próximo dia 4 de Abril.
Este workshop destina-se a todos os interessados na escrita de poesia, nos seus contextos de produção e nos seus processos.
Objectivos: sensibilizar os participantes para os diversos tipos de escrita literária, para a reflexão sobre as práticas de escrita e para as potencialidades da linguagem, na sua vertente experimental (a exploração dos efeitos de musicalidade, por exemplo) ou de exercitadora de cidadania. Uma reflexão e prática que se deseja poder contribuir para, nesse enriquecimento da reflexão sobre a linguagem criativa, o enriquecimento do mundo.
Formadora: Ana Luísa Amaral. Nasceu em Lisboa em 1956, vive em Leça da Palmeira e ensina Literatura Inglesa, Literatura Comparada e Estudos Feministas na Faculdade de Letras do Porto, onde se doutorou em Literatura Norte-Americana com uma tese sobre Emily Dickinson. É autora de dez livros de poesia e dois livros infantis. Está representada em inúmeras antologias portuguesas e estrangeiras, onde se encontra traduzida para várias línguas. Editada no Brasil, a sua poesia será brevemente editada também em Itália e na Suécia. Em 2007, venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas, com o livro A Génese do Amor e, no mesmo ano, foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi. Em 2008, com o livro Entre Dois Rios e Outras Noites, obteve o Grande Prémio de Poesia da APE (Associação Portuguesa de Escritores).

Local: Livraria Arquivo
Horário: 10h30 às 13h • 14h30 às 18h30
Preço: 75,00€
Data: 4 de Abril
Inscrições até ao dia 31 de Março, limitadas a 15 participantes.

As inscrições poderão ser feitas ao balcão da Livraria Arquivo, por telefone e por e-mail.

Contactos:
LIVRARIA ARQUIVO
Av. Combatentes da Grande Guerra, 53, 2400 -123 Leiria
Telf. 244 822 225
Fax. 244 828 091
E-mail: Paula Carvalho (agenda@arquivolivraria.pt)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Prémio D. Dinis 2009 para Vítor Aguiar e Silva

O Prémio D. Dinis 2009, instituído pela Fundação da Casa de Mateus, foi atribuído ao investigador de literatura Vítor Aguiar e Silva pelo seu livro A lira dourada e a tuba canora: novos ensaios camonianos, publicado em 2008 pelos Livros Cotovia.

Vítor Aguiar e Silva nasceu em 1939.
Tem-se dedicado especialmente ao estudo da Teoria da Literatura, domínio em que a relevância do seu ensino e da sua investigação é nacional e internacionalmente reconhecida, e da Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo. Os estudos camonianos têm constituído objecto constante da sua actividade de investigador.
Tem desempenhado funções docentes, como professor visitante, em diversas Universidades estrangeiras.
Orientou numerosas dissertações de mestrado e doutoramento, na sua maioria publicadas.
Ocupou, por escolha governamental, diversos cargos nas áreas da Educação e da Cultura.
Autor, entre outros, dos seguintes trabalhos: Para uma interpretação do Classicismo, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa, Teoria da Literatura, Competência Linguística e competência literária: Sobre a possibilidade de uma poética gerativa, Análise e metodologia literárias e Camões: Labirintos e fascínios (obra galardoada com o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e da Associação Portuguesa de Escritores).
A Universidade de Évora atribuiu-lhe o Prémio Vergílio Ferreira de 2002.
Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Caixa Geral de Depósitos, o mais alto galardão literário existente em Portugal.

terça-feira, 17 de março de 2009

Curso sobre Fernando Pessoa

A Galeria Matos Ferreira vai promover, em parceria com a Associação Agostinho da Silva, um Curso sobre Fernando Pessoa.

Objectivo:
O curso partirá de uma abordagem plural e interdisciplinar, filosófica e literária, a alguns aspectos da obra de Fernando Pessoa. Dividir-se-á em três blocos temáticos, leccionados pelos seguintes professores: Paulo Borges, Renato Epifânio e Duarte Braga. Dois dos módulos serão constituídos por três sessões (sendo o segundo módulo constituído apenas por 2), mais o recital de Carmen Filomena, nove ao todo.

Programa:
MÓDULO I - Ilusão e Libertação, por Paulo Borges (25 Março, 1 e 8 Abril):
· Pré-existência e saudade na poesia inglesa;
· O vazio do sujeito e o jogo onírico/i-lusório do mundo (poesia ortónima e Bernardo Soares);
· O “Tratado da Negação” e “O Caminho da Serpente” (Raphael Baldaya).
MÓDULO II - Pessoa, o filósofo do outro, por Renato Epifânio (15, 22 Abril):
· Pessoa, o filósofo do "outro" do pensar;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de todo o ser;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de si próprio;
· Pessoa, o filósofo do "outro" de nós mesmos.

Recital de Poesia de Fernando Pessoa, por Carmen Filomena (29 Abril).

MÓDULO III – Projecto poético e heteronímia, Duarte Braga (6, 13 e 20 Maio):
· A questão da Nova Poesia Portuguesa, a profecia do supra-Camões/supra-Portugal e as Índias Espirituais;
· Alberto Caeiro: ignorância e revelação; o poema VIII de Guardador de Rebanhos e a leitura agostiniana;
· Álvaro de Campos e o sensacionismo.

Horário, Inscrições e Preço:
As aulas serão realizadas em período pós-laboral às quartas-feiras, de 25 de Março a 20 de Maio, inclusivé, ou seja nos dias 25 de Março, 1, 8, 15, 22 e 29 de Abril, e ainda nos dias 6, 13, 20 de Maio, das 19h00 às 20h30.

O Curso tem um limite máximo de 20 (vinte) participantes. O seu custo é de EUR 90,00 (noventa euros), podendo ser pago em duas prestações de EUR 45,00 (quarenta e cinco euros) cada. A primeira prestação deve ser paga a 25 de Março e a segunda com cheque pré-datado para 29 de Abril. Inclui material de apoio.

Os interessados podem-se inscrever através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22, do Email: mfgaleria@netcabo.pt . Em qualquer das opções deverão indicar sempre o número de telemóvel para eventual contacto.

Perfil dos Intervenientes:
PAULO BORGES é professor de Filosofia na universidade de Lisboa e tem uma vasta obra publicada nos domínios da poesia, ficção, teatro e ensaio filosófico. Autor da tradução de livros budistas e coordenador das obras reunidas de Agostinho da Silva, é também sócio fundador e membro da direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, co-director da revista Nova Águia e presidente da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva e do MIL - Movimento Internacional Lusófono.

RENATO EPIFÂNIO é Doutor em Filosofia pela FLUL, membro do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e da direcção da Associação Agostinho da Silva. É autor de várias obras sobre pensamento português e partilha com Paulo Borges e Celeste Natário a direcção da revista Nova Águia. Pertence à comissão coordenadora do MIL.

CARMEN FILOMENA DE ARRIAGA MARTIN CONDE nasceu em Angola, onde em 1965 começou a sua carreira no Teatro Nacional de Luanda com um espectáculo de poesia de Fernando Pessoa teatralizado. Em 1975, veio para Portugal onde se estreou no Teatro Experimental de Lisboa, tendo posteriormente enveredado por uma carreira de artista de variedades, dizendo poesia e cantando fado e música ligeira sempre em itinerância por todo o País. Participou igualmente, nas quadras natalícias em várias revistas infantis, organizadas pelo SIARTE - Sindicato das Artes e Espectáculo.
Mudou-se depois, em 1993, para Paris, onde participou em eventos lusófonos, convidada por diversas Embaixadas e comunidades. Quatro anos mais tarde, instalou o De Arriaga Piano Bar na Mouraria que encerrou em 2004. Desde aí participou em filmes, novelas, programas de rádio e de televisão, insistindo sempre em levar a poesia a todos os cantos de Portugal com incidência especial em bares da noite lisboeta.

DUARTE BRAGA é licenciado em Estudos Portugueses pela FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa .e mestre em Estudos Comparatistas pela mesma Faculdade. Trabalha nas áreas dos Estudos de Cultura e dos Estudos Literários. Tem leccionado em vários locais cursos sobre literatura portuguesa e publicado trabalhos sobre cultura, literatura e pensamento portugueses. Membro da direcção da Associação Agostinho da Silva e da comissão coordenadora do MIL.

Nota:
Durante o curso sobre FERNANDO PESSOA estará patente na GALERIA MATOS FERREIRA um quadro em técnica mista intitulado MAR PORTUGUEZ (100 x 120 cm - ano 2005) e inspirado no poema do mesmo nome do Poeta, da conhecida pintora ANA MARQUES.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Tiago Patrício vence Prémio Daniel Faria 2009

A 5ª edição do Prémio de Poesia Daniel Faria teve como vencedor o autor Tiago Patrício com a obra "O livro das aves".
Foi também atribuída uma Menção Honrosa à obra "A potência do meio dos nós", da autoria de António José Madureira Rodrigues.
O júri do prémio foi constituído por Francisco José Viegas, Francisco Saraiva Fino, Jorge Reis-Sá e Tito Couto.
As obras contempladas com o Prémio e a Menção Honrosa serão publicadas no próximo mês, pelas Quasi Edições, e serão apresentadas no dia 17 de Abril em Penafiel.

Tiago Patrício nasceu em 1979 no Funchal, Madeira, e passou a infância e adolescência em Trás-os-Montes. Frequentou o curso de Oficiais da Escola Naval como voluntário e regressou à vida civil 16 meses depois para ingressar na Faculdade de Farmácia. Fez escrita criativa em 2001 na Aula do Risco, vários cursos de aperfeiçoamento em imprensa no CENJOR entre 2001 e 2003, esteve no jornal “Os Fazedores de Letras” entre 2002 e 2007 e escreveu para o suplemento DNJovem durante o mesmo período. Faz teatro desde 2000, ajudou a criar o Com-Siso, com várias peças apresentadas entre 2002 a 2005. No ano seguinte entrou para o Grupo de Teatro de Letras, onde fez formação intensiva com Ávila Costa.
Foi seleccionado e publicado na colectânea Jovens Escritores do CPAI, em 2007 e 2008, em poesia. Fez residências de criação literária em Tunis em Julho de 2007 e em Praga no mês de Novembro do mesmo ano, de onde resultou uma leitura de textos por teleconferência no espectáculo “ECG: O Amor e Lisboa” no teatro Archa em Praga.
Encontra-se a meio caminho entre a poesia, o teatro e o vídeo experimental, no seio da associação “O Elemento Indesejado” e as suas múltiplas manifestaçoes artísticas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fernando Pinto Ribeiro (1928-2009)

O dia começou triste. Faleceu o poeta Fernando Pinto Ribeiro.
Natural da Guarda, Fernando Pinto Ribeiro nasceu em 1928 e escreveu aos catorze anos o seu primeiro soneto a que deu o título “Soneto dos 15 Anos”.
Colaborou nas revistas Flama, Panorama, Páginas Literárias, e em jornais como o Diário de Notícias, o Diário Ilustrado e em vários jornais regionais, tendo também sido publicados no Brasil alguns poemas seus.
Dirigiu, com Eduíno de Jesus e J. M. Pereira Miguel, a Revista de Letras e Artes “Contravento” (1968) com concepção gráfica de Artur Bual, da qual só se editaram quatro números, devido à censura.
Organizou com Alba de Castro, entre 1967 e 1983, as Pastinhas de Poesia, publicadas anualmente na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra. Participou em múltiplas colectâneas e organizou algumas, como as da Tertúlia Rio de Prata.
Pertenceu aos corpos sociais da Sociedade da Língua Portuguesa, foi sócio da Associação Portuguesa de Escritores, cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores e sócio da Colectividade Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes”.
Fascinado pelas noites de fado lisboeta começou a escrever alguns fados que desde logo fizeram sucesso (inicialmente, com o pesudónimo Sérgio Valentino). Escreveu letras para: Ada de Castro, Alexandra Cruz, Anita Guerreiro, António Mourão, António Laborinho António Passão, António Severino, Arlindo de Carvalho, Artur Garcia, Beatriz da Conceição, Branco de Oliveira, Carlota Fortes, Chico Pessoa, Estela Alves, Fernando Forte, Francisco Martinho, Humberto de Castro, Julieta Reis, Sara Reis, Lenita Gentil, Lídia Ribeiro, Maria Jô-Jô, Pedro Lisboa, Lurdes Andrade, Natércia Maria, Pedro Moutinho, Salete Tavares, Simone de Oliveira, Toni de Almeida, Tonicha, Tristão da Silva, Xico Madureira, entre muitos outros.
Fernando Pinto Ribeiro era um homem de profundo saber, de grande afectividade e que prezava muito a amizade.
Procurava encontrar a perfeição, tentando que cada poema tivesse uma quadratura musicável, com rima e métrica. Foi assim que os seus poemas passaram a ser musicados e cantados.
«A poesia é para mim um acto natural, pelo que sou imediatamente compensado pelo simples acto de escrever poemas e de os rever continuamente. Vejo aliás na revisão permanente dos meus poemas uma espécie de volúpia, uma busca incessante pela perfeição, mas ciente de que nunca a atingirei».
Hoje despedimo-nos de um poeta a quem não foi feita justiça. Um poeta que, pela sua humildade, nunca procurou a ribalta e por isso não lhe chegou a ser reconhecido o seu grande valor. Um poeta perfeccionista que fazia poesia com amor.
O corpo do poeta irá hoje para a Basílica da Estrela e o funeral realizar-se-á amanhã pelas 14 horas.
Até sempre, Fernando!


cilício

a Inês Ramos

amar
sem loucura nem pecado.
beijar com as asas
soerguidas
num voo orientado
através de trincheiras sucessivas.
não mais ficar parado
na curva do prazer
(hão-de explodir um dia em vão as feridas
do laço em que te abraço a Lúcifer).
tenha o desejo fugido à nostalgia
da amarra no cais ultrapassado
e viva nas marés do dia-a-dia
rendido
à viril filosofia
da onda que vai vem contra o rochedo.
guardar
a seiva do segredo
e o pólen da pele
nos lábios túmidos
hoje e sempre
fiel
ao beijo heróico
mortal e permanente
em que te aguardo
em que me encontre
frontal
total
e eternamente.

Fernando Pinto Ribeiro

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Novidades Quasi

À Sombra da Memória
Eugénio de Andrade
Biblioteca: Obra de Eugénio de Andrade
Edição: Dezembro 2008
Páginas: 157








“Sou um homem com vocação para escutar. Vocação e paciência: fixa, imóvel, atenta ao rumor da luz, do coração batendo, ou simplesmente das palavras, quando se juntam para acasalar. Rumores que atravessam a nossa vida, se perdem na memória, regressam com as cabras, o focinho húmido dos primeiros orvalhos. Alguns desses rumores andam connosco desde menino, acabam perdidos num olhar, morrem à míngua de música. Rumores do azul fremente da sombra, dos cães ladrando no adro; rumor da chuva, os pingos grossos pressentindo a agonia das cigarras e do verão sobre as oliveiras; rumor do sol entrando pelo quarto, gatinhando até à cama.”

Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa de Atalaia (Beira Baixa) a 19 de Janeiro de1923 e faleceu no Porto a 13 de Junho de 2005. Fez estudos primários e secundários em Castelo Branco, Lisboa e Coimbra, mas deixou os estudos oficiais em 1947. Começou a trabalhar nos Serviços Médico-Sociais do Ministério da Saúde, emprego que em 1950 o obrigou a fixar-se no Porto e de que se aposentou em 1983. Fez a sua estreia literária em 1939, quando publicou em plaqueta o poema “Narciso”, assinado com o seu nome de baptismo, José Fontinhas, que em 1942 deu lugar ao pseudónimo do seu primeiro livro, Adolescente, por sinal mais tarde renegado, como o segundo, Pureza, de 1945.
Até 2002, quando a doença o impediu de continuar a escrever, publicaria três livros de prosa, dois livros para crianças, várias antologias e livros de poemas, hoje reunidos no volume Poesia (2ªed. 2005).
O autor, muito premiado em vida, está traduzido com sucesso em vários países e já é nome de ruas, escolas, bibliotecas, sendo considerado um dos mais altos poetas do século XX.


Perdidamente
Correspondência amorosa 1920-1925
Florbela Espanca
Biblioteca: Primeiras Pessoas
Edição: Janeiro 2009
Páginas: 352







“Se conhecemos de sobra os sonetos de amor de Florbela Espanca, pelos de sinuosas gamas transbordantes de fecundas comoções que nos arrebatam, em contrapartida, apenas agora, mercê desta epistolografia, nos é permitido penetrar na privacidade afectiva daquela que os produz. Não por ser esta a sua primeira correspondência amorosa divulgada, coisa que de facto é (…) mas porque, nestas cartas e bilhetes a António Guimarães (aquele que viria a ser o seu segundo marido), Florbela fala (e este é o fundamento!) desde um lugar ignorado, que não aquele do seu diário, dos seus contos ou poemas, mesmo os mais sensivelmente amorosos. Nesta epistologia, Florbela, em estado de amante, escreve a partir da zona de silêncio, indevassável e solitária, que compartilha apenas com o seu cúmplice… e reside, já nisso, o nosso grave pecado de leitores desta correspondência…”
Maria Lúcia Dal Farra

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 1894 - Matosinhos, 1930)
É uma das figuras maiores da literatura portuguesa do século XX. Teve uma vida breve e tumultuosa, que marcou fortemente a sua obra literária, de tom confessional e sentimental, caracterizada por temas como a paixão humana, a melancolia, o sofrimento, a solidão, o erotismo e a natureza. Da sua obra, destaque para os livros de poesia o Livro de Mágoas (1919), o Livro de Sóror Saudade (1923) e, sobretudo, Charneca em Flor (editado postumamente em 1931). Florbela Espanca escreveu ainda extraordinários textos em prosa, tendo as Quasi publicado uma antologia de contos seleccionados e organizados por José Luís Peixoto (Charneca ao Entardecer).



Algumas das Palavras
Poesia reunida 1956-2008
Fernando Guimarães
Biblioteca: Finita Melancolia
Edição: Dezembro 2008
Páginas: 371







“Que Limites existem para a Luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo sentido se ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar uma outra luz, maior, que as permita ler.”

Fernando Guimarães nasceu no Porto em 1928.
A sua poesia, publicada em livro a partir de 1956, encontra-se reunida neste volume. Trata-se de uma edição que foi integralmente revista pelo autor. Contém o livro inédito Paixão e Geometria.
Fernando Guimarães é também autor de obras de ensaio, ficção e teatro.



Pequena Enciclopédia da Noite
Poemas escolhidos
Carlos Nejar
Biblioteca: Arranjos para Assobio
Edição: Janeiro 2009
Páginas: 108







Cântico
Limarás tua esperança
Até que a mó se desgaste;
Mesmo sem mó, limarás
Contra a sorte e o desespero.
Até que tudo te seja
Mais doloroso e profundo.
Limarás sem mãos ou braços,
Com o coração resoluto.
Conhecerás a esperança,
Após a morte de tudo.

Carlos Nejar, considerado “o poeta do pampa brasileiro” para uns, e para outros, como Jacinto do Prado Coelho, “o poeta da condição humana”. Também é ficcionista e ensaísta. Nasceu em Porto Alegre, onde viveu parte da sua vida, trabalhando como promotor de justiça pelo interior do pampa. Procurador de justiça aposentado, está radicado no seu “Paiol da Aurora”, diante do mar de Santa Mônica, Guarapari. Pertence à Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a cadeira nº4, ao Pen Clube do Brasil e à Academia Brasileira de Filosofia. Traduzido para várias línguas, com livros sobre a sua obra, é estudado nas universidades do Brasil e do Estrangeiro.


A Poesia Contemporânea Portuguesa
Do final dos anos 50 ao ano 2000
Fernando Guimarães
Biblioteca: Espaço do Invisível
Edição: 3ª edição, revista e aumentada
Páginas: 144







Apresenta-se aqui uma visão geral da poesia na segunda metade do século XX. Esta poesia é atravessada por alguns movimentos que vêm de um tempo anterior ou que com ela coincidem: Neo-Realismo, Surrealismo, Poesia Experimental ou, recentemente, o Pós-Modernismo. À margem destes movimentos, vários poetas mais ou menos isolados se afirmaram, fazendo com que este período se revele como um dos mais importantes da nossa poesia.


Fernando Guimarães tem publicado, desde 1956, vários livros de poesia e ensaio. Alargou também a sua actividade à ficção e ao teatro. Os seus livros de ensaio referem-se à poesia portuguesa desde o século XIX à actualidade e a questões relacionadas com a estética e a filosofia da arte. Trabalhou como investigador no Centro de Literatura da Universidade do Porto e, presentemente, no Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica Portuguesa. Em 2006 foi-lhe atribuído pela Universidade de Évora o Prémio de Ensaio Vergílio Ferreira, tendo em vista o conjunto da sua obra ensaística.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Festival Al-Mu'Tamid no Algarve

Ilustração de Norman MacDonald

O Festival de Música Al-Mu'Tamid vai já na nona edição e conta com músicos provenientes de Espanha, Marrocos, Síria, Irão e Argélia que irão animar o Algarve até finais de Fevereiro.
Este Festival abriu no passado dia 17 de Janeiro, em Loulé, e vai passar por outras localidades algarvias como Lagoa, Albufeira e Vila Real de Santo António.
Para festejar o poeta, haverá música sefardita, canto árabe e flamenco, guitarra flamenca, alaúde árabe, baile flamenco, e muita poesia.

O poeta alandalus Al-Mu'tamid, figura intelectual emblemática, grande impulsionador das artes e das letras, nasceu em Beja em 1040 e morreu em Marrocos em 1095. O “poeta do destino” foi rei de Sevilha, depois de ter sido Governador de Silves e é considerado um dos maiores poetas árabes.
Foi um dos que contribuíram para o aparecimento da nossa poesia trovadoresca e, pela excelência dos seus versos, foi imortalizado nas Mil e Uma Noites.

Poder
meu olfacto é teu odor delicioso
e o teu rosto o senhor dos olhos meus,
por seres minha, mesmo depois do adeus,
é que todos me chamam poderoso.

Tradução de Adalberto Alves



Evocação de Silves

Saúda, por mim, Abu Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca os esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas!
Mulheres níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
E lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Nos jogos do amor
Com a da pulseira curva
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava...
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar
Às vezes o do seu copo
E outras vezes o da boca.
Tangia cordas de alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas retirava o seu manto
Grácil detalhe mostrando:
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.

Tradução de Adalberto Alves

(Poema enviado a Ibn 'Ammar, relembrando os tempos de juventude em Silves)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Inger Christensen (1935-2009)

A poeta, romancista e ensaísta dinamarquesa Inger Christensen faleceu no passado dia 2 de Janeiro.
Inger Christensen, que integrava regularmente a lista de candidatos ao Nobel da Literatura, nasceu em 1935 em Vejle, era considerada uma das escritoras dinamarquesas mais importantes dos últimos anos e era conhecida pela sua poesia experimental, com formas próprias da matemática ou da música, como a do seu livro "Alphabet", uma das suas obras de referência.
Publicou os primeiros poemas em 1962 e publicou também romances, uma curta ficção sobre o Renascimento italiano, obras para crianças, peças de teatro, peças de rádio, e numerosos ensaios, entre os quais “O Segredo de Estado” (2000).
A escritora foi membro da Academia Dinamarquesa e da Academia Europeia de Poesia e foi distinguida com o prémio nórdico da Academia Sueca em 1994.
Venceu ainda o Prémio Austríaco Europeu de Literatura em 1994, o Prémio Europeu de Poesia em 1995 e o The America Award em 2001, entre muitas outras distinções.
As suas obras estão traduzidas em várias línguas.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Harold Pinter (1930-2008)

O escritor, dramaturgo e poeta Harold Pinter — Prémio Nobel da Literatura 2005 — morreu ontem à noite, aos 78 anos.
Nasceu em Londres em Outubro de 1930 e é considerado um dos maiores dramaturgos do século XX.
Autor de cerca de 30 peças de teatro, Pinter escreveu também poesia (War, 2003), peças radiofónicas e guiões para cinema e televisão.
Para além do Prémio Nobel da Literatura, em 2005, Pinter recebeu o Shakespeare Prize (Hamburgo), o European Prize for Literature (Viena), o Pirandello Prize (Palermo), o David Cohen British Literature Prize, o Laurence Olivier Award, o Legion d’Honneur e o Moliere D'Honneur.
Harold Pinter foi, também, um defensor dos direitos humanos e da Paz.
Mais informações sobre Harol Pinter, aqui.


Death May Be Ageing

Death may be ageing
But he still has clout

But death disarms you
With his limpid light

And he's so crafty
That you don't know at all

Where he awaits you
To seduce your will
And to strip you naked
As you dress to kill

But death permits you
To arrange your hours

While he sucks the honey
From your lovely flowers

Harold Pinter
Abril 2005

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Prémio Palavra Ibérica 2009 para Santiago Landero

Santiago Aguaded Landero é o vencedor espanhol do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009.
Santiago Landero nasceu em Huelva em 1962. É licenciado em Biologia pela Universidade de Sevilha e doutorado em Biologia Molecular pela Universidade Politécnica de Madrid. É Professor Associado da Universidade de Huelva desde 1996.

Livros de Poesia publicados:
Tratado de lo interino, Béjar: Ediciones LF., 1999
Diario de un profesor de química, Lepe: Ayuntamiento de Lepe, 2002
La ciudad de Mayo, Huelva: Edición de autor, 2004
Diario apócrifo de un alquimista, Béjar. Ediciones LF, 2005
El perfume de Magdalena, Huelva: Diputación Provincial de Huelva, 2005
Teoría de Dolor, Huelva: Ediciones del 1900, 2006
Animalario (crespado) de fondo, Huelva: Edición de Autor, 2006

Recebeu o III Prémio de Poesia da Cidade de Lepe (2000) e foi finalista do Primeiro Prémio ARTIfice de Poesia, Loja (2000), com La conquista de Coral publicado na obra colectiva PROEMIO UNO.

Lembro que a edição portuguesa deste Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2009 foi entregue a Maria do Sameiro Barroso pela obra "Uma Ânfora no Horizonte".